Rampa, o Paraíso Escondido

Renata Barcellos

“Exposição e espetáculo: ‘Rampa, o Paraíso Escondido’”

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Card da exposição e espetáculo: ‘Rampa, o Paraíso Escondido
Card da exposição e espetáculo:Rampa, o Paraíso Escondido

Entre os dias 14 e 17 de junho de 2026, o público de São Luís teve a oportunidade de conhecer e se encantar com a exposição fotográfica ‘Rampa, o Paraíso Escondido’, realizada no Golden Shopping Calhau, com visitação aberta das 10:00 às 22:00. Esta apresentou um olhar sensível sobre o povoado de Rampa, localizado no município de Humberto de Campos (MA).

Foi revelado através das imagens, a beleza de suas paisagens, seus rios, sua cultura, sua religiosidade e os modos de vida de uma comunidade que mantém viva sua relação com a natureza e suas tradições. Quem foi apreciar, com certeza, ficou com vontade de conhecer a região. “Partiu, Rampa!?”

A abertura do evento foi marcada pelo espetáculo teatral ‘Rampa, o Paraíso Escondido’, pesquisa e criação de Josimael Caldas. O multiartista realizou três apresentações emocionantes, envolvendo o público em uma experiência poética de memória, identidade e pertencimento.

Em cena, Rampa ganhou voz e corpo através da personificação do território. Assim, conduziu os espectadores por uma viagem pelo rio Maparí, pelas manifestações culturais, pela fé em São Sebastião e pelas histórias de um povo que carrega no cotidiano a força de suas raízes.

Com música ao vivo, poesia, expressão corporal e projeções fotográficas, o espetáculo despertou a atenção de diferentes públicos e recebeu uma resposta extremamente positiva dos visitantes. Humbertuenses que estiveram presentes vivenciaram um momento de reconhecimento e emoção ao verem sua terra representada artisticamente, fortalecendo o sentimento de orgulho e pertencimento. Lindo espetáculo “pluriartes”!!!!

A exposição e o espetáculo transformaram o espaço em um encontro de memórias, afetos e celebração da identidade cultural de Rampa. Assim, mostrou como a beleza de um lugar também vive nas histórias das pessoas que o constroem. Mantenhamos viva a história de nossa região!!! Transmitamo-na aos nossas crianças e jovens!!!!

A mostra fotográfica é um produto do longa-metragem documentário “Josimael Caldas: a trajetória de um artista no teatro maranhense”. Aguardemos!!! Em breve, será apresentado ao público, ampliando o registro da trajetória artística e da relação deste multiartista com sua terra natal. Já curiosa para assistir ao próximo projeto!!!

Enfim, ‘Rampa, o Paraíso Escondido’ foi um show das diversas expressões artísticas!!!! Mais que uma exposição e um espetáculo, foi uma homenagem à memória, à cultura e à riqueza humana de um território. Esta região merece continuar revelando seus encantos.

Realização: Governo Federal através do Ministério da Cultura e lei Aldir Blanc

Apoio: Governo do Estado através da Secretaria de Estado da Cultura

Produção: Egger Consulting

Informações sobre o povoado de Rampa

Localização: município de Humberto de Campos, na região dos Lençóis Maranhenses, no norte do estado do Maranhão. O município integra a mesorregião Norte Maranhense e a microrregião dos Lençóis Maranhenses.

Área territorial do município: de aproximadamente 1.714,625 km², com população de cerca de 25 mil habitantes segundo o Censo 2022 do IBGE.

Geografia da região: apresenta relevo predominantemente plano e baixo, típico das áreas costeiras maranhenses, favorecendo a existência de campos inundáveis, igarapés, manguezais e lagoas sazonais. O clima é tropical quente, com períodos chuvosos e secos bem definidos, característica comum do litoral norte maranhense.

Vegetação do município: composta por formações de Cerrado, vegetação costeira, áreas de manguezal e ecossistemas de transição entre o litoral e o interior do Maranhão. As paisagens locais apresentam campos abertos, vegetação rasteira, áreas alagáveis e forte influência dos ventos litorâneos.

Economia: pesca artesanal, agricultura familiar e extrativismo, atividades tradicionais presentes em grande parte das comunidades rurais do litoral maranhense.

Minicurrículo: JOSIMAEL CALDAS: pedagogo, graduado pela universidade estadual do maranhão. capacitação em projetos culturais pela fundação Getúlio Vargas. Professor de artes cênicas, ator e diretor teatral. É membro da Academia Atheniense de Letras e Artes – ATHEART, cadeira nº 10, tendo como patrono o conterrâneo Humberto de Campos, e membro da Sociedade de Cultura Latina do estado do Maranhão.

ENTREVISTA

1 – O QUE TE MOTIVOU A ORGANIZAR A EXPOSIÇÃO E ESPETÁCULO “RAMPA, O PARAÍSO ESCONDIDO”?

