Cidadão decisor

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Cidadão decisor’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
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Partindo, com muita humildade, da condição, ainda assim privilegiada, de cada um, como um ser limitado, precário, condicionado e insuficiente, o homem tem conseguido, ao longo da sua história, desde o processo de hominização à pessoa humana, que nesta fase pretende ser, avanços extraordinários, inigualáveis para quaisquer outros seres do mundo, que homem e natureza têm disputado, com prejuízo para esta, devido às invenções e intervenções, por vezes irresponsáveis, daquele. 

E se as agressões humanas à natureza são graves, algumas irreversíveis, mais complexas e de efeitos devastadores, são os conflitos interpessoais e intergrupais, muitos deles com consequências irreparáveis: morte física de vidas humanas; mutilações insuscetíveis de quaisquer intervenções repositoras e reparadoras; destruição de bens essenciais à vida, pela deterioração do ambiente e dos ecossistemas; alterações climáticas, desmantelamento de infraestruturas necessárias ao desenvolvimento, ao progresso e bem-estar dos povos. 

O homem com todo o seu poderio intelectual, criativo e técnico, consegue ser mais destruidor do que os grandes predadores selvagens. Como, quando e com quê, se conseguirá terminar com este flagelo, em que biliões de pessoas humanas, inocentes, inofensivas e indefesas estão confrontadas, permanentemente, em plena era das grandes realizações, nas alegadas “Novas Ordens Internacionais…”, na tão apadrinhada globalização? 

Descobrir, aplicar e validar a fórmula “mágica”, para pacificar a sociedade humana, são tarefas que, decididamente, não se vislumbram com facilidade, e até se pode questionar, se alguma vez isso será possível, pelo menos sem a vontade e determinação de todos os indivíduos. Em todo o caso, está sempre nas mãos do ser humano reverter situações negativas, para uma nova esperança de vida.

Parece haver todo um longo e relativamente difícil caminho a percorrer, cujo início terá de se estabelecer na base de uma formação inicial, bem cedo na vida, continuando com uma atualização persistente e consistente, ao longo da existência humana, nos domínios da Cidadania, nesta se incluindo todos os valores que caraterizam a sociedade, verdadeira e superiormente humana. 

Lançar as bases para uma “Nova Ordem Internacional Cívica”, elegendo a Cidadania como um imperativo universal, no que ela contém de deveres, direitos, valores e princípios, ou, e se se preferir, uma Ética comprometida com a sociedade, uma Ética exercida com competência por todos os cidadãos, independentemente do seu estatuto.

Num mundo complexo, habitado por seres igualmente difíceis, com interesses, estratégias, metodologias, culturas e valores diferentes, de indivíduo para indivíduo, de grupo para grupo e de povo para povo, o normal será a existência de conflitualidade, de problemas, de situações trabalhosas e até mesmo aberrantes que, por si sós, poderão não constituir nenhuma tragédia, se quem tiver a responsabilidade, e vontade, para as resolver, revelar capacidades diversas e dispuser dos recursos para solucionar as diferentes anomalias que surgem na sociedade. 

Na verdade: «Grande parte da resolução de problemas implica compreender um determinado conjunto de circunstâncias num determinado contexto. Frequentemente a capacidade para encarar o problema e resolvê-lo satisfatoriamente requer um desvio no processo mental, que permita ver o problema de um ângulo diferente.» (WILSON, 1993:59).  

O Decisor deverá ser competente, para além de múltiplas e interdisciplinares faculdades que tem de usar, na perspectiva da aplicação correta dos conhecimentos, técnicas e recursos, com o objetivo de obter o resultado pretendido, materializado na resolução do problema, não ignorando que no papel de Decisor está, também, o estatuto de cidadão, com deveres e direitos, sendo certo que: «O Estado existe para servir os cidadãos» (…) mas também é verdade que: «importa, igualmente, que os cidadãos disponham de um cabal conhecimento dos seus direitos…» (PRESIDÊNCIA CONSELHO MINISTROS, 1989:5).

