Então Deus criou a mulher

Verônica Moreira: Crônica ‘Então Deus criou a mulher’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Uma representação artística do Jardim do Éden. No centro, Adão e Eva estão sentados entre flores. Eva segura uma maçã vermelha e olha para uma criatura metade homem, metade cobra que está enrolada em uma macieira à direita. A criatura estende a mão para ela. O fundo é uma paisagem de floresta exuberante com cachoeiras e vários animais.
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A vida é uma obra-prima esculpida por Deus. Ele, o grande pintor do universo. Aquele que desenhou, com o verbo, tudo o que foi feito. Em cada detalhe, verbalizou a perfeição, a graça e a luz.

Não havia imperfeições na criação. Cada animal, cada ave, cada inseto, cada árvore e cada tom de verde eram verbalizados com o mais minucioso detalhe. O que o olho humano não alcança foi o que Deus planejou para o interior do homem. E, quando Ele disse: “Haja luz”, a luz raiou e aqueceu a Terra; assim fez-se o dia. “Haja noite”, e a escuridão tomou conta do céu. Por amor, para que o céu não ficasse em total escuridão, Ele fez a Lua e verbalizou novamente: “Haja estrelas!”.

Somos tão especiais para Deus que Ele planejou tudo o que, para nós, humanos, talvez fossem insignificâncias. Mas então Ele fez o homem… Ah, o homem… a mais perfeita criação, um ser dotado de força, agilidade e pronto para governar o mundo. O homem governou sobre os animais; as feras o temiam. As serpentes fugiam dele, e isso era perfeito.

Todavia, o homem não foi suficiente sozinho. Embora na companhia dos animais, ele sentia-se só. Olhava para os animais, todos com sua fêmea; ele, no entanto, dormia nu, deitado sobre o gramado verde, fora de período, e não compreendia sua solidão. Pobre Adão, ali se viu um poeta. Perguntou para Deus: “Por que eu não tenho uma companheira para me trazer calor? Gostaria de poder me debruçar no colo de uma fêmea, assim como os leões e todas as espécies que existem neste jardim. Oh, Deus, por que não fez tudo perfeito para mim? Acaso eu não mereço este favor?”.

Adão começou a pensar que os animais eram mais amados por Deus do que ele próprio, que era feito à imagem e semelhança do Criador.

Então Deus viu, naquele momento, nascer o poeta questionador e percebeu que ele precisava de uma resposta para seus conflitos internos. Decidiu criar a companheira que Adão queria. Fez Deus que Adão caísse em profundo sono e tomou uma de suas costelas. Mais uma vez verbalizou, dizendo: “Haja beleza, doçura e encanto. Haja calor e uma pele aveludada para aquecer seu companheiro. Haja seios e pernas contornadas, cabelos belíssimos que caiam sobre suas costas, e que ela seja forte para fortalecer seu companheiro quando ele se sentir fraco. Que ela seja inteligente para governar com ele”.

Então Deus criou a mulher…

Ao acordar do profundo sono, Deus chamou: “Adão! Venha ver sua companheira”. Adão, maravilhado com a perfeição de sua fêmea, disse: “Osso dos meus ossos e carne da minha carne”.

Deus disse: “Você agora não está só. Cuide da sua companheira, não a deixe só. Proteja-a com sua vida, se preciso for”.

Um cenário perfeito, uma mulher perfeita, e agora sim, Adão se considerava um homem perfeito.

Mas Adão não cumpriu o que Deus disse e, depois de muito conviver com a mulher, sentiu falta dos animais e da solidão. Passou a deixar sua mulher sozinha. Ela, sentindo-se só, passou a caminhar por todo o jardim e, numa das árvores, conheceu uma serpente falante que a seduziu.

E o final da história todos já sabem… Adão culpou Deus, a mulher culpou a serpente, e a serpente nem havia saído do lugar; a mulher foi até ela. Deus havia dito para Adão e Eva que poderiam comer de todas as árvores do Jardim, menos da árvore da ciência do bem e do mal.

Deus poderia destruir Eva, mas Adão ficaria revoltado e só novamente. Então Deus decidiu que o homem deveria, a partir daquele dia, se virar sozinho; a mulher deveria sentir dores e ter filhos para aprender a não ser desobediente; e a serpente passou a rastejar e comer o pó da terra por todos os séculos.

