Pronuncimento Real: A Modernização do Reino

CRÔNICAS DA ORDEM DOS CAVALEIROS ARQUEIROS SARMATHIANOS

Entre tradição e modernidade, Jadson Porto apresenta um reino em transformação, onde educação, ciência e cultura anunciam novos tempos

Logo da seção O Leitor Participa

 

Imagem criada pelo ChatGPT

A partir das intensas atividades de restauro, renascimento e resgate, executadas pelas diretrizes que a Casa Real dos Godos de Oriente, em suas mais diversas manifestações, efetivava por meio de atos e ações, Sua Alteza Real e Imperial (S. A. R. I.), Dom Severinus Teodomiro, percebeu que seu povo necessitava de esclarecimentos sobre os novos tempos que se aproximavam. Programou-se, então, para efetuar um Pronunciamento Real em 10 de setembro.

S. A. R. I. era um homem de visão voltada para o futuro do reino. Era moderno e gostava das modernidades, mas mantinha uma forte raiz tradicional. Entendia que os novos tempos tinham que alcançar todo o seu povo, a começar pela Educação.

Economicamente, o Reino estava equilibrado, com a inserção de novos investimentos produtivos. Para que tais investimentos possuíssem maior envolvimento da sociedade ostrogódica, havia necessidade de investir em educação, seja sob o viés técnico, seja no universitário (graduação e pós-graduação lato sensu e stricto sensu).

Nesse sentido, os investimentos na Universidade Nacional de Ostrog trouxeram a modernidade para dentro do ensino superior, gerando novos produtos e conhecimentos, além de modernizar seus laboratórios para preparar seus integrantes para as novidades técnicas e tecnológicas que se aproximavam.

Assim, visando à transparência de seu governo, expôs suas reflexões: explicou a inserção do Reino no cenário internacional; o fortalecimento da Universidade Nacional de Ostrog; a criação de um Centro de Pesquisas Sarmathianas; o investimento profundo em escolas técnicas; o fortalecimento do Instituto Gotland; o fortalecimento do Instituto Histórico e Geográfico Sarmathiano; e a instalação e regulamentação de programas de pós-estudos universitários e técnicos, preparando a próxima geração para a construção de um mundo mais sustentável.

São novos tempos que se aproximam, atraindo profissionais e cientistas de altas e sólidas habilidades técnicas, a fim de formar uma nova geração para os novos tempos.

S. A. R. I. iniciou seu pronunciamento resgatando a história do povo sarmathiano; resgatou reis ostrogodos que colaboraram na construção do Império, seja no domínio de novos territórios — lembrando as ações do Rei Alarico, ao dominar Roma, em 410 d. C., e do Rei Eurico, que transformou o reino na maior potência política e militar ocidental, no período entre 466 e 484 d. C.

Em seguida, expôs as grandes transformações geoeconômicas pelas quais o Reino de Gotland estava passando, devido ao seu processo de restauro, renascimento e resgate.

Expôs, também, as reformas administrativas do Reino, com novas Ordens Sarmathianas, novas instituições e novos cargos, a fim de se adequar ao novo milênio que nasce.

Informou sobre a chegada de seu herdeiro, uma nova geração que acompanhará as transformações que chegam ao Reino; a inserção de uma geração de novos nobres, modernos e inseridos nas novas técnicas e tecnologias que o novo milênio estimula.

Após duas horas de exposição, assim concluiu Sua Alteza Real e Imperial:

O Reino de Gotland é um reino sólido, pois, em seus 1.600 anos de existência, consolidou suas raízes territoriais, culturais, econômicas, políticas e geográficas. Contudo, sua solidez não significa ser rígido. A flexibilidade existente na convivência entre a tradição e a modernidade tem gerado uma sociedade sarmathiana capaz de enfrentar as modernizações sem perder sua identidade, mesmo que, eventualmente, ocorram conflitos geracionais.

O Pronunciamento Real é sempre um evento muito esperado pela comunidade sarmathiana. S. A. R. I. é muito respeitado por seus súditos, pois é sábio e justo em suas tomadas de decisões. História; cenários econômicos e culturais em transfomações; a inserção do reino na nova economia-mundo; a posição da Soberana Casa Real nas novas temporalizades e; como seria a inserção do Reino foram os principais tópicos expostos pelo regente supremo sarmathiano.

Sobre o autor

Jadson Porto
Jadson `Porto

Duque Dom Jadson Porto Eurico Rodrigo I é geógrafo graduado em Bacharelado e Licenciatura em Geografia (UFPa, 1990, 1993); Mestre em Geografia (UFSC,1998); Doutor em Ciência Econômica (Unicamp, 2002); Pós-Doutor em Desenvolvimento Regional (FURB, 2014); Pós-Doutor em Geografia, pela Universidade de Coimbra (Portugal) (2015); Pós-Doutor em Estudos Sociais, pela Universidad Nacional de la Patagonia Austral – Unidade Río Gallegos (UNPA/UARG), Argentina (2017); Pós-Doutor em Desenvolvimento (UFT, 2020); Pós-Doutor em Planejamento Territorial (Idega/Universidade de Santiago de Compostela, Espanha, 2025).

Coordenador do Núcleo de Estudos Regionais e Urbanos (Nesur/Unifap). Professor Titular da Universidade Federal do Amapá. Professor do Mestrado em Desenvolvimento Regional da Unifap. Integrante efetivo da Academia de Letras José de Alencar (Curitiba, PR), cadeira de n. 3, patrono Alberto Oliveira (2022). Integrante efetivo da Academia Amapaense de Letras (Macapá, AP), cadeira 17, patrono Joaquim Caetano da Silva (2022).

Tem se destacado em pesquisas sobre a Amazônia Setentrional brasileira e a Região das Guianas. Presidente da Academia Amapaense de Ciências. Professor doutor doutor honoris causa multiplex; Notório Saber Literário; Notório Literato.

