Lino RenandImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/a47f0e2603cd4f04?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
Me confronto con la hoja, socavada por ortigas punzantes. Las intermitencias de la brillantez secuelas dejan al recuerdo. He olvidado el sistema paleolítico de supervivencia. No sé como guardar las simientes de mi sino. Cae como loza sobre mí el contrapeso de mi miseria. Es acre vegetación que crece en inaccesibles cimas de pena. Pararrayos malévolo el tesón olvidado en cualquier rincón. No tengo tiempo para la paciencia. Parmesano country, lejía en un sitio arrabal. La señal es raíz del campo arbitrario. Ahogas lo nítido en el cristal de un fulgor. La semántica es hiedra de los muros. Torcemos las carreteras hasta distorsionarlas en el espacio-tiempo. No puedo subirte a mi palanquín y llevarte al límite de los marginados. Las murallas tiemblan ante la Auriga. Tu fuste arranca pedazos de piel a mi espalda. Asfixia. Las escalinatas se mantienen vivas ante la bruma. La brújula polar sangra. Y las estrellas todas titilan como antorchas. Relinchan las piras singulares de brizna. El tizne de los gansos arponea las ballenas del ártico cada segundo. Tibias copas mueren en la nube gris. Los copos de nieve arrecian la tempestad del invierno. Con una piedra rompes el yelmo y atónito caigo al ombligo. La verja separa a los que no pretender saltar y prescindir de ella. Desato el cíngulo del tiempo. La Osa Mayor confabula juegos salvajes contra el poeta. Ermitas duermen y duelen en la piel. La cornisa es lo último que queda al hundir los pies en la tinta. Fíbulas de soledad. El fin solo llega, cuando la oropéndola grazna cual gallo, allá donde la letra fenece.
Jacob Kapingala: Poema ‘Um pouco da nossa alegria’
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Extinguir o bem do coração, É o pior que se pode fazer. Embora os dias sejam de aflição, Há que se ter amor pra viver.
O futuro não se pode apressar. Viver é ter calma e ver onde se põe o coração. Pois apesar de tudo que nos faz chorar, Há sempre um fim para a desolação.
Não precisa gritar para ser ouvido. As palavras sabem muito bem chegar ao seu destino. E mesmo que o caminho seja tão temido, Siga como um bom peregrino.
O hoje deve ser sempre bem-vindo, Tal como se deseja o raiar do dia. E caso a luz não nos esteja sorrindo, Então, que sejamos nós a dar-lhe um pouco da nossa alegria.
Jacob Kapingala
Jacob Kapingala
Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.
É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.
Teve o desejo de colocar no papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.
É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.
O cheiro do lixo misturava-se com o da roupa húmida, do peixe podre e da lenha mal queimada, um caldo de miséria que o ar se recusava a dispersar, talvez por pena, talvez por costume, e o bairro inteiro respirava aquilo como quem já não sabe distinguir o que é fora e o que é dentro, porque há muito o ar das pessoas se parece com o ar das ruas.
As moscas faziam carreira entre os sacos plásticos rasgados, pousavam no tomate esmagado, na xima fria, na pele dos que dormem de barriga vazia, e voltavam a voar, incansáveis, como se também tivessem fome e destino.
O chão, esse, era barro vermelho, cacos, e cada passo nu deixava atrás de si um rasto de lama e sobrevivência, que é o mesmo que dizer: vida teimosa.
Mano Gito, doze anos contados com má vontade do tempo, parecia ter oito, e talvez fosse o tempo, mais do que a fome, quem o roía por dentro. Era só osso e olho, o peito seco de quem já chorou tanto que desaprendeu o gesto, e no estômago, um batuque fundo, que não era fome, era protesto, era grito que não encontrou boca.
Na mão levava um naco de pão duro, herança da generosidade involuntária da padaria do tio Balta, onde os miúdos aprendem cedo que a esperança é paciente, mas não eterna.
Levou o pão à boca com olhos de quem rouba o próprio destino, rápido, quase pedindo desculpa, como se o mundo o observasse e esperasse o momento certo para lhe tirar o pouco que tem, e tirou.
