Expansão de consciência, ancestralidade e os limites entre cura e risco
Joelson MoraImagem criada por IA do Bing – 14 de janeiro de 2026, às 12:00 PM
A busca humana por sentido, cura e transcendência não é algo moderno. Desde os primórdios, o ser humano recorre à natureza, aos rituais e à espiritualidade para compreender sua existência, aliviar dores e responder perguntas que o corpo sozinho não explica. Dentro desse contexto ancestral surge a Ayahuasca, uma bebida sagrada utilizada há séculos por povos indígenas da Amazônia.
Mas o que, de fato, é a Ayahuasca? Ela cura? Expande a consciência? Apresenta riscos? Onde termina a espiritualidade?
Neste artigo proponho uma reflexão sem romantização e sem demonização, unindo cultura, ciência e saúde integral.
O termo Ayahuasca tem origem no quíchua, onde ‘aya’ significa espírito ou ancestral, e ‘waska’ significa cipó ou corda. A tradução mais conhecida é ‘cipó dos espíritos’ ou ‘corda que liga o mundo físico ao espiritual’.
Tradicionalmente, a bebida é utilizada em rituais de:
Cura espiritual e emocional;
Autoconhecimento;
Iniciação e orientação da comunidade;
Reconexão com a natureza
Para os povos originários, não se trata de uma substância recreativa, mas de um sacramento, conduzido com respeito, preparo e propósito.
A Ayahuasca é preparada a partir da combinação de duas plantas principais:
Banisteriopsis caapi (cipó-mariri), rica em beta-carbolinas, que inibem a enzima MAO;
Psychotria viridis (chacrona), que contém DMT (dimetiltriptamina), uma substância psicoativa potente.
Essa combinação permite que o DMT atue no cérebro, provocando alterações profundas na percepção, nas emoções e na consciência.
Do ponto de vista fisiológico, o corpo entra em um estado de estresse controlado, com possíveis efeitos como:
Náuseas e vômitos (tradicionalmente chamados de ‘purga’);
Alterações na pressão arterial;
Aumento da frequência cardíaca;
Dilatação das pupilas.
No cérebro, ocorre uma modulação intensa do sistema serotoninérgico e uma redução temporária da chamada default mode network (rede de modo padrão), área relacionada ao ego e à identidade pessoal.
Os relatos mais comuns incluem:
Revisitação de memórias profundas e traumas;
Emoções intensas, como choro, medo ou euforia;
Sensação de dissolução do ego;
Experiências simbólicas de morte e renascimento.
É fundamental compreender que a Ayahuasca não entrega apenas experiências agradáveis. Muitas vezes, ela confronta o indivíduo com aquilo que ele evita: culpas, feridas emocionais e incoerências de vida.
Estudos científicos vêm investigando o potencial da Ayahuasca em casos de:
Depressão resistente;
Ansiedade;
Dependência química;
Transtorno de estresse pós-traumático.
Embora os resultados iniciais sejam promissores, é importante ressaltar: a Ayahuasca não é um tratamento médico reconhecido. Ela não substitui terapia, acompanhamento psicológico, atividade física regular, alimentação equilibrada ou espiritualidade vivida no cotidiano.
A Ayahuasca não é segura para todos.
Ela é contraindicada para pessoas que:
Utilizam antidepressivos ou medicamentos psiquiátricos;
Possuem transtornos psicóticos, como esquizofrenia ou bipolaridade;
Apresentam doenças cardiovasculares graves;
Têm histórico de surtos psicológicos.
O uso irresponsável pode desencadear crises severas, tanto físicas quanto emocionais.
No Brasil, o uso da Ayahuasca é permitido exclusivamente em contextos religiosos, conforme regulamentação do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD).
Seu uso comercial, recreativo ou turístico não é permitido.
Dentro da visão de saúde integral, é essencial afirmar:
nenhuma substância, ritual ou experiência isolada transforma um ser humano por completo.
