Agosto e as três dimensões da minha vocação

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘Agosto e as três dimensões da minha vocação:
Filosofia, Patrimônio Histórico e História

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
Agosto reúne três datas que traduzem uma parte essencial da minha trajetória: Filosofia, Patrimônio Histórico e História. Neste artigo especial, reflito sobre o significado de ser filósofo, historiador e profissional dedicado à preservação da memória e da cultura. Imagem criada por IA. 

Resumo

O presente artigo apresenta uma reflexão sobre três datas comemorativas do mês de agosto no Brasil: o Dia do Filósofo, celebrado em 16 de agosto; o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, celebrado em 17 de agosto; e o Dia Nacional do Historiador, comemorado em 19 de agosto. Mais do que abordar a origem e a importância dessas efemérides, o texto estabelece relações entre essas áreas do conhecimento e a trajetória acadêmica e profissional do autor, que encontrou na Filosofia, no Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural e na História campos de estudo, pesquisa e atuação profundamente vinculados à sua identidade intelectual.

Discute-se o papel do filósofo como agente da reflexão crítica; do profissional dedicado ao patrimônio como responsável pela valorização, preservação e transmissão da memória cultural; e do historiador como pesquisador e intérprete das experiências humanas no tempo. O artigo defende que essas três áreas constituem dimensões complementares de uma mesma missão: pensar, preservar e compreender a trajetória da humanidade.

Palavras-chave: Filosofia; Patrimônio Histórico; História; Memória; Cultura; Preservação.

1 Introdução

O calendário é composto por datas que ultrapassam a simples função de marcar a passagem do tempo. Algumas efemérides possuem a capacidade de despertar reflexões sobre profissionais, acontecimentos, instituições e áreas do conhecimento que desempenham papel fundamental na construção da sociedade.

O mês de agosto apresenta, particularmente, três datas que possuem profundo significado para minha trajetória acadêmica e profissional: o dia 16 de agosto, tradicionalmente celebrado no Brasil como Dia do Filósofo; o dia 17 de agosto, dedicado ao Dia Nacional do Patrimônio Histórico; e o dia 19 de agosto, instituído como Dia Nacional do Historiador. O Dia Nacional do Patrimônio Histórico é celebrado desde 1998, em homenagem ao nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade, primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Já o Dia Nacional do Historiador foi instituído pela Lei nº 12.130, de 17 de dezembro de 2009, em referência ao nascimento de Joaquim Nabuco, ocorrido em 19 de agosto de 1849.

A proximidade dessas três celebrações chama a atenção para a relação entre pensamento, memória e conhecimento histórico. A Filosofia estimula o ser humano a questionar, refletir e buscar compreender a realidade; o Patrimônio Histórico e Cultural permite preservar os testemunhos materiais e imateriais das sociedades; e a História procura investigar, interpretar e compreender as experiências humanas ao longo do tempo.

Não se trata, portanto, de três campos isolados. Ao contrário, Filosofia, Patrimônio e História estabelecem um diálogo permanente. A Filosofia contribui para problematizar os conceitos de memória, identidade, cultura e preservação; o Patrimônio oferece vestígios, objetos, lugares e práticas que materializam a experiência histórica; e a História interpreta esses testemunhos, situando-os em seus contextos sociais, políticos e culturais.

Essa relação possui, para mim, uma dimensão ainda mais significativa. São justamente essas áreas que escolhi abraçar ao longo de minha trajetória de formação e atuação. Concluí graduações em História e Filosofia e, posteriormente, busquei diversas especializações relacionadas à História, à Filosofia, ao Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural e a outras áreas das Ciências Humanas.

Mais do que formações acadêmicas, esses campos representam grandes paixões e compromissos pessoais. Eles orientam minha maneira de compreender o mundo, de interpretar a experiência humana e de participar da preservação dos bens que constituem a memória coletiva.

Este artigo pretende, assim, apresentar uma reflexão sobre essas três áreas, destacando sua origem, sua importância social e sua contribuição para a preservação da memória e para a compreensão do ser humano. Busca-se também demonstrar que pensar, preservar e interpretar são ações profundamente relacionadas e indispensáveis à formação de uma sociedade consciente de sua história e de sua responsabilidade perante as gerações futuras.

2 O Dia do Filósofo e a importância do pensamento

O dia 16 de agosto é tradicionalmente celebrado no Brasil como o Dia do Filósofo. A data é dedicada aos profissionais e estudiosos da Filosofia, área do conhecimento voltada à investigação de questões relacionadas à existência, ao conhecimento, à ética, à moral, à política, à verdade e aos fundamentos do pensamento humano.

A escolha da data costuma ser associada ao nascimento de Platão, um dos mais importantes pensadores da Antiguidade. Entretanto, para fins de rigor acadêmico, é recomendável caracterizar o 16 de agosto como uma data comemorativa tradicionalmente observada, sem afirmar que se trata necessariamente de uma efeméride oficial instituída por lei específica.

A Filosofia surgiu, segundo a tradição historiográfica, na Grécia Antiga, especialmente entre os séculos VII e VI a.C., quando determinados pensadores passaram a formular explicações racionais sobre a natureza, o cosmos, a vida social e a condição humana. Esse processo não significou o desaparecimento das explicações míticas, mas a formação gradual de novas maneiras de questionar e interpretar a realidade.

Entre os grandes nomes da tradição filosófica encontram-se Sócrates, Platão e Aristóteles, cujas contribuições atravessaram os séculos e continuam influenciando o pensamento contemporâneo. Sócrates destacou-se pela investigação crítica dos conceitos e pela importância atribuída ao diálogo; Platão desenvolveu reflexões sobre o conhecimento, a justiça, a política e a educação; e Aristóteles elaborou contribuições decisivas para a lógica, a ética, a política, a metafísica e as ciências naturais.

A Filosofia, entretanto, não pode ser compreendida apenas como um conjunto de teorias produzidas por pensadores do passado. Ela é também uma atitude diante da realidade, marcada pela disposição de questionar, investigar e examinar criticamente as ideias que orientam a vida individual e coletiva.

Ser filósofo significa aprender a perguntar. Significa não aceitar automaticamente uma afirmação apenas porque ela é repetida ou apresentada como indiscutível. Significa examinar argumentos, identificar contradições, questionar conceitos e buscar compreender os fundamentos das ideias.

Em uma sociedade marcada pela velocidade da informação, pela multiplicidade de opiniões e pela circulação de conteúdos nem sempre confiáveis, o pensamento filosófico assume importância ainda maior. A Filosofia contribui para o desenvolvimento da autonomia intelectual, da capacidade argumentativa e da responsabilidade ética diante das decisões que afetam a vida em sociedade.

A reflexão filosófica pode partir de perguntas aparentemente simples, mas cujas consequências são profundas:

  • O que é a verdade?
  • O que é a justiça?
  • O que significa ser livre?
  • O que é o conhecimento?
  • Como devemos viver?
  • Que sociedade desejamos construir?

Essas questões demonstram que a Filosofia permanece atual porque os grandes problemas humanos continuam presentes. Embora os contextos históricos se transformem, as sociedades continuam enfrentando dilemas relacionados à liberdade, à desigualdade, à responsabilidade, à justiça, à violência, à verdade e ao sentido da existência.

Minha aproximação com a Filosofia nasceu justamente dessa necessidade de compreender e refletir. Ao longo da minha trajetória acadêmica, busquei transformar essa inquietação em formação, estudo e pesquisa. Concluí minha graduação em Filosofia e aprofundei meus conhecimentos por meio de estudos especializados, mantendo permanente interesse pelas questões filosóficas e por sua relação com a História, a cultura e o patrimônio.

Para mim, ser filósofo não significa possuir todas as respostas. Significa, sobretudo, ter coragem intelectual para continuar fazendo perguntas. Significa reconhecer os limites do próprio conhecimento, estar disposto ao diálogo e compreender que a busca pela verdade exige investigação, rigor, humildade e abertura à revisão das próprias convicções.

3 O Dia Nacional do Patrimônio Histórico: preservar a memória

No dia 17 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural. A data está relacionada ao nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade, ocorrido em 17 de agosto de 1898. Advogado, jornalista e escritor, Rodrigo Melo Franco foi uma das figuras fundamentais para a institucionalização das políticas de preservação do patrimônio cultural brasileiro.

Em 1936, a proposta de criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) foi elaborada por Mário de Andrade, a pedido do então ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema. Rodrigo Melo Franco de Andrade foi indicado para organizar e dirigir o novo órgão, cuja criação se consolidou em 1937. Ele tornou-se seu primeiro diretor e permaneceu à frente da instituição por aproximadamente três décadas. O SPHAN daria origem ao atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A escolha do dia 17 de agosto possui, portanto, forte significado simbólico. A data homenageia uma personalidade decisiva para a formação das políticas nacionais de proteção patrimonial e estimula a sociedade a refletir sobre a importância da preservação da memória cultural brasileira.

O patrimônio cultural constitui um dos principais elementos de ligação entre passado, presente e futuro. Quando falamos em patrimônio histórico, não devemos pensar apenas em prédios antigos, monumentos ou igrejas. O conceito de patrimônio cultural é muito mais amplo e envolve bens materiais e imateriais.

