Renato Russo: 30 anos depois

Prof. Dr.h.c. mult Alexandre Rurikovich Carvalho

Renato Russo:
Trinta Anos depois, a História de uma Voz que se tornou Memória Coletiva   

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
A imagem criada por IA, apresenta uma composição editorial em formato horizontal, reunindo o retrato do Historiador Alexandre Rurikovich Carvalho e imagens emblemáticas de Renato Russo e da Legião Urbana. O cenário destaca referências à redemocratização brasileira, à juventude e à história do rock nacional. A tipografia marcante valoriza o título do artigo, enquanto elementos musicais e históricos reforçam a memória cultural. Na parte inferior, aparecem a identificação do autor, suas áreas de atuação e a marca do Jornal Cultural ROL.
A imagem criada por IA, apresenta uma composição editorial em formato horizontal, reunindo o retrato do Historiador Alexandre Rurikovich Carvalho e imagens emblemáticas de Renato Russo e da Legião Urbana. O cenário destaca referências à redemocratização brasileira, à juventude e à história do rock nacional. A tipografia marcante valoriza o título do artigo, enquanto elementos musicais e históricos reforçam a memória cultural. Na parte inferior, aparecem a identificação do autor, suas áreas de atuação e a marca do Jornal Cultural ROL.

A História também se escreve por meio da música

A História de uma sociedade não se encontra exclusivamente nos documentos oficiais, nos arquivos governamentais, nos tratados políticos ou nos registros das grandes transformações econômicas. Ela também se manifesta nas expressões artísticas, nas manifestações populares, nas produções literárias e nas canções que conseguem traduzir as inquietações de seu tempo. A música, nesse sentido, constitui uma importante fonte para a compreensão das mentalidades, dos comportamentos, das sensibilidades e dos conflitos que atravessam a experiência humana.

É sob essa perspectiva que proponho uma reflexão sobre os trinta anos da morte de Renato Russo, ocorrida em 11 de outubro de 1996. Vocalista, compositor e principal letrista da Legião Urbana, Renato tornou-se uma das figuras mais representativas do rock nacional, deixando uma obra que ultrapassou os limites do entretenimento e passou a integrar a memória cultural brasileira.

Ao recordar sua trajetória, não pretendo apenas homenagear um artista cuja ausência continua sendo sentida por milhões de admiradores. Minha intenção, como historiador, é compreender o lugar que Renato Russo ocupa na cultura brasileira, situando sua produção artística no contexto em que surgiu e examinando as razões pelas quais suas canções permanecem capazes de dialogar com diferentes gerações.

Sua obra constitui um testemunho artístico de uma geração e, simultaneamente, um patrimônio cultural que continua sendo reinterpretado à luz das transformações históricas.

O Brasil dos anos 1980 e o nascimento de uma expressão geracional

Para compreender a dimensão histórica da Legião Urbana, é necessário retornar ao Brasil do início da década de 1980. O país atravessava os últimos anos da ditadura militar, iniciada em 1964, e vivia um processo de abertura política que alimentava expectativas de liberdade, participação democrática e renovação social.

A juventude daquele período cresceu em meio às contradições de uma sociedade marcada pelo autoritarismo, pela censura, pelas desigualdades e pela gradual recuperação dos espaços de manifestação pública. Ao mesmo tempo, as transformações nos costumes, a expansão dos meios de comunicação e a circulação de referências culturais internacionais contribuíram para modificar os modos de expressão e de identificação dos jovens brasileiros.

Foi nesse cenário que o rock nacional conquistou maior espaço na indústria fonográfica, nas rádios, na imprensa e no cotidiano de uma parcela significativa da juventude. Bandas como Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Plebe Rude e outras formações daquele período ajudaram a estabelecer uma linguagem musical que, em diferentes graus, expressava inquietações políticas, críticas sociais e conflitos existenciais.

Pesquisas acadêmicas sobre o rock brasileiro demonstram que essa produção musical precisa ser compreendida em sua relação com a redemocratização, a mídia e as expectativas de liberdade que marcaram a década (ENCARNAÇÃO, 2009; GRANGEIA, 2022). O rock não foi a única voz daquela geração, tampouco representou de maneira uniforme toda a juventude brasileira. Entretanto, constituiu um espaço relevante de expressão para determinados grupos urbanos que buscavam novas formas de interpretar o país e a própria existência.

A Legião Urbana emergiu nesse ambiente. Formada em Brasília, no início da década de 1980, a banda alcançou projeção nacional a partir de seu primeiro álbum, lançado em 1985. Canções como Será, Ainda É Cedo e Geração Coca-Cola ajudaram a estabelecer uma identidade musical marcada pela combinação entre energia do rock, inquietação juvenil e questionamento social (LEGIÃO URBANA, 1985; RENATO RUSSO, [s. d.]).

