Diamantino Bártolo faz uma profunda reflexão filosófica sobre o papel da ciência e a urgência ética na defesa dos Direitos Humanos diante dos desafios da sociedade moderna
Preocupar-se-á a ciência com as questões da cidadania, da solidariedade, dos Direitos Humanos e com outros valores universais? Ou pelo contrário, tais assuntos não interessam à ciência em geral e aos cientistas em particular? Nesta perspectiva parece-me que a questão é pertinente porque vivemos numa sociedade difícil, complexa, em busca da satisfação pessoal, a multiplicação de experiências, a exploração do negativo, do espetacular, do sensacional, do escandaloso, o que estará a conduzir para uma desmoralização da vida pública, com reflexos na vida política, principalmente nos mais jovens, que se relaciona com a tentativa, sistematicamente organizada de, se não eliminar, pelo menos substituir os conteúdos morais e éticos, substantivos, valores orientadores, devidamente ajustados à prática.
Ao decidir realizar esta breve, insuficiente e deficiente investigação sobre a necessidade imperiosa de desencadear os mecanismos legais/académicos de sensibilização das consciências para o cumprimento dos Direitos Humanos, precisamente no âmbito da Epistemologia, tinha a indicação das dificuldades que iria encontrar, contudo: enquanto cidadão, no pleno exercício dos seus deveres e direitos; como eterno aprendiz de filósofo, tenho, igualmente, o dever de refletir sobre estes temas.
Podemos abordar a problemática dos Direitos do Homem, a partir de várias possibilidades: estratégicas, metodológicas ou mesmo teleológicas, contudo, numa forma simples e clara, parece-me pertinente invocar a máxima: «Todos os Seres Humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.» (ONU: Declaração Universal dos Direitos do Homem, Artº 1º) e: «Não se deve perder a fé na humanidade: a humanidade é um oceano limpo e um par de pingos sujos não sujam o oceano.» (GANDHI).
A próxima comemoração do 78º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem (10 Dezembro 1948) infelizmente com o recrudescimento de conflitos e fundamentalismos éticos e religiosos, deve constituir real incentivo e preocupação para que as problemáticas dos Direitos (e Deveres) Humanos, comecem a ser tratados com o devido e merecido discernimento e seriedade que merecem; estando sabido que hoje, ainda que, possivelmente, menos que ontem, os Direitos Humanos que abarcam um conjunto muito vasto das dimensões da vida humana, continuam a ser tratados como “boas intenções”, concretamente: por interesses económicos ou burocracias instaladas; por ditaduras e repressões políticas e religiosas.
A manifesta irrelevância com que os Direitos Humanos são invocados é, cada vez mais, alvo de denúncia por parte das Organizações Não Governamentais, do olhar indiscreto dos Média, dos biliões de pessoas que sentem a miséria, o analfabetismo, a intolerância, a discriminação, a violência e a guerra. Neste aniversário, quantos milhões de crianças, idosos e marginalizados estão a passar fome, sabendo-se que algumas Organizações pagam para não se produzir alimentos, para se controlar as matérias-primas, com o objetivo de se criarem condições para que a especulação tenha o caminho mais livre?
Por outro lado, novos desafios apareceram: eutanásia, tráfico de órgãos, clonagem, degradação e delapidação do meio ambiente, até mesmo o processo de globalização das economias. A subordinação dos cidadãos ao poder da força bélica dos que “querem, podem e mandam”, pode verificar-se em todos os cantos do mundo. Os Relatórios da Amnistia Internacional, das Organizações Não Governamentais e denúncias dramáticas da própria Igreja Católica, são a prova insofismável de que ainda “há muitos pingos sujos a sujarem o oceano da humanidade” que se pretende livre, justa, digna e pacífica!
BIBLIOGRAFIA.
GANDHI MAHATMA, (1869-1948) líder pacifista indiano. Principal personalidade da independência da Índia, então colônia britânica, ganhou destaque na luta contra os ingleses por meio de seu projeto de não-violência. (Grande defensor dos Direitos Humanos
ONU-ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (1948) Declaração Universal dos Direitos do Homem, Lisboa: Amnistia Internacional, Secção Portuguesa, 1998;
Bibliografia geral
Venade/Caminha – Portugal, 2026
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Ciência, conhecimento e legado: uma homenagem àqueles que iluminam os caminhos da humanidade
Alexandre Rurikovich CarvalhoA arte foi concebida especialmente para ilustrar o artigo publicado no Jornal Cultural ROL, destacando a Comenda Internacional dos Luminares da Ciência e seus quatro grandes referenciais: Galileu Galilei, Isaac Newton, Albert Einstein e Marie Curie. A composição reúne ciência, pesquisa, conhecimento, educação, tecnologia e cultura, simbolizados pela medalha, livros, telescópios, instrumentos científicos e pelo globo terrestre. A presença do autor, reforça a autoria e a dimensão intelectual do trabalho. O conjunto traduz a ideia central do artigo: valorizar aqueles que, por meio do conhecimento, iluminam os caminhos da humanidade. Jornal Cultural ROL integra a composição como veículo de divulgação e valorização da produção cultural, histórica e intelectual. Imagem criada por IA.
RESUMO
A Comenda Internacional dos Luminares da Ciência, instituída pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (FEBACLA), constitui uma distinção honorífica de caráter acadêmico, científico, cultural e institucional destinada a reconhecer personalidades brasileiras e estrangeiras cuja trajetória se destaque pela pesquisa, produção intelectual, educação, inovação, divulgação científica ou contribuição relevante ao desenvolvimento do conhecimento humano. Inspirada nos legados de Galileu Galilei, Isaac Newton, Albert Einstein e Marie Curie, a Comenda estabelece uma simbologia fundamentada em quatro dimensões do fazer científico: observar, compreender, inovar e transformar.
O presente artigo apresenta a origem e a natureza da honraria, seus objetivos e finalidades, a trajetória histórica dos quatro cientistas que constituem seus referenciais simbólicos, as áreas do conhecimento contempladas, os requisitos para sua concessão e os princípios que orientam sua outorga. Busca-se, ainda, refletir sobre a importância da ciência, da educação e da pesquisa como instrumentos de construção do conhecimento e de desenvolvimento da humanidade.
Palavras-chave: Ciência. Conhecimento. Pesquisa. Inovação. Educação. História da Ciência. Galileu Galilei. Isaac Newton. Albert Einstein. Marie Curie.
1 INTRODUÇÃO
A história da humanidade pode ser compreendida, sob diferentes perspectivas, como uma permanente busca pela compreensão do mundo. Desde as primeiras observações dos fenômenos naturais até as complexas pesquisas desenvolvidas pelas ciências contemporâneas, homens e mulheres construíram instrumentos intelectuais, metodológicos e tecnológicos destinados à investigação da realidade.
A ciência, nesse processo, não representa apenas um conjunto de informações acumuladas ao longo dos séculos; constitui uma atividade sistemática de investigação, observação, formulação, experimentação, interpretação, demonstração e revisão do conhecimento. Sua história é marcada por continuidades, rupturas, descobertas e transformações que modificaram profundamente a compreensão humana sobre a natureza e o universo.
A Revolução Científica dos séculos XVI e XVII constitui um dos momentos fundamentais dessa transformação. Nesse contexto, Galileu Galilei desempenhou papel de grande relevância na história da astronomia e da física, especialmente por seus estudos sobre o movimento, suas observações astronômicas e sua contribuição para novas formas de investigação dos fenômenos naturais (DRAKE, 1978).