Entre os bens materiais, encontram-se edificações, documentos, objetos, obras de arte, conjuntos arquitetônicos, sítios arqueológicos e espaços históricos. O patrimônio cultural também compreende manifestações imateriais, como saberes, celebrações, tradições, formas de expressão, técnicas e modos de fazer. Essa compreensão ampliada permite reconhecer que a cultura não está presente apenas nos objetos preservados, mas também nas práticas sociais transmitidas entre gerações.

Preservar o patrimônio significa reconhecer que determinados bens e manifestações possuem significado para uma comunidade e para a sociedade. Significa preservar referências, proteger testemunhos e assegurar que determinadas experiências humanas não desapareçam completamente com o passar das gerações.

Durante minha formação acadêmica, o estudo do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural tornou-se uma das áreas pelas quais desenvolvi especial interesse. Essa escolha não ocorreu por acaso. Sempre compreendi que a preservação da memória constitui uma responsabilidade coletiva e uma condição importante para o exercício da cidadania cultural.

Um monumento abandonado, um documento destruído, uma construção histórica descaracterizada ou uma tradição esquecida representam perdas que podem ser irreversíveis. Por isso, considero que o profissional dedicado ao patrimônio exerce uma função que ultrapassa a conservação física dos bens. Seu trabalho também está relacionado à preservação da identidade, da memória coletiva e dos vínculos simbólicos que as comunidades estabelecem com seus lugares, objetos e práticas culturais.

Preservar não significa impedir que uma sociedade avance. Preservar significa permitir que o desenvolvimento ocorra sem que sejam apagadas as referências que ajudam uma comunidade a compreender sua própria trajetória. O patrimônio não deve ser visto como obstáculo à modernização, mas como elemento capaz de orientar transformações mais conscientes, equilibradas e socialmente responsáveis.

4 O Dia Nacional do Historiador: investigar e interpretar o passado

No dia 19 de agosto, celebra-se oficialmente o Dia Nacional do Historiador. A data foi instituída pela Lei nº 12.130, de 17 de dezembro de 2009, que estabeleceu sua comemoração anual em 19 de agosto. A escolha está relacionada ao nascimento de Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, conhecido como Joaquim Nabuco, ocorrido em 19 de agosto de 1849.

Joaquim Nabuco foi historiador, diplomata, jurista, jornalista, escritor e importante liderança do movimento abolicionista brasileiro. Sua atuação intelectual e política esteve profundamente relacionada à interpretação da sociedade brasileira e à luta contra a escravidão, um dos mais graves problemas da história nacional.

A criação de uma data nacional dedicada ao historiador representa o reconhecimento da importância da História para a sociedade. O conhecimento histórico contribui para a compreensão das experiências humanas, das permanências e mudanças sociais, dos conflitos e das diferentes formas de organização política, econômica e cultural.

Mas o que significa ser historiador?

O historiador não é simplesmente alguém que memoriza datas e acontecimentos. Ele é um pesquisador. Seu trabalho envolve localizar, selecionar, analisar, comparar, contextualizar e interpretar fontes históricas. Documentos, cartas, fotografias, jornais, livros, objetos, monumentos, relatos orais, arquivos e diversas outras fontes podem contribuir para a compreensão de determinado período ou acontecimento.

O historiador trabalha, portanto, com evidências. Seu objetivo não deve ser simplesmente reproduzir versões estabelecidas, mas investigar os processos históricos e compreender suas diferentes dimensões. Isso exige método, crítica documental, conhecimento bibliográfico e atenção às condições em que as fontes foram produzidas, preservadas e transmitidas.

A História é composta por acontecimentos, mas também por pessoas, relações sociais, conflitos, ideias, costumes, transformações culturais, instituições e experiências coletivas. Por isso, estudar História é estudar o próprio ser humano no tempo.

O trabalho historiográfico também possui uma dimensão ética. Ao interpretar o passado, o historiador deve evitar anacronismos, simplificações e julgamentos descontextualizados. É necessário considerar os valores, as estruturas sociais, as relações de poder e as circunstâncias históricas que condicionaram as ações dos indivíduos e dos grupos.

Minha escolha pela História representa uma das bases mais importantes da minha trajetória acadêmica e profissional. Sou licenciado em História e busquei complementar minha formação com especializações em diferentes períodos e campos históricos, incluindo História do Brasil, História Antiga, História Medieval e História Contemporânea, além de áreas relacionadas ao patrimônio e à cultura.

Ser historiador, para mim, significa assumir o compromisso de investigar, interpretar e transmitir conhecimento. Significa compreender que o passado não deve ser utilizado simplesmente como instrumento de nostalgia ou como mecanismo de exaltação acrítica. O passado precisa ser estudado de forma crítica, responsável e contextualizada.

A História não oferece respostas prontas para todos os problemas do presente, mas fornece instrumentos para compreendê-los melhor. Ao revelar as origens, as transformações e as consequências dos processos históricos, ela contribui para que a sociedade reconheça os desafios que enfrenta e tome decisões mais conscientes.

5 Filosofia, Patrimônio e História: três caminhos que se encontram

Quando observamos as três datas comemorativas de agosto, percebemos que existe entre elas uma profunda relação. A Filosofia nos ensina a pensar; o Patrimônio nos ensina a preservar; e a História nos ensina a compreender.

São três verbos que, juntos, representam grande parte da minha trajetória:

Pensar. Preservar. Compreender.

O filósofo questiona os fundamentos e examina criticamente as ideias que orientam a vida individual e coletiva. O profissional do patrimônio protege os testemunhos culturais, valoriza os vínculos de pertencimento e contribui para a transmissão da memória. O historiador investiga e interpreta os processos históricos, analisando as experiências humanas em suas diferentes dimensões.

Podemos estabelecer, portanto, uma espécie de diálogo entre essas áreas:

  • A Filosofia pergunta: por quê?
  • A História investiga: como chegamos até aqui?
  • O Patrimônio preserva: o que devemos transmitir às próximas gerações?

Essas perguntas não são independentes. Ao contrário, complementam-se. Não é possível preservar adequadamente um bem sem refletir sobre seu significado, sua função social e os valores que representa. Da mesma forma, não é possível compreender plenamente um patrimônio sem investigar sua história, seus usos, suas transformações e as relações de poder envolvidas em sua valorização.

Essa relação demonstra que conhecimento, memória e cultura não podem ser tratados como áreas secundárias. Uma sociedade que abandona a reflexão pode tornar-se vulnerável à superficialidade, à desinformação e à aceitação passiva de discursos prontos.

Uma sociedade que abandona sua memória pode perder referências de identidade e enfraquecer os vínculos que unem suas comunidades. E uma sociedade que desconhece sua História pode ter dificuldade para compreender os próprios problemas contemporâneos, pois muitos dos conflitos atuais possuem raízes em processos construídos ao longo do tempo.

Filosofia, Patrimônio e História formam, assim, dimensões complementares de uma mesma vocação. A Filosofia oferece instrumentos para questionar; a História fornece caminhos para investigar; e o Patrimônio reúne referências que permitem preservar e transmitir experiências humanas significativas.

Minha trajetória nessas três áreas representa, portanto, mais do que uma sequência de formações acadêmicas. Ela expressa um compromisso intelectual e pessoal com o pensamento crítico, a preservação da memória e a compreensão da experiência humana. Ao pensar, preservar e compreender, essas áreas contribuem para uma sociedade mais consciente de seu passado, mais responsável diante do presente e mais preparada para construir o futuro.

6 Minha trajetória: uma escolha feita de paixão e conhecimento

Ao refletir sobre essas três datas, percebo que elas também representam parte da minha própria história. Não escolhi a Filosofia, a História e o Patrimônio apenas como áreas acadêmicas. Escolhi esses campos porque encontrei neles questões que despertam permanentemente minha curiosidade, minha sensibilidade e meu desejo de aprender.

Minha formação acadêmica foi construída gradualmente. Concluí a graduação em História e, posteriormente, em Filosofia, além de realizar diversas especializações relacionadas às Ciências Humanas, incluindo História do Brasil, História Antiga, História Medieval, História Contemporânea, Filosofia, Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural, Produção Cultural, entre outras áreas de estudo.

Essa formação representa muito mais do que uma coleção de títulos. Ela expressa uma trajetória de estudos, dedicação e permanente aperfeiçoamento. Cada curso, cada livro, cada pesquisa, cada artigo e cada projeto contribuíram para ampliar minha compreensão sobre o ser humano, a sociedade, a cultura e os processos históricos.

Ao longo desse caminho, descobri que minhas grandes paixões se encontram justamente na interseção entre essas áreas. Gosto de pensar, pesquisar, estudar documentos, conhecer personagens históricos, compreender processos sociais, preservar histórias, falar sobre patrimônio e escrever. Gosto, sobretudo, de compartilhar conhecimento.

Essas atividades não constituem tarefas isoladas. Elas fazem parte de uma mesma maneira de compreender a vida intelectual e o compromisso com a sociedade. Pensar permite formular perguntas; pesquisar possibilita buscar respostas; estudar documentos ajuda a reconstruir experiências; e compartilhar conhecimento transforma o saber individual em instrumento de formação coletiva.

