Minha mãe teve que correr Até a loja da esquina No dia anterior Dedos de chocolate Um saco de Smarties Mais um pouco de cobertura Quem poderia imaginar Que o bolo Com um buraco no meio Poderia ser um sucesso tão grande Para uma criança de 9 anos
Cinquenta anos depois Amigos fizeram um bolo Um ato de amor Red Velvet Perfeitamente feito Lindamente apresentado O bolo estava delicioso Mas ainda assim Sem dúvida alguma Faltava-lhe Um buraco no meio.
Márcia NàscimentoImagem gerada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69ad9324-5f98-8332-8856-17827d6f40d8
Eu estava tão feliz, andei por quilômetros de distância para lhe encontrar e, quando lhe vi pela primeira vez, a alma o reconheceu e fiquei imersa apenas naquele meigo olhar.
Um olhar tão dócil que ama sem ter a necessidade de verbalizar nenhuma palavra, olhar tão puro e amigo, nobre e verdadeiro, daqueles que o mundo, há muito tempo, já se esqueceu, mas que ao lhe vir, pude sentir, que ainda há esperança em um mundo melhor que já advém até nós pela grandeza e força transmitida naquele olhar.
Há uma espécie de segredo, mistério profundo, um misto de encanto e poesia, amor em demasia, saberes, conhecimento e sabedoria que alcançou o âmago do meu ser através deste teu olhar.
E como o rio se deleita indo ao encontro do mar, assim minha alma se alegrou ao vê-lo pessoalmente, e o vendo também o reconheceu de mundos e galáxias distantes, luzes reluzentes como o brilho de uma constelação a iluminar, eu o reconheci através do teu meigo olhar.
Sementes universais do amor incondicional, irmãos das estrelas com missões de elevar as consciências aqui na Terra, que se comunicam telepaticamente através da pureza deste meigo olhar.
Do sonho compartilhado nasce a literatura infantil
A força da amizade. A turma da Malu
A literatura infantil ganha ainda mais cor e sentido quando nasce da amizade e do sonho compartilhado.
É assim com Lucivânia Orlandi Palma e Mariléa Aparecida Castilho Bonilha, duas educadoras apaixonadas por histórias, que transformaram sua experiência em sala de aula em um projeto literário cheio de carinho e inclusão.
Lucivânia, que carrega um nome único escolhido pela avó, descobriu o poder da leitura ainda pequena, ouvindo as histórias contadas por sua professora Doroty.
Lucivânia e Mariléa
Mais tarde, como alfabetizadora, percebeu que os livros tinham a força de encantar, ensinar e transformar.
Em 2022, lançou A Turma da Malu, voltado para alfabetização, e agora se aventura em seu primeiro livro de literatura infantil.
Já Mariléa encontrou nas estrelas e na natureza da Serra da Mantiqueira a inspiração para criar poemas e histórias.
Desde os tempos da escola rural, se encantou com o mundo mágico da leitura, dedicando-se depois à educação.
Formada em Magistério e Pedagogia, hoje é autora de obras que encantam crianças de todas as idades, sempre repletas de mensagens inspiradoras.
Da amizade entre as duas nasceu A Força da Amizade, livro que apresenta a história da chegada de Malu, uma menina cadeirante, a uma nova escola.
A narrativa revela como a turma se uniu, criou laços de amizade e abraçou o objetivo de arrecadar fundos para construir um parque inclusivo.
Mais do que um livro, a obra é um convite a celebrar a diversidade, a empatia e a beleza dos encontros.
Lucivânia e Mariléa mostram que a literatura infantil pode ser doce, divertida e, ao mesmo tempo, profundamente transformadora.
Sergio DinizImagem gerada pela IA do Bing – 07 de setembro de 2024 às 11: 50
Rua Dr. Arthur Martins. Aproximadamente 13h00. Um policial militar de baixa estatura, magro, aparência sisuda e rosto marcado pelo tempo acena para que eu pare o carro. Rápida e instintivamente, confiro mentalmente documentos, equipamentos e as condições gerais do veículo. Tudo em ordem. Graças a Deus! Apesar do adiantado da hora para o almoço, acredito que seja apenas uma vistoria de rotina e, por essa razão, não perderei muito tempo. Todavia, por cautela, questiono o policial se cometi alguma infração de trânsito. Não, até então, não cometera nenhuma. Era de fato uma vistoria de rotina. Respirei aliviado. Até o momento em que o PM, ao examinar os documentos do carro, constatou que o licenciamento vencera há pouco tempo. Emudeci. Engasguei. Suei. Contabilizei a futura perda financeira, eventual apreensão do veículo etc. etc. etc.