Voltar

Facebook




Avaliação da aprendizagem: seu outro lado da moeda!

José Ngola Carlos analisa por que compreender o processo do aluno é mais importante do que medir conteúdos

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Jovem negro de mochila sobe uma escadaria de pedra rumo ao horizonte. Ao seu redor, círculos flutuantes mostram cenas de sua vida e comunidade: família lendo, sala de aula, fé, amigos, tecnologia e cultura tradicional.
https://chatgpt.com/s/m_
6a8f1421f3bc8191960d117cf110bbb2

No universo acadêmico, não é raro ouvir a expressão avaliação da aprendizagem, utilizada como sinônima de avaliação dos conteúdos trabalhados em sala de aula. Entretanto, seriam realmente equivalentes? O que significa avaliar os conteúdos e o que significa, propriamente, avaliar a aprendizagem?

A avaliação dos conteúdos consiste, fundamentalmente, na recolha e interpretação de informações acerca dos conhecimentos, habilidades e competências que os alunos possuem, estão desenvolvendo ou desenvolveram ao longo do processo educativo. Essa avaliação pode assumir diferentes funções, como a diagnóstica, a formativa e a somativa, conforme o momento e a finalidade com que é realizada.

Entretanto, a avaliação da aprendizagem não deveria limitar-se à verificação daquilo que o aluno sabe ou deixou de aprender. Embora a avaliação dos conhecimentos e das competências constitua uma dimensão importante da avaliação da aprendizagem, esta pode assumir uma perspectiva mais ampla: compreender como o aluno aprende, quais dificuldades enfrenta, que estratégias utiliza e quais condições favorecem ou dificultam o seu processo de aprendizagem.

Avaliar a aprendizagem significa, portanto, procurar compreender o aluno enquanto sujeito que aprende. Nesse sentido, a avaliação constitui um importante ponto de partida para a ação educativa, pois permite ao professor obter informações que ultrapassam a simples constatação dos resultados alcançados. Trata-se de um processo intencional e dialógico, por meio do qual professor e aluno podem construir uma compreensão mais profunda sobre o percurso da aprendizagem.

Compreender como os alunos aprendem pode ajudar o professor a tomar decisões pedagógicas mais adequadas. As informações obtidas podem contribuir para a seleção ou reformulação de métodos, estratégias, recursos e atividades de ensino, tendo em consideração as características, necessidades, dificuldades e potencialidades dos estudantes.

Quando essa dimensão da avaliação é pouco considerada, existe o risco de o professor tomar decisões pedagógicas dispondo de informações insuficientes sobre os processos de aprendizagem dos seus alunos. Consequentemente, métodos e estratégias podem ser escolhidos mais com base em pressupostos gerais do que na compreensão concreta daqueles que participam do processo educativo.

Por isso, avaliar a aprendizagem não deve significar apenas perguntar: o que o aluno aprendeu?, mas também procurar responder a questões como: como ele aprende?, quais dificuldades encontra?, que estratégias utiliza?, o que favorece a sua aprendizagem? e como podemos ajudá-lo a aprender melhor?

Assim, a avaliação dos conteúdos e a avaliação da aprendizagem não precisam ser compreendidas como práticas excludentes. A primeira pode fornecer informações sobre os conhecimentos, habilidades e competências desenvolvidos pelos alunos; a segunda amplia essa perspectiva ao procurar compreender também os processos envolvidos na construção dessas aprendizagens.

Em síntese, avaliar os conteúdos é importante, mas compreender a aprendizagem é indispensável. Se a avaliação pretende verdadeiramente contribuir para a melhoria da educação, não deve limitar-se a verificar aquilo que o aluno aprendeu. Deve também procurar compreender como, por que, em que condições e com que dificuldades ele aprende. Afinal, talvez este seja o outro lado da moeda que, por vezes, permanece menos visível no processo educativo.

Por José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 26 de agosto de 2026

Como citar este artigo: 

Carlos, J. N. (2026:8). Avaliação da Aprendizagem: Seu Outro Lado da Moeda! São Paulo: Jornal Cultural ROL.




Quando uma sociedade perde sua memória

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘Quando uma sociedade perde sua memória, o que acontece com sua identidade? Memória, patrimônio e identidade: porque preservar o passado é também  construir o futuro’

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
Quando uma sociedade perde sua memória, não perde apenas o passado, perde parte de sua própria identidade. Neste artigo, reflito sobre a importância da memória, do patrimônio e da cultura na  construção de quem somos. Preservar nossa história é compreender nossas raízes e garantir que o  futuro saiba de onde viemos. Imagem criada por IA. 

RESUMO 

A memória constitui um dos elementos fundamentais para a construção da identidade  individual e coletiva de uma sociedade. Por meio dela, comunidades e gerações  preservam experiências, tradições, conhecimentos, valores, manifestações culturais e  acontecimentos que contribuem para a compreensão de sua trajetória histórica.  Entretanto, o processo de modernização, a transformação acelerada dos espaços  urbanos, a perda de documentos, o abandono do patrimônio histórico e o  enfraquecimento da transmissão cultural entre gerações podem provocar o  distanciamento progressivo entre uma sociedade e suas próprias raízes.

Este artigo  propõe uma reflexão sobre a importância da memória como instrumento de  preservação da identidade cultural e histórica, analisando o papel do patrimônio  material e imaterial, da educação, das instituições culturais, dos historiadores e das  novas tecnologias nesse processo. Discute-se, ainda, a relação entre memória e  identidade, ressaltando que conhecer o passado não significa permanecer preso a  ele, mas compreender as experiências que contribuíram para a formação do presente  e que podem orientar a construção do futuro. Conclui-se que preservar a memória é  uma responsabilidade coletiva e intergeracional, indispensável para que as  sociedades mantenham suas referências históricas e culturais sem deixar de  acompanhar as transformações do mundo contemporâneo.