Mas o que se aprende com tudo isso é: homens, não abandonem suas mulheres, pois as serpentes hoje estão por toda parte. Mulheres, não pisem em lugares que não foram feitos para vocês; ali vocês sentirão dores desnecessárias. E serpentes, não pensem que ficarão impunes quando causarem danos aos filhos de Deus.

Aos poetas, Deus disse: continuem questionando, mas quando tiverem a oportunidade de viver a resposta, aproveitem cada segundo porque eles não voltam.

Verônica Moreira

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Evergreen

Kali Baral: Poem ‘Evergreen’

Kali Baral
Kali Baral
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In my reincarnation,
a tree I’ll be.
From earth’s deep union,
blossoms will rise.

The neighboring birds will
brim with tender affection.
The heavens will bloom—
a house of branch and breath.

Breathing roots, a thousand years,
etched in time’s calendar.

In the melody of wind,
the branches sway,
life whispering everywhere.

I’ve tucked my age
into history’s verse,
cradled softly like a sacred song.

We’ll be green together,
rooted deep in earth’s embrace.

Evergreen in our veins,
we’ll stand—
firm, side by side.

Listen,
in the next life,
we’ll surely be green.

Kali Baral

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Hoy

Rosa Judy Parreño Baca: Poema ‘Hoy’

Judy Parreño Baca
Judy Parreño Baca
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Mís lágrimas sé revelan,
hoy no veó nada,
hoy mataría a mí propia
Alma.
Mís sueños sé perdieron, al compás dé la maldad, él es un sueño,
y Ahora despertaré sín dormír.
Tengo acorraladas mí pena, y mí sonrisa sé volvió hielo…
Fuí él juego dé una crónica, anunciada escrita, con muchas risas burlonas,
cómplice dé su libreto al revés, qué miré y sonreí,
quizá fué una mueca, dé sabor a hiel.
Caminaré descalza, por montes puntiagudos, y por sueños despiertos.
Caminaré mirando al Cielo otra vez.

Judy Parrreño Baca

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Pacto

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora: Ensaio ‘Pacto’

Joelson Mora
Joelson Mora
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Imagem criada peloa IA do Bing, em 09/07/26 às 10:45h

A palavra pacto costuma despertar imagens muito específicas. Alguns pensam em contratos, outros em alianças religiosas e há quem a associe a histórias envoltas em mistério. Em sua essência, porém, um pacto é simplesmente um compromisso assumido com consciência e responsabilidade.

E, talvez, seja justamente aí que esteja a sua maior força.

A vida humana é construída sobre pactos.

Desde cedo fazemos acordos com a sociedade, com a família, com o trabalho e com as pessoas que cruzam o nosso caminho. Assumimos responsabilidades, fazemos promessas e estabelecemos compromissos que orientam nossas escolhas. Entretanto, existe um pacto que antecede todos os demais e que, muitas vezes, passa despercebido: o compromisso que estabelecemos com a própria consciência.

Esse pacto não é firmado com uma assinatura, mas com decisões.

Cada vez que escolhemos agir com honestidade quando ninguém está olhando, renovar um hábito, controlar uma reação impulsiva, cuidar da saúde ou oferecer perdão, reafirmamos um compromisso silencioso com quem desejamos nos tornar.

Na perspectiva espiritual, esse é o verdadeiro ponto de partida da transformação. Antes de mudar o mundo ao nosso redor, somos convidados a transformar o mundo que existe dentro de nós. Grandes tradições espirituais, cada uma à sua maneira, ensinam que a verdadeira mudança nasce no interior e se revela nas atitudes. A espiritualidade deixa de ser apenas um conjunto de crenças para tornar-se uma forma de viver.

Mas existe um aspecto ainda mais profundo.

Somos seres que influenciam e são influenciados constantemente. Nossos pensamentos despertam emoções, as emoções orientam comportamentos e nossos comportamentos moldam os ambientes onde vivemos. A ciência demonstra que estados emocionais afetam nossa saúde física, nossas relações e até a forma como enfrentamos desafios. Da mesma forma, muitas tradições filosóficas utilizam a ideia de “vibração” para representar a qualidade da presença que levamos ao mundo. Quando cultivamos serenidade, esperança, gratidão e compaixão, nossa presença tende a gerar confiança e acolhimento. Quando alimentamos medo, ressentimento ou agressividade, esses estados também se refletem na forma como nos relacionamos.

