Vekinha mineirinha virou princesa!

Descubra, com Verônica Moreira, o que acontece quando o jeitinho mineiro de uma menina sonhadora cai para dentro das páginas de um clássico conto de fadas

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Capa do livro infantil "Vekinha: A mineirinha que virou princesa", de Verônica Moreira. Ao centro, uma jovem princesa sorridente com vestido cor-de-rosa e coroa dourada, cercada por gnomos de jardim, com um castelo ao fundo.
Imagem criada pelo ChatGPT

Era uma vez…

Na cidade de Caratinga (Minas Gerais), havia uma menina muito bonita e simpática chamada Vekinha, todos a conheciam e sabiam o quanto ela era sonhadora. Chamavam-na de Mineirinha, porque ela tinha o dom de cativar a todos com seu jeitinho mineiro de ser.

Vekinha tinha um sonho lindo: sonhava ser uma princesa bailarina e ter asas cintilantes como de borboletas. Isso, porque ela queria voar muito alto, tão alto quanto pudesse. Ela queria conhecer melhor a cidade onde vivia.

Ela nunca havia subido no topo das montanhas, e havia um lugar que ela adoraria conhecer de perto: o topo da pedra Itaúna.

Sempre ouviu seus irmãos dizerem que era o lugar mais alto da cidade e, lá de cima, dava pra ver todas as belezas da região; a praça das palmeiras, o coreto do jardim, o monumento Menino Maluquinho e até a estátua do cantor caratinguense Agnaldo Timóteo.

Acontece, que Vekinha era muito sonhadora, e isso é o que movia seu coraçãozinho. “Afinal” – pensava ela -, “tudo que eu quiser, eu posso fazer, basta eu acreditar que é possível!”

Vekinha gostava muito de sua amiga Kaká. Elas se divertiam e trocavam livros. Amavam ler histórias de fada e princesas, rainhas e reis, barões e baronesas e todas essas histórias de realeza.

Elas decidiriam ir à biblioteca Municipal de Caratinga e pegar um livro muito interessante que fala de uma princesa que se chama Branca de Neve. A pobre princesa do livro foi vítima de inveja de sua madrasta malvada.

Às meninas decidiram ler o livro para depois compartilhar a história e o que aprenderam. Isso, porque, ao ler uma história, cada pessoa tem uma interpretação daquilo que leu.

Vekinha chegou em casa com o livro na mão e disse para sua mamãe Conceição:  − Mamãe, vou começar a ler este livro da Branca de Neve e os Sete Anões. Vou para o meu quartinho e não quero ser interrompida, tá certo?

A mãe de Vekinha ficou feliz, afinal, a leitura desenvolve a criatividade, a forma argumentativa, melhora nossa comunicação e ainda nos ajuda a compreender muitas coisas.

− Ah, Vekinha! Claro que você pode ficar no seu quanto, vou cuidar para que ninguém a incomode.

No seu quarto, Vekinha começou a ler a história, cheia de acontecimentos curiosos. Ela chegou na parte em que o caçador corre atrás de Branca de Neve na floresta e, de repente, no decorrer da leitura, Vekinha pegou no sono e deixou o livro cair no chão …

O quarto da menina se transformou em um cenário estranho. Havia uma floresta com uma casa bem pequena. Na casa moravam sete anões, sete homenzinhos simpáticos.

Vekinha se levantou da cama e caminhou até a porta da casinha pequena. Quando entrou numa sala muito apertadinha, viu um dos homenzinhos deitado no sofá. Ela se aproximou e percebeu que ele estava bravo. Muito bravo! Tanto, que seu rosto  ficou vermelho, como se fosse soltar fogo pelas ventas.

Vekinha perguntou: − Olá, nobre senhorzinho, poderia me dizer por que você está bravo assim?

O pequeno homem lhe respondeu:

 − Claro que posso! É que acabei de chegar em casa e mais uma vez deu tudo errado! Todos os dias pela manhã, eu subo para escalar a pedra Itaúna e, às vezes, uso cordas para tentar chegar ao topo, mas ao chegar quase lá, fico totalmente frustrado, pois minhas pernas são curtinhas e sempre permaneço a um passo para chegar e as cordas nunca são suficientes Acredito que eu preciso de uma ajudinha.

Vekinha compreendeu e disse para o anão que, dá próxima vez, iria com ele para ajudá-lo.

