Primeira tentativa

Loide Afonso: Poema ‘Primeira tentativa’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA da Meta

Não vou fugir
Desta vez , não
Não vou correr
Pra me esconder

Se vais cavar
Minha cova
Que seja
Com honra

Ou queres cremar?
Seja lá como quiseres
Eu vou
Sem medo
Ou dor

Já me magoei
Por ti
Por nós
Por todo esse sentimento

Estou fora agora
E olha pra tua vida
Está fria
Crua
E feia

Se eu fosse tu, nem suicídio cometeria.

Loid Portugal

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Súbito

Priscila Mancussi: Poema ‘Súbito’

Priscila Mancussi
Priscila Mancussi
Imagem criada por IA da Meta – 9 de janeiro de 2016,
às 13:38 PM

Sabe-se lá de onde vem
Sabe-se a dor
Sabe-se o ardor
Sabe-se o riso
Sabe-se o paraíso
Só sabe-se que tem
Só sabe-se que vem
Só sabe-se que ele existe
Escondido em ti
Dentro do peito
Ardendo, queimando, explodindo
Amor, amor e amor
Com suas facetas e façanhas
Com o peito aberto
Com o corpo em brasas
Com o pensamento a mil
Com suas cores e às vezes suas dores
Com seu riso doce ou sua lágrima sofrida
Com suas idas e vindas
O Amor não tem sexo
Não tem cor, não tem nada de normal
Amor…
Num grito, bem dito, bem feito
Desse jeito, amando, amado e
Bendito, bem visto, benquisto

Priscila Mancussi

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Vazia

Loide Afonso: Poema ‘Vazia’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA da Meta
Imagem criada por IA da Meta

A dor era tudo que
Eu sentia
Mesmo tentando fugir dela
Ela doía

Eu não quero ser o tipo de ser humano
Que chora
Sem uma pedra nas mãos

Não quero estar vazia
Não
Quero que as pedras se multipliquem
Minhas mãos se encham

Mais sem peso
Sem sentir raiva
Ou vontade de chorar
Só de mãos cheias

Não quero correr com
As mãos cheias
Quero caminhar tranquilamente

Como se nada tivesse nas minhas mãos
Quero voar também
Sentir o vento batendo forte

Não quero correr vazia
Nem sentindo peso
Quero estar em paz!

Loid Portugal

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Resistência

Loide Afonso: Poema ‘Resistência’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA do Grok

Tum tum
Tum tum
Dois batimentos por vez
Foi assim que
Eu senti
Meu coração bater

Sabes quantos segundos tem um milésimo?

Não.
Ou talvez saibas
Será que Pitágoras sabia?

Pode ser que sim
Pode ser que sim
Que não
Ou meio sim
Meio não

Só lembro das batidas
Como se eu fosse
Ter um ataque
Ataque de realidade
Isto existe?

Tabom, vou ser mais prática
Talvez foi
De pânico
Mais não senti medo
Dor
Nem angústia

Foi seco
Sem cheiro
Cor
Ou sistemático

Alguém aquí já esteve num terramoto?

Se nunca esteve, nunca saberá
Bem, não vou me revelar contra
O sistema.

Já passou.

Loid Portugal

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Entre o corpo, a alma e a cultura

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora: ‘Entre o corpo, a alma e a cultura’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada por IA do Bing a em 30 de setembro de 2025, às 12:00 PM
Imagem criada por IA do Bing em 30 de setembro de 2025, às 12:00 PM

A dor é uma das experiências humanas mais universais e, ao mesmo tempo, uma das mais complexas. Presente desde o nascimento até os últimos instantes da vida, ela não é apenas um sintoma físico, mas também um fenômeno que atravessa dimensões emocionais, sociais, espirituais e culturais. Compreendê-la é fundamental para promover saúde integral.

Segundo a International Association for the Study of Pain (IASP), dor é “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada, ou semelhante àquela associada, a uma lesão tecidual real ou potencial”. Essa definição amplia a visão biomédica, reconhecendo que dor não é apenas consequência de uma lesão, mas também da forma como o cérebro interpreta e dá sentido a determinados estímulos.

No senso comum, dor é frequentemente entendida como algo que se deve evitar ou suprimir. No entanto, culturas e tradições filosóficas diversas revelam que ela também pode ser um caminho de aprendizado, transformação e até espiritualidade.

A literatura científica classifica a dor em diferentes categorias:

Aguda: de curta duração, geralmente associada a uma causa identificável (como uma fratura).

Crônica: persiste por mais de três meses, mesmo após a cicatrização do tecido. Está ligada a processos complexos do sistema nervoso.

Nociceptiva: relacionada a danos nos tecidos.

