A cama dos casados I

Conto de Makala Sankara Anzuruni — À luz de uma fogueira ancestral, as lições de um velho professor sobre o lugar onde o amor aprende a respirar através das palavras.

Retrato em close do escritor moçambicano Makala Sankara Anzuruni vestindo camisa branca, olhando ligeiramente para cima com um fundo claro decorado com flores vermelhas.
Makala Sankara Anzuruni
Pintura digital de pessoas reunidas ao redor de uma fogueira sob uma grande árvore em uma aldeia africana durante a noite.
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Há camas onde o corpo descansa e outras onde o casamento aprende a respirar

A reunião começou quando a noite já tinha tomado conta da aldeia.

Não havia energia eléctrica. Não havia televisão. Não havia telefone para interromper a conversa. Havia apenas a lua, o som dos grilos e uma fogueira acesa debaixo da grande figueira.

Os homens estavam sentados em bancos de madeira. As mulheres ocupavam as esteiras. As crianças, depois de muitas corridas pelo terreiro, brincavam perto das mães.

Naquela aldeia, quando a noite chegava, a palavra ainda tinha tempo.

No centro da roda estava o professor.

Começou por cantar uma pequena música tradicional. As mulheres responderam em coro. A fogueira estalava, lançando pequenas faíscas para o escuro.

Quando terminou a canção, o professor olhou para os casais.

— Minhas mwanas, para que serve uma cama?

Maboa, que estava sentado perto do fogo, respondeu sem pensar:

— Para dormir, professor.

As mulheres riram.

O professor também sorriu.

— É exactamente por pensarmos assim que alguns casamentos passam a vida deitados e nunca descansam.

Maboa ajeitou-se no banco.

— Professor, cama é cama.

— Não, Maboa. Cama de solteiro pode ser cama. Cama de hospital pode ser cama. Mas a cama dos casados é outra escola.

Janete, que desde o princípio acompanhava tudo com atenção, levantou a mão.

— Professor, então o que se aprende nessa escola?

O professor aproximou as mãos do fogo.

— Aprende-se a conhecer a pessoa que dorme ao teu lado.

— Mas isso não se aprende antes do casamento?

O professor sorriu.

— Antes do casamento aprendemos a gostar. Depois do casamento aprendemos a conhecer.

Algumas mulheres trocaram olhares.

O professor continuou:

— A cama dos casados também é lugar de intimidade. É natural que marido e mulher tenham ali a sua vida de casal. Mas reduzir a cama apenas ao encontro dos corpos é esquecer que o casamento também precisa do encontro das palavras.

A roda ficou silenciosa.

— Há casais que sabem deitar juntos — prosseguiu —, mas não sabem conversar. Sabem dividir a cama, mas não sabem dividir os problemas. Sabem procurar carinho, mas não sabem pedir desculpa.

Janete baixou os olhos.

Maboa mexeu na lenha com um pequeno pau.

— A cama pode ser o lugar onde marido e mulher conversam sobre os filhos, sobre o dinheiro, sobre a machamba, sobre a construção da casa e sobre aquilo que está a pesar no coração.

Uma senhora perguntou:

— Então a cama também serve para fazer planos?

— Serve, sim.

O professor apontou para a casa ao lado.

— Antes de uma casa crescer com tijolos, muitas vezes começa a crescer numa conversa.

Maboa levantou a mão.

— Professor, quer dizer que a cama também é escritório?

— É escritório, conselho de família, lugar de reconciliação e, quando a discussão aperta, até tribunal.

A gargalhada correu pela roda.

— Mas existe uma diferença — acrescentou o professor. — No tribunal, alguém precisa ganhar. No casamento, se um ganha e o outro perde, os dois acabam perdendo.

Janete bateu palmas.

— Essa frase vou levar para casa.

O marido olhou para ela.

— Leva também a lenha.

Todos riram.

Janete respondeu:

— Estás a ver, professor? Já começou o julgamento.

O professor abanou a cabeça.

— É por isso que o casamento precisa de humor. Quando marido e mulher deixam de rir juntos, começam a procurar motivos para rir um do outro.

A mãe de Impwana, uma senhora conhecida por falar pouco e observar muito, levantou a mão.

— Professor, por que razão existem casais que vivem muitos anos juntos e continuam a não se entender?

O professor ficou alguns segundos em silêncio.