Por isso, falar em elevar a própria vibração não significa recorrer ao pensamento mágico, mas assumir a responsabilidade de cultivar pensamentos, emoções e atitudes que favoreçam uma vida mais equilibrada. Nossa energia não é apenas aquilo que sentimos; é também aquilo que transmitimos por meio da nossa presença.

Esse entendimento aproxima o conceito de pacto da Saúde Integral. Corpo, mente, emoções, relacionamentos e espiritualidade não caminham separados. Eles dialogam o tempo todo. Negligenciar um desses pilares inevitavelmente repercute nos demais.

Talvez o maior desafio da vida não seja cumprir promessas feitas aos outros, mas permanecer fiel às promessas feitas a si mesmo. Quantas vezes prometemos cuidar da saúde, dedicar mais tempo à família, estudar, descansar, desenvolver paciência ou simplesmente viver com mais propósito? Nem sempre falhamos por falta de capacidade; muitas vezes falhamos porque esquecemos de renovar diariamente esse compromisso interior.

Um pacto verdadeiro não transforma apenas um dia. Ele transforma uma identidade. Aos poucos, deixamos de agir apenas por obrigação e passamos a agir por convicção. A mudança deixa de ser um esforço temporário para tornar-se parte de quem somos.

No fim, percebemos que não existe crescimento sustentável sem coerência entre aquilo que pensamos, sentimos e fazemos. Essa coerência é o alicerce da paz interior, das relações saudáveis e da construção de uma vida com significado.

Vivemos em uma época em que muitos buscam mudar o mundo, mas poucos se perguntam: qual compromisso tenho assumido comigo mesmo?

Talvez essa seja a pergunta mais importante de todas.

Porque toda transformação verdadeira começa em silêncio, dentro da consciência, muito antes de ser percebida pelo mundo.

O primeiro pacto é com você mesmo.

Joelson Mora

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L’ombra non supera la luce

Maria Teresa Liuzzo: ‘L’ombra non supera la luce’

Maria Teresa Liuzzo
Maria Teresa Liuzzo
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Simon Weil, poeta di spirito religioso, diceva che ” il popolo ha bisogno di poesia come di pane”. Un margine bianco, che il poeta trasforma in voce pura che parla, e non in fiore dell’oblio nello spirito del tempo. E’ nel fascino del mistero che riemergono i sogni della sofferenza e della tragedia di un paesaggio umano, crisalide di luce e di vita. Il tempo si riappropria di se stesso: è sangue vivo nella roccia, spogliato della propria identità.

Un’eutanasia priva di piaghe in contemplazione religiosa legata ai sacri valori della vita nella loro armonia universale. L’infanzia, la memoria, il dubbio, il soffrire e l’amore quale sogno irripetibile e personale di un’osmosi nucleica quanto integrale, di una realtà innocente quanto drammatica, eppure profondamente umana. Poesia come fonte di luce, superamento delle tenebre, vittoria della vita sulla morte, dell’amore sull’odio.

L’amore colto nel vero significato di questo complesso e totalizzante aspetto della vita, non come relazione con una particolare persona: ma attitudine, orientamento di carattere che determina i rapporti della singola persona col mondo e non verso un ”oggetto” da amare. Amare una sola persona ed essere indifferenti nei confronti dei nostri simili, non sarebbe amore, ma attaccamento SIMBIOTICO o un EGOTISMO portato all’eccesso.

La maggiore conoscenza è congiunta indissolubilmente all’amore… Non va confusa la debolezza dell’individuo, che è una condizione transitoria, con lo stato normale e permanente. (ERICH FROMM – ”L’arte di amare”). In questa silloge, ”L’ombra non supera la luce ”, luce e ombra si inseguono, si alternano, ma l’una contiene l’altra, l’eterna lotta tra la vita e la morte, tra il bene e il male, la visione del mondo e della realtà nei suoi molteplici aspetti, coi principi e i valori assoluti che non possono essere dismessi.

