Perfect day

Jane Nash: Poem ‘Perfect Day’

Jane Nash
Jane Nash
Imagem gerada por IA do Grok – https://grok.com/imagine/post/1e2a24ed-3810-4b34-8234-7296950c7d9c

Coarse hair against hair against hair
Fingers drum down my scalp
Sleepy eyes open the clock is early
The shower blanket drains over fleshy me
Burnt into the brain black marks sing out
From curved wooden bodies and black hilo strings.

Sweet…… Salty……. Umami……
Smooth liquid strokes the inside of me
Hot in report
Comforting skin and stomach

The sun presses into our cheeks
As our rough hands explore skin investigating
Your powerful arms release me
A moment of weightless existence
Brings a smoothing
Of metal or wood for the delivery of stripey socks

Sweet…. Salty…. Umami
Smooth liquid strokes the inside of me
Hot in report
Comforting skin and stomach

Peaty breath with samphire tones
Waves break over me
Sending me
Away to my deep bed

Jane Nash

Voltar

Facebook




Eu e o meu chuveiro

Sergio Diniz da Costa: ‘Eu e o meu chuveiro’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
No inverno, uma ducha quentinha. Porém, um pingo de água gelada nas costas!
No inverno, uma ducha quentinha. Porém, um pingo de água gelada nas costas!
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

Diga-me, meu caro leitor, por um acaso você já teve ou ainda tem alguma relação de amor e ódio por algo ou por alguém?

Se a resposta for um sonoro ‘sim!’, sabe perfeitamente como se dá essa dependência. É, certamente, algo como a dependência por alguma droga: você a consome e ela, com o tempo, o consome, também. Um círculo vicioso. Um horror!

Pois eu tenho, infelizmente, uma relação dessa natureza. E, como o título desta crônica bem o indica, com o meu chuveiro!

Existe algo mais prazeroso do que tomar uma deliciosa ducha, principalmente depois de uma caminhada mais longa, ou uma corrida, ou, ainda, alguma atividade profissional que implique em grande esforço físico? E dormir, então, depois de um banho bem quentinho? Tudo de bom, né?

E, sobre tomar banhos, tem aqueles dos meses de verão e aqueles outros, de inverno.

Os dos meses quentes, impreterivelmente, com água fria. E, os dos meses de inverno… Bem, em primeiríssimo lugar, o ritual para eles já é um pouco mais complicado.

Levantar da cama, depois de uma noite inteira hibernando sob cobertores pesados e quentíssimos, requer uma vontade férrea, um esforço próprio de ‘Os Doze Trabalhos de Hércules’.

E esse esforço é redobrado se, para piorar ainda mais a situação, o dia estiver frígido e chuvoso. Ninguém merece!

Mas, como o dever nos chama, lá vou eu, destemidamente, sair da cama, colocar os pés num par de chinelos gelados e, feito um guerreiro bárbaro, enfrentar o estimulante banho da manhã.

Entro no banheiro e, como meu apartamento não tem o luxo da calefação (próprio de países de regiões frias), tirar o pijama já é outra etapa da façanha heroica. Entretanto, a imagem do guerreiro bárbaro, do chefe viking à frente de seus guerreiros, em pleno campo de batalha, me impele avante.

E, aí, a coisa começa a complicar, pois é preciso anos de prática para se conseguir encontrar o ponto ideal da torneira, de modo que a água não fique nem quente e nem fria demais.

Esse processo se torna mais difícil ainda quando a torneira já é um tanto quanto usada e, por causa disso, mais um tanto quanto emperrada.

 E vira daqui, vira de lá neste processo, e já enregelado, eis que, finalmente, o tal ‘ponto ideal’ da dita cuja é atingido e o calor da água atinge seu ponto ideal! Aleluia!

E lá vamos nós, agora mergulhados numa torrente de água quentinha, acolhedora…

Até que, inesperadamente, bem no meio daquele jato quente, surge um pingo gelado! Bem nas costas! E justamente no momento em que estou com o rosto coberto de espuma!

Rapidamente, retiro a espuma e passo a procurar a fonte daquele infortúnio.

Localizo-o! Vem pelo cano, provavelmente porque, ao colocar o chuveiro, faltou um tantinho de veda-rosca para dar o aperto necessário para fixá-lo.

E ele, o tal pingo inoportuno, a partir daí, passa a fazer parte do delicioso banho quente.

Agora, nesta mescla de prazer e desprazer, resolvo terminar o banho o mais rápido possível.

Fecho a torneira e começo a me enxugar. Como o box é pequeno, fico praticamente embaixo do chuveiro e, mal terminando de enxugar as costas, eis que um pingo vindo diretamente da Antártida cai nelas, já secas.

Solto um mega palavrão! E passo a matutar o porquê de esse pingo aparecer justamente no inverno, nos dias mais frios, no banheiro mais frio, no corpo (e na alma) mais frio…

E, já envolto pelo vapor que sai do chuveiro, entre uma enxugada e alguns palavrões, fico a ‘viajar’ mentalmente. E passo a ver, na torneira, no chuveiro e no cano um conluio maquiavélico, hábil a me infundir um misto de raiva e desespero.

O chuveiro parece ter adquirido vida! E, de súbito, me lembro de Chuck, Hugo, Blade e outros bonecos assassinos.