BIBLIOGRAFIA

WILSON, G. & LODGE, D. (1993). Resolução de Problemas e Tomada de Decisão: Inovação, Trabalho de Equipa, Técnicas Eficazes. Tradução, Isabel Campos. Lisboa: Clássica 

PRESIDÊNCIA CONSELHO MINISTROS, (1989). Guia do Cidadão. Lisboa: Direcção Geral da Comunicação Social.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

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Madre Teresa de Calcutá  

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘O Legado Humanitário de Madre Teresa de Calcutá’  

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
A imagem apresenta uma composição artística e humanitária dedicada ao legado de Madre Teresa de Calcutá.  Em destaque, aparece um grande retrato da religiosa, acompanhado de cenas que retratam seu trabalho junto aos  pobres, enfermos e crianças necessitadas. A arte utiliza tons suaves e elegantes, transmitindo sentimentos de  compaixão, solidariedade e esperança. O design valoriza a dimensão humanitária de sua missão, ressaltando sua  atuação em favor da dignidade humana e do amor ao próximo. Imagem criada por IA.

Introdução

A história da humanidade é marcada pela presença de indivíduos que dedicaram suas  vidas ao serviço do próximo, tornando-se símbolos universais de compaixão,  solidariedade e amor ao ser humano. Entre essas figuras destaca-se Madre Teresa de  Calcutá, missionária católica cuja atuação humanitária ultrapassou fronteiras religiosas,  culturais e políticas, transformando-se em referência mundial de caridade e  assistência aos mais necessitados. 

Reconhecida internacionalmente por seu trabalho junto aos pobres, enfermos, órfãos  e marginalizados da sociedade, Madre Teresa construiu uma das mais importantes  obras assistenciais do século XX. Sua missão fundamentava-se na valorização da  dignidade humana, especialmente daqueles que viviam em situações extremas de  abandono, sofrimento e exclusão social. 

O presente artigo busca analisar sua trajetória histórica, suas principais obras  humanitárias e o legado deixado para a humanidade, destacando a influência  espiritual, social e filantrópica de suas ações no contexto contemporâneo.

Palavras-Chave

Madre Teresa de Calcutá; Humanitarismo; Caridade Cristã; Solidariedade; Missões  Humanitárias; Dignidade Humana; Assistência Social; Missionárias da Caridade; Fé e  Serviço; Legado Humanitário.

Origem e Formação Religiosa

Madre Teresa de Calcutá nasceu em 26 de agosto de 1910, com o nome de Anjezë  Gonxhe Bojaxhiu, na cidade de Skopje, região que atualmente pertence à Macedônia  do Norte e que, à época, integrava o Império Otomano. Filha de Nikola e Drana  Bojaxhiu, cresceu em uma família de origem albanesa profundamente marcada pelos  valores da fé cristã, da solidariedade e do auxílio aos necessitados. Desde a infância,  foi educada em um ambiente de intensa espiritualidade, no qual a prática religiosa era  acompanhada por frequentes ações de caridade destinadas aos pobres e enfermos da  comunidade local. 

A morte prematura de seu pai, quando ainda era criança, exerceu profunda influência  em sua formação pessoal e espiritual. Sua mãe, mulher de grande devoção religiosa,  tornou-se sua principal referência moral, ensinando-lhe princípios como compaixão,  humildade, disciplina e amor ao próximo. Drana Bojaxhiu costumava acolher pessoas  pobres em sua própria casa, oferecendo alimento e assistência, atitudes que  marcaram profundamente a jovem Anjezë e contribuíram para despertar nela uma  precoce sensibilidade social. 

Durante a adolescência, Madre Teresa passou a participar ativamente das atividades  paroquiais e de grupos missionários ligados à Igreja Católica. Demonstrava grande  interesse pelas missões realizadas no Oriente, especialmente na Índia, alimentando o  desejo de dedicar sua vida ao serviço religioso e humanitário. Aos dezoito anos,  decidiu abandonar sua terra natal para ingressar na Congregação das Irmãs de  Loreto, instituição religiosa de origem irlandesa voltada à educação e às missões  internacionais. 

Sua partida representou uma ruptura profunda com a família e com sua realidade de  origem, pois naquela época as comunicações eram extremamente limitadas e ela  jamais voltaria a reencontrar sua mãe e sua irmã pessoalmente. Antes de partir,  recebeu de sua mãe uma orientação que permaneceria como fundamento de sua  espiritualidade: “Coloque sua mão na mão de Deus e caminhe com Ele”. 

Ao ingressar nas Irmãs de Loreto, na Irlanda, iniciou sua formação religiosa e  aprendeu o idioma inglês, considerado indispensável para o trabalho missionário na  Índia, então sob domínio britânico. Nesse período adotou o nome religioso de Teresa,  em homenagem a Santa Teresinha do Menino Jesus, conhecida por sua simplicidade  espiritual e dedicação missionária. 