Posteriormente, Isaac Newton desenvolveu formulações matemáticas fundamentais para a mecânica e a gravitação. A publicação do Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, em 1687, tornou-se um marco da ciência moderna, reunindo formulações sobre as leis do movimento e a gravitação universal (NEWTON, 1999; ROYAL SOCIETY, 2014).
No início do século XX, Albert Einstein introduziu novas perspectivas fundamentais para a física. Entre seus trabalhos de 1905 esteve a explicação teórica do efeito fotoelétrico, contribuição pela qual recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1921, concedido oficialmente em 1922 (PAIS, 2005; NOBEL PRIZE OUTREACH, 2026a).
Marie Curie, por sua vez, desenvolveu pesquisas fundamentais sobre a radioatividade. Recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1903 e, posteriormente, o Prêmio Nobel de Química em 1911, em reconhecimento às suas contribuições para o estudo de substâncias radioativas (CURIE, 1911; NOBEL PRIZE OUTREACH, 2026b).
É nesse amplo processo histórico de construção do conhecimento que se insere a Comenda Internacional dos Luminares da Ciência, instituída pela FEBACLA como uma distinção destinada a reconhecer trajetórias contemporâneas que contribuam para a ciência, a pesquisa, a educação, a inovação e a disseminação do conhecimento.
2 A INSTITUIÇÃO DA COMENDA INTERNACIONAL DOS LUMINARES DA CIÊNCIA
A Comenda Internacional dos Luminares da Ciência foi instituída pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA como uma distinção honorífica de caráter acadêmico, científico, cultural e institucional, destinada a reconhecer personalidades brasileiras e estrangeiras cuja trajetória se destaque pela produção do conhecimento, pela pesquisa, pela educação, pela inovação, pela divulgação científica ou por contribuições relevantes ao desenvolvimento das ciências e da sociedade.
A criação da Comenda insere-se em uma tradição histórica de reconhecimento daqueles que, por meio de sua produção intelectual e científica, contribuem para a construção e transmissão do conhecimento. Ao longo da história, academias, universidades, sociedades científicas e instituições culturais desenvolveram diferentes mecanismos de reconhecimento de pesquisadores, professores, inventores e intelectuais, buscando preservar a memória de suas contribuições e estimular a continuidade das atividades científicas.
Nesse sentido, uma honraria dedicada à ciência não deve ser compreendida apenas como uma homenagem individual. Ela pode representar também um instrumento de valorização da própria cultura científica, na medida em que torna visíveis perante a sociedade trajetórias dedicadas à investigação, à educação e à produção intelectual.
A Comenda instituída pela FEBACLA parte dessa compreensão. Sua finalidade não é simplesmente destacar personalidades por sua notoriedade, mas reconhecer trajetórias de mérito e contribuição efetiva para o conhecimento. A distinção procura, portanto, estabelecer uma relação entre memória, reconhecimento e estímulo à continuidade da produção científica.
A denominação “Luminares da Ciência” possui, nesse contexto, significado essencialmente simbólico. O termo “luminar” remete à ideia de luz e iluminação e, aplicado à ciência, representa aqueles que contribuíram para ampliar os horizontes do conhecimento humano. A expressão não pretende estabelecer uma classificação objetiva dos cientistas, mas construir uma referência simbólica para a valorização daqueles que dedicam suas vidas à investigação e à transmissão do saber.
A escolha de Galileu Galilei, Isaac Newton, Albert Einstein e Marie Curie como referências da Comenda reforça essa dimensão simbólica. São personalidades associadas a diferentes momentos da história da ciência e a diferentes formas de produção do conhecimento. Galileu está relacionado às transformações da astronomia e da física durante a Revolução Científica; Newton, à formulação matemática da mecânica e da gravitação; Einstein, às profundas transformações da física do século XX; e Marie Curie, às pesquisas sobre radioatividade e à consolidação de importantes avanços na física e na química (DRAKE, 1978; NEWTON, 1999; PAIS, 2005; CURIE, 1911).
A Comenda não pretende reproduzir ou substituir os mecanismos formais de reconhecimento científico existentes no âmbito das universidades, sociedades científicas, órgãos de pesquisa ou instituições governamentais. Trata-se de uma distinção honorífica institucional própria da FEBACLA, fundamentada em seus
regulamentos e destinada a preservar e promover os valores associados à ciência, à cultura, à educação e ao conhecimento.
É igualmente importante estabelecer a natureza da distinção. A Comenda não constitui título acadêmico, grau universitário, habilitação profissional, certificação de competência técnica ou título oficial concedido pelo Estado. Seu significado é honorífico e institucional, decorrente da decisão da entidade responsável por sua concessão.
Em sua configuração inicial, a Comenda será concedida no GRAU DE COMENDADOR DA CIÊNCIA
A criação de outros graus ou modalidades de reconhecimento, caso futuramente considerada pertinente, deverá ocorrer mediante ato institucional específico, com definição de seus critérios, características e respectivas formas de concessão.
A instituição da Comenda representa, portanto, uma iniciativa voltada não somente ao reconhecimento de personalidades, mas também à construção de uma memória institucional da ciência, registrando trajetórias que possam servir de referência para estudantes, pesquisadores, professores, acadêmicos e para a sociedade em geral.
Ao reconhecer aqueles que produzem e disseminam conhecimento, a FEBACLA reafirma a compreensão de que a ciência constitui patrimônio intelectual da humanidade e que sua valorização deve alcançar não apenas os espaços especializados, mas também o conjunto da sociedade.
3 OBJETIVOS E FINALIDADES
A criação da Comenda está associada à valorização daqueles que dedicam suas trajetórias à produção, preservação, transmissão e aplicação do conhecimento. Entre suas principais finalidades encontram-se:
• Reconhecer cientistas, pesquisadores e professores;
• Valorizar a produção científica e intelectual;
• Estimular a pesquisa e prestigiar a educação científica;
• Reconhecer iniciativas de inovação e valorizar a divulgação e popularização da ciência;
• Incentivar a formação de novas gerações de pesquisadores;
• Preservar a memória de personalidades relevantes para a história da ciência; • Aproximar ciência, educação e sociedade;
• Reconhecer contribuições tecnológicas e estimular o diálogo interdisciplinar; • Valorizar a aplicação social do conhecimento.
A proposta também dialoga com a compreensão histórica de que a ciência é marcada por processos de transformação conceitual. Thomas S. Kuhn analisou a história da ciência a partir de conceitos como paradigma, ciência normal, crise e revolução científica, destacando a importância das transformações estruturais na evolução do pensamento científico (KUHN, 2013).
4 A INSPIRAÇÃO NO LEGADO DOS QUATRO LUMINARES
A identidade da Comenda está fundamentada simbolicamente nas trajetórias de quatro grandes cientistas: Galileu Galilei, Isaac Newton, Albert Einstein e Marie Curie. A escolha desses nomes não pretende estabelecer classificação ou hierarquia entre cientistas ou áreas do conhecimento, tratando-se de uma composição simbólica destinada a representar diferentes dimensões da construção científica.
A concepção institucional da Comenda associa:
• Galileu Galilei à observação e à investigação;
• Isaac Newton à formulação e à demonstração;
• Albert Einstein à inovação e à transformação;
• Marie Curie à pesquisa, à perseverança e à descoberta.
Essa associação constitui uma formulação simbólica própria da FEBACLA, inspirada nas respectivas trajetórias históricas.
5 GALILEU GALILEI: A CIÊNCIA QUE OBSERVA E INVESTIGA
Galileu Galilei (1564–1642) ocupa lugar central na história da Revolução Científica. Seus estudos abrangeram a física, a astronomia e o movimento dos corpos, contribuindo para transformações importantes na investigação dos fenômenos naturais (DRAKE, 1978).
