É melhor não fazer, do que fazer mal!

José Ngola Carlos: ‘É melhor não fazer, do que fazer mal!

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
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Todo ato de irresponsabilidade é sempre um agir negligente e inconsequente que faz mal a outros e a nós mesmos. O nosso dever diante da sociedade, dos alunos e alunas, do órgão empregador e diante de nós mesmos, quais seres lúcidos, ante a aceitação de uma atividade remuneratória ou filantrópica, é desincumbirmo-nos do trabalho aceite com zelo, seriedade, criatividade e criticidade.

A ter que fazer mal, é melhor não aceitar fazer!

É um ato de irresponsabilidade não dar aulas quando se devesse dar. É um ato de irresponsabilidade não ouvir o que os estudantes têm a dizer sobre o seu trabalho. É um ato de irresponsabilidade ensinar autoritariamente, como se tudo soubesse, e não permitir que os alunos participem livremente com suas opiniões. É um ato de irresponsabilidade dispensar os alunos para casa quando na escola devessem ficar.

É um ato de irresponsabilidade assinar o livro de pontos como se tivesse trabalhado. É um ato de irresponsabilidade chegar tarde ao trabalho para diminuir o tempo de serviço. É um ato de irresponsabilidade não planificar a aula que se vai dar.

É um ato de irresponsabilidade não inovar e renovar a sua atuação na escola e na sala de aulas. É um ato de irresponsabilidade desmotivar quem você não ajudou a motivar.

É um ato de irresponsabilidade criticar sem conhecer e compreender o objeto da crítica. É um ato de irresponsabilidade seguir a multidão porque todo mundo o faz. É um ato de irresponsabilidade não acompanhar o desenvolvimento acadêmico de seu educando e no final pedir que ele aprove, mesmo quando aparece reprovado. É irresponsável também que, tendo feito bem o seu trabalho, tenha que dizer sim a um pedido de aprovação ilegítimo.

É um ato de irresponsabilidade reprovar um aluno mesmo sabendo que você foi irresponsável na sua atuação como professor ou professora. É um ato de irresponsabilidade orientar tarefas e não corrigi-las. É um ato de irresponsabilidade não aceitar críticas legítimas ao seu trabalho. É um ato de irresponsabilidade liderar autocraticamente.

Responsável, contudo, é todo professor ou professora que, no exercício das suas funções, deixa-se motivar pela solidariedade referente ao bem-estar intelectual, emocional e social dos seus alunos e alunas, deixa-se, igualmente, motivar pela esperança de que a sua práxis educativa, mesmo não podendo tudo, alguma coisa pode fazer para melhor a vida dos estudantes e melhorar o mundo. Ser responsável é querer fazer bem aquilo para o qual você se predispôs em fazer e é pago para fazer.

Ser responsável é não aceitar fazer o que você não está disposto a fazer para não fazer mal!

Referência

Shor, I. & Freire, P. (1986). Medo e Ousadia: O Cotidiano do Professor. Paz e Terra.

José Ngola Carlos, Msc.

Como citar este artigo: Carlos, J. N. (2026:5). É Melhor não Fazer, do que Fazer Mal! Brasil: Jornal Cultural ROL

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Esculpindo um texto

Sergio Diniz da Costa: Crônica ‘Esculpindo um texto’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
Imagem gerada pela IA do Bing30 de agosto de 2024 às 11:01 AM

Estou diante do meu computador, instigado, mais uma vez, por um lampejo de criatividade. É o momento de dar à luz mais uma crônica.

Dou o primeiro e imprescindível passo: colocar um fundo musical. Numa altura que não se sobreponha à ebulição dos pensamentos. 

 Abro o editor de textos Word. Uma alvíssima página virtual em branco se descortina à minha frente. E, imediatamente, e sem aparente explicação, me vem à mente a imagem de Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, mais conhecido simplesmente como Michelangelo, pintor, escultor, poeta e arquiteto italiano do século XV, considerado um dos maiores criadores da história da arte do ocidente e conhecido como ‘O Divino’, autor, dentre tantas esculturas e pinturas célebres, da escultura ‘Moisés’, esculpida entre 1512 e 1515.

         A associação da imagem de Michelangelo à da tela em branco, num primeiro momento me intriga. Entretanto, aos poucos a associação ganha contornos definidos. E concluo que o escritor também é um escultor. Seus dedos sobre o teclado, o martelo; a soma de conhecimentos, seu cabedal cultural e a inspiração, o cinzel. A página em branco, a matéria-prima.

Em vez de uma peça bruta de mármore, tridimensional, porém, esculpe seu texto numa página em branco, bidimensional. Em duas dimensões físicas, no entanto, o escritor esculpe ideias, mundos de tantas dimensões quantas são as do espírito humano.

Conta-se que Michelangelo, após terminar de esculpir a estátua de Moisés, passou por um momento de alucinação diante da beleza da escultura. Bateu com um martelo na estátua e começou a gritar: “Per ché non par li?” (Por que não falas?)* 

Tanto um ‘Moisés’ quanto um texto (em forma de poemas, crônicas, romances), porém, são fontes torrenciais de diálogos, imagens e sentimentos mudos que cabe ao seu admirador, ao seu leitor, ver e ouvir. E, acima de tudo, sentir!

Estatuárias e outras formas de arte, bem como livros, são a alma e o pensamento humano que se manifestam e ecoam pela eternidade. E, certamente, são estas manifestações do espírito que nos galardoam, verdadeiramente, com a transcendência da palavra HUMANIDADE!

* Wikipédia: a enciclopédia livre. https://pt.wikipedia.org/wiki/Mois%C3%A9s_(Michelangelo) >. Acesso em: 20/08/2016.

Sergio Diniz da Costa

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