O que não conseguimos ver em Rothko

Bianca Agnelli

‘O que não conseguimos ver em Rothko’

Card da crítica de arte 'O que não conseguimos ver em Rothko'
Card da crítica de arte ‘O que não conseguimos ver em Rothko’

O que faz de uma obra de arte uma obra de arte?

Sua técnica? O que ela me faz sentir? O preço que alcança em um leilão? A quantidade de pessoas que fingem tê-la entendido?

Ao traduzir para o italiano o livro de Péricles Gasparini, Cornici Alternative, Arte o Ribellione?, fui obrigada a me fazer exatamente esse tipo de pergunta. Na introdução, Gasparini não se questionava apenas sobre o valor de suas próprias criações, mas também sobre o que transforma um objeto em uma obra e uma obra em algo digno de ser preservado e transmitido ao longo do tempo. Quanto desse valor pertence ao artista e quanto, por outro lado, ao olhar que o reconhece?

São perguntas que carreguei comigo e que ressoavam com surpreendente intensidade diante das telas monumentais, imponentes e quase assustadoras de Mark Rothko.

O artista nasce para ser incompreendido, e sobre isso não há discussão. A melhor arte é aquela que te faz duvidar de si mesmo, não é?

Acredito que a arte mais ‘apreciável’ seja aquela que me provoca um turbilhão no estômago. Uma sensação que se parece com um atordoamento.

De qualquer forma, quando cheguei ao Palazzo Strozzi, em Florença, eu estava mentalmente pronta para ser atordoada: qualquer coisa, desde que não permanecesse indiferente.

Spoiler: diante das majestosas pinceladas amarelas, vermelhas e escuras, talvez eu tivesse esperado sentir algo a mais.

Mas talvez, como dizem algumas mulheres com a autoestima comprometida, “o problema sou eu”.

E ainda assim, Rothko provavelmente teria apreciado essa reação. E, na verdade, talvez desconfiasse da reação oposta.

Porque Mark Rothko não queria que suas pinturas fossem simplesmente admiradas. Não lhe interessava que alguém pensasse “que belas cores” e seguisse para a próxima sala. Ele queria provocar algo muito mais incômodo, uma espécie de confronto.

Observando as obras reunidas no Palazzo Strozzi — na exposição visitável até 23 de agosto de 2026, com mais de setenta peças provenientes de alguns dos mais importantes museus do mundo, do MoMA ao Metropolitan de Nova York, da Tate de Londres ao Centre Pompidou de Paris, que percorre praticamente toda a trajetória artística de Rothko, desde os primeiros trabalhos figurativos até os grandes campos de cor que o tornaram célebre — tive a mais vívida percepção de que o verdadeiro focus de suas pinturas não eram as cores, mas o espectador.

Rothko nasceu na Letônia com o nome de Marcus Rothkowitz e emigrou para os Estados Unidos ainda criança. Ao longo da vida, atravessou guerras, migrações, crises econômicas e mudanças culturais imensas. Ainda assim, em vez de pintar o mundo exterior, acabou retirando de suas telas quase tudo: pessoas, paisagens, objetos, histórias. No fim, restaram apenas cor, luz e silêncio.

Uma escolha um tanto insana, se pensarmos bem. Como se um escritor eliminasse a trama para ver se o leitor ainda permanece.

Em 1950, Rothko visitou Florença com sua esposa Mell e ficou profundamente impactado pelos afrescos de Beato Angelico no Museu de San Marco e pelo Vestíbulo da Biblioteca Medicea Laurenziana, projetado por Michelangelo. O Palazzo Strozzi construiu parte do percurso justamente em torno desse diálogo inesperado, estendendo a mostra também a esses lugares da cidade que o marcaram tão profundamente.

A parte que mais me tocou, porém, não é a dimensão mística que todos associam a Rothko.

Foi a provocação, o tapa de Rothko. Especialmente o imagino direcionado à elite do Four Seasons de Nova York. Não tanto porque suas obras não foram aceitas, mas porque ele próprio as retirou antes que se tornassem apenas o pano de fundo de algum jantar de mil dólares… Um gesto que considero elegantemente vingativo, infinitamente mais punk do que muitas provocações contemporâneas.