Suas observações astronômicas realizadas com o telescópio incluíram a Lua, as luas de Júpiter e as fases de Vênus, contribuindo para a transformação das concepções cosmológicas de seu período (DRAKE, 1978). Galileu também realizou estudos relevantes sobre o movimento, contribuindo para o desenvolvimento da física moderna e para a consolidação de novas formas de investigação experimental e matemática dos fenômenos físicos.
A transformação da concepção de universo ocorrida durante a Revolução Científica também foi analisada por Alexandre Koyré, que destacou a passagem histórica do modelo de um mundo fechado para uma concepção de universo infinito e matematicamente estruturado (KOYRÉ, 2006).
Na simbologia da Comenda, Galileu representa:
OBSERVAÇÃO – INVESTIGAÇÃO – EXPERIMENTAÇÃO
Síntese institucional:
“A Ciência observa, questiona e investiga.”
6 ISAAC NEWTON: A CIÊNCIA QUE FORMULA E DEMONSTRA
Isaac Newton (1643–1727) representa outro momento decisivo da construção da ciência moderna. Sua principal obra científica, Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, publicada em 1687, apresentou formulações fundamentais sobre o movimento e a gravitação universal (NEWTON, 1999).
A documentação histórica da Royal Society confirma a publicação do Principia em 1687 e registra a importância da participação de Edmond Halley no processo de publicação da obra (ROYAL SOCIETY, 2014). O trabalho de Newton demonstrou a capacidade da matemática de estabelecer relações entre diferentes fenômenos naturais, tornando-se fundamental para o desenvolvimento da física clássica. Sua trajetória científica foi analisada detalhadamente por Richard S. Westfall, que estudou sua formação intelectual, científica e institucional (WESTFALL, 1980).
Na identidade simbólica da Comenda, Newton representa:
MATEMÁTICA – FORMULAÇÃO – DEMONSTRAÇÃO – LEIS DA NATUREZA
Síntese institucional:
“A Ciência formula, demonstra e estabelece princípios.”
7 ALBERT EINSTEIN: A CIÊNCIA QUE INOVA E TRANSFORMA
Albert Einstein (1879–1955) tornou-se uma das figuras fundamentais da física do século XX. Em 1905, publicou trabalhos que contribuíram para transformações importantes na física moderna, entre os quais sua investigação sobre o efeito fotoelétrico, fenômeno para o qual apresentou uma explicação baseada na quantização da luz (PAIS, 2005).
O Prêmio Nobel de Física de 1921 foi concedido a Einstein por seus serviços à física teórica e, especialmente, pela descoberta da lei do efeito fotoelétrico (NOBEL PRIZE OUTREACH, 2026a). Sua obra também está associada à transformação das concepções físicas de espaço, tempo, movimento, matéria e energia (PAIS, 2005).
“A Ciência questiona paradigmas e amplia os limites da compreensão humana.”
8 MARIE CURIE: A CIÊNCIA QUE PERSEVERA, DESCOBRE E TRANSFORMA
Marie Skłodowska-Curie (1867–1934) ocupa lugar singular na história da ciência. Nascida em Varsóvia e posteriormente estabelecida em Paris, desenvolveu uma trajetória científica dedicada especialmente ao estudo da radioatividade.
Em colaboração com Pierre Curie, realizou investigações que contribuíram para a identificação do polônio e do rádio, ampliando significativamente o conhecimento sobre substâncias radioativas (CURIE, 1911). Marie Curie recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1903 e o Prêmio Nobel de Química em 1911 (NOBEL PRIZE OUTREACH, 2026b). Sua trajetória também esteve relacionada à aplicação dos conhecimentos sobre radiação à medicina, especialmente durante a Primeira Guerra Mundial, quando participou de iniciativas voltadas à utilização de radiografia para atendimento médico em campo de batalha.
Na identidade da Comenda, Marie Curie representa:
PESQUISA – PERSEVERANÇA – DESCOBERTA – APLICAÇÃO DO CONHECIMENTO
Síntese institucional:
“A Ciência persevera, descobre e transforma conhecimento em benefício da sociedade.”
9 OS QUATRO LUMINARES COMO SÍMBOLO DA CONSTRUÇÃO CIENTÍFICA
A articulação entre os referenciais históricos de Galileu Galilei, Isaac Newton, Albert Einstein e Marie Curie permite à FEBACLA estruturar uma síntese conceitual e pedagógica do fazer científico. Nessa composição, Galileu representa o ato primordial de observar e investigar a realidade empírica; Newton simboliza a capacidade de formular teorias abstratas e demonstrar leis universais por meio da linguagem matemática; Einstein encarna o espírito de inovar, questionar paradigmas vigentes e transformar a compreensão do cosmos; e Marie Curie traduz a perseverança no trabalho laboratorial, a busca incessante por descobertas e a aplicação ética do conhecimento em favor da vida.
Longe de pretender esgotar ou reduzir a vasta complexidade das trajetórias individuais desses cientistas, tal classificação possui caráter estritamente simbólico e orientador. Ela expressa como a evolução do conhecimento humano não decorre de um esforço isolado ou homogêneo, mas do encadeamento dinâmico entre diferentes métodos, posturas e visões de mundo. A presença conjunta desses quatro luminares enfatiza que a atividade científica exige rigor de observação, consistência formal, coragem intelectual para romper com dogmas e compromisso social. Dessa forma, a Comenda passa a representar a própria continuidade histórica da investigação racional, integrando tradição, inovação e responsabilidade.
10 AS ÁREAS DO CONHECIMENTO CONTEMPLADAS
A Comenda possui caráter interdisciplinar e pode contemplar trajetórias desenvolvidas em diferentes campos do conhecimento:
• Ciências Exatas e da Terra: Matemática, Física, Química, Astronomia, Astrofísica, Geologia, Geofísica, Oceanografia e Ciências Ambientais. • Ciências Biológicas e da Saúde: Biologia, Medicina, Farmácia, Biomedicina, Enfermagem, Odontologia, Saúde Pública, Biotecnologia e Neurociências. • Engenharias e Tecnologias: Engenharias, Ciência da Computação, Tecnologia da Informação, Inteligência Artificial, Ciência de Dados, Robótica, Automação, Telecomunicações e Tecnologias Emergentes.
• Ciências Agrárias: Agronomia, Ciências Florestais, Zootecnia, Engenharia Agrícola, Ciência dos Alimentos, Sustentabilidade e Produção Agrícola. • Ciências Humanas e Sociais: História, Filosofia, Geografia, Sociologia, Antropologia, Ciência Política, Arqueologia, Educação, Psicologia e Áreas Interdisciplinares.
• História, Patrimônio e Divulgação Científica: Trajetórias relacionadas à História da Ciência, Filosofia da Ciência, Divulgação Científica, Popularização da Ciência, Educação Científica, Patrimônio Científico e Tecnológico, Comunicação Científica, Museologia Científica e Preservação da Memória Científica.
11 REQUISITOS PARA A CONCESSÃO
A concessão da Comenda deve estar fundamentada na existência de trajetória relevante e compatível com seus objetivos institucionais. Entre os elementos considerados encontram-se:
1. Trajetória científica, acadêmica ou intelectual relevante;
2. Produção científica, técnica ou intelectual relevante;
3. Realização ou participação ativa em pesquisas;
4. Publicação de livros, artigos, estudos ou trabalhos científicos;
5. Desenvolvimento de projetos de pesquisa ou inovação;
6. Contribuição expressiva para o ensino e a formação de novos pesquisadores; 7. Atuação em instituições científicas ou acadêmicas de prestígio; 8. Divulgação e popularização da ciência e contribuição para a educação científica;
9. Recebimento de prêmios ou distinções correlatas;
10.Preservação da memória científica e contribuição social decorrente da aplicação do conhecimento;
11.Observância rigorosa de princípios éticos e responsabilidade na produção intelectual.