O anão agradeceu e perguntou o que ela estava fazendo ali.

−  Estou apenas lendo este livro e, de repente, vim parar aqui dentro dessa história! − respondeu, ainda confusa com aquela situação.

Vekinha perguntou:

− Qual é o seu nome?

Ele disse:

− Zangado, menina. E o seu nome?

− Meu nome é VEKINHA, senhor anão

− Seja muitíssimo bem-vinda, menina! Gostei de você!

− Ah, obrigada senhor Zangado, também gostei de conhecê-lo, mas você poderia me dizer como faço pra voltar pra minha casa?

− Pra voltar para a sua casa eu não sei menina, mas você pode passar a noite aqui e me ajudar a escalar a pedra Itaúna amanhã. Se eu conseguir, prometo que a ajudo a voltar para casa.

Vekinha achou melhor não contrariar o anãozinho, porque, afinal, ele já estava zangado.

− Combinado… Eu fico aqui e amanhã bem cedo o ajudo. Vekinha ficou surpresa, pois não imaginava que numa floresta tão grande poderiam alcançar aa pedra Itaúna qu, até então só existia em sua cidade. Será só uma coencidência? Pensou ela…

De repente, Vekinha ouviu um ronco muito alto vindo da varanda da casinha e foi se aproximando para ver o que era. Avistou outro homenzinho, outro anão. Assustada, ela exclamou:

− Outro homenzinho!

Zangado disse a ela que não precisava ter medo, o anão era seu irmão, Soneca, que vivia dormindo por todo lugar, pobrezinho, mal conseguia trabalhar, pois vivia com sono. Vekinha achou melhor não acordá-lo, mas ele deu um pulo como se estivesse fingindo, e questionou:

− Quem é essa menina estranha? De onde veio essa criatura?

Zangado respondeu:

− Calma, Soneca, é só uma amiguinha que acabei de conhecer e que vai se hospedar aqui em casa até amanhã de manhã!

Como zangado era muito bravo, Soneca não o contrariou.

− Tá bom, pode ficar menina, mas não faça barulho, porque eu preciso dormir.

Vekinha saiu de fininho, “pé por pé” e viu uma porta que levava para um corredor. Viu uma cadeira de balanço e nela estava mais um homenzinho. Ela se aproximou, enquanto ele acariciava um gatinho, e perguntou:

− Você gosta de animaizinhos?

O homenzinho, assustado, pulou da cadeira e disse:

− Quem é você?

Vekinha chegou bem perto, acariciou sua barba enorme, e esclareceu:

 − Não se assuste, amiguinho, eu sou hóspede do senhor Zangado, e o vi sentado na cadeira. O senhor parecia tão bonzinho, que deu até vontade de lhe dar um abraço.

Dengoso se derreteu todo e, com às bochechas avermelhadas, disse a Vekinha:

 − Ah, menina! Perdoe esse meu jeito desajeitado. Pode ficar à vontade. Sinta-se em casa. Mas eu posso fazer um pedido?

− Claro que sim, senhor!

− Poderia fazer um cafuné na minha barba?

Vekinha se aproximou novamente e o acariciou com suas mãos de fada.

Dengoso ficou todo empolgado com o jeitinho doce da hóspede e a convidou para tomar um café. Foram à cozinha e, chegando lá, encontraram mais dois anões, que, ao vê-la, deram um salto da mesa e, com olhos arregalados, perguntaram:

− Quem é essa criatura desengonçada?

 Vekinha se chateou, e questionou:

− Desengonçada, eu? Respeitem-me, por favor! Sou apenas uma menina do interior, não precisam me ofender. Desengonçada eu não sou!

Dengoso, tomando as dores da menina, disse aos irmãos:

− Calma gente, essa é a Vekinha, ela veio parar aqui por acaso, mas não tem onde dormir. Podemos hospedá-la esta noite, afinal, lá fora está muito frio, e olhem como ela é frágil, pode pegar um resfriado e morrer!

Os irmãos concordaram, e responderam:

– Então tá bom, mas somente esta noite, mas temos uma condição: você fica, mas vai preparar o jantar…

Vekinha respondeu:

− Eu faço o jantar, não tem problema! 

De repente, o homenzinho soltou um espirro: atchim!

−  Você está gripado ? − perguntou Vekinha. − Quer que eu faça um chá?

O anão respondeu:

− Não precisa de chá, eu me chamo Atchim, e por isso eu espirro assim!