A trajetória do grupo demonstra que o surgimento de um fenômeno cultural não depende apenas do talento individual de seus integrantes. Também envolve condições históricas, redes de sociabilidade, oportunidades de circulação, meios de comunicação e transformações no mercado musical. O estudo de Érica Ribeiro Magi sobre a Legião Urbana destaca justamente a importância desses agentes e processos para compreender a consolidação do rock brasileiro nos anos 1980 (MAGI, 2013).

É nesse cruzamento entre talento artístico e circunstância histórica que a figura de Renato Russo adquire especial relevância.

Renato Russo: o compositor que transformou inquietações em linguagem coletiva

O talento de Renato Russo não residia apenas em sua capacidade de compor melodias marcantes ou interpretar canções com intensidade. Sua principal contribuição estava na habilidade de transformar inquietações individuais em palavras que alcançavam uma dimensão coletiva.

Em suas composições, o amor, a solidão, a amizade, a juventude, a desilusão política, a desigualdade e a busca por sentido aparecem como experiências interligadas. O indivíduo não surge isolado do mundo: seus conflitos pessoais são atravessados pelas circunstâncias sociais, pelas relações familiares e pelas contradições de seu tempo.

Essa característica ajuda a explicar a identificação construída entre Renato e seu público. Muitos ouvintes encontraram em suas letras uma forma de expressar sentimentos para os quais ainda não possuíam palavras. Outros reconheceram nelas o retrato de uma realidade que conheciam, mas que nem sempre conseguiam compreender em toda a sua complexidade.

Como historiador, considero importante observar que a força de uma obra artística não depende de ela apresentar respostas definitivas. Muitas vezes, sua relevância está justamente na capacidade de formular perguntas que permanecem abertas. Renato Russo compreendeu esse potencial da canção popular: suas músicas não ofereciam necessariamente soluções, mas criavam espaços para a reflexão, o reconhecimento e o questionamento.

Em Tempo Perdido, por exemplo, a passagem do tempo aparece associada à consciência da existência e à necessidade de viver. A canção não se limita a expressar uma inquietação juvenil; ela aborda uma experiência humana universal, a percepção de que a vida é finita e de que o presente possui um valor que não pode ser recuperado indefinidamente.

Em Pais e Filhos, a complexidade das relações familiares é apresentada por meio de uma linguagem que aproxima gerações e revela as dificuldades de comunicação, o sofrimento e a necessidade de cuidado. A canção continua mobilizando ouvintes porque toca em questões que ultrapassam a realidade específica dos anos em que foi composta.

Já Eduardo e Mônica demonstra outra dimensão de seu talento. Ao narrar o encontro entre duas pessoas com características, interesses e experiências diferentes, Renato construiu uma história musical que se aproxima da crônica cotidiana. O humor, a observação dos comportamentos e a simplicidade narrativa transformam a composição em um retrato das relações humanas.

Essas diferentes expressões demonstram que a obra de Renato Russo não pode ser reduzida à música de protesto. Sua produção percorre um território mais amplo, no qual a crítica social convive com a introspecção, a sensibilidade afetiva e a reflexão existencial.

A crítica social e o Brasil que suas canções ajudaram a retratar

Entre os aspectos mais relevantes da produção de Renato Russo está sua capacidade de observar as contradições da sociedade brasileira. Suas composições frequentemente expõem o distanciamento entre as promessas de progresso e a permanência de problemas estruturais, como a desigualdade, a violência, a corrupção e a exclusão social.

Que País É Este, cuja composição remonta ao final da década de 1970 e que foi lançada em álbum pela Legião Urbana em 1987, tornou-se uma das manifestações mais conhecidas dessa inquietação. Sua força não se explica somente pelo impacto musical, mas também pela maneira como a canção expressa a indignação diante de problemas que persistem na experiência nacional.

A pergunta apresentada no título ultrapassou o contexto de seu lançamento. A cada nova crise política ou social, a composição volta a circular, adquirindo significados associados às preocupações do presente. Esse fenômeno revela uma característica importante da memória cultural: as obras do passado podem ser continuamente reinterpretadas, sem que percam sua ligação com o contexto histórico em que foram produzidas.

Em Geração Coca-Cola, a crítica assume uma dimensão geracional. A canção questiona os valores, os modelos de comportamento e as contradições de uma sociedade que procurava afirmar sua modernidade enquanto permanecia atravessada por desigualdades e heranças autoritárias.

Em Faroeste Caboclo, por sua vez, Renato constrói uma narrativa extensa em torno da trajetória de João de Santo Cristo. A composição permite refletir sobre marginalização, desigualdade, violência e ausência de oportunidades, apresentando um personagem cuja história se desenvolve em meio a circunstâncias sociais adversas.

