Rita Odeh: Poema ‘Para que a terra descanse um pouco’
Rita OdehImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/39aa0f5510bb2cf1?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
Ó Deus do Universo, Tu prometeste que a injustiça deve inevitavelmente desaparecer… Então, até quando todos estes tormentos, todo este sofrimento? Até quando os pássaros morrerão, abatidos, sobre os muros da esperança? Até quando o nosso céu permanecerá apetrechado com aviões de guerra, e as brasas do ódio… sobre a terra… permanecerão acesas…? Até quando…!? Até quando permaneceremos como borboletas em teias de aranha… presos…? Até quando as crianças chorarão… famintas… nuas… as suas famílias, cadáveres espalhados pelas estradas…?! Que os vermes devoram…? Até quando…!? Até quando as hienas violarão… o sangue dos inocentes… para que eles partam, estrela… por estrela… cintilando no céu? Até quando…!? Ó Deus da Justiça… Tu prometeste: é preciso que um dia o sol dos trabalhadores… dos esmagados… dos oprimidos… dos deslocados… dos miseráveis… se levante. E que seja cortada… a mão daquele que é viciado na destruição… que arruinou e devastou… e devorou a honra… e manchou o sangue. Ó Deus da Paz, Ó Senhor dos Grandes Céus, Ó meu Deus… Ó Misericordioso… Ó Amparo dos fracos… Tu que… dizes a uma coisa… Sê… e ela é, aos mortos, levantai-vos… e eles levantam-se… Diz à ocupação… basta de obscenidades. Diz à ocupação… basta de soberba. Diz às consciências: “Acordai da vergonha do vosso sono. No rio sagrado… lavai-vos.” Ó Deus do Universo, Diz ao vento… para se acalmar um pouco… um pouco… Ó Deus da paz… Ó Deus da verdade… Ó Deus da justiça… Diz… a esta terra… para descansar um pouco… um pouco… antes que……… o julgamento chegue.
Judy Parreño BacaImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/5ec993640b1d749e?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
La Vida
No mé golpeó con una pluma,
no mé golpeó con el viento,
ni con un suspiró que dejó mí corazón dolido,
llorando lágrimas blancas dé aguas,
qué queman encendidas una sonrisa,
qué sé niega a llorar,
porqué ella yá sabe, qué el incendió dé llamas ardiendo
no es el fuego, qué té destroza sentimientos dé aires burlones,
qué ahora ríen, pensando que los latidos dé un amor perdido,
son los caballitos Mailes, que uno a uno sé los llevó él aire.
Pero no saben que ellos eran los latidos
dé un amor verdadero, qué despierta de su sueño,
sabiendo qué nuestro Creador nos regala siempre más luz,
en nuestra ceguera pará ver con más claridad!!!
Y ahora mi ojo izquierdo sonríe,
porque el derecho sonríe iluminando la claridad dé la verdad.
Marilza SantosImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/477fc12d4f137761?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
Se Deus é o Criador, fonte de toda luz, As mães, cocriadoras, seguem a cruz. ‘Mãe’ é palavra de poder e decisão: Pode gerar vida ou quebrantar o coração.
Mãe Jasmim, de pureza e espiritualidade, Com leveza e beleza, em sua totalidade. Violetas, humildes, modestas, suaves, Guardam a alma com gestos amáveis.
Mães Orquídeas azuis, raras, elegantes, Simbolizam respeito em gestos constantes. Mães Lótus, do Oriente, resilientes, Superam o mundo, serenas e crentes.
Mães Lavandas que acalmam, harmonizam, curam, Em momentos diários, as dores depuram. Girassóis, com lealdade e admiração, Mesmo em erro, ilumina o coração.
Rosas vermelhas, amarelas, azuis ou lilás, Botões ou abertas toda mãe é paz. Morena, negra, branca ou amarelas, Despetalando ou colorindo como aquarela,
Todas são mães, reflexo do criador. De um Deus apaixonado, se doando por amor Cocriadoras com amor que conduz. Colecionando alegrias e tristezas, carregando a cruz.
Mãe Amor-perfeito, ao entardecer, memórias de você Entre todas as flores que admirei. Foste tu mãezinha, flor sem igual, Na glória repousa, com a Mãe celestial.
Depois de um ano turbulento e embates com as dores do passado, Sarah precisava ver o mar e acalmar o seu coração. Mas tudo parecia estranho e mal planejado, pois dependia da disponibilidade do filho caçula e de sua nora. Num momento em que se sentia fragilizada, não poderia ser diferente.
No final da tarde, na véspera da viagem, o céu fechou repentinamente e um vento tempestuoso anunciava uma chuva torrencial. Mas tudo continuava sendo planejado e a chuva parecia ter se dissipado.
Quando saíram ainda era madrugada e bastou avançar alguns quilômetros, que a chuva não deu trégua. Ficaram ansiosos, mas mantinham a esperança de que seria uma chuva localizada, o que infelizmente não era verdade. Depois de subirem a serra, viria o momento mais tenso da viagem, que era enfrentar o desconhecido, que oscilava entre curvas sinuosas e terreno íngreme temperado com chuva e a cerração do amanhecer.
