As flores do campo

Laskiaf Amortegui: Poema ‘As flores do campo’

Laskiaf Amortegui
Laskiaf Amortegui
Imagem criada pela IA do Gemini

As flores do campo
essas, as nossas, jamais voltarão.
​As flores do campo não são as mesmas de ontem…
onde a tua pele com a minha se amaram uma vez.
¡Essas flores do campo, as minhas,
jamais voltarão!
​Uma chuva de lembranças chega à minha mente:
os seus aromas, as suas cores, até os seus sabores;
mas elas já não estão, ¡igual a ti!
​Suave fragilidade onde eu dormia…
Elas amaram-me, e tu?
Os meus lábios provaram o seu néctar,
as pétalas abrigaram a minha pele.
¡As minhas flores já não estão!
Elas morreram… e vos?
​Seguirás no presente de uma lembrança passada.
Momento nostálgico:
o meu belo campo, flores amadas,
horizonte longínquo, viagem sem retorno…
Lágrimas de cristal, sem direito a voltar.
​¡As flores do campo não são as mesmas de ontem!

Laskiaf Amortegui

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Cidadão decisor

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Cidadão decisor’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
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Partindo, com muita humildade, da condição, ainda assim privilegiada, de cada um, como um ser limitado, precário, condicionado e insuficiente, o homem tem conseguido, ao longo da sua história, desde o processo de hominização à pessoa humana, que nesta fase pretende ser, avanços extraordinários, inigualáveis para quaisquer outros seres do mundo, que homem e natureza têm disputado, com prejuízo para esta, devido às invenções e intervenções, por vezes irresponsáveis, daquele. 

E se as agressões humanas à natureza são graves, algumas irreversíveis, mais complexas e de efeitos devastadores, são os conflitos interpessoais e intergrupais, muitos deles com consequências irreparáveis: morte física de vidas humanas; mutilações insuscetíveis de quaisquer intervenções repositoras e reparadoras; destruição de bens essenciais à vida, pela deterioração do ambiente e dos ecossistemas; alterações climáticas, desmantelamento de infraestruturas necessárias ao desenvolvimento, ao progresso e bem-estar dos povos. 

O homem com todo o seu poderio intelectual, criativo e técnico, consegue ser mais destruidor do que os grandes predadores selvagens. Como, quando e com quê, se conseguirá terminar com este flagelo, em que biliões de pessoas humanas, inocentes, inofensivas e indefesas estão confrontadas, permanentemente, em plena era das grandes realizações, nas alegadas “Novas Ordens Internacionais…”, na tão apadrinhada globalização? 

Descobrir, aplicar e validar a fórmula “mágica”, para pacificar a sociedade humana, são tarefas que, decididamente, não se vislumbram com facilidade, e até se pode questionar, se alguma vez isso será possível, pelo menos sem a vontade e determinação de todos os indivíduos. Em todo o caso, está sempre nas mãos do ser humano reverter situações negativas, para uma nova esperança de vida.

Parece haver todo um longo e relativamente difícil caminho a percorrer, cujo início terá de se estabelecer na base de uma formação inicial, bem cedo na vida, continuando com uma atualização persistente e consistente, ao longo da existência humana, nos domínios da Cidadania, nesta se incluindo todos os valores que caraterizam a sociedade, verdadeira e superiormente humana. 

Lançar as bases para uma “Nova Ordem Internacional Cívica”, elegendo a Cidadania como um imperativo universal, no que ela contém de deveres, direitos, valores e princípios, ou, e se se preferir, uma Ética comprometida com a sociedade, uma Ética exercida com competência por todos os cidadãos, independentemente do seu estatuto.

Num mundo complexo, habitado por seres igualmente difíceis, com interesses, estratégias, metodologias, culturas e valores diferentes, de indivíduo para indivíduo, de grupo para grupo e de povo para povo, o normal será a existência de conflitualidade, de problemas, de situações trabalhosas e até mesmo aberrantes que, por si sós, poderão não constituir nenhuma tragédia, se quem tiver a responsabilidade, e vontade, para as resolver, revelar capacidades diversas e dispuser dos recursos para solucionar as diferentes anomalias que surgem na sociedade. 

Na verdade: «Grande parte da resolução de problemas implica compreender um determinado conjunto de circunstâncias num determinado contexto. Frequentemente a capacidade para encarar o problema e resolvê-lo satisfatoriamente requer um desvio no processo mental, que permita ver o problema de um ângulo diferente.» (WILSON, 1993:59).  

