Foxes

Jane Nash: Poem ‘Foxes’

Jane Nash
Jane Nash
Imagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a046d80-44e8-83e9-b40e-6d59a8afe405

It starts when sly hands pluck

Static goods, supermarket, newsagent

The close captioned television

Recording each gesture, each movement

Guilt is transmitted long before action

Like crows like ravens

Deciding together to steal

En-masse tiny eggs

Lost shiny earrings, pretty stones

Benign in my observations

There’s no one to report to

No checks or balances in the animal kingdom

Sticky fingers attach themselves

Only foxes have no restraint on greed

Whilst the leaders of the world

Throw missiles at each other

Their greed unchecked

We are no more than a den of foxes

Jane Nash

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O passo da gazela

Seth Marcelo: ‘O passo da gazela’

Seth Marcelo
Seth Marcelo

No salão rubro do Palácio das Pedras Douradas, entre alcatifas gastas e candeeiros exaustos de tanto brilho antigo, o velho Ngola Mangueira Yetu, há três décadas firmemente sentado na cadeira da decisão, compunha com esmero a gravata vermelha e dourada diante das câmaras. Os seus olhos, cavados por rugas e desconfianças, procuravam, lá fora, a multidão que se apertava na Praça Independente, debaixo de um ecrã abrasado pelo sol.

O povo, em uníssono, entoava:
— Em dois mil e vinte e dois vais gostar! Em dois mil e vinte e dois vais gostar!

O refrão, que em tempos nascera de uma esperança inocente, fermentara até se tornar troça colectiva — cântico de frustração, mas também de aviso. Chimuku sorriu de lado, como quem já conhece o desfecho. Era da nova guarda, mas com o velho perfume da ambição.

— Ao povo que canta, que dança, que sonha e que resiste, digo com a calma de quem não teme: não vos apoquenteis. Amanhã darei um passo à gazela. Sim, um salto elegante, leve, de fato escuro — mas sempre para a frente. Quem crê que tombarei no fosso das urnas desconhece o solo firme que sob nós se estende. E ignora, sobretudo, a fidelidade com que escolhi o camarada Jaime Baixinho para continuar a obra.

Atrás dele, ministros brindavam com espumante barato e palavras ruidosas. Entre eles: Viegas e o Baka. Brindavam não pela certeza, mas pelo medo do contrário.

Nas redes, a frase fez-se meme com rapidez viral. Encheram-se os ecrãs de gazelas a tropeçar, saltos falhados, desastres anunciados. Riam-se muitos. Mas nas sombras do palácio, o salto já estava coreografado com antecedência — não pela leveza da gazela, mas pela precisão com que o poder sabe proteger-se a si próprio.

Na manhã seguinte, o Sol nasceu grosso e silencioso, como se hesitasse. E lá estava ele, Ngola Mangueira Yetu, agora com uma gravata amarela, na varanda do palácio, sorrindo com o alívio de quem sobrevive não por mérito, mas por astúcia.

— Como prometido, saltei. E cá estou.

E foi então que, no silêncio denso que se seguiu, o povo começou a decorar o próximo refrão. Porque ali, naquela coreografia entre ambição e estabilidade, se evitara — por enquanto — a ruína.

Como dirá certo cantor, há vezes em que até a vaidade dos poderosos nos poupa da guerra. E há paz que nasce não do amor, mas do medo de perdê-la.

Seth Marcelo

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