Pomar da esperança

Denise Canova: Poema ‘Pomar da esperança’

Denise Canova
Denise Canova
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Pomar da Esperança

Onde a paz vive

Lindamente

Pomar da Esperança

Onde eu vivo em paz

Pomar da Esperança

Harmonia e paz reinam juntas

Meu pomar da esperança.

Dama da Poesia

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Mamasita

Jane Nash: Poem ‘Mamasita’

Jane Nash
Jane Nash
Mamasita Susan - Personal archive
Mamasita Susan – Personal archive

Nine years old this year
If you were a dog that would be bad
But tis 9 years since the stem cell transplant
9 years since being told
you’re at the end of the road
9 years since sitting in that restaurant
The three of us
Getting to grips with the fact
it might just all be over
The chemotherapy
The sickness
The losing of hair
Which is more devastating
that one can imagine
The terrible wig
The hat I knitted you to keep your head warm
The first thing I had ever knitted
For the last months of your life

Nine years old this year
When all the markers were against you
AML
it sounds like a football club abbreviation
Acute – there’s nothing cute about
Myeloid – it belonged to all of us
Leukemia – there are no good recovery stats
I watched you shrink,
Washed you
Fed you
Watched you hoping all the time
That this was no Black Star
I wanted in the small hours
A Lazarus effect
But to watch your tiny bones
Your shrinking body
Your little face
My soul began to take bites out of itself

Nine years old this year
Nine glorious accounts of rebellion
With each new birthday I have become
A little cheekier with fate
When I feel that my life is at a standstill
I look at your face, your fuller face
Your stronger bones
Your proud to be ageing body
I am reminded that miracles
Come in the form of packages
It takes a team of us, of them and
Your absolute resolve to survive
To happen
I never mind hearing your voice
Even if I’m tired and falling asleep
When you call across the time zones
I relish the sound of you
The recall of your daily adventures

No matter how ordinary
Because life can never be mundane

Jane Nash

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A sign in a dark sky

Jane Nash: Micro-Story ‘A sign in a dark sky’

Jane Nash
Jane Nash
Imagem criada pela IA da Meta - https://meta.ai/create/1069616216240091
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At the beginnings of our time, we watched shooting stars over the blackened palm trees beneath the dark blue velvet, wrapped around the moon.

Stars upon stars upon shooting stars. We hid our wishes from each other lest they be jinxed and not eventuate.

It’s strange to place a wish, a hope upon a termination, the last vestige of a dying star. When did it come to represent positive thinking instead of portents of doom? Is hope a waste of time, a lie or simply an admission of emptiness.

Never-the-less we wished. I did anyway. I assume he did. If not, shame on him for wasting an opportunity to convert a lie into creative projection, whatever that’s worth.

There was no sand in the cuffs of my jeans, no water upon my feet. The cool, hard coral sliced its way into my open palm as I placed my hand down to push me up. My tongue tasted the rusted, steel edge fresh blood conveys.

The moon dripped light from its fabric hammock. He kissed the smudge upon my lips. 

What else was there to see; cosmic tails flaring across our tropical sky or earthly paint of life’s reminder to breathe?

Jane Nash

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Vesti um sorriso

Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Vesti um sorriso’*

Sergio Diniz
Sergio Diniz
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“Não sabia o que vestir hoje

Vesti um sorriso…” e saí

Sai às ruas como quem sai ao vento

De uma manhã lufando esperança

Esperança de que, no meio do caminho,

Encontrasse outros sorrisos iguais

E assim, numa sorridente manhã,

Teria a certeza de que,

No Guarda-Roupa da Felicidade

Escolhi a veste da igualdade.

* Poema inspirado numa frase postada no Facebook pela amiga Jaque Guarani Kaiowá,
com os dizeres “Não sabia o que vestir hoje. Vesti um sorriso.”

Sergio Diniz da Costa

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Renascimento verde

Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Renascimento verde’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
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“Sempre haverá o botão
De uma rosa se abrindo”
Assim ouvi, adentrando
No jardim em ruína.

De quem era aquela voz?
Por que a mim se dirigia?
E onde estavam os botões?
Pois, olhando, eu nada via.

“Sempre haverá o botão
De uma rosa se abrindo”
Assim repetiu aquela voz
Que, das ruínas, soou atroz.

“Não sucumbe a semente profunda”
Soou, novamente, a mesma voz
Mas, nada entendendo, ela pareceu
Ter vinda de algum algoz.

“Não sucumbe a semente profunda”
Insistiu a misteriosa voz
Porém, não mais feroz
Mas, de uma calma oriunda.

E, assim, num instante
Dali não muito distante
Um inebriante perfume
Do cinza brotou o verdume.

E na manhã daquele dia
Quando sonhar não se podia
Um botão de rosa se abriu
Pois uma semente profunda
Da verde esperança surgiu!