Senti isso em suas telas: a transgressão descarada de uma superfície pintada com um cuidado quase religioso. Como se dissesse, veja você o que enxerga em tudo esse escuro.

Como se dissesse: se você não vê nada, talvez o vazio seja você.

Talvez seja também por isso que Rothko continue dividindo as pessoas. Sua arte não oferece apoios, não conta uma história, não sugere realmente o que você deveria sentir.

Ela te deixa sozinha em uma sala com você mesma e com um retângulo amarelo do tamanho de uma parede.

E, ao que parece, para muitos de nós, essa já é uma experiência suficientemente extrema.

Bianca Agnelli

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Exposição fotográfica de Dani Sandrini

Centro Cultural SESI Sorocaba apresenta exposição
fotográfica de Dani Sandrini com temática indígena

Mostra terra terreno território - Divulgação
Mostra terra terreno território – Divulgação

A mostra terra terreno território – que traz fotografias impressas em folhas de plantas e em papel com pigmento de jenipapo – possui obras com audiodescrição e peças táteis

Centro Cultural SESI Sorocaba apresenta a exposição terra terreno território que reúne obras de temática indígena da fotógrafa e artista visual Dani Sandrini. A temporada ocorre entre os dias 2 de agosto e 30 de novembro de 2025, com visitação gratuita e acessibilidade. O evento de abertura acontece no dia 1º de agosto, sexta-feira, às 19h, com bate-papo aberto ao público com a artista e o curador Wagner Souza e Silva.

A mostra – composta por cerca de 35 obras – possui piso tátil, audioguia, 9 obras táteis e 20 obras com audiodescrição, além de vídeo de 19 minutos com depoimentos de vários indígenas e da artista com legenda e tradução em Libras.

terra terreno território é apresentada em dois agrupamentos fotográficos nos quais a artista utiliza duas técnicas artesanais de impressão fotográfica do século XIX propondo uma reflexão sobre o indígena em grandes cidades, no século XXI. No primeiro, um processo chamado antotipia (técnica que utiliza pigmentos vegetais como material fotossensível), a impressão é feita em papéis sensibilizados com pigmento extraído do fruto jenipapo (que muitos indígenas usam nas pinturas corporais).

Já no segundo agrupamento, pelo processo de fitotipia (técnica que utiliza a própria clorofila como agente para produzir a imagem), as imagens são impressas diretamente em folhas de plantas como taioba, singonio, mandioqueira, helicônia e guiné.

Ambos processos se dão através da ação da luz solar, em tempos que variam de três dias a seis semanas de exposição. Todas as imagens de terra terreno território foram captadas durante o ano de 2019 em aldeias indígenas da cidade de São Paulo, onde predomina a etnia Guarani, e também no contexto da metrópole, onde vivem indígenas de aproximadamente 53 etnias.

As obras de Dani Sandrini trazem uma temporalidade inversa à prática fotográfica vigente, da rapidez do click e da imagem virtual. “A longa exposição convida à desaceleração para observar o entorno com outro tempo e sob outra perspectiva. Como a natureza, onde tudo se transforma, esses processos produzem imagens vivas e que se transformam com o tempo; uma referência a permanente transformação da cultura indígena, que não ficou congelada 520 anos atrás”, reflete a artista.

A delicadeza do processo orgânico traz também uma consequente fragilidade para as fotografias com a passagem do tempo. “Dependendo da incidência de luz natural diretamente na imagem, por exemplo, pode levá-la ao apagamento”, explica a artista.

A concepção de Sandrini considera esta possibilidade como um paralelo ao apagamento histórico que a cultura indígena sofre em nosso país. Ela diz que “a proposta favorece também a discussão acerca da fotografia com seu caráter de memória e documento como algo imutável, ampliando seus contornos e podendo se vincular ao documental de forma bem mais subjetiva. A certeza é a transformação. A foto não congela o tempo. Os suportes que aqui abrigam as fotografias geram outros significados”, reflete.  

