Vesti um sorriso

Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Vesti um sorriso’*

Sergio Diniz
Sergio Diniz
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“Não sabia o que vestir hoje

Vesti um sorriso…” e saí

Sai às ruas como quem sai ao vento

De uma manhã lufando esperança

Esperança de que, no meio do caminho,

Encontrasse outros sorrisos iguais

E assim, numa sorridente manhã,

Teria a certeza de que,

No Guarda-Roupa da Felicidade

Escolhi a veste da igualdade.

* Poema inspirado numa frase postada no Facebook pela amiga Jaque Guarani Kaiowá,
com os dizeres “Não sabia o que vestir hoje. Vesti um sorriso.”

Sergio Diniz da Costa

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Equidade de gênero e da felicidade

Marli Freitas

‘Bases necessárias que ultrapassam as fronteiras da desigualdade a favor da equidade de gênero e da felicidade’

Marli Freitas
Marli Freitas
Imagem: Meta IA
Imagem: Meta IA

Ao longo das eras, foi-se criando um modelo cultural baseado na superioridade masculina, que, muitas vezes, usa de forma errônea a força física para intimidar a fragilidade feminina.

Criadas para serem do lar, as mulheres eram privadas de ocupar espaços públicos e não podiam ler, escrever ou receber educação.

Inúmeras foram as tentativas frustradas de realizar os desejos dos seus corações. Ao bel-prazer masculino, foram objetos de luxúria e subserviência. Tão logo fossem desprovidas de um marido, também, perdiam todo o direito à dignidade e ao respeito social.

A mínima tentativa de dar forma a qualquer conhecimento, fora das normas preestabelecidas pelo estado, eram consideradas bruxas e vítimas da agressividade arcaica dos donos do poder, que macularam a história de covardia.

Cansadas das incongruências que marcavam o corpo e a consciência, as mulheres passaram a se organizar para protestar contra as desigualdades entre os gêneros e, muito isoladamente, vieram os primeiros frutos, sendo garantido em 1893, na Nova Zelândia, o direito ao voto, que só foi possível no Brasil em 1932 e garantido pelo Primeiro Código Eleitoral Brasileiro; conquista garantida após a organização de movimentos feministas no início do século XX, onde atuaram, exaustivamente, no movimento sufragista, influenciado, sobretudo, pela luta das mulheres nos Estados Unidos e na Europa por direitos políticos.

Em 1945, com a fundação da ONU – Organização das Nações Unidas, em um período em que a sociedade estava se reorganizando economicamente, muitas transformações foram necessárias e, as mulheres que não podiam andar desacompanhadas, não podiam trabalhar se fossem casadas, mal estudavam e passavam boa parte da vida, em casa, cozinhando e cuidando dos filhos, passaram para uma posição de destaque; destruindo a figura do homem herói e consagrando a mulher no mercado de trabalho.

Assim, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi elaborada com o objetivo de defender o direito de todos, sem exceção, com base no princípio da igualdade e destacando a vulnerabilidade das mulheres.

A 1ª Conferência Mundial sobre as Mulheres só ocorreu em 1975. A convenção aconteceu sob a tutela da ONU – Organização das Nações Unidas, que discursava sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres e, em 1979, surge o principal Tratado Internacional dos Direitos das Mulheres, garantindo o bem-estar físico, mental e social do gênero feminino. Elas passaram, então, a ter como direitos fundamentais: o direito à vida, à saúde, à educação, à privacidade, à igualdade, à liberdade de pensamento, à participação política e o direito a não ser submetida à tortura, entre outros.

Aqui no Brasil, elas são protegidas pela Constituição Federal de 1988, onde são garantidos acesso aos serviços de saúde, métodos contraceptivos, informação, educação sexual, igualdade entre homens e mulheres, ampliação dos direitos civis, sociais e econômicos, igualdade de direitos e deveres na sociedade conjugal e não discriminação por sexo.