Sergio Diniz da Costa

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O despertar

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora: ‘O despertar’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada por IA do Bing em 25 de novembro de 2025, às 17:00 PM
Imagem criada por IA do Bing em 25 de novembro de 2025, às 17:00 PM

Alegria, felicidade, proteção divina, harmonia, plenitude, equilíbrio, sorte, fé, esperança, êxito e conquistas.

Palavras que parecem distantes umas das outras, mas que, na verdade, são fios do mesmo tecido: o tecido da vida integral.

Quando nos abrimos para a alegria, o corpo respira diferente.

Quando cultivamos a felicidade, a mente se organiza.

Quando confiamos na proteção divina, o espírito se fortalece.

Quando buscamos harmonia, plenitude e equilíbrio, começamos a nos alinhar por dentro, e isso transborda por fora.

E é nesse alinhamento que a sorte deixa de ser acaso e passa a ser consequência.

Que a fé ganha forma, a certeza de que vamos receber aquilo que tanto esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.E nessa dimensão invisível, a fé se torna escudo que nos protege, guardando nossos sentimentos, nossas decisões e nosso caminho.

Que a esperança encontra morada.

Que o êxito se transforma em jornada e não apenas em chegada.

Que as conquistas deixam de ser externas e passam a nascer primeiro no coração.

A vida integral nos chama para esse despertar.

Um despertar que não acontece de uma vez, mas em pequenos atos:

uma respiração consciente, um passo a mais na atividade física, um descanso intencional, um alimento que nutre de verdade, uma pausa que te reconecta, uma oração que te realinha, um gesto de gratidão que ilumina o caminho.

E assim,  pouco a pouco, dia após dia, você se torna templo, trilha e testemunho.

Se torna aquilo que ensina.

Se torna saúde em movimento.

Hoje, eu o convido: desperte o que já existe dentro de você.

A alegria que você busca.

A plenitude que você deseja.

A fé que o sustenta.

O equilíbrio que lhe devolve o rumo.

As conquistas que já estão sendo formadas no seu interior.

Comece agora. Comece com o que você tem.

A saúde integral não é um destino, é uma escolha, e você pode fazê-la hoje.

Joelson Mora

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Entre o céu e o fuzil

Clayton Alexandre Zocarato: ‘Entre o céu e o fuzil’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
Imagem criada por IA do Grok
Imagem criada por IA do Grok

O sol nasce cedo demais no alto do morro. A luz bate nas lajes como quem cutuca um ferido que ainda dorme.

Lá embaixo, a cidade desperta com café passado e trânsito engarrafado; aqui em cima, o dia começa com o eco metálico do primeiro tiro da manhã. 

Ninguém se espanta. A vizinhança aprendeu a distinguir o calibre pelo som.

Na viela da Dona Juraci, o portão ainda guarda as marcas de bala da semana passada. Ela varre o chão como quem reza.

Diz que limpar o sangue do menino Caíque foi o pior trabalho da vida — e olha que ela já trabalhou em casa de madame, limpando sujeira de festa e de culpa. 

Agora, o pó é outro: não o do tapete, mas o que corre pelas veias dos meninos do beco, embalado em sacolés de cinquenta.

O cheiro de café se mistura ao da pólvora. 

Na birosca do Zeca, a televisão fala de política e de corrupção — palavras grandes demais pra quem vive espremido entre o morro e o esquecimento.

O problema do Brasil é a violência, diz o âncora, engomado e seguro atrás do vidro. Aqui, a frase soa como piada. 

A violência não é o problema — é o ar que se respira. O problema é não poder parar de respirar.

As crianças jogam bola no campinho de terra. 

A trave é de cano velho, a bola, remendada com fita isolante. Lá em cima, dois homens observam. Estão armados, mas parecem entediados.

Um deles, de apelido Muringa, mastiga um chiclete e diz que queria ter sido jogador também. 

O outro ri, dizendo que no morro, quem chuta bola demais acaba chutado pela vida. 

Eles guardam o território, o ‘movimento’, a fronteira invisível que separa o asfalto do abismo.

E é curioso: aqui, as fronteiras são feitas de medo, não de muros. Todo mundo sabe até onde pode ir. A linha entre o ‘deles’ e o nosso é mais sagrada que mandamento.

Cruzar o beco errado é cometer pecado mortal. Mas, diferentemente da Bíblia, aqui o perdão não vem depois da confissão — vem com chumbo.

No domingo, o bar do Valdir enche.

O samba come solto, o churrasco fumaça o ar e, por um instante, o morro esquece que está sitiado. 

Dona Lúcia dança, o pequeno Jonatas brinca de vender cerveja, e o riso corre solto. Até que o rádio chiado de um dos rapazes estala.

Uma mensagem curta, sussurrada no chiado das ondas: “Avisaram que o caveirão tá subindo”. O samba morre no mesmo acorde.

O silêncio que segue é pesado como caixão. 