Com terra terreno território a fotógrafa alerta para a necessidade de compreender a cultura indígena para além dos clichês que achatam a diversidade do termo. “A intenção é exatamente oposta, é desachatar, lembrar que muitos indígenas vivem do nosso lado e nem nos damos conta. Já se perguntaram o porquê dessa história ter sido apagada?”, comenta Dani, que durante o projeto fotografou – na região metropolitana da cidade de São Paulo – pessoas indígenas de diversas etnias, oriundas de várias regiões do país, ora posando para um retrato ora em suas rotinas, suas atividades, seus eventos, rituais ou celebrações.

terra terreno território nasceu do projeto Darueira, em 2018, contemplado no 1° Edital de Apoio à Criação e Exposição Fotográfica, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo por meio da Supervisão de Fomento às Artes. Realizado em 2019, ganhou exposição na Biblioteca Mario de Andrade, de outubro a dezembro.

Em 2020 (no formato online), passou pela Galeria Municipal de Arte, do Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes (Chapecó/SC), pelo Cali Foto Fest (Colômbia) – exposição virtual e projeções urbanas, além apresentação virtual na abertura do festival – e esteve no Pequeno Encontro de Fotografia (Olinda/PE).

Em 2021, integrou o Festival Photothings (exposição online no metrô de São Paulo; ensaio escolhido para integrar a Coleção Photothings) e foi tema de conversa no Fórum Virtual – Fotografia Experimental (Argentina) e de palestra no Interfoto Itu. Em 2022,terra terreno território foi selecionada para a coletiva Exposição Latinas en Paris (Fotografas Latam, Fundación Fotógrafas Latinoamericanas), na Galerie Rivoli 59, e integrou a coletiva Acervo Contemporâneo do Museu de História e Arte de Chapecó, SC.

Em 2023, a exposição ocupou a Galeria de Fotos do Centro Cultural FIESP (SP), o Centro Cultural Matarazzo (Presidente Prudente, SP), a Pinacoteca Municipal Dr. Antônio Cintra e esteve no Festival Amparo em Foco (Amparo, SP) e no festival internacional Indian Photo Fest; e em 2025, no Sesc Pato Branco (PR) e Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba (SP). Vem circualndo por várias unidades do SESI São Paulo: Itapetininga, Campinas e São José do Rio Preto (2022); Ribeirão Preto (2024); São José dos Campos (2024 / 2025); e Sorocaba (2025).

Dani Sandrini – Fotógrafa, educadora e artista visual radicada em São Paulo, Brasil, Dani Sandrini fotografa comercialmente desde 1998, e desde 2014 desenvolve projetos mesclando fotografia documental/imaginária com impressões artesanais ou experimentais.

Nos últimos anos tem estudado o entrelaçamento de materiais e suportes com as imagens fotográficas e a ação do tempo sobre elas. Dependendo do projeto e de sua singularidade, sua fotografia pode ser simplesmente tirada com câmera digital e colocada em papel ou telas, mas também pode conter outros elementos que acrescentem significado à imagem final, além de camadas extras de subjetividade.

Dani tem experiência em processos fotográficos artesanais e desenvolve projetos utilizando tranferprint, pinhole, cianotipia, antotipia e fitotipia. Nos últimos anos, circulou com o projeto terra terreno território, sobre os povos indígenas do século XXI, por várias cidades. Capturadas digitalmente em São Paulo, as imagens expostas são impressas em folhas de plantas e também com o pigmento natural extraído do jenipapo.

Esse projeto esteve em exposições nas seguintes localidades: São Paulo, Itapetininga, Campinas, São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Ribeirão Peto, São José dos Campos, Caraguatatuba, Pato Branco/PR, Olinda/PE, Amparo, Chapecó/SC e nos países Colômbia, França, Portugal e Índia.

Serviço

Exposição: terra terreno território

Artista: Dani Sandrini

Abertura: 1º de agosto – Sexta, às 19h

Bate-papo com Dani Sandrini e Wagner Souza e Silva

Temporada: 2 de agosto a 30 de novembro de 2025

Horários: Quarta a domingo, das 10h às 19h

Visitação gratuita. Classificação: Livre.

Acessibilidade: piso tátil, audioguia, obras táteis e com audiodescrição.

Agendamento de grupos e escolas: cacsorocaba@sesisp.org.br

Centro Cultural SESI Sorocaba

Espaço Galeria

Rua Gustavo Teixeira, 369 – Vila Independência. Sorocaba/SP.