L’ombra mai fine a se stessa, ma come viatico, attesa della gioia. Uomo – Natura – Vita non come percorso singolo, ma simultaneo. La condizione della donna, il mito, la guerra, il terrorismo, Dio, assente dai pianeti in quanto nascosto, la fame nel mondo, gli egoismi, le ingiustizie, l’arroganza, l’indifferenza, il dolore che colora il linguaggio e, spesso, dà sapore all’inesprimibile.

Presenza e regia di una psiche quasi sempre minata e in disparte, che accetta e vive i due ruoli (quello di ombra, che è agonia, coagulo del sangue, in un labirinto che disorienta, dove la mente è il bisturi e il corpo l’anima che si spoglia della propria identità), attraversa tutte le declinazioni del dolore per impadronirsi di esso, per ritrovare dignità e dimensione, essere presenza, dunque del tempo e della storia. La traslazione dell’Io in simmetria col suo diorama dionisiaco.

Strumento e ricerca, nella notte che non è sepolcro, ma grazia dell’attesa, metamorfosi della coscienza dove il sangue si fa fantasia e la vita e la speranza riemergono come luce dai fondali. E’ il sorgere dell’anima ma anche della coscienza e della saggezza. Le vite ci appaiono come fiumi, rami, raggi che si separano ma poi si intrecciano, diventano sfere, radici, oceani. Si annulla la dispersione nell’unità del divino.

Abbiamo il mondo, alimentato della nostra interiorità, dalla sfera inconscia ed oscura della nostra mente e dei nostri sensi, dal rapporto costante e biunivoco con l’umanità, con le molteplici realtà prossime o lontanissime nelle quali siamo immersi e con le quali interagiamo. E’ la sincerità dei sentimenti che gratifica il poeta, la toccante consapevolezza che fa vibrare l’anima più del fuoco che purifica; il suo respiro che non è che un punto infinitesimo nelle maglie dell’Umanità, su una strada senza fine; il donarsi del poeta in una intimità, quasi sacrale, perché la poesia è soprattutto silenzio, è la lunga gestazione di ciò che spesso le parole non riescono ad esprimere.

Ma è proprio in quel silenzio assordante che le distanze si annullano, si precipita nell’inconscio rigenerato dal rito dell’Amore, esplode la vita nel suo continuo donare: la parola si separa per giungere alle vette dello spirito. E’ la metamorfosi del pensiero nel crudo realismo degli abissi. Il sangue tace e il cuore compone restituendo alla parola verità, dignità, splendore. Si sosta in una zona intermedia della realtà (tra coscienza materiale del mondo e spiritualità), tra il polo della mente e quello dell’anima. La vita sorge dal vuoto come per incanto e il Mito e l’Amore sfrondano le angosce.

Si ha l’impressione di essere in una maglia luminosa che attrae e allo stesso tempo ci fornisce le immagini più disperate e le tensioni più diverse. Realizzare un mosaico di tanti frammenti in una realtà che ci sovrasta e in cui siamo immersi significa scendere in apnea nella memoria e uscire non con un verso, ma con il corpo e il peso della nostra coscienza, con la medesima realtà delle nostre emozioni, sentimenti, sensazioni, con l’assurda speranza di cogliere almeno l’ombra di una ragionevole luce. Poesia: voce dello Spirito, anima, mente, coscienza.

Voce simultanea di tutte le cose senza circostanze né limite, su piani o livelli. Poesia come sintesi emotiva, coscienza critica del Tempo, come luogo ”a parte” dell’esperienza umana nel nostro bisogno e rifugio del genere umano. E’ un fenomeno essenzialmente sociale in quanto scaturisce dalla mente dell’individuo. E’ un lungo, interminabile viaggio nell’anima, l’esperienza di un’emozione diretta ad un animo disposto a comprenderla e va vissuta intensamente, perché è il dono più prezioso dell’attesa.

