Qué complicado es ver las lágrimas que, invisibles, gritan por salir y no salen; porque esas lágrimas pesan en el alma, la inundan, la ahogan, la sumergen en un lago de agua pantanosa y la mantienen en el fondo mientras una sonrisa asoma. Es tan difícil ver el dolor de los demás e ignorarlo…
Crueles suenan mis palabras; egoístas, hipócritas, malvadas… porque tan asesino es el que daña como el que ignora. Pero duele tanto… Tan solo me protejo, me cubro los ojos y, ciega, camino sin temor por un manto estrellado, alejada del dolor.
Ignoro sus miradas, sus súplicas silenciosas y desesperadas, sus almas necesitadas. Ignoro aquellas señales que otros no ven; ignoro sus latidos desbocados, su respiración entrecortada y sus sonrisas falsas. Ignoro su dolor porque sus lágrimas despertarían las mías, porque no soy fuerte, porque cada noche lucho por ver un nuevo amanecer y sentirme en paz, porque mis monstruos acechan bajo mi cama y tengo miedo de dejar escapar la primera lágrima, esa que desbordaría las presas que me recuerdan que debo seguir en pie, aunque la tormenta arrastre mi calma.
Soy cruel, egoísta, protectora de un dolor que duerme y temo despertar; una caja de Pandora que no sabré cómo cerrar si realmente cae mi primera lágrima. Soy distinta, no mejor persona; cobarde por huir en medio de la batalla. Ruin por proteger mi alma e ignorar las balas que silban a mi alrededor en medio de un silencio que escucho gritar.
Me encojo, abrazo mi pecho, ignoro su dolor, pero ellos me llaman, les hago falta; y sé que, si sus labios pronunciasen una sola palabra, mi coraza se destruiría como un castillo de naipes sobre una balanza. Pero no hablan; ellos no saben que yo siento sus almas, que sé de su dolor, que ignoro sus tormentas para yo estar en calma.
No prometo nada, porque si en la noche subo a mi barca para salvar a los que no nadan, sé que puedo perderme y no volver sana y salva.
Mis heridas nunca sanarán del todo, mi corazón tiene demasiadas cicatrices, demasiadas noches grises, demasiadas piedras que pesan y jamás serán tiradas. No prometo nada. Pero intentaré mirar sus almas, ser menos cobarde, abandonar mi refugio y perderme en su oscuridad para encontrar el camino más digno, más honesto, aunque pierda mi espada en la batalla y no vuelva a acariciar mi calma.
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Esta é a realidade
Porque nela contém dor e ódio angústia e memórias
Fechem as bocas e abram os ouvidos,
Porque o que eu vou contar é a verdade
São histórias esquecidas história negligenciadas
são histórias de opressão que causam depressão,
mas é preciso muita narração
É a pura realidade
São emoções, sensações, contos e história dor, ódio e tristeza
sentimentos de alguém que foi roubada a honra
honra é um dos bens mais precioso de uma mulher
Para alguns é só prazer mas para outros é tudo
Lembro-me de tudo como se fosse ontem
Tudo aconteceu muito rápido
Numa noite escura, o silêncio tomou conta ouvi passos e logo me escondi
O coração não parava de bater tic-tac, tic-tac ,como um relógio assombrado
A minha mente estava confusa
Quando eu acordei eu não me lembrava,
mas aos poucos, fui lembrando
e a memória era tão horrível que me faziam chorar um rio de lágrimas.
Florência Mário
Florência Mário
Florência Mário, residente em Luanda. Frequenta a 9°classe no colégio Meury & Dores. A literatura surgiu de forma repentina. No momento gosta de escrever poesia e contos. Pretende se tornar uma grande escritora a nível nacional e internacional explorando outras áreas da literatura. Faz parte do projecto escrita criativa do mentor Tomás Eugénio Tomás.
Jacob Kapingala: Poema ‘Aquele que abandona o sonhar…
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O caminhar da vida, Por vezes é imperceptível. E a dor que nos acompanha nesta corrida, Nem sempre é tão visível.
O realizar do tempo e da vida, Contraria o desejar da nossa alma. Pois se o tempo estivesse sob a nossa medida, Jamais a gente perderia a calma.
Cicatrizes são lembranças do que um dia veio a doer! Daquilo que um dia nos fez chorar. Aquele que abandona o sonhar, abandona também o viver. Estagnado numa vida que em frente deseja continuar.