Tel.: (15) 3388-0444. www.sorocaba.sesisp.org.br. Na rede: @sesisp.sorocaba

Terra Terreno Território na rede:

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Oficina de Pintura

Paralelo Entre Arte Acadêmica e Arte Naif. A oficina é parte da atividade ‘Bamo Proseá – Vivências Caipiras’

Card da Oficina de Pintura - Paralelo Entre Arte Acadêmica e Arte Naif
Card do evento Oficina de Pintura – Paralelo Entre Arte Acadêmica e Arte Naif

O Núcleo Educação, Tecnologia e Cultura (NETC- ProEx) da Universidade Federal de São Carlos, campus Sorocaba (UFSCar-So) convida para o evento “Bamo Proseá? Vivências Caipiras”.

No primeiro encontro, dia 07/06/2025, às 10h, acontecerá a abertura com um causo contado pelo Cumpadi Pedro e em seguida uma prosa com Elton Ferreira, Fabíola Mirella, Zeca Collares e mediação da professora Neusa Mariano.

No segundo dia, 14/06/2025, às 10h, contaremos com a oficina de artes “Paralelo entre arte acadêmica e arte Naif” com Gizela Maria. As inscrições para a oficina devem ser feitas até dia 08/06/2005 pelo link: https://forms.gle/JvotSbUBTAjVry1L7.

No evento teremos também, desde o dia 07/06, a Exposição “Bamo Proseá? Cotidiano e cultura caipira entre retratos e afetos”.

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Mário Mattos, 100 anos de puro talento

Exposição das obras de Mário Mattos.  Homenagem aos 100 anos de dedicação à cultura

Logo da Academia Sorocabana de Letras
Logo da Academia Sorocabana de Letras – ASL

A Academia Sorocabana de Letras – ASL, promove, em parceria com o Instituto Cultural ‘José Aleixo Irmão’ e o Sorocaba Clube, o evento ‘Mário Mattos, 100 anos de puro talento, com exposição de quadros de sua autoria,  no Salão dos Arcos do tradicional clube, dia 22 de novembro de 2024, a partir das 19h e dia 23, a partir da 16h.

100 anos de dedicação à cultura

Mario Mattos - Foto da página de Mário Mattos no Facebook
Mario Mattos – Foto da página de Mário Mattos no Facebook

Mário Barboza de Mattos, natural de Pelotas, RS e  Cidadão Sorocabano, título recebido em 2011, permanece ativo, lúcido e produtivo, aos 99 anos, prestes a completar, no próximo dia 12 de dezembro, 100 anos de idade.

Mário Mattos, como assina as suas obras, iniciou sua carreira de artista bastante jovem, desenhando cavalos, nas coxilhas de Cangaçu, RS, aprimorando cada vez mais o seu talento para a pintura.

Aos 23 anos concluiu a faculdade de Agronomia e atuou como agrônomo em sua terra natal. Posteriormente, resolveu viajar para Porto Alegre, onde atuou como repórter no jornal A Tribuna. Casou-se em 1952 e após o fechamento do jornal, resolveu retornar à atividade ligada a sua formação, buscando oportunidade, primeiro no Rio de Janeiro, posteriormente, em São Paulo, na Secretaria da Agricultura e acabou em Pilar do Sul, em meados de 1958.

Pressionado pela esposa, alugou casa em  Sorocaba, onde mudou-se com a família, em 1964. Acusado de subversão por um desafeto, antigo delegado em Pilar do Sul, afastado por promover grilagem naquela cidade e corajosamente combatido por Mário, foi preso durante três dias.

Viajou para Pilar do Sul durante doze anos. Transferido para Araçoiaba da Serra, lá exerceu suas atividades por mais seis anos.