Não se trata de transformar cada canção em uma descrição documental literal da realidade. A criação artística possui recursos próprios, seleciona experiências, constrói personagens e reorganiza acontecimentos. Entretanto, suas representações podem oferecer elementos importantes para compreender como determinados problemas eram percebidos, narrados e discutidos em uma sociedade.

É precisamente nesse ponto que a música se torna relevante para a investigação histórica. Ela permite examinar não apenas acontecimentos, mas também sentimentos, expectativas, críticas e imagens sociais que circulavam em determinado período.

A permanência dessas composições não significa que o Brasil tenha permanecido imutável desde os anos 1980. Significa, antes, que algumas das questões levantadas por Renato Russo continuam encontrando ressonância na experiência nacional. Cabe ao historiador reconhecer essas continuidades sem ignorar as transformações ocorridas ao longo do tempo.

Entre a redemocratização e as promessas não cumpridas

A passagem da ditadura militar para a democracia representou uma transformação decisiva na história brasileira. O processo, entretanto, não eliminou imediatamente os problemas sociais, as desigualdades ou as tensões políticas acumuladas ao longo das décadas anteriores.

A redemocratização abriu novas possibilidades de participação, mas também revelou os limites das expectativas depositadas na mudança institucional. A eleição indireta de Tancredo Neves em 1985, sua morte antes da posse e a chegada de José Sarney à Presidência integraram uma transição complexa. A Constituição de 1988 estabeleceu novas bases para os direitos e as instituições democráticas, enquanto o país continuava enfrentando dificuldades econômicas e profundas desigualdades.

Nesse cenário, o rock nacional tornou-se uma das linguagens por meio das quais parte da juventude expressou esperança, desconfiança e frustração. O estudo de Mario Luis Grangeia sobre a transição democrática identifica, no repertório do rock brasileiro dos anos 1980, tanto expectativas de superação do autoritarismo quanto manifestações de desilusão diante das promessas não cumpridas (GRANGEIA, 2022).

A obra da Legião Urbana permite acompanhar essa tensão. A crítica política de Renato Russo não se limitava à denúncia de um regime específico. Ela também alcançava comportamentos, estruturas de poder e contradições presentes na sociedade.

Essa característica contribuiu para que suas composições continuassem sendo ouvidas depois da década de 1980. O encerramento de uma conjuntura histórica não significa o desaparecimento imediato das questões que a caracterizaram. Ao contrário, algumas delas persistem, enquanto outras assumem formas diferentes.

É necessário, contudo, evitar uma interpretação simplificadora segundo a qual Renato Russo teria previsto todos os problemas do Brasil contemporâneo. A análise histórica exige que respeitemos o tempo de produção das obras, identificando as circunstâncias originais e distinguindo-as das interpretações construídas posteriormente.

A atualidade de uma canção não depende de ela ter antecipado o futuro. Pode decorrer da permanência de determinados conflitos, da força de sua linguagem ou da capacidade de cada geração de encontrar nela novas perguntas.

A música como fonte histórica: o olhar do pesquisador

Ao abordar Renato Russo sob a perspectiva historiográfica, considero essencial estabelecer uma distinção: uma canção não é um espelho transparente da sociedade, mas uma produção cultural que expressa representações, sensibilidades e interpretações de seu tempo.

O trabalho do historiador consiste em contextualizar essa produção, investigar suas condições de criação, compreender os meios pelos quais circulou e examinar as diferentes formas de apropriação pelo público.

As letras podem ser analisadas em conjunto com os álbuns, as gravações, as entrevistas, as apresentações, as reportagens da imprensa, as críticas musicais e os testemunhos dos admiradores. Essa diversidade documental permite compreender não apenas o conteúdo das composições, mas também os processos pelos quais a Legião Urbana conquistou espaço na cultura brasileira.

A abordagem também exige atenção à materialidade da música. A gravação em disco, a circulação radiofônica, a televisão, os shows e, posteriormente, as plataformas digitais modificaram as formas de acesso à obra. Cada meio contribuiu de maneira particular para a construção e a preservação de sua presença pública.

A historiografia cultural oferece instrumentos para essa reflexão. Jacques Le Goff (1990), ao discutir as relações entre História e memória, chama a atenção para o caráter construído dos registros e das lembranças que as sociedades preservam. Maurice Halbwachs (2006), por sua vez, contribui para compreender a memória coletiva como um fenômeno relacionado aos grupos sociais e aos quadros de referência por meio dos quais as lembranças adquirem significado.

