Entropia íntima

Ella Dominici: ‘Entropia íntima’

Ella Dominici
Ella Dominici
Fotografia conceitual surrealista e poética em proporção 16:9, ambientada em um quarto vintage escuro com iluminação em chiaroscuro dramático. À esquerda, uma cadeira de madeira e uma cômoda ao fundo parecem se dissolver suavemente em partículas e espirais de luz dourada reluzente. No centro, flutuando no ar, há uma garrafa de vidro transparente que contém uma tempestade cósmica miniatura com uma galáxia em espiral brilhante. À direita, sobre uma mesa de madeira envelhecida, um livro antigo aberto exala poeira estelar cintilante de suas páginas em direção ao centro. A atmosfera é misteriosa, íntima e mágica, com feixes de luz cortando a penumbra.
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Sozinha com os princípios, eu descubro: a palavra não é um abrigo. É um laboratório.

Entropia.

Digo baixo, como quem nomeia um animal que vive no escuro.

A entropia não consola. Não catequiza. Não faz promessas com voz de altar. Ela apenas registra a tendência: o universo gosta de se desfazer. E eu também.

Num sistema termicamente isolado, a entropia aumenta. E o tempo — esse operário invisível — vai desmontando a mobília do mundo. Até que a ordem se torne uma espécie de saudade.

Chamar isso de decadência é um vício moral.

A ciência não tem pecado: observa.

O que é decadência senão a tradução exata do que é vivo? Tudo o que respira se desorganiza para continuar respirando. Tudo o que ama se desarruma.

E então eu pergunto, com lucidez: qual o grau da desordem do teu nome no meu sistema?

Teu nome não é palavra. Teu nome é física íntima: vibração, colisão, deslocamento. Teu nome é uma partícula que insiste.

No meu quarto há objetos. E eu os olho como quem olha uma teoria. Quantas formas de dispor o mesmo copo? Quantas versões de uma cadeira? Quantas possibilidades de um livro que nunca fecha?

Quanto maior meu íntimo, mais combinações. E quanto mais combinações, mais improvável a paz. É simples. É cruel. É belo.

Os sentimentos não se organizam como biblioteca. Organizam-se como tempestade num copo. Um copo: pequeno. Uma tempestade: infinita.

Se eu te entregasse minhas moléculas, tu não preverias. Não por falta de inteligência, mas por excesso de vida.

Porque o sistema combinado produz o inumerável: átomos, encontros, desvios, acidentes, memórias — o acaso com sua assinatura de Deus.

Sim: Deus. Esse nome que alguns evitam, mas que eu reconheço no improvável.

No fim, a entropia não me entristece. Ela me purifica. Porque na desordem — na efemeridade — eu não tenho tempo de mentir.

Eu amo com urgência.

compreendo com humildade,

 perdoo com grandeza. E cada gesto, por menor que seja, torna-se um milagre em miniatura.

Há dignidade escondida no caos. E talvez seja essa a forma mais alta de liberdade: não um direito proclamado, mas um instante íntimo em que eu me permito ser desordem — sem culpa.

Ella Dominici

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Mulher

Loide Afonso: Poema ‘Mulher’

Loid Portugal
Loid Portugal
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Linda
Bela
Maravilhosa
Preta
Esbelta
De todos os nomes lindos,
Nenhum supera
O de uma mulher sorrindo
Cantando
Pulando
Gritando
É. Mulher é tudo isto
Um misto
De caos
Loucura
Alegria
Pureza
Dor
leveza,
É mistura
De bom
Mau
Lento
Frio
Rápido
E morno,
É compostura
Um livro mal
Lido
Atirado
E flor no
Jardim bem cultivado

Loid Portugal

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Mulheres de São Paulo

Ella Dominici

‘Mulheres de São Paulo – Incandescentes e Femininas’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA da Meta
Imagem criada por IA da Meta

Elas — são fogo que anda nas ruas, com passos que o caos insinua.
Têm lava nas veias, vertente acesa, derretem o medo com delicadeza.

Elas são vulcões silenciosos, ferros e flores, ritos e gozos.
Do concreto fazem chão fértil, do pranto — um hino desperto e sutil.

No aço da pressa, germinam ternura, carregam nos ombros a própria estrutura.
São brasa e perfume, são dor e canção, fermentam o mundo em seu coração.

Quando o sistema as tenta conter, elas respondem com o poder
de jorrar incandescência pura, fertilizando o que o tempo cura.

Elas são o grito contido da terra, o verso que rompe a guerra.
São gestação do amanhã, poesia em corpo de afã.

Mulheres de São Paulo — brasas, na labareda que abraça as casas.
Lavam o caos com seu brilho maduro, e fazem do fogo — o fértil futuro.

Ella Domnici

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Mulher

Evani Rocha: Poema ‘Mulher’

Evani Rocha
Evani Rocha
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

Ela é o caos na sua perfeição de mulher moderna,

No seu estereótipo de rainha do lar…

Mas ela quebra paradigmas,

Saber ser elegante, generosa,

Assertiva e competente.

Sabe amar como ninguém!

Mulher…

De salto alto ou de chinelo,

Ela será sempre o elo,

entre o caos

E a perfeição!

Evani Rocha

Contatos com a autora

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