Não deixou a pintura de lado. Em 1970 viajou para o Sul para vender seus quadros. Na volta passou por São Paulo onde conversou com seu primo e amigo de infância, Barbosa Lessa, que o informou da bagagem histórica de Sorocaba, do Tropeirismo e das Feiras de Muares. Entusiasmado, retornou para Sorocaba e visitou o historiador Aluísio de Almeida, passou a ter contato com Vera Ravagnani Job, então diretora do Museu Histórico e Pedagógico Tobias de Aguiar que juntamente com outras personalidades e historiadores, como Adolfo Frioli, Porphirio Rogich Vieira e Adilson Cezar, resolveram aplicar, na prática, a Lei que foi aprovada nos anos 50, instituindo a segunda quinzena de maio como a Semana do Tropeiro. Mário e Roque José de Almeida (compositor popular) se encarregaram da divulgação e de angariar patrocinadores para continuidade do evento que ocorreu em 1951 e 1952, obtendo apoio político e sem desconsiderar os eventos anteriores, chamaram o de 1970, como a Terceira Semana do Tropeiro.

Em 1976 foi nomeado para a Divisão Regional Agrícola de Sorocaba, onde aposentou-se em 1989, aos 65 anos.

Acompanhou o sucesso crescente, com o apoio de diversos prefeitos e políticos, da Semana do Tropeiro, vendo o número de cavaleiros nos desfiles ultrapassar os dois mil, nos anos 80. Mário desfilava a cavalo e desenhava os cartazes, que passaram a ter ‘outdoors’ espalhados por toda a cidade.

No jornal Cruzeiro do Sul, publicou desenhos com Curiosidades do Tropeirismo a partir de 1983, a seção Fogo de Tropeiros e ainda publicou 14 contos nesse mesmo matutino.

Pintura a óleo - Foto da página de Mário Mattos no Facebook - https://www.facebook.com/mariobarbosade.mattos
Pintura a óleo – Foto da página de Mário Mattos no Facebook – https://www.facebook.com/mariobarbosade.mattos

Após o trágico acidente que vitimou seu primogênito, divorciou-se e casou-se com sua prima e ex-freira, Ruth Meireles de Mattos. Graças a sua autoestima, identidade cultural, a pintura e aos inúmeros amigos, enfrentou com galhardia os problemas e preconceitos atrelados a essa decisão.

Logo depois de sua aposentadoria, para resolver problemas de herança, vendeu a casa no Central Parque e retornou ao Rio Grande do Sul, em uma chácara, em Pelotas. Lá ampliou a sua participação cultural, ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas, onde fundou o Núcleo de Estudos Simonianos, escreveu inúmeros artigos sobre seu patrono da ASL e o livro ‘Tempo de Resgate’, biografia de Simões Lopes Neto, realizou seminários e colaborou com o movimento tradicionalista gaúcho.

Fundado o Instituto José Simões Lopes Neto, foi eleito Vice-Presidente na assembleia de estruturação em 1999. O prédio foi restaurado e entregue ao público em 2006. Em 2007 publicou o livro ‘Garimpando no Mundo das Trezentas Onças’ e o Instituto JSLN instituiu o prêmio ‘Trezentas Onças’, sendo Mário um dos premiados.

Em 2010, por problemas de saúde, retorna a Sorocaba e reforça os laços culturais com a Academia Sorocabana de Letras, o Tropeirismo e a cultura tropeira de Sorocaba e região. Nos 356 anos de Sorocaba é selecionado para a publicação do poema acróstico ‘Um olhar sobre Sorocaba’.

Retorna, novamente, em 2011. Realiza mostra de aquarela tropeiras na FUNDEC, onde já existiam trabalhos seus doados pela viúva de outro Acadêmico, o Dr. Hélio Rosa Baldy.

Seu talento como artista foi reconhecido por todos os locais onde seus quadros foram levados. Em 1978 realizou a sua primeira exposição individual em Porto Alegre, obtendo consagração na mídia e no público. Pelos seus trabalhos foi incluído no Dicionário de Artes Plásticas do Rio Grande do Sul, edições de 1998 e 2000.

Reside, atualmente, na cidade de Capão do Leão, no  Rio Grande do Sul. Foi o instituidor da cadeira de nº 27 de João Simões Lopes Neto, em 06/12/1980, na Academia Sorocabana de Letras e a esse patrono dedicou-se, de tal forma, que o reverencia até hoje.

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Vem aí a 8ª edição da FLAUS!

A 8ª edição da FLAUS (Feira do Livro e Autores Sorocabanos) já tem data marcada e as inscrições para participação estão abertas!