Essas perspectivas ajudam a compreender por que a música de Renato Russo continua sendo compartilhada por pessoas que viveram experiências distintas. Uma mesma composição pode remeter à juventude de alguém que a ouviu em seu lançamento e, simultaneamente, representar uma descoberta para um ouvinte nascido muitos anos depois.

A memória, nesse processo, não permanece congelada. Ela é reconstruída por meio de novas experiências, de mudanças culturais e das perguntas que cada geração dirige ao passado.

Como pesquisador, vejo nessa relação entre música, História e memória um campo especialmente fértil para compreender a sociedade brasileira. A obra de Renato Russo permite investigar a juventude urbana, as transformações dos costumes, as formas de contestação, as relações afetivas e a maneira como a cultura popular participa da construção das identidades coletivas.

Sua produção demonstra, ainda, que o patrimônio cultural de um país não se restringe aos monumentos, aos edifícios históricos e aos objetos preservados em museus. Ele também se constitui por meio de expressões imateriais, como as canções, os repertórios compartilhados e as práticas culturais transmitidas entre gerações.

A dimensão literária e intelectual de Renato Russo

Outro aspecto que merece atenção é a dimensão literária das composições de Renato Russo. Sua escrita revela interesse pela narrativa, pela reflexão filosófica, pela linguagem simbólica e pelos dilemas morais da existência humana.

Em suas canções, encontramos personagens, situações e conflitos que permitem diferentes níveis de interpretação. Algumas composições apresentam histórias com começo, desenvolvimento e desfecho; outras organizam imagens e sentimentos de maneira mais introspectiva, convidando o ouvinte a estabelecer relações entre os versos e a própria experiência.

Essa variedade revela um compositor que compreendia as possibilidades expressivas da palavra cantada. A letra não aparece apenas como complemento da melodia, mas como elemento central da construção artística.

Em Faroeste Caboclo, a narrativa assume proporções que desafiam a estrutura habitual de uma canção radiofônica. Em Eduardo e Mônica, a observação do cotidiano transforma-se em uma pequena narrativa sobre diferenças e convivência. Em Índios, a reflexão simbólica permite abordar questões relacionadas à inocência, à perda, à contradição e à experiência humana.

Não é necessário atribuir a cada verso uma intenção filosófica específica para reconhecer a profundidade de sua escrita. O importante é observar que Renato Russo criou uma obra aberta à interpretação, capaz de mobilizar diferentes repertórios culturais e intelectuais.

Sua contribuição para o rock nacional está também nessa valorização da palavra. Em um gênero frequentemente associado à energia instrumental e à atitude performática, a Legião Urbana consolidou um espaço no qual a densidade das letras ocupava posição central na relação entre artista e público.

Esse aspecto ajuda a explicar a permanência da banda entre ouvintes que valorizam não apenas a sonoridade, mas também o conteúdo e as possibilidades interpretativas das composições.

A dimensão humana e a coragem de expressar contradições

Seria incompleto recordar Renato Russo apenas por sua dimensão política ou literária. Parte de sua força artística está na exposição das contradições humanas e na recusa de apresentar a existência como uma experiência simples, organizada ou livre de conflitos.

Suas canções frequentemente revelam personagens e sentimentos atravessados por dúvidas. O amor pode conviver com a insegurança; a esperança, com a desilusão; o desejo de liberdade, com a dificuldade de compreender o outro. Essa complexidade impede que sua obra seja reduzida a mensagens prontas.

Renato Russo também ocupou um lugar significativo na representação pública de questões relacionadas à identidade, à afetividade e às convenções sociais. Sua trajetória pessoal e artística pode ser examinada no contexto das mudanças culturais que ampliaram o debate público sobre individualidade, liberdade e diversidade.

Uma abordagem histórica responsável, entretanto, deve evitar transformar sua vida privada em explicação única para sua produção. A obra de um artista resulta de múltiplas experiências, escolhas estéticas, referências culturais e condições históricas. Reconhecer a dimensão humana de Renato significa respeitar essa complexidade, sem reduzi-lo a rótulos ou interpretações simplificadoras.

O que permanece particularmente expressivo em sua produção é a capacidade de abordar sentimentos que raramente se apresentam de forma linear. Talvez seja por isso que tantas pessoas continuem encontrando suas próprias experiências nas canções da Legião Urbana: elas não exigem que o ouvinte seja perfeito, tenha todas as respostas ou esteja livre de contradições.

A morte de Renato Russo e a permanência de seu legado

Em 11 de outubro de 1996, Renato Russo morreu aos 36 anos, interrompendo uma trajetória artística que ainda produzia novas obras e perspectivas. Sua partida provocou profunda comoção entre admiradores e representou uma perda importante para a música brasileira.

