Ismaél Wandalika: ‘Vida na capital’ — quando a arte sorri diante das feridas de uma sociedade desigual
Soldado Wandalika Foto do autor, editada pelo ChatGPT
Oh! O ápice é um catálogo que embriaga a população Dormir pra que se já não há nada a sonhar Realismo social atravessa o âmago de quem só quer somar. Sorrisos desfilam no pulsar de cada coração Lamentam os pratos em cada olhar… A Vida Na Capital É versátil tal como a carreira de C4 Pedro É corrida como a vida de Valentino Rossi Nostálgica como a carta de guerra di Bárbara Tinoco Tem ritmo de kuduro, R.A.P e Zouk e Semba tudo O mundo cabe na palma da minha Capital AQUI: Há quem sustenta a família entre os enganos recolhidos das migalhas dos ignorantes… Todos sabem mas ninguém faz A vida é controvérsia aos outros pontos do planeta Até os pássaros têm pressa A Arte encanta a pobreza Artistas vivem suas loucuras e atraem riqueza Todos têm fome de comer pelo seu nome com honra… A VIDA NA CAPITAL É nobre e miserável A Política é o troféu da força motriz É Perturbadora e Confortável Aprende-se a tradução dos olhares em cada sorriso infeliz… A VIDA NA CAPITAL AQUI: A saúde testa seus idiomas nos corpos dos indefesos O Sorriso esconde as lágrimas no canto dos olhos A música anestesia o sofrimento dos chamados Os escolhidos bebem as águas do ☀️ sol, mesmo com os testes positivos!
Oh! O ápice é um catálogo que embriaga a população Dormir pra quê se já não há nada a sonhar Realismo social atravessa o âmago de quem só quer somar. Sorrisos desfilam no pulsar de cada coração Lamentam os pratos em cada olhar…
Soldado Wandalika
Poeta e escritor angolano CEO do projeto Luso internacional POETAS DA ILUSÃO
Enquanto o homem tenta ascender aos Céus, esqueceu-se de como se vive na Terra. Esqueceu os valores éticos e morais, perdeu-se deliberadamente no caos do indizível. Tudo isso é pior do que a fratura entre a vida e a morte. Está na moda a indiferença, o egoísmo, o egocentrismo, o mal gratuito, enquanto escasseia o compromisso social e político em favor das camadas mais vulneráveis e da sociedade.
A terceira idade é considerada uma mercadoria a ser descartada, um estorvo para o cotidiano, um descontentamento que se transforma em ódio, desembocando posteriormente em tragédia, instigado por esse eu alimentado pela raiva do coração, entre maus-tratos e homicídios. Os contatos humanos estão desaparecendo. A web atrai os incautos, que fazem de tudo para aparecer, como o fogo atrai as mariposas. Às vezes para manipular, outras vezes para serem manipulados. Esse mal se dissemina com uma capilaridade alarmante.
Somente poucos indivíduos, caídos nas “teias”, tiveram a coragem de denunciar. O mundo digital é inóspito e complexo, mais do que certos caracteres humanos. Os idosos têm mais medo de viver do que de morrer. Muitos vivem como internados, obrigados por um silêncio impiedoso, buscando aquelas formas que perderam o centro, mas conservam os símbolos. Os literatos são uma classe à parte. Sua experiência recupera o Princípio onde a forma se esvazia, mas não se dissolve; permanece, conservando o pensamento da tradição. A interioridade é inviolável.
Acontece frequentemente que os idosos demonstrem, por meio dos fatos e de sua sabedoria, que distinguir-se não significa contradizer-se, mas ser lúcido acerca de um passado-presente, embora também nostálgico: não é um muro de pedra nem um palácio que desmorona. A morte, que os outros lhes desejam, é também a ideia, a palavra que, embora sangrando, mantém sua característica, aquilo que vai além da realidade direta.