Um cão saltou das sombras, e o que dizer dele, senão que era um cão como tantos, sem nome, sem dono, com mais cicatriz do que pelo, com olhos fundos, secos, dois caroços de manga deixados ao sol, e o focinho coberto de terra e baba. Agarrou o pão com a fúria de quem já não acredita em justiça, e o Gito, primeiro espanto, depois raiva, depois lágrimas, gritou o que gritam os que não têm mais nada, um simples não, palavra pequena demais para conter tanta miséria.
Atirou-se ao cão. Rolaram na lama, o cão rosnava, o rapaz empurrava, arranhava, tentava abrir com as mãos pequenas a boca que o destino fechara. O cão lutava, mas não mordeu, e talvez soubesse, nas profundezas da sua fome, que aquele miúdo era mais bicho do que ele.
Então o Gito fez o que ninguém, nem Deus, esperava: mordeu o cão. Sim, cravou os dentes no pescoço do animal, como quem decide ser fera para não morrer homem. Sentiu o pelo, o sangue, o sal e o amargo, e por um instante quis cuspir, mas não cuspiu, porque o que é que se cospe quando o mundo inteiro está dentro da boca? O cão uivou, não apenas de dor, mas de espanto, porque até os animais têm o seu código, e naquele código estava escrito que só os homens mordem com vergonha.
O pão caiu, ficou entre os dois, sujo de lama, a tremer como se tivesse medo de ser escolhido.
O cão recuou, lambeu a ferida e desapareceu, sem ódio, sem ruído, talvez com respeito, talvez com cansaço, e o silêncio que ficou pesava mais do que qualquer fome.
Gito ficou parado, trémulo, os lábios vermelhos, as mãos suspensas, e o pão ali, tão perto e tão distante, porque há coisas que, depois de feitas, já não se tocam. Não sabia se o pão estava sujo demais ou sagrado demais, e talvez fosse as duas coisas, porque naquele instante aprendeu o que ninguém lhe ensinara, que há fomes que nem Deus se atreve a contrariar, e que, às vezes, sobreviver é o pecado mais puro que um homem pode cometer.
José Antonio TorresImagem criada por IA da Meta – 09 de setembro de 2025, às 07:49 PM
É interessante quando refletimos e traçamos um paralelo de como a vida se assemelha a um oceano, e cada um de nós, a um barco.
A vida é cheia de diversidades, adversidades e possibilidades. Algumas vezes ela está agitada e, como um barco em um oceano revolto, somos jogados de um lado para o outro. Subimos e descemos nas ondas dos acontecimentos.
Temos a possibilidade da fartura, mas, nem sempre, o ‘oceano’ está favorável ou nos encontramos no melhor lugar. Às vezes nos falta o controle do leme. Ele não responde ao nosso desejo, à nossa vontade. As noites sem lua e o céu encoberto nos desorientam. Não temos as estrelas para nos guiar. Ansiamos pelo dia.
Algumas vezes as noites nos parecem longas demais e nos sentimos desesperançados. Mas as noites não são eternas. Em dado momento, percebemos o raiar do dia e com ele a esperança retorna, o sol torna a brilhar, o mar se acalma e retomamos o nosso rumo.
Temos uma longa viagem atravessando esse oceano que é a vida. Enfrentamos dias e noites de tormentas, mas, também, períodos de calmaria. Durante esses momentos de calmaria, nos refazemos e devemos procurar nos fortalecer para as possíveis futuras intempéries. Acondicionar provisões para os momentos mais complexos da viagem. Confiar nos parceiros que seguem conosco e com eles partilhar conhecimentos e experiências.
Alguns irão desembarcar em portos ao longo da nossa viagem. Cada um deles cumpriu a sua própria jornada, assim como cumpriremos a nossa. Vamos ganhando confiança e cada vez mais determinação, em busca do nosso porto final. Sim, chegaremos a ele. O nosso porto derradeiro…
O nosso corpo, assim como o barco no oceano, vai se distanciando do porto de origem e, cada vez mais, se aproximando do nosso destino final. Assim como o barco navegando no oceano, conforme vamos navegando na vida, seguimos, lentamente, desaparecendo da vista dos que ficaram.
Ao chegarmos ao nosso destino, nele descansaremos, reavaliaremos a nossa última jornada, revigoraremos as nossas forças e a nossa determinação, e traçaremos novos rumos para outras viagens. Continuaremos navegando por outros mares, que nada mais são, do que outras vidas.