Nelson Mandela

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘Nelson Mandela: Vida, Luta, Liderança e

Legado para a Humanidade’

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
Imagem histórica retratando os principais momentos da vida de Nelson Mandela, desde sua juventude e militância contra o apartheid até sua consagração como líder mundial da paz e da reconciliação. A composição reúne imagens de sua prisão, libertação, ascensão à presidência e atuação humanitária, destacando sua trajetória de luta pela igualdade racial e pelos direitos humanos. Imagem criada por IA.

Resumo

Nelson Rolihlahla Mandela constitui uma das personalidades mais influentes da história contemporânea. Sua trajetória de vida está intimamente ligada à luta contra o apartheid, sistema institucionalizado de segregação racial que vigorou na África do Sul durante grande parte do século XX. Advogado, ativista, líder revolucionário, prisioneiro político e estadista, Mandela tornou-se símbolo mundial da resistência à opressão e da defesa da dignidade humana. Este artigo analisa sua formação, atuação política, período de encarceramento, papel na transição democrática sul-africana e legado internacional. A pesquisa demonstra como sua liderança baseada na reconciliação, no diálogo e na justiça social contribuiu para evitar uma guerra civil e consolidar um dos mais importantes processos de democratização do século XX.

Palavras-chave: Nelson Mandela; Apartheid; Direitos Humanos; África do Sul; Reconciliação Nacional; Democracia.

1. Introdução

Ao longo da história, poucos líderes políticos alcançaram reconhecimento tão amplo e duradouro quanto Nelson Mandela. Reverenciado em diferentes continentes, sua imagem transcende fronteiras ideológicas, religiosas e culturais, representando valores universais como liberdade, igualdade, justiça e reconciliação.

Mandela tornou-se a principal figura da luta contra o apartheid, regime de segregação racial implantado oficialmente na África do Sul em 1948. Durante décadas, milhões de sul-africanos negros foram privados de direitos básicos, submetidos à discriminação institucional e excluídos dos espaços de participação política. Nesse contexto, Mandela emergiu como uma das principais vozes da resistência.

Sua trajetória, contudo, vai além da luta política. Após passar vinte e sete anos na prisão, optou por conduzir seu país por um caminho de reconciliação nacional, rejeitando o revanchismo e promovendo a coexistência pacífica entre grupos historicamente antagonizados. Tal postura transformou-o em referência mundial para processos de paz e transições democráticas.

O presente artigo busca analisar a vida e a obra de Nelson Mandela, examinando sua formação intelectual, sua participação na luta contra o apartheid, seu período de encarceramento, sua atuação como presidente da África do Sul e a permanência de seu legado no cenário internacional contemporâneo.

2. Contexto Histórico: A África do Sul e o Sistema do Apartheid

Para compreender a importância histórica de Mandela, é necessário entender o contexto político e social da África do Sul.

A colonização europeia da região teve início no século XVII, com a chegada dos holandeses, posteriormente substituídos pelo domínio britânico. Ao longo dos séculos, desenvolveu-se uma sociedade profundamente desigual, estruturada em critérios raciais.

Em 1948, o Partido Nacional venceu as eleições e implementou oficialmente o apartheid, palavra africâner que significa “separação”. O regime estabeleceu uma série de leis destinadas a garantir a supremacia da minoria branca sobre a maioria negra.

Entre as principais medidas estavam:

  • Proibição de casamentos inter-raciais;
  • Segregação residencial obrigatória;
  • Restrição da circulação de pessoas negras;
  • Exclusão do direito ao voto;
  • Educação segregada;
  • Limitações ao acesso ao mercado de trabalho;
  • Criação dos chamados bantustões.

O apartheid não consistia apenas em preconceito social, mas em um sistema jurídico cuidadosamente elaborado para institucionalizar a desigualdade. Milhões de pessoas foram removidas à força de suas residências e deslocadas para regiões pobres e isoladas.

A resistência ao regime cresceu progressivamente, dando origem a movimentos políticos, sindicais, religiosos e estudantis que buscavam a igualdade de direitos.

3. Origens Familiares e Formação Intelectual

Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em 18 de julho de 1918, na pequena aldeia de Mvezo, na região do Transkei.

Pertencente ao povo Xhosa e à linhagem real dos Thembu, Mandela cresceu em um ambiente fortemente marcado pelas tradições africanas. Seu pai, Gadla Henry Mphakanyiswa, era conselheiro do rei dos Thembu, circunstância que proporcionou ao jovem Nelson contato precoce com práticas de liderança e resolução de conflitos.

Após a morte de seu pai, Mandela foi acolhido pela família do regente Jongintaba Dalindyebo, que assumiu papel importante em sua educação.

Sua formação escolar ocorreu em instituições missionárias metodistas, onde recebeu o nome inglês “Nelson”. Mais tarde ingressou na University College of Fort Hare, uma das mais importantes instituições de ensino superior destinadas à população negra africana.

Foi nesse ambiente universitário que desenvolveu consciência política e participou de movimentos estudantis. Seu envolvimento em protestos resultou em sua expulsão da instituição.

Posteriormente mudou-se para Joanesburgo, onde trabalhou em diferentes ocupações enquanto prosseguia seus estudos jurídicos na Universidade de Witwatersrand.

A experiência de viver em uma sociedade profundamente desigual despertou sua consciência social e fortaleceu seu compromisso com a luta pelos direitos civis.

4. O Início da Militância Política

Na década de 1940, Mandela aproximou-se do Congresso Nacional Africano (CNA), organização fundada em 1912 para defender os direitos da população negra.

Em 1944, participou da criação da Liga Juvenil do CNA, juntamente com Oliver Tambo, Walter Sisulu e Anton Lembede.

Os jovens militantes defendiam uma postura mais ativa diante das injustiças impostas pelo regime segregacionista. Inspirados por movimentos nacionalistas e anticoloniais que surgiam em diferentes partes do mundo, buscavam mobilizar amplos setores da população.

A partir dos anos 1950, Mandela tornou-se um dos principais líderes das campanhas de desobediência civil organizadas pelo CNA.

Sua atuação destacou-se durante a Campanha de Desafio às Leis Injustas, realizada em 1952, que reuniu milhares de participantes em atos pacíficos de resistência.

Paralelamente, fundou com Oliver Tambo o primeiro escritório de advocacia administrado por negros na África do Sul, oferecendo assistência jurídica à população vítima das políticas discriminatórias.