A observância dos direitos das mulheres é de extrema importância, visto que, em um novo modelo econômico e social, elas passaram a ingressar no mercado de trabalho exercendo funções, antes, destinadas apenas aos homens.

Infelizmente, inúmeras são as pesquisas que apontam um percentual inaceitável, onde as mulheres sofrem violência e assédio no trabalho. Segundo dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, recebem um salário 22% menor do que os homens.

É através dos questionamentos e avanços nas leis que, hoje, é possível contar com a contribuição média de 16% de mulheres, atuando politicamente no Brasil; devido às cotas em que os partidos devem reservar 30% das vagas de candidatos, destinadas à elas.

Apesar dos debates a favor da igualdade de direitos entre homens e mulheres, garantidos por leis, a violência contra o gênero feminino persiste e o grande desafio é vencer a impunidade.

Um dos principais veículos de combate à violência contra as mulheres é a Lei Maria da Penha de 1983, que teve a sua origem no drama vivido por Maria da Penha Fernandes, vítima de duas tentativas de feminicídio pelo marido e acabou ficando paraplégica aos 38 anos e, quinze anos depois, não havia nenhum desfecho. O caso foi encaminhado para a CIDH – Comissão Interamericana de Direitos Humanos, onde o Brasil possui compromissos por ser membro da OEA – Organização dos Estados Americanos, que condenou o país por negligência e omissão às violências sofridas por ela.

A partir do ocorrido, o Congresso Nacional elaborou a lei mais importante na diminuição da Discriminação Contra as Mulheres e proteção em casos de agressão física, sexual, psicológica e moral.

A realidade está longe do ideal, pois está diretamente relacionada com a cultura da sociedade, em razão de preconceitos arraigados e alicerçados em contextos de diversas naturezas e, infelizmente, algumas mulheres acessam menos direitos do que outras. O maior desafio na atualidade é fazer valer os direitos adquiridos legalmente, pois a existência deles não é suficiente para transformar o comportamento da sociedade.

É preciso analisar o contexto histórico, questioná-lo e encorajar a sociedade, promovendo debates contínuos de conscientização sobre o lugar das mulheres no contexto social, político e econômico. Se podemos construir comportamentos sociais e reproduzi-los sem nem mesmo entender o real motivo, também, temos a liberdade de criar uma realidade a partir de um esforço contínuo de aprimoramento da qualidade de vida das mulheres, levando em conta a criação de novos hábitos através de posicionamentos seguros e um despertar de consciência de que, onde há respeito, todos são beneficiados de um modo geral.

A mais importante conquista adquirida pelas mulheres foi o direito à dignidade individual através do trabalho, pois, esta liberdade de conquistar a independência financeira, contribui para um maior equilíbrio nas relações sociais. Fato que não deve ser visto como uma questão de competição com o sexo masculino, mas como uma expansão de consciência colaborativa necessária na sociedade conjugal e, caso seja necessário, será um meio de sobrevivência digna para aquelas que optarem por viver para além das fronteiras do casamento.

O fato é que as mulheres se tornaram sobrecarregadas ao acumular tarefas dentro e fora do lar, tendo que lidar com as exigências de estar administrando eventualidades ligadas ao mercado de trabalho e familiares ao mesmo tempo.

É com um olhar compromissado e responsabilidades divididas que alçamos voo rumo ao aprimoramento das relações sociais. Dentro dos nossos lares temos a nossa primeira oportunidade de exercer, na prática, os direitos que fundamentam um comportamento saudável entre os sexos. Em uma dinâmica que deve ser vista como fator de soma e, automaticamente, de desenvolvimento.

A divisão de tarefas deve ser igual entre homens e mulheres. É dando ênfase à cumplicidade e garantindo um ambiente saudável para os membros que dividem o mesmo espaço, que criamos as bases necessárias para ultrapassar as fronteiras da desigualdade a favor da equidade de gênero, que, consequentemente, mudará o olhar da sociedade sobre o que é felicidade.