O verdadeiro processo de cura envolve:
Movimento do corpo;
Disciplina emocional;
Consciência espiritual;
Responsabilidade com escolhas diárias
A Ayahuasca, quando usada, pode até abrir portas internas, mas quem caminha é o indivíduo, todos os dias, em suas atitudes.
A Ayahuasca não é milagre, não é moda e não é atalho.
Ela é parte de uma herança cultural ancestral que exige respeito, preparo e discernimento.
Expansão de consciência sem responsabilidade não é iluminação — é risco disfarçado de espiritualidade.
‘As contribuições do Imperador Dom Pedro II para o desenvolvimento da ciência no Brasil’
Dom Alexandre Rurikovich Carvalho‘As contribuições do Imperador Dom Pedro II para o desenvolvimento da ciência no Brasil’,Imagem criada por IA do ChatGPT
Resumo: O presente artigo analisa as principais contribuições do imperador Dom Pedro II (1825–1891) para o desenvolvimento científico e educacional do Brasil. Reconhecido como um dos monarcas mais cultos do século XIX, D. Pedro II destacou-se por seu mecenato científico, sua defesa da instrução pública e seu apoio a instituições de pesquisa. A partir de fontes primárias, como os diários imperiais, e secundárias, como obras de José Murilo de Carvalho, Lilia Moritz Schwarcz e Roderick Barman, o estudo demonstra que o imperador exerceu papel central na institucionalização da ciência no Brasil e na projeção internacional do Império como nação ilustrada.
Palavras-chave: Dom Pedro II. Ciência. Educação. Império do Brasil. História da ciência.
1 Introdução
Dom Pedro II, segundo imperador do Brasil, foi um dos soberanos mais instruídos e intelectualmente engajados de sua época. Fluente em diversos idiomas e interessado em astronomia, física, linguística e biologia, destacou-se como um monarca ilustrado que via na ciência um instrumento de progresso e emancipação nacional.
Segundo Schwarcz (1998, p. 247), “Pedro II foi o mais europeu dos brasileiros e o mais brasileiro dos europeus”, representando a síntese entre o pensamento iluminista e o ideal de nação civilizada. Seu reinado consolidou a educação e o conhecimento como pilares do Estado imperial.
2 O IMPERADOR E A CULTURA CIENTÍFICA
2.1 Formação e interesse pelo saber
Desde jovem, D. Pedro II foi instruído por renomados professores brasileiros e estrangeiros, recebendo uma educação humanista e científica de caráter exemplar. Desde cedo, demonstrava notável curiosidade intelectual e grande apreço pelo conhecimento, dedicando parte significativa de seu tempo ao estudo de línguas, ciências naturais, história e filosofia. Essa formação sólida fez dele um dos monarcas mais cultos de seu tempo, capaz de dialogar com naturalidade sobre os avanços científicos e tecnológicos que transformavam o século XIX.
O imperador mantinha extensa correspondência com sábios do mundo inteiro, entre eles Louis Pasteur, Alexander Graham Bell, Charles Darwin e Louis Agassiz. A relação com esses cientistas ultrapassava a mera cortesia diplomática: Pedro II trocava ideias, comentava experimentos e demonstrava genuíno entusiasmo pelas descobertas que impulsionavam o progresso da humanidade. Agassiz (1868, p. 12), ao relatar sua visita ao Brasil, afirmou que “o Imperador do Brasil é um homem de espírito científico, cuja conversação poderia interessar a qualquer membro da Royal Society”.
Durante sua longa viagem à Europa e ao Oriente Médio (1871–1876), Pedro II visitou laboratórios, universidades e academias, sendo recebido com honras em instituições científicas de renome, como a Academia de Ciências de Paris e o Observatório de Pulkovo, na Rússia. De acordo com Carvalho (2007, p. 183), o imperador “era tratado nos meios acadêmicos europeus não como um chefe de Estado, mas como um colega cientista”. Essa atitude revela não apenas seu fascínio pessoal pelo saber, mas também o desejo de integrar o Brasil ao circuito intelectual internacional, promovendo o desenvolvimento científico e educacional do país.