−  Ah, prazer, senhor Atchim!

− O prazer é todo meu, querida! Agora você pode se sentar que eu mesmo irei servir o seu café.

Vekinha se sentou e, percebendo que o outro anão estava muito calado, decidiu perguntar o seu nome:

−  Como você se chama?

O homenzinho respondeu. morrendo de rir:

−  Eu sou o Feliz, e estou muito contente por tê-la aqui na nossa casa. Vou até cantar uma música para alegrá-la:

Vekinha feliz, lá,lá lá lá lá!…

Se quiser podemos dançar!!

Me concede essa dança, princesa?

Vekinha ia se levantar para dançar com seu feliz cavalheiro anão, quando, de repente, ouviu um grito:

− Nem pensem em levantar-se dessa mesa! Não é hora de jantar. Vamos tomar o nosso café, porque precisamos trabalhar bem cedo. E você, mocinha, precisa cozinhar, portanto, tome logo esse café!

− Quem é você, senhor? −  perguntou Vekinha.

− Eu sou o Mestre. Aqui ninguém faz nada sem minha permissão, e eu não dei permissão para você dormir aqui, exceto se você me pedir com muito jeitinho. Aliás, implore!

− Eu não vou implorar! −  disse Vekinha.

− Então, vá embora! – gritou Mestre, bravo.

O outro anão ouvia a conversa e veio do quintal, dizendo:

−  Acalme-se Mestre! Nós não podemos deixar esta menina solta na floresta, pois as feras podem devorá-la, e isso seria muita maldade da nossa parte. Devemos dar abrigo a esta menina, mas somente esta noite!

Todos concordaram, e Vekinha agradeceu o simpático senhor anão, perguntando seu nome.

Ele disse: meu nome é Dunga. Seja muito bem-vinda à nossa casinha, e agora vamos tomar café.

− Certo. E onde está a cafeteira?  − perguntou Vekinha. Porém, quando, olhando para a pia, percebeu que o café foi coado numa meia suja e “chulezenta”, disse imediatamente:

− Eu não vou tomar esse café e nem vocês irão! Vou fazer um café novo, mas antes me arrumem uma agulha e um pano limpinho.

Os anões buscaram agulha, linha e um pano limpo. Vekinha cortou com a tesoura e fez um coador de café, costurou e, finalmente terminando a obra, foi até o fogão, ferveu a água e passou o café no coador novinho que fez para os anões. Eles ficaram muito gratos e, juntos, beberam aquele delicioso café, feito pelas mãos de uma mineira de “mão cheia”.

Vekinha nasceu no interior de Minas Gerais, na cidade que ela amava e que se chamava Caratinga. A cidade era conhecida por ser uma região muito importante para a produção do café, e, por isso, todos amam o café mineiro.

Os anões ficaram tão felizes, que convidaram Vekinha para morar com eles para sempre, mas Vekinha agradeceu dizendo que ama muito sua família e não poderia ficar longe nem um dia mais.

Os anões compreenderam e fizeram de tudo para agradar a menina, afinal, nunca haviam provado um café tão saboroso quanto o café de Vekinha.

A noite veio chegando e, enquanto Vekinha cozinhava um guisado de chuchu com pedacinhos de carne de boi, arroz, feijão preto e um anguzinho à moda mineira, os anões ficaram cheios de água na boca com o cheirinho da comida de Vekinha, que fez todo com muito amor, afinal, os anões a tratavam com muito carinho; inclusive, arrumaram a melhor cama da casa para ela pernoitar.

E chegou o grande momento! Vekinha chamou todos para jantar, deliciando-se com aquele guisado. Depois que estavam todos de barriga cheia, Vekinha leu uma história muito bonita sobre um “Menino Maluquinho”, personagem do livro de Ziraldo Alves Pinto, que foi um grande escritor e cartunista que morou na cidade de Vekinha, na amada Caratinga.

Os sete anões ficaram deslumbrados com a história e queriam ouvir mais histórias, mas Vekinha já estava morrendo de sono. Quando, finalmente, adormeceu no sofá, os anões, com muita dificuldade por serem muito pequenos, levaram-na pra cama e a deitaram, indo cada um pra sua caminha, pois, no dia seguinte, teriam que trabalhar bastante e Vekinha precisava voltar para sua casa.