Talvez essa seja a verdadeira essência da minha trajetória: aprender continuamente, investigar com responsabilidade, preservar aquilo que possui significado histórico e cultural e contribuir para que o conhecimento alcance outras pessoas.

Minha atuação nas áreas da Filosofia, da História e do Patrimônio representa, portanto, uma escolha feita de paixão e conhecimento. É uma escolha que se renova diariamente por meio da leitura, da pesquisa, da escrita, do diálogo e do compromisso com a valorização da cultura e da memória.

7 O papel social do conhecimento

Em tempos de profundas transformações tecnológicas e sociais, discutir a importância da Filosofia, da História e do Patrimônio significa também discutir o papel do conhecimento na sociedade.

Vivemos em uma época na qual qualquer pessoa pode produzir, publicar e compartilhar informações em poucos segundos. Essa possibilidade representa uma importante forma de democratização do acesso ao conhecimento, permitindo que diferentes grupos sociais expressem suas experiências, divulguem pesquisas e participem do debate público.

Entretanto, essa realidade também cria novos desafios. A abundância de informações não garante, por si só, a qualidade ou a veracidade do conteúdo divulgado. Por essa razão, as informações precisam ser analisadas, as fontes devem ser verificadas, as narrativas necessitam ser contextualizadas e as opiniões precisam ser diferenciadas dos fatos comprovados.

Nesse cenário, Filosofia, História e Patrimônio assumem importância estratégica. A Filosofia contribui para o desenvolvimento do pensamento crítico, da capacidade argumentativa e da autonomia intelectual. Ela ensina a formular perguntas, examinar conceitos, identificar contradições e avaliar os fundamentos dos discursos.

A História fornece instrumentos para compreender processos, contextos e relações de continuidade e mudança. Ao investigar o passado de maneira crítica, o historiador contribui para superar simplificações, combater interpretações anacrônicas e compreender que os acontecimentos são resultado de múltiplas relações sociais, políticas, econômicas e culturais.

O Patrimônio, por sua vez, possibilita preservar referências culturais e históricas que ajudam as comunidades a reconhecer sua trajetória. Monumentos, documentos, paisagens, objetos, práticas e manifestações culturais constituem testemunhos que podem contribuir para a formação da identidade e para o fortalecimento do sentimento de pertencimento.

As três áreas, portanto, contribuem para formar cidadãos mais conscientes de sua identidade, de seus direitos e de sua responsabilidade perante a sociedade. Também favorecem uma participação mais qualificada na vida pública, pois estimulam a reflexão, a análise crítica das informações e o respeito à diversidade das experiências humanas.

O conhecimento não deve permanecer restrito aos espaços acadêmicos. Universidades, escolas, museus, arquivos, instituições culturais, meios de comunicação e pesquisadores possuem a responsabilidade de aproximar o saber da sociedade. Essa aproximação deve ocorrer por meio de uma linguagem clara, sem abandono do rigor científico, permitindo que o conhecimento seja compreendido e apropriado por diferentes públicos.

Em uma sociedade marcada pela circulação rápida de informações, conhecer não significa apenas acumular dados. Significa saber interpretar, avaliar, relacionar e utilizar o conhecimento de maneira ética e responsável. É nesse sentido que Filosofia, História e Patrimônio se unem: a Filosofia ensina a questionar, a História ensina a compreender e o Patrimônio ensina a valorizar e preservar.

A defesa do conhecimento é, assim, também uma defesa da cidadania, da democracia e da memória coletiva. Uma sociedade que pensa criticamente, conhece sua História e valoriza seu patrimônio possui melhores condições para enfrentar os desafios do presente e construir um futuro mais consciente, plural e responsável.

8 Considerações finais

Agosto tornou-se, para mim, um mês particularmente significativo. Em um intervalo de quatro dias, três datas comemorativas permitem-me celebrar três dimensões fundamentais da minha trajetória:

  • 16 de agosto — Dia do Filósofo;
  • 17 de agosto — Dia Nacional do Patrimônio Cultural;
  • 19 de agosto — Dia Nacional do Historiador.

Essas datas representam muito mais do que comemorações inscritas no calendário. Elas simbolizam áreas às quais dediquei estudos, formação, pesquisa e, sobretudo, paixão. A celebração do Dia do Filósofo em 16 de agosto é tradicionalmente observada no Brasil; o Dia Nacional do Patrimônio Cultural, em 17 de agosto, homenageia Rodrigo Melo Franco de Andrade; e o Dia Nacional do Historiador, celebrado em 19 de agosto, foi instituído pela Lei nº 12.130, de 17 de dezembro de 2009.portal.iphan.gov+2

A Filosofia ensinou-me a questionar. A História ensinou-me a investigar. O Patrimônio ensinou-me a preservar. Essas três experiências contribuíram decisivamente para formar a maneira como compreendo o mundo, a sociedade e a própria condição humana.

Ao concluir as graduações e buscar diversas especializações nessas áreas, não procurei apenas ampliar minha formação profissional. Procurei compreender melhor o ser humano, sua cultura, sua memória e sua trajetória histórica. Cada etapa de estudo representou uma oportunidade de aprofundamento e uma possibilidade de ampliar minha participação na produção, na preservação e na difusão do conhecimento.

Hoje, quando observo minha caminhada, percebo que existe uma linha condutora entre tudo aquilo que escolhi estudar: a busca pelo conhecimento e a defesa da memória.

Ser filósofo é manter viva a capacidade de pensar, questionar e examinar criticamente as ideias que orientam a vida individual e coletiva.

Ser profissional e pesquisador do patrimônio é compreender que aquilo que recebemos das gerações anteriores merece respeito, estudo, valorização e preservação. É reconhecer que monumentos, documentos, lugares, objetos, práticas e manifestações culturais constituem referências fundamentais para a memória das comunidades.

Ser historiador é assumir o compromisso de investigar o passado com responsabilidade, rigor metodológico e consciência crítica, contribuindo para que o conhecimento histórico permaneça vivo e socialmente significativo.

São três caminhos diferentes, mas que se encontram em uma mesma missão:

pensar, preservar e compreender.

Talvez essa seja a melhor definição das minhas grandes paixões. Acredito que um povo que conhece sua História compreende melhor o presente; uma sociedade que preserva seu Patrimônio protege referências essenciais de sua identidade; e um ser humano que aprende a pensar filosoficamente amplia sua capacidade de compreender o mundo e agir de maneira mais consciente.

Por isso, neste mês de agosto, mais do que celebrar três datas, celebro uma trajetória. Uma trajetória construída entre livros, pesquisas, documentos, salas de aula, patrimônio, cultura, História e Filosofia.

Essa trajetória continua sendo escrita. E, enquanto houver uma pergunta a ser formulada, uma história a ser investigada ou uma memória a ser preservada, continuarei acreditando que o conhecimento constitui uma das mais nobres formas de servir à sociedade.

Referências

ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Dia Nacional do Historiador. Brasília, DF: Arquivo Nacional, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/arquivonacional/pt-br/canais_atendimento/imprensa/noticias/dia-nacional-do-historiador. 

BRASIL. Lei nº 12.130, de 17 de dezembro de 2009. Institui o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto. Brasília, DF: Presidência da República, 2009. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12130.htm. 

FUNDAÇÃO PEDRO CALMON. Dia do Historiador: interpretando o passado, elucidando o presente e construindo o futuro. Salvador: Fundação Pedro Calmon, 2015.

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Dia do Patrimônio Cultural. Brasília, DF: IPHAN, [s. d.]. Disponível em: https://portal.iphan.gov.br/noticias/detalhes/5771/brasil-comemora-o-dia-do-patrimonio-culturaluma-vida-dedicada-ao-patrimonio-cultural-brasileiro-ass. 

INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (Brasil). Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. Brasília, DF: IPHAN, [s. d.]. 

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS. 16 de agosto: Dia do Filósofo. Goiânia: Faculdade de Filosofia, UFG, 2022.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ. 16 de agosto: Dia do Filósofo. Teresina: UFPI, 2019. Disponível em: https://ufpi.br/ultimas-noticias-ufpi/8926-16-de-agosto–dia-do-fil%C3%B3sofo. 

UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS. Data celebra profissionais que se dedicam aos estudos da Filosofia. Palmas: UFT, 2021.

Alexandre Rurikovich Carvalho

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UNESCO e o Patrimônio Mundial

Alexandre Rurikovich Carvalho

UNESCO e o Patrimônio Mundial: a importância da  preservação da herança cultural e natural da humanidade

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
A capa ilustra uma reflexão sobre a atuação da UNESCO e a importância da preservação do  Patrimônio Mundial como legado histórico, cultural e natural da humanidade. Na parte inferior,  destacam-se a identificação do autor e a identidade editorial do Jornal Cultural ROL.  Imagem criada por IA.