O incentivo às instituições de ensino, à pesquisa e à difusão cultural, como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Museu Nacional, demonstra que D. Pedro II via o conhecimento como instrumento de modernização e civilização. Sua figura, portanto, simboliza a fusão entre o poder político e o ideal iluminista de razão e progresso, deixando um legado duradouro na história da cultura científica brasileira.
3 AS INSTITUIÇÕES CIENTÍFICAS NO BRASIL IMPERIAL
3.1 O Museu Nacional
D. Pedro II foi o principal responsável pela modernização do Museu Nacional do Rio de Janeiro, transformando-o em um verdadeiro centro de pesquisa, ensino e difusão científica no século XIX. Criado originalmente por D. João VI em 1818, o museu passou por uma profunda reestruturação durante o Segundo Reinado, recebendo investimentos que o consolidaram como uma das instituições científicas mais prestigiadas da América Latina. Sob o patrocínio direto do imperador, o acervo foi enriquecido com coleções de história natural, paleontologia, etnografia e arqueologia, muitas delas trazidas de expedições realizadas em diferentes regiões do Brasil e do exterior.
O monarca acompanhava pessoalmente o desenvolvimento do museu, frequentando exposições, conferências e mantendo diálogo constante com seus diretores e pesquisadores. D. Pedro II também promoveu intercâmbios com instituições estrangeiras, o que permitiu a troca de espécimes e conhecimentos científicos. Segundo Schwarcz (1998), o imperador via no Museu Nacional não apenas um espaço de exibição, mas um instrumento de civilização e modernidade, capaz de projetar a imagem de um Brasil culto, ilustrado e integrado às correntes científicas internacionais.
3.2 O Observatório Nacional
Fundado em 1845, o Imperial Observatório do Rio de Janeiro — hoje Observatório Nacional — foi um dos projetos mais caros ao coração de D. Pedro II. O imperador demonstrava profundo interesse pela astronomia e pelas ciências exatas, acompanhando de perto as observações astronômicas e a organização do ensino científico. Ele incentivava os estudos sobre o trânsito de Vênus, os eclipses solares e a medição precisa da hora, temas fundamentais para a navegação e a cartografia da época.
O Observatório tornou-se, assim, um marco na institucionalização da ciência no Brasil, reunindo astrônomos, engenheiros e matemáticos que contribuíram para o avanço da pesquisa nacional. Segundo Carvalho (2007, p. 191), “Pedro II dominava conceitos de astronomia a ponto de discutir o trânsito de Vênus com naturalidade científica”, o que demonstra sua rara familiaridade com as ciências exatas entre os monarcas do século XIX. Além disso, o imperador apoiou a aquisição de instrumentos modernos e estimulou a formação de quadros técnicos brasileiros, consolidando a autonomia científica do país.
3.3 O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
Como patrono e colaborador ativo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), fundado em 1838, D. Pedro II desempenhou papel essencial na construção da memória e da identidade nacional. Frequentemente participava das sessões e incentivava os estudiosos a realizarem pesquisas documentais e históricas sobre o território, os povos indígenas e o passado colonial. O imperador via na ciência e na história instrumentos para consolidar a unidade política e simbólica do Brasil, reforçando a legitimidade do Estado e da monarquia.
O IHGB tornou-se, sob seu amparo, um verdadeiro laboratório de construção da nacionalidade, reunindo intelectuais, juristas, religiosos e militares em torno de um projeto comum: compreender o Brasil a partir de bases científicas e eruditas. Segundo Barman (1999), o engajamento de Pedro II com o Instituto “revela o desejo de formar uma nação instruída, consciente de suas origens e preparada para o progresso”. O apoio imperial possibilitou a publicação de documentos inéditos, a organização de arquivos e a consolidação de uma historiografia de caráter nacionalista e civilizador, que influenciaria gerações de intelectuais.