Os anões, por sua vez, ficaram imaginando como seria essa cidade de Vekinha, sabiam que a culinária era maravilhosa, já que nunca haviam provado uma comida tão saborosa como a dela. Dormiram, sonhando com a possibilidade de um dia poderem conhecer mais dessa cidade maravilhosa.

No dia seguinte, Vekinha acordou cedo e fez novamente o café, mas percebeu que os anões não estavam em casa. Saiu pela floresta, gritando: Mestre! Dunga! Atchim! Soneca! Feliz! Dengoso! Zangado! Cadê vocês todos! Venham tomar café!

Os anões desceram da montanha às pressas e foram ao encontro de Vekinha, tomaram o café e comeram pão de queijo que acabavam de sair do forno, sairam satisfeitos com tamanha gostosura e disseram pra Vekinha  ficar quietinha dentro de casa até o horário do almoço, que eles voltariam para ajudá-la a ir pra casa dela.

Disseram ainda:

− Vekinha, não abra a porta para ninguém, não temos amigos por aqui, mas temos um inimigo, na verdade, uma bruxa muito má que tentou matar a Branca de Neve. Isso foi há muito tempo. Branca de Neve também era nossa hóspede, e igualmente perdida na floresta e a bruxa veio, disfarçada como uma velhinha e deu uma maçã envenenada para ela, de modo que, ao comer a maçã, Branca de Neve entrou em um sono profundo. Todavia, graças a um príncipe que a beijou, o feitiço da bruxa foi desfeito e a Branca de Neve se casou com o príncipe e foi feliz para sempre!

Portanto, VEKINHA, como a Branca de Neve foi morar no reino com o príncipe, nós iremos adotar você como nossa princesa!

Vekinha se sentiu muito emocionada, de forma que às lágrimas de felicidade começaram a escorrer por sua face. Os anões a abraçaram e eles se alegraram juntos. Vekinha, então, disse para os anões que não se preocupassem, pois ela nem gostava de maçã; ela amava comer  era amoras e ficaria atenta caso alguém quisesse lhe oferecer algo para comer.

Os anões foram até a floresta e fizeram uma coroa para Vekinha com folhas de amoras. A coroa ficou linda e Vekinha ficou muito feliz por ter sido coroada como Princesa do Reino da Floresta e protetora do meio-ambiente e  das riquezas culturais de sua Minas Gerais.

Os sete anões voltaram ao trabalho e Vekinha resolveu deitar e dormir um pouco. Adormeceu rapidamente ouvindo o cantar dos passarinhos na janelinha do quarto dos anões. De repente, ouviu um grito: Vekinha!!!

− Acorda menina, você já está atrasada pra ir pra escola, deve ter lido o livro inteiro durante a noite, não é possível!

Vekinha acordou, olhou em volta e não viu mais a casinha na floresta. Percebeu que já estava novamente em casa e que precisava se apressar, pois queria contar pra sua amiga Kaká o que havia acontecido com ela naquela noite. Era como se ela tivesse entrado naquela história.

Feliz com o que aconteceu, Vekinha indagou: “será que fui mesmo coroada e agora sou uma princesa?” Ao sair às pressas, Vekinha tomou uma xícara de café na cozinha e se despediu da mãe,  com a mochila e o livro na mão.

A mãe perguntou:

− Conseguiu ler o livro todo, Vekinha?

− Não mamãe, eu não li o livro todo, mas pude viver uma grande aventura com o pouco que li, mas depois te conto tudo! Bença, mamãe. Tô indo pra escola; ah, se encontrar uma coroa com folhas de amoras, a senhora guarda pra mim com muito carinho. Até mais, mamãe. Até mais, amiguinhos! 

Verônica Moreira

Voltar

Facebook




How to catch the moon

Jane Nash: Poetic prose: ‘How to catch the moon’

Jane Nash
Jane Nash
Imagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/53463afd48a16a24?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

Bring out the scent of a lover so embossed into your olfactory memory that satiation is the only response.

Perhaps it’s from two flowers on sale out the front of the supermarket. Cut price for wilted cut flowers. Hope for a cloudless night and then summon the memories of watching films, holding hands, catching buses together and watching a very old cat nibble at a block of South American chocolate through silver and brown paper.

Look up into the heavens. Now listen for the promises of someone who never left the building – experiment with the words they said. ‘Leaf’ they wrote on a leaf. You should wear your hair up, you have a different face when it’s up. try writing it in third person now. The moon? Mr Moon, you mean?’