Depois respondeu:

— Porque morar na mesma casa não significa viver na mesma vida.

A senhora baixou a cabeça.

O professor prosseguiu:

— Há marido que conhece o preço do pão, mas não conhece a preocupação da mulher. Há mulher que sabe a hora de o marido regressar, mas não sabe o que ele traz dentro do coração.

O fogo estalou.

Ninguém riu.

— O casamento começa a adoecer quando as conversas diminuem. Primeiro deixam de conversar sobre sonhos. Depois deixam de conversar sobre problemas. Mais tarde, conversam apenas sobre comida, crianças, dinheiro e trabalho.

Maboa levantou novamente a mão.

— Professor, e o dinheiro?

— O dinheiro também precisa de conversa.

Todos olharam para ele.

— Não estou a falar de esconder notas debaixo da esteira — esclareceu. — Estou a falar de planeamento. Marido e mulher precisam de saber quanto ganham, quanto gastam e o que querem construir juntos.

Um homem sentado mais atrás comentou:

— Se a minha mulher souber tudo o que ganho, professor, onde fica a surpresa?

— A surpresa — respondeu o professor — será quando descobrires que o dinheiro acabou antes de o mês terminar.

A gargalhada foi geral.

Maboa até bateu palmas.

Depois, o professor ficou novamente sério.

— Família sem plano é como barco sem remador. Conhece o rio, mas não escolhe a margem.

Janete perguntou:

— E quando um dos dois não quer conversar?

— Começa-se por escutar.

— E se não quiser escutar?

— Fala-se com calma.

— E se continuar sem querer?

O professor olhou para ela.

— Minha filha, há portas que não se abrem com pancadas. Algumas precisam de paciência.

A frase ficou suspensa sobre a roda.

Ao longe, ouviu-se o canto de um galo, enganado pela claridade da fogueira.

O professor fechou o caderno.

— Meus filhos, casamento não é apenas dividir uma casa. É dividir responsabilidades, sonhos, dificuldades e decisões.

Fez uma pausa.

— A cama dos casados é pequena demais para carregar o orgulho de duas pessoas.

Ninguém falou.

— Mas é grande o suficiente para caber uma conversa sincera.

A reunião terminou.

A fogueira continuou acesa por mais algum tempo.

As mulheres recolheram as esteiras. Os homens despediram-se. As crianças foram chamadas para dentro de casa.

Janete caminhou ao lado do marido.

Maboa ficou para trás, procurando o seu chinelo, amarrado com arame.

Naquela aldeia, naquela noite, ninguém precisava de televisão para ocupar o silêncio.

Ninguém precisava de telefone para lembrar que existia alguém ao lado.

Havia a fogueira.

Havia a palavra.

E havia a cama dos casados, à espera de duas pessoas que talvez naquela noite descobrissem que dormir juntos é fácil.

Difícil é acordar todos os dias e continuar a escolher um ao outro.

Porque há problemas que não precisam de uma casa maior.

Precisam apenas de duas pessoas dispostas a sentar-se juntas, conversar com sinceridade e olhar para o mesmo futuro.

Makala Sankara Anzuruni

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Príncipes também são sapos

Elaine dos Santos: Artigo ‘Príncipes também são sapos’

Elaine dos Santos
Elaine dos Santos
Imagem criada por IA do Grok em 05 de dezembro de 2025, à 15:33 PM (https://grok.com/imagine/post/12407eb8-33fe-4d06-8197-4e643f9a7497
Imagem criada por IA do Grok em 05 de dezembro de 2025, à 15:33 PM (https://grok.com/imagine/post/12407eb8-33fe-4d06-8197-4e643f9a7497)

O casamento nesse formato que conhecemos hoje em dia, com festas reunindo famílias, é uma invenção da classe burguesa, que surgiu na Europa por volta de 1450 ou 1500, o que corresponde ao fim da Idade Média, início da Idade Moderna.

Philippe Ariès, no livro História Social da Criança e da Família, por exemplo, afirma que, antes disso, não havia sequer privacidade entre os membros da família: pai, mãe, filhos, avós, serviçais dormiam todos na mesma peça – geralmente, era o mesmo lugar em que todos faziam as refeições diárias.

Nas classes mais abastadas, o casamento selava uma relação comercial entre o pai da noiva e o futuro marido dela: uma sociedade, tanto que o pai oferecia um dote ao futuro marido dela para que empreendesse em suas novas atividades.