12 INDICAÇÃO, ANÁLISE E APROVAÇÃO
A indicação de uma personalidade para receber a Comenda poderá ser realizada por diferentes segmentos acadêmicos, científicos, educacionais e culturais, conforme as normas estabelecidas pela FEBACLA. Podem atuar como indicantes: a Presidência, a Diretoria, os Conselhos Institucionais e os Acadêmicos da FEBACLA, além de universidades, instituições de ensino, academias científicas, centros de pesquisa, instituições culturais, organizações educacionais, pesquisadores e personalidades reconhecidas.
A indicação não implica concessão automática. A documentação apresentada deverá ser analisada quanto ao mérito e à compatibilidade da trajetória com as finalidades da Comenda, cabendo ao Conselho Cultural da FEBACLA papel fundamental na apreciação das candidaturas.
13 A IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE DO MÉRITO
Um dos princípios fundamentais da Comenda é a rigorosa distinção entre o reconhecimento do mérito e os procedimentos administrativos de outorga. A concessão deve decorrer precipuamente da avaliação da trajetória apresentada; dessa maneira, o reconhecimento do mérito antecede a formalização da outorga.
Eventuais despesas administrativas relacionadas à emissão de certificado, medalha, registro, documentação, material institucional e logística de entrega não constituem pagamento pelo mérito da pessoa homenageada. Essa separação busca preservar categoricamente o caráter honorífico e institucional da distinção.
14 CIÊNCIA, EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE NOVAS GERAÇÕES
A ciência é construída de forma intergeracional. Cada pesquisador recebe conhecimentos desenvolvidos anteriormente, acrescenta novas perguntas e transmite novas descobertas aos que virão depois. Nesse sentido, professores e educadores possuem papel fundamental na continuidade da cultura científica.
A valorização do ensino e da formação de pesquisadores deve, portanto, integrar uma política de reconhecimento científico. A própria história da ciência demonstra a importância das instituições, comunidades intelectuais e processos de formação para a continuidade da produção do conhecimento (KUHN, 2013). A Comenda pretende reconhecer também aqueles que dedicam suas vidas a formar novos investigadores e multiplicadores do saber.
15 CIÊNCIA, INOVAÇÃO E SOCIEDADE
O desenvolvimento científico contemporâneo caracteriza-se pela crescente interação entre diferentes áreas do conhecimento. Questões relacionadas à saúde, ao meio ambiente, à energia, à exploração espacial, à inteligência artificial, à biotecnologia, à segurança alimentar e à transformação digital exigem diálogo constante entre diferentes especialidades.
A ciência contemporânea é, portanto, marcada por crescente interdisciplinaridade, sem que isso elimine a especificidade metodológica de cada campo. Por essa razão, uma distinção dedicada aos Luminares da Ciência reconhece não apenas a produção científica individual, mas também a capacidade de estabelecer pontes entre áreas do conhecimento e contribuir para a aplicação social da ciência.
16 CIÊNCIA E RESPONSABILIDADE ÉTICA
O conhecimento científico amplia as possibilidades humanas, mas exige profunda responsabilidade. A pesquisa e a produção intelectual devem estar associadas a princípios de integridade, ética, responsabilidade social e respeito à dignidade humana.
A excelência científica, portanto, não deve ser mensurada exclusivamente pela quantidade de publicações, descobertas ou invenções, mas também pela responsabilidade com que o conhecimento é produzido, comunicado e aplicado. Nesse sentido, a Comenda associa de modo indissociável a excelência científica e a responsabilidade humana.
17 O LEMASCIENTIA LUX HUMANITATIS
A identidade da Comenda é sintetizada pelo lema em latim:
SCIENTIALUXHUMANITATIS
(A Ciência é a Luz da Humanidade)
A metáfora da luz possui denso significado simbólico. O conhecimento permite revelar fenômenos anteriormente desconhecidos, formular novas perguntas, enfrentar problemas e ampliar as possibilidades de compreensão da realidade. A ciência, nessa perspectiva, é uma construção permanente: Galileu observa; Newton formula; Einstein inova; Curie pesquisa e descobre. As novas gerações, por sua vez, continuam a ampliar essa construção.
18 UMA COMENDA VOLTADA PARA O FUTURO
Embora inspirada em grandes personagens da História da Ciência, a Comenda não pretende constituir apenas uma homenagem ao passado. Seu propósito é também reconhecer aqueles que constroem o conhecimento do futuro no tempo presente.
Trata-se de reconhecer pesquisadores que desenvolvem novas tecnologias, professores que formam cientistas, médicos que investigam tratamentos, engenheiros que criam soluções, astrônomos que estudam o universo, biólogos que investigam a vida, cientistas sociais que analisam a sociedade e profissionais que utilizam o conhecimento para enfrentar desafios contemporâneos. Reconhecer essas trajetórias significa também estimular as próximas gerações.
19 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Comenda Internacional dos Luminares da Ciência nasce como uma distinção destinada a celebrar uma das maiores realizações humanas: a capacidade de produzir, preservar, compartilhar e aplicar o conhecimento. Inspirada simbolicamente em Galileu Galilei, Isaac Newton, Albert Einstein e Marie Curie, a honraria procura reunir diferentes dimensões da experiência científica: a observação, a formulação, a inovação e a descoberta.
A Comenda não se limita a homenagear cientistas do passado. Seu propósito fundamental é reconhecer homens e mulheres do presente que continuam ampliando as fronteiras do saber. Nesse sentido, a distinção pretende constituir também um instrumento de preservação da memória científica e de estímulo às novas gerações.
A ciência não é apenas aquilo que a humanidade já descobriu; é também aquilo que ainda se tem a coragem de investigar. É justamente nessa perspectiva que se encontra o sentido maior da Comenda Internacional dos Luminares da Ciência: A Ciência ilumina caminhos, inspira futuros e transforma vidas.
SCIENTIALUXHUMANITATIS
REFERÊNCIAS
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Ciência, Técnica e Filosofia, um trinómio inseparável
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
‘Ciência, Técnica e Filosofia, um trinómio inseparável’
Diamantino BártoloImagem gerada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69b33473-fc24-83e9-9865-4289bd39a142
Há quem defenda que: «A Filosofia estuda-se como outra matéria qualquer, com algum esforço, algum prazer, alguma disciplina. A organização do estudo é fundamental para que os conhecimentos não apareçam dispersos, desligados uns dos outros e, sobretudo, de nós próprios. Só uma boa organização do estudo permite uma boa compreensão e assimilação do que pretendemos. (…) A Filosofia não tem o monopólio destas ou daquelas ideias, embora exista um modo filosófico de as expressar. » (TAVARES & FERRO, 1983:25).
Temos visto, quão complexa é a Filosofia, face a outras áreas disciplinares, nomeadamente, se compararmos com as ciências exatas. De facto, a “máquina humana” é, ainda hoje, um labirinto de incógnitas, pese, embora, o esforço das várias ciências humanas, cada uma com o (s) seu (s) objeto (s) de estudo, metodologias e estratégias, mas, à Filosofia, contudo, não é fácil determinar tal objeto, pelas seguintes causas:
«a) O seu objecto especial nas actividades humanas, entre as que são resultado tanto da arte como das da ciência, ou se se prefere, entre as artes e as ciências; b) A sua própria evolução histórica que a levou, e ainda continua a levar, algumas vezes a procurar a sua definição eliminando quanto não é ela, evolução que provoca periodicamente uma crise (real ou artificial, segundo o mal do tempo) da sua consciência autónoma; c) Uma discussão que já vem de longo tempo entre os filósofos no seu conjunto, e os especialistas das regras da acção humana, quer estes sejam filósofos ou não, mas em nome da moral (religiosa ou não) da política, ou de qualquer Teoria do Comportamento.» (LEGRAND, 1983:176).