Bring the sound of a dog’s panting when smiling. Dogs do smile. Cats steal dark chocolate and dogs smile and pant in happiness.

Still standing outside, facing the empty sky, full of crystalline patterns from behind where the hidden sun exists until dawn.

Within the dreams of the tiniest of children lie the clues of where to find the magical net of luminous threads.

When you track down the illusive silver penny of the sky, when you lay your magical threads upon the obscured alabaster plate, they will quickly melt into its surface, crinkling into craters and bumpy lines quite visible on a cold cloudless night. Pull hard, fear only the speed at which you will succeed and capture it with exuberance, excitement and energy.

It must be renewable energy. I’ve brought down three already. They’re locked up in the toolshed, mounted on a very large cheese board. They’re magic and I really don’t need any more.

There’s a trade in moonbeams. Even if you manage to catch the moon and bring it home, you have to keep it shining in whatever case you keep it in or it will be unable to squeeze out the djinn tears which sparkle and bathe lovers, livestock left out and every rock trodden into each desert on the globe.

Jane Nash

Voltar

Facebook




Red patent leather shoes

Jane Nash: ‘Red patent leather shoes’

Jane Nash
Jane Nash
Imagem gerada por IA da Gemini - https://gemini.google.com/app/36406a29ddd907aa?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
Imagem gerada por IA da Gemini – https://gemini.google.com/app/36406a29ddd907aa?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

The light of each moment escapes her eyes and drops like Swarovski’s most delicate crystal tears upon the place beneath. The fairy hair of a three year old. She is blond from the summer sun, the northern hemisphere’s winter not yet taken root.  This cherub plays hide and seek, gushing giggles in her wake, nose running in the excitement of small dogs and the colours of soft toys that she grasps. She bumbles her way around the garden dipping into the flowers and she surfaces smiling, pollen smears across her forehead, caught in wisps of that fairy-fine hair. 

From inside, facing out of the window, the shining one watches her granddaughter. Light grey hair mimics the blond as age dares to fly into the space of youth’s newness. There are only a few moments where it’s possible and now is the magic time.

Yesterday there was no traffic. A common place Sunday but today is the day when the truck comes by. One man, one truck and steel clamped arms which snatch at the waste hidden in green plastic bins.

There is a small gate at the front of the garden, leading from the pavement to the front door.  The twisted fashioned iron leaves have been painted green, the roses, red and the fleur-de-lis are painted in gold, a gift from another grandchild during a boring summer’s day whilst on holiday.  In the haste of getting the bin outside onto the pavement, the latch on the gate has not clicked to close.  A little gap invites a small child where gold paint sparkles in the sunlight.  A crown of light haloes the off balance cherub as she makes her way down the path, away from the colour-filled flower beds.  

The steel arms speed down to grab a bin and the child gets closer to the pavement. The sun glints from the lucky coins hanging from the rear-view mirror in the front cab of the truck and the driver sees, out of the corner of his eye, a tiny form making its way to the bins. He looks for an adult in pursuit but there is no one coming and he notices the shine from the red patent leather on her tiny feet. 

This sprite of the Celtic sun sees only rainbows and follows them regardless of the unknown and danger.  A moment of distraction has left her unattended and at the gate’s open invitation, she is unaware of a man in a truck, of bins and a light beginning to intensify as she draws closer to them.  The man opens his window down and shouts “Hello! Is anyone responsible for this child? Hello?”. 

Grandma is inside the house, the water from the taps in the sink covering his voice. When she looks up she sees a dishevelled toy, reminiscent of the pink pig it was when her granddaughter was born and she is comforted, thinking that the child and the pig are rarely separated. Thinking that the little one is safe amongst the flowers, she goes back to washing up the lunch dishes, she moves away from the window to switch on the kettle. 

The man in the truck halts the steel arms and opens the door to return the toddler to the garden but as he descends from the front of the cab, a spear is launched and strikes at the heart of him. He cannot breathe. The pulse in his neck drops into his chest and a band is tightened to crushing. Blood on the pavement pools from his head and the red shoes stand in the red life force.  