Assim, o conjunto dessas instituições — o Museu Nacional, o Observatório Nacional e o IHGB — ilustra o papel de D. Pedro II como promotor da cultura científica e do pensamento ilustrado no Brasil imperial. Sua visão de ciência, aliada à política e à educação, consolidou as bases de um projeto de modernização que buscava integrar o país ao mundo civilizado, sem perder de vista a construção de uma identidade própria e autônoma.
4 MECENATO CIENTÍFICO INTERNACIONAL
Dom Pedro II manteve contato com figuras centrais da ciência moderna. Em Paris, conheceu Louis Pasteur, a quem doou recursos para o futuro Instituto Pasteur. Em Filadélfia, em 1876, participou da primeira demonstração pública do telefone com Alexander Graham Bell, encantando-se com a invenção (CARVALHO, 2007).
Em correspondência reproduzida pela Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG, 2012), Charles Darwin teria afirmado ao botânico Joseph Hooker que “o imperador faz tanto pela ciência que todo sábio é obrigado a demonstrar a ele o mais completo respeito”.
Além disso, o imperador visitou o túmulo de Darwin em 1876 e registrou em seu diário:
“Visitei o túmulo de Darwin. Um homem de ciência que muito honrou a humanidade.” (D. Pedro II, Diário de Viagem à Europa, 1876, Arquivo Nacional, códice 86, vol. 14).
5 EDUCAÇÃO COMO POLÍTICA DE ESTADO
A política educacional de D. Pedro II foi um dos pilares de seu projeto de modernização e consolidação do Estado brasileiro. O imperador compreendia que o progresso nacional dependia diretamente da formação intelectual e moral do povo, e por isso considerava a educação uma verdadeira política de Estado. Sua gestão buscou expandir o acesso à instrução pública gratuita e laica, especialmente nas capitais provinciais, além de incentivar a criação de escolas normais voltadas à formação de professores, com o intuito de profissionalizar o magistério e elevar o nível do ensino elementar.
D. Pedro II também incentivou a fundação e reorganização de instituições de ensino superior, como a Escola de Minas de Ouro Preto (1876), a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e a Faculdade de Direito de São Paulo, compreendendo o papel dessas instituições na formação das elites intelectuais e técnicas que sustentariam a administração do Império. Além disso, promoveu a criação de bibliotecas públicas, o patrocínio de academias literárias e o apoio às ciências humanas, fortalecendo o vínculo entre cultura, saber e cidadania.
Convicto de que o conhecimento deveria ser universal, o imperador financiou o envio de jovens brasileiros ao exterior, principalmente à França, Alemanha e Inglaterra, para que se aperfeiçoassem em áreas como engenharia, medicina, direito e ciências naturais. Ao retornarem, esses estudantes contribuíam para a modernização das estruturas do Estado e para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
D. Pedro II era um leitor assíduo e mantinha contato direto com educadores e reformadores europeus, inspirando-se em modelos pedagógicos contemporâneos, especialmente no sistema francês e no ideal positivista de instrução racional e moral. Sua visão de educação ultrapassava o mero ensino técnico: ele via nela um instrumento de emancipação individual e de fortalecimento nacional, como expressou em seu diário:
“Sem instrução não há verdadeira independência.” (D. Pedro II, Diário, 1873, Arquivo Nacional, códice 85, vol. 12).
Sob seu governo, a educação foi compreendida como um dever do Estado e um direito do cidadão, antecipando princípios que seriam consolidados somente na República. Embora os resultados práticos ainda fossem limitados pelo contexto social e econômico da época, o compromisso pedagógico de D. Pedro II representou um marco na história da educação brasileira, deixando como legado a valorização do ensino público e o reconhecimento do saber como instrumento de civilização e liberdade.
6 RECONHECIMENTO INTERNACIONAL
D. Pedro II foi membro correspondente de diversas academias científicas — entre elas, a Royal Society de Londres e o Instituto de França — e recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford, em 1876. Barman (1999, p. 212) observa que “o imperador brasileiro era recebido nas academias da Europa como um dos seus, e não apenas como visitante ilustre”. Sua presença em congressos, universidades e museus europeus despertava admiração, não apenas pela sua posição política, mas pelo profundo conhecimento que demonstrava em física, astronomia e linguística.
