Sendo diferente

Entre um bolo imperfeito e uma lembrança inesquecível, Jane Nash celebra a beleza de ser diferente

Jane Nash
Jane Nash
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Minha mãe teve que correr
Até a loja da esquina
No dia anterior
Dedos de chocolate
Um saco de Smarties
Mais um pouco de cobertura
Quem poderia imaginar
Que o bolo
Com um buraco no meio
Poderia ser um sucesso tão grande
Para uma criança de 9 anos

Cinquenta anos depois
Amigos fizeram um bolo
Um ato de amor
Red Velvet
Perfeitamente feito
Lindamente apresentado
O bolo estava delicioso
Mas ainda assim
Sem dúvida alguma
Faltava-lhe
Um buraco no meio.

Jane Nash

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Linda, loira e mimada

Guilherme Machado: Poema ‘Linda, loira e mimada’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
Kyra – Foto por Guilherme Machado

Kyra chegou de mansinho,
olhar doce, passo leve no chão,
um furacão de carinho
invadindo o meu coração.

Linda, loira e dourada,
toda cheia de querer,
um pouco louca, meio mimada…
mas impossível não se render.

Ela chega toda prosa,
dona do próprio olhar,
sabe bem que é charmosa
e nasceu pra brilhar.

Tem doçura no focinho,
tem coragem no seu jeito,
faz de mim seu humano
— e eu aceito esse feito.

Deitada diante do pote,
come sem se preocupar.
Pra que gastar sua beleza
se deitada dá pra jantar?

Quando decide que é hora
de o humano lhe entreter,
começa uma conversinha
que só falta mesmo dizer:

“Brinca comigo, por favor.”
E insiste em sua oração.
Não sei nomear aqueles sons,
mas sei sua tradução.

Linda, loira e mimada,
dona da casa e do irmão,
quer sempre a ração alheia —
a dela? Essa, às vezes, não.

Por isso, na hora da comida,
preciso os dois separar.
E basta a Kyra ir embora
pro Salsicha começar:

um uivo comprido e sentido,
protestando a separação.
Ela fala quando quer brincar.
Ele, quando sente solidão.

Mas nem sempre foi assim.
Antes dela, alguém faltou.
Salsicha conheceu a tristeza,
mas foi Kyra quem o iluminou.

Kyra nunca conheceu Nika,
nem a história que encontrou.
Só chegou sendo Kyra —
e, sem saber, tudo mudou.

Não veio ocupar seu lugar,
nem apagar o que passou.
Trouxe uma história diferente
e, com carinho, o restaurou.

E foi assim, sem perceber,
sem precisar sequer tentar,
que a menina mais levada
ensinou alguém a brincar.

Linda, loira e adorada,
meu furacão de carinho,
fez morada em minha vida
e eu amo o seu jeitinho!

Se ser mimada é seu jeito,
confesso sem disfarçar:
foi o melhor dos defeitos
que a vida pôde me dar.

Guilherme Machado

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Meigo olhar

Márcia Nàscimento: Crônica ‘Meigo olhar’

Márcia Nàscimento
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Eu estava tão feliz, andei por quilômetros de distância para lhe encontrar e, quando lhe vi pela primeira vez, a alma o reconheceu e fiquei imersa apenas naquele meigo olhar.

Um olhar tão dócil que ama sem ter a necessidade de verbalizar nenhuma palavra, olhar tão puro e amigo, nobre e verdadeiro, daqueles que o mundo, há muito tempo, já se esqueceu, mas que ao lhe vir, pude sentir, que ainda há esperança em um mundo melhor que já advém até nós pela grandeza e força transmitida naquele olhar.

Há uma espécie de segredo, mistério profundo, um misto de encanto e poesia, amor em demasia, saberes, conhecimento e sabedoria que alcançou o âmago do meu ser através deste teu olhar.

E como o rio se deleita indo ao encontro do mar, assim minha alma se alegrou ao vê-lo pessoalmente, e o vendo também o reconheceu de mundos e galáxias distantes, luzes reluzentes como o brilho de uma constelação a iluminar, eu o reconheci através do teu meigo olhar.

Sementes universais do amor incondicional, irmãos das estrelas com missões de elevar as consciências aqui na Terra, que se comunicam telepaticamente através da pureza deste meigo olhar.

Márcia Nàscimento

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A força da amizade

Do sonho compartilhado nasce a literatura infantil

A força da Amizade
A força da amizade. A turma da Malu

A literatura infantil ganha ainda mais cor e sentido quando nasce da amizade e do sonho compartilhado.