Palavras-chave: Memória. Identidade cultural. Patrimônio histórico. História. Cultura.  Preservação. Educação. Sociedade. 

INTRODUÇÃO 

Toda sociedade possui uma história. Antes de cada geração existir, outras pessoas  viveram, trabalharam, criaram, construíram, ensinaram, transformaram e deixaram  marcas que, de diferentes maneiras, chegaram até o presente. Essas marcas podem  estar presentes em documentos, livros, monumentos, edifícios, fotografias, obras de  arte, tradições, manifestações populares, costumes, relatos familiares e até mesmo  na configuração das cidades. 

Entretanto, aquilo que hoje parece permanente pode desaparecer rapidamente  quando não existe consciência sobre sua importância. 

É nesse contexto que surge uma questão fundamental: quando uma sociedade  perde sua memória, o que acontece com sua identidade? 

A pergunta não diz respeito apenas à preservação de prédios antigos ou à  conservação de documentos históricos. Trata-se de uma questão muito mais ampla,  relacionada à própria capacidade de uma comunidade compreender sua trajetória,  reconhecer suas referências e transmitir às novas gerações os elementos que  contribuíram para sua formação. 

A memória é uma das formas pelas quais os indivíduos e os grupos estabelecem  relações com o passado. Ela permite reconhecer acontecimentos, personagens,  lugares, tradições e experiências que ajudam a explicar o presente. Entretanto,  memória não significa simplesmente acumular lembranças. Ela envolve seleção,  interpretação, transmissão e, muitas vezes, disputa de narrativas. 

Por essa razão, preservar a memória exige responsabilidade. 

Uma sociedade que destrói sistematicamente seus espaços históricos, abandona  seus arquivos, negligencia seus museus, deixa desaparecer suas tradições e  interrompe a transmissão de conhecimentos entre gerações não está apenas  perdendo elementos antigos. Está reduzindo as possibilidades de compreender sua  própria trajetória. 

O patrimônio histórico e cultural desempenha, nesse sentido, papel essencial. Um  monumento, uma praça, uma igreja, uma antiga estação ferroviária, um casarão, uma  biblioteca ou um objeto de uso cotidiano podem funcionar como testemunhos  materiais de determinados períodos históricos. Da mesma maneira, festas populares,  músicas, danças, culinária, artesanato, conhecimentos tradicionais e narrativas orais  constituem manifestações de um patrimônio imaterial que também precisa ser  valorizado. 

No entanto, preservar não significa transformar o passado em algo intocável ou  idealizado. 

Conhecer a História implica reconhecer tanto conquistas quanto conflitos, tanto  avanços quanto contradições. Uma sociedade madura não precisa esconder seus  capítulos difíceis. Precisa conhecê-los, estudá-los e contextualizá-los. 

Nesse sentido, a preservação da memória está diretamente relacionada à educação.  É por meio da educação histórica e cultural que as novas gerações podem 

compreender que o patrimônio não é simplesmente aquilo que pertenceu aos seus  antepassados, mas uma herança coletiva que recebeu a responsabilidade de  proteger, estudar e transmitir. 

Também as instituições culturais desempenham papel fundamental nesse processo.  Museus, arquivos, bibliotecas, universidades, academias, institutos históricos, centros  culturais e organizações dedicadas às artes e à ciência constituem espaços de  preservação e produção do conhecimento. Essas instituições contribuem para manter  vivo o diálogo entre passado, presente e futuro. 

Ao mesmo tempo, as novas tecnologias oferecem possibilidades inéditas para a  preservação e democratização do acesso à memória. A digitalização de documentos,  a criação de acervos virtuais, os registros audiovisuais e as ferramentas de pesquisa  podem ampliar significativamente o alcance do patrimônio cultural. Contudo,  tecnologia e memória devem caminhar de maneira responsável, sem que a inovação  substitua a importância das fontes históricas, da pesquisa e da experiência humana. 

Este artigo parte, portanto, da compreensão de que memória e identidade estão  profundamente relacionadas. Uma sociedade pode transformar-se, modernizar-se e  incorporar novos valores sem necessariamente abandonar suas raízes. O desafio  está justamente em construir o futuro sem romper completamente com a consciência  do caminho percorrido. 

Preservar a memória significa garantir que as próximas gerações tenham a  possibilidade de conhecer as histórias que contribuíram para formar o mundo que  receberão. 

Mais do que olhar para trás, significa oferecer ao futuro referências para compreender  de onde veio. 

E talvez seja justamente essa a maior importância da memória: permitir que uma  sociedade avance sem esquecer quem é. 

1. A memória como patrimônio de uma sociedade 

A história de um povo não está guardada apenas nos grandes livros de História. 

Ela também está nas ruas antigas, nas praças, nas igrejas, nos casarões, nos  museus, nos monumentos, nos arquivos, nas bibliotecas, nas fotografias, nas festas  populares, nas manifestações religiosas, na culinária, na música, na literatura e nas  histórias contadas pelos mais velhos. 

Está também naquilo que muitas vezes parece insignificante. 

Uma antiga estação ferroviária pode contar a história do desenvolvimento de uma  cidade. Uma praça pode guardar a memória de gerações que ali se encontraram.  Uma fotografia familiar pode revelar costumes, roupas, comportamentos e relações  sociais de determinada época. Uma receita transmitida de geração em geração pode  representar a continuidade de uma tradição cultural. 

Por isso, preservar a memória significa reconhecer que cada geração recebe uma  herança cultural e possui a responsabilidade de transmiti-la às próximas

O patrimônio histórico e cultural não pertence exclusivamente ao passado.

Ele pertence também ao presente e ao futuro. 

2. Uma sociedade não começa hoje 

Vivemos em uma época marcada pela velocidade. 