E’ il nostro animo che si riveste di fascino e rigenera i confini tra passato e presente, tra verità e menzogna, tra fede e sogno. Come il fiume che scorre e si fa carezza e parola. Solo il cuore riesce a trovare accordi di suoni e colori. Il segreto della vera poesia è la cieca comunione dello spirito che dall’oscurità dà voce alle forme. L’uomo ha bisogno della parola (certezza) che è la necessità dell’espressione dello stesso per raggiungere una maggiore consapevolezza di sé nel mondo. Non esiste, infatti, il vuoto concepito fuori dalla nostra realtà che è insieme ardore e tormento e che si concretizza con la capacità della visione, che è la resa di un’emozione vissuta e sofferta intensamente: battito e silenzio della stessa voce.

E’ il caos dell’Infinito, col suo ordine sotterraneo. E’ l’ombra che veste l’incerto (che circoscrive il limite e l’ottusità, la disperazione del nulla) dove l’essere abita il corpo ma rimane estraneo al cuore, incapace di mostrare sé stesso nella sua fragilità e nella propria tristezza. Il consumismo fa perdere i valori umani e sociali e la poesia come l’Amore induce a subire un progressivo avvicinamento ai valori della fede nella vita familiare, civile e politica. Dà senso e valore alla propria esistenza. Senza poesia non c’è vita. L’uomo sarà concime del suo sangue ma la parola non sarà mai cenere. Un animus privo di poesia è come un paese debole laddove la famiglia è in crisi. L’individuo vive in una cortina di nebbia che sfuma i contorni di una realtà che è la tomba della parola muta, la totale mancanza di quel suo Amore.

Poesia, dunque, come coscienza del tempo. Il viaggio del Mito attraverso la parola, purezza del fuoco nella solitudine, dono del sogno che ci accompagna fino alla morte nella nenia del dolore. Poesia come sapore di conoscenza offerta quotidianamente nel canto della parola. Evitare di gareggiare per somigliare ad altri ma essere se stessi. Non aspettare che la nenia del dolore (tenebra) ci avvicini. Vivere la parola, bere nel calice della luce e non dividere la terra con i morti. Poesia come verità. Poesia come donna. Urgenza della parola come passione per il nudo (Verità) e bellezza femminile (gioia del cuore) – (vedere Sade e Masoch), l’inconscio e il problema del doppio, la vita come Arte e Arte come vita. (Freud) e la psicanalisi dei sogni, (poesia come parola sul trapezio.) (Freud).

Un susseguirsi di vero e falso, fantasmi, suicidi e omicidi per amore, l’anima schiacciata dalla psiche, il colore si sovrappone, una parola ingoia l’altra. La parola libera come l’acqua (ci riporta alle ondine nei miti germanici). La qualità che i Russi stimano di più è il possesso di Dusha, cioè dell’Anima (mantenere intatta e difendere la percezione di ciò che è immenso e puro). Poesia come luce. Un lungo viaggio dall’ignoto al consueto, il palpito espressivo come metafora dell’esistere dunque, una resa espressiva e ricerca creativa della parola che la eterna sulla carta, ne anticipa i tempi, il compiersi dell’espressione, il possesso della metafora (parola), la gioia dell’ottimismo che lega persino due anime sconosciute; le radici della memoria che legano mari, tempi, dimore, che trascinano due menti in sintonia in quell’amore stupendo che ci rende ospiti l’uno nel cuore dell’altro, guanciale su cui riposare, dove corpo e mente trasmigrano: la coscienza diviene realtà e non sospensione del tempo dove impera il vissuto, l’esperienza del quotidiano che focalizza la visione della vita e della morte, nel nostro immaginario, bensì nella piaghe del nostro respiro.

Il poeta entra in rapporto con la propria essenza, vive la poesia in modo estremo, radicale, definitivo. E’ amore per la ricerca senza fine, la conservazione di un modo originario di vivere, l’ampiezza di interessi e conoscenze: la vita con le vicende che l’attraversano. Il tempo trasformato in poesia, dunque, forma artistica, che rivela il sogno e la realtà, ma soprattutto l’emozione che è la propria anima allo specchio, il riflesso di quel magma mentale in incubazione, l’altra isola del cuore, ciò a cui neppure lo stesso poeta attinge e rimane sconosciuto persino a se stesso: è il momento del sacro.

