No silêncio no tempo que circula as ondas Corpos ébrios com as luzes dos altares Invadem o calendário dos prazeres …No Alvorecer vivenciaram suas mortes Abriram-se na virada anunciaram seus intentos na roda dos sabores… Ausentes Conectados ao radar de sua existência pálida Bebem o amargo fel que dança no inferno de sua boca Reprimem o novo cenário no púlpito Mas, casam-se e degustam-se de cada detalhe no oculto… Ausentes Embriagados com o vinho do sacrifício Degolam as vozes na órbita do destino Desfilam o sacramento nas bandejas do ópio Negligenciando o verso que detona-os! Confessam suas ofensas em tom de ironia Denotam suas mentes em controvérsia com Justiça! Vivem Longe de suas vidas Fraudulentas A família silencia a malicia de suas línguas Esconde na mensagem que nutre a imagem que o povo visualiza… Na calçada adentram na manta Derreado perderam-se no meio da trilha Emitem sons extintos em suas ondas… Ausentes Seus filhos crescem na prensa do abismo Distantes do vínculo afetivo… Ausentes…
Ella DominiciImagem criada por IA no Bing. 27 de março de 2025, às 13:18 PM
A história dos lugares não é apenas a história dos lugares. Quando um espaço carrega as marcas das almas e dos corpos que nele existiram, a geografia se dissolve na memória. O que se conta, então, não é sobre a terra em si, mas sobre a experiência de estar, pensar e descobrir.
Há quem observe apenas formas. Eu, porém, busco enxergar além das aparências. Vejo as mentes em seu estado bruto, sem contornos definidos, até que se revelam. Com o tempo, compreendi que as matérias se desgastam e que o homem, tão sólido quanto pensa ser, se esfarela na passagem do tempo. No entanto, é na consciência que a história permanece – uma resiliência silenciosa, muito além da inércia das coisas.
Os lugares não guardam suas histórias em muros ou ruínas, mas no ar que se respira, nos pulmões que sustentam a existência.
A memória é meu ponto de partida. O que fui e o que serei se entrelaçam em um tempo fluido, onde sou tanto a lembrada quanto a esquecida. O passado é um tecido rendilhado, com suas lacunas preenchidas por recordações, devaneios e descobertas. Minha trajetória é uma reconstrução, um resgate que se materializa nas ruas literárias desta cidade que se reinventa.
Ao me deparar com um vilarejo vazio de letras, sigo rumo à Ilha de Dentro*. O caminho é moldado por palmeiras esguias, que oscilam entre a rigidez e a leveza, tal como os espíritos das novas gerações que ali se firmam. Mas há também aqueles que chegam para modificar a paisagem, desfazendo a essência bucólica e romântica dos arredores. O que era belo não resiste à repetição do presente, e Sophia* percebe que a mesmice do hoje apaga as cores do que poderia ter sido.
O encontro com seu próprio Eu é paradoxal, mas real. A felicidade, quando autêntica, nasce do contato mais profundo com o ser. A vida não é um documento imutável, mas um fluxo de pensamentos, conversas íntimas consigo mesma, com Deus, com lembranças ancestrais. É um diálogo contínuo entre finitude e eternidade.
As ondas, ao se chocarem contra a terra, esculpem palavras. As memórias e imaginações se transformam porque um dia existiram.
Reconhecer a sombra é perceber a casca do ovo que se rompe e encontrar, na gema, o legado da criação. Na escrita, a metamorfose acontece. Sophia compreende que, ao se lançar na liberdade da linguagem, está também recriando sua própria existência.
Ela ainda tem muito a dizer, muito a ouvir. O tempo, afinal, não é um limite.
As palmeiras, eretas, enfrentam os ventos em desalinho. Não obedecem a paralelismos, não se submetem a métricas rígidas. Sua dança imprevisível na planície aberta é poesia sem rimas, liberdade sem fronteiras.
* Sophia e Ilha de Dentro: uma concepção e gestação que prometem, em breve, levar os leitores num mergulho literário a profundeza e descobertas inimagináveis!