Por tudo o que fica analisado, não será difícil aceitar que o filósofo, ao contrário de outros intervenientes no processo humano, tem, e terá sempre, o seu trabalho dificultado e inacabado. Tradicionalmente, aliamos à noção de ciência, o conceito de conhecimento e, nesta perspectiva, analisamos, também, as diversas maneiras de compreender o mundo destacando-se aqui os níveis clássicos: conhecimento espontâneo ou senso comum, e o conhecimento científico, entendendo-se que este é uma vitória recente da humanidade, tendo surgido no século XVII, com as Revoluções “Copernicana” e “Galeliana”.
Se é certo que: no pensamento grego, a Filosofia e a ciência integravam uma única árvore do saber; igualmente é verdade que já na idade Moderna, a separação também se consumaria, buscando cada uma delas – Filosofia e Ciência – o seu percurso concreto, o seu método, o seu objeto, aliás, a ciência moderna surge ao determinar um objetivo específico de investigação, e ao adotar um método, através do qual se controlará o conhecimento.
O recurso a métodos rigorosos, possibilita que a ciência atinja um tipo de conhecimento sistemático, metodológico, preciso, objetivo e reversível, pelo qual se descobrem relações universais e necessárias entre os fenómenos, permitindo prever acontecimentos, e atuar da forma mais eficaz.
Ciência, Técnica e Filosofia, constituem, portanto, um trinómio que deve ser inseparável, não se devendo tentar sobrevalorizar um, em detrimento dos outros, porque eles constituem, apenas, uma parte dos conhecimentos e práticas que caracterizam a Humanidade, sendo certo que: enquanto assim não se proceder, o mundo não terá paz; as desigualdades entre as pessoas aumentarão; até ao dia em que uma esmagadora maioria de excluídos, se revoltará e tomará conta dos destinos de todos.
BIBLIOGRAFIA
LEGRAND, Gerard (Dir.), (1983). Dicionário de Filosofia, Tradução, Armando J. Rodrigues e João Gama, Lisboa: Edições 70.
TAVARES, Manuel & FERRO, Mário, (1983). Guia do Estudante de Filosofia. 4a Ed. Lisboa: Editorial Presença.
Venade/Caminha – Portugal, 2026
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Expansão de consciência, ancestralidade e os limites entre cura e risco
Joelson MoraImagem criada por IA do Bing – 14 de janeiro de 2026, às 12:00 PM
A busca humana por sentido, cura e transcendência não é algo moderno. Desde os primórdios, o ser humano recorre à natureza, aos rituais e à espiritualidade para compreender sua existência, aliviar dores e responder perguntas que o corpo sozinho não explica. Dentro desse contexto ancestral surge a Ayahuasca, uma bebida sagrada utilizada há séculos por povos indígenas da Amazônia.
Mas o que, de fato, é a Ayahuasca? Ela cura? Expande a consciência? Apresenta riscos? Onde termina a espiritualidade?
Neste artigo proponho uma reflexão sem romantização e sem demonização, unindo cultura, ciência e saúde integral.
O termo Ayahuasca tem origem no quíchua, onde ‘aya’ significa espírito ou ancestral, e ‘waska’ significa cipó ou corda. A tradução mais conhecida é ‘cipó dos espíritos’ ou ‘corda que liga o mundo físico ao espiritual’.
Tradicionalmente, a bebida é utilizada em rituais de:
Cura espiritual e emocional;
Autoconhecimento;
Iniciação e orientação da comunidade;
Reconexão com a natureza
Para os povos originários, não se trata de uma substância recreativa, mas de um sacramento, conduzido com respeito, preparo e propósito.
A Ayahuasca é preparada a partir da combinação de duas plantas principais:
Banisteriopsis caapi (cipó-mariri), rica em beta-carbolinas, que inibem a enzima MAO;
Psychotria viridis (chacrona), que contém DMT (dimetiltriptamina), uma substância psicoativa potente.
Essa combinação permite que o DMT atue no cérebro, provocando alterações profundas na percepção, nas emoções e na consciência.
Do ponto de vista fisiológico, o corpo entra em um estado de estresse controlado, com possíveis efeitos como:
Náuseas e vômitos (tradicionalmente chamados de ‘purga’);
Alterações na pressão arterial;
Aumento da frequência cardíaca;
Dilatação das pupilas.
No cérebro, ocorre uma modulação intensa do sistema serotoninérgico e uma redução temporária da chamada default mode network (rede de modo padrão), área relacionada ao ego e à identidade pessoal.
Os relatos mais comuns incluem:
Revisitação de memórias profundas e traumas;
Emoções intensas, como choro, medo ou euforia;
Sensação de dissolução do ego;
Experiências simbólicas de morte e renascimento.
É fundamental compreender que a Ayahuasca não entrega apenas experiências agradáveis. Muitas vezes, ela confronta o indivíduo com aquilo que ele evita: culpas, feridas emocionais e incoerências de vida.
Estudos científicos vêm investigando o potencial da Ayahuasca em casos de:
Depressão resistente;
Ansiedade;
Dependência química;
Transtorno de estresse pós-traumático.
Embora os resultados iniciais sejam promissores, é importante ressaltar: a Ayahuasca não é um tratamento médico reconhecido. Ela não substitui terapia, acompanhamento psicológico, atividade física regular, alimentação equilibrada ou espiritualidade vivida no cotidiano.
A Ayahuasca não é segura para todos.
Ela é contraindicada para pessoas que:
Utilizam antidepressivos ou medicamentos psiquiátricos;
Possuem transtornos psicóticos, como esquizofrenia ou bipolaridade;
Apresentam doenças cardiovasculares graves;
Têm histórico de surtos psicológicos.
O uso irresponsável pode desencadear crises severas, tanto físicas quanto emocionais.
No Brasil, o uso da Ayahuasca é permitido exclusivamente em contextos religiosos, conforme regulamentação do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD).
Seu uso comercial, recreativo ou turístico não é permitido.
Dentro da visão de saúde integral, é essencial afirmar:
nenhuma substância, ritual ou experiência isolada transforma um ser humano por completo.
O verdadeiro processo de cura envolve:
Movimento do corpo;
Disciplina emocional;
Consciência espiritual;
Responsabilidade com escolhas diárias
A Ayahuasca, quando usada, pode até abrir portas internas, mas quem caminha é o indivíduo, todos os dias, em suas atitudes.
A Ayahuasca não é milagre, não é moda e não é atalho.
Ela é parte de uma herança cultural ancestral que exige respeito, preparo e discernimento.
Expansão de consciência sem responsabilidade não é iluminação — é risco disfarçado de espiritualidade.
‘As contribuições do Imperador Dom Pedro II para o desenvolvimento da ciência no Brasil’
Dom Alexandre Rurikovich Carvalho‘As contribuições do Imperador Dom Pedro II para o desenvolvimento da ciência no Brasil’,Imagem criada por IA do ChatGPT
Resumo: O presente artigo analisa as principais contribuições do imperador Dom Pedro II (1825–1891) para o desenvolvimento científico e educacional do Brasil. Reconhecido como um dos monarcas mais cultos do século XIX, D. Pedro II destacou-se por seu mecenato científico, sua defesa da instrução pública e seu apoio a instituições de pesquisa. A partir de fontes primárias, como os diários imperiais, e secundárias, como obras de José Murilo de Carvalho, Lilia Moritz Schwarcz e Roderick Barman, o estudo demonstra que o imperador exerceu papel central na institucionalização da ciência no Brasil e na projeção internacional do Império como nação ilustrada.