5. Da Resistência Pacífica à Luta Armada

Inicialmente, Mandela acreditava que a resistência não violenta seria suficiente para derrotar o apartheid.

Entretanto, a crescente repressão estatal e especialmente o Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960, alteraram significativamente sua visão estratégica.

Na ocasião, a polícia abriu fogo contra manifestantes desarmados que protestavam contra as leis de passe, matando dezenas de pessoas.

Diante da brutalidade governamental e do fechamento dos espaços democráticos, Mandela concluiu que formas limitadas de resistência armada tornavam-se inevitáveis.

Em 1961, participou da fundação do Umkhonto we Sizwe (“Lança da Nação”), braço militar do Congresso Nacional Africano.

O novo movimento concentrou-se em ações de sabotagem contra instalações governamentais e infraestruturas estratégicas, buscando evitar vítimas civis.

Essa decisão permanece objeto de debate historiográfico, mas é amplamente compreendida dentro do contexto de extrema repressão política existente à época.

6. O Julgamento de Rivonia e a Condenação à Prisão Perpétua

As atividades do Umkhonto we Sizwe tornaram Mandela um dos homens mais procurados pelo governo sul-africano. Durante vários meses, ele viveu na clandestinidade, deslocando-se secretamente pelo país para organizar a resistência e buscar apoio político.

Em agosto de 1962, foi capturado pelas autoridades e inicialmente condenado por deixar o país sem autorização e por incentivar greves. Enquanto cumpria essa pena, a polícia realizou uma operação na fazenda de Liliesleaf, em Rivonia, onde encontrou documentos que vinculavam diversos líderes do Congresso Nacional Africano a atividades de resistência clandestina.

O episódio resultou no famoso Julgamento de Rivonia (1963–1964), considerado um dos mais importantes processos políticos do século XX. Mandela e seus companheiros foram acusados de sabotagem, conspiração e tentativa de derrubar o governo.

Durante o julgamento, Mandela pronunciou um discurso que entraria para a história como uma das mais poderosas declarações em defesa da liberdade e da igualdade. Em sua fala, afirmou que havia dedicado toda a sua vida à luta contra a dominação racial e que sonhava com uma sociedade democrática onde todos pudessem viver com iguais oportunidades.

A conclusão de seu pronunciamento tornou-se célebre:

“É um ideal pelo qual espero viver e que espero alcançar. Mas, se necessário for, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer.”

Embora muitos acreditassem que seria condenado à morte, o tribunal optou pela prisão perpétua. Em junho de 1964, Mandela e seus companheiros foram enviados para a Prisão de Robben Island.

7. Robben Island: A Universidade da Resistência

Robben Island, localizada ao largo da Cidade do Cabo, tornou-se símbolo internacional da repressão do apartheid. A ilha já havia sido utilizada durante séculos como local de exílio, isolamento e encarceramento.

As condições impostas aos presos políticos eram extremamente severas. Mandela e os demais detentos realizavam trabalhos forçados em uma pedreira de calcário, recebiam alimentação inadequada e eram submetidos a constantes restrições de comunicação com familiares.

Mesmo diante dessas dificuldades, Mandela transformou a experiência do cárcere em um período de crescimento intelectual e político.

Os prisioneiros organizavam grupos de estudo, debates políticos e cursos informais sobre história, direito, economia e filosofia. Robben Island passou a ser conhecida pelos próprios presos como “Universidade de Mandela”.

Ao longo dos anos, sua postura firme, disciplinada e conciliadora conquistou o respeito não apenas dos companheiros de prisão, mas também de alguns guardas e funcionários do sistema penitenciário.

Durante o encarceramento, Mandela aprofundou suas reflexões sobre liderança, responsabilidade pública e reconciliação nacional, desenvolvendo uma visão política que mais tarde seria fundamental para a transição democrática sul-africana.

8. Ubuntu: A Filosofia da Humanidade Compartilhada

Uma das influências mais profundas sobre o pensamento de Mandela foi o conceito africano de Ubuntu.

Originário de diversas culturas da África Subsaariana, Ubuntu pode ser traduzido de forma aproximada pela expressão:

“Eu sou porque nós somos.”

Essa filosofia enfatiza a interdependência humana, a solidariedade coletiva e a dignidade compartilhada entre todas as pessoas.

Mandela acreditava que nenhuma sociedade poderia prosperar sustentando ódio permanente entre seus cidadãos. Para ele, a reconstrução nacional exigia o reconhecimento da humanidade comum entre vítimas e antigos opressores.

A influência do Ubuntu tornou-se evidente após sua libertação, quando rejeitou discursos de vingança e passou a defender a reconciliação como instrumento de transformação social.

Sua liderança demonstrou que a busca por justiça não precisava estar associada à destruição do adversário, mas sim à construção de uma convivência baseada no respeito mútuo.

9. A Campanha Internacional pela Libertação de Mandela

Durante os anos de prisão, Nelson Mandela tornou-se o símbolo mais conhecido da luta contra o apartheid.

Movimentos sociais, sindicatos, universidades, igrejas e organizações de direitos humanos em diversos países iniciaram campanhas exigindo sua libertação.

Nas décadas de 1970 e 1980, o isolamento internacional da África do Sul intensificou-se significativamente.

Diversos governos adotaram sanções econômicas e diplomáticas contra o regime sul-africano. Empresas multinacionais retiraram investimentos do país, enquanto artistas e atletas aderiram a boicotes culturais e esportivos.

O movimento “Free Nelson Mandela” transformou-se em uma das maiores campanhas globais de direitos humanos do século XX.

Concertos, manifestações públicas e campanhas educativas contribuíram para tornar Mandela um símbolo universal da resistência à opressão racial.

Paradoxalmente, quanto mais tempo permanecia preso, maior se tornava sua influência política e moral.

10. O Fim do Apartheid e as Negociações para a Democracia

Ao final da década de 1980, o regime do apartheid enfrentava uma grave crise.

A economia sul-africana sofria os efeitos das sanções internacionais, enquanto os conflitos internos tornavam o país cada vez mais instável.

Em 1989, Frederik Willem de Klerk assumiu a presidência e reconheceu que a manutenção do sistema segregacionista era insustentável.

Em fevereiro de 1990, o governo legalizou o Congresso Nacional Africano e anunciou a libertação de Nelson Mandela.

Após vinte e sete anos de prisão, Mandela deixou a penitenciária diante de milhões de espectadores que acompanhavam o evento pela televisão.