She sees rainbows until she sees a light descend from the sky. She sees a spear of light coming from the sky until she sees terrible beauty. She has no reference for such a face and is charmed by its peacefulness. She has no fear. Awkwardly reaching forward over the man’s chest, she grasps hold of the spear and steadies herself. Motionless, she watches him as he writhes and gasps. Dark beauty reaches out to cradle his head but the girl’s little arms instinctively pushes her away.  Urgent footsteps race down the path stopping only in view of the vision which prepares to carry his soul from here to there. Grandmother watches her granddaughter repel the magnificence of wings wishing to enfold a screaming heart. The child doesn’t realise but has the gift and a thousand years of shamanic song and drumming pours from her fingertips as she pulls out the spear and hands it back to the heavenly messenger who stands, stunned at not only the uninformed audacity but also a purity of heart and intent. 

The older woman’s light radiates from her eyes and she places her hands over his heart and watches the girl clumsily return the spear to its celestial owner.  There are rainbows until they see a light ascend to the sky and shoes are no longer smeared with the lifeblood of a man who cared enough to protect a fairy-haired three year old who had escaped from her grandmother’s notice.  

Angels are not beyond forming agreements and a pink pig is replaced that day through the palming of light by the smallest of shamens in red patent shoes.

Jane Nash

Voltar

Facebook




Mayara Pascotto

Ciclos Eternos: O Cântico de Gaya e a Jornada de uma Criadora de Mundos

Ciclos Eternos. O Cântico de Gaya
Ciclos Eternos. O cântico de Gaya

Entre pincéis digitais, páginas em construção e terapias pela arte, Mayara Pascotto ergueu um universo onde a Terra tem voz, memória e canto.

Aos 35 anos, a paulistana, jornalista em formação, arte-terapeuta, escritora, ilustradora e designer de games, estreia na literatura fantástica com Ciclos Eternos: O Cântico de Gaya, obra publicada pela Editora Viseu e já celebrada por seu lirismo e ousadia estética.

O livro nasce de um fascínio antigo: as mitologias que explicam o mundo, os ciclos da vida e a eterna dança entre humanidade e natureza.

Mayara Pascotto
Mayara Pascotto

Mayara sempre se interessou pelo modo como diferentes povos narraram a origem de tudo e encontrou na fantasia um espaço para reimaginar essas histórias à sua maneira.

Em Ciclos Eternos, Gaya, a Mãe Terra, adormece sufocada pela própria criação de seus filhos: máquinas, tecnologias, engenharias que, sem equilíbrio, corroem o que deveriam proteger.

A partir daí, humanos, animais e até seres mecânicos se unem em uma jornada épica para restaurar aquilo que foi perdido.

A narrativa entrelaça fantasia, filosofia e estética steampunk, evocando o sagrado feminino como força vital e trazendo a Redenção como fio que costura os destinos de seus personagens.

É uma fantasia que pulsa crítica social, mas também esperança, um lembrete de que, mesmo em mundos imaginários, a cura ainda pode vir da escuta.

Antes de sua estreia editorial, Mayara já trilhava caminhos criativos: colecionou prêmios literários na adolescência pela ASSEC, vendeu zines e quadrinhos por financiamento coletivo nos seus 20 anos e, mais recentemente, desenvolveu Redenção, seu projeto em estilo pulp fiction, que marcou uma fase de experimentação e descoberta.

Hoje, com Ciclos Eternos: O Cântico de Gaya, ela retoma essa essência, agora amadurecida.

Une técnica, sensibilidade e coragem criativa para entregar ao leitor mais do que uma grande fantasia: um convite ao retorno, ao que é ancestral, ao que é essencial.


“Todo ciclo existe para nos lembrar de onde viemos e para onde ainda podemos voltar”.

Mayara Pascotto


REDE SOCIAL DA AUTORA

CICLOS ETERNOS: O CANTICO DE GAYA

SINOPSE

Em um mundo onde a natureza e a magia entrelaçam-se em uma dança eterna, a história de Gaya, a mãe da Terra, e de suas descendentes se desdobra em um canto de amor e transformação.

Desde a primeira mulher que amou, cujo coração de quartzo rosa foi quebrado pela dor, até sua neta, nascida da magia e da carne, que enfrenta os dilemas do amor verdadeiro, o ciclo da vida se revela como uma jornada de cura, força e renascimento.

Quando a neta de Gaya, herdeira dos dons da terra e dos céus, apaixona-se por uma mulher que não pode lhe dar o que ela deseja, um novo desafio nasce: o de criar a vida com as próprias mãos, de invocar o milagre onde só há desejo.