A informação circula em segundos. Novas tecnologias surgem continuamente.  Pessoas, costumes, linguagens e comportamentos se transformam com grande  rapidez. 

Nesse cenário, existe uma tentação perigosa: acreditar que tudo aquilo que pertence  ao passado é ultrapassado e que somente o novo merece atenção. 

Mas uma sociedade não começa hoje. 

Cada geração é resultado de uma longa sucessão de experiências humanas. 

O mundo que recebemos foi construído por homens e mulheres que viveram antes de  nós. Suas escolhas, seus erros, suas conquistas, seus conflitos, seus pensamentos e  suas criações contribuíram para formar a realidade que conhecemos. 

Ignorar isso é como tentar compreender uma árvore olhando apenas para seus  galhos e folhas, esquecendo completamente as raízes. 

Não existe identidade sem raízes. 

E não existe sociedade verdadeiramente consciente de si mesma quando suas raízes  são deliberadamente esquecidas. 

3. Memória não significa viver preso ao passado 

Preservar a memória não significa transformar o passado em uma prisão. Muito pelo contrário. 

Conhecer a História não significa desejar que tudo permaneça como era. Significa  compreender os processos que nos trouxeram até aqui. 

Uma sociedade madura não precisa idealizar seu passado. 

Ela precisa conhecê-lo. 

Isso significa reconhecer suas conquistas, mas também seus erros. Celebrar seus  avanços, mas compreender suas contradições. Preservar suas tradições, mas  também reconhecer que algumas práticas pertencem a contextos históricos  específicos e podem ser transformadas ao longo do tempo. 

A História não deve ser utilizada apenas para produzir orgulho. 

Ela também deve produzir consciência. 

Conhecer o passado permite compreender por que determinadas estruturas sociais  existem, como determinados valores foram construídos e quais acontecimentos  influenciaram a formação de uma comunidade ou de uma nação.

Por isso, memória e pensamento crítico não são adversários

São aliados. 

4. O perigo do esquecimento 

O esquecimento faz parte da experiência humana. 

Nenhuma sociedade consegue preservar absolutamente tudo. 

O problema surge quando o esquecimento deixa de ser consequência natural do  tempo e passa a ser resultado da negligência. 

Quando um arquivo desaparece por falta de preservação, quando um prédio histórico  é destruído sem reflexão, quando documentos são abandonados, quando tradições  deixam de ser transmitidas ou quando personagens históricos são apagados da  memória coletiva, ocorre algo que vai além da perda material. 

Perde-se uma parte das possibilidades de compreender o passado. 

E cada fragmento perdido pode representar uma pergunta que jamais será  respondida. 

É por isso que a destruição do patrimônio histórico deve ser encarada com seriedade. Não estamos apenas perdendo paredes antigas. 

Estamos perdendo testemunhos. 

Um edifício histórico é uma testemunha silenciosa. Um documento é uma voz  registrada no tempo. Uma fotografia é um instante congelado da existência humana.  Um objeto antigo pode revelar aspectos da vida cotidiana que nenhum grande  discurso histórico seria capaz de reproduzir sozinho. 

Quando esses elementos desaparecem, desaparece também uma parcela da  capacidade de reconstruir o passado. 

5. A memória das cidades 

As cidades talvez sejam alguns dos maiores arquivos vivos da humanidade. 

Caminhar por uma cidade histórica é, de certa maneira, caminhar por diferentes  períodos de tempo simultaneamente. 

Uma construção antiga pode coexistir com um edifício contemporâneo. Uma praça  centenária pode continuar recebendo novas gerações. Uma rua pode conservar o  mesmo nome durante décadas ou séculos. 

Cada espaço possui histórias. 

Teresópolis, Niterói, Rio de Janeiro, Petrópolis, Ouro Preto, Salvador, Recife, São  Luís e tantas outras cidades brasileiras possuem paisagens urbanas que permitem  compreender diferentes momentos da formação do país.

Mas existe uma pergunta fundamental: 

O que acontecerá quando nossas cidades perderem seus referenciais  históricos? 

Se todos os prédios antigos forem substituídos, se as praças forem  descaracterizadas, se os monumentos forem abandonados e se as histórias locais  deixarem de ser contadas, poderemos continuar vivendo nesses lugares, mas já não  os compreenderemos da mesma maneira. 

Uma cidade sem memória pode continuar existindo fisicamente. 

Entretanto, sua identidade pode tornar-se cada vez mais frágil. 

6. A memória também está nas pessoas 

Existe, porém, uma forma de patrimônio que não pode ser colocada dentro de uma  vitrine: a memória humana

Os idosos carregam consigo experiências que muitas vezes não estão registradas  nos livros. 

Conhecem histórias familiares, costumes, brincadeiras, expressões, músicas,  receitas, acontecimentos locais e transformações que testemunharam ao longo de  décadas. 

Quando uma pessoa idosa conta para uma criança como era sua cidade quando  jovem, estabelece-se uma ponte entre duas gerações. 

É uma transmissão cultural. 

Por isso, ouvir os mais velhos também é uma forma de fazer História. 

A chamada memória oral possui enorme importância para a compreensão da  sociedade, especialmente quando relacionada a comunidades e grupos cujas  experiências nem sempre foram suficientemente registradas pelos documentos  oficiais. 

Uma sociedade que deixa de ouvir seus idosos perde não apenas relatos individuais,  mas parte da diversidade de experiências que compõem sua própria trajetória. 

7. História não é apenas aquilo que está nos livros 

É necessário também compreender que História e memória não são exatamente a  mesma coisa. 

A memória está relacionada às lembranças, experiências e representações que  indivíduos e grupos constroem sobre o passado. 

A História, por sua vez, procura investigar criticamente esse passado por meio de  fontes, documentos, testemunhos, objetos, registros e diferentes métodos de  pesquisa. 

Isso torna o trabalho do historiador fundamental.

O historiador não é simplesmente aquele que conta histórias antigas. 