Logo da FLAUS
Logo da FLAUS

A 8ª edição da FLAUS (Feira do Livro e Autores Sorocabanos) já tem data marcada e as inscrições para participação estão abertas! 🎊

🧑🏻‍💻 É escritor de Sorocaba ou região? É artista local? Inscreva-se para:

✔ lançamento de livros

✔ sessão de autógrafos

✔ rodas de conversa

✔ performances

✔ debates

✔ oficinas

✔ exposição artística-cultural (quadros, artesanatos, livros, esculturas etc.)

⚠️ As inscrições são gratuitas e vão até o dia 30/10.

Local e data:

SESC Sorocaba – 13, 14 e 15/12.

Praça Cel. Fernando Prestes/Sorocaba – 21/12

Inscreva-se aqui: https://forms.gle/5Leeav1sn2CpUqZV7

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As Vidas da Natureza-Morta

Museu Afro Brasil Emanoel Araujo inaugura a exposição ‘As Vidas da Natureza-Morta’

Artista, Antonio Pulquério, e Diretor Artístico do Museu, Hélio Menezes
Artista, Antonio Pulquério, e Diretor Artístico do Museu, Hélio Menezes

Na maior mostra do gênero no país, o curador Claudinei Roberto da Silva observa a sensível eloquência de objetos inanimados

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, inaugurou, no último sábado, 13 de abril, a exposição “As Vidas da Natureza-Morta”.

O evento de abertura contou com a participação do curador da exposição, Claudinei Roberto da Silva, do Diretor Artístico do Museu, Hélio Menezes, da secretária de Cultura, Economia e Indústria Criativas, Marília Marton, além de talentos que participam da mostra e outras personalidades. A exposição aborda diversas referências de natureza-morta, considerando a produção de artistas brasileiros e estrangeiros do século XIX até a atualidade. 

Jefferson Pancieri - Curador Claudinei Roberto da Silva e Secretária Marilia Marton
Jefferson Pancieri
Curador Claudinei Roberto da Silva e Secretária Marilia Marton

O curador Claudinei Roberto da Silva partiu do acervo da instituição, contando com obras de outras instituições culturais do país, além de contribuições de artistas e colecionadores. Durante a cerimônia de abertura, ele destacou a relevância do trabalho dos artistas e do Museu.

“Tornar possível uma exposição que tem 62 artistas e mais de 300 obras, é uma coisa difícil de imaginar quando nós vemos a mostra pronta. O que vocês vão ver é uma ínfima parte da produção artística brasileira. E reitero que a manutenção dos espaços de cultura e museais depende do público, depende de vocês. A gente precisa prestigiar as instituições museais e se apropriar desse patrimônio que é nosso”, pontuou Claudinei.

Jefferson Pancier - Artista Soberana Ziza
Jefferson Pancier
Artista Soberana Ziza

Hélio, o novo Diretor Artístico da instituição, falou sobre a experiência de abrir a primeira exposição desde o início de sua gestão. “Depois de tantos anos em que me dediquei  a estudar o Museu e o Emanoel, estar aqui é uma honra. Eu falo sem qualquer modéstia que esse é o museu mais importante do Brasil e brasileiro. É uma alegria poder abrir a primeira exposição.” 

Já a secretária, Marília Marton, elogiou o trabalho realizado. “Essa mostra, que é a maior do gênero no país, nos convida a uma extensa e profunda reflexão por meio da sensibilidade da natureza morta, buscando conhecer quais são suas persistências, seus motivos, comportamentos e reivindicações enquanto objetos contemporâneos”, finaliza. 

Divulgação - Obra - Economia doméstica miolos - Ana Luiza
Divulgação
Obra – Economia doméstica miolos – Ana Luiza

A exposição é composta por  62 artistas acadêmicos, populares, modernos e contemporâneos. Dentre eles, cabe mencionar o artista negro Estevão Silva, que morreu no Rio de Janeiro em 1891 e conferiu expressão ao gênero. Também estão presentes nas obras os artistas Aldemir Martins, Alina Okinaka, Ana Luiza Dias Batista, Anita Malfatti, Antonio Pulquério, Carlos Scliar, Yêdamaria, Juniara Alburquerque e Mariana Martins. 