Durante suas viagens ao exterior, foi convidado a participar de experimentos científicos, conferências e debates acadêmicos, sendo reconhecido como um verdadeiro erudito entre os sábios do Velho Mundo. A imprensa europeia frequentemente o descrevia como um “monarca filósofo”, destacando seu caráter estudioso e sua defesa da liberdade de pensamento. Esse prestígio internacional projetou a imagem de um Brasil culto e moderno, inserido nas redes intelectuais do século XIX e comprometido com o avanço da ciência e da civilização.
7 CONCLUSÃO
O legado científico de Dom Pedro II ultrapassa o campo simbólico: ele foi um agente efetivo de modernização intelectual e moral do Brasil oitocentista. Sua atuação em prol da ciência, da educação e da cultura expressou uma visão de Estado fundada no conhecimento como instrumento de progresso e emancipação nacional. Ao compreender o saber como valor supremo, o imperador promoveu uma verdadeira “monarquia ilustrada”, na qual a razão, o estudo e a curiosidade científica se tornaram princípios de governo e de civilização.
Seu incentivo à pesquisa, à educação e à cultura científica resultou na consolidação de instituições que sobreviveram à monarquia e continuaram a moldar o pensamento brasileiro, como o Museu Nacional, o Observatório Nacional, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e diversas escolas superiores. Essas instituições foram fundamentais para a formação de uma elite intelectual comprometida com o desenvolvimento do país e com a construção de uma identidade cultural autônoma.
Além de patrono das ciências, D. Pedro II foi um exemplo pessoal de erudição e de humildade intelectual. Poliglota, leitor voraz e estudioso de astronomia, literatura e filosofia, manteve diálogo com alguns dos maiores pensadores e cientistas de sua época. Sua figura representou a síntese entre o poder político e o ideal humanista do saber, servindo de ponte entre o Brasil e o mundo moderno.
REFERÊNCIAS
AGASSIZ, Louis; AGASSIZ, Elizabeth. A Journey in Brazil. Boston: Ticknor and Fields, 1868.
BARMAN, Roderick J. Citizen Emperor: Pedro II and the Making of Brazil, 1825–1891. Stanford: Stanford University Press, 1999.
BRASIL. Arquivo Nacional. Diários de D. Pedro II (Códices 85–88). Rio de Janeiro.
CARVALHO, José Murilo de. Dom Pedro II: O último imperador do Novo Mundo (1825–1891). Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2007.
FUNDAÇÃO ALEXANDRE DE GUSMÃO (FUNAG). O Imperador visto pelo Barão do Rio Branco. Brasília: FUNAG, 2012.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
SENADO FEDERAL. Orçamento do Império e Dotação de Sua Majestade o Imperador. Brasília: Senado Federal, 2016.
Diamantino BártoloGerir e liderar, com arte e ciência Imagem gerada por IA do Bing – 4 de novembro de 2024 às 11:32 PM
A superior e inultrapassável diferença entre gerir e liderar pessoas, e administrar outros recursos, como máquinas, capitais, objetos, coisas, mercados e situações técnico-científicas, localiza-se, imediatamente, na comunicação e relacionamento interpessoais: pura e simplesmente, a relação pessoa-objeto situa-se a um nível inferior e instrumental ao da relação pessoa-pessoa, ou pelo menos, assim deveria ser.
Acredita-se que será impossível gerir e liderar pessoas sem a comunicação com elas, e entre elas, suportada num genuíno processo de relações humanas, seja no campo estritamente profissional, seja num quadro mais abrangente, nos contextos da família, da escola, da Igreja, da comunidade, inclusivamente no âmbito da ocupação dos tempos livres e de lazer.
