Não se transmite o sentimento do amor pelo anulamento da distância; antes, percebe-se o anular-se na paixão para acolher aquela parte que recompõe a unidade.
A espera é o tempo essencial para compreender o quanto o fogo ardente do espírito é necessário para construir o altar sagrado, onde uma só água é evocada para o refrigério da aridez.
Para preencher a ausência, a linguagem dos braços assume o cetro do comando sobre as intermináveis páginas escritas.
Não havia luz ao redor até o canto do teu nome, que ressoa sob a pele como a seiva infiltrada no pulsar do costado, onde os sonhos lançaram a chave no poço dos desejos e no pertencer aos raios do meu sol.
Dividir o pesado fardo das adversidades é o equilíbrio das batidas do relógio, cadenciado no pulso do combatente.
E vejo dois jovens correrem sobre os ombros curvados pelo sorriso de duas linhas que escreveram seu livro nas histórias das palmas das mãos.
Os dedos banhados na tinta divina finalmente proclamaram a sacralidade de um abraço, para selar o rito de não ter esperado em vão.
Como as águas do rio, Sigo silencioso o meu caminho. Originei-me de uma pequena nascente E fui crescendo ao longo do meu trajeto.
Passei por vários lugares… Muita coisa eu vi. Alegrias e sofrimentos, festas e dor. Uns cuidam de mim e outros me ignoram. Não me importo com esses e sigo meu caminho, Sendo útil em minha jornada.
Mesmo aos que comigo não se importam, Ajudo como posso. Meu valor não se mede pela minha extensão, Mas pelos benefícios que posso proporcionar Sem nada pedir em troca.
E vou seguindo… Contornando alguns obstáculos e superando outros. Tenho plena consciência do meu destino final. Se o rio caminha rumo à imensidão do mar, Eu rumo para a luz maior que me acolherá.
Certamente o trajeto é longo e difícil. Muitos obstáculos ainda terei pela frente. Mas, assim como o rio, ao final do seu percurso, Repousa no abraço do mar, Eu me acalentarei na glória do amor de Deus!
A vida é uma obra-prima esculpida por Deus. Ele, o grande pintor do universo. Aquele que desenhou, com o verbo, tudo o que foi feito. Em cada detalhe, verbalizou a perfeição, a graça e a luz.
Não havia imperfeições na criação. Cada animal, cada ave, cada inseto, cada árvore e cada tom de verde eram verbalizados com o mais minucioso detalhe. O que o olho humano não alcança foi o que Deus planejou para o interior do homem. E, quando Ele disse: “Haja luz”, a luz raiou e aqueceu a Terra; assim fez-se o dia. “Haja noite”, e a escuridão tomou conta do céu. Por amor, para que o céu não ficasse em total escuridão, Ele fez a Lua e verbalizou novamente: “Haja estrelas!”.
Somos tão especiais para Deus que Ele planejou tudo o que, para nós, humanos, talvez fossem insignificâncias. Mas então Ele fez o homem… Ah, o homem… a mais perfeita criação, um ser dotado de força, agilidade e pronto para governar o mundo. O homem governou sobre os animais; as feras o temiam. As serpentes fugiam dele, e isso era perfeito.
Todavia, o homem não foi suficiente sozinho. Embora na companhia dos animais, ele sentia-se só. Olhava para os animais, todos com sua fêmea; ele, no entanto, dormia nu, deitado sobre o gramado verde, fora de período, e não compreendia sua solidão. Pobre Adão, ali se viu um poeta. Perguntou para Deus: “Por que eu não tenho uma companheira para me trazer calor? Gostaria de poder me debruçar no colo de uma fêmea, assim como os leões e todas as espécies que existem neste jardim. Oh, Deus, por que não fez tudo perfeito para mim? Acaso eu não mereço este favor?”.
Adão começou a pensar que os animais eram mais amados por Deus do que ele próprio, que era feito à imagem e semelhança do Criador.
Então Deus viu, naquele momento, nascer o poeta questionador e percebeu que ele precisava de uma resposta para seus conflitos internos. Decidiu criar a companheira que Adão queria. Fez Deus que Adão caísse em profundo sono e tomou uma de suas costelas. Mais uma vez verbalizou, dizendo: “Haja beleza, doçura e encanto. Haja calor e uma pele aveludada para aquecer seu companheiro. Haja seios e pernas contornadas, cabelos belíssimos que caiam sobre suas costas, e que ela seja forte para fortalecer seu companheiro quando ele se sentir fraco. Que ela seja inteligente para governar com ele”.
Então Deus criou a mulher…
Ao acordar do profundo sono, Deus chamou: “Adão! Venha ver sua companheira”. Adão, maravilhado com a perfeição de sua fêmea, disse: “Osso dos meus ossos e carne da minha carne”.
Deus disse: “Você agora não está só. Cuide da sua companheira, não a deixe só. Proteja-a com sua vida, se preciso for”.
Um cenário perfeito, uma mulher perfeita, e agora sim, Adão se considerava um homem perfeito.
Mas Adão não cumpriu o que Deus disse e, depois de muito conviver com a mulher, sentiu falta dos animais e da solidão. Passou a deixar sua mulher sozinha. Ela, sentindo-se só, passou a caminhar por todo o jardim e, numa das árvores, conheceu uma serpente falante que a seduziu.
E o final da história todos já sabem… Adão culpou Deus, a mulher culpou a serpente, e a serpente nem havia saído do lugar; a mulher foi até ela. Deus havia dito para Adão e Eva que poderiam comer de todas as árvores do Jardim, menos da árvore da ciência do bem e do mal.
Deus poderia destruir Eva, mas Adão ficaria revoltado e só novamente. Então Deus decidiu que o homem deveria, a partir daquele dia, se virar sozinho; a mulher deveria sentir dores e ter filhos para aprender a não ser desobediente; e a serpente passou a rastejar e comer o pó da terra por todos os séculos.
Mas o que se aprende com tudo isso é: homens, não abandonem suas mulheres, pois as serpentes hoje estão por toda parte. Mulheres, não pisem em lugares que não foram feitos para vocês; ali vocês sentirão dores desnecessárias. E serpentes, não pensem que ficarão impunes quando causarem danos aos filhos de Deus.
Aos poetas, Deus disse: continuem questionando, mas quando tiverem a oportunidade de viver a resposta, aproveitem cada segundo porque eles não voltam.
Judy Parreño BacaImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/489b8b454073a96b?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
Mís lágrimas sé revelan, hoy no veó nada, hoy mataría a mí propia Alma. Mís sueños sé perdieron, al compás dé la maldad, él es un sueño, y Ahora despertaré sín dormír. Tengo acorraladas mí pena, y mí sonrisa sé volvió hielo… Fuí él juego dé una crónica, anunciada escrita, con muchas risas burlonas, cómplice dé su libreto al revés, qué miré y sonreí, quizá fué una mueca, dé sabor a hiel. Caminaré descalza, por montes puntiagudos, y por sueños despiertos. Caminaré mirando al Cielo otra vez.