Seus filhos, os bisnetos de Gaya, nascem entre bênçãos e maldições, entre luz e sombra.

E enquanto um é consumido pela dor do mundo, o outro floresce na alegria da aceitação e do amor.
Ciclos Eternos: O Cântico de Gaya é uma ode à vida em todas as suas formas, uma celebração da natureza que vive dentro e fora de nós, e um lembrete de que mesmo no fim dos tempos, o canto de Gaya continuará ecoando, sussurrando novas histórias para o universo renascer.

Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube

OBRA DA AUTORA

Ciclos eternos. O cantico de Gaya
Ciclos Eternos.O cantico de Gaya

ONDE ENCONTRAR


Página Inicial

Resenhas da colunista Lee Oliveira




A mala e o cais

Evani Rocha: Poema ‘A mala e o cais’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada por IA do Gencraft - 22 de maio de 2025, às 10:40 PM
Imagem criada por IA do Gencraft – 22 de maio de 2025, às 10:40 PM

Já li as entrelinhas
Do teu texto
Descobri a mensagem recôndita
Pus uma flor sobre tua mesa
Pintei de azul os teus pedestais

Deixei a mala na beira do cais
Pus-me em vigília, a olhar o horizonte
Vi quando o mar inundou o céu
Senti as águas levarem minh ‘alma

Já devorei tua fantasia
Bebi do brilho do teu olhar
Rabisquei de cinza tua poesia
Troquei tuas coisas de lugar

Já entreguei a ti minha alegria
Fingi de surda pra não te ouvir
Joguei pétalas de rosas no teu armário
Fiz piadas bobas pra te ver sorrir

Contemplei as curvas do teu corpo
Vesti em ti as minhas ilusões
Refiz os nós dos laços desatados
Busquei a mala na beira do cais!

Evani Rocha

Voltar

Facebook




Palavras ao vento

Irene da Rocha: Poema ‘Palavras ao vento’

Irene da Rocha
Irene da Rocha
Palavras ao vento
Palavras ao vento
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

No caminho do verso, incerto eu sigo,
Nas asas do devaneio, meu abrigo.
Com nobreza e gentileza, a palavra se alça,
Elegante, clássica, em cada frase que enlaça.

Não sou alicerce perene, mas o salto incerto,
Desmorono lentamente, num eterno concerto.
Levo a ruína que se sente, em cada passo,
Tornando pó, num ritual, o meu espaço.

Não me abraço à escrita libertina, nem à sina,
Na eloquente falta de harmonia, a ruína.
Não me destino a um paraíso de fantasia,
Mas rimando, pela melodia, encontro a poesia.

Assim, nas palavras vãs, anonimato enfeito,
No ritmo da rima, o meu canto perfeito.

Irene da Rocha

Contatos com a autora

Voltar: http://www.jornalrol.com.br

Facebook: https://facebook.com/JCulturalRol/




Feminina de cor púrpura no oceano da poesia

Ella Dominici: ‘Feminina de cor púrpura no oceano da poesia’

Ella Dominici
Ella Dominici
Microsoft Bing: Imagem criada pelo Designer
Microsoft Bing: Imagem criada pelo Designer

Ela é enigmática e aquecedora
de alma
alguém que atravessa o som
reverbera.
refratária das visões,
brilha.

Impalpável, à mente se faz
sentir e sente
intocável ser, é tocante

ela é transparente luz, pó refinado
de profundezas do oceano
é a tintura púrpura

Extraída de simples criatura
desta cor vermelho-rubro-escura
amor elegância simples formosura

Vibra o oceano da vida com
energia sutileza fantasia fúria,
tinge as águas do seu mar e
as marés de seu par

Amiga enamorada das águas
radiante fêmea em rítmica poética
na púrpura o sacerdócio da mulher
que ama, se doa, edifica, equilibra e perdoa

Na púrpura, realeza da soberania
encarnada como rubi é a femina
Lumia alas sombrias, fluorescência
de mulher sôfrega, reinando,
adentrando castelos rubros
demolindo muros

Na sociedade esmagante
representatividade ascendente
na política e luta de classes
o empoderamento reconhecido

Na literatura não se nasce mulher,
torrna-se protagonista das ações
em sua voz escrita, na feminina
e rubra poética

Ella Dominici

Contatos com a autora

Voltar: http://www.jornalrol.com.br

Facebook: https://www.facebook.com/JCulturalRol/