E’ la poesia come vita, come esperienza e va cercata nel polso della gioia, colta sulla cima dei sensi, che ci rende profondamente veri, profondamente umani nell’eternità della luce e della sapienza. Poesia del Dolore, poesia della Luce, poesia della Vita. – ”Voi cercate una vita felice in un paese di morte: non è lì. come potrebbe essere una vita felice ove manca la vita?” Da ”Le Confessioni” di Sant’Agostino. La Poesia, dunque, è amore, vita, sogno di tutti i tempi e come l’Amore ”ha orrore di ciò che non è sé stesso” (H. de Balzac) in quanto ”vita è un sonno, l’amore ne è il sogno, e avrete vissuto se avrete amato” (H. de Musset). Poesia come speranza certa e segreta, coraggio e non prudenza, fuoco che rivela ciò che il gelo nasconde, emozione, passione. Usando a prestito una frase di AI QING ”Nessuno può andare contro la verità del suo cuore”. La POESIA siamo noi!

Maria Teresa Liuzzo

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O dia em que o silêncio venceu

Guilherme Machado

‘O dia em que o silêncio venceu’

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
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“A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito
foi confiado, muito mais será pedido.” (Lucas 12:48)

Era uma vez um país que parecia ter sido desenhado à mão por Deus.

Sua terra era fértil e produzia quase tudo.

Seus rios pareciam mares.

Suas florestas respiravam vida e guardavam riquezas que poucos lugares do mundo conheciam.

O sol visitava sua terra durante quase o ano inteiro.

A chuva caía na medida certa.

Seus campos produziam alimento.

Seu subsolo escondia riquezas.

Era uma terra que lembrava a antiga promessa de leite e mel.

Não conhecia terremotos capazes de engolir cidades.

Nem vulcões que escurecessem seus céus.

Nem furacões que apagassem sua história.

E naquela terra também vivia um povo tão abençoado quanto perseverante.

Trabalhava muito.

Inventava caminhos quando parecia não haver saída.

Ria com facilidade.

Cantava mesmo nos dias difíceis.

Caía.

Levantava.

Tinha o estranho dom de continuar acreditando depois de cada decepção.

Quando terminou sua criação, um anjo olhou para aquele lugar e perguntou:

— Senhor… não é privilégio demais para um só povo?

Deus sorriu.

— Espere até ver o que eles farão com tudo isso.

O anjo voltou os olhos para aquela terra.

Não compreendeu a resposta.

Compreenderia muitos anos depois.

O tempo passou.

O país cresceu.

Suas cidades se multiplicaram.

Como acontece com toda grande nação, também conheceu dias difíceis.

Vieram hospitais que já não conseguiam atender todos os que precisavam.

Escolas que esperavam por dias melhores.

Estradas que pareciam nunca terminar.

Promessas que se renovavam mais depressa do que eram cumpridas.

Escândalos que desapareciam da memória antes de desaparecerem da realidade.

Com o passar dos anos, aquele povo encontrou novas formas de dividir sua atenção.

Aprendeu a ouvir mais aqueles que confirmavam suas próprias certezas do que aqueles que apresentavam perguntas difíceis.

Passou a procurar culpados para todos os problemas e salvadores para todas as soluções.

Esqueceu que nenhuma nação é construída pelas mãos de uma única pessoa, nem destruída por apenas uma delas.

As mãos humanas podem conduzir caminhos, mas nunca constroem sozinhas o futuro de uma nação.

Criou muros entre pessoas que antes dividiam as mesmas ruas.

Enquanto discutiam quem estava certo, poucos percebiam que os mesmos problemas continuavam esperando.

Mas aquele povo também havia aprendido uma estranha forma de descansar.

A cada novo ciclo, acreditavam que agora as coisas mudariam.

E talvez essa fosse uma de suas maiores virtudes.

Ou uma de suas maiores fragilidades.

A cada quatro anos havia uma grande festa.

Durante noventa minutos, esqueciam os hospitais.

Esqueciam as escolas.

Esqueciam a violência.

Esqueciam os impostos.

Esqueciam as promessas.

Esqueciam até uns dos outros.

Enquanto a bola rolava, o país parava.

E parar era a única forma que conheciam de descansar.

Nas arquibancadas, abraçavam desconhecidos como irmãos.

Nos bares, erguiam copos em uníssono.

Dentro das casas, até as famílias desunidas sentavam-se lado a lado.

A grande festa não pedia nada.

Apenas que fechassem os olhos para todo o resto.