Sua libertação marcou o início de um complexo processo de negociação entre o governo e os movimentos de oposição.

Durante quatro anos, intensos debates políticos buscaram construir um novo modelo constitucional para o país.

Apesar da violência promovida por grupos extremistas de ambos os lados, Mandela e De Klerk mantiveram o compromisso com a solução pacífica do conflito.

Em reconhecimento aos seus esforços, ambos receberam conjuntamente o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

11. A Primeira Eleição Democrática da África do Sul

Em abril de 1994, a África do Sul realizou as primeiras eleições verdadeiramente democráticas de sua história.

Pela primeira vez, cidadãos de todas as origens raciais puderam participar do processo eleitoral em igualdade de condições.

Milhões de pessoas aguardaram durante horas em longas filas para exercer o direito ao voto.

O Congresso Nacional Africano conquistou ampla vitória, e Nelson Mandela foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul.

Sua posse, realizada em 10 de maio de 1994, foi acompanhada por líderes de todo o mundo e simbolizou o encerramento formal do regime do apartheid.

Em seu discurso inaugural, Mandela declarou que a África do Sul havia chegado a um momento histórico de reconciliação e esperança.

12. A Comissão da Verdade e Reconciliação

Uma das iniciativas mais importantes de seu governo foi a criação da Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR).

Presidida pelo Arcebispo Desmond Tutu, a comissão tinha como objetivo investigar violações de direitos humanos ocorridas durante o apartheid.

Diferentemente de modelos baseados exclusivamente na punição judicial, a comissão priorizou a revelação da verdade histórica.

Indivíduos envolvidos em crimes políticos poderiam solicitar anistia, desde que confessassem integralmente suas ações.

Milhares de vítimas e perpetradores prestaram depoimentos públicos, permitindo que o país confrontasse seu passado de violência.

Embora tenha recebido críticas de diferentes setores, a comissão é frequentemente considerada um dos mais importantes experimentos de justiça restaurativa da história contemporânea.

13. O Rugby e a Construção da Unidade Nacional

Mandela compreendia o enorme poder simbólico do esporte.

Durante décadas, o rugby havia sido associado à minoria branca africâner, enquanto a população negra frequentemente o via como símbolo do apartheid.

Em 1995, a África do Sul sediou a Copa do Mundo de Rugby.

Mandela decidiu apoiar publicamente a seleção nacional, conhecida como Springboks, incentivando toda a população a torcer pelo time.

A vitória sul-africana no torneio tornou-se um marco da reconciliação nacional.

A imagem de Mandela usando a camisa dos Springboks ao entregar o troféu ao capitão François Pienaar tornou-se uma das fotografias mais emblemáticas do século XX.

O episódio demonstrou sua capacidade de utilizar símbolos culturais para promover a unidade entre grupos historicamente divididos.

14. Os Desafios Sociais e Econômicos do Governo Mandela

Ao assumir a presidência em 1994, Nelson Mandela herdou um país profundamente marcado por séculos de desigualdade racial e décadas de segregação institucionalizada. Embora a transição política tivesse sido bem-sucedida, a realidade econômica apresentava desafios gigantescos.

Milhões de sul-africanos negros viviam em condições precárias, sem acesso adequado à moradia, saneamento básico, eletricidade, saúde e educação. O desemprego atingia níveis elevados, enquanto a distribuição de renda figurava entre as mais desiguais do mundo.

Para enfrentar essa situação, o governo lançou o Programa de Reconstrução e Desenvolvimento (Reconstruction and Development Programme – RDP), voltado para a ampliação dos serviços públicos e a melhoria das condições de vida da população historicamente marginalizada.

Entre os principais resultados alcançados durante seu governo destacam-se:

  • Construção de centenas de milhares de moradias populares;
  • Ampliação do acesso à eletricidade;
  • Expansão dos sistemas de abastecimento de água potável;
  • Fortalecimento dos serviços básicos de saúde;
  • Universalização gradual do acesso à educação primária.

Apesar dos avanços, a magnitude dos problemas estruturais limitou a velocidade das transformações. Muitos desafios sociais permaneceram presentes após o término de seu mandato, evidenciando a complexidade da herança deixada pelo apartheid.

Ainda assim, o período presidencial de Mandela consolidou as bases institucionais da nova democracia sul-africana.

15. Mandela e o Combate ao HIV/AIDS

Nos anos posteriores à presidência, Nelson Mandela voltou sua atenção para uma das maiores crises humanitárias enfrentadas pelo continente africano: a epidemia de HIV/AIDS.

Durante os anos 1990 e início dos anos 2000, a África do Sul tornou-se um dos países mais afetados pela doença. Milhões de pessoas conviviam com o vírus, enquanto o preconceito e a desinformação dificultavam o tratamento e a prevenção.

Mandela passou a utilizar sua enorme influência internacional para conscientizar governos e organizações sobre a gravidade da situação.

Em 2005, após a morte de seu filho Makgatho Mandela em decorrência de complicações relacionadas à AIDS, tomou uma atitude considerada histórica: anunciou publicamente a causa da morte.

Na época, muitas famílias evitavam falar sobre a doença devido ao estigma social. Ao expor sua própria dor pessoal, Mandela ajudou a reduzir preconceitos e incentivou o debate público sobre prevenção, tratamento e assistência aos pacientes.

Sua atuação contribuiu significativamente para ampliar a mobilização internacional em favor do combate à epidemia.

16. A Atuação Internacional Após a Presidência

Mesmo após deixar o cargo em 1999, Mandela permaneceu como uma das personalidades mais respeitadas do mundo.

Sua autoridade moral ultrapassava fronteiras nacionais, permitindo-lhe atuar como mediador em conflitos internacionais e defensor de causas humanitárias.

Participou de iniciativas voltadas para:

  • Promoção da paz;
  • Defesa dos direitos humanos;
  • Combate à pobreza;
  • Expansão do acesso à educação;
  • Proteção das crianças;
  • Fortalecimento da cooperação internacional.

Em 2007, ajudou a criar o grupo conhecido como “The Elders”, formado por líderes globais independentes comprometidos com a resolução pacífica de conflitos e a promoção da justiça social.

O grupo reuniu figuras de destaque internacional, incluindo Desmond Tutu, Jimmy Carter, Kofi Annan e Mary Robinson.

A participação de Mandela reforçou sua imagem como estadista global e defensor permanente da dignidade humana.