O Decisor deverá ser competente, para além de múltiplas e interdisciplinares faculdades que tem de usar, na perspectiva da aplicação correta dos conhecimentos, técnicas e recursos, com o objetivo de obter o resultado pretendido, materializado na resolução do problema, não ignorando que no papel de Decisor está, também, o estatuto de cidadão, com deveres e direitos, sendo certo que: «O Estado existe para servir os cidadãos» (…) mas também é verdade que: «importa, igualmente, que os cidadãos disponham de um cabal conhecimento dos seus direitos…» (PRESIDÊNCIA CONSELHO MINISTROS, 1989:5).

BIBLIOGRAFIA

WILSON, G. & LODGE, D. (1993). Resolução de Problemas e Tomada de Decisão: Inovação, Trabalho de Equipa, Técnicas Eficazes. Tradução, Isabel Campos. Lisboa: Clássica 

PRESIDÊNCIA CONSELHO MINISTROS, (1989). Guia do Cidadão. Lisboa: Direcção Geral da Comunicação Social.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

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A fragilidade forte do amor

Letícia Mariana: Crônica ‘A fragilidade forte do amor’

Foto da colunista Leticia Mariana
Letícia Mariana

Respirei. Senti que estou viva e, apesar das circunstâncias, jamais me senti tão viva! Fiz meu chá de maçã com canela, peguei um livro da Jane Austen e pensei em você. Ouvi as músicas que você gravou para mim, cantando e tocando com delicadeza, senti os anjos me atordoando de tanta saudade!

Parece irônico pensar no amor. Nós nos sentimos frágeis, tão frágeis e vulneráveis em nosso destino. E parece que escolhemos isso de forma conscientemente irracional. Sonhamos com um vestido de noiva e uma valsa romântica, imaginamos como seria acordar todos os dias ao lado da pessoa amada, preparar seu café, trabalhar e estudar com a certeza de que fez a melhor escolha!

Certos homens nos causam a sensação de paixão rotineira. É como se você aceitasse, por ele, ser um pouquinho submissa. Mimar, adorar, servir. Por outro lado, esses homens, geralmente, são aqueles que apoiam seu crescimento profissional, suas conquistas financeiras e pessoais, sua evolução diária. O que te deixa com mais vontade de se entregar e amar sem medo. Esses garotos estão em falta na humanidade; por isso, não quero largar a sorte!

A minha vida tem sido um normal romantizado. Estudo e tento enxergar a beleza em cada assunto, aprendo a cozinhar e resolvo usar a louça mais bela da casa, vou ao mercado e passo batom vermelho. Escrevo… Bem, não há motivos para romantizar a escrita; ela já é puramente romântica!

É engraçado pensar nesse menino. Uma fortaleza frágil se enche em meu peito, praticamente um paradoxo bonito. Sentir amor é viver tranquilamente. Uma mistura de amor-próprio com o amor dele. Parece um sonho! Será que, se por um acaso eu me beliscar agora, acordo sozinha numa madrugada solitária? Estou realmente vivendo isso?

Estou. Amor, paixão, autocuidado. Tudo junto e misturado! E se amar é ser frágil, retrógrada ou antiquada, por ele eu aceito ser – ou parecer – tudo isso! Não somente por ele, mas pela minha essência. Sou feminina, forte e carinhosa. Meu superpoder é ser eu mesma.

A fragilidade forte do amor. A fortaleza de amar! Como já dizia Vander Lee: “românticos são poucos, românticos são loucos, desvairados”! E esse hospício me parece gentil.

CONTATOS COM A AUTORA

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Amanda Quintão: 'Por trás da fantasia'

Amanda Quintão

Por trás da fantasia de Mulher Maravilha, existe uma menina desprotegida, que não se preparou para os combates da vida, mas muitas vezes venceu com a ajuda de Deus.
Jaz uma pequena guerreira, vulnerável, que perdeu uma batalha do coração, por estar cansada de lutar, nem tem mais armas pra usar.
Que no momento não consegue ao menos se ajoelhar pra falar com Deus, pois até seus joelhos estão fracos e machucados . Ela sabe que precisa deitar e deixar que ele cuide de suas feridas profundas.
*Amanda Quintão
Instagram @amandaquintao_escritora