Sobre o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo administrada pela Associação Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura. Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do seu diretor curador, Emanoel Araujo (1940-2022), o museu é um espaço de história, memória e arte.

Localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, dentro do mais famoso parque de São Paulo, o Parque Ibirapuera, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo conserva, em cerca de 12 mil m2, um acervo museológico com mais de 8 mil obras, apresentando diversos aspectos dos universos culturais africanos e afro-brasileiro e abordando temas como religiosidade, arte e história, a partir das contribuições da população negra para a construção da sociedade brasileira e da cultura nacional. O museu exibe parte deste acervo na exposição de longa duração e realiza exposições temporárias.

SERVIÇO:

EXPOSIÇÃO – As Vidas da Natureza-Morta

Endereço: Parque Ibirapuera, Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, portão 10, São Paulo – SP
Funcionamento: terça a domingo, 10h às 17h (permanência até às 18h)
Ingresso: R$15 (meia entrada, R$7,50)
Grátis às quartasEstacionamento (Parque Ibirapuera)Horário: das 5h à 0h
Acessos: Portões 3 e 7

Assessoria de Imprensa do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo – Si Comunicação 
Bruna Dutra: marketing@sicomunicacao.com.br   
Silvana Inácio silvana@sicomunicacao.com.br   
Contato: (11) 99191-5116 (WhatsApp Si Comunicação)

Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo – Assessoria de Imprensa
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João Liberato
Obra - Yêdamaria
João Liberato
Obra – Yêdamaria

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Obra - Antonio Pulquério
Divulgação
Obra – Antonio Pulquério

Jefferson Pancieri
Artista Sergio Lucena
Jefferson Pancieri
Artista Sergio Lucena

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Explorando a cor: uma década de impressões e múltiplos

Carbono Galeria inaugura exposição ‘Explorando a cor: uma década de impressões e múltiplos’, de Carlos Cruz-Diez

Ana Serra - Carlota Perez e Renata Castro e Silva
Ana Serra – Carlota Perez e Renata Castro e Silva
Foto Divulgação

O evento de abertura aconteceu no sábado 28/10, celebrando o ano do centenário do artista venezuelano e 10 anos de existência da galeria

No último sábado, 28/10, a Carbono Galeria, fundada por Ana Serra e Renata Castro e Silva, inaugurou a exposição Explorando a cor: uma década de impressões e múltiplos, de Carlos Cruz-Diez. O evento reuniu amigos, artistas, curadores e apreciadores de arte para celebrar o centenário do artista venezuelano e os 10 anos de existência da galeria.

Elaborada em parceria com a fundação que leva seu nome, a exposição reúne 33 gravuras além de nove esculturas produzidas nos últimos 10 anos de vida do artista, que completaria 100 anos em 2023.

Com curadoria de Carlota Perez-Appelbaum, consultora da Fundação Cruz-Diez, a exposição propõe uma viagem íntima por meio de experimentações do artista que teve uma carreira prolífica. O visitante poderá contemplar cromografias da Série Panam (2010), que destacam as infinitas possibilidades das formas retangulares, conceito também explorado em trabalhos da série Induction Chromatique Caribeña, de 2018, feitos um ano antes do artista falecer em 2019.  

“Através de técnicas meticulosas, como a serigrafia, a litografia e a impressão a laser, Cruz-Diez transformou o plano bidimensional num parque de diversões para os sentidos. Cada impressão, tal como um instrumento afinado, envolve o espectador numa sinfonia visual que dança graciosamente diante dos seus olhos, explorando as interações das cores de uma forma que desafia e encanta a mente”, diz a curadora Carlota Perez Appelbaum.

A cor não é algo estático, mas sim um fenômeno espacial dinâmico. Um exemplo notável disso pode ser observado em “Indução ao Amarelo – Oficina 4 (2012)”, parte da série “Indução Cromática” do artista. Segundo a curadora, nesta obra, o espectador experimenta um efeito óptico duplo: de perto, é possível discernir intrincadas formas geométricas formadas por linhas paralelas em azul, preto e branco. No entanto, ao se afastar, as linhas diminuem de tamanho, revelando uma tonalidade amarela que cria uma experiência virtual tão vívida quanto as cores da superfície.