Resumo 

A preservação do patrimônio cultural e natural constitui um dos pilares fundamentais  para a proteção da memória coletiva, da identidade dos povos e da diversidade  ambiental do planeta. Em um mundo marcado por profundas transformações sociais,  econômicas e tecnológicas, a conservação dos bens históricos, artísticos,  arqueológicos e naturais assume importância estratégica para assegurar que as  futuras gerações possam conhecer e compreender o legado deixado pelas  civilizações. Nesse contexto, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a  Ciência e a Cultura (UNESCO) desempenha papel de destaque ao promover a  cooperação internacional voltada para a educação, a ciência, a cultura e a  preservação do patrimônio de Valor Universal Excepcional. 

Criada em 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial, a UNESCO consolidou-se  como uma das principais instituições multilaterais responsáveis pela formulação de  políticas internacionais de proteção do patrimônio cultural e natural. A partir da  Convenção do Patrimônio Mundial de 1972, estabeleceu critérios técnicos e  científicos para o reconhecimento de sítios considerados de importância excepcional  para toda a humanidade, fortalecendo ações de conservação, pesquisa, educação  patrimonial e desenvolvimento sustentável.

O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário internacional ao possuir 25 sítios  inscritos na Lista do Patrimônio Mundial, distribuídos entre bens culturais, naturais e  mistos, que refletem a riqueza histórica, arquitetônica, artística, paisagística e  ambiental do país. Esses reconhecimentos reforçam não apenas o valor da  diversidade cultural brasileira, mas também a responsabilidade compartilhada entre  poder público, comunidade científica e sociedade civil na preservação desse  patrimônio. 

O presente artigo apresenta uma análise histórica sobre a origem da UNESCO, seus  objetivos institucionais, o processo de reconhecimento dos bens inscritos na Lista do  Patrimônio Mundial e a importância desse mecanismo internacional para a  valorização da memória, da identidade cultural e da conservação do patrimônio  brasileiro. Busca-se, igualmente, esclarecer aspectos frequentemente confundidos  pela opinião pública, demonstrando que o reconhecimento concedido pela UNESCO  destina-se exclusivamente a bens culturais e naturais de Valor Universal Excepcional,  e não a pessoas ou instituições. 

Palavras-chave: UNESCO; Patrimônio Mundial; Patrimônio Cultural; Patrimônio  Natural; Preservação; História; Brasil. 

Introdução 

A preservação do patrimônio cultural e natural representa uma das mais relevantes  responsabilidades assumidas pela sociedade contemporânea diante das gerações  futuras. Monumentos históricos, centros urbanos antigos, paisagens culturais, sítios  arqueológicos, reservas ambientais e parques nacionais constituem testemunhos  materiais da trajetória da humanidade e expressam valores históricos, científicos,  artísticos, arquitetônicos, culturais e ecológicos que transcendem as fronteiras  nacionais. 

Ao longo dos séculos, inúmeros bens de valor inestimável foram destruídos em  decorrência de guerras, conflitos políticos, expansão urbana desordenada, exploração  econômica predatória, desastres naturais e da própria ação do tempo. A perda desses  bens representa não apenas o desaparecimento de importantes referências  históricas, mas também o empobrecimento da memória coletiva da humanidade,  comprometendo a compreensão das diferentes civilizações e de seus processos de  desenvolvimento. 

Foi especialmente após os impactos devastadores da Segunda Guerra Mundial  (1939–1945), quando milhares de cidades históricas, bibliotecas, igrejas, museus,  monumentos e obras de arte foram destruídos, que a comunidade internacional  reconheceu a necessidade de estabelecer mecanismos permanentes de cooperação  para proteger o patrimônio cultural e natural em escala global. Dessa percepção  surgiu um amplo movimento internacional voltado para a promoção da paz por meio  da educação, da ciência, da cultura e do respeito à diversidade entre os povos. 

Nesse contexto, foi criada a Organização das Nações Unidas para a Educação, a  Ciência e a Cultura (UNESCO), instituição que passou a desempenhar papel decisivo  na formulação de políticas internacionais destinadas à proteção do patrimônio da  humanidade. Ao longo de sua história, a organização consolidou importantes  instrumentos jurídicos internacionais, dentre os quais se destaca a Convenção para a  Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural, aprovada em 1972, considerada  um marco na preservação dos bens de Valor Universal Excepcional.

O Brasil participa ativamente desse sistema internacional de proteção patrimonial,  possuindo atualmente 26 sítios inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO,  abrangendo cidades históricas, paisagens culturais, parques nacionais, áreas de  biodiversidade e sítios de excepcional relevância histórica e ambiental. Esses  reconhecimentos projetam o país no cenário internacional e reforçam a necessidade  de políticas públicas voltadas à conservação, à pesquisa científica, ao turismo  sustentável e à educação patrimonial. 

Diante desse panorama, o presente artigo tem como objetivo analisar a origem e a  evolução histórica da UNESCO, apresentar sua missão institucional, explicar o  funcionamento do sistema de reconhecimento do Patrimônio Mundial e discutir a  importância desse mecanismo para a preservação do patrimônio cultural e natural  brasileiro. Pretende-se ainda esclarecer equívocos frequentemente difundidos acerca  do papel da UNESCO, evidenciando que o reconhecimento concedido pela  organização é destinado exclusivamente a bens culturais, naturais ou mistos dotados  de Valor Universal Excepcional, não sendo aplicável a pessoas, entidades,  associações ou instituições. 

A criação da UNESCO 

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura,  internacionalmente conhecida pela sigla UNESCO (United Nations Educational,  Scientific and Cultural Organization), foi oficialmente criada em 16 de novembro de  1945, poucos meses após o término da Segunda Guerra Mundial, em um período  marcado por intensa reconstrução política, econômica, social e cultural (UNESCO,  2024). 

O conflito mundial deixou um cenário de devastação sem precedentes. Milhões de  vidas foram perdidas, cidades inteiras foram destruídas, importantes bibliotecas  desapareceram, museus sofreram saques, monumentos históricos foram reduzidos a  escombros e incontáveis obras de arte foram danificadas ou dispersas. Além das  perdas humanas e materiais, tornou-se evidente que a destruição do patrimônio  cultural representava também um ataque à memória, à identidade e à história dos  povos. 

Foi nesse contexto que diversas nações compreenderam que a paz duradoura não  poderia ser construída apenas por meio de tratados diplomáticos ou acordos militares.  Tornava-se necessário fortalecer o diálogo entre os povos por intermédio da  educação, da ciência, da cultura e da cooperação internacional. Essa visão inspirou a  criação da UNESCO, concebida como um organismo especializado do recém-criado  sistema das Nações Unidas. 

Sua Constituição foi assinada em Londres por representantes de dezenas de países  durante a Conferência das Nações Unidas para o Estabelecimento de uma  Organização Educacional e Cultural. Após a ratificação pelos Estados signatários, a  UNESCO iniciou oficialmente suas atividades em 4 de novembro de 1946,  estabelecendo posteriormente sua sede permanente em Paris, na França (UNESCO,  2024). 

Desde sua fundação, a missão da UNESCO tem sido promover a cooperação  intelectual entre as nações, estimular o acesso universal à educação, incentivar o  desenvolvimento científico, proteger a diversidade cultural e preservar o patrimônio  histórico e natural da humanidade. Seu trabalho parte do princípio de que a  construção da paz depende da valorização do conhecimento, do respeito às  diferenças culturais e da promoção dos direitos humanos.

Esse compromisso encontra-se sintetizado no célebre preâmbulo de sua Constituição: 

“Como as guerras nascem na mente dos homens, é na mente dos homens que  devem ser erguidas as defesas da paz.” (UNESCO, 1945) 

Essa afirmação tornou-se um dos mais conhecidos princípios da diplomacia cultural  contemporânea e expressa a convicção de que a educação, a ciência e a cultura  constituem instrumentos essenciais para prevenir conflitos, fortalecer o entendimento  entre os povos e promover sociedades mais justas e democráticas. 

Ao longo de mais de oito décadas de atuação, a UNESCO expandiu  significativamente suas áreas de atuação. Além da proteção do Patrimônio Mundial, a  organização desenvolve programas voltados para a preservação do patrimônio  imaterial, da diversidade linguística, dos arquivos históricos, das reservas da biosfera,  dos geoparques mundiais, da liberdade de expressão, da educação inclusiva, da  pesquisa científica e do desenvolvimento sustentável. Dessa forma, consolidou-se  como uma das mais importantes organizações internacionais dedicadas à proteção do  legado cultural e natural da humanidade e à promoção da cooperação entre os  Estados em benefício das gerações presentes e futuras (UNESCO, 2024). 

O que a UNESCO reconhece e o que ela não reconhece? 

A ampla credibilidade internacional da UNESCO faz com que seu nome seja  frequentemente associado a diferentes iniciativas culturais, educacionais e científicas.  Entretanto, essa notoriedade também contribui para a disseminação de interpretações  equivocadas acerca de suas competências institucionais. Entre os equívocos mais  comuns está a crença de que a UNESCO concede títulos honoríficos, certificados de  excelência ou reconhecimentos oficiais a pessoas físicas, associações, fundações,  academias, empresas ou outras entidades privadas. Tal entendimento não encontra  respaldo nas normas que regem a atuação da organização (UNESCO, 1972). 