É aquele que investiga, compara fontes, questiona versões, contextualiza  acontecimentos e procura compreender as múltiplas dimensões da experiência  humana. 

Por isso, preservar documentos e patrimônios é também garantir condições para que  futuras gerações possam realizar novas pesquisas. 

Cada geração interpreta o passado a partir de novas perguntas. 

Aquilo que hoje parece secundário poderá tornar-se uma fonte fundamental para os  pesquisadores de amanhã. 

8. A educação como guardiã da memória 

Nenhuma política de preservação será suficiente se a sociedade não compreender a  importância daquilo que está sendo preservado. 

Por isso, a educação ocupa posição central. 

É preciso ensinar às novas gerações que patrimônio histórico não é simplesmente  uma construção velha. 

É necessário mostrar que museus não são depósitos de objetos antigos. 

É preciso explicar que uma fotografia histórica não é apenas uma imagem em preto e  branco. 

É fundamental ensinar que literatura, música, dança, artesanato, festas populares e  tradições também fazem parte da identidade cultural. 

Quando uma criança aprende a reconhecer o valor de sua história local, ela passa a  enxergar sua própria cidade de maneira diferente. 

A educação patrimonial pode transformar moradores em verdadeiros guardiões da  memória. 

9. A cultura como elo entre gerações 

A cultura possui uma capacidade extraordinária de conectar passado, presente e  futuro. 

Uma canção pode atravessar gerações. 

Um livro pode sobreviver ao seu autor. 

Uma obra de arte pode continuar provocando reflexões séculos depois de sua  criação. 

Uma tradição pode ser reinventada sem perder sua essência. 

É justamente essa capacidade de transmissão que torna a cultura tão importante.

Uma sociedade culturalmente viva não é aquela que simplesmente conserva tudo  como era. 

É aquela que consegue preservar suas raízes enquanto cria novos caminhos. Tradição e inovação não precisam ser inimigas. 

O verdadeiro desafio está em encontrar equilíbrio entre aquilo que deve ser  preservado e aquilo que precisa ser transformado. 

10. A tecnologia e a preservação da memória 

A tecnologia também pode desempenhar um papel extraordinário na preservação  cultural. 

Digitalização de documentos, arquivos virtuais, bancos de imagens, bibliotecas  digitais, reconstruções tridimensionais, registros audiovisuais e outras ferramentas  permitem ampliar significativamente o acesso ao patrimônio. 

A Inteligência Artificial, quando utilizada com responsabilidade e critérios adequados,  também pode auxiliar pesquisadores em tarefas como organização de grandes  conjuntos documentais, transcrição, catalogação e identificação de padrões. 

Mas é preciso estabelecer uma diferença fundamental: 

a tecnologia pode ajudar a preservar a memória; ela não substitui a memória. 

Uma reprodução digital de um documento não elimina a importância do documento  original. 

Uma reconstrução virtual de um edifício não significa que sua preservação física  deixou de ser necessária. 

Uma inteligência artificial pode auxiliar na pesquisa, mas não deve ser confundida  com a experiência histórica humana. 

A tecnologia deve estar a serviço da cultura, e não a cultura submetida à tecnologia.

11. Quem decide o que será lembrado? 

Essa talvez seja uma das questões mais importantes. 

Toda sociedade precisa fazer escolhas sobre aquilo que preserva, registra, ensina e  transmite. 

Mas essas escolhas precisam ser realizadas com responsabilidade. 

Durante muito tempo, determinadas narrativas históricas receberam maior destaque  enquanto outras permaneceram à margem. 

Preservar a memória significa também ampliar o olhar. 

A história de uma sociedade é formada por diferentes grupos, diferentes experiências  e diferentes perspectivas.

Por isso, preservar memória não significa construir uma narrativa única e absoluta. 

Significa criar condições para que diferentes experiências possam ser conhecidas,  estudadas, debatidas e contextualizadas. 

Uma sociedade democrática não deve ter medo de conhecer sua própria História. Ao contrário. 

Quanto mais madura é uma sociedade, maior é sua capacidade de olhar para o  passado sem medo. 

12. A identidade não é estática 

Também é importante compreender que identidade não significa imobilidade. A identidade de um povo não é uma peça de museu. 

Ela está em permanente transformação. 

O Brasil de hoje não é o mesmo Brasil de cem, duzentos ou quinhentos anos atrás. 

Entretanto, existe uma continuidade histórica que permite reconhecer elementos que  atravessaram gerações. 

A língua, a literatura, a música, a culinária, as manifestações populares, as tradições  regionais, os espaços urbanos, os símbolos e inúmeras outras expressões culturais  ajudam a construir essa continuidade. 

É justamente essa combinação entre permanência e transformação que produz uma  identidade cultural viva. 

Por isso, preservar a memória não significa impedir mudanças. 

Significa garantir que as mudanças aconteçam sem que uma sociedade perca  completamente a consciência de sua trajetória. 

13. O dever das instituições culturais 

Academias, universidades, museus, arquivos, bibliotecas, centros culturais, institutos  históricos, fundações e organizações da sociedade civil possuem papel fundamental  nesse processo. 

Essas instituições funcionam como espaços de produção, preservação, transmissão e  debate do conhecimento. 

Academias de Letras, Ciências e Artes, por exemplo, podem desempenhar importante  função na valorização dos escritores, pesquisadores, artistas e intelectuais, além de  contribuir para a preservação da produção cultural de diferentes épocas. 

Mais do que conceder honrarias ou reconhecer personalidades, as instituições  culturais possuem uma responsabilidade maior: criar pontes entre conhecimento,  sociedade e memória.

Quando uma instituição cultural realiza uma cerimônia, publica um livro, promove uma  exposição, organiza uma palestra ou reconhece a trajetória de uma personalidade,  pode estar contribuindo para registrar um capítulo da história cultural de seu tempo. 