17. Os Últimos Anos de Vida

A partir da década de 2000, Mandela reduziu gradualmente suas atividades públicas.

Embora continuasse acompanhando questões políticas e sociais, passou a dedicar mais tempo à família e às iniciativas filantrópicas conduzidas por suas fundações.

Sua saúde tornou-se cada vez mais frágil em razão da idade avançada e das consequências físicas decorrentes dos anos de encarceramento.

Ainda assim, permaneceu uma figura admirada em todo o mundo.

Diversos chefes de Estado, organizações internacionais e instituições acadêmicas continuaram homenageando sua trajetória e reconhecendo sua contribuição para a humanidade.

Em 5 de dezembro de 2013, Nelson Mandela faleceu em sua residência em Joanesburgo, aos 95 anos de idade.

Sua morte provocou uma das maiores manifestações globais de pesar já registradas para um líder político contemporâneo. Governos, organismos internacionais, universidades e milhões de cidadãos prestaram tributo àquele que se tornara um símbolo universal da liberdade.

18. O Legado de Nelson Mandela

O legado de Nelson Mandela transcende a história da África do Sul.

Sua vida tornou-se referência para estudiosos da política, da liderança, dos direitos humanos e da resolução de conflitos.

Entre suas contribuições mais significativas destacam-se:

18.1 Defesa da Democracia

Mandela demonstrou que transições políticas podem ocorrer por meio do diálogo e da negociação, mesmo em contextos marcados por décadas de violência e exclusão.

18.2 Reconciliação Nacional

Sua capacidade de promover a coexistência pacífica entre grupos historicamente antagonizados tornou-se modelo para processos de paz em diferentes partes do mundo.

18.3 Liderança Ética

Ao optar por não permanecer indefinidamente no poder, fortaleceu a cultura democrática e demonstrou respeito às instituições republicanas.

18.4 Direitos Humanos

Sua atuação contribuiu para consolidar princípios universais relacionados à igualdade, à dignidade humana e ao combate a todas as formas de discriminação.

18.5 Inspiração Global

Mandela tornou-se símbolo de esperança para movimentos sociais, organizações humanitárias e cidadãos comprometidos com a justiça social.

Sua trajetória continua sendo estudada em escolas, universidades e centros de pesquisa em todo o mundo.

19. Nelson Mandela na Memória Histórica do Século XXI

No século XXI, Mandela passou a ocupar posição semelhante à de outras grandes personalidades históricas que simbolizam valores universais.

Sua imagem é frequentemente associada a líderes como Mahatma Gandhi, Martin Luther King Jr. e Desmond Tutu.

Em 2009, a Organização das Nações Unidas instituiu oficialmente o Dia Internacional de Nelson Mandela, celebrado em 18 de julho.

A data incentiva indivíduos de todas as nacionalidades a dedicarem parte de seu tempo a atividades de interesse comunitário, promovendo os valores defendidos por Mandela ao longo de sua vida.

Museus, centros culturais, fundações e programas educacionais continuam preservando sua memória e difundindo seus ensinamentos para novas gerações.

Mais do que um líder político, Mandela tornou-se um patrimônio moral da humanidade.

Conclusão

Nelson Rolihlahla Mandela foi uma das figuras mais extraordinárias da história contemporânea. Sua trajetória representa a luta permanente contra a injustiça, a discriminação e a opressão institucionalizada.

Nascido em uma sociedade marcada pela segregação racial, transformou-se em líder de um movimento que alteraria profundamente o destino de uma nação. Sua resistência ao apartheid custou-lhe vinte e sete anos de liberdade, mas jamais destruiu sua convicção de que a igualdade e a dignidade humana deveriam prevalecer.

Ao deixar a prisão, Mandela poderia ter escolhido o caminho da vingança. Em vez disso, optou pela reconciliação nacional, demonstrando uma capacidade rara de liderança moral e visão estratégica.

Seu governo lançou as bases da democracia sul-africana e promoveu a integração de uma sociedade profundamente dividida. Mais importante ainda, mostrou ao mundo que a construção da paz exige coragem, generosidade e compromisso com valores universais.

Seu legado permanece vivo não apenas nas instituições democráticas da África do Sul, mas também na consciência coletiva da humanidade. A história de Nelson Mandela continua inspirando líderes, pesquisadores e cidadãos a acreditarem que mudanças profundas podem ser alcançadas por meio da perseverança, do diálogo e da defesa intransigente da dignidade humana.

Dessa forma, Nelson Mandela não deve ser lembrado apenas como o homem que ajudou a derrubar o apartheid, mas como um dos maiores defensores da liberdade, da justiça e dos direitos humanos de todos os tempos.

Referências Bibliográficas

BARBER, James. Mandela’s World: The International Dimension of South Africa’s Political Revolution, 1990–1999. Athens: Ohio University Press, 2004.

BUNTMAN, Fran. Robben Island and Prisoner Resistance to Apartheid. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

JOHNS, Sheridan; DAVIS JR., R. Hunt. Mandela, Tambo and the African National Congress: The Struggle Against Apartheid, 1948–1990. New York: Oxford University Press, 1991.

KROG, Antjie. Country of My Skull. New York: Random House, 1998.

LODGE, Tom. Mandela: uma vida. São Paulo: Globo, 2007.

LODGE, Tom. Mandela: A Critical Life. Oxford: Oxford University Press, 2006.

MANDELA, Nelson. Longo caminho para a liberdade: a autobiografia de Nelson Mandela. Rio de Janeiro: Pallas, 2012.

MEER, Fatima. Higher Than Hope: The Authorized Biography of Nelson Mandela. New York: HarperCollins, 1990.

MEREDITH, Martin. Mandela: uma biografia. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

O’MALLEY, Padraig. Shades of Difference: Mac Maharaj and the Struggle for South Africa. New York: Viking, 2007.

SAMPSON, Anthony. Mandela: a biografia autorizada. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

SOUTH AFRICAN HISTORY ONLINE. Nelson Rolihlahla Mandela (1918–2013). Johannesburg: SAHO, diversos anos.

SPARKS, Allister. A mente da África do Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

STENGEL, Richard. Os caminhos de Mandela: lições de vida, amor e coragem. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2010.

THE NELSON MANDELA FOUNDATION. Nelson Mandela Biography. Johannesburg: Nelson Mandela Foundation, diversos anos.

TUTU, Desmond. Não há futuro sem perdão. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.

