Fora do alcance dos corvos

Rita Odeh: Poema ‘Fora do alcance dos corvos’

Rita Odeh
Rita Odeh
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Deixe ao grasnido o seu ruído, não olhes para trás,
Pois tu és o orgulho e a águia do mundo.
​A asa foi feita para voar com majestade,
Acima das nuvens, sem um batimento de remorso.
​Sempre que o corvo vier até ti com o seu rancor,
Monta o céu, pois tu és uma águia luminosa e sonhadora.
​Voa para um reino onde ele não tenha fôlego,
E ele cairá, despencando na tua ascensão chocante.
​E se ele procurar debater contigo, sobe mais alto, não dês
Às lutas mesquinhas nenhum tempo decisivo.
​Nos cumes sublimes, o ar é puro,
E a sobrevivência pertence ao transcendente, não ao errante.

Nota: O corvo tenta bicar a cabeça da águia enquanto ambos voam. No entanto, a águia não discute; ela simplesmente sobe… atinge um nível onde o corvo não consegue respirar… e então ele cai.

Rita Odeh

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Fragmentos parasitoides

Nilza Murakawa: Poema ‘Fragmentos parasitoides’

Nilza Murakawa
Nilza Murakawa
Imagem criada por IA do Bing – 25 de janeiro de 2025,
às 7:37 PM 

Em lustres de cristais
Cirandam urubus e um negro corvo
Mastigam sempre qualquer estorvo
Engolem pedras brutas
E vomitam pobres mortais

Esguias garças
Pernas nuas
Eretos dorsos
Com etiquetas até o pescoço
Desfilam pelas ruas
Com suas bolsas escassas
À procura de tubarões e bons moços

Impassíveis predadores
Exibem as peles esticadas de suas caças
Cultuam alguns selecionados deuses
Silenciam tambores
Em plena praça
Sequer ouvem o choro
Em ocos troncos
Do animal morto
E já lhes assopram a fumaça

A céu aberto, as mariposas
Costuram o ar e, então, pousam
Limpam seus homens
Recortam-lhes os bolsos
Salgam-nos as entranhas
Devoram-nos com calma
Chupando-os até a alma

Sem constrangimento
Raposas oportunistas
Invadem marsúpios quentes
Fazem de tetas alheias
Seu próprio alimento

Grandes holofotes
Aquecem marmitas para abutres
Troféus, farelos e migalhas
Almas, ossos e medalhas
Cardápio que agrada estes tais ‘ilustres’

Uma senhorinha apressada
Com um franjado xale preto
Sapatos bem limpos, vestido discreto
Lenço na mão que ela mesma bordou
Corre atrás do seu guarda-chuva
Que o vento lhe roubou

Nilza Murakawa

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Rolo

Clayton Alexandre Zocarato: Poema ‘Rolo’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
"Prontuários burocráticos, perdidos em  protocolos arcaicos
“Prontuários burocráticos, perdidos em  protocolos arcaicos”
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

Rolo

Bolo com louro

Couro com estouro

Colo e amolo

Um,  lego com prego

O gado fez um âmago

Estorvando o  galho do corvo

Nego e apego

Um coração lutando com a razão

Retalhos e galhos

Tendo muitos aparatos

Gratos e pratos

Comiserando artérias com bactérias

Gerando bactérias  nefastas e agastadas

Entre lamentos e sentimentos

Ocorrem juramentos

Nos rolamentos

De  prontuários burocráticos

Perdidos em  protocolos arcaicos

Clayton Alexandre Zocarato

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