Nunca o sucesso nos veio abraçar, Sem que a gente o abraçasse primeiro. Andando de mãos dadas com o sacrifício no olhar, Tentando dar um passo que seja certeiro.
Jacob Kapingala
Jacob Kapingala
Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.
É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.
Teve o desejo de colocar em um papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.
É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.
Quando o coração se encontra na ponta do dedo, ao cair de um alpendre — que daria duplos saltos em gatos mais ariscos — eu me joguei no universo.
E foi o dedo que encontrou o ferro da porta do carro.
O quase desmaio veio de dor.
E eu lá queria saber de curativo…
Eu sabia: o coração batia ali, no dedo, na unha que mudava de cor.
Quem usa branco?
Eu queria era roxo neon.
O pisca-alerta do meu dedo agora estava ligado.
Muito mais que meu coração em frangalhos, numa tarde que se reconstruía entre espasmos e silêncio.
E ali, na dor mais simples, me lembrei da minha humanidade.
O que escorria não era só sangue.
Era mistura de lágrimas antigas, de cicatrizes ocultas, de tudo que ainda lateja sem nome.
O dedo, cerrado.
O coração?
Esse… hoje pulsa no corpo inteiro.
Mas uma tarde que chorou como eu chorei, não me para.
Nem o dedo na porta.
Porque eu vivo além das linhas.
Vivo por voar entre os meus ‘eus’.
Karla Dornelas
Karla Dornelas
Karla Dornelas, natural de Caratinga (MG), é escritora e poetisa. Membro da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA e da Academia Brasileira de História e Literatura – ABHL, com projetos literários em desenvolvimento, incluindo a reedição de seu primeiro livro de poesias, ‘Simplesmente Você’.
Ao longo de sua trajetória, foi contemplada com menções honrosas por sua dedicação à arte e à literatura.
Sua escrita nasce do olhar sensível sobre o cotidiano, transformando o mundo em experiências poéticas e afetivas.
Com linguagem marcada pela delicadeza, musicalidade e criação de vocabulário próprio, busca dar voz ao invisível e valorizar o que é essencialmente humano, dedicando-se à construção de uma trajetória literária voltada à arte de tocar e transformar o leitor por meio da palavra.
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Somos atacadas porque somos mulheres? A sentença já nasce no ventre?
Por sermos mulheres pagamos antes mesmo de existir?
Pela roupa. Pelo corpo. Pela liberdade que insistem em dizer que não podemos ter.
Dizem que foi a roupa. Dizem que foi o horário. Dizem que foi o comportamento. Mas nunca dizem que foi a violência.
Então responda — com coragem e sinceridade:
Qual das mulheres que você ama você entregaria à dor, ao medo, ao sangue?
Qual delas aceitaria ver espancada, violentada, assassinada… e ainda assim procuraria uma justificativa para torná-la culpada?
Porque toda vez que se culpa uma mulher apenas por ser mulher — por viver, errar, existir como qualquer ser humano — a violência encontra abrigo.
Justificar agressões é participar do silêncio. É normalizar o horror.
É permitir que matem uma mulher antes mesmo de tirarem sua vida.
Porque a violência contra uma mulher começa no julgamento.
Culpada porque é mulher. Culpada porque terminou. Culpada pela roupa curta. Culpada porque falou. Culpada porque existiu.
Culpada. Culpada. Culpada.
E o veredito final: apagar quem somos, silenciar o que amamos.
Até quando?
Karla Dornelas
Karla Dornelas
Karla Dornelas, natural de Caratinga (MG), é escritora e poetisa. Membro da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA e da Academia Brasileira de História e Literatura -ABHL, com projetos literários em desenvolvimento, incluindo a reedição de seu primeiro livro de poesias, ‘Simplesmente Você’.
Ao longo de sua trajetória, foi contemplada com menções honrosas por sua dedicação à arte e à literatura.
Sua escrita nasce do olhar sensível sobre o cotidiano, transformando o mundo em experiências poéticas e afetivas.
Com linguagem marcada pela delicadeza, musicalidade e criação de vocabulário próprio, busca dar voz ao invisível e valorizar o que é essencialmente humano, dedicando-se à construção de uma trajetória literária voltada à arte de tocar e transformar o leitor por meio da palavra.