O carma é o universo, testemunha que circunscreve a experiência da dor e da incerteza da existência, sela as fissuras das palavras, dando-lhes um nome e uma alma, devolvendo-lhes a dignidade, longe das máscaras famintas e sociais, dos políticos corruptos e dos intelectuais subservientes. As palavras florescem novamente como os cacos de um vaso japonês que é “reparado” com ouro (kintsugi), valorizando suas cicatrizes. Libertam-se de seu suor sanguíneo, envolvendo-se na seda da justiça, colorindo-a de luz, a mesma luz que a Humanidade perdeu, afastada do consenso e da posse.
O nascimento é um trauma; as ações que se seguem às palavras são lâminas que habitam o tempo do Espírito. Em outro lugar, a luz arrastava seu corpo, que aderira à dor como uma luva. O escriba, curvado na noite, alimentava as páginas dos tomos. A verdade é sacrifício e lança flechas apaixonadas que roçam o coração e a alma da Cultura, quando as lágrimas se partem como o pão e a Literatura repousa na pedra da História.
Tempestades, genocídios e guerras tentaram, em vão, matar a memória, mas a fidelidade do escritor vai além da cultura e mantém elevada a tocha da Literatura. A maldade tem o rosto da sombra e sempre nos espiará como um monstro silencioso, estendido entre ruínas cobertas de musgo. Os mortos não encontram paz; seus corpos estão estendidos sobre o metal da noite, enquanto suas lágrimas, negras como o pranto, perfumam-se de tomilho e rosas.
Os temores continuam a bater como gotas de chuva contra o vidro. A palavra cria um impacto universal; é uma dor que vai além da tinta cênica e persiste no sistema nervoso, preserva a habilidade no olhar e a verdade dramática que acompanha aquela da ficção.
Permanecem as sombras penduradas no teto, onde frequentemente o crime se transforma em cultura e o corrupto brinda ao sucesso. Mas as vozes não são números: são lamentos que respiram, feridas infectadas e ossos que se quebram.
O Povo teme as palavras mais do que as sentenças de um tribunal. De todas as palavras que rouba, atravessa, esfolia, bebe o sangue delas. O Povo mostra um rosto de anjo, finge-se profeta, mas permanece um robô exaltado.
A raiva tem a cor das papoulas, a mentira transforma-se em hábito, como uma roda que gira em torno de si mesma. Cada um de nós corre o risco de afundar-se; a arte e a literatura nascem de pequenos e silenciosos instantes, e a sensibilidade se reconhece nos detalhes. A cultura repudia o estudo do “sonâmbulo” e o penoso procedimento da obediência (Franco Fabbro, Hipnose e cérebro social, Mimesis).
As estruturas sociais são, muitas vezes, prisões, exílio, devastação; “aquela lenta morte que os homens chamam de progresso do mundo”. Separar a alma do pensamento torna-se perigoso, escandaloso, desumano, criminoso.
“O mal nasce da incapacidade de pensar, isto é, da incapacidade de raciocinar com a própria cabeça, delegando suas decisões à autoridade legítima” (Hannah Arendt).
Têmis acorda: olhos vendados, mas quem saberia dizer, quem, se por pudor, medo ou desdém, ou para não ver quem paga o peso a oscilar nos pratos?
Desde Antígona, o corpo que padece interroga o decreto no deserto: a lei tardia, que no leito adormece, quando o justo já não está desperto.
“A cada um o que é seu”, sábia assertiva. Esculpiram a máxima no mármore duro, mas deixaram uma questão atrás do muro: quem empunhava a régua da partilha?
Ihering cedeu a voz ao direito em luta; Beccaria ouviu, sob a toga, o arbítrio voraz. E nós, sob tantos códigos, sem escuta, confundimos o silêncio com a paz.
E o processo celebra aniversário, enquanto o direito envelhece na sentença; vidas repousam no arquivo cartorário, à espera de um despacho de sobrevivência.
Outros descobrem o desejável atalho: no cheque, a pressa; em xeque, a balança. Kafka, no saguão, contempla o embaralho: cada porta é promessa — e outra tranca.
Enquanto o café esfria na antessala, o tempo, escrivão, protocola a espera; a Justiça promete, sentencia, fala — mas há quem envelheça enquanto espera.
Silogismos perfeitos destilam virulência: premissa maior, premissa menor, conclusão. E a barbárie aprende latim, veste a toga da razão e se proclama jurisprudência.