E agora, José? (lembrei-me do belíssimo poema de Carlos Drummond de Andrade). E agora? As penas da lei, completou o meu juiz interior. Esperei, assim, a minha sentença. Porém, ela não veio. Não da forma como a letra fria do papel haveria de impor. Veio, ao contrário, por meio de uma admoestação, semelhante àquela dos pais para com os filhos, ou do mestre para com o aluno. E a multa? Surpreso, questionei sobre ela, pois, afinal, não é a sanção da lei que coíbe os homens para a prática das infrações? Esse não era, contudo, o pensamento daquele policial. Segundo sua filosofia de vida e de trabalho, há outras formas de educar e punir os homens. O guarda de trânsito, o policial militar ─ segundo ele ─, não tem uma rígida formação profissional para sair às ruas como aquele que detém um poder ilimitado, punindo qualquer um por qualquer infração; não, o rígido tempo de Academia é um tempo de aprendizagem, formação, educação; educação de si mesmo, para um difícil trabalho diante da comunidade.
Ouvi, surpreso e gratificado, as palavras daquele homem simples, que vestia um uniforme descolorido pela exposição diária a um sol inclemente e, somente naquele momento, e mais surpreso ainda, notei o seu sobrenome: VIDEIRA. Fiz-lhe, então, uma observação: videira é uma trepadeira e produz uva. E ele, certamente sabendo disso, arrematou: ─ uva passa, olhe as rugas do meu rosto… Não pude deixar de rir, diante de seu senso de humor. E entre alguns comentários sobre a vida, incluindo a importância da amizade, passamos alguns minutos conversando. Num determinado momento, ele, que não descurara o trânsito, interrompeu a conversa, e para exemplificar o papel orientador do policial, postou-se no meio da rua, com aquele semblante “severo” que eu conhecera minutos antes e determinou que outro veículo parasse; uma senhora dirigia sem o cinto de segurança. Com um simples (mas significativo) olhar, fez-lhe ver que ela se esquecera de algo importante; a motorista, com um sorriso constrangido, rapidamente colocou o equipamento de segurança. A seguir, foi-lhe liberada a passagem. E a senhora, com seu acompanhante, continuou seu trajeto; não antes de proferir (e também seu acompanhante) um sonoro e feliz “muito obrigado!”.
Videira me confidenciou, em seguida, que fizera muitos amigos, agindo dessa forma. Concordei com ele e, para confirmar suas palavras, disse-lhe que gostaria de lhe dar um presente. Imediatamente, ele recusou. Sosseguei-lhe o espírito: era apenas um livro de Direito de minha autoria que, de certa forma, por meio de uma argumentação mais altaneira, também falava de relacionamentos pautados no bom senso e na ética. Diante da explicação, ele aceitou o presente, comentando que, sempre que possível, no quartel acessava sites jurídicos.
Com a ideia do almoço já esquecida (e sem sentir falta dele), me despedi daquele policial, a princípio um estranho, de ar sisudo, mas, de repente, um novo amigo; um amigo que estaria diariamente naquele posto, orientando outros motoristas desatentos; um amigo de farda desbotada pelo sol, mas com ele resplandecendo em seu coração.
Ao continuar meu trajeto, refletindo sobre a conversa que tivera com Videira, lembrei-me de um pensamento do escritor escocês James Boswell: “Não podemos determinar o exato momento em que se forma uma amizade. Quando enchemos um recipiente gota a gota, chega um instante em que mais uma gota fá-lo transbordar. Assim nas relações humanas: as gentilezas se sucedem até que mais uma gentileza faz o coração transbordar de ternura”. Era um pensamento verdadeiro; de fato, naquele momento, meu coração transbordava de ternura e outro pensamento concluiu minhas reflexões: videira é uma planta que dá uvas, dá o vinho… e faz amigos.
Olhei pela última vez pelo retrovisor, para acenar para aquele novo amigo. E, por um instante, tive a impressão de que não o vi com uma farda, quepe e um coldre com um revólver, mas sim com um avental branco e um giz na mão, preenchendo na grande lousa daquela rua mensagens de amizade… para todos aqueles que as quisessem ler.
Virgínia AssunçãoO médico, acadêmico e querido amigo Paulo Amado Oliveira
Paulo, amado amigo e tão querido, Neste dia, meu coração declama, Este poema, pois celebra contigo Mais um ano da tua bela trama.
Nossa amizade em nós se fez alento, Fez-se laço forte, doce e verdadeiro, Nosso afeto é mais que um simples vento, É semente; flores nas mãos do jardineiro.
Neste teu dia, te desejo alegria, alegria… Que o amor te envolva em cada instante, E a felicidade seja sempre tua guia.
Feliz aniversário, amigo constante, Que a vida te sorria em harmonia, E a luz do teu ser sempre nos encante.