Não deu tempo de nada. O vidro do carro embaçou e nesse quadro complexo entre aflição e estranhamento, o carro girou em uma curva na descida da serra. Foram alguns segundos intensos, onde se sentiram dentro de um liquidificador. Mas os anjos estavam lá em forma de uma contramão deserta e um barranco úmido que amorteceu o impacto.
Saíram de dentro do carro atordoados pelo ocorrido, mas nenhum fio de cabelo havia sido arrancado e se lembrou que, por alguns dias consecutivos, fazia a oração do Salmo 91, que se inicia afirmando que, ‘quem morar no lugar secreto do Altíssimo, encontrará abrigo’ e mais adiante ele diz, ‘nenhum desastre virá sobre você, pois ele dará aos seus anjos uma ordem referente a você’ e ‘Deus disse: ele me ama, eu o protegerei’.
Atordoados ainda, perceberam uma chuva fina em suas cabeças e a patrulha da Polícia Rodoviária Federal encostou logo em seguida. Por um instante sentiram um certo alívio, pois não estavam sozinhos no meio do caos. Perguntaram se tinha alguém ferido e se o carro tinha seguro, mas como não havia ninguém ferido, imprimiram a ocorrência e se despediram dizendo que, quando tivesse área para seus celulares, entrariam em contato com um reboque, pois o carro havia quebrado o eixo traseiro. Ficaram ali, sem direção. Só o medo misturado com a euforia de estarem vivos, fazia companhia internamente. Mas externamente o perigo continuava rondando. O tempo parecia não passar, não tinham nenhuma noção se o reboque viria, e de que lado seria, pois não conheciam a região. A chuva continuava caindo e a cada automóvel que passava, havia o assombro da possibilidade de um outro acidente. Sarah tentou caminhar alguns metros à procura de alguém que pudesse socorrê-los, mas nem o freteiro quis sair de casa naquelas condições.
Desanimada e sem saber se esperava ou se pegava uma carona para algum lugar, onde pudesse encontrar socorro, mais uma vez o inesperado acontece. Passava na rodovia um veículo usado para rebocar automóveis, e seu condutor percebeu que precisavam de ajuda. Num primeiro instante, pensaram que teria sido enviado pela Polícia Rodoviária Federal, mas não era. Miguel e Paulo, estavam passando ali por uma coincidência, e então, Sarah sentiu mais uma vez as mãos de Deus se materializando bem diante de seus olhos.
Seguiram instantes de ‘graça’ e reinou entre eles as mãos dos ‘Anjos do Asfalto’, palavras que puderam ler em letras douradas nas costas daqueles dois homens, bem no lugar onde deveriam nascer as suas asas. Sim, eram anjos! Subiram o carro e os colocaram dentro, como anjos que abraçam seus protegidos e saem voando para um lugar onde tudo parece fantástico e misterioso. Pararam em um ‘Ferro Velho’, onde não encontraram nenhuma peça necessária para substituir as peças quebradas e mais um anjo se juntou a eles. Era Giuseppe, o dono do ‘Ferro Velho’. Sarah ainda não havia se dado conta do que estava acontecendo. O dono do reboque, o senhor Miguel e Giuseppe, haviam tomado para si o problema que era deles. Não os abandonariam até que estivessem seguros para seguirem viagem.
Se dirigiram para um outro ‘Ferro Velho’, que também tinha um depósito de peças novas, mas Miguel não os deixaria a mercê de pessoas que pudessem explorar a fragilidade deles. Assumiu o conserto da parte mecânica do Fiat Uno, juntamente com seu ajudante e envolveu uma grande equipe na tentativa de encontrar peças velhas e novas para substituir as peças quebradas, e até realizar reparos em peças não encontradas naquele local. Sarah olhava aqueles movimentos frenéticos com ar de espanto. Como podia Deus ser tão bom com eles? Como conseguiu enviar aquele reboque naquele momento, sem que ninguém tivesse chamado? Como havia conseguido reunir aquelas pessoas?
Giuseppe, que não teria nenhum lucro com aquela situação, também estava ali. Ela não entendia quem era ele naquele contexto, até que percebeu que contava histórias para distraí-los, pois sabia que estavam em estado de choque. Num primeiro momento, ela apenas notou que era um homem forte, calvo, que mancava de uma perna e tinha várias cicatrizes. Ele lembrava muito o Quasímodo, personagem central do livro ‘Notre-Dame’, de autoria de Victor Hugo, publicado em 1831. Um corcunda de nascença, Quasímodo habita o campanário da Catedral de Notre-Dame de Paris, afastado da sociedade e temido pelos habitantes locais. Foi assim que ele lhe chamou a atenção inicialmente, mas era muito mais do que isto. Ela tinha dúvidas se ele era real, pois agia de modo tão incomum e contava coisas tão bizarras que nada parecia real. Começou contando que era italiano, e que foi combatente em frentes de guerra, o que justificava as deformações e cicatrizes em seu corpo. Depois, que era casado com sua própria irmã, devido ao confinamento em que havia vivido, e com quem tinha vários filhos, e que para eles este fato não causava nenhuma estranheza. Vieram para o Brasil tentar a sorte, sonhando em conquistar um pedaço de terra e reconstruir a vida.