UNITED NATIONS. Nelson Mandela International Day. New York: United Nations, diversos anos.

WALDMEIR, Patti. Anatomy of a Miracle: The End of Apartheid and the Birth of the New South Africa. London: Penguin Books, 1997.

BOEHMER, Elleke. Nelson Mandela: A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2008.

CARLIN, John. Playing the Enemy: Nelson Mandela and the Game That Made a Nation. New York: Penguin Books, 2008.

LIEBENBERG, Ian; SPENCE, Janet; VAN WYK, André (org.). The Long March: The Story of the Struggle for Liberation in South Africa. Pretoria: HAUM, 1994.

MAGUBANE, Bernard M. The Making of a Racist State: British Imperialism and the Union of South Africa, 1875–1910. Trenton: Africa World Press, 1996.

THOMPSON, Leonard. A History of South Africa. 4. ed. New Haven: Yale University Press, 2014.

Alexandre Rurikovich Carvalho

Voltar

Facebook




Pilares da sociedade

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Pilares da sociedade: Liberdade. Democracia. Cidadania. Cultura’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem criada por IA no Bing - 31 de março de 2025, às 08:11 PM
Imagem criada por IA no Bing – 31 de março de 2025,
às 08:11 PM

O primeiro pilar, autêntico baluarte da dignidade humana, valor essencial à vida do homem, desde sempre conhecido e nem sempre respeitado, pode-se designar por Liberdade, porque isto mesmo é reconhecido nos diversos tratados internacionais e nas Constituições Políticas nacionais, sob a fórmula: “Todos os homens nascem livres e iguais”

A Liberdade é, então, um valor insubstituível e objetivo: ou se tem e se usa, responsavelmente; ou não se tem, porque alguém, prepotente e humilhantemente, impede que dela se faça uso. A Liberdade é sempre definida a partir de um objetivo que se lhe segue, sob a forma adjetivada de: liberdade pessoal, liberdade política, liberdade de expressão, liberdade religiosa e muitas outras formas de liberdade. 

O segundo pilar ou valor que importa melhorar, aprofundar e consolidar é a Democracia, com todos os seus princípios, regras e valores, indissociável da liberdade, da cidadania e da religião. A democracia, enquanto instrumento político de liberdade, de escolha do povo para o governo das comunidades e do mundo, e que, levada a uma análise mais abrangente, e simples, se conceptualizaria como: o governo do povo, pelo povo, para o povo e com o povo. 

A dificuldade em consensualizar um conceito universal de democracia é, por enquanto, uma realidade que não se consegue escamotear, todavia, é possível admitir alguma anuência, no que respeita à sua estirpe popular.

Um terceiro pilar na construção de um novo cidadão, para uma jovem sociedade, mais humana, mais justa e mais solidária, fundada na cultura dos valores cívicos, a partir de uma formação personalista e humanista, promovida pela família, pela escola, pela Igreja, pela comunidade e pela comunicação social responsável, é erigido pela Cidadania, na perspectiva da liberdade responsabilizante, de cada cidadão assumir os seus deveres e exercer os seus direitos, no respeito integral por iguais compromissos e benefícios dos seus semelhantes. 

A preparação do homem moderno, para se construir uma sociedade mais tolerante, solidária e humana, não sendo assim tão difícil é, todavia, complexa, enquanto, nem sempre os valores em confronto são comungados pelas diversas culturas, porque, mesmo nacionalmente, existem diferenças culturais que não se podem ignorar, e que perante as quais, é necessário tomar posição, rejeitando-se, à partida, qualquer tipo de etnocentrismo, xenofobia e outros preconceitos extremistas.

Uma atitude intercultural, na perspectiva da interdisciplinaridade cultural, visando o intercâmbio de culturas, enriquecendo-as reciprocamente, é, seguramente, a posição intelectual e antropológica mais favorável e que, possivelmente, melhores resultados produzirá a curto prazo. 

O homem valoriza-se, porque a cultura é um processo que se concretiza como um produto do espírito humano, numa como que superformação do caráter, de resto, já há mais de dois mil anos, que a cultura era para os gregos, a “aristocracia do espírito”. É, por isso mesmo, bastante difícil definir a cultura, porque a sua complexidade não permite uma delimitação, que qualquer definição impõe. 

Logo nos primórdios da sua história, os portugueses tornaram-se num povo de imenso manancial psicológico enquanto, em boa verdade, eles adaptaram-se a todas as situações, sem que dessa natureza resultasse qualquer perda de caráter, qualquer quebra de nacionalismo e, por isso, o português vive no estrangeiro, adaptando-se às normas de trabalho, à língua, inclusive, a certos costumes. 

Trabalhar, diariamente, com pessoas de escalão etário diferente, na circunstância, superior, com longa experiência e escolaridade elevada, implica por parte do líder, e até dos colegas, alguma deferência, não necessariamente discriminação negativa, e/ou positiva, em relação aos mais novos, mas, no mínimo, um tratamento respeitoso, comprometido, de seriedade de palavra. 

O líder: tem de dar bons exemplos aos seguidores; tem de ser justo, leal, transparente, honesto; não exigir para além das capacidades de cada um e, muito menos, para lá de um clausulado escrito, assumido e assinado pelas partes. Em nenhuma circunstância o líder deverá utilizar a chantagem, a ameaça e a pressão, baseadas em contextos pontuais: de mercado de trabalho, idade e quaisquer outras que, quantas vezes, até são ofensivas para o colaborador. 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

Voltar

Facebook




Democracia comunista

Marcelo Paiva Pereira: ‘Democracia comunista’

Marcelo Paiva Pereira
Marcelo Paiva Pereira
Imagem gerada pela IA do Bing -  9 de setembro de 2024 às 4:45 AM
Imagem gerada pela IA do Bing –  9 de setembro de 2024 às 4:45 AM

Notícias divulgadas na internet e nos telejornais tem informado que o governo da Venezuela revogou, aos 7 de setembro, a autorização concedida ao governo brasileiro para assumir a custódia da Embaixada da Argentina em Caracas (capital venezuelana), na qual estão seis opositores ao governo de Maduro, notoriamente comunista.

A decisão do governo daquele país foi em razão do surgimento de (supostas) provas de que, naquelas dependências, havia ‘atividades terroristas’ e ‘tentativas de homicídio contra o presidente Nicolás Maduro e a vice Delcy Rodriguez. Fundamentaram-na os preceitos de justiça do País e as Convenções de Viena, sem outros esclarecimentos.