Comunicação e relacionamento humanos, são faculdades que toda a pessoa deverá cultivar, como se de uma competente atividade profissional se tratasse, porque o indivíduo humano é portador de capacidades inatas, mas também tem de aprender, no seio do grupo, e da comunidade de que faz parte, todo um vasto conjunto de procedimentos, que o tornam único num mundo onde muitos outros seres se movimentam.
O paradigma técnico-científico instalado, dificulta muito, pelo menos em certos círculos, uma maior valorização e compreensão da importância de valores não comprovados cientificamente, sendo certo que é tempo de as várias disciplinas trabalharem em conjunto, para um mundo melhor.
O gestor e/ou líder de um grupo, quaisquer que sejam as características, atividades e objetivos do grupo deve, portanto, estar preparado para compreender a complexidade humana, enquadrá-la num determinado contexto específico, conduzir a equipa por forma a serem alcançados os resultados institucionais, coletivos e/ou do grupo bem como a satisfação de cada elemento, individualmente considerado, não como objeto, máquina ou qualquer outro instrumento, mas como pessoa humana, dotada de valores, detentora de direitos e responsável pelo cumprimento de deveres.
Estabelecer o equilíbrio, por vezes precário, entre os diferentes e até contrários pontos de vista e conciliar os interesses, legítimos e legais, das partes envolvidas num dado projeto, constitui uma tarefa que exige bom senso, prudência, arte e criatividade.
É desejável que o gestor, e/ou líder, seja um autêntico camaleão, no sentido positivo do termo, isto é, capacitado para se adaptar, eficazmente, às diversas situações que lhe vão surgindo.
Como em muitos outros domínios da atividade humana, é essencial uma boa preparação em relações humanas, assente numa comunicação, tanto quanto possível, assertiva, e o exercício permanente de boas-práticas de convivência com os seus semelhantes, enquanto pessoas com dignidade idêntica.
Nenhum gestor, líder ou colega, tem o direito de humilhar, desrespeitar, desvalorizar e/ou desconsiderar a pessoa com quem tem de se relacionar, enquanto integrados no mesmo grupo de trabalho, bem como em quaisquer outras circunstâncias.
Gerir, e/ou liderar, recursos humanos envolve grande empenhamento, por parte do responsável a quem cabe esta função, no sentido de se esforçar permanentemente para, até por antecipação, detetar e resolver situações próprias da condição humana que, de alguma forma, afetam o trabalho e o relacionamento das pessoas sob as ordens do líder.
Cada pessoa é, por si só, um mundo interior de múltiplas dimensões, que ela própria, algumas vezes, terá dificuldade em compatibilizar e, quando não o consegue, cria situações que se exteriorizam, em comportamentos, mais ou menos favoráveis, ou não se manifestando de forma evidente, tornam o relacionamento interpessoal mais difícil.
Cabe ao líder proporcionar as condições para que as pessoas que lidera se sintam à-vontade, comuniquem quaisquer dificuldades que surjam e possam prejudicar, no todo ou em parte, o desempenho profissional.
Acontece que, enquanto o gestor aborda as situações de uma forma analítica e sistemática, o líder desenvolve a sua apreciação numa perspectiva de síntese, produz orientações para as mudanças que são necessárias implementar.
Infere-se do exposto, que é fundamental uma boa capacidade de comunicação, entre todos os membros do grupo, conjugada com um bom relacionamento humano, porque comunicar entre pessoas, que se relacionam sem dificuldades, nem preconceitos, constitui uma boa plataforma para os possíveis e desejáveis bons entendimentos e, correlativamente, para a busca e aplicação de soluções para os problemas e situações surgidos.
Como estratégia possível, o exemplo de comunicação fluida deve partir de quem detém a liderança, para que todas as demais pessoas, pertencentes a um determinado grupo, fiquem desinibidas, comecem a confiar e exponham, abertamente, os seus problemas, sem reservas nem receios de serem criticadas negativamente.