É assim com Lucivânia Orlandi Palma e Mariléa Aparecida Castilho Bonilha, duas educadoras apaixonadas por histórias, que transformaram sua experiência em sala de aula em um projeto literário cheio de carinho e inclusão.

Lucivânia, que carrega um nome único escolhido pela avó, descobriu o poder da leitura ainda pequena, ouvindo as histórias contadas por sua professora Doroty.

Lucivânia e Mariléa
Lucivânia e Mariléa

Mais tarde, como alfabetizadora, percebeu que os livros tinham a força de encantar, ensinar e transformar.

Em 2022, lançou A Turma da Malu, voltado para alfabetização, e agora se aventura em seu primeiro livro de literatura infantil.

Mariléa encontrou nas estrelas e na natureza da Serra da Mantiqueira a inspiração para criar poemas e histórias.

Desde os tempos da escola rural, se encantou com o mundo mágico da leitura, dedicando-se depois à educação.

Formada em Magistério e Pedagogia, hoje é autora de obras que encantam crianças de todas as idades, sempre repletas de mensagens inspiradoras.

Da amizade entre as duas nasceu A Força da Amizade, livro que apresenta a história da chegada de Malu, uma menina cadeirante, a uma nova escola.

A narrativa revela como a turma se uniu, criou laços de amizade e abraçou o objetivo de arrecadar fundos para construir um parque inclusivo.

Mais do que um livro, a obra é um convite a celebrar a diversidade, a empatia e a beleza dos encontros.

Lucivânia e Mariléa mostram que a literatura infantil pode ser doce, divertida e, ao mesmo tempo, profundamente transformadora.

REDES SOCIAIS DAS AUTORAS

A FORÇA DA AMIZADE. A TURMA DA MALU

SINOPSE

Mudar de escola pode ser um turbilhão de emoções, e para Malu não é diferente, ela teme não ser aceita por usar cadeira de rodas.

Ela se preocupa se os colegas vão querer brincar com ela ou tratá-la diferente.

No fundo, Malu só deseja fazer amigos e ser acolhida com carinho.

Nesta jornada, ela descobre que a nova escola pode trazer grandes oportunidades, amizades e aprendizado.

Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube

OBRAS DAS AUTORAS

A força da amizade. A turma da Malu
A força da amizade. A turma da Malu

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Resenhas da colunista Lee Oliveira




Uva, vinho e amizade

Sergio Diniz da Costa: ‘Uva, vinho e amizade’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
Imagem gerada pela IA do Bing - 07 de setembro de 2024 às 11: 50
Imagem gerada pela IA do Bing – 07 de setembro de 2024 às 11: 50

Rua Dr. Arthur Martins. Aproximadamente 13h00. Um policial militar de baixa estatura, magro, aparência sisuda e rosto marcado pelo tempo acena para que eu pare o carro. Rápida e instintivamente, confiro mentalmente documentos, equipamentos e as condições gerais do veículo. Tudo em ordem. Graças a Deus! Apesar do adiantado da hora para o almoço, acredito que seja apenas uma vistoria de rotina e, por essa razão, não perderei muito tempo. Todavia, por cautela, questiono o policial se cometi alguma infração de trânsito. Não, até então, não cometera nenhuma. Era de fato uma vistoria de rotina. Respirei aliviado. Até o momento em que o PM, ao examinar os documentos do carro, constatou que o licenciamento vencera há pouco tempo. Emudeci. Engasguei. Suei. Contabilizei a futura perda financeira, eventual apreensão do veículo etc. etc. etc.

E agora, José? (lembrei-me do belíssimo poema de Carlos Drummond de Andrade). E agora? As penas da lei, completou o meu juiz interior. Esperei, assim, a minha sentença. Porém, ela não veio. Não da forma como a letra fria do papel haveria de impor. Veio, ao contrário, por meio de uma admoestação, semelhante àquela dos pais para com os filhos, ou do mestre para com o aluno. E a multa? Surpreso, questionei sobre ela, pois, afinal, não é a sanção da lei que coíbe os homens para a prática das infrações? Esse não era, contudo, o pensamento daquele policial. Segundo sua filosofia de vida e de trabalho, há outras formas de educar e punir os homens. O guarda de trânsito, o policial militar ─ segundo ele ─, não tem uma rígida formação profissional para sair às ruas como aquele que detém um poder ilimitado, punindo qualquer um por qualquer infração; não, o rígido tempo de Academia é um tempo de aprendizagem, formação, educação; educação de si mesmo, para um difícil trabalho diante da comunidade.