Uma obra exemplar, neste sentido, é Senhora (1874), romance de José de Alencar . Trata-se de um romance da fase mais madura de Alencar e a explicitação de sua crítica social encontra-se, inclusive, na divisão dos capítulos do romance: O preço; Quitação; Posse e Resgate.

Aurélia Camargo, a jovem pobre rejeitada por Fernando Seixas, que a troca por outra mais rica e com um bom dote, literalmente, ‘compra’ Seixas: qual o preço? Ela paga por ele, por sua presença masculina ao lado dela nas festas, nos saraus, nos teatros, até que ele consegue dinheiro suficiente para ‘resgatar-se’. Releia o romance, o final é clássico, classicamente, próprio do Romantismo, apaixonante para quem ainda acredita em príncipes encantados.

O príncipe encantado, diga-se de passagem, é um arquétipo – essas figuras universais, como a bruxa má, o herói, o amante, o bobo da corte etc. No Ocidente, ele tem a sua origem nos contos de fadas recolhidos pelos irmãos Grimm e Charles Perrault entre o povo europeu.

Desde a adolescência, eu sempre ironizei muito essa ideia do príncipe encantado: imagine um homem vestido com uma armadura dourada, montado em um cavalo branco, percorrendo a principal avenida da cidade procurando a sua amada. Sem cabimento!

Porém, em 1981, parecia que um príncipe encantado e uma princesa haviam se encontrado e, no dia 29 de julho, no verão europeu, celebravam a sua união. Ledo engano.

Havia três pessoas no casamento; o príncipe era um sapo e a linda princesa sofreu muito, segundo contam. Não havia festas, castelos, viagens e, ao que parece nem os filhos que transformassem a vida de Charles e Diana, os príncipes de Gales.

A separação oficial aconteceu anos depois e, finalmente, um acidente em Paris, França, colocou fim à vida da princesa. O príncipe não era encantado, porque homens e mulheres não são perfeitos, são seres incompletos, com dúvidas, com erros, com medos, com traumas, que, por vezes, fazem muito mal ao (s) outros (s).

O príncipe é encantado nas narrativas, os amores são perfeitos nos romances, contudo, na vida real, as relações demandam compreensão, aceitação, paciência, sentimentos/percepções que parecem estar em falta em um ‘mercado’ que só valoriza estética, aparência, ‘fotos instagramáveis’, pouco conteúdo e zero diálogo.

Este texto representa o meu lamento pelo número desesperador de mulheres mortas por seus maridos, companheiros, ficantes ou mesmo por estranhos. Nunca a vida da mulher foi tão desrespeitada, tanto física quanto emocionalmente.

Há medo, há inquietação, há angústia no seio de uma sociedade que optou pela violência e descarrega-a nos mais frágeis, como mulheres e crianças.

Elaine dos Santos

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Relacionamentos. O casamento

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora: ‘Relacionamentos. O casamento’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada por IA do Bing – 23 de janeiro de 2025, às 12h19

O casamento é uma das mais antigas e universais cerimônias da humanidade, representando a união de duas pessoas que decidem trilhar um caminho de vida juntas. Desde tempos remotos, essa união transcende culturas, religiões e épocas, simbolizando a fundação de um núcleo familiar e a continuidade de gerações.

A história do casamento remonta às primeiras civilizações. Na antiguidade, ele era muitas vezes um contrato social, econômico ou político, unindo famílias e fortalecendo alianças. Entre os romanos, o casamento já possuía um caráter de compromisso público, enquanto, na cultura judaica, a cerimônia envolvia profundas tradições religiosas, celebrando a aliança diante de Deus.

Com o passar dos séculos, o casamento ganhou dimensões espirituais e emocionais, sendo associado ao amor e à cumplicidade. No cristianismo, ele foi elevado à posição de sacramento, considerado uma representação do relacionamento entre Cristo e a Igreja.

O casamento é a união de duas partes que se complementam. Tradicionalmente, o homem era visto como o provedor, aquele que protege e lidera a família, enquanto a mulher assumia o papel de cuidadora, zelando pelo lar e pelos filhos. Entretanto, essas definições têm evoluído, e hoje falamos de uma parceria em que ambos compartilham responsabilidades, sonhos e desafios.