Neuropática: originada em lesões ou disfunções no sistema nervoso.

Psicogênica: vinculada a fatores emocionais e mentais.

Estudos recentes apontam que a dor crônica atinge cerca de 30% da população mundial, impactando diretamente a produtividade, a qualidade de vida e os relacionamentos humanos.

Diversos pensadores refletiram sobre a dor:

“A dor é inevitável, o sofrimento é opcional.” – Haruki Murakami

“As cicatrizes nos lembram que o passado foi real.” – C.S. Lewis

“A dor é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo.” – C.S. Lewis

Essas frases revelam a multiplicidade de olhares: da dor como inevitabilidade biológica à dor como experiência transformadora.

Japão: influenciado pelo budismo e pelo Seitai, a dor é vista como um sinal de desequilíbrio do corpo e da energia vital. O objetivo não é apenas eliminá-la, mas restaurar a harmonia.

Ocidente: tende a medicalizar e combater a dor de forma direta, por vezes esquecendo o aprendizado que ela pode trazer.

Povos indígenas: muitas vezes a dor é ritualizada, entendida como passagem de crescimento ou fortalecimento espiritual.

Cristianismo: a dor pode ser vista como parte da purificação, mas também como algo que encontra alívio no cuidado mútuo.

Na visão da Saúde Integral, não basta tratar apenas o sintoma. É preciso compreender a dor em sua totalidade — física, mental, emocional e espiritual. O Seitai, técnica japonesa de quiropraxia, vai além da manipulação corporal: ele busca reorganizar o corpo para que a energia vital circule de forma livre e natural.

A dor, nesse contexto, é um sinal de vida. Ela mostra que algo está em desalinho, mas também aponta o caminho para o equilíbrio. O Seitai convida à escuta do corpo, ao respeito pelo ritmo natural e à confiança no poder regenerativo do organismo.

A dor pode ser inimiga ou mestra. Depende da forma como nos relacionamos com ela. No campo da saúde integral, aprender a escutar a dor é fundamental para transformar sofrimento em consciência, desequilíbrio em movimento, e limites em caminhos de cura.

Talvez possamos ressignificar a dor não apenas como algo a ser combatido, mas como um convite ao autoconhecimento e à harmonia. Afinal, cuidar do corpo é cuidar também da alma — e é nesse encontro que a verdadeira saúde integral se manifesta.

Joelson Mora

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Já fui semente

Irene da Rocha: Poema ‘Já fui semente’

Irene da Rocha
Irene da rocha
Imagem criada por IA do Grok - 16 de setebro de 2025, às 14:36 PM
Imagem criada por IA do Grok – 16 de setembro de 2025, às 14:36 PM

Já fui semente ao pó desamparada,
sem luz, sem água, à terra me entreguei;
na luta agreste, em dor desesperada,
ergui-me ao sol, no fogo me encontrei.

Do seio escuro, em força revelada,
criei raiz, no chão firme fiquei;
tornei-me tronco e sombra consagrada,
frutifiquei na vida que sonhei.

E quando o vento em fúria me despoja,
chorando quedo ao pó que me devora,
mas minha fé maior jamais se deixou.

Pois sei que a vida em flor se restaura,
e a primavera em mim tudo reboja:
renasço em luz, mais forte a cada aurora.

Irene da Rocha

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Clamor deste povo na guerra

Nilton da Rocha: Poema ‘Clamor deste povo na guerra’

Nilton da Rocha
Nilton da Rocha
Imagem criada por Ia do Bing - 18 de junho de 2025, às 17:49 PM
Imagem criada por Ia do Bing – 18 de junho de 2025,
às 17:49 PM

Eu clamo ao Sol que não quer nascer,
Procuro a chuva, o mar, a flor,
Promessas feitas que vi morrer,
Resta ao mundo só dor e clamor,
Em silêncio se esvai o amor.

Vejo a Terra que sangra e chora,
Campos vazios, mares sem cor,
Toda a esperança que se foi embora,
O homem esquece o que tem valor,
E o céu se esconde do sonhador.

Cadê a paz que nos prometeram?
Cadê os frutos, o lar, o bem?
Só vejo os campos que se perderam,
E a dignidade que já não vem,
Tudo se apaga e não resta ninguém.

Quero os meninos nos rios, nas matas,
Vendo as estrelas, sentindo o ar,
Brincando livres nas madrugadas,
Sem medo algum de se apaixonar,
Vivendo o mundo a se renovar.

Chega de guerra, morte e mentira,
Que a voz da Terra se faça ouvir,
Que o homem aprenda, que nunca fira,
Que ao diabo não possa resistir,
E a paz renasça a nos redimir.

Nilton da Rocha
(18/06/25)

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