Liberdade

Ivete Rosa de Souza: poema ‘Liberdade’

Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza
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Guardo em meu coração um grito de liberdade.

Desse mundo cruel, a transbordar crueldade.

Visto-me de sonho e esperança, sem medo.

Dos que me passaram, dos que fazem da matança.

Um dia sempre escuro, deixando rastro da soberba, indecente.

Da infinita escuridão, do veneno permanente

Engolindo a verdade, destruindo a felicidade.

Sem temor, impede muitos, sem pudor ou piedade.

A viver como zumbis, nesta imensa multidão.

Incompetentes sem destino, sem mérito ou solução

Quisera poder mudar, ter coragem de enfrentar, e a cura destilar.

Movendo pedras da ignorância, da incerteza escapar.

Recebendo bênçãos e glórias, poder enfim caminhar.

Em terra livre, sem dono, sem cabresto, sem espera.

Deixar no tempo liberdade, encontrando outros, fortalecidos, levantando a bandeira.

Da comunhão de um povo, livre dos incompetentes.

Que escravizam a verdade,

Lançando ódio em corpos e mentes.

Quisera poder gritar, liberdade para sonhar, para viver novamente.

Ivete Rosa de Souza

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Tereza Du'Zai: 'Sangria'

Como o mendigo comemora a esmola que amordaça,/ Resignamo-nos à crueldade dos que estão no comando/ E seguimos condolentes por caminhos lodosos,/ Crentes de que a humildade e a persistência nos salvarão,/ Se não da vida, talvez na morte.”

 

SANGRIA

Como o mendigo comemora a esmola que amordaça,

Resignamo-nos à crueldade dos que estão no comando

E seguimos condolentes por caminhos lodosos,

Crentes de que a humildade e a persistência nos salvarão,

Se não da vida, talvez na morte.

A religião e a ação do invisível nos evocam,

E nos aniquilam com suas carícias perversas.

A ciência nos felicita e nos subjuga com suas descobertas.

Gutenberg, Niépce, Dagarre, Friese-Greene, Marconi…

Tudo o que lemos, ouvimos, reproduzimos,

O movimento infernal das ancas universais,

A dança avassaladora da grande fera ululante;

A miséria, a promiscuidade, a guerra santa.

O Livro dos Espíritas, a Bíblia, a Torá, o Alcorão – substratos da ilusão humana.

Punhaladas políticas, venenos morais.

Bocejamos entre lobos e víboras

E nos alimentamos do vômito cultural de nossos ancestrais,

Somos todos hipócritas, somos todos irmãos.

 

Tereza Du’Zai – terezaduzai@gmail.com