Possibilidades

Ella Dominici: Poema ‘Possibilidades’

Ella Dominici
Ella Dominici
https://chatgpt.com/s/m_6a7f362b37248191904a362613d5d614

Em fragmentos de mim eu conto
decepções rasgos despedidas
peças de encaixe perdidas desmonto

entremeio de rendas, vazados deixados
tempo as ruiu abrindo frestas
entre realidades e sonhos

desejos em contestações
estrelas apagadas de íntimas
constelações

atenuando a destruição de prazeres
não da carne nem dos pensares
mas do humano ímpeto de vida

com bálsamo para as perdas
jardim de jasmim com pragas
escolho mudar grãos desatentos

as fendas foram oportunidades
ao olhar em fértil amadurecimento
à vislumbrar miragens e paisagens

fé latente que se fortalece
esquece vultos determina vida
transcende mágoas desistências

não desfalece faz-se resiliência
natureza é voz de Deus audível
vista no vicejar das estações

frio se reveza em frutos calores flores
e o improvável crendo é possível
retomar sem angústia ou pressa

com liberdade dos passos descalços
num deleite em paz de pássaros
que abrange o inteiro no voejar
não deixa que a vida pela metade seja

Ella Dominici

Voltar

Facebook




A gente não sabia

Evani Rocha: Poema ‘A gente não sabia’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem gerada por IA do Gencraft – 04 de junho de 2025,
às 08:00 PM

A vida era boa
E a gente não sabia
A gente não sabia que crescer doía
Que faltariam os sorrisos
Que haveria dias cinzas
E noites insones

A gente não sabia que não saberia
Dos segredos escondidos
Das conversas veladas
Sobre tudo ou sobre nada

A gente não sabia que doía o fim
O adeus, as despedidas
A última taça vencida
A crueldade do ego
As incertezas
Do amanhã
O vazio
Por dentro

A vida era boa
Mas a gente não sabia
Só queria crescer, vencer,
Mudar de casa, de cidade
Cortar os cabelos
E comprar
Um jeans

A gente só queria ser feliz
Feito gente grande
Sorriso no rosto
E roupas novas
Sem medos,
Sem regras
Todo dia
Festa

Todo dia…
Todo dia…

A gente não sabia!

Evani Rocha

Voltar

Facebook




A hora do pôr do sol

Ceiça Rocha Cruz: Poema ‘A hora do pôr do sol’

Ceiça Rocha Cruz
Ceiça Rocha Cruz
"A tarde fenece. O céu descreve órbitas, acende nos olhos crepusculares os mistérios da tarde"
“A tarde fenece. O céu descreve órbitas, acende nos olhos crepusculares os mistérios da tarde

A tarde fenece.
O céu descreve órbitas,
acende nos olhos crepusculares
os mistérios
da tarde.

Na infecunda solitude do tempo,
palavras de adeus,
acenos,
brancos lenços,
despedidas.

Na sombra taciturna
da rua deserta e silenciosa
olhos saudosos desenhados de lágrimas,
saudade incontida,
solidão,
lágrimas.

Na penumbra do ocaso,
e, numa sombra muito fugaz
a tua partida.
Sonhos perdem-se
no vento do teu voo
e em versos descrevem
nas laudas da poesia do tempo.

A vida passa breve, breve…
E, como tudo no fim da tarde
se retrata,
viajo na doce voz do pensamento,
no limiar do pôr do sol.

Ceiça Rocha Cruz

Contatos com a autora

Voltar: http://www.jornalrol.com.br

Facebook: https://facebook.com/JCulturalRol/




Sônyah Moreira: 'A despedida'

Normalmente não gostamos de despedidas, porém, existe a necessidade enorme em dizer adeus. Por que será? Estranho perceber a falta que faz quando não conseguimos nos despedir adequadamente de alguém, parece que fica um vazio imenso.”

 

Normalmente não gostamos de despedidas, porém, existe a necessidade enorme em dizer adeus. Por que será?

Estranho perceber a falta que faz quando não conseguimos nos despedir adequadamente de alguém, parece que fica um vazio imenso.

O que será que é uma despedida adequada? Sei lá! Digamos que, no fundo, sentimos algo diferente, sem querer nos apressamos em fazer coisas, antecipar acontecimentos, talvez isso seja o tão falado “sexto sentido”.

O início da viagem não é de nossa escolha, assim como seu término, somos embarcados, quem sabe até à revelia, o fato é que, de uma maneira simplista vamos acostumando com a viagem, e, a bem da verdade, não queremos mais  deixar de viajar.

Esquecemos inteiramente que a qualquer momento chegaremos ao final da jornada, seguimos a viagem às vezes como tripulantes, outras como passageiros, sem preocupação da chegada ao destino.

Pelo caminho, encontramos muitos companheiros, alguns por herança, outros por escolha, porém, viajantes como nós, alguns com uma afinidade difícil de explicar, aquela amizade que nasce do convívio, da conquista.

A despedida, essa  vai sendo sempre adiada, deixamos muitas coisas para amanhã, como se nossa viagem fosse infinita!

Algo dentro de nós toca como um sino e, às vezes, não nos incomoda, outras fazem com que nos aceleremos, quase inconscientemente, corremos, aceleramos o passo, pulamos etapas ou até nos superamos.

De repente, talvez a criação tenha nos poupado de certa forma, impossibilitando saber quando e como chegará o final de nossa viagem. Pode ser que nossa capacidade não alcance a magnitude do destino de nossa jornada.

Não nos despedimos, perdemos tempo, deixamos pra amanhã, e aquele companheiro de jornada querido, se foi!

Partilhar uma viagem é sempre prazeroso ou não, todavia, a jornada tem diversas datas para início e final.

O meio de transporte é a vida: vivemos, corremos, brigamos, amamos, odiamos e, numa fração de segundos, isso tudo não tem mais importância, a viagem chegou ao final.

Que em nossa jornada possamos fazer mais amigos por escolha do  que por herança.

Bem que,  no bilhete de embarque, poderia  constar um lembrete, dizendo algo do tipo: “Despedidas devem ser diárias!”

Dizer adeus é sempre dolorido, porém, necessário em toda viagem!

Adeus! Quem sabe, lá na plataforma de desembarque, possa se ouvir, em forma de ecos,  os adeuses perdidos pela vida!

 

Sônyah Moreira –  sonyah.moreira@gmail.com