E eles fechavam.

Fechavam com tanta força que, por um instante, quase acreditavam que o país era aquilo:

Um campo verde.

Um hino cantado a plenos pulmões.

Um riso fácil diante da televisão.

Depois do apito final, o encanto se desfazia.

Mas durava o suficiente para aliviar o peso de mais quatro anos.

Com o tempo, a festa tornou-se tão importante que o próprio calendário aprendeu a respeitá-la.

Decisões esperavam.

Debates mudavam de data.

Promessas podiam aguardar.

Afinal, havia noventa minutos que ninguém ousava interromper.

Enquanto os olhos acompanhavam a bola…

Os problemas aprendiam a permanecer imóveis.

Não porque desaparecessem.

Mas porque quase ninguém os observava.

Um dia resolveram trazer a maior festa do mundo para dentro de casa.

Pintaram fachadas.

Ergueram monumentos.

Construíram arenas.

Prometeram que, quando tudo terminasse, o país seria diferente.

E talvez tenha sido.

Apenas não da maneira como imaginavam.

Descobriram que era mais fácil inaugurar arquibancadas do que esperança.

Mais fácil iluminar estádios do que bairros esquecidos.

Mais fácil preparar noventa minutos de espetáculo do que enfrentar décadas de abandono.

Naquele ano, porém, a festa ganhou o mundo.

Um povo escolheu abrir o espetáculo lembrando aqueles que atravessaram mares para construir sua história.

Cada remada era uma homenagem às raízes que ainda sustentavam a nação.

O outro escolheu celebrar o sucesso da estação.

Afinal, um povo sempre celebra aquilo que escolhe não esquecer.

Naquele ano, porém, a festa terminou cedo.

Pela primeira vez em muito tempo, não houve tempo suficiente para esquecer.

O apito final chegou antes que o encanto pudesse voltar.

E, quando a televisão foi desligada…

Os hospitais continuavam lotados.

As escolas continuavam esperando.

As ruas continuavam inseguras.

Os impostos continuavam altos.

As promessas permaneciam onde sempre estiveram: apenas nos discursos.

Foi naquele instante que a resposta dada ao anjo finalmente fez sentido.

Deus nunca havia perguntado apenas o que aquele povo faria com suas riquezas.

Perguntava o que faria com sua atenção.

Porque aquilo que um povo escolhe olhar todos os dias, pouco a pouco, também escolhe se tornar.

Um povo raramente perde seu futuro de uma só vez.

Primeiro, perde a capacidade de lembrar.

Depois, acostuma-se a esquecer.

E, quando já não consegue distinguir distração de esperança…

chama de descanso aquilo que apenas adiou.

Naquele dia…

o silêncio venceu.

“O meu povo foi destruído porque lhe
faltou conhecimento.” (Oséias 4:6)

Guilherme Machado

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É assim que a gente vai embora

Evani Rocha

Poema ‘É asim que a gente vai embora’

Evani Rocha
Evani Rocha
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É assim que a gente vai embora
Na penumbra de um quarto
No correr triste das horas
Na libertação do fardo

Feito plumas de algodão
Deixa o corpo despido
Preenchido tão somente
Pelas máscaras da vida

É assim que a gente vai embora
Renascer em outro plano
Sem adeus na despedida
Sem ouro nem sonhos na mala

Não há mochilas cheias
Tampouco malas vazias
Há no céu muitas estrelas
E no chão muitas raizes

É assim que a gente vai embora
Entregue ao fim de um ciclo
Entregue à própria sorte
Por caminho desconhecido

Todos um dia irão
Com seu jeito de partir
A hora marcada nas mãos
A certeza que deve ir

Não sabe-se há um rio
Se há ponte sobre ele
Se há montanhas ou vales
Se há deserto ou oásis

É assim que a gente vai embora
Como nascer novamente
Para uma vida nova
Como germina a semente

Fica para trás uma casca
Um invólucro senil
Deixa todas as bagagens
Leva consigo o vazio

Leva consigo o sentimento
De ser único e sozinho
A partida é sua e inadiável
Assim como o nascimento

A partida é a morte do corpo
E a liberdade da alma
Como se fosse só um sopro
E tudo se transforma em asas!

Evani Rocha

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