O verdadeiro papel de cada um não está em funções predefinidas, mas na capacidade de ambos em se apoiar mutuamente, com respeito e amor, construindo uma relação equilibrada e saudável.

O casamento exige mais do que apenas paixão inicial. Ele é sustentado pelo amor verdadeiro, que se manifesta em atitudes diárias de respeito, paciência, perdão e compreensão.

“Quem ama é paciente e bondoso; não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso; não é grosseiro nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas. Não fica alegre quando alguém faz alguma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo. Nunca desiste, porém, suporta tudo com fé, esperança e paciência.”

Esse texto nos lembra que o amor não é apenas um sentimento, mas uma decisão constante de priorizar o outro, de construir uma vida baseada na cumplicidade e no sacrifício mútuo.

Casamento é uma escola onde aprendemos a amar na prática, a lidar com diferenças, a crescer como indivíduos e como casal. É um desafio, mas também uma das maiores alegrias da vida. A base de um relacionamento duradouro está na capacidade de cultivar uma comunicação aberta, priorizar o tempo juntos e manter o foco no que realmente importa: a construção de um lar onde o amor é o alicerce.

No fim, o casamento não é sobre perfeição, mas sobre duas pessoas imperfeitas que escolhem, todos os dias, amar uma à outra. É a base de uma família e, muitas vezes, o reflexo de um compromisso maior, que ecoa valores como o respeito, a empatia e a união. O amor é o elo que tudo une, e é por meio dele que construímos relações que perduram por toda a vida.

Joelson Mora

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Sônyah Moreira: '36 anos apenas'

“Dizem os teóricos que nossas vidas são traçadas pelas teias do destino,  são como peças de um tabuleiro  de xadrez, os jogadores são os deuses.”

 

36 anos apenas!

Quantas coisas se passam em 36 anos! As lembranças são guardadas com muito carinho; digamos, metaforicamente, em uma caixinha revestida de veludo, incrustada de ouro, pérolas e pedras preciosas. Dizem os teóricos que nossas vidas são traçadas pelas teias do destino, são como peças de um tabuleiro de xadrez, os jogadores são os deuses.

Algumas coisas são bem  planejadas, outras nem tanto, percebemos os anos como o balanço das ondas do mar, vamos sendo empurrados, desviando de muitos  obstáculos, transpondo outros.

A cada ano vencido, um pouco mais de experiência, mais aprendizado e uma certeza. Fácil? Não mesmo! Fazendo uma analogia, seria como uma âncora,  que só  se percebe o valor no mar revolto.

A paixão avassaladora vai aos poucos se transformando em amor,  e a cumplicidade cada dia fica  maior. Com o passar dos  anos as almas tornam-se uma só,  é como se as metades fossem se encapsulando uma na outra, assim,  uma  repetição de outras vidas. A união faz lembrar a incessante procura pelo seu par de asas de anjo que,  ao se reencontrarem,  se completam.

A imagem nos  retratos amarelados pelo tempo sofre  uma mutação,  não nos reconhecemos mais, os sulcos e vincos  das faces, aliado ao acinzentado das madeixas, mostra o tamanho da caminhada.

Olhando para trás, sentimos  uma   saudade danada, talvez, da inocência, ou, do tempo  desperdiçado  em  coisas tão  banais, impulsos da juventude. A estrada foi ficando demasiadamente longa, e os degraus das escadas parecem aumentar sua altura.  O problema está em  nossos joelhos, não são mais os mesmos, às vezes rangem como dobradiças enferrujadas de portas envelhecidas pelo tempo.

Depois de 36 anos, percebemos que existe mais passado que futuro, as lembranças muitas vezes nos fazem  rir; quanta imaturidade, o crescimento veio aos solavancos, em meio às tempestades e tormentas, próprios da idade, pois a juventude é como um temporal de verão que   passa muito  rápido!

Fácil? Não foi! Percebemos com o passar dos anos,  que o conviver é uma coisa feita em conjunto, 50% de cada lado, sem nenhuma sombra de dúvida que  as responsabilidades são em partes exatamente iguais.

36 anos! São 432 meses, 13.140 dias, nossa! Que pouco tempo, melhor parar com esta conta. O fato é  que, não percebemos o tempo passar, só nos  à consciência, quando paramos pra pensar, pois, com a correria da labuta diária, não há   espaço  pra ficar se lamentando.