Marli Freitas

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Florescer e ser

Jacob Kapingala: Poema ‘Florescer e ser’

Logo da seção O Leitor Participa
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Esqueci toda a amargura,
E abracei a ternura.
Me desfiz da melancolia,
E deixei entrar a alegria.

Quero alcançar o amor…
Fazer dele meu eterno pódio.
Quero mostrar que ele tem mais valor,
Que toda a inveja, todo ódio.

Quero celebrar a vida.
Quiçá florescer e ser,
O suporte de uma criança protegida,
Que carrega a força de viver.

Far-me-ei num laboratório de felicidade,
Almejando ver florescer
No coração das pessoas, uma alacridade,
Que lhes vai fortalecer.

Jacob Kapingala

Jacob Kapingala
Jacob Kapingala

Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.

É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.

Teve o desejo de colocar em um papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.

É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.

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O ciclo

José Antonio Torres: Crônica ‘O ciclo’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por IA do Grok
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Nasceu!

Todos estão felizes. Uma nova vida se fez. Cuidados extremos, surpresas… o desconhecido sempre assusta. Um ser frágil e dependente. Olhar curioso. Sua conversa é pelo olhar.

Vai crescendo, fazendo descobertas. Seus pais se descobrindo também.

O tempo passa, aquele ser crescendo, se desenvolvendo, tornando-se independente.

Vai ganhando energia rapidamente.

Seus pais sentindo o peso do tempo.

Ele é adulto. Os pais, idosos. Os papéis se inverteram. Agora são eles que necessitam de cuidados. A vida deu voltas. A paciência e a compreensão do filho nem sempre estão presentes. Esquece que já dependeu.

A energia dos pais minguando… findou.

A chama da vida se apaga.

Por algum tempo ainda serão lembranças. Depois, nem isso.

Novo ciclo começa.

Será que o circuito será o mesmo?

José Antonio Torres

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O atalho do amor

Denise Canova: Poema ‘O atalho do amor’

Denise Canova
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O atalho do amor

Eu quero encontrar e ser feliz

O amor em mim vida é tudo

Esse atalho mudará muita coisa em mim

Amor pleno, começo da jornada.

Dama da Poesia

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Poetizo, logo vivo – XXVII a XXIX

Pietro Costa: Pensamentos XXVII a XXIX

Pietro Costa
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A felicidade é uma métrica, e nós, seus escravos.
A ignorância rende poder para alguns, mas o conhecimento gera liberdade para todos.
A arte e a vida ora se veneram, ora se repudiam.

Pietro Costa

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Indomável

José Antonio Torres: ‘Indomável’

José Antonio Torres
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O amor é um sentimento curioso e Inigualável.

Apesar de ser aquele que engloba os sentimentos mais nobres, nos causa uma certa estranheza em determinados momentos.

Ele provoca alegria intensa, mas também inquietude e dor.

Transmuta tudo em beleza, mas pode transformar momentos em algo sem cor.

Transborda de felicidade ao gerar uma luz intensa de paz, mas arde dolorido nos momentos de decepção.

Ao mesmo tempo em que é harmonia, pode-se tornar um mar revolto de emoções conflitantes.

Proporciona total entrega, mas não permite ser dominado.

Ele enxerga, mas, ao mesmo tempo, não vê.

Nos cega completamente, colocando uma venda sobre os olhos da alma e nos fazendo perder o rumo.

Ignora os dissabores que podem extingui-lo aos poucos e se refaz, na esperança de ser infinito.

Ele nos conduz por caminhos desconhecidos, onde não temos controle sobre nós mesmos e nem da direção a seguir.

Qual barco sobre as ondas impetuosas sob a força dos ventos, ele nos faz navegar ao sabor das marés.

Quem tiver a pretensão de contê-lo, se verá perdido e impotente diante de sua força.

Ele é Indomável!

O amor não aceita diretrizes, pois governa a si mesmo.

José Antonio Torres

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