Josimael Caldas: A motivação para organizar a exposição e o espetáculo “Rampa, o Paraíso Escondido” nasceu a partir da realização do longa-metragem documentário Josimael Caldas: A Jornada de Um Artista no Teatro Maranhense”.
Durante o processo de gravação do documentário em Rampa, minha terra natal, o encontro com as paisagens, as belezas naturais e os modos de vida da comunidade, despertou um novo olhar sobre esse território tão rico em memória, cultura e afetos. As imagens registradas durante as filmagens revelaram um lugar de grande beleza: o rio Maparí, os caminhos, a vegetação, os espaços de convivência e a relação harmoniosa entre o povo e a natureza.

Essas fotografias ultrapassaram o registro documental e passaram a contar uma história própria, inspirando a criação de uma exposição que pudesse apresentar ao público a essência e os encantos de Rampa.
A partir dessa inspiração visual, surgiu também o espetáculo teatral, como uma forma de transformar essas memórias em poesia, movimento e emoção. Em cena, Rampa ganha voz e se apresenta como território vivo, revelando suas tradições, sua fé, sua ancestralidade e a força de um povo que mantém suas raízes.

Assim, a exposição e o espetáculo “Rampa, o Paraíso Escondido” tornam-se desdobramentos do documentário, ampliando sua narrativa e compartilhando com o público a beleza de um lugar que muitas vezes permanece desconhecido, mas que guarda histórias, paisagens e sentimentos que merecem ser revelados e preservados.
É uma homenagem à minha terra natal, uma celebração da memória e uma forma de mostrar que Rampa não é apenas um lugar no mapa: é um território de identidade, pertencimento e encantamento.

2 – QUAL FOI A RECEPTIVIDADE PELOS MORADORES DO POVOADO DE RAMPA?

Josimael Caldas: A receptividade dos moradores de Rampa e dos humbertuenses foi extremamente positiva e marcada por muita emoção e sentimento de pertencimento. O público recebeu a exposição e o espetáculo “Rampa, o Paraíso Escondido” com encantamento, reconhecendo nas imagens, na narrativa teatral e nas memórias apresentadas a riqueza de sua própria história.

Muitos espectadores se emocionaram ao ver a beleza das paisagens, dos rios, da natureza e dos elementos culturais que fazem parte do cotidiano da comunidade. Para os rampenses presentes, a experiência representou um momento de valorização da sua identidade, de reconhecimento das suas raízes e de orgulho por ver sua terra natal apresentada artisticamente.
Percebeu-se no olhar do público a conexão afetiva com o território: as lembranças da infância, os costumes, a fé em São Sebastião, os encontros comunitários e a relação com a natureza despertaram memórias coletivas. A exposição e o espetáculo não foram vistos apenas como uma apresentação artística, mas como uma homenagem à história e à vida de um povo.

A resposta dos moradores de Rampa e dos humbertuenses reforçou a importância de iniciativas que valorizam a cultura local, fortalecem o sentimento de pertencimento e revelam ao público a beleza de um lugar que carrega uma grande riqueza humana e cultural.

Viva Josimael Caldas!!!

Renata Barcellos

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Você conhece o Cacuriá?

Renata Barcellos: ‘Você conhece o Cacuriá?
Vamos cacuriar?

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Sandra Barcellos e Uilmar Junior
Sandra Barcellos e Uilmar Junior

Você conhece o Cacuriá? Eu só conhecI há quinze dias em uma festa junina organizada pelo amigo Uilmar Junior, no condomínio onde mora, em São Luís. Lá, após apresentação musical e de degustar deliciosas guloseimas (arroz de cuxá, torta de camarão…), assistmos (eu e Campos) à apresentação do Cacuriá de Dona Cecília, do bairro da Vila Palmeira (@cacuria_de_cecilia). Este foi fundado em 1991 por Dona Cecília, ex-caixeira de Seu Lauro, em Vila Palmeira, São Luís (MA).

Surgimento:  Cacuriá surgiu a partir do Carimbó das caixeiras, relacionado às festas do Divino Espírito Santo. Traz memória, ancestralidade, música, corpo e comunidade. É uma dança folclórica maranhense criada na década de 1970 como a parte festiva após as celebrações da Festa do Divino Espírito Santo. Popularizada por figuras como Dona Tetê, a dança se tornou atração principal das Festas Juninas do estado.

Criador: De acordo com a jornalista maranhense Inara Rodrigues, escritora do livro “Vem cá curiar o cacuriá!”, a dança foi criada em 1973, na capital, por Alauriano Campos de Almeida, folclorista conhecido como “Seu Lauro”. Outros já dizem que foi por Dona Filoca e Seu Lauro, em 1975, na cidade de Guimarães, e, posteriormente, levado para a capital, São Luís.