Em 1929, foi enviada para a cidade de Calcutá, na Índia, local que se tornaria o  principal cenário de sua atuação humanitária. Inicialmente trabalhou como professora  e posteriormente como diretora em uma escola católica destinada à educação de  jovens meninas. Embora exercesse suas funções dentro do ambiente escolar e  conventual, Madre Teresa convivia diariamente com a dura realidade social das ruas  indianas, marcadas pela miséria extrema, pela fome, pelas doenças e pelo abandono  humano. 

O contraste entre a relativa estabilidade do convento e o sofrimento da população  pobre provocou nela profundas inquietações espirituais e sociais. Gradualmente,  passou a compreender que sua vocação religiosa ultrapassava os limites do ensino  tradicional, direcionando-se para uma missão voltada diretamente aos marginalizados  e excluídos da sociedade.

Em 1946, durante uma viagem de trem entre Calcutá e Darjeeling para realizar um  retiro espiritual, afirmou ter vivido uma intensa experiência mística que posteriormente  descreveu como um “chamado dentro do chamado”. Segundo seus relatos, sentiu  que Deus a convocava a abandonar o conforto relativo do convento e dedicar-se  integralmente aos pobres, enfermos e abandonados das ruas de Calcutá. 

Essa experiência representou um dos momentos decisivos de sua vida. Após obter  autorização da Igreja Católica, deixou a congregação das Irmãs de Loreto e iniciou um  período de preparação voltado ao atendimento médico básico e à assistência social.  Vestindo um simples sari branco com faixas azuis — traje que se tornaria símbolo de  sua missão — passou a viver entre os pobres, compartilhando suas dificuldades e  oferecendo ajuda humanitária aos mais necessitados. 

A partir desse momento, consolidou-se a trajetória da mulher que se transformaria em  uma das maiores referências mundiais de solidariedade, compaixão e serviço  humanitário do século XX. 

A Fundação das Missionárias da Caridade 

Em 1950, Madre Teresa fundou oficialmente a congregação das Missionárias da  Caridade, instituição religiosa voltada ao atendimento dos “mais pobres entre os  pobres”. O objetivo da congregação era prestar assistência humanitária gratuita aos  indivíduos abandonados pela sociedade, independentemente de religião,  nacionalidade ou condição social. 

A congregação iniciou suas atividades de forma simples, com poucos recursos  materiais, porém com intensa dedicação ao serviço social. As missionárias percorriam  ruas, favelas e hospitais em busca de pessoas necessitadas, oferecendo alimento,  cuidados básicos, assistência médica e acolhimento espiritual. 

Com o passar das décadas, as Missionárias da Caridade expandiram-se rapidamente  pelo mundo, tornando-se uma das maiores instituições humanitárias religiosas da  história contemporânea. A congregação passou a atuar em dezenas de países,  estabelecendo: 

• Orfanatos;  

• Hospitais beneficentes;  

• Abrigos para idosos;  

• Casas de acolhimento;  

• Centros de alimentação;  

• Clínicas populares;  

• Casas para portadores de HIV/AIDS;  

• Missões em regiões de guerra e calamidade pública.  

A expansão internacional das obras demonstrou a força do ideal humanitário  defendido por Madre Teresa, cuja missão transcendia limites geográficos e culturais. 

O Trabalho com os Pobres e Moribundos 

Entre as principais obras criadas por Madre Teresa destaca-se a “Nirmal Hriday”  (“Coração Puro”), fundada em 1952 na cidade de Calcutá. Conhecida mundialmente  como Casa dos Moribundos, a instituição acolhia pessoas abandonadas nas ruas, 

especialmente doentes terminais, idosos, desabrigados e indivíduos sem qualquer  assistência médica ou familiar. 

O objetivo principal da obra era proporcionar dignidade humana aos que se  encontravam próximos da morte. Muitos chegavam ao local em condições  extremamente precárias, vítimas da fome, de doenças infecciosas e da exclusão  social. 

Madre Teresa acreditava que nenhuma pessoa deveria morrer sozinha ou sem amor.  Sua atuação buscava restaurar o sentido de humanidade daqueles que haviam sido  esquecidos pela sociedade. 

Essa visão humanitária ficou marcada em uma de suas frases mais conhecidas: 

“O maior sofrimento não é estar sem comida ou sem teto, mas sentir-se indesejado,  sem cuidado e abandonado.” 

Sua missão não se limitava ao auxílio material, mas também à valorização emocional e  espiritual do indivíduo. 