No âmbito do Programa do Patrimônio Mundial, instituído pela Convenção para a  Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural, de 1972, a UNESCO reconhece  exclusivamente bens culturais, bens naturais e bens mistos que apresentem Valor  Universal Excepcional (UNESCO, 1972). Esses bens correspondem a monumentos,  conjuntos arquitetônicos, cidades históricas, sítios arqueológicos, paisagens culturais,  parques nacionais, reservas naturais e outros locais cuja importância transcende as  fronteiras nacionais, sendo considerados patrimônio comum da humanidade. Até  2025, o Brasil contava com 25 sítios inscritos nessa lista, incluindo 15 bens culturais,  9 naturais e 1 misto, sendo os mais recentes o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu  (MG, 2025) e Paraty e Ilha Grande (RJ, 2019) (IPHAN, 2024; UNESCO, 2025). 

O reconhecimento desses bens resulta de um rigoroso processo técnico e científico,  conduzido em cooperação com os Estados Partes da Convenção e com organismos  consultivos internacionais especializados, tais como o International Council on  Monuments and Sites (ICOMOS) e a International Union for Conservation of Nature 

(IUCN) (UNESCO, 1972). A inscrição na Lista do Patrimônio Mundial somente ocorre  após extensa avaliação documental, análise de critérios de autenticidade, integridade,  estado de conservação, plano de gestão e comprovação do valor universal do bem  candidato (UNESCO, 2024). 

É importante destacar que esse reconhecimento não se destina a instituições públicas  ou privadas, organizações da sociedade civil, academias de letras, fundações  culturais, universidades, museus, empresas, entidades religiosas ou associações  profissionais. Embora muitas dessas instituições desempenhem papel relevante na 

preservação da cultura, elas não são objeto da inscrição na Lista do Patrimônio  Mundial (UNESCO, 1972). 

Da mesma forma, a UNESCO não concede títulos pessoais, como “Embaixador  da UNESCO”, “Doutor da UNESCO”, “Patrono da UNESCO”, “Comendador da  UNESCO” ou outras designações semelhantes que, por vezes, aparecem  indevidamente em materiais de divulgação. Quando a organização estabelece  vínculos com pessoas de reconhecida projeção internacional, isso ocorre por meio de  programas específicos, como o de Embaixadores da Boa Vontade (Goodwill  Ambassadors), Artistas pela Paz (Artists for Peace) ou Campeões do Esporte  (Champions for Sport) (UNESCO, 2024). Essas designações são conferidas  diretamente pela própria UNESCO, mediante critérios institucionais próprios e com o  objetivo de colaborar na divulgação de suas causas e campanhas globais. Elas não  constituem títulos acadêmicos, honoríficos ou nobiliárquicos. 

Além do Programa do Patrimônio Mundial, a UNESCO coordena outras iniciativas  internacionais igualmente relevantes, tais como: 

Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade (Convenção de 2003); 

Programa Memória do Mundo (Memory of the World, criado em 1992); • Rede Mundial de Reservas da Biosfera (Man and the Biosphere Programme,  MAB); 

Rede Mundial de Geoparques (UNESCO Global Geoparks Network); • Rede de Cidades Criativas (Creative Cities Network, criada em 2004)  (UNESCO, 2024). 

Em todos esses casos, os reconhecimentos recaem sobre bens culturais,  manifestações tradicionais, documentos históricos, áreas naturais ou cidades que  atendam aos critérios técnicos estabelecidos para cada programa, e não sobre  pessoas ou instituições enquanto destinatárias de títulos honoríficos (UNESCO, 1972;  UNESCO, 2003). 

Esclarecer essa distinção é fundamental para evitar a circulação de informações  incorretas e preservar a credibilidade dos programas oficiais da UNESCO. A  autoridade da organização decorre justamente do rigor técnico, científico e jurídico  que orienta seus processos de reconhecimento, sempre fundamentados em  convenções internacionais ratificadas pelos Estados-membros e em avaliações  conduzidas por especialistas independentes (UNESCO, 1972). 

Assim, compreender corretamente o alcance das competências da UNESCO contribui  para fortalecer a educação patrimonial, valorizar os mecanismos internacionais de  proteção da cultura e da natureza e promover uma visão mais precisa sobre o papel  desempenhado pela organização na preservação do legado comum da humanidade.  Esse conhecimento permite distinguir os reconhecimentos oficiais concedidos pela  UNESCO das homenagens, premiações ou certificações promovidas por outras  instituições, todas legítimas em seus respectivos âmbitos, mas juridicamente distintas  dos programas oficiais da organização.

O que é o Patrimônio Mundial? 

O conceito de Patrimônio Mundial está diretamente relacionado à preservação de  bens considerados de importância extraordinária para toda a humanidade. Esses  bens representam realizações excepcionais da criatividade humana, testemunhos de  antigas civilizações, paisagens culturais construídas ao longo dos séculos ou  ecossistemas naturais de elevada relevância científica e ambiental. Sua proteção  ultrapassa o interesse exclusivo de um país, tornando-se uma responsabilidade  compartilhada por toda a comunidade internacional (UNESCO, 1972). 

A base jurídica desse sistema internacional de proteção foi estabelecida em 16 de  novembro de 1972, quando a Conferência Geral da UNESCO aprovou a Convenção  para a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural (UNESCO, 1972). Esse  tratado internacional tornou-se um dos instrumentos mais importantes da cooperação  internacional voltada à preservação do patrimônio histórico e ambiental. Até 2026, a  Lista do Patrimônio Mundial reunia mais de 1.200 sítios distribuídos em diversos  países, constituindo um verdadeiro inventário dos bens mais relevantes do planeta  sob os aspectos histórico, artístico, científico, arquitetônico, arqueológico, paisagístico  e ambiental (UNESCO, 2026). 

A Convenção surgiu da percepção de que inúmeros bens de excepcional importância  estavam ameaçados por guerras, conflitos armados, crescimento urbano  desordenado, industrialização acelerada, turismo predatório, exploração econômica,  poluição e mudanças ambientais. Diante desses desafios, tornou-se evidente que  determinados monumentos, cidades históricas e áreas naturais possuíam relevância  tão significativa que sua preservação deveria ser considerada uma responsabilidade  da humanidade como um todo (UNESCO, 1972). 

A Convenção definiu duas grandes categorias de patrimônio: 

Patrimônio Cultural, compreendendo: 

• monumentos arquitetônicos; 

• conjuntos urbanos históricos; 

• sítios arqueológicos; 

• paisagens culturais; 

• obras de engenharia de excepcional valor histórico; 

• bens representativos da criatividade humana (UNESCO, 1972). Patrimônio Natural, abrangendo: 

• parques nacionais; 

• reservas ecológicas; 

• áreas de elevada biodiversidade; 

• formações geológicas; 

• habitats naturais de espécies ameaçadas; 

• paisagens naturais de excepcional beleza cênica (UNESCO, 1972). 

Posteriormente, consolidou-se também a categoria dos bens mistos, que reúnem  simultaneamente valores culturais e naturais (UNESCO, 1972). 

Entretanto, nem todo bem histórico ou ambiental pode ser reconhecido como  Patrimônio Mundial. A UNESCO exige que o local possua aquilo que denomina Valor  Universal Excepcional (Outstanding Universal Value – OUV), ou seja, características  tão relevantes que transcendam os interesses nacionais e sejam consideradas 

patrimônio de toda a humanidade (UNESCO, 1972). Para ser incluído na Lista do  Patrimônio Mundial, o bem deve atender a pelo menos um dos dez critérios de  seleção estabelecidos pela Convenção, dos quais seis são aplicáveis a bens culturais  e quatro a bens naturais (UNESCO, 2024): 

Critérios culturais: 

1. Representar uma obra-prima do gênio criativo humano; 

2. Exibir uma importante interação de valores humanos, ao longo do tempo ou  dentro de uma área cultural do mundo, no que diz respeito a desenvolvimentos  na arquitetura ou tecnologia, nas artes monumentais, no planejamento urbano  ou no projeto paisagístico; 

3. Constituir um testemunho único ou, pelo menos, excepcional de uma tradição  cultural ou de uma civilização viva ou extinta; 

4. Ser um exemplo notável de um tipo de edifício, conjunto arquitetônico ou  tecnológico ou paisagem que ilustre uma ou mais etapas significativas da  história da humanidade; 

5. Ser um exemplo notável de um assentamento humano tradicional, uso da terra  ou do mar que seja representativo de uma cultura (ou culturas), ou da interação  humana com o meio ambiente, especialmente quando se tornou vulnerável sob  o impacto de mudanças irreversíveis; 

6. Estar direta ou tangivelmente associado a eventos ou tradições vivas, a ideias  ou crenças, a obras artísticas e literárias de notável significado universal  (UNESCO, 2024). 