Desde o dia anterior, mencionada Embaixada encontra-se cercada por duas patrulhas da Agência de Inteligência (Sebin) e outras duas da Polícia Nacional Bolivariana (PNB), além de haver um posto de controle instalado nos arredores por agentes do governo de Maduro, com a finalidade de verificar a identidade dos transeuntes.

O local está sob a custódia do Brasil desde o início de agosto, quando o governo da Venezuela expulsou do país o embaixador argentino após o presidente argentino Javier Milei ter afirmado que foram fraudadas as eleições de julho, em que Maduro foi reeleito presidente.

Contra esse impasse diplomático o governo argentino pediu, ao procurador do Tribunal Penal Internacional, solicitar uma ordem de prisão contra Nicolás Maduro e outros líderes venezuelanos. O governo brasileiro, por sua vez, informou que somente deixará a custódia da Embaixada da Argentina após o governo da Venezuela determinar outro país para custodiá-la.

Referido impasse diplomático que envolveu a Argentina e o Brasil contra a Venezuela mostra a verdadeira imagem do regime político (ou de governo) lá existente. Em vez de democracia, exerce a autocracia (ditadura), sem espaço para as liberdades individuais (inclusive políticas).

O comunismo é um modelo econômico de distribuição de riqueza em que a distribui ao povo sem distinção de classes sociais e as iguala pelo mesmo padrão econômico, assim tornando-os comuns uns aos outros. Os direitos individuais são limitados – até mesmo tolhidos – em benefício dos direitos sociais e da tutela do bem comum praticada pelo Estado.

Sem a tutela dos direitos individuais desaparece a democracia e surge a ditadura, mascarada de revolução popular (ou bolivariana, como aconteceu na Venezuela), na qual os líderes controlam o povo conforme os interesses do Estado e não mais conforme a vontade popular. Esta é a democracia comunista que ocorre na Venezuela, um país sem garantias às liberdades individuais (e políticas) e sem segurança jurídica contra a opressão do Estado ao povo e aos opositores do governo.

Conclusivamente, o comunismo se opõe à democracia por faltar a liberdade individual. Sem esta o Estado se torna injusto, por reduzir os indivíduos ao controle da vontade estatal. Este é o exemplo dado atualmente pela Venezuela, sob o governo de Nicolás Maduro, cujas condutas políticas desde julho de 2024 têm sido contestadas pelos governos de vários países da América do Sul, da Europa, dos Estados Unidos da América e pela ONU. Nada a mais.

Marcelo Augusto Paiva Pereira

Contatos com o autor




Boas práticas democrático-educativas na cidadania lusófona

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo:

‘Boas práticas democrático-educativas na cidadania lusófona’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo

O mundo moderno, que se pretende civilizado e democrático, quaisquer que sejam os instrumentos constitucionais em que uma determinada sociedade se constitua, tolera cada vez menos as práticas ditatoriais e, nesse sentido, implementará medidas educativas, formativas e cívicas que, gradualmente, incutam um novo conceito de cidadania.

Será pela educação, em contexto escolar, que se desenvolvem as metodologias que visam direcionar o cidadão para determinados princípios, valores e comportamentos. Formar para a cidadania é, certamente, uma preocupação da sociedade atual que, independentemente dos contributos individuais, espera da escola, na qual confia, as respostas adequadas.

Construir um projeto educativo, à medida de determinadas vocações, é um objetivo nobre que não só dignifica a instituição escolar, como enriquece todos os intervenientes na iniciativa, sejam educadores-formadores, sejam educandos-formandos, bem como qualquer outro pessoal fora do contexto escolar, mas que sinta o chamamento vocacional para uma área da intervenção educativa. 

Nesta linha de orientação, o perfil do cidadão que se pretende para os novos tempos que se avizinham, será o de um interventor decisivo na elaboração, desenvolvimento prático e validação do projeto vocacional, para o que, indiscutivelmente, carece de uma orientação credível e ao longo da vida, a qual será prestada por instituições escolares, dos vários níveis do ensino/aprendizagem e formação.

Todo e qualquer projeto que ignora determinadas situações, culturas, meios disponíveis e a adesão responsável por parte dos futuros intervenientes, poderá estar condenado ao fracasso e, uma eventual reformulação pode criar resistências e suspeições. O património civilizacional dos povos gera nestes um sentimento nacionalista, de orgulho histórico-cultural e até etnocêntrico que é necessário saber compreender e valorizar no enquadramento multicultural. Por isso a envolvência da família é fundamental.

Ao novo cidadão que se deseja para este século XXI, deve ser-lhe concedida a oportunidade de exercer a liberdade e autonomia nas diversas atividades que, responsavelmente, vai exercendo ao longo da sua vida, sem qualquer prejuízo ou benefício por razões de estatuto social, político, económico ou académico. Capacidades latentes encontram-se nos vários escalões etários e socioprofissionais e, quando os seus titulares pretendem colocá-las em prática, de uma forma legal e legítima, devem ser apoiados, por quem tem o poder institucional para os apreciar e avaliar. 

O autor nuclear que está na origem do presente trabalho, Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846), cujas vida e obra para a problemática dos Direitos Humanos, contínua, através do pensamento que nos legou, bem vivo e citado ao nível do estudo das relações luso-brasileiras e, também, no que concerne à elaboração das normas constitucionais dos dois países irmãos.

A caminhada de aproximadamente quinhentos anos de História comum, Brasil-Portugal, comungando a mesma língua, permitiu aos dois povos envolverem-se numa cumplicidade de ideais, essencialmente ao nível do povo anónimo. Um certo companheirismo também esteve presente ao longo do percurso histórico. 

Na etapa final desta longa e, por vezes, atribulada corrida, surgiria, justamente, o filósofo, o publicista, o diplomata, o professor e o político que foi Silvestre Pinheiro Ferreira, cujos direitos naturais ou absolutos por ele defendidos, o povo brasileiro verteu para a sua constituição política de 25 de março de 1824, conforme preceitua o seu artigo 179º: «A inviolabilidade dos direitos civis e políticos dos cidadãos brasileiros, que têm por base a liberdade, a segurança e a propriedade é garantida pela Constituição do Império…» e, na atual Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de Outubro de 1988, o artigo 5º estipula: «Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.» 