Enquanto ouvia as histórias de Giuseppe, fazia um paralelo entre dois mundos: um que estava ali dentro do visível e outro que era invisível. Ela não conseguia ver de outra forma. No lugar das letras nas costas daqueles dois homens que trabalhavam no reboque, ela via asas, Giuseppe parecia ter saído de dentro de um livro, de tão exótico e exuberante que era. Sarah queria gravar todos os detalhes daquele milagre, então de vez em quando precisava fazer a leitura do ambiente, embora estivesse fascinada com suas histórias.
As outras pessoas envolvidas pareciam em outra dimensão. Era como se fossem os espectadores de um grande acontecimento. Mas era mesmo um grande espetáculo que se desenvolvia entre seres espirituais criados para servir a Deus, que naquele instante se aglomeravam em torno deles. Sarah não se conteve, pois precisava expressar àquelas pessoas a quão grata seria. E Giuseppe prosseguiu e contou-lhes mais histórias, mas desta vez se arriscou também a narrar algo sobrenatural ocorrido com seu filho, enquanto estava em um hospital entre a vida e a morte. Contou que, depois de um acidente, seu filho provavelmente perderia um braço e durante os dias mais traumáticos foram assistidos por alguém especial, que entenderam ser um médico.
Depois de ter findado os dias mais angustiantes de suas vidas e seu filho, além de não ter perdido o braço, também gozava de saúde estável; ao ter alta do hospital, procuraram pelo médico que descreveram com bastante detalhes, mas ninguém o conhecia.
Assim, mergulhada no encantamento, os acontecimentos se desenvolviam num ritmo acelerado. O anjo mestre, o dono do reboque, não cobrou pelo transporte do Fiat Uno, pois entendeu que não estariam preparados. Cobrou apenas um valor simbólico pelo seu trabalho. Ele parecia tão bem por fazer o que fez, que Sarah se conteve e deixou que ele se sentisse como anjo que era. Pagou pelas peças usadas no conserto do carro e partiram com uma sensação de querer ficar mais tempo ali conhecendo aquelas pessoas. Ela tem certeza que as poucas palavras usadas para descrever o evento jamais seriam suficientes para narrar todos os detalhes e sentimentos envolvidos.
Naquele estado de graça, que mais parecia um delírio, não duvidou, apenas acreditou e se entregou à magia daqueles anjos. Despediram-se com palavras afetuosas e partiram rumo ao mar. Sarah entendeu naquela viagem que nem as dores e nem as delícias tinham mais tanta importância.
Suziene Cavalcante: Poema ‘Depois que chegaram da Lua’
Suziene CavalcanteImagem criada por IA do ChatGPT
Eles foram até a Lua Com bandeiras, fé e razão. Queriam medir o espaço. E entender a humana razão.
Levaram números e máquinas. Planos, mapas e ambição. Mas trouxeram algo invisível, que não cabe em explicação.
Só quem vê o Infinito, liberta-se dos ciclos, e ganha um livre coração.
Viraram o olhar pra Terra tão azul, tão só no escuro. E ali sentiram no peito que o amor é o foguete mais seguro.
Depois que chegaram da Lua, nada mais foi como antes. O dinheiro ficou pequeno. O poder ficou distante.
Eles viram que a vida é breve.E o agora é o que importa. Que o universo é nossa casa. E o coração é a porta.
Viram o silêncio falando. Viram luz sem precisar ver. Entenderam que a grandeza é aprender a ser.
Voltaram com olhos novos. E o ego ficou pra trás. Quem vê o infinito de perto não é igual nunca mais.
Somos poeira de estrelas. Mas também luz a brilhar. Tão pequenos na imensidão. Tão imensos ao amar.
Só quem vê o Infinito e depois à Terra desce, descobre seu próprio espírito e nunca mais se envaidece.
Depois que chegaram da Lua, aprenderam a soltar o que pesa, o que divide, o que não deixa voar. A lua tem face humana. Ela também pisou na Terra c’a sua chama, ensinando a brilhar.
Se todo mundo pudesse ver a Terra lá do céu. Talvez cuidasse mais dela. Talvez rasgasse o véu! Talvez entendesse que estamos viajando. E o Porto, a chegada, é o Infinito nos tocando.
Depois que chegaram da Lua, trouxeram algo maior. Não foi pedra, nem conquista. Foi consciência de que na vida não estamos sós. Que na vida tudo passa, mas o Universo é a nossa casa. Todos nós em um só pó.
Quem consegue deixar os sentimentos baixos, consegue subir ao espaço. E lá ver o espírito do infinito e seu abraço.
Quem se tornou leve conseguiu ir lá. E quando retornou, a alma quis mudar. Nunca mais quis competir, pois o Infinito em tudo está. Quem já esteve a sós com Deus nunca mais quis odiar.
Com os pés sobre a Lua, viram o mundo azul. E nesse vislumbre fiel, viram que a Terra pode ser o céu, já tem a cor do céu, e o céu és tú!