É  o tempo passou!   Ficamos velhos, todavia, aquela paixão se solidificou, não tem mais  pressa, nem necessidade de impressionar, afinal, nos conhecemos profundamente, sabemos o que agrada  e o que  desagrada.

Sabe! Olhando para trás, só tenho uma certeza: começaria tudo de novo, e detalhe, sem mudar uma única vírgula. O tempo nos amadurece a ponto de perceber o quão maravilhoso é encontrar sua alma gêmea, para alguns, essas palavras podem parecer piegas, porém, nada sobrevive se não for verdadeiro!

Passados  36 anos, as ações, gestos e olhares falam por si só.

O mais  desesperador,   é não saber quanto tempo ainda teremos, porém, se eu  tivesse  uma fada madrinha, igual a dos contos de fadas,  faria um único pedido, pelo menos mais 36 anos ao seu lado.

No balanço geral, foram mais vitórias, as derrotas, usamos como calçamento da estrada. E não é que ficou uma bela estrada!

Os 36 anos de  um casamento   são considerados  as  Bodas de Cedro!  As árvores de Cedro  são os monumentos naturais mais célebres do universo. A religião, a poesia e a história igualmente os consagraram.

Alphonse de Lamartine,  um poeta francês do século XIX, descreveu  o Cedro  como  seres divinos em forma de árvores.

Para o povo  libanês,  o Cedro,  é sinal de união que os fortalece, para  enfrentarem  todas as tempestades e ataques.

Para os  alguns autores  da Bíblia, o cedro   é considerado um símbolo de  força, imortalidade e eternidade!

Será que precisa dizer mais alguma coisa?

 

Sônyah Moreira – sonyah.moreira@gmail.com




Adriana da Rocha Leite: 'Nosso encontro'

Adriana da Rocha Leite: ‘NOSSO ENCONTRO’

 

 15/08/1989. No ônibus, alguém me observava. Não percebi de imediato.   O encontro aconteceu somente mais tarde. Não foi amor à primeira vista, do tipo fulminante, de perder o fôlego. Primeiro um olhar, depois muitas conversas. m novo mundo de escolhas e de conhecimento. Tudo era novidade para aquela adolescente. E como buscara por novas fronteiras, novas ideias e novos caminhos… O desconhecido sempre me fascinou, pelas perspectivas de mudança, de romper a zona de conforto e, principalmente, pelo seu caráter essencialmente audacioso. Assim o conheci!

O tempo nos fez amigos, a amizade nos fez amar e então, eu perdi o fôlego! Por viver um Amor de rupturas com conceitos e estruturas. Por entender que a convivência exige respeito e não posse (“não sou tua, não és meu”), que somos completos e não “metades da laranja”, tampouco você é a “tampa” da minha panela. Sou única e você também o é!

Nunca quis um relacionamento de “faz de conta” ou de hierarquia.  Não sou adepta às ordens: minha rebeldia congênita não aceita imposições.  Por isso, assustei-me quando em conversa com meu pai sobre o casamento, ele lhe disse: “Você sabe que não poderá mandar nela.” Sua resposta:  “Se quisesse mandar em alguém, não poderia estar me casando com sua filha”.

Sua fala foi-me arrebatadora, fez-me sentir mais a liberdade  que já me pertencia), fez-me entender e valorizar a importância do vínculo, da convivência saudável de quem quer compartilhar e não simplesmente dividir.  E nada disso é mero conceito. Não para nós.

Não houve “pedido” formal, foi tudo tão natural, tão do nosso jeito, antes, durante e depois…

Valorizamos nossa convivência em busca da harmonia, não de pensamentos, ações e reações idênticas/iguais, mas de sintonia, de diálogo amoroso sobre quem somos e o que queremos, enquanto indivíduos e enquanto casal. Respeitar diferenças não nos faz sofrer, faz-nos próximos e cúmplices: “Somos suspeitos de um crime perfeito…”

Quem poderia homenagear-me no dia 08/08? Quem saberia a importância desta data no calendário de minha história, de minha vida? Quem entenderia qual foi a perspectiva e quais foram os sonhos da menina que saiu de casa aos 17 anos? Que não fugiu. Que foi em busca do que sempre soube que lhe pertencia? Sim, você e tão somente você!

Agora entendo: não foi um encontro em 1989. Foi um reencontro!…