Entretanto, a história de um artista não se encerra necessariamente com sua morte. Em determinadas circunstâncias, a ausência física amplia o processo de construção de sua memória pública. Discos continuam sendo ouvidos, gravações passam a integrar novos repertórios, entrevistas são recuperadas e as obras recebem interpretações que seus criadores já não podem acompanhar.

A permanência de Renato Russo deve ser compreendida nesse movimento. Sua música continua circulando porque foi incorporada às experiências de diferentes grupos sociais e porque sua obra oferece possibilidades de leitura que não se esgotaram em seu contexto original.

Trinta anos depois, sua presença pode ser percebida na continuidade do interesse pela Legião Urbana, na transmissão de suas canções entre familiares e amigos e na descoberta de seu repertório por novas gerações. A música torna-se, assim, uma forma de ligação entre passado e presente.

Para aqueles que acompanharam o surgimento da banda, as canções podem preservar lembranças de uma juventude vivida em meio a transformações políticas e culturais. Para os ouvintes mais jovens, constituem uma oportunidade de conhecer parte da atmosfera intelectual e afetiva de uma época anterior ao seu nascimento.

Essas experiências não são idênticas, mas coexistem na construção da memória coletiva. O legado de Renato Russo não pertence exclusivamente aos que o conheceram pessoalmente ou aos que acompanharam sua carreira desde o início. Ele também pertence àqueles que, décadas depois, reconhecem na obra do compositor uma expressão significativa da cultura brasileira.

Trinta anos depois: o lugar de Renato Russo na História cultural brasileira

Ao completar três décadas de sua morte, Renato Russo permanece como uma referência fundamental para a compreensão do rock nacional e de sua relação com as transformações da sociedade brasileira.

Sua importância não deve ser estabelecida apenas por avaliações de popularidade ou por comparações com outros artistas. O lugar de um compositor na História cultural depende também das circunstâncias em que sua obra surgiu, das formas como foi recebida, das questões que ajudou a expressar e da maneira como continuou a produzir significados ao longo do tempo.

A trajetória da Legião Urbana demonstra como uma manifestação musical pode adquirir relevância histórica quando se articula a experiências sociais mais amplas. Suas canções não explicam sozinhas a juventude brasileira, a redemocratização ou as contradições do país. Contudo, oferecem um conjunto expressivo de fontes para investigar como parte daquela sociedade percebeu, interpretou e transformou suas inquietações em linguagem artística.

É nessa dimensão que reconheço a contribuição de Renato Russo: na capacidade de transformar a experiência individual em expressão compartilhada, a crítica em reflexão e a música em um espaço de encontro entre diferentes gerações.

Como historiador, entendo que recordar um artista também significa reconhecer os processos culturais por meio dos quais uma sociedade constrói suas referências. O passado não permanece vivo apenas porque é lembrado, mas porque continua sendo interpretado, questionado e incorporado às experiências do presente.

Renato Russo permanece porque suas canções não se limitaram a registrar uma época. Elas se tornaram parte da maneira como muitos brasileiros recordam essa época e compreendem questões que continuam presentes em suas vidas.

Ao revisitar sua obra, não procuro transformá-lo em uma figura imune à análise crítica, nem atribuir às suas composições respostas para todos os dilemas nacionais. Procuro reconhecer o artista em sua dimensão histórica, respeitando o contexto de sua produção e a complexidade de seu legado.

Trinta anos após sua partida, sua contribuição permanece inscrita na história do rock brasileiro, na memória de seus admiradores e no repertório cultural do país. Sua voz continua a atravessar o tempo porque encontrou, na experiência humana, um território de comunicação que não se esgota com as mudanças das gerações.

Renato Russo partiu em 1996, mas sua obra permanece como testemunho artístico de uma geração e como patrimônio vivo da memória cultural brasileira.

Na condição de historiador, considero que essa permanência constitui uma das expressões mais significativas de seu legado. A História também se faz por meio das canções que uma sociedade preserva, das palavras que continuam provocando reflexão e das manifestações artísticas que permitem às novas gerações estabelecer vínculos com o passado.

Enquanto suas músicas continuarem despertando perguntas, evocando lembranças e oferecendo novas possibilidades de interpretação, Renato Russo continuará ocupando um lugar relevante na cultura brasileira. Não apenas como o compositor de grandes sucessos do rock nacional, mas como um artista cuja obra nos ajuda a compreender o tempo em que viveu e, por meio dele, aspectos da própria sociedade que construímos.

Porque a morte encerra uma existência, mas não determina, por sigilo ou por si só, o destino de uma obra. Algumas vozes permanecem na História justamente porque continuam encontrando quem as escute, quem as interprete e quem reconheça nelas algo de seu próprio tempo.