Coreografia: Os pares brincantes dançam em roda (chamada de cordão). . Caracteriza-se pelo ritmo contagiante, passos marcados em pares (conhecidos como “umbigadas”)., coreografias sensuais, rebolados e com movimentos sensuais, A dança é marcada pelo som das caixas do Divino (pequenos tambores)., banjo, violão e flauta, com letras conhecidas (disponíveis em https://www.letras.mus.br/cacuria-de-dona-tete/).

Dona Teté do Cacuriá: nascida Almerice da Silva Santos em São Luís (MA), em 1924, foi cantora, compositora e percussionista essencial para a cultura popular maranhense. Iniciou sua carreira artística aos 50 anos, destacando-se nas festas dedicadas ao Divino Espírito Santo.

No site da Fundação Cultural Palmares, consta o Cacuriá de Dona Teté.

“nascida Almerice da Silva Santos em São Luís (MA), em 1924, foi cantora, compositora e percussionista essencial para a cultura popular maranhense. Iniciou sua carreira artística aos 50 anos, destacando-se nas festas dedicadas ao Divino Espírito Santo. Em 1986, fundou o grupo Cacuriá de Dona Teté, reinventando o ritmo tradicional com percussões vibrantes e coreografias inovadoras, levando-o do Maranhão a outros estados. Reverenciada como dama da cultura popular, inspirou gerações e garantiu a preservação e renovação da tradição afro-cabocla até seu falecimento, em 2011”.

Período: geralmente, é praticada durante as festas juninas e o encerramento das festividades do Divino Espírito Santo. 

Reconhecimento: considerada Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Maranhão.

Curiosidade: o termo também pode ser usado popularmente por algumas pessoas no Norte e Nordeste com o sentido de “curiar” ou “espiar” — ou seja, olhar algo de longe ou bisbilhotar.

Música: As letras costumam ter duplo sentido e são acompanhadas por um refrão animado. Este são são curtos, repetições e muito ritmo. As músicas tradicionais, imortalizadas por grupos como o Cacuriá de Dona Teté, celebram a cultura, a natureza e os costumes locais como este a seguir:

                Festa do Divino

Fui na festa do Divino
Me convidaram pra entrar
E veio dançando o carimbó
E cantando o cacuriá(2x)”

Grupos: Os principais grupos existentes em São Luís e na Região Metropolitana são:

Cacuriá de Dona Teté: o mais tradicional e famoso do estado. Criado a partir do legado de Almerice da Silva Santos (Dona Teté), é a maior referência da cultura popular e arrasta multidões nos arraiais.

Cacuriá do Candinho: um dos maiores grupos da região, com sede na Região Metropolitana (em Paço do Lumiar), conhecido por apresentações enérgicas e grande sucesso nas redes sociais.

Cacuriá Assa Cana: sediado no tradicional Quilombo da Liberdade, em São Luís, este grupo é um importante Ponto de Cultura e difusor das toadas e tradições maranhenses. Instagram: @cacuria.assacana

Nas Literaturas: as literaturas literárias ou não sobre o Cacuriá focam no resgate histórico, na antropologia da performance e na preservação desta manifestação cultural através de livros e artigos acadêmicos:

“Vem cá curiar o cacuriá!” (2015): escrito pela jornalista maranhense Inara Rodrigues, este livro-reportagem detalha a origem da dança e foi vencedor do Prêmio João Lisboa de Jornalismo Literário. A obra desmistifica algumas narrativas, registrando que a dança foi criada em 1973 na capital por Alauriano Campos de Almeida, conhecido como “Seu Lauro”.

Registros Antropológicos: autores e pesquisadores como Luciana Hartmann (autora da obra “Cacuriá – dinâmicas de uma tradição dançada”- fruto de estudo sobre o grupo “Cacuriá Filha Herdeira”) e Inara Rodrigues (autora do livro “Vem cá curiar o cacuriá!”) documentam a tradição, sua origem com o “Seu Lauro” em 1973 e sua popularização por Almerice da Silva, a Dona Teté.

Academias e Ensino (Anais da Anpuh e Monografias UFMA): trabalhos acadêmicos, como os “Anais do Simpósio Nacional de História” da Anpuh, exploram o uso de “cantigas de caixeiras” em sala de aula, demonstrando o valor pedagógico do Cacuriá na educação infantil e o seu papel como patrimônio cultural imaterial.

Assim, a dança costuma ser abordada não só em pesquisas literárias e acadêmicas como também em obras de ficção voltadas para as literaturas infanto-juvenil. Alguns exemplos:

Fábio Sombra: reconhecido escritor e membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, ele aborda a dança e o contexto das festas juninas na obra “Cacuriá – A Música e a Criança”.

Gabriel Ben: na obra infanto-juvenil “Dora, uma menina nordestina”, o autor utiliza o sonho da protagonista para resgatar memórias regionais, incluindo menções explícitas ao ritmo e à dança criada por Dona Teté.

Renata Barcellos

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