Assistência aos Enfermos e aos Leprosos

Durante o século XX, os portadores de hanseníase sofriam forte discriminação social  em diversas regiões do mundo, especialmente na Índia. Sensível a essa realidade,  Madre Teresa criou centros específicos para acolher e tratar pessoas acometidas pela  doença. 

Além da assistência médica básica, suas obras ofereciam alimentação, higiene,  medicamentos e reintegração social aos pacientes. Foram criadas clínicas móveis que  percorriam bairros pobres levando atendimento emergencial a indivíduos sem acesso  à saúde pública. 

As Missionárias da Caridade também desenvolveram trabalhos voltados para: 

• Pessoas com deficiência;  

• Portadores de doenças graves;  

• Dependentes químicos;  

• Pacientes com HIV/AIDS;  

• Pessoas em situação de rua.  

Seu trabalho tornou-se símbolo internacional de compaixão e solidariedade humana.

A Proteção às Crianças e aos Órfãos 

Outra importante dimensão de suas obras humanitárias foi o acolhimento de crianças  órfãs, abandonadas ou vítimas da extrema pobreza. 

Madre Teresa fundou diversos orfanatos e centros de assistência infantil destinados a  garantir: 

• Alimentação;  

• Educação básica; 

• Atendimento médico;  

• Proteção social;  

• Possibilidades de adoção.  

Muitas crianças encontraram nesses espaços não apenas sobrevivência física, mas  também afeto, cuidado e oportunidades de reconstrução da própria vida. 

Sua preocupação com a infância refletia sua visão de que cada ser humano possui  dignidade e valor independentemente de sua condição social. 

Reconhecimento Internacional

O extraordinário impacto das obras humanitárias desenvolvidas por Madre Teresa de  Calcutá fez com que sua atuação ultrapassasse os limites da Índia e alcançasse  reconhecimento mundial. Sua dedicação aos pobres, enfermos, órfãos e  marginalizados transformou-a em uma das personalidades mais admiradas do século  XX, sendo frequentemente considerada símbolo universal da compaixão, da  solidariedade e da dignidade humana. 

Ao longo de sua trajetória missionária, Madre Teresa recebeu inúmeras homenagens  civis, religiosas e acadêmicas provenientes de diferentes países, governos,  universidades e organizações internacionais. Essas distinções não apenas  reconheciam sua atuação humanitária, mas também destacavam a relevância social e  moral de sua missão em um mundo marcado por profundas desigualdades sociais,  conflitos e crises humanitárias. 

O momento de maior projeção internacional ocorreu em 1979, quando recebeu o  Prêmio Nobel da Paz, uma das mais importantes honrarias mundiais destinadas à  promoção da paz, da fraternidade e dos direitos humanos. A premiação reconheceu  seu trabalho junto aos pobres e abandonados de Calcutá, bem como a expansão  global das Missionárias da Caridade. 

Durante a cerimônia de entrega do Nobel, Madre Teresa afirmou que aceitava o  prêmio “em nome dos pobres”, reforçando o caráter coletivo e humanitário de sua  missão. Seu discurso chamou a atenção internacional para a realidade da pobreza  extrema, da fome e do abandono social enfrentados por milhões de pessoas ao redor  do mundo. Ao invés de utilizar os recursos financeiros do prêmio para celebrações  pessoais, destinou-os integralmente ao auxílio dos necessitados, demonstrando  coerência entre seu discurso e sua prática de vida. 

A concessão do Nobel consolidou sua imagem como referência moral internacional e  ampliou significativamente a visibilidade das obras desenvolvidas pelas Missionárias  da Caridade. A partir desse reconhecimento, sua atuação passou a receber apoio de  governos, instituições filantrópicas e organizações humanitárias em diversos países. 

Além do Prêmio Nobel da Paz, Madre Teresa recebeu importantes condecorações  civis e religiosas, entre as quais destacam-se: 

• A Medalha Presidencial da Liberdade, concedida pelos Estados Unidos,  considerada uma das maiores honrarias civis norte-americanas;  

• O Bharat Ratna, maior condecoração civil da Índia, reconhecimento reservado  às personalidades que prestaram relevantes serviços à nação; 

• O Prêmio Ramon Magsaysay para a Paz e Compreensão Internacional;  • Diversos doutorados honorários concedidos por universidades internacionais;  • Homenagens de organismos humanitários e religiosos em vários continentes.  