Critérios naturais: 

7. Conter fenômenos naturais superlativos ou áreas de excepcional beleza natural  e importância estética; 

8. Ser exemplos notáveis que representem as principais etapas da história da  Terra, incluindo o registro da vida, processos geológicos significativos em  andamento no desenvolvimento das formas do relevo ou características  geomórficas ou fisiográficas significativas; 

9. Ser exemplos notáveis que representem processos ecológicos e biológicos  significativos e em andamento na evolução e no desenvolvimento de  ecossistemas terrestres, de água doce, costeiros e marinhos, bem como de  comunidades de plantas e animais; 

10.Abrigar os habitats naturais mais importantes e significativos para a  conservação in situ da diversidade biológica, incluindo aqueles que abrigam  espécies ameaçadas de valor universal excepcional do ponto de vista da  ciência ou da conservação (UNESCO, 2024). 

Atualmente, a Lista do Patrimônio Mundial reúne mais de 1.200 sítios distribuídos em  diversos países, constituindo um verdadeiro inventário dos bens mais relevantes do  planeta sob os aspectos histórico, artístico, científico, arquitetônico, arqueológico,  paisagístico e ambiental (UNESCO, 2026). 

Como um bem recebe o título de Patrimônio Mundial? 

O reconhecimento de um bem como Patrimônio Mundial não ocorre de forma  automática nem representa uma simples homenagem simbólica. Trata-se de um  processo técnico altamente rigoroso, fundamentado em estudos científicos,  avaliações multidisciplinares e cooperação internacional (UNESCO, 1972).

O procedimento inicia-se com o próprio Estado Parte da Convenção do Patrimônio  Mundial. Cada país elabora uma Lista Indicativa (Tentative List) contendo os bens  que futuramente poderão ser candidatos ao reconhecimento internacional. Somente  os bens previamente incluídos nessa lista podem apresentar candidatura oficial  (UNESCO, 2024). O Brasil, por exemplo, conta atualmente com 23 locais em sua  Lista Indicativa, aguardando avaliação para possível inscrição futura (IPHAN, 2024;  UNESCO, 2024). 

Após essa etapa, é elaborado um extenso dossiê técnico contendo informações  detalhadas sobre: 

• importância histórica; 

• autenticidade; 

• integridade; 

• estado de conservação; 

• pesquisas científicas realizadas; 

• legislação de proteção; 

• plano permanente de gestão; 

• estratégias de preservação; 

• monitoramento contínuo do bem (UNESCO, 2024). 

Esse material é encaminhado ao Centro do Patrimônio Mundial da UNESCO, que o  submete à avaliação de organismos consultivos especializados. 

No caso dos bens culturais, a análise técnica é realizada pelo Conselho  Internacional de Monumentos e Sítios (International Council on Monuments and  Sites – ICOMOS). 

Quando se trata de patrimônio natural, a avaliação cabe à União Internacional para  a Conservação da Natureza (International Union for Conservation of Nature – IUCN)  (UNESCO, 1972). 

Os pareceres desses organismos são encaminhados ao Comitê do Patrimônio  Mundial, composto por representantes de 21 Estados Partes eleitos, que se reúne  anualmente para deliberar sobre as novas inscrições (UNESCO, 2024). Durante essa  avaliação, o Comitê verifica se o bem atende a pelo menos um dos dez critérios  oficiais estabelecidos pela Convenção, os quais incluem aspectos relacionados à  criatividade humana, importância histórica, intercâmbio cultural, testemunho de  civilizações, conservação da biodiversidade, processos geológicos, fenômenos  naturais e beleza paisagística (UNESCO, 1972; UNESCO, 2024). 

É importante destacar que o reconhecimento da UNESCO não é concedido a  pessoas, empresas, fundações, associações, academias, universidades ou órgãos  públicos. O título destina-se exclusivamente a bens materiais ou paisagens culturais e  naturais dotados de Valor Universal Excepcional (UNESCO, 1972). 

Esse esclarecimento possui grande importância, pois frequentemente surgem  interpretações equivocadas sobre a atuação da UNESCO, levando parte da  sociedade a acreditar que a organização concede certificados ou títulos honoríficos a  instituições privadas, o que não corresponde às normas estabelecidas pela  Convenção do Patrimônio Mundial (UNESCO, 1972). 

Atualmente, a Lista do Patrimônio Mundial reúne 1.273 sítios distribuídos em 173  países, refletindo a diversidade e a riqueza do legado cultural e natural da  humanidade (UNESCO, 2026).

Os Patrimônios Mundiais do Brasil 

O Brasil destaca-se internacionalmente pela extraordinária diversidade de seu  patrimônio histórico, artístico, arquitetônico, arqueológico, paisagístico e ambiental.  Essa riqueza cultural e natural encontra reconhecimento na Lista do Patrimônio  Mundial da UNESCO, na qual o país possui atualmente 26 sítios inscritos, distribuídos  entre bens culturais, naturais e mistos (UNESCO, 2026). 

Os bens culturais refletem diferentes períodos da formação histórica brasileira,  abrangendo desde o ciclo do ouro no período colonial até importantes realizações da  arquitetura moderna. Já os bens naturais evidenciam a diversidade dos biomas  nacionais, protegendo ecossistemas de relevância mundial e áreas de elevada  biodiversidade (IPHAN, 2024). 

Entre os principais sítios culturais reconhecidos encontram-se: 

• Cidade Histórica de Ouro Preto (MG) – primeiro bem brasileiro inscrito na Lista  do Patrimônio Mundial em 1980; 

• Centro Histórico de Olinda (PE); 

• Ruínas Jesuíticas de São Miguel das Missões (RS); 

• Centro Histórico de Salvador (BA); 

• Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG); • Brasília (DF) – considerada um dos mais importantes exemplos do urbanismo  modernista do século XX; 

• Centro Histórico de São Luís (MA); 

• Centro Histórico de Diamantina (MG); 

• Centro Histórico da Cidade de Goiás (GO); 

• Praça de São Francisco, em São Cristóvão (SE); 

• Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar (RJ); • Conjunto Moderno da Pampulha (MG); 

• Cais do Valongo (RJ) – importante marco da memória da diáspora africana; • Sítio Roberto Burle Marx (RJ); 

• Complexo do Ver-o-Peso (PA) – inscrito em 2026, representando a arquitetura  e o patrimônio portuário da Amazônia; 

Teatros da Amazônia – reconhecidos como Patrimônio Mundial Cultural pela  UNESCO em julho de 2026, sob candidatura conjunta do Teatro Amazonas  (Manaus, AM) e do Theatro da Paz (Belém, PA), símbolos da arquitetura e da  cultura da região amazônica no século XIX 

• Parque Nacional da Serra da Capivara (PI) – sítio arqueológico com registros  de ocupação humana pré-histórica (IPHAN, 2024; UNESCO, 2026). 

No patrimônio natural destacam-se: 

• Parque Nacional do Iguaçu (PR) – famoso por suas cataratas; • Complexo de Conservação da Amazônia Central (AM); 

• Complexo de Áreas Protegidas do Pantanal (MT, MS); 

• Reservas da Mata Atlântica da Costa do Descobrimento (BA, ES); • Reservas do Sudeste da Mata Atlântica (SP, PR, RJ); 

• Ilhas Atlânticas Brasileiras: Fernando de Noronha e Atol das Rocas (PE); • Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses (MA) – incorporado à Lista em  2024; 

• Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (MG) – inscrito em 2025; • Zonas Protegidas do Cerrado: Parques Nacionais da Chapada dos Veadeiros e  das Emas (GO) (IPHAN, 2024; UNESCO, 2026).

O único sítio misto (cultural e natural) do Brasil é: 

• Paraty e Ilha Grande (RJ) – inscrito em 2019 (UNESCO, 2026). 

Cada um desses sítios representa uma parte essencial da identidade brasileira e  demonstra que a história nacional não se limita aos monumentos construídos pelo ser  humano, abrangendo também a riqueza de seus ecossistemas, paisagens naturais e  manifestações culturais. 

A importância do reconhecimento internacional 

A inscrição de um bem na Lista do Patrimônio Mundial representa muito mais do que  um reconhecimento honorífico. Trata-se de um compromisso internacional assumido  pelo Estado responsável, que passa a desenvolver políticas permanentes de  preservação, monitoramento e gestão do patrimônio reconhecido (UNESCO, 1972). 

O título fortalece a cooperação entre os países, amplia a visibilidade internacional do  bem e favorece o intercâmbio científico entre universidades, centros de pesquisa e  organismos especializados em conservação (UNESCO, 2024). 

Além disso, o reconhecimento impulsiona o turismo cultural e ecológico, gerando  oportunidades de desenvolvimento econômico sustentável para comunidades locais.  A valorização do patrimônio frequentemente estimula investimentos em infraestrutura,  restauração, educação patrimonial, formação profissional e pesquisas científicas  (IPHAN, 2024). 

Outro aspecto relevante consiste na possibilidade de acesso à cooperação técnica  internacional e, em determinadas circunstâncias, ao Fundo do Patrimônio Mundial,  destinado a apoiar ações de preservação em locais ameaçados (UNESCO, 1972). 

Todavia, o reconhecimento também amplia a responsabilidade dos governos e da  sociedade civil. Um bem inscrito pode, inclusive, ser incluído na Lista do Patrimônio  Mundial em Perigo caso enfrente riscos decorrentes de conflitos, degradação  ambiental, urbanização descontrolada ou má gestão (UNESCO, 2024). 