O registro de hoje pode tornar-se fonte histórica amanhã. 

14. O futuro também depende da memória 

Existe uma ideia equivocada de que preservar o passado significa olhar para trás. 

Na realidade, preservar o passado é uma maneira de olhar para frente com maior  consciência. 

Uma sociedade que conhece seus erros pode evitar repeti-los. 

Uma sociedade que conhece suas conquistas pode valorizá-las. 

Uma sociedade que compreende suas raízes pode construir novos caminhos sem  perder completamente sua identidade. 

O futuro não nasce do vazio. 

Ele é construído a partir das experiências acumuladas pelas gerações anteriores. Por isso, preservar memória é uma forma de responsabilidade intergeracional. Estamos preservando hoje aquilo que talvez não pertença somente a nós. Pertence também àqueles que ainda nascerão. 

15. Quando esquecemos quem fomos 

Talvez a maior consequência da perda da memória não seja simplesmente esquecer  acontecimentos. 

É perder a capacidade de compreender a própria trajetória. 

Uma sociedade sem memória pode tornar-se vulnerável à superficialidade, à  manipulação das narrativas e à repetição de erros. 

Quando não conhecemos nossa História, qualquer versão simplificada do passado  pode parecer verdadeira. 

Quando não conhecemos nossas raízes, qualquer identidade artificial pode parecer  suficiente. 

Quando deixamos de valorizar nosso patrimônio, podemos permitir que aquilo que  levou séculos para ser construído desapareça em poucos anos. 

É por isso que a memória deve ser tratada como patrimônio coletivo. Não se trata de nostalgia. 

Trata-se de consciência.

16. O compromisso com as próximas gerações 

Cada geração recebe uma missão silenciosa. 

Recebemos um mundo que não construímos sozinhos e, inevitavelmente, deixaremos  um mundo para aqueles que virão depois de nós. 

Nesse intervalo entre passado e futuro, somos responsáveis por preservar aquilo que  possui valor histórico, cultural e humano. 

Não poderemos conservar tudo. 

Mas podemos escolher não destruir aquilo que ainda pode ser preservado. Podemos documentar. 

Podemos pesquisar. 

Podemos ensinar. 

Podemos restaurar. 

Podemos ouvir. 

Podemos registrar. 

Podemos valorizar. 

E, sobretudo, podemos transmitir. 

Talvez essa seja uma das mais nobres funções da cultura: impedir que o tempo  transforme a experiência humana em silêncio absoluto

Conclusão 

Quando uma sociedade perde sua memória, ela não perde apenas o passado. Perde referências. 

Perde parte de sua capacidade de compreender o presente. 

Perde elementos que ajudam a construir sua identidade. 

E, em determinadas circunstâncias, pode até comprometer sua capacidade de  imaginar conscientemente o futuro. 

Por isso, preservar a memória não é viver preso ao que passou. 

É reconhecer que somos resultado de uma longa caminhada coletiva. Somos herdeiros de histórias que começaram muito antes de nós. Somos responsáveis por aquilo que recebemos.

E seremos, também, responsáveis por aquilo que deixaremos. 

Uma fotografia preservada, um documento catalogado, um livro publicado, uma  tradição transmitida, um monumento restaurado, uma história oral registrada, uma  criança visitando um museu ou um jovem descobrindo a história de sua própria cidade  podem parecer ações pequenas. 

Mas é justamente por meio dessas pequenas ações que uma sociedade mantém viva  sua memória. 

E talvez a grande pergunta não seja apenas: 

“O que acontece quando uma sociedade perde sua memória?” Talvez devêssemos perguntar: 

“Que sociedade queremos deixar para aqueles que ainda não chegaram?” A resposta começa pela maneira como tratamos aquilo que recebemos do passado. 

Porque uma sociedade que preserva sua memória não está apenas olhando para  trás, está garantindo que o futuro saiba de onde veio. 

Referências 

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF:  Presidência da República, 1988. 

HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006. 

HOBSBAWM, Eric; RANGER, Terence (org.). A invenção das tradições. Rio de  Janeiro: Paz e Terra, 1997. 

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Patrimônio cultural.  Brasília: IPHAN. 

LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Editora da Unicamp, 1990. 

NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto  História, São Paulo, n. 10, p. 7-28, dez. 1993. 

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, Rio de  Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989. 

UNESCO. Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural.  Paris, 1972. 

ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 2016. 

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e  história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 2012. 

BURKE, Peter. O que é história cultural?. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

CANCLINI, Néstor García. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da  modernidade. São Paulo: EDUSP, 2019. 

CERTEAU, Michel de. A escrita da história. Rio de Janeiro: Forense Universitária,  2011. 

GONÇALVES, José Reginaldo Santos. A retórica da perda: os discursos do  patrimônio cultural no Brasil. Rio de Janeiro: Editora UFRJ; IPHAN, 1996. 

LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro:  Zahar, 2001. 

RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas, SP: Editora da  Unicamp, 2007. 

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São  Paulo: EDUSP, 2006. 

SILVA, Tomaz Tadeu da. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos  culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

Alexandre Rurikovich Carvalho

Voltar

Facebook




O ato comunicativo

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘O ato comunicativo’

https://gemini.google.com/app/832006913e802a10?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

1. Na comunicação e no relacionamento interpessoal, as pessoas e as organizações têm de ser competentes, aqui no conceito prático de obtenção dos melhores resultados, isto é, fazer passar as mensagens verbais e não-verbais, que se vão transmitindo no exercício dos múltiplos papéis que diariamente são desempenhados pelas pessoas e organizações. Exija-se, pois, competência.

2. O relacionamento humano seria impossível sem o ato comunicativo, entendido este como uma interação entre pessoas que desejam a convivencialidade societária, seja em contexto familiar, profissional, social, religioso ou outro. As relações humanas pressupõem diálogo, troca de ideias, transmissão de conhecimentos, divulgação de factos, manifestação de sentimentos e tantas outras intervenções, só possíveis, pela comunicação, verbal e/ou não verbal. 