Sua imagem tornou-se mundialmente associada à caridade cristã e ao serviço  humanitário. Fotografias de Madre Teresa cuidando de doentes, acolhendo crianças  órfãs e auxiliando pessoas abandonadas circularam amplamente pela imprensa  internacional, contribuindo para transformá-la em um ícone global da solidariedade  humana. 

O reconhecimento internacional de sua atuação também favoreceu a expansão das  Missionárias da Caridade, que passaram a atuar em regiões marcadas por guerras,  epidemias, fome e extrema pobreza. Em muitos contextos, a presença da  congregação tornou-se símbolo de esperança e assistência humanitária para  populações vulneráveis. 

Além das homenagens oficiais, Madre Teresa passou a exercer forte influência moral e  espiritual sobre líderes políticos, religiosos e movimentos sociais. Sua simplicidade,  humildade e dedicação ao próximo inspiraram milhões de pessoas ao redor do  mundo, independentemente de crença religiosa ou posição social. 

Mesmo diante de críticas e controvérsias relacionadas a determinados aspectos de  suas instituições, o reconhecimento internacional de sua obra permanece associado à  defesa da dignidade humana e ao compromisso com os mais pobres. Seu legado  ultrapassou os limites da ação assistencial, transformando-se em referência ética  universal acerca da importância da solidariedade e da valorização da vida humana. 

Após sua morte, em 1997, inúmeras homenagens continuaram sendo realizadas em  diferentes países, reafirmando a permanência de sua influência histórica. Em 2016,  sua canonização pela Igreja Católica consolidou definitivamente sua posição como  uma das figuras religiosas e humanitárias mais importantes da história  contemporânea. 

Canonização e Legado 

Madre Teresa faleceu em 5 de setembro de 1997, em Calcutá, deixando uma  profunda marca na história da assistência humanitária mundial. 

Em 2003, foi beatificada pelo Papa João Paulo II e, em 2016, canonizada pela Igreja  Católica, passando oficialmente a ser reconhecida como Santa Teresa de Calcutá. 

Seu legado permanece vivo através das Missionárias da Caridade, que continuam  atuando em mais de uma centena de países, auxiliando milhões de pessoas em  situação de vulnerabilidade social. 

Mais do que uma líder religiosa, Madre Teresa tornou-se símbolo universal da  compaixão, da dignidade humana e da solidariedade. Sua vida demonstrou que  pequenos gestos de amor podem produzir profundas transformações sociais e  espirituais.

Considerações Finais

O legado humanitário de Madre Teresa de Calcutá ultrapassa os limites da religião e  da assistência social, constituindo-se como importante referência ética para o mundo  contemporâneo. Sua dedicação aos pobres, enfermos e marginalizados revelou a  importância da empatia, da solidariedade e do compromisso com a dignidade humana. 

Em um contexto global frequentemente marcado pela desigualdade social, violência e  exclusão, sua trajetória continua inspirando instituições, líderes religiosos, movimentos  humanitários e milhões de pessoas ao redor do mundo. 

Madre Teresa demonstrou que a verdadeira grandeza humana encontra-se na  capacidade de servir ao próximo com humildade, amor e compaixão. Seu exemplo  permanece vivo como símbolo universal de esperança e fraternidade entre os povos.

Referências Bibliográficas

BENTO, Frei Carlos Josaphat. Madre Teresa de Calcutá: uma vida para os pobres. São  Paulo: Paulinas, 1997. 

CHAWLA, Navin. Madre Teresa. Tradução de Maria Helena Kühner. Rio de Janeiro:  Record, 1993. 

GONZÁLEZ-BALADO, José Luis. Madre Teresa: a serviço dos pobres. São Paulo:  Loyola, 1982. 

KOLIEJCHUK, Andrea. Madre Teresa: venha, seja minha luz. São Paulo: Planeta, 2008. SPINK, Kathryn. Madre Teresa de Calcutá. São Paulo: Globo, 1998. TERESA DE CALCUTÁ, Madre. No coração do mundo. São Paulo: Paulinas, 1996. 

TERRAZAS, Juan María Laboa. História da Igreja Católica Contemporânea. São Paulo:  Loyola, 1998. 

Referências Digitais 

Vatican News – Santa Teresa de Calcutá 

Nobel Prize – Mother Teresa Biography 

Britannica – Mother Teresa 

Biography – Mother Teresa

Alexandre Rurikovich Carvalho

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Pensar o mundo para o século XXI

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Pensar o mundo para o século XXI’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem criada por IA do Grok

A reflexão que agora se coloca à disposição das pessoas, amantes dos grandes valores da dignidade humana, dos quais se destacam, para já: a solidariedade, a amizade, a lealdade, a gratidão, a liberdade, a igualdade, de entre outros, identicamente fundamentais para a vida harmoniosa em sociedade, lança, justamente, um apelo à meditação sobre o mundo que desejamos construir.

