Verdades que parecem mentiras

Eduardo Cesario-Martínez: Conto ‘Verdades que parecem mentiras’

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
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Getúlio andava com a pulga atrás da orelha, desconfiado de Laís, a noiva de feições faceiras e curvas de parar o trânsito. Talvez fosse apenas impressão ou, ao menos, era isso que dona Felícia, a quase sogra, tentava incutir na mente do sujeito. 

           — Mas, dona Felícia, a senhora tem certeza?

          — Getúlio, meu rapaz, você acha que uma filha consegue esconder alguma coisa da mãe?

           — Bem… Ela mentiu pra mim, e não foi só uma vez.

          Dona Felícia se espichou que nem girafa, lançou sobre o jovem aquele olhar de coruja ressabiada, rodeou-o por duas, três vezes, enquanto Getúlio começou a esperar por um ataque pelas costas. Do nada, a mulher saiu da sala, foi até a cozinha. O homem não entendeu tal atitude, talvez ele tivesse dito coisa que não devia.

          Os minutos seguintes duraram uma eternidade, embora, na conta do relógio na parede, não tivessem chegado a meia hora. De repente, lá estava a anfitriã, café e bolinhos de chuva em uma bandeja de plástico simples, porém honesta. Ela ajeitou o lanche da tarde sobre a mesa e, logo em seguida, ordenou.

          — Venha se sentar.

          Getúlio nem titubeou. Era homem de enfrentar qualquer um, até cachorro bravo se fosse necessário. Todavia, a coragem se acanhava diante daquela mulher.

          — O café tá do seu agrado?

          — Tá sim, senhora.

          — E os bolinhos?

          — Os melhores que já provei.

          Dona Felícia pareceu satisfeita, apesar de não acreditar por completo nas respostas. Seja como for, regozijou-se por dentro sem deixar transparecer os sentimentos para o futuro genro. De súbito, a dona da casa, dedo em riste, ergueu a voz.

          — Pois vou lhe dizer uma coisa muito séria!

          Getúlio, olhos do tamanho de jabuticaba madura, ficou diante da mulher aguardando a grande explicação, que acabou por deixá-lo ainda mais confuso.

          — A Laís não mentiu porque simplesmente nunca aprendeu a mentir. Ela é moça direita, que você precisa confiar. A minha filha só sabe dizer verdades, mesmo aquelas que ainda não chegaram a acontecer.

Eduardo Cesario-Martínez




Jealousy

Kali Baral: Poem ‘Jealousy’

Kali Baral
Kali Baral
Imagem criada pela Dera AI
Imagem criada pela Dera AI

I burned to ashes
by jealousy—
While you play
your love games
with another woman.
I can still feel
your physique,
your body’s scent,
your warmth—
That sacred time
was only ours.
It is easier to die
than to surrender my right.
You memorize countless names,
reciting them by heart—
and my own curse
has slowly killed me.
I don’t exist
anywhere within you.
I am not extraordinary enough
to endure this pain.
I cannot ignore
that ever-familiar femininity—
How insulting—
our blissful union
never reached your heart,
only touched your body.
Her hair, her scent—
no longer weakens you.
You abandoned your own goddess,
yet filled your mind
with hundreds, thousands
of idols.
You write more poetry—
but for whom?
I die every day.
Look—
Blood drips down my face.
What a red, What a red!
dark as a wedding saree.

Kali Baral

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