3. Todas as comunicações humanas apresentam complicações, que os interlocutores procuram, por vezes, resolver e, outras vezes, dificultam: 

a) Um primeiro problema que se coloca é que em todas as comunicações humanas ninguém pensa que há obstáculos: quer se esteja a conversar com uma pessoa, ou com um grupo; 

b) Uma outra dúvida é que os indivíduos, de uma maneira geral, não são muito bons ouvintes, realmente a ouvir, quando alguém fala com eles e, depois, a entender corretamente o que ouvem.

4. O relacionamento interpessoal provoca, necessária e inevitavelmente, determinados comportamentos comunicacionais: uns, eventualmente, premeditados, estudados e treinados; outros, espontaneamente. Apesar de tais limitações, é possível caracterizar os diversos comportamentos comunicacionais, a partir de critérios definidos: «a) Afirmatividade do comunicador (transparência da linguagem); b) Respeito pelo interlocutor (respeito pelo outro. A partir destes dois critérios e como posicionamento prévio, aceitam-se quatro grandes tipos de comportamento comunicacional, a indicar: assertivo; passivo; agressivo e manipulador.

5. Caberá ao sistema educativo, apoiado na sua principal estrutura, a Escola, ensinar a usar, corretamente, uma determinada língua, na circunstância, a língua oficial em vigor no respetivo país. A esta estrutura, por enquanto ativa e insubstituível, para além de transmitir todo um conjunto de técnicas, regras e significações, compete-lhe, também, promover, dinamizar e aferir os resultados do ato comunicacional, incentivando os elementos essenciais: emissor-recetor para o desenvolvimento e aprofundamento do diálogo, com recurso aos métodos que em cada situação se considerem os melhores, de imediato, entre professores e alunos,

6. Diz-se que se está numa situação argumentativa, entre outras, sempre que se é chamado a tomar posição face a algo: seja a uma atitude; a um ato; a um projeto; a uma decisão; a um critério. Argumentar é, também, comunicar e daí a conveniência de se conhecer bem o recetor, para que se verifique uma compreensão cabal do discurso argumentativo

7. A tónica para o desenvolvimento de relações humanas sadias, frutuosas e duradoiras passa pela ação comunicacional, pelo ato comunicativo entre pessoas, entre grupos, entre nações. Não haverá outro caminho mais seguro e pacífico do que aperfeiçoar todas as técnicas, estratégias e metodologias para uma prática de relações humanas que possa estar acima de todo e qualquer interesse ilegítimo. 

A instituição de um paradigma comunicacional impõe-se, hoje, à sociedade universal, sendo urgente implementar todos os recursos possíveis para que o relacionamento humano intercultural, inter-religioso, intergrupal, interplanetário, seja uma regra e não uma exceção.

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

Voltar




Os infelizes vigias e os vigiados sôfregos!

José Ngola Carlos

Os infelizes vigias e os vigiados sôfregos!

Kamuenho Ngululia
Kamuenho Ngululia
Imagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/s/m_6a3ef135e93481919c11efe051f002b5

Ser educado é uma condição que confere prestígio ou respeitabilidade a quem deste atributo se valha. Para tal, a família, o círculo de amigos, as experiências no trabalho, na comunidade religiosa, na escola e em outros ambientes concorrem para que tal se concretize. Daqui resulta a compreensão de que, a escola não é, e não pode ser, o espaço privilegiado ou exclusivo para a formação integral das pessoas.

Apesar do acima dito, o concurso da escola para tornar os seres humanos educados é de uma importância tal que, ser educado não pode ser confundido com apenas ser intelectualizado. A educação é uma prática e qualidade na qual se encerram, fundamentalmente, dois elementos: a inteligência cognitiva e a inteligência ética, conforme diria o Professor Doutor Will Tuttle (2005). Quem foi verdadeiramente educado, não se pode achar apenas com a mente capacitada, torna-se imperativo que se encontre também com o coração treinado (Osho, 1960).

Infelizmente em Angola, quero crer que esta situação reflete uma triste realidade que se pode encontrar um pouco por toda parte do mundo, o sucesso da nossa educação é medida, esmagadoramente, pela quantidade de estudantes que transitam de uma classe para outra, do que pela qualidade dos saberes, valores e práticas adquiridas por eles ao longo da classe frequentada.

Uma prova do fracasso moral da nossa educação acadêmica, em relação aos estudantes, está no fato de que em momentos de provas ou exames, os professores são transformados em infelizes vigias e os estudantes, em vigiados sôfregos. O que eu vejo neste triste episódio é uma fealdade, diria o pedagogo Allan Kardec (1944), que denuncia uma relação de cão e gato, onde o professor, incapaz de ensinar as necessárias qualidades morais, vê-se obrigado a recusar a liberdade aos estudantes que, sem dúvida, enveredarão a práticas de desonestidades acadêmicas porque pouco ou nada aprenderam ao longo do ano.

É preciso educar, mas educar com amor, paciência, inteligência e domínio dos saberes, valores e práticas que se quer inculcar nos estudantes. A educação é como uma faca de dois gumes, se ministrada com qualidade, torna os seres humanos valorosos. Porém, se ministrada sem consciência, servirá, certamente, como um tiro pela culatra.

Referência

Kardec, A. (1944). Obras Póstumas. Federação Espírita Brasileira.

Osho. (1960). Revolution in Education. Osho International Foundation.

Tuttle, W. (2005). The World Peace Diet. Lantern Books.

José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 26 de junho de 2026

Como citar este artigo: 

Carlos, J. N. (2026:6). Os Infelizes Vigias e os Vigiados Sôfregos! Brasil: Jornal Cultural ROL.