Palavras-chave: Dom Pedro II. Ciência. Educação. Império do Brasil. História da ciência.
1 Introdução
Dom Pedro II, segundo imperador do Brasil, foi um dos soberanos mais instruídos e intelectualmente engajados de sua época. Fluente em diversos idiomas e interessado em astronomia, física, linguística e biologia, destacou-se como um monarca ilustrado que via na ciência um instrumento de progresso e emancipação nacional.
Segundo Schwarcz (1998, p. 247), “Pedro II foi o mais europeu dos brasileiros e o mais brasileiro dos europeus”, representando a síntese entre o pensamento iluminista e o ideal de nação civilizada. Seu reinado consolidou a educação e o conhecimento como pilares do Estado imperial.
2 O IMPERADOR E A CULTURA CIENTÍFICA
2.1 Formação e interesse pelo saber
Desde jovem, D. Pedro II foi instruído por renomados professores brasileiros e estrangeiros, recebendo uma educação humanista e científica de caráter exemplar. Desde cedo, demonstrava notável curiosidade intelectual e grande apreço pelo conhecimento, dedicando parte significativa de seu tempo ao estudo de línguas, ciências naturais, história e filosofia. Essa formação sólida fez dele um dos monarcas mais cultos de seu tempo, capaz de dialogar com naturalidade sobre os avanços científicos e tecnológicos que transformavam o século XIX.
O imperador mantinha extensa correspondência com sábios do mundo inteiro, entre eles Louis Pasteur, Alexander Graham Bell, Charles Darwin e Louis Agassiz. A relação com esses cientistas ultrapassava a mera cortesia diplomática: Pedro II trocava ideias, comentava experimentos e demonstrava genuíno entusiasmo pelas descobertas que impulsionavam o progresso da humanidade. Agassiz (1868, p. 12), ao relatar sua visita ao Brasil, afirmou que “o Imperador do Brasil é um homem de espírito científico, cuja conversação poderia interessar a qualquer membro da Royal Society”.
Durante sua longa viagem à Europa e ao Oriente Médio (1871–1876), Pedro II visitou laboratórios, universidades e academias, sendo recebido com honras em instituições científicas de renome, como a Academia de Ciências de Paris e o Observatório de Pulkovo, na Rússia. De acordo com Carvalho (2007, p. 183), o imperador “era tratado nos meios acadêmicos europeus não como um chefe de Estado, mas como um colega cientista”. Essa atitude revela não apenas seu fascínio pessoal pelo saber, mas também o desejo de integrar o Brasil ao circuito intelectual internacional, promovendo o desenvolvimento científico e educacional do país.
O incentivo às instituições de ensino, à pesquisa e à difusão cultural, como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Museu Nacional, demonstra que D. Pedro II via o conhecimento como instrumento de modernização e civilização. Sua figura, portanto, simboliza a fusão entre o poder político e o ideal iluminista de razão e progresso, deixando um legado duradouro na história da cultura científica brasileira.
3 AS INSTITUIÇÕES CIENTÍFICAS NO BRASIL IMPERIAL
3.1 O Museu Nacional
D. Pedro II foi o principal responsável pela modernização do Museu Nacional do Rio de Janeiro, transformando-o em um verdadeiro centro de pesquisa, ensino e difusão científica no século XIX. Criado originalmente por D. João VI em 1818, o museu passou por uma profunda reestruturação durante o Segundo Reinado, recebendo investimentos que o consolidaram como uma das instituições científicas mais prestigiadas da América Latina. Sob o patrocínio direto do imperador, o acervo foi enriquecido com coleções de história natural, paleontologia, etnografia e arqueologia, muitas delas trazidas de expedições realizadas em diferentes regiões do Brasil e do exterior.
O monarca acompanhava pessoalmente o desenvolvimento do museu, frequentando exposições, conferências e mantendo diálogo constante com seus diretores e pesquisadores. D. Pedro II também promoveu intercâmbios com instituições estrangeiras, o que permitiu a troca de espécimes e conhecimentos científicos. Segundo Schwarcz (1998), o imperador via no Museu Nacional não apenas um espaço de exibição, mas um instrumento de civilização e modernidade, capaz de projetar a imagem de um Brasil culto, ilustrado e integrado às correntes científicas internacionais.
3.2 O Observatório Nacional
Fundado em 1845, o Imperial Observatório do Rio de Janeiro — hoje Observatório Nacional — foi um dos projetos mais caros ao coração de D. Pedro II. O imperador demonstrava profundo interesse pela astronomia e pelas ciências exatas, acompanhando de perto as observações astronômicas e a organização do ensino científico. Ele incentivava os estudos sobre o trânsito de Vênus, os eclipses solares e a medição precisa da hora, temas fundamentais para a navegação e a cartografia da época.
O Observatório tornou-se, assim, um marco na institucionalização da ciência no Brasil, reunindo astrônomos, engenheiros e matemáticos que contribuíram para o avanço da pesquisa nacional. Segundo Carvalho (2007, p. 191), “Pedro II dominava conceitos de astronomia a ponto de discutir o trânsito de Vênus com naturalidade científica”, o que demonstra sua rara familiaridade com as ciências exatas entre os monarcas do século XIX. Além disso, o imperador apoiou a aquisição de instrumentos modernos e estimulou a formação de quadros técnicos brasileiros, consolidando a autonomia científica do país.
3.3 O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
Como patrono e colaborador ativo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), fundado em 1838, D. Pedro II desempenhou papel essencial na construção da memória e da identidade nacional. Frequentemente participava das sessões e incentivava os estudiosos a realizarem pesquisas documentais e históricas sobre o território, os povos indígenas e o passado colonial. O imperador via na ciência e na história instrumentos para consolidar a unidade política e simbólica do Brasil, reforçando a legitimidade do Estado e da monarquia.
O IHGB tornou-se, sob seu amparo, um verdadeiro laboratório de construção da nacionalidade, reunindo intelectuais, juristas, religiosos e militares em torno de um projeto comum: compreender o Brasil a partir de bases científicas e eruditas. Segundo Barman (1999), o engajamento de Pedro II com o Instituto “revela o desejo de formar uma nação instruída, consciente de suas origens e preparada para o progresso”. O apoio imperial possibilitou a publicação de documentos inéditos, a organização de arquivos e a consolidação de uma historiografia de caráter nacionalista e civilizador, que influenciaria gerações de intelectuais.
Assim, o conjunto dessas instituições — o Museu Nacional, o Observatório Nacional e o IHGB — ilustra o papel de D. Pedro II como promotor da cultura científica e do pensamento ilustrado no Brasil imperial. Sua visão de ciência, aliada à política e à educação, consolidou as bases de um projeto de modernização que buscava integrar o país ao mundo civilizado, sem perder de vista a construção de uma identidade própria e autônoma.
4 MECENATO CIENTÍFICO INTERNACIONAL
Dom Pedro II manteve contato com figuras centrais da ciência moderna. Em Paris, conheceu Louis Pasteur, a quem doou recursos para o futuro Instituto Pasteur. Em Filadélfia, em 1876, participou da primeira demonstração pública do telefone com Alexander Graham Bell, encantando-se com a invenção (CARVALHO, 2007).
Em correspondência reproduzida pela Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG, 2012), Charles Darwin teria afirmado ao botânico Joseph Hooker que “o imperador faz tanto pela ciência que todo sábio é obrigado a demonstrar a ele o mais completo respeito”.