Em meio ao vapor, que já tomou conta do box, sinto que vou enlouquecer! Até o momento em que escuto algumas pancadas na porta do banheiro.

Para minha salvação, contudo, é apenas minha esposa, perguntando se está tudo bem, pois faz ‘apenas’ 40 minutos que estou tomando banho.

Alívio completo!

Tudo não passou tão somente de um mísero pingo de água gelada…

No meio da água quente havia um pingo gelado. Havia um pingo gelado no meio da água quente…

E que vai durar o inverno todo!

Sergio Diniz da Costa

Contatos com o autor

Voltar

Facebook




Sergio Diniz da Costa: 'Eu e o meu chuveiro'

Sergio Diniz da Costa

 EU E O MEU CHUVEIRO

 

Diga-me, meu caro leitor, por um acaso você já teve ou ainda tem alguma relação de amor e ódio por algo ou por alguém?

Se a resposta for um sonoro ‘sim!’, sabe perfeitamente como se dá essa dependência. É, certamente, algo como a dependência por alguma droga: você a consome e ela, com o tempo, te consome, também. Um círculo vicioso. Um horror!

Pois eu tenho, infelizmente, uma relação dessa natureza. E, como o título desta crônica bem o indica, com o meu chuveiro!

Existe algo mais prazeroso do que tomar uma deliciosa ducha, principalmente depois de uma caminhada mais longa, ou uma corrida, ou, ainda, alguma atividade profissional que implique em grande esforço físico? E dormir, então, depois de um banho bem quentinho? Tudo de bom, né?

E, sobre tomar banhos, tem aqueles dos meses de verão e aqueles outros, de inverno.

Os dos meses quentes, impreterivelmente, com água fria. E, os dos meses de inverno… Bem, em primeiríssimo lugar, o ritual para eles já é um pouco mais complicado.

Levantar da cama, depois de uma noite inteira hibernando sob cobertores pesados e quentíssimos, requer uma vontade férrea, um esforço próprio de ‘Os Doze Trabalhos de Hércules’.

E esse esforço é redobrado se, pra piorar ainda mais a situação, o dia estiver frígido e chuvoso. Ninguém merece!

Mas, como o dever nos chama, lá vou eu, destemidamente, sair da cama, colocar os pés num par de chinelos gelados e, feito um guerreiro bárbaro, enfrentar o estimulante banho da manhã.

Entro no banheiro e, com

o meu apartamento não tem o luxo da calefação (próprio de países de regiões frias), tirar o pijama já é outra etapa da façanha heroica. Entretanto, a imagem do guerreiro bárbaro, do chefe viking à frente de seus guerreiros, em pleno campo de batalha, me impele avante.

E, aí, a coisa começa a complicar, pois é preciso anos de prática para se conseguir encontrar o ponto ideal da torneira, de modo que a água não fique nem quente e nem fria demais.

Esse processo se torna mais difícil ainda quando a torneira já é um tanto quanto usada e, por causa disso, mais um tanto quanto emperrada.

E vira daqui, vira de lá neste processo, e já enregelado, eis que, finalmente, o tal ‘ponto ideal’ da dita cuja é atingido e o calor da água atinge seu ponto ideal! Aleluia!

E lá vamos nós, agora mergulhados numa torrente de água quentinha, acolhedora…

Até que, inesperadamente, bem no meio daquele jato quente, surge um pingo gelado! Bem nas costas! E justamente no momento em que estou com o rosto coberto de espuma!

Rapidamente, retiro a espuma e passo a procurar a fonte daquele infortúnio.

Localizo-o! Vem pelo cano, provavelmente porque, ao colocar o chuveiro, faltou um tantinho de veda-rosca pra dar o aperto necessário para fixa-lo.

E ele, o tal pingo inoportuno, a partir daí, passa a fazer parte do delicioso banho quente.

Agora, nesta mescla de prazer e desprazer, resolvo terminar o banho o mais rápido possível.

Fecho a torneira e começo a me enxugar. Como o box é pequeno, fico praticamente embaixo do chuveiro e, mal terminando de enxugar as costas, eis que um pingo vindo diretamente da Antártida cai nelas, já secas.

Solto um mega palavrão! E passo a matutar o porquê de esse pingo aparecer justamente no inverno, nos dias mais frios, no banheiro mais frio, no corpo (e na alma) mais frio…

E, já envolto pelo vapor que sai do chuveiro, entre uma enxugada e alguns palavrões, fico a ‘viajar’ mentalmente. E passo a ver, na torneira, no chuveiro e no cano um conluio maquiavélico, hábil a me infundir um misto de raiva e desespero.

O chuveiro parece ter adquirido vida! E, de súbito, me lembro de Chuck, Hugo, Blade e outros bonecos assassinos.

Em meio ao vapor, que já tomou conta do box, sinto que vou enlouquecer! Até o momento em que escuto algumas pancadas na porta do banheiro.

Pra minha salvação, contudo, é apenas minha esposa, perguntando se está tudo bem, pois faz ‘apenas’ 40 minutos que estou tomando banho.

Alívio completo!

Tudo não passou tão somente de um mísero pingo de água gelada…

No meio da água quente havia um pingo gelado.

Havia um pingo gelado no meio da água quente…

E que vai durar o inverno todo!

 

Sergio Diniz da Costa

sergiodiniz.costa2014@gmail.com