Referências bibliográficas

  • BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. (Sugestão incorporada para enriquecer a discussão sobre memória coletiva e formação cultural brasileira).
  • ENCARNAÇÃO, Paulo Gustavo da. “Brasil mostra a tua cara”: rock nacional, mídia e a redemocratização política (1982-1989). 2009. Dissertação (Mestrado em História) — Universidade Estadual Paulista, Assis, 2009.
  • FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2012. (Sugestão incorporada para fundamentar o contexto político e institucional da transição democrática dos anos 1980).
  • GRANGEIA, Mario Luis. Depois da esperança, a desilusão: transição democrática no rock do Brasil dos anos 1980. Interseções: Revista de Estudos Interdisciplinares, Rio de Janeiro, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.12957/irei.2022.70833. Acesso em: 12 out. 2026.
  • HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.
  • LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Editora da Unicamp, 1990.
  • LEGIÃO URBANA. Legião Urbana. Rio de Janeiro: EMI-Odeon, 1985. Álbum musical.
  • LEGIÃO URBANA. Que país é este 1978/1987. Rio de Janeiro: EMI-Odeon, 1987. Álbum musical.
  • MAGI, Érica Ribeiro. Rock and roll é o nosso trabalho: a Legião Urbana do underground ao mainstream. São Paulo: Alameda, 2013.
  • NAPOLITANO, Marcos. Seguindo a canção: engajamento político e indústria cultural na década de 1960. São Paulo: Annablume / Fapesp, 2002. (Sugestão incorporada para aprofundar o debate metodológico sobre a canção popular como fonte histórica).
  • RENATO RUSSO. Biografia — Legião Urbana. Renato Russo — site oficial. Disponível em: https://renatorusso.com.br/biografia-legiao-urbana/. Acesso em: 12 out. 2026.

Alexandre Rurikovich Carvalho

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O dia em que o silêncio venceu

Guilherme Machado

‘O dia em que o silêncio venceu’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
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“A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito
foi confiado, muito mais será pedido.” (Lucas 12:48)

Era uma vez um país que parecia ter sido desenhado à mão por Deus.

Sua terra era fértil e produzia quase tudo.

Seus rios pareciam mares.

Suas florestas respiravam vida e guardavam riquezas que poucos lugares do mundo conheciam.

O sol visitava sua terra durante quase o ano inteiro.

A chuva caía na medida certa.

Seus campos produziam alimento.

Seu subsolo escondia riquezas.

Era uma terra que lembrava a antiga promessa de leite e mel.

Não conhecia terremotos capazes de engolir cidades.

Nem vulcões que escurecessem seus céus.

Nem furacões que apagassem sua história.

E naquela terra também vivia um povo tão abençoado quanto perseverante.

Trabalhava muito.

Inventava caminhos quando parecia não haver saída.

Ria com facilidade.

Cantava mesmo nos dias difíceis.

Caía.

Levantava.

Tinha o estranho dom de continuar acreditando depois de cada decepção.

Quando terminou sua criação, um anjo olhou para aquele lugar e perguntou:

— Senhor… não é privilégio demais para um só povo?

Deus sorriu.

— Espere até ver o que eles farão com tudo isso.

O anjo voltou os olhos para aquela terra.

Não compreendeu a resposta.

Compreenderia muitos anos depois.

O tempo passou.

O país cresceu.

Suas cidades se multiplicaram.

Como acontece com toda grande nação, também conheceu dias difíceis.

Vieram hospitais que já não conseguiam atender todos os que precisavam.

Escolas que esperavam por dias melhores.

Estradas que pareciam nunca terminar.

Promessas que se renovavam mais depressa do que eram cumpridas.

Escândalos que desapareciam da memória antes de desaparecerem da realidade.

Com o passar dos anos, aquele povo encontrou novas formas de dividir sua atenção.

Aprendeu a ouvir mais aqueles que confirmavam suas próprias certezas do que aqueles que apresentavam perguntas difíceis.

Passou a procurar culpados para todos os problemas e salvadores para todas as soluções.

Esqueceu que nenhuma nação é construída pelas mãos de uma única pessoa, nem destruída por apenas uma delas.

As mãos humanas podem conduzir caminhos, mas nunca constroem sozinhas o futuro de uma nação.

Criou muros entre pessoas que antes dividiam as mesmas ruas.

Enquanto discutiam quem estava certo, poucos percebiam que os mesmos problemas continuavam esperando.

Mas aquele povo também havia aprendido uma estranha forma de descansar.

A cada novo ciclo, acreditavam que agora as coisas mudariam.

E talvez essa fosse uma de suas maiores virtudes.

Ou uma de suas maiores fragilidades.

A cada quatro anos havia uma grande festa.

Durante noventa minutos, esqueciam os hospitais.

Esqueciam as escolas.

Esqueciam a violência.