Bibliografia

CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO BRASIL DE 25 DE MARÇO DE 1824

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL (CF/88), in: LOPES, Maurício António Ribeiro (Coord.), (1999), 4ª. Ed., revista e atualizada, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 

CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DA MONARQUIA PORTUGUESA (1838), in: Diário do Governo Nº 98 de 24 de abril de 1838 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

Contatos com o autor

Voltar




Conceição Maciel: 'Movimento Literário de Conscientização Social (MLCS)'

Conceição Maciel

Movimento Literário de Conscientização Social (MLCS)

O Movimento Literário de Conscientização Social (MLCS) foi idealizado pela escritora Conceição Maciel e surgiu a partir das observações das inúmeras problemáticas vivenciadas pela sociedade. Com um olhar sempre atento, muitas vezes crítico, surgiu a ideia de juntar escritores e poetas para expressarem através das suas letras as suas concepções acerca dos problemas vigentes da sociedade.

O primeiro momento coincidiu com o dia da árvore, então falou-se da sua importância para as pessoas, para o meio ambiente e para o mundo; no segundo momento os autores voltaram-se para o universo infantil, para as verdades, as dificuldades, os direitos e deveres, o seu mundo de sonhos, encantos e brincadeiras, que, no entanto, se defronta com uma dura realidade: a violência, a falta de proteção, carinho e afeto até mesmo por parte daqueles que lhe devem a obrigação do respeito e amor incondicionais; sendo assim, de posse desse desafio foram muitas as manifestações reflexivas, poéticas e também que levaram a lembrar de momentos queridos de uma fase tão bela da vida.

O terceiro momento do Movimento Literário de Conscientização Social (MLCS)
convocou novamente os escritores que, dessa vez, falaram sobre a Democracia, que é o regime político vigente no Brasil, no qual suas principais características primam pela igualdade, a liberdade e o Estado de direito, e tais princípios são vistos quando cada cidadão tem o acesso livre e igualitário aos processos eleitorais e o livre arbítrio sobre as suas ações desde que elas levem em consideração o respeito ao próximo.

Os autores participantes desse terceiro momento do MLCS, que também encerra o projeto para este ano, foram:

Antonio Cazumbá, Antônio Francisco Pereira, Bertin Di Carmelita, Carlos Pereira da Silva, Conceição Maciel (idealizadora do projeto), Efrem Regina António, Elza Melo, Geovania de Jesus, Gonzaga Neto, Jandira Ribeiro Leite, José Luiz Jesus, Karine Dias Oliveira, María Crescencia Capalbo, Marcos Pontal, Mafala Ya Mbumba, Nilde Serejo, Paulo Vasconcellos, Raimundo Ramos, Rosene Cartagenes, Samanta Aquino, Suely Saad, Tânia Castro.

Saudações e esperamos contar com a participação de todos no ano vindouro. Saudações. Até o novo ano!

Conceição Maciel

con.maciel@hotmail.com

 

 

 

 

 

 




Sônyah Moreira: 'A decrepitude da democracia!'

Sônyah Moreira:

‘A DECREPITUDE DA DEMOCRACIA’

 

“Exercer o poder corrompe, submeter-se ao poder degrada”

(Mikhail Aleksandrovitch Bakunin, pensador russo – (1814-1876)

 

Do  grego demos “povo” e kratos “autoridade”, surgiu na antiga Grécia a “Democracia”.

Segundo o dicionário Aurélio, é o governo do povo, para o povo, pelo povo! Aristóteles, filósofo grego, do século V a.C., chamou demokratia, (democracia) de injusta,  e de  justa a (politeia) república, que seria uma democracia representativa.

Alguns  fundadores dos EUA usaram de forma parecida, segundo eles,  a  “república” que seria uma democracia representativa sendo a única maneira capaz de proteger os direitos do cidadão. De acordo com eles a “democracia direta seria  sinônimo de   tirania e injustiça”.

Para os comunistas, a democracia não é democrática, visto que a classe dominante é que exerce o poder; segundo eles, somente o socialismo contemplaria a verdadeira democracia.

Ao aprofundar nossa pesquisa,  nos deparamos com incoerências na forma do  uso deste  e de outros modelos de governo existentes  pelo mundo.

Algumas características da democracia estão sendo aos poucos modificadas; segue alguns exemplos:

1- “Igualdade perante a lei, sem distinção de sexo, credo, raça”. Atualmente o que temos assistido nos noticiários de nossa republica democrática, deixa claro que não há igualdade; qualquer um de nós, meros mortais, com um terço das provas, (malas, áudios, vídeos e alguns depósitos bancários no exterior) já estaríamos vendo o sol nascer quadrado.

2-“Direito ao voto”. Que direito? Somos obrigados a votar, mesmo que sem  candidatos confiáveis, o direito ao magnífico voto é obrigatório; este item, em especial, nada mais é que  um resquício da ditadura.

3-“Liberdade individual”. Onde? Estamos cada vez mais aprisionados em nossas casas, cercadas por grades e cercas elétricas. Diante da desigualdade social que assola nosso país, e que conseqüentemente aumenta a violência!

4-“Educação”. De berço, nem pensar; de intelecto, muito menos!

5-“Direito ao livre exercício de trabalho e profissão”. Com 13 milhões de desempregados? Melhor pular  esta parte!

A decrepitude da democracia  está às portas da falência múltipla de todos os órgãos. Falta-nos apenas a morte cerebral para constatar o óbito. A democracia subiu no telhado!

O  que o povo precisa, urgente, é ter consciência política cotidianamente, não somente em dia de eleição e em campanhas eleitorais.

Somente assim nossa democracia capenga poderá melhorar e,  quem sabe, sair da UTI  em que se encontra.

Os políticos somente valorizam o voto na época em que o poder está em nossas mãos; todavia, alguns o vendem por mil réis.

Democracia! O povo com a autoridade! Descrita  pela  constituição! Apesar de  ser um direito obrigatório. Este mesmo povo obrigado a votar,  deveriam  se posicionar de maneira a buscar sabedoria para exercer tal  poder, e delegá-lo com extrema responsabilidade.

Nossa democracia está decrépita, talvez por falta de pensadores e filósofos que pudessem  remodelar o estado. Quem dera surgisse entre a plebe um Clístenes, (565 a.c – 492 a.C), considerado um dos pais da democracia, para de novo reformar e, quem sabe, criar um novo modelo de governar.

Podemos sonhar com mudanças, entretanto, somente  com a volta de valores morais e éticos, para se ter uma verdadeira democracia.