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Ciência para as crianças entenderem melhor o mundo
Eureka! Cientista e professor da USP, Bruno Gualano estreia na literatura infantil com obra que estimula o letramento científico desde a primeira infância
Capa do livro ‘Bel, a experimentadora’, de Bruno Gualano Divulgação/Moah! Editora
Bel é uma menina curiosa que sempre quer entender o porquê das coisas. Junto do gatinho Galileu, seu ajudante, faz experimentos e descobertas fascinantes, que mostram como a ciência está presente em tudo: nos celulares, nos remédios e mesmo na comida. Esse universo é apresentado às crianças pelo cientista e professor de Medicina Bruno Gualano no livro Bel, a experimentadora, publicado pela Moah! Editora.
Para a garota, não há limites para entender o desconhecido: Bel constrói vulcões e faz combinações químicas que mudam de cor no tubo de ensaio. Mas, quando os amigos da Rua Marie Curie começam a suspeitar de que ela é uma bruxinha, a personagem os convida para uma jornada de exploração científica. Assim demonstra a eles o que é energia, ao esfregar uma bexiga em sua blusa de lã, encostando-a depois no gatinho Galileu, que fica com os pelos arrepiados. Dessa forma, encanta as crianças da rua com a divertida “brincadeira de experimentar”.
– Parece incrível, Bel! E essa brincadeira tem nome? – Os adultos costumam chama-la de Ciência, Sarinha… – E essa parece ser uma brincadeira de gente grande também. Afinal, papai um dia me disse que a Ciência está em tudo nas nossas vidas… (Bel, a experimentadora, págs. 25 e 26)
Em homenagem a figuras notáveis da história, como Galileu Galilei, Marie Curie e Mercedes Bustamante, a obra pretende servir de estímulo ao letramento científico na infância, possibilitando a compreensão dos fenômenos naturais, sociais e tecnológicos pelo olhar da Ciência. “Se cada criança tivesse a oportunidade de descobrir o poder do pensamento científico, poderíamos construir uma sociedade mais crítica, saudável, próspera e equitativa”, acrescenta Bruno Gualano.
As ilustrações de Catarina Bessel, que utiliza a colagem como recurso criativo, tornam a narrativa mais divertida e envolvente, além de reforçar outras temáticas abordadas, como diversidade cultural, educação antirracista e representatividade das mulheres nas Ciências, por meio de uma protagonista preta. Para a divulgadora científica Natalia Pasternak, que endossa a publicação, a obra ajuda a afastar estigmas como o de “cientista maluco”, de jaleco branco, e assim democratizar a atividade.
Apoiado pela Faculdade de Medicina da USP, Bel, a experimentadora é o primeiro título de uma coletânea direcionada ao público de até 9 anos e que abordará, ainda, temas como vacinas, mudanças climáticas e bullying relacionado a estigmas de corpo.
Bruno Gualano é PhD em Ciências e professor da Faculdade de Medicina da USP. Em 2022 e 2023, foi considerado um dos cientistas mais influentes do mundo pela Universidade de Stanford (EUA). Além de suas atividades científicas, Bruno também realiza ações de popularização da Ciência.
É um dos criadores do canal de divulgação científica “Ciência inForma” e do podcast “O Cientista Não Morde”, além de ser Membro da Coalizão Ciência e Sociedade.
Na literatura infantil, assina o livro Bel, a experimentadora, que visa ao letramento científico de crianças, a fim de garantir a formação de pessoas cada vez mais críticas e capazes de tomarem decisões baseadas em evidência, menos suscetíveis a charlatanismos, teorias conspiratórias e fake news. Esse título é o primeiro de uma coletânea – o projeto busca parcerias para dar continuidade às publicações.
Sobre a ilustradora: Catarina Bessell é paulistana formada em Arquitetura e Urbanismo pela USP, que decidiu enveredar pelo universo das artes visuais, utilizando a técnica da colagem para compor suas criações. Já contribuiu para a ilustração de diversos livros e jornais nacionais e internacionais, aportando ludicidade e leveza a cada tema abordado.