Assim, o título da UNESCO representa simultaneamente um reconhecimento  internacional e um compromisso permanente de preservação. 

Patrimônio e cidadania 

A preservação do patrimônio mundial não depende exclusivamente das instituições  governamentais. Trata-se de uma responsabilidade compartilhada entre poder  público, universidades, pesquisadores, museus, escolas, organizações da sociedade  civil e toda a população (UNESCO, 1972). 

Nesse contexto, destaca-se a importância da educação patrimonial, entendida como  um conjunto de ações destinadas a aproximar a sociedade de seu patrimônio histórico  e cultural. Conhecer a história de uma cidade, compreender a importância de um  monumento ou reconhecer o valor de uma área natural fortalece o sentimento de  pertencimento e incentiva atitudes voltadas à conservação desses bens (IPHAN,  2024). 

O patrimônio constitui um elemento essencial da identidade coletiva. Monumentos,  edifícios históricos, centros urbanos antigos, parques nacionais e paisagens culturais 

contam a trajetória das sociedades, preservando referências fundamentais para a  construção da memória nacional. 

Da mesma forma, a cidadania plena pressupõe o reconhecimento do patrimônio como  bem público, cuja preservação interessa a toda a coletividade. Quando a população  participa da valorização e da proteção desses espaços, fortalece-se a democracia  cultural e amplia-se o compromisso social com a conservação da herança histórica e  ambiental. 

Nesse sentido, escolas, universidades, instituições culturais e meios de comunicação  desempenham papel estratégico na difusão do conhecimento sobre o patrimônio,  formando cidadãos conscientes da importância de preservar os bens que  representam a história da humanidade. 

Considerações Finais 

A criação da UNESCO representou um dos mais importantes avanços da cooperação  internacional no período posterior à Segunda Guerra Mundial. Ao reconhecer que a  paz depende não apenas de acordos políticos, mas também da valorização da  educação, da ciência, da cultura e da memória histórica, a organização consolidou um  modelo inovador de proteção do patrimônio mundial (UNESCO, 1945). 

A Convenção do Patrimônio Mundial de 1972 estabeleceu um marco jurídico  internacional para a conservação de bens culturais e naturais dotados de Valor  Universal Excepcional, promovendo uma rede global de cooperação voltada à  preservação da herança comum da humanidade (UNESCO, 1972). 

O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário ao reunir atualmente 26 sítios  inscritos na Lista do Patrimônio Mundial, representativos da diversidade histórica,  arquitetônica, artística, arqueológica, paisagística e ambiental do país (UNESCO,  2026). Entre os mais recentes, destacam-se o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu  (MG, 2025), o Complexo do Ver-o-Peso (PA, 2026) e os Teatros da Amazônia  (AM/PA, 2026), estes últimos reconhecidos como Patrimônio Mundial Cultural em  julho de 2026 (IPHAN, 2024; UNESCO, 2026). Esses reconhecimentos demonstram a  riqueza do patrimônio brasileiro e reforçam a necessidade de políticas públicas  permanentes de conservação, pesquisa científica, turismo sustentável e educação  patrimonial. 

Além de destacar os benefícios do reconhecimento internacional, este estudo buscou  esclarecer um aspecto frequentemente mal compreendido pela sociedade: a  UNESCO não concede títulos honoríficos a pessoas físicas, associações, fundações,  academias ou outras instituições (UNESCO, 1972). Sua atuação está voltada ao  reconhecimento e à proteção de bens culturais, naturais e mistos que possuam Valor  Universal Excepcional, conforme os critérios estabelecidos pela Convenção de 1972  (UNESCO, 1972; UNESCO, 2024). 

Preservar o patrimônio mundial significa preservar a própria história da humanidade.  Cada cidade histórica, monumento, parque nacional ou paisagem cultural inscrita na  Lista do Patrimônio Mundial representa um testemunho da criatividade humana, da  diversidade cultural e da riqueza natural do planeta (UNESCO, 1972). A proteção  desses bens constitui um dever coletivo e uma demonstração de respeito às gerações  passadas, presentes e futuras.

Dessa forma, a atuação da UNESCO permanece essencial para fortalecer a  cooperação entre as nações, incentivar a cultura da paz e assegurar que o patrimônio  da humanidade continue a inspirar conhecimento, identidade, diálogo intercultural e  desenvolvimento sustentável em escala global (UNESCO, 2024). 

Referências Bibliográficas 

BRASIL. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Patrimônio Mundial.  Brasília: IPHAN, 2024. Disponível em: [site oficial do IPHAN].  

BRASIL. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Lista Indicativa a  Patrimônio Mundial. Brasília: IPHAN, 2022. Disponível em: [site oficial do IPHAN].  

CHOAY, Françoise. A Alegoria do Patrimônio. São Paulo: Estação Liberdade, 2001. 

FUNARI, Pedro Paulo; PELEGRINI, Sandra C. A. Patrimônio Histórico e Cultural. Rio de  Janeiro: Zahar, 2003. 

UNESCO. Constituição da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência  e a Cultura. Paris: UNESCO, 1945. 

UNESCO. Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial Cultural e Natural. Paris:  UNESCO, 1972. 

UNESCO. Operational Guidelines for the Implementation of the World Heritage  Convention. Paris: UNESCO, 2024. Disponível em: [whc.unesco.org].  

UNESCO. World Heritage List. Paris: UNESCO, 2026. Disponível em: [whc.unesco.org].

Alexandre Rurikovich Crvalho

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A história do jornalismo brasileiro

Augusto Damas ‘A história do jornalismo brasileiro’

Augusto Damas
Augusto Damas
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O jornalismo brasileiro tem suas raízes profundamente ligadas aos movimentos políticos, culturais e institucionais que marcaram o início do século XIX. Sua trajetória começa oficialmente em 1808, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, fato que possibilitou a instalação da imprensa no país.

Nesse contexto, surgiu a Gazeta do Rio de Janeiro, considerada o primeiro jornal oficialmente publicado em território brasileiro. Produzida pela Imprensa Régia, sua circulação era semanal e seu conteúdo atendia prioritariamente aos interesses da Corte portuguesa, funcionando como um instrumento de divulgação oficial. Entre seus primeiros responsáveis esteve o Frei Tibúrcio de Sousa Pereira, sucedido posteriormente por Manoel Ferreira de Oliveira, um dos primeiros jornalistas formados no Brasil.

Entretanto, sob o ponto de vista cronológico e crítico, o verdadeiro pioneiro da imprensa brasileira foi o Correio Braziliense, fundado também em 1808 por Hipólito José da Costa. Editado em Londres, o periódico circulava de forma clandestina no Brasil, driblando a censura vigente. Diferentemente da Gazeta, o Correio Braziliense apresentava uma linha editorial independente e opinativa, abordando temas políticos, econômicos e sociais com maior liberdade e espírito crítico — características que o aproximam do conceito moderno de jornalismo.

Já em 1821, com o abrandamento das restrições à imprensa, surgiram novos periódicos no Brasil, ampliando o espaço para o debate público. Entre eles, destaca-se O Diário, apontado como um dos primeiros jornais de circulação diária no país, contribuindo para a consolidação da imprensa como instrumento de informação contínua. Embora existam controvérsias quanto à sua direção e vinculação histórica com o escritor José de Alencar — figura posterior ao período —, o jornal representa um marco importante na evolução da periodicidade jornalística.

Ao longo do século XIX, a imprensa brasileira passou por um processo de expansão e diversificação, acompanhando os acontecimentos políticos como a Independência (1822), o Período Regencial e o Segundo Reinado. Os jornais tornaram-se espaços de disputa ideológica, formação de opinião e construção da identidade nacional.

Com o avanço tecnológico e a chegada do século XX, o jornalismo brasileiro se profissionalizou, incorporando novas técnicas de apuração, redação e impressão. No século XXI, a revolução digital transformou profundamente o setor, levando muitos veículos tradicionais à adaptação para plataformas online, ampliando o alcance e a velocidade da informação.

Assim, a história do jornalismo no Brasil revela não apenas a evolução dos meios de comunicação, mas também o desenvolvimento da própria sociedade brasileira, marcada pela busca constante por liberdade de expressão, pluralidade e acesso à informação.

Augusto Damas

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Mais que um simples José

A força silenciosa de um homem escolhido para amar

Mais que um simples José

Seymer Santos revela a humanidade, a fé e a missão de um dos maiores exemplos de amor e entrega da história.

Nem toda grande história começa com certezas.

Algumas nascem da dúvida, do medo… e, principalmente, de uma escolha.

Seymer Santos
Seymer Santos

É a partir dessa reflexão que o livro “Mais que um simples José”, convida o leitor a olhar com mais profundidade para uma das figuras mais silenciosas e, ao mesmo tempo, mais grandiosas, da história da fé cristã.

São José é conhecido por seu silêncio.

Na Bíblia, não há uma única palavra sua registrada.

Mas são justamente suas atitudes que atravessam os séculos como exemplo de fé, coragem e amor.

Na obra, ele deixa de ser apenas uma presença discreta para ganhar voz, sentimentos e humanidade.

Seymer Santos, autor de 40 anos, pai de três filhos e morador de Sobradinho, no Distrito Federal, constrói uma narrativa sensível, inspirada em estudos, obras religiosas e relatos místicos.

