A guerra contra as mulheres em nome de Deus

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Livro de Júlio Chiavenato, um dos mais respeitados historiadores do País, mostra como os textos sagrados perpetuam a cultura do estupro e do feminicídio

O culto vulgar da Bíblia como um livro sagrado e onde estão todas as verdades do mundo, estabelecidas por um deus supremo e inquestionável, provocou sentimentos negativos referentes à mulher. Como pregar o estupro, o linchamento e o assassinato por adultério sem punição. Tem sido assim há milhares de anos. O mais grave foi criar a imagem da pecadora. Os primeiros estudos analíticos dos textos sagrados apresentam certa indiferença à condição feminina, como se a mulher não tivesse importância alguma. Depois, existe uma espécie de fingimento e alienação sobre o tema: os textos que infamam a mulher passaram a ser meramente “simbólicos”, como se os símbolos nascessem do nada, sem relação com o social, a vida.

Na obra A Bastarda de Deus – A Bíblia e a cultura da violência contra a mulher, da Editora Noir, volume inédito e que consumiu doze anos de trabalho, Júlio Chiavenato, o autor do best-seller Genocídio Americano: A Guerra do Paraguai – o livro que revoltou os militares durante a ditadura – faz um mergulho nos textos bíblicos a partir de várias traduções e religiões para tratar com profundidade sobre a cultura do ódio pregado contra a mulher. Ele destaca a visão misógina de filósofos, santos, papas e teólogos sobre a condição feminina, a priori considerada a porta do “pecado” e a “desgraça” dos homens. Longe de ser uma obra anti-religião, é um trabalho meticuloso sobre um tema dos mais atuais: o combate à praga secular do feminicídio.

Uma abordagem corajosa, provocadora, contundente e que todas as mulheres estão convidadas a ler.

 

Serviço:

 A BASTARDA DE DEUS – A Bíblia e a cultura da violência contra a mulher

Autor: Júlio Chiavenato

ISBN: 9786589482031

Formato: 14 x 21 cm

Número de páginas: 256

Preço: 54,90

Pedido com frete grátis: www.editoranoir.com.br




Carlos Carvalho Cavalheiro: 'Capoeira se levanta para combater a violência contra a mulher'

Os alarmantes índices de feminicídio ocorridos em Sorocaba no final de 2017 serviram de estímulo para a criação de um projeto que visa instruir mulheres em técnicas de defesa pessoal baseadas na arte da Capoeira de Angola

 

Os alarmantes índices de feminicídio ocorridos em Sorocaba no final de 2017 serviram de estímulo para a criação de um projeto que visa instruir mulheres em técnicas de defesa pessoal baseadas na arte da Capoeira de Angola.
Inicialmente idealizado pelo historiador e escritor Carlos Carvalho Cavalheiro, o projeto foi recebido de forma entusiástica pelo Mestre Jaime Balbino, da Associação Cultural de Capoeira de Angola Bem Brasil.
“Precisamos transformar a capoeira de Angola num instrumento de luta contra a opressão para recuperarmos o verdadeiro sentido dessa luta”, afirma Mestre Jaime.
Dentro da proposta, realizada dentro de um projeto piloto, os capoeiristas receberão, em contrapartida, a visita de militantes feministas que realizarão rodas de bate-papo com o intuito de trazer as questões do feminismo para a capoeira.
“Culturalmente a capoeira é um universo masculino. Daí a importância de se estabelecer o combate à violência contra a mulher em duas frentes: aumentando a autoconfiança dela com a apropriação de técnicas de defesa pessoal e quebrando a cadeia de uma cultura machista que se impõe dentro da sociedade”, salienta o professor e pesquisador Carlos Carvalho Cavalheiro.
Projeto inovador
 
Por se tratar de um projeto inovador, não existe ainda uma “receita” metodológica. A construção do projeto se dará inicialmente a partir das conversas e contatos estabelecidos com o Coletivo Rosa Lilás, de Sorocaba, e com o mandato da vereadora Fernanda Garcia (PSOL). A ideia é que a partir dessas conversas a Associação de Capoeira de Angola Bem Brasil possa desenvolver metodologia de defesa pessoal baseada nos relatos apresentados sobre as agressões e temores mais comuns entre as mulheres no tocante às agressões que comumente estão sujeitas.
Por outro lado, os assuntos trazidos pelas mulheres dentro das rodas de capoeira também necessitarão da criação de uma didática especial, voltada para um momento diferente que é o de uma aula de capoeira.
“É preciso que se coloque o projeto em prática e que vá monitorando os seus resultados, ajustando o que deve ser ajustado. Por isso se trata de um projeto piloto que deverá crescer, despertando o interesse de outros mestres de capoeira e até mesmo de outras modalidades de luta”, salienta o treinel Eron Pereira de Barros, presidente da Associação Bem Brasil.
No dia 31 de janeiro de 2018 ocorreu a primeira reunião entre os representantes da Associação de Capoeira, o mandato da vereadora Fernanda Garcia e militantes do Coletivo Rosa Lilás. Antes, no dia 11 de janeiro, a Associação procurou o mandato da vereadora com o intuito de apresentar a proposta e solicitar apoio e contato com o Coletivo.
O projeto deve se iniciar a partir de fevereiro, primeiramente com mulheres do Coletivo Rosa Lilás. Posteriormente, o projeto deverá ser estendido para outros coletivos ou mulheres interessadas. Na oportunidade da reunião, as militantes apresentaram as suas demandas referentes ao que desejam sobre a defesa pessoal, o que foi anotado pelo capoeirista Luiz Henrique de Souza, o qual fez esboços de desenhos das situações apontadas para estudo do grupo no desenvolvimento de técnicas de defesa pessoal.