Além disso, o imperador visitou o túmulo de Darwin em 1876 e registrou em seu diário:
“Visitei o túmulo de Darwin. Um homem de ciência que muito honrou a humanidade.” (D. Pedro II, Diário de Viagem à Europa, 1876, Arquivo Nacional, códice 86, vol. 14).
5 EDUCAÇÃO COMO POLÍTICA DE ESTADO
A política educacional de D. Pedro II foi um dos pilares de seu projeto de modernização e consolidação do Estado brasileiro. O imperador compreendia que o progresso nacional dependia diretamente da formação intelectual e moral do povo, e por isso considerava a educação uma verdadeira política de Estado. Sua gestão buscou expandir o acesso à instrução pública gratuita e laica, especialmente nas capitais provinciais, além de incentivar a criação de escolas normais voltadas à formação de professores, com o intuito de profissionalizar o magistério e elevar o nível do ensino elementar.
D. Pedro II também incentivou a fundação e reorganização de instituições de ensino superior, como a Escola de Minas de Ouro Preto (1876), a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e a Faculdade de Direito de São Paulo, compreendendo o papel dessas instituições na formação das elites intelectuais e técnicas que sustentariam a administração do Império. Além disso, promoveu a criação de bibliotecas públicas, o patrocínio de academias literárias e o apoio às ciências humanas, fortalecendo o vínculo entre cultura, saber e cidadania.
Convicto de que o conhecimento deveria ser universal, o imperador financiou o envio de jovens brasileiros ao exterior, principalmente à França, Alemanha e Inglaterra, para que se aperfeiçoassem em áreas como engenharia, medicina, direito e ciências naturais. Ao retornarem, esses estudantes contribuíam para a modernização das estruturas do Estado e para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
D. Pedro II era um leitor assíduo e mantinha contato direto com educadores e reformadores europeus, inspirando-se em modelos pedagógicos contemporâneos, especialmente no sistema francês e no ideal positivista de instrução racional e moral. Sua visão de educação ultrapassava o mero ensino técnico: ele via nela um instrumento de emancipação individual e de fortalecimento nacional, como expressou em seu diário:
“Sem instrução não há verdadeira independência.” (D. Pedro II, Diário, 1873, Arquivo Nacional, códice 85, vol. 12).
Sob seu governo, a educação foi compreendida como um dever do Estado e um direito do cidadão, antecipando princípios que seriam consolidados somente na República. Embora os resultados práticos ainda fossem limitados pelo contexto social e econômico da época, o compromisso pedagógico de D. Pedro II representou um marco na história da educação brasileira, deixando como legado a valorização do ensino público e o reconhecimento do saber como instrumento de civilização e liberdade.
6 RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
D. Pedro II foi membro correspondente de diversas academias científicas — entre elas, a Royal Society de Londres e o Instituto de França — e recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford, em 1876. Barman (1999, p. 212) observa que “o imperador brasileiro era recebido nas academias da Europa como um dos seus, e não apenas como visitante ilustre”. Sua presença em congressos, universidades e museus europeus despertava admiração, não apenas pela sua posição política, mas pelo profundo conhecimento que demonstrava em física, astronomia e linguística.
Durante suas viagens ao exterior, foi convidado a participar de experimentos científicos, conferências e debates acadêmicos, sendo reconhecido como um verdadeiro erudito entre os sábios do Velho Mundo. A imprensa europeia frequentemente o descrevia como um “monarca filósofo”, destacando seu caráter estudioso e sua defesa da liberdade de pensamento. Esse prestígio internacional projetou a imagem de um Brasil culto e moderno, inserido nas redes intelectuais do século XIX e comprometido com o avanço da ciência e da civilização.
7 CONCLUSÃO
O legado científico de Dom Pedro II ultrapassa o campo simbólico: ele foi um agente efetivo de modernização intelectual e moral do Brasil oitocentista. Sua atuação em prol da ciência, da educação e da cultura expressou uma visão de Estado fundada no conhecimento como instrumento de progresso e emancipação nacional. Ao compreender o saber como valor supremo, o imperador promoveu uma verdadeira “monarquia ilustrada”, na qual a razão, o estudo e a curiosidade científica se tornaram princípios de governo e de civilização.
Seu incentivo à pesquisa, à educação e à cultura científica resultou na consolidação de instituições que sobreviveram à monarquia e continuaram a moldar o pensamento brasileiro, como o Museu Nacional, o Observatório Nacional, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e diversas escolas superiores. Essas instituições foram fundamentais para a formação de uma elite intelectual comprometida com o desenvolvimento do país e com a construção de uma identidade cultural autônoma.
Além de patrono das ciências, D. Pedro II foi um exemplo pessoal de erudição e de humildade intelectual. Poliglota, leitor voraz e estudioso de astronomia, literatura e filosofia, manteve diálogo com alguns dos maiores pensadores e cientistas de sua época. Sua figura representou a síntese entre o poder político e o ideal humanista do saber, servindo de ponte entre o Brasil e o mundo moderno.
REFERÊNCIAS
AGASSIZ, Louis; AGASSIZ, Elizabeth. A Journey in Brazil. Boston: Ticknor and Fields, 1868.
BARMAN, Roderick J. Citizen Emperor: Pedro II and the Making of Brazil, 1825–1891. Stanford: Stanford University Press, 1999.
BRASIL. Arquivo Nacional. Diários de D. Pedro II (Códices 85–88). Rio de Janeiro.
CARVALHO, José Murilo de. Dom Pedro II: O último imperador do Novo Mundo (1825–1891). Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2007.
FUNDAÇÃO ALEXANDRE DE GUSMÃO (FUNAG). O Imperador visto pelo Barão do Rio Branco. Brasília: FUNAG, 2012.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
SENADO FEDERAL. Orçamento do Império e Dotação de Sua Majestade o Imperador. Brasília: Senado Federal, 2016.
Diamantino BártoloGerir e liderar, com arte e ciência Imagem gerada por IA do Bing – 4 de novembro de 2024 às 11:32 PM
A superior e inultrapassável diferença entre gerir e liderar pessoas, e administrar outros recursos, como máquinas, capitais, objetos, coisas, mercados e situações técnico-científicas, localiza-se, imediatamente, na comunicação e relacionamento interpessoais: pura e simplesmente, a relação pessoa-objeto situa-se a um nível inferior e instrumental ao da relação pessoa-pessoa, ou pelo menos, assim deveria ser.
Acredita-se que será impossível gerir e liderar pessoas sem a comunicação com elas, e entre elas, suportada num genuíno processo de relações humanas, seja no campo estritamente profissional, seja num quadro mais abrangente, nos contextos da família, da escola, da Igreja, da comunidade, inclusivamente no âmbito da ocupação dos tempos livres e de lazer.
Comunicação e relacionamento humanos, são faculdades que toda a pessoa deverá cultivar, como se de uma competente atividade profissional se tratasse, porque o indivíduo humano é portador de capacidades inatas, mas também tem de aprender, no seio do grupo, e da comunidade de que faz parte, todo um vasto conjunto de procedimentos, que o tornam único num mundo onde muitos outros seres se movimentam.
O paradigma técnico-científico instalado, dificulta muito, pelo menos em certos círculos, uma maior valorização e compreensão da importância de valores não comprovados cientificamente, sendo certo que é tempo de as várias disciplinas trabalharem em conjunto, para um mundo melhor.