Hoje, primeiro quarto do século XXI, numa sociedade muito complexa, extremamente exigente, seguramente, pelo menos, muito diferente do que em épocas passadas, as pessoas, as famílias, os governos, as empresas, as instituições em geral, as nações, seja qual for a sua natureza, confrontam-se com situações muito difíceis, que exigem soluções verdadeiramente, em alguns casos, dir-se-ia, “milagrosas”.

A gestão de pessoas, num enquadramento de valores essenciais à dignidade humana; a uma vida confortável, com expectativas de um futuro relativamente próspero; a constituição das famílias e as dificuldades que elas encontram na sua consolidação, no desejo legítimo de muitos casais terem filhos; uma velhice tranquila e merecidamente recompensada, entre outras condições que são desejáveis, para a vida adequada às necessidades mais elementares, são objetivos que se perseguem e que cada vez parecem mais difíceis de se atingir.

Com efeito, é fundamental, desde logo, que todas as pessoas, independentemente do seu estatuto, desenvolvam uma sincera sensibilidade humanista, muita competência e empenhamento em tudo o que se envolverem, na medida em que será pelo estudo, pelo trabalho, pela poupança que se podem atingir níveis e qualidade de vida, como todo o ser humano deseja, e tem direito.

Desenvolver “Relações Sociais para o Sucesso”, não pretendendo ser a panaceia para todos os males, nem sequer ter a ambição de resolver os problemas do mundo, e muito menos descobrir as fórmulas mágicas, para que toda a gente possa levar uma vida com responsabilidade, almeja, isso sim, demonstrar que é possível uma vida melhor, que existe sempre uma esperança, num mundo melhor.

Abordar temas como: “Dimensão Axiológica da Pessoa Humana”; “Conduta Ética dos Poderes; uma via para a Pacificação”, “Gratidão, Virtude que Gera Amizade e Paz”, “Idosos: Um Património de Sabedoria e Experiências”, “Crianças: Herança para um Mundo Melhor”, “Gestão e Liderança Humanizadas das Pessoas”, “Comunicação e Relações Humanas”, “Sociedade Ética para o Século XXI”, “Vida Digna”, “Filosofia para um Casamento de Sucesso”, “O Líder do Século XXI”, entre muitos outros, justificam uma tomada de consciência, para todos nós nos esforçarmos, um pouco mais, a fim de podermos dar um contributo positivo para as novas gerações.

É claro que outros temas poderiam ser abordados, noutras perspectivas, até com melhores resultados, embora estes só se possam avaliar decorrido o tempo suficiente para que uma, duas ou três gerações, se consciencializem de que, realmente, ninguém pode, nem deve, ficar de braços cruzados, à espera que um Estado Social, ou a família, amigos e instituições resolvam todas as situações.

Finalmente, com aquele conjunto de reflexões, desejo satisfazer, ainda que pobremente, o desejo de quem se preocupa com as Ciências Humanas e Sociais que, também eu, reconheço como muito importantes no nosso dia-a-dia. Pretendo, com todas as lacunas e defeitos que me caraterizam, manifestar a minha GRATIDÃO a quem me estimula para “agarrar” estes desafios, extremamente arriscados, mas ao mesmo tempo, gratificantes.

Sentir-me-ei eternamente agradecido se, pelas Relações Sociais, contribuir para que, todos juntos, nos valores da dignidade humana, possamos dar um, ainda que muito pequenino auxílio, para um futuro melhor: seja para as gerações que se aproximam do “fim da linha”, como aquela a que eu já pertenço; seja, também, para as mais novas que, generosamente, vão ajudar a construir um mundo melhor e, seguramente, permitir que nós, os “seniores”, (carinhosamente, ‘Os Cotas’) tenhamos as melhores condições para percorrer o resto da “linha”.

Boa leitura, no futuro, melhores pensamentos, para que a “FAMA: Família, Amizade, Meditação e Ação”, nestes quatro elementos, seja o ponto cardeal pelo qual consigamos orientar as nossas vidas, e o futuro da humanidade. Seremos todos muito “famosos”, se começarmos, desde já, a exercitar aquelas referências e, simultaneamente, agregarmos os grandes valores da dignidade humana, a ela associados.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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