Confidente e fria
Evani Rocha: Poema ‘Confidente e fria’


Quando a solidão chega e encontra ninho
Ela nunca mais vai embora
Não porque a queremos
Mas porque precisamos
Porque ela preenche um vazio
De não ‘sei o quê’
Porque ela é silenciosa e não questiona
Porque ela é dona
De todos os espaços
Que sobraram em nossa vida
Ela é confidente e fria
Fica com a gente e escuta os lamentos
Ela não bate à porta
Mas senta-se à mesa do café,
Do almoço e jantar…
Não para comer,
Mas para nos ver de perto
Olhar no fundo dos olhos
Sentir o cheiro do café e das rosas,
Abertas no jardim…
Ela fica,
Porque nos acostumamos
À sua companhia,
Ao seu sorriso apagado,
Aos seus afagos…
Nos acostumamos ao seu lado,
À sua imagem disforme e presente…
No terreiro, nas vidraças,
Nas chuvas de janeiro!
Ah, que sentimento é esse,
Que causa desassossego
Mas que ocupa os espaços ociosos,
Da casa, das ruas, das calçadas…
Que pode ser psicólogo,
Dar colo e puxão de orelha…
Mas que, também, não nos deixa sós
Nas horas eternas de um dia de verão!