Sobre a Editora: A Moah! tem como propósito despertar a sensibilidade e um olhar plural por meio de suas publicações, valorizando temas como memória afetiva, letramento científico, artes e educação. É idealizada por Heloisa Hernandez, editora formada pela USP e designer especializada em Artes Visuais pela Elisava – Faculdade de Design e Engenharia de Barcelona e pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB).
Com mais de quinze anos de experiência no mercado editorial, hoje alimenta o sonho de incentivar a leitura, o desenho e a escrita como ferramentas de aprendizado, autoexpressão, desenvolvimento e presença no mundo.
“Como o mendigo comemora a esmola que amordaça,/ Resignamo-nos à crueldade dos que estão no comando/ E seguimos condolentes por caminhos lodosos,/ Crentes de que a humildade e a persistência nos salvarão,/ Se não da vida, talvez na morte.”
SANGRIA
Como o mendigo comemora a esmola que amordaça,
Resignamo-nos à crueldade dos que estão no comando
E seguimos condolentes por caminhos lodosos,
Crentes de que a humildade e a persistência nos salvarão,
Se não da vida, talvez na morte.
A religião e a ação do invisível nos evocam,
E nos aniquilam com suas carícias perversas.
A ciência nos felicita e nos subjuga com suas descobertas.
O Livro dos Espíritas, a Bíblia, a Torá, o Alcorão – substratos da ilusão humana.
Punhaladas políticas, venenos morais.
Bocejamos entre lobos e víboras
E nos alimentamos do vômito cultural de nossos ancestrais,
Somos todos hipócritas, somos todos irmãos.
Tereza Du’Zai – terezaduzai@gmail.com
Neurociência e ambiente científico são os destaque da 'Ciência é um Show'
Experiência com impulsos nervosos e espaço interativo
mostram como a ciência está ligada ao cotidiano
Buscar novos horizontes por meio da inovação é o tema de 2017 da maior feira e congresso de educação e tecnologia da América Latina, a Bett Educar, que acontece entre os dias 10 e 13 de maio, em São Paulo.
Trabalhar em experiências didáticas que aproximam a ciência do cotidiano causam impacto direto na educação e um dos grupos que têm trabalhado para tornar isso realidade é o Ciência em Show. Por meio de cursos, shows, palestras e produtos, o trio de cientistas facilita o aprendizado científico e prendem a atenção do “espectador” de maneira descontraída.
Durante os quatro dias de evento, eles irão mostrar como a utilização de estratégias cênicas e lúdicas no processo educativo ajudam a aproximar jovens, adultos e crianças da ciência.
“A principal novidade será a exposição de um novo experimento focado na neurociência, que demonstrará de forma simples algumas questões propostas pela área que estuda o sistema nervoso. Imagine controlar os movimentos de outra pessoa com a própria mente…”, antecipa Wilson Namen, o Wil, que junto aos cientistas Daniel Ângelo e Gerson Julião, formam o Ciência em Show.
O grupo realizará palestras e workshops ancorados na dissertação de mestrado de Gerson Julião, intitulada “Diálogos Científicos”. “O foco será a importância da prática na construção do processo cognitivo da criança e no poder do diálogo como facilitador na construção do conhecimento científico. O nosso workshop enfatiza a importância do movimento “maker” e faz as pessoas botarem a mão na massa”, garante Gerson.
Science Place Museum
Outra grande atração do Ciência em Show na Bett Educar é o Science Place Pocket Museum, um ambiente projetado pelo arquiteto e designer gráfico Rodrigo Ohtake. No local, o público poderá interagir com diversos experimentos e vivenciar a ciência.
“A ideia do Science Place surgiu da nossa constante reflexão de como a ciência ocupa todos os espaços e de como podemos torná-la mais evidente na vida de todos. Esse projeto mostra um circuito para visitar e se encantar com a ciência. O Rodrigo Ohtake aceitou o desafio logo de cara e, com seu talento e criatividade, projetou esse excepcional ambiente. Sua imersão no DNA do Ciência em Show foi tão intensa que nenhuma vírgula do projeto inicial proposto por ele foi alterada”, conta Wil.