Esqueciam os impostos.

Esqueciam as promessas.

Esqueciam até uns dos outros.

Enquanto a bola rolava, o país parava.

E parar era a única forma que conheciam de descansar.

Nas arquibancadas, abraçavam desconhecidos como irmãos.

Nos bares, erguiam copos em uníssono.

Dentro das casas, até as famílias desunidas sentavam-se lado a lado.

A grande festa não pedia nada.

Apenas que fechassem os olhos para todo o resto.

E eles fechavam.

Fechavam com tanta força que, por um instante, quase acreditavam que o país era aquilo:

Um campo verde.

Um hino cantado a plenos pulmões.

Um riso fácil diante da televisão.

Depois do apito final, o encanto se desfazia.

Mas durava o suficiente para aliviar o peso de mais quatro anos.

Com o tempo, a festa tornou-se tão importante que o próprio calendário aprendeu a respeitá-la.

Decisões esperavam.

Debates mudavam de data.

Promessas podiam aguardar.

Afinal, havia noventa minutos que ninguém ousava interromper.

Enquanto os olhos acompanhavam a bola…

Os problemas aprendiam a permanecer imóveis.

Não porque desaparecessem.

Mas porque quase ninguém os observava.

Um dia resolveram trazer a maior festa do mundo para dentro de casa.

Pintaram fachadas.

Ergueram monumentos.

Construíram arenas.

Prometeram que, quando tudo terminasse, o país seria diferente.

E talvez tenha sido.

Apenas não da maneira como imaginavam.

Descobriram que era mais fácil inaugurar arquibancadas do que esperança.

Mais fácil iluminar estádios do que bairros esquecidos.

Mais fácil preparar noventa minutos de espetáculo do que enfrentar décadas de abandono.

Naquele ano, porém, a festa ganhou o mundo.

Um povo escolheu abrir o espetáculo lembrando aqueles que atravessaram mares para construir sua história.

Cada remada era uma homenagem às raízes que ainda sustentavam a nação.

O outro escolheu celebrar o sucesso da estação.

Afinal, um povo sempre celebra aquilo que escolhe não esquecer.

Naquele ano, porém, a festa terminou cedo.

Pela primeira vez em muito tempo, não houve tempo suficiente para esquecer.

O apito final chegou antes que o encanto pudesse voltar.

E, quando a televisão foi desligada…

Os hospitais continuavam lotados.

As escolas continuavam esperando.

As ruas continuavam inseguras.

Os impostos continuavam altos.

As promessas permaneciam onde sempre estiveram: apenas nos discursos.

Foi naquele instante que a resposta dada ao anjo finalmente fez sentido.

Deus nunca havia perguntado apenas o que aquele povo faria com suas riquezas.

Perguntava o que faria com sua atenção.

Porque aquilo que um povo escolhe olhar todos os dias, pouco a pouco, também escolhe se tornar.

Um povo raramente perde seu futuro de uma só vez.

Primeiro, perde a capacidade de lembrar.

Depois, acostuma-se a esquecer.

E, quando já não consegue distinguir distração de esperança…

chama de descanso aquilo que apenas adiou.

Naquele dia…

o silêncio venceu.

“O meu povo foi destruído porque lhe
faltou conhecimento.” (Oséias 4:6)

Guilherme Machado

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Cataratas do amor

José Antonio Torres: Poema ‘Cataratas do amor’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
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A energia das águas
De tão nobres Cataratas,
Lavam tristezas e mágoas
Que ao coração maltrata.

Sua beleza sem par
Como o sabor do cupuaçu,
Não há como esquecer
As Cataratas do Iguaçu.

Vibra n’alma a alegria
De um simples forasteiro,
Que ao coração inebria
A beleza dos aguaceiro.

Quedas d’água e floresta,
Suas belezas e cores,
Trazem o coração em festa,
Celebrando os amores.

O som das águas em queda,
É como uma doce canção.
A tristeza de mim arreda
E acalenta o coração.

Minhas lindas Cataratas,
Beleza que Deus imprimiu
Com cores lindas e exatas,
No meu querido Brasil

José Antonio Torres

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Escritora profissional desde os 15 anos, Stephanie Caroline alimenta o gênero romance no Brasil

Escritora profissional desde os 15 anos, Stephanie Caroline alimenta o gênero romance no Brasil

Leitora voraz, que chega a consumir 6 livros por mês, Stephanie Caroline escreve romances com toque de vida real, está prestes a lançar seu 8º livro. Com seu trabalho, alimenta o gênero na literatura brasileira e amplia o foco no autor nacional.