O gestor e/ou líder de um grupo, quaisquer que sejam as características, atividades e objetivos do grupo deve, portanto, estar preparado para compreender a complexidade humana, enquadrá-la num determinado contexto específico, conduzir a equipa por forma a serem alcançados os resultados institucionais, coletivos e/ou do grupo bem como a satisfação de cada elemento, individualmente considerado, não como objeto, máquina ou qualquer outro instrumento, mas como pessoa humana, dotada de valores, detentora de direitos e responsável pelo cumprimento de deveres.
Estabelecer o equilíbrio, por vezes precário, entre os diferentes e até contrários pontos de vista e conciliar os interesses, legítimos e legais, das partes envolvidas num dado projeto, constitui uma tarefa que exige bom senso, prudência, arte e criatividade.
É desejável que o gestor, e/ou líder, seja um autêntico camaleão, no sentido positivo do termo, isto é, capacitado para se adaptar, eficazmente, às diversas situações que lhe vão surgindo.
Como em muitos outros domínios da atividade humana, é essencial uma boa preparação em relações humanas, assente numa comunicação, tanto quanto possível, assertiva, e o exercício permanente de boas-práticas de convivência com os seus semelhantes, enquanto pessoas com dignidade idêntica.
Nenhum gestor, líder ou colega, tem o direito de humilhar, desrespeitar, desvalorizar e/ou desconsiderar a pessoa com quem tem de se relacionar, enquanto integrados no mesmo grupo de trabalho, bem como em quaisquer outras circunstâncias.
Gerir, e/ou liderar, recursos humanos envolve grande empenhamento, por parte do responsável a quem cabe esta função, no sentido de se esforçar permanentemente para, até por antecipação, detetar e resolver situações próprias da condição humana que, de alguma forma, afetam o trabalho e o relacionamento das pessoas sob as ordens do líder.
Cada pessoa é, por si só, um mundo interior de múltiplas dimensões, que ela própria, algumas vezes, terá dificuldade em compatibilizar e, quando não o consegue, cria situações que se exteriorizam, em comportamentos, mais ou menos favoráveis, ou não se manifestando de forma evidente, tornam o relacionamento interpessoal mais difícil.
Cabe ao líder proporcionar as condições para que as pessoas que lidera se sintam à-vontade, comuniquem quaisquer dificuldades que surjam e possam prejudicar, no todo ou em parte, o desempenho profissional.
Acontece que, enquanto o gestor aborda as situações de uma forma analítica e sistemática, o líder desenvolve a sua apreciação numa perspectiva de síntese, produz orientações para as mudanças que são necessárias implementar.
Infere-se do exposto, que é fundamental uma boa capacidade de comunicação, entre todos os membros do grupo, conjugada com um bom relacionamento humano, porque comunicar entre pessoas, que se relacionam sem dificuldades, nem preconceitos, constitui uma boa plataforma para os possíveis e desejáveis bons entendimentos e, correlativamente, para a busca e aplicação de soluções para os problemas e situações surgidos.
Como estratégia possível, o exemplo de comunicação fluida deve partir de quem detém a liderança, para que todas as demais pessoas, pertencentes a um determinado grupo, fiquem desinibidas, comecem a confiar e exponham, abertamente, os seus problemas, sem reservas nem receios de serem criticadas negativamente.
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Ciência para as crianças entenderem melhor o mundo
Eureka! Cientista e professor da USP, Bruno Gualano estreia na literatura infantil com obra que estimula o letramento científico desde a primeira infância
Capa do livro ‘Bel, a experimentadora’, de Bruno Gualano Divulgação/Moah! Editora
Bel é uma menina curiosa que sempre quer entender o porquê das coisas. Junto do gatinho Galileu, seu ajudante, faz experimentos e descobertas fascinantes, que mostram como a ciência está presente em tudo: nos celulares, nos remédios e mesmo na comida. Esse universo é apresentado às crianças pelo cientista e professor de Medicina Bruno Gualano no livro Bel, a experimentadora, publicado pela Moah! Editora.
Para a garota, não há limites para entender o desconhecido: Bel constrói vulcões e faz combinações químicas que mudam de cor no tubo de ensaio. Mas, quando os amigos da Rua Marie Curie começam a suspeitar de que ela é uma bruxinha, a personagem os convida para uma jornada de exploração científica. Assim demonstra a eles o que é energia, ao esfregar uma bexiga em sua blusa de lã, encostando-a depois no gatinho Galileu, que fica com os pelos arrepiados. Dessa forma, encanta as crianças da rua com a divertida “brincadeira de experimentar”.
– Parece incrível, Bel! E essa brincadeira tem nome? – Os adultos costumam chama-la de Ciência, Sarinha… – E essa parece ser uma brincadeira de gente grande também. Afinal, papai um dia me disse que a Ciência está em tudo nas nossas vidas… (Bel, a experimentadora, págs. 25 e 26)
Em homenagem a figuras notáveis da história, como Galileu Galilei, Marie Curie e Mercedes Bustamante, a obra pretende servir de estímulo ao letramento científico na infância, possibilitando a compreensão dos fenômenos naturais, sociais e tecnológicos pelo olhar da Ciência. “Se cada criança tivesse a oportunidade de descobrir o poder do pensamento científico, poderíamos construir uma sociedade mais crítica, saudável, próspera e equitativa”, acrescenta Bruno Gualano.
As ilustrações de Catarina Bessel, que utiliza a colagem como recurso criativo, tornam a narrativa mais divertida e envolvente, além de reforçar outras temáticas abordadas, como diversidade cultural, educação antirracista e representatividade das mulheres nas Ciências, por meio de uma protagonista preta. Para a divulgadora científica Natalia Pasternak, que endossa a publicação, a obra ajuda a afastar estigmas como o de “cientista maluco”, de jaleco branco, e assim democratizar a atividade.
Apoiado pela Faculdade de Medicina da USP, Bel, a experimentadora é o primeiro título de uma coletânea direcionada ao público de até 9 anos e que abordará, ainda, temas como vacinas, mudanças climáticas e bullying relacionado a estigmas de corpo.
Bruno Gualano é PhD em Ciências e professor da Faculdade de Medicina da USP. Em 2022 e 2023, foi considerado um dos cientistas mais influentes do mundo pela Universidade de Stanford (EUA). Além de suas atividades científicas, Bruno também realiza ações de popularização da Ciência.
É um dos criadores do canal de divulgação científica “Ciência inForma” e do podcast “O Cientista Não Morde”, além de ser Membro da Coalizão Ciência e Sociedade.
Na literatura infantil, assina o livro Bel, a experimentadora, que visa ao letramento científico de crianças, a fim de garantir a formação de pessoas cada vez mais críticas e capazes de tomarem decisões baseadas em evidência, menos suscetíveis a charlatanismos, teorias conspiratórias e fake news. Esse título é o primeiro de uma coletânea – o projeto busca parcerias para dar continuidade às publicações.
Sobre a ilustradora: Catarina Bessell é paulistana formada em Arquitetura e Urbanismo pela USP, que decidiu enveredar pelo universo das artes visuais, utilizando a técnica da colagem para compor suas criações. Já contribuiu para a ilustração de diversos livros e jornais nacionais e internacionais, aportando ludicidade e leveza a cada tema abordado.
Sobre a Editora: A Moah! tem como propósito despertar a sensibilidade e um olhar plural por meio de suas publicações, valorizando temas como memória afetiva, letramento científico, artes e educação. É idealizada por Heloisa Hernandez, editora formada pela USP e designer especializada em Artes Visuais pela Elisava – Faculdade de Design e Engenharia de Barcelona e pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB).
Com mais de quinze anos de experiência no mercado editorial, hoje alimenta o sonho de incentivar a leitura, o desenho e a escrita como ferramentas de aprendizado, autoexpressão, desenvolvimento e presença no mundo.