Os  políticos eleitos, com responsabilidade e sabedoria,  deveriam  começar a cumprir seu dever, honrar sua palavra, tão somente com um  fio do bigode!

Decrepitude da democracia, feita por políticos, em sua maioria,  decrépitos, senhores sexagenários e  septuagenários,   e  sem nenhuma vergonha na cara!

Estou pensando seriamente em aderir à ideologia anarquista! Sem hierarquia e nenhum tipo de dominação. Porém, este é um assunto  para uma próxima crônica!

 

Sônyah Moreira –   sonyah.moreira@gmail.com




Celso Lungaretti: "O tempo das tergiversações, das papas na língua e dos panos quentes acabou'

CELSO LUNGARETTI:  6º CONGRESSO DO PT: EM BUSCA DA OUSADIA PERDIDA

Eis o que dizia o Partido dos Trabalhadores no seu manifesto de fundação, datado de 10 de fevereiro de 1980:

Os trabalhadores querem a independência nacional. Entendem que a Nação é o povo e, por isso, sabem que o país só será efetivamente independente quando o Estado for dirigido pelas massas trabalhadoras. É preciso que o Estado se torne a expressão da sociedade, o que só será possível quando se criarem condições de livre intervenção dos trabalhadores nas decisões dos seus rumos. Por isso, o PT pretende chegar ao governo e à direção do Estado para realizar uma política democrática, do ponto de vista dos trabalhadores, tanto no plano econômico quanto no plano social. O PT buscará conquistar a liberdade para que o povo possa construir uma sociedade igualitária, onde não haja explorados nem exploradores. O PT manifesta sua solidariedade à luta de todas as massas oprimidas do mundo.  Cartaz do PT em 1980. Onde foi parar esta ousadia?

O texto atual é bem mais cauteloso

Eis o 13º e último dos pontos para mudar o PT alinhavados pelo vice-presidente do partido, deputado estadual Paulo Teixeira (SP), como propostas para serem discutidas no próximo congresso nacional petista, marcado para o início de junho:

Retomar o caminho republicano inspirado nos valores do socialismo democrático, fundados na igualdade, no controle público democrático do Estado e no pluralismo! A renovação programática do PT não pode temer a palavra socialismo, que deve andar junto com a palavra democracia. A atualização do programa do PT que ocorrerá no 6º Congresso precisa compreender que é tempo de enfrentar o fascismo com força, mas sem repetir os erros de conciliação que nos trouxeram até aqui. (…) O capitalismo deu errado: oito homens possuem a mesma riqueza que a metade mais pobre da população. Os índices de desigualdade social no mundo são parecidos com os do início do século XX, que gerou duas Guerras Mundiais e milhões de mortos. O PT precisa combater esse sistema desigual e através do socialismo e da democracia encontrar novos marcos programáticos para o futuro do país e do mundo.

Resumo da opereta:

— o PT praticou vergonhosamente a política de conciliação de classes durante os 13 anos e 4 meses durante os quais a burguesia lhe concedeu permissão para gerenciar o capitalismo brasileiro;
— agora que os poderosos dispensaram sua colaboração com um pontapé nos fundilhos, deverá discutir uma retomada das bandeiras anticapitalistas, o que seria seu primeiro passo na direção certa em muitos e muitos anos.

Espero, contudo, que o faça com verdadeira disposição de luta, expressa num discurso muito mais afirmativo do que este que vocês leem acima.
Alguém ousa dizê-lo em reunião do PT?

O redator estava visivelmente pisando em ovos, como que pedindo desculpas pela mudança de rumo proposta e fazendo questão de escrever democracia cada vez que escrevia socialismo, qual uma atenuante obrigatória. [Antigamente tínhamos total clareza quanto ao fato de que a democracia de uma sociedade de classes jamais será uma verdadeira democracia e não hesitávamos em proclamar esta verdade em alto e bom som, utilizando sempre a expressão democracia burguesa…]

Isto para não falar na patética menção ao caminho republicano, que faria o PT continuar patinando sem sair do lugar até o final dos tempos. Salta aos olhos e clama aos céus que o caminho a ser retomado é o revolucionário!
Ou seja, o parágrafo de 2017 é muito pior que o de 37 anos atrás, embora melhor do que a prática recente do PT. Mas, se quiser recuperar a credibilidade, o partido terá de curar-se dessa paúra crônica de dizer algo que possa assustar os pequenos e grandes burgueses.

Ficou meio hilária, p. ex., a recomendação aos companheiros, de que deixem de temer a palavra socialismo, como se fosse a única palavra deletada do dicionário petista. E revolução? E marxismo? E anarquismo? E comunismo? E a expressão marxista exploração do homem pelo homem? E a frase lapidar de Prodhon, a propriedade é o roubo?

Torço para que os companheiros petistas  se deem conta de que o tempo das tergiversações, das papas na língua e dos panos quentes acabou. Ou reencontram a ousadia perdida ou serão varridos do mapa pelos novos ousados. É simples assim.
.

OUTROS POSTS RECENTES DO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA (clique p/ abrir):.
GUIMARÃES CONTA COMO A POLÍCIA FEDERAL INVADIU SEU APÊ E O CONDUZIU COERCITIVAMENTE PARA DEPOR
ENQUANTO AS FERAS DO TITE APLICAVAM UM CHOCOLATE NO URUGUAI, A MÁFIA DA CBF DAVA UM GOLPE NOS NOSSOS CLUBES!
A TENDÊNCIA É TODOS OS SUJOS, UNIDOS NUM SÓ BLOCO, ESVAZIAREM A LAVA-JATO.
A HIPOCRISIA DA CORRUPÇÃO CONSENTIDA E O CORRETO (MAS SUB-REPTÍCIO) COMBATE À CORRUPÇÃO CRIMINALIZADA
MÚSICOS E CANÇÕES QUE ILUMINARAM A MINHA VIDA (parte 2)
MÚSICOS E CANÇÕES QUE ILUMINARAM A MINHA VIDA (parte 1)
ATRAÇÕES DO HALLOWEEN ANTECIPADO: O OGRO BOLSONARO, O XOU DA BRUXA E OS EMPRESÁRIOS VAMPIROS.
DALTON ROSADO: AS 15 VOZES MAIS REPRESENTATIVAS DA MPB.
DALTON ROSADO INDICA OS 15 MELHORES CANTORES DE MPB E SUAS CANÇÕES MAIS MARCANTES