Ouvi, surpreso e gratificado, as palavras daquele homem simples, que vestia um uniforme descolorido pela exposição diária a um sol inclemente e, somente naquele momento, e mais surpreso ainda, notei o seu sobrenome: VIDEIRA. Fiz-lhe, então, uma observação: videira é uma trepadeira e produz uva. E ele, certamente sabendo disso, arrematou: ─ uva passa, olhe as rugas do meu rosto… Não pude deixar de rir, diante de seu senso de humor. E entre alguns comentários sobre a vida, incluindo a importância da amizade, passamos alguns minutos conversando. Num determinado momento, ele, que não descurara o trânsito, interrompeu a conversa, e para exemplificar o papel orientador do policial, postou-se no meio da rua, com aquele semblante “severo” que eu conhecera minutos antes e determinou que outro veículo parasse; uma senhora dirigia sem o cinto de segurança. Com um simples (mas significativo) olhar, fez-lhe ver que ela se esquecera de algo importante; a motorista, com um sorriso constrangido, rapidamente colocou o equipamento de segurança. A seguir, foi-lhe liberada a passagem. E a senhora, com seu acompanhante, continuou seu trajeto; não antes de proferir (e também seu acompanhante) um sonoro e feliz “muito obrigado!”.

Videira me confidenciou, em seguida, que fizera muitos amigos, agindo dessa forma. Concordei com ele e, para confirmar suas palavras, disse-lhe que gostaria de lhe dar um presente. Imediatamente, ele recusou. Sosseguei-lhe o espírito: era apenas um livro de Direito de minha autoria que, de certa forma, por meio de uma argumentação mais altaneira, também falava de relacionamentos pautados no bom senso e na ética. Diante da explicação, ele aceitou o presente, comentando que, sempre que possível, no quartel acessava sites jurídicos.

Com a ideia do almoço já esquecida (e sem sentir falta dele), me despedi daquele policial, a princípio um estranho, de ar sisudo, mas, de repente, um novo amigo; um amigo que estaria diariamente naquele posto, orientando outros motoristas desatentos; um amigo de farda desbotada pelo sol, mas com ele resplandecendo em seu coração.

Ao continuar meu trajeto, refletindo sobre a conversa que tivera com Videira, lembrei-me de um pensamento do escritor escocês James Boswell: “Não podemos determinar o exato momento em que se forma uma amizade. Quando enchemos um recipiente gota a gota, chega um instante em que mais uma gota fá-lo transbordar. Assim nas relações humanas: as gentilezas se sucedem até que mais uma gentileza faz o coração transbordar de ternura”. Era um pensamento verdadeiro; de fato, naquele momento, meu coração transbordava de ternura e outro pensamento concluiu minhas reflexões: videira é uma planta que dá uvas, dá o vinho… e faz amigos.

Olhei pela última vez pelo retrovisor, para acenar para aquele novo amigo. E, por um instante, tive a impressão de que não o vi com uma farda, quepe e um coldre com um revólver, mas sim com um avental branco e um giz na mão, preenchendo na grande lousa daquela rua mensagens de amizade… para todos aqueles que as quisessem ler.

Sergio Diniz da Costa

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Florescer

Dorilda Almeida: Poema ‘Florescer’

Dorilda Almeida
Dorilda Almeida
Florescendo as sementes do amor
Imagem gerada com IA do Bing ∙ 5 de setembro de 2024 às 8:39 AM

Tudo que planta
Floresce
Se planta flores
Floresce
Rosas, dálias e margaridas
Para florir a nossa vida.

Tudo o que planta
Floresce
Se planta frutas
Floresce
Mangas, laranjas e melão
Para florescer a nossa alimentação

Tudo que planta
Floresce
Se planta amor
Floresce
Amizade, carinho e alegria
Para florear o nosso dia a dia

Floresça ande estiver plantada!
Deixe florescer as sementes de amor.

Dorilda Almeida

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Soneto para Paulo

Virgínia Assunção: ‘Soneto para Paulo’

Virgínia Assunção
Virgínia Assunção
O médico, acadêmico e querido amigo Paulo Amado Oliveira

Paulo, amado amigo e tão querido,
Neste dia, meu coração declama,
Este poema, pois celebra contigo
Mais um ano da tua bela trama.

Nossa amizade em nós se fez alento,
Fez-se laço forte, doce e verdadeiro,
Nosso afeto é mais que um simples vento,
É semente; flores nas mãos do jardineiro.

Neste teu dia, te desejo alegria, alegria…
Que o amor te envolva em cada instante,
E a felicidade seja sempre tua guia.

Feliz aniversário, amigo constante,
Que a vida te sorria em harmonia,
E a luz do teu ser sempre nos encante.

Virgínia Assunção

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