Stephanie Caroline conta que começou a escrever aos 8 anos “eu tinha dificuldade em expressar emoções e a escrita foi a forma que encontrei para fazer isso”. Aos 15 anos, escreveu seu primeiro livro, Doce Vida de Ana, e não parou mais. “Eu lancei Doce Vida oficialmente 10 anos depois, quando recebi o convite de uma editora. Antes ele chegou a ficar em plataformas de autopublicação, como o Clube de Autores, entre 2013 e 2014. Nesse intervalo, eu cheguei a escrever roteiros e publicá-los no Orkut, como WebNovelas”, conta ela.

Depois, com os títulos Nada é por Acaso, 13 Contos de Amor ou Não, Diário da Garota em Crise, Para Sempre, Deixe-me Roubar seu Coração, Stephanie construiu uma carreira promissora. Este ano, a autora lança Amor, destino final.

Formada em Publicidade e Jornalismo, Stephanie ama ler e adora criar histórias com aquele toque mais vida real, com personagens “gente como a gente”. “Gosto de contar histórias que criem identificação, gerem reflexões, de alguma forma ajudem as pessoas a lidarem com situações do cotidiano, ao mesmo tempo em que possam se distrair e sonhar”, revela.

A autora acredita que a pandemia trouxe mais possibilidades de leitura: “considero que a literatura brasileira é um mercado em crescimento, com cada vez mais novos autores e os leitores dando uma chance para conhecer os contemporâneos nacionais. Com a pandemia, percebi que houve um aumento na busca por e-books”.

Suas leitoras, sim, na maioria, mulheres, são consumidoras de histórias românticas, mas com um toque mais vida real e que buscam identificação e reflexão no que é revelado ao longo do livro. Se para Stephanie escrever é algo natural, para quem consome seus livros, deliciar-se com as histórias também é.

 

Conheça mais sobre a autora aqui:

https://instabio.cc/linksimportantesdateffy

https://www.instagram.com/stephaniec.escritora/

 

Informações para a imprensa

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Festival Brasileiríssimos no Cine Joia (SP) será realizado no dia 18 de novembro

Em 2017 o projeto Brasileiríssimo completa 5 anos. Contando com mais de 9 milhões de seguidores nas redes sociais, é hoje é uma das principais referências quando se fala de cultura brasileira na internet

 

Contando com mais de 9 milhões de seguidores nas redes sociais, o Brasileiríssimos hoje é uma das principais referências quando se fala de cultura brasileira na internet.

Em 2017 o projeto completa 5 anos. Como parte da comemoração, lança a primeira edição do seu festival que conta como parceiros de produção a Rec-Beat Produções, produtora tradicional que tem no currículo o Festival Rec-Beat, um dos principais eventos de música do País. O evento acontecerá no Cine Joia, um dos locais mais históricos para realização de eventos na cidade de São Paulo.

ATRAÇÕES CONFIRMADAS:

Ana Muller 
Thifany Kauany
Ana Gabriela
Plutão Já Foi Planeta

Lineup completo em breve!
O Festival Brasileiríssimos é uma realização da Rec-Beat Produções em parceria com o Brasileiríssimos.SERVIÇO
Cine Joia apresenta Festival Brasileiríssimos
Data: sábado, 18 de novembro de 2017
Horário: 20hCLASSIFICAÇÃO ETÁRIA
18 anos. Entrada de pessoas com 16 ou 17 anos apenas será permitida se acompanhados de um responsável legal ou de um maior de idade portando autorização registrada em cartório. Modelo de autorização: http://bit.ly/autorizaçãodemenorescinejoia

MEIA-ENTRADA 
A concessão do direito ao benefício da meia-entrada é assegurada em 40% (quarenta por cento) do total dos ingressos disponíveis para cada evento. http://bit.ly/lei_meia_entrada
 

Para todos os shows e festas no Cine Joia há um lote promocional para as 10 primeiras pessoas que comprarem o ingresso na bilheteria. Os valores variam de R$ 1,00 a R$ 10,00 e cada pessoa só pode comprar 1 ingresso promocional.

Compre ingressos somente pelo canal oficial. Não estrague a noite comprando de cambistas ou terceiros.

 
TROCA DE TITULARIDADE E REEMBOLSO DE INGRESSO
A troca de titularidade no ingresso só será realizada com até 48h de antecedência ao evento. Para informações sobre reembolso do ingresso, favor acessar o link: http://bit.ly/reembolso_sympla 
Cine Joia:
Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade – São Paulo/SP
www.cinejoia.tv // www.facebook.com/cinejoia // www.instagram.com/cine_joia
Fone: (11) 3101-1305
Capacidade: 992 pessoas (o Cine Joia respeita a lotação máxima determinada por lei)
Chapelaria: R$ 5,00 (gratuita para clientes Elo)
Possui área de fumantes e acesso a deficientesServiço de vallet: R$ 30,00