Rui advertiu do relógio que cega, mas não é só o tempo que pune: há venda que vê quando lhe interessa, e balança que vacila ante um sobrenome.
Não se quebre a balança: desconfie-se do fiel. Raspe-se a ferrugem dos pratos, interrogue-se o chumbo, refaça-se o pano da venda e ensine-se à espada a dor do corte.
A Justiça não quer incenso. Exige vigília ao pesar o senso.
No dia que lhe reserva o calendário, no lugar das estátuas imponentes, ergamos espelhos sem indulgência, ainda que se estilhacem à nossa frente.
Fechados no egocentrismo humano Seguem na órbita do abismo Rasgada alma sem escrúpulos Observa-se o sangue dos fumos no dissolver dos corpos COSMOS Oh! Mundo, oh Mundo! Correm TODOS pro manto Crueldade a visita o espetáculo dos magistrados Orçamento a mesa restringe a respiração dos versos indefesos… A cada dia novos tratados deixam vazios nos vilarejos… E preenchem as urnas com os pensamentos rotos… O prisma alcança dança da família Num panorama místico onde o álcool acalenta a dor da alma… COSMOS Munições espalham vidas Urnas abrem feridas eternas A terra fecha-se entre os aplausos que escorrem das lamúrias…! Aqui, todos estão propenso à morte Mas o trono engana a corte… Na África, a luta luta contra as lutas que existem no meio de suas lutas… Las guerras obligan países hermanos a dajas su destino a la intemperie. COSMOS!
Soldado Wandalika
Poeta e escritor angolano fundador do projeto Luso internacional POETAS DA ILUSÃO
Ah, my fellow soldier, In the winter war, we wore such thick clothes that our uniforms were heavier than our weapons. Yet we are not respected as much as a singer who takes off clothes and sings about the “Homeland.” Their buttocks are valued more than our lost lives, our lost arms, legs, and eyes.
Some gave their lives for the homeland, some their arm, some their leg, some their eye. But a singer who sacrificed a rib for the sake of show business to have a slim waist is a hundred times more respected and more famous than we are.
Do you remember? No matter how warmly we dressed, we still froze. We lit fires out in the open. As the long logs burned, we pushed them forward.
Do not be sad, my friend. One day they will push us forward too, like long burning logs.
Are you cold again? Those who gave their lives are cold as well. Their bones ache now.
Perhaps we died long ago. We simply do not know that we are dead, just as we do not know that we are alive.
José Antonio Torreshttps://gemini.google.com/app/0e3dd6a5f686841a?utm_source=app_launcher&utm_medium= owned&utm_campaign=base_all
Em algum momento da vida, você já parou para refletir e se perguntou se, e o quanto, ajudou alguém?
Ao fazer essa reflexão, talvez se surpreenda ao perceber que a sua vida está sendo inútil nesse quesito tão importante. Faça uma retrospectiva e tente lembrar de quantas oportunidades teve para ser útil, para amparar ou socorrer alguém ou alguma instituição em dificuldades, e se omitiu.
Não estou falando apenas de ajuda financeira, pois entendo as dificuldades e as despesas que a vida nos impõe. Considere-se um privilegiado se tem condições de quitar e resolver essas dificuldades próprias. Muitos se acham em situação desesperadora e não conseguem.
Diante dessa incapacidade, é como se um buraco no chão se abrisse, fosse se alargando e engolindo quem se encontra nessas condições.
Talvez o nosso primeiro pensamento seja o de julgar que a pessoa ou a instituição cavou o seu próprio buraco. Algumas vezes é verdade, mas, em outras, elas foram empurradas para esse buraco devido a inúmeros fatores.
Sempre que for possível, seja, com o mínimo que puder dispor financeiramente ou através do seu tempo livre, voluntário em alguma causa – sempre há quem precise – doe ou doe-se! Posso garantir que isso te fará sentir muito bem e renovado como ser humano.
É muito fácil criticar quando alguém erra ou encontra-se em dificuldades, mesmo sem sabermos o que levou àquela situação. Nessas horas, deveríamos abrir mais os braços do que a boca.
O mundo precisa mais de quem acolha do que de quem critique.