Além dos trabalhos em papel, provenientes da Fundação Cruz-Diez, as séries de edições limitadas apresentadas nesta exposição incluem esculturas e objetos manipuláveis que permitem aos espectadores explorarem a cor em três dimensões e em uma escala íntima. Para a sócia-fundadora da Carbono, Renata Castro e Silva, “É muito especial celebrar dez anos com uma exposição de Carlos Cruz-Diez, um dos principais nomes do movimento cinético, junto a Julio Le Parc, Jesús Rafael Soto e Abraham Palatnik. A obra de Cruz-Diez é um marco da arte moderna, a interação entre cores e movimento desperta muita identificação com o público brasileiro”, ressalta a galerista. 

Se a arte transcende os limites convencionais e possibilita a expansão das dinâmicas entre cor e luz por meio dos sentidos, Explorando a cor: uma década de impressões e múltiplos oferece também uma experiência tátil e interativa que mostra como disposições espaciais, ilusões ópticas e os jogos de cores são características da obra de Cruz-Diez.

Sobre o artista

Carlos Cruz-Diez nasceu em 17 de agosto de 1923 em Caracas, na Venezuela. Seu encantamento pela cor começou quando frequentava a pequena fábrica de garrafas de refrigerante de seu pai, onde o jovem explorou os reflexos de luz e cor causados pelo sol nos vidros. Desde criança, demonstrou uma paixão pelo desenho e, apesar de receber repreensões dos professores na escola, seus pais o incentivaram a explorar as artes.

Em 1940, ingressou na Escola de Artes Plásticas e Aplicadas, onde obteve seu diploma como professor de arte, profissão que exerceu até os 70 anos. Na juventude, Cruz-Diez trabalhou como ilustrador e designer gráfico para a revista El Farol, além de colaborar com diversas publicações alternativas. Durante esse período, ele também criou quadrinhos para vários jornais venezuelanos e se envolveu com trabalhos publicitários.

A partir de 1954, começou a se interessar por arte abstrata, desenvolvendo uma série de projetos de murais externos com elementos geométricos. Na década seguinte, em 1965, sua carreira se solidifica no exterior com a participação na exposição antológica “The Responsive Eye”, no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) – evento que consagrou o movimento da arte cinética. Sua obra encontra-se em coleções permanentes de museus renomados, como o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), a Tate Modern em Londres, e o Centro Georges Pompidou em Paris, entre outros. Em 2005, fundou a Fundação Cruz-Diez com o objetivo de preservar, desenvolver e difundir o seu legado artístico e conceitual.

Sobre a Carbono

Ao longo de uma década, a Carbono lançou mais de 400 edições de mais de 200 artistas nacionais e internacionais. Única galeria brasileira a trabalhar exclusivamente com múltiplos, realizou no início do ano uma exposição comemorativa com múltiplos de 10 artistas convidados, entre eles Vik Muniz, Regina Silveira, Sonia Gomes, Artur Lescher, Julio Le Parc e Paulo Pasta. “Completar uma década é um reconhecimento da importância de uma galeria como a nossa que democratiza e facilita o acesso a um trabalho de arte contemporânea de qualidade”, afirma Ana Serra, sócia-fundadora da galeria.

As edições são obras produzidas em séries limitadas em diversos suportes, como escultura, objeto, gravura, fotografia, vídeo e até instalação. Na Carbono, esses trabalhos são criados a partir de uma cuidadosa curadoria e com o rígido controle e certificação de autenticidade. Assim, a instituição contribuiu para derrubar o preconceito em torno dessas tiragens criando oportunidades para a formação de novos colecionadores e a ampliando o mercado artístico. Ao apresentar múltiplos de artistas consolidados, a galeria também aumenta o acesso à produção criativa do artista e torna acessível para o público, trabalhos que antes seriam inatingíveis.

SERVIÇO

Explorando a cor: uma década de impressões e múltiplos, de Carlos Cruz-Diez

Abertura: 28/10, às 11h

Período expositivo: 28/10 até 23/12

Visitação: segunda a sexta-feira, das 10h às 18h; sábado, das 11h às 15h

Entrada gratuita

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