Cada um corre pra sua toca, cada olhar procura refúgio. 

Os traficantes recolhem os fuzis e as garrafas, num balé ensaiado. O morro se transforma em trincheira. E o menino Jonatas, aquele da cerveja, fica ali, perdido, sem saber pra onde correr.

Quando o primeiro estampido vem, ele se joga no chão, instintivamente. E aprende — cedo demais — que no morro a vida se mede em segundos de reação.

Depois do tiroteio, o cheiro de gás lacrimogêneo desce como névoa. Os helicópteros ainda rondam, cuspindo luz sobre telhados.

O locutor do rádio, no asfalto, diz que a operação foi um sucesso. Aqui, o sucesso tem outro nome: sobreviver.

Na segunda-feira, o comércio reabre. Zeca limpa a vitrine, ajeita os engradados, finge normalidade. 

A normalidade é uma armadura — quem tira, morre.

As crianças voltam à escola, mas o professor falta. Dizem que ficou preso na Linha Amarela, por causa da operação.

A aula vira recreio improvisado. Uma menina desenha o céu, mas o pinta de cinza.

– Por quê, Clara – pergunta Zeca, curioso.

– Porque azul não existe mais – responde ela, sem levantar os olhos.

O azul virou lenda. O morro vive em tons de concreto, ferrugem e medo. 

O céu, quando não está coberto de fumaça, parece longe demais, quase uma ofensa.

E é nesse cenário que o cotidiano insiste em florescer. Dona Juraci continua vendendo quentinha — arroz, feijão, carne moída e esperança. 

O gás acabou, mas ela dá um jeito. Muringa passa na porta, armado, e compra uma. Diz bom dia com um sorriso tímido, como se pedisse desculpa por existir. 

E talvez peça mesmo. Aqui, todo mundo deve alguma coisa a alguém — e ninguém sabe exatamente o quê.

De vez em quando, um corpo desce o morro, enrolado em lençol. 

A TV não mostra, o jornal não imprime. Só quem carrega o peso é o povo, que segue o cortejo em silêncio, enquanto o funk de algum barraco explode alto — não por desrespeito, mas por sobrevivência. 

O som alto é o escudo contra o choro.

À noite, o morro se ilumina com luzes trêmulas: lâmpadas penduradas em fios roubados, velas acesas em altares improvisados, cigarros brilhando nas sombras.

Lá de cima, a cidade brilha como um outro planeta, inacessível. 

O contraste é cruel: o luxo iluminado pela miséria. 

E, ainda assim, há vida — pulsando, teimosa, quente.

Dona Juraci reza. Pede paz, mas já nem sabe o que isso quer dizer. Muringa observa o horizonte e pensa se um dia vai poder andar na praia sem medo de ser preso. O menino Jonatas dorme abraçado num carrinho de brinquedo — o único que sobrou inteiro. E o som dos tiros, mesmo quando cessam, continuam ecoando dentro de cada um.

No dia seguinte, o noticiário fala de mais uma operação bem-sucedida. A cidade aplaude, aplaude de longe, de longe onde o sangue não salpica.

Bandido bom é bandido morto, dizem. Mas esquecem que, aqui no morro, bandido e vítima moram na mesma casa, dividem o mesmo prato, o mesmo sobrenome.

Porque o que chamam de ‘violência’ é, muitas vezes, o nome que dão à pobreza quando ela resolve gritar.

E o morro grita, sim. Grita com funk, com tiro, com prece, com festa. 

Grita pra não ser apagado. Grita porque o silêncio seria o fim.

No fim da tarde, o sol se põe devagar sobre o Rio, tingindo o céu de vermelho. O mesmo vermelho que mancha o chão do beco, o mesmo que tinge a bandeira da esperança.

A cidade é linda — dizem os cartões-postais. Mas ninguém tira foto do lado de cá.

E se tirasse, talvez não coubesse em moldura: uma cidade partida, onde o fuzil é rei, o medo é súdito e a vida, mera sobrevivência.

Mas há algo que resiste — teimoso, desobediente — entre os becos e as balas.

É o amor, aquele mesmo, clandestino e corajoso. 

Aquele que faz nascer criança em meio à guerra, que faz mãe lutar, que faz o morro inteiro dançar mesmo quando o ‘caveirão’ ronda.

Talvez seja isso que o asfalto nunca entenda: que o morro, apesar de tudo, não é só tragédia. 

É também vida, barulho, cor, improviso e fé. 

É o território onde o impossível se acostumou a existir.

No fim da noite, quando o silêncio finalmente pousa, o vento traz o som distante de um tamborim. E alguém canta, baixinho, lá no alto:

Enquanto houver sol, haverá esperança.

A música sobe e desce pelas vielas, como um recado.

E o morro, cansado, mas vivo, responde com um sopro: “A gente ainda tá aqui.”

Clayton Alexandre Zocarato

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