Voltar

Facebook




Direitos humanos, enquanto pontes para a paz

Diamantino Lourenço Rodigues de Bártolo

‘Direitos humanos, enquanto pontes para a paz’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69d69d15-f0c8-83e9-9349-ece4b191b68a

A problemática da educação para a cidadania, e para os direitos humanos, ganhou visibilidade e pertinência maiores a partir da Segunda Guerra Mundial e também em Portugal. Mas se entre portugueses existiram (e ainda existem) graves situações de violação dos direitos humanos, como adiante se anotará, também nos territórios que atualmente constituem a CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa, o panorama não será o melhor, todavia, é oportuno, e justo, realçar o esforço que a partir das respetivas “Constituições Políticas”, bem como no domínio da intervenção concreta e diária se vem fazendo, para melhorar comportamentos, atitudes e sensibilidades, relativamente ao cumprimento intransigente dos direitos humanos, os quais quando respeitados, constituem autenticas Pontes entre povos.

Um aspeto que importará referir, prende-se com o apelo que fica à sensibilidade de cada um, para a formação da cidadania. Em função das épocas, dos locais, das culturas, da formação e educação das sociedades, entre outros fatores, também os valores serão diversos, não opostos, mas diferentes e, mesmo assim, haverá uma panóplia comum a todos os homens ou, pelo menos, é necessário que o seja. Os valores absolutos serão difíceis de se aplicar, contudo, cabe o dever de tentar implementá-los.

É importante, neste breve apontamento, vincar a ideia da tolerância, entendendo-a como fundamental para a compreensão dos demais valores, que visam proteger a cidadania, esta como a grande PONTE, quando se habita um mundo cada vez mais universal, mais integral e globalizante, em que não é fácil lutar contra sectarismos e etnocentrismos onde, quando convém, consideram-se como bons os próprios atos, como excelentes as suas ideias; porém confrontados com opiniões, contrariedades e interferências, nos interesses privados, faltam a cidadania e a tolerância para compreender e aceitar os atos e as ideias dos outros concidadãos. Em vez de muros, construam-se PONTES.

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

Voltar

Facebook




Mudar é difícil, mas é possível!

José Ngola Carlos: ”Mudar é difícil, mas é possível!’

Kamuenho Ngululia
José Ngola Carlos
Paulo Freire – Imagem gerada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69c82da8-bc0c-83e9-95b4-5bd6d8355450

Agora, sim, Paulo Freire me é familiar!

O empreendimento não foi de estudo rigoroso e sistemático, mas o de simplesmente conseguir alguma familiaridade com o pensamento didático, pedagógico e político de Paulo Feire. Para isto, foi necessário empreender um projeto de leitura extensiva de 24 (vinte e quatro) livros em Português e 11 (onze) livros em Espanhol.

Ao começar com os livros em Português, conveio priorizar o icônico Pedagogia do Oprimido. Não raro, as pessoas que nada ou pouco conhecem sobre a vida e obra de Freire, mediante leitura, o conhecem apenas pela referência da obra Pedagogia do Oprimido, como se se tratasse da sua primeira e última obra. Porém, Paulo Freire escreveu dezenas de livros que merecem igual menção honrosa como o da Pedagogia do Oprimido.

Finda a leitura dos livros que tinha disponível em Português, o percurso continuou com os livros em Espanhol que não estavam disponíveis na Língua Portuguesa. Assim, para conseguir a tão desejada familiaridade com o pensamento de Freire, foram necessários, para o meu caso, a leitura de 35 (trinta e cinco) livros seus.

No dia 28 de Agosto de 2025, termino o percurso de familiaridade simples, porém, não simplista, conforme diria Freire, com a filosofia educativa do autor lendo a obra Pedagogía de los Suenos Posibles.

Neste pequeno texto, que agora disponibilizo ao Jornal Cultural ROL e aos meus leitores e leitoras, aos quais muito estimo, mais do que simplesmente registar a memória de uma trajetória de leitura que visava compreender a ontologia, axiologia e epistemologia de Paulo Freire, o texto também se propõe como um exercício de síntese de um período de leitura-estudo. O texto pretende igualmente despertar o interesse dos leitores e leitoras para o estudo das obras de Freire e, muito objetivamente, é intensão do autor fornecer uma espécie de visão geral do pensamento freiriano, embora não se pretenda completa.

Dentre vários assuntos tratados por Paulo Freire em suas obras, que na sua maioria se consubstanciam em diálogos, cartas e conferências, constam:

  1. A educação como um ato político;A prática educativa como intrinsecamente dialógica e dialética;
  2. A educação como um quefazer cultural e revolucionário e não reacionário;
  3. A denúncia da prática educativa como uma prática ideologicamente não neutra;
  4. Uma séria crítica ao sistema educativo tradicional e bancário como não sendo verdadeira educação, mas um ato de domesticação e manutenção do poder que a minoritária classe dominante exerce sobre a esmagadora classe dominada;
  5. A educação como ato de conscientização e de alcance à liberdade de pensamento, de manifestação e de construção e reconstrução do mundo;
  6. A necessidade da invenção e reinvenção educativa como processo histórico, etc, etc.

Paulo Freire é digno das menções honrosas que lhe são feitas no mundo todo, dada sua justa luta e conquistas na educação, com e em favor das classes oprimidas.

É necessário sonhar, porque é impossível existir como ser humano sem sonhos. É necessário lutar destemidamente pelos sonhos para que eles se tornem realidades. Somado ao destemor, é necessário persistência, sabedoria, fé, amor e ética enquanto se luta justamente para a humanização do mundo que a todos nós acolhe.

Mudar é difícil, mas é possível!

José Ngola Carlos, Msc.

Malanje, 27 de março de 2026

Como citar este artigo: Carlos, J. N. (2026:3). Mudar é Difícil, mas é Possível! Brasil: Jornal Cultural ROL.

Voltar

Facebook