Católico e consagrado a São José, ele encontrou na escrita uma forma de se aproximar ainda mais dessa figura que sempre o inquietou.

“O que ele sentiu? O que pensou diante de uma missão tão grandiosa?”, foram perguntas que deram origem ao livro.

A partir desse questionamento, nasce uma história que apresenta José não apenas como o pai terreno de Jesus, mas como um homem real, que enfrentou inseguranças, medos, noites em claro e decisões que exigiam uma fé inabalável.

Aceitar Maria, compreender o mistério da concepção divina, proteger, educar e prover o Filho de Deus… tudo isso é retratado com sensibilidade, revelando um amor que vai além do sangue, um amor que nasce da escolha.

Inspirado em obras como “Consagração a São José”, do padre Donald H. Calloway, e nas visões da mística Anna Catarina Emmerich, que também influenciaram produções como o filme A Paixão de Cristo , Seymer constrói uma narrativa que une espiritualidade, emoção e reflexão.

Autor de 15 livros publicados de forma independente, com obras que transitam entre aventura, romance, liderança e literatura infantil, ele vive agora um momento especial de sua trajetória: o chamado para evangelizar por meio da escrita.

“Mais que um simples José” não é apenas uma releitura de uma história conhecida

É um convite a enxergar, com novos olhos, a grandeza de um homem que amou em silêncio, acreditou mesmo sem compreender tudo e aceitou, com humildade, uma das missões mais importantes da história.

Uma leitura que emociona, fortalece a fé e nos lembra que, muitas vezes, são os gestos mais silenciosos que carregam os maiores significados.

REDES SOCIAIS DO AUTOR

MAIS QUE UM SIMPLES JOSÉ

SINOPSE

Você já se perguntou o que realmente se passava na mente de São José?

O homem por trás do silêncio, das escolhas difíceis e da fé, que moldou a vida do Messias?

Prepare-se para uma revelação íntima e transformadora que transcende os séculos e alcança o coração de cada leitor.

Pela primeira vez, José de Nazaré quebra o silêncio milenar, convidando você a uma jornada pessoal através de suas memórias mais profundas, angústias mais secretas e triunfos mais sagrados.

Esqueça o que você pensava saber sobre a figura discreta que guardou a Sagrada Família.

Este não é um simples relato; é a sua voz, a sua verdade, contada com a honestidade e a profundidade de um coração que amou, sofreu e obedeceu a Deus acima de tudo.

Em “MAIS QUE UM SIMPLES JOSÉ”, Seymer Santos nos entrega uma obra-prima da literatura espiritual, onde o carpinteiro de Nazaré se revela em sua plena humanidade.

Desde a infância marcada pela devoção e o trabalho humilde, até o momento em que sua vida se entrelaça, de forma inesperada e divina, com a de Maria, cada página é um convite à reflexão.

José nos conduz por fatos como a gravidez de Maria, o conflito entre a Lei e a voz do coração, e a intervenção angelical que o transformou de um homem justo e perplexo em um guardião fiel.

Acompanhe a difícil jornada a Belém, o milagre do nascimento na manjedoura, a apreensão da fuga para o Egito e a coragem de proteger sua família em terras estrangeiras.

Reviva os anos em Nazaré, o aprendizado no ofício, a educação de Jesus e a dor da perda e o alívio do reencontro no Templo.

O que você vai descobrir nesta jornada inspiradora?

A Coragem Silenciosa: Entenda como José enfrentou o desconhecido com fé, transformando incertezas em obediência.

A Humanidade de um Santo: Conecte-se com as angústias, dúvidas e alegrias de José, percebendo que a santidade é acessível no cotidiano.

A Paternidade como Vocação Divina: Inspire-se no exemplo de José como pai zeloso, provedor e educador, descobrindo o verdadeiro significado de ser guardião.

A Força do Trabalho Humilde: Veja como a dignidade do trabalho e a simplicidade da vida se tornaram caminhos para a santidade e a proximidade com Deus.

A Confiança na Providência: Aprenda a entregar seus planos e preocupações nas mãos divinas, assim como José confiou nos sussurros do céu.

Um legado para a Vida: Compreenda que, assim como José, você é chamado a ser “mais que simples” em sua própria jornada, encontrando propósito e significado em suas escolhas.

Este livro é para católicos e cristãos em geral, a partir dos 18 anos, que buscam aprofundar sua fé e espiritualidade.

Para aqueles que valorizam a reflexão pessoal, desejam inspiração em figuras bíblicas humanizadas e anseiam por aplicar ensinamentos espirituais em sua vida prática.

Se você busca coragem para enfrentar desafios, confiança para superar incertezas e um modelo de paternidade responsável, esta obra foi escrita para você.

Não perca a chance de ter sua vida tocada por esta história milenar contada de uma nova perspectiva.

Adquira agora “MAIS QUE UM SIMPLES JOSÉ” e embarque nesta jornada de fé, coragem e amor incondicional que irá transformar sua visão sobre a santidade e o propósito em sua própria vida!

Assista a resenha do canal @oqueli no YouTube

OBRAS DO AUTOR

Caminhos de fé
Caminhos da Fé

Liderança e sucesso
Liderança e sucesso

Uma jornada para a desconexão
Uma jornada para a desconexão

Helena e os Poderes Mágicos
Helena e os poderes Mágicos

As aventuras de Mariah e Miguel na praia
As aventuras de Mariah e Miguel

Dança das Irmâs
Dança das irmãs

Tudo é possível com Gabi
Tudo é possível com Gabi

Primos aventura na Africa
Primos aventura na Africa

Sonho de Futebol
Sonho de Futebol

Aventura doce
Aventura Doce

Maria Alice , a menina sonhadora
Maria Alice a menina sonhadora

Desafio na piscina
Desafio na piscina

Além das dificuldades
Além das dificuldades

A fortaleza na ilha dos segredos
A fortaleza na ilha dos segredos

Mais que um simples José. de Seymer Santos
Mais que um simples José

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Resenhas da colunista Lee Oliveira




Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

Renata Barcellos: ‘Instituto Histórico e Geográfico brasileiro’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Instituto Histórico e Geográfico do Brasil
Foto por Renata Barcellos

No Brasil, a história dos Institutos Históricos e Geográficos (IHGs) começa com a criação desta instituição em 1838. Esta ocorre por iniciativa de membros da elite intelectual e política, incluindo figuras imperiais, a fim de construir uma identidade nacional, preservar a memória e consolidar a identidade brasileira pós-independência. Teve como modelo uma instituição francesa muito semelhante, criada em 1834. D. Pedro II foi um grande incentivador, cujo resultado foi a formação de uma rede de institutos estaduais e municipais. Hoje, estes atuam na preservação da cultura e história locais. O mais antigo é o fundado no Rio de Janeiro em 21 de outubro de 1838, por iniciativa dos maçons: marechal Raimundo José da Cunha Matos e cônego Januário da Cunha Barbosa. Estes redigiram a proposta de criação desta instituição. A justificativa da criação foi seu caráter pedagógico que beneficiaria a administração pública e traria “esclarecimento” a todos os brasileiros. Destacaram ainda as dificuldades as quais estavam sujeitas as investigações acerca da história da pátria devido à carência desta instituição, a fim de centralizar os documentos que se encontravam espalhados pelas províncias do Império.

  • Objetivo Principal: reunir, organizar e preservar documentos para escrever uma “história nacional”, a fim de pensar o Brasil como nação, consolidar a identidade nacional e fomentar pesquisas históricas e geográficas.

2. O IHGB e a Construção da Nação:

  • Atividades Iniciais: criação de Arquivo, Biblioteca e Museu; financiamento de pesquisas; publicação da Revista do IHGB; correspondência com instituições estrangeiras.
  • Monopólio Histórico: por décadas, o IHGB deteve o monopólio da produção de conhecimento histórico no país. 

3. A Rede de Institutos:

  • Expansão: o IHGB estimulou a criação de entidades congêneres nas províncias (hoje estados), como o Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano (1862) e o de Minas Gerais (1907). 
  • Descentralização: no século XX, universidades e outros centros surgiram, mas os IHGs mantiveram sua importância, focando na memória local e regional. 

4. Legado e Função Atual:

  • São pilares na preservação de bibliotecas, arquivos e museus.
  • Coordenam uma rede nacional (Sistema Nacional de Institutos Históricos) e mantêm intercâmbio com instituições globais.
  • Continuam sendo referências na pesquisa e valorização do patrimônio cultural brasileiro, atualizando sua missão de pensar o Brasil. 

Curiosidades 

  • Instalações do primeiro IHGB: Em 1839, aos cuidados de D. Pedro II, o Convento do Carmo abrigou o IHGB. E a inauguração das novas instalações ocorreu em 15 de dezembro de1849, na rua Teixeira de Freitas, região da Glória, Rio de Janeiro.
  • Influência de Von Martius: o concurso de 1846 para escrever a história do Brasil foi vencido pelo alemão Karl Friedrich Von Martius com a proposta intitulada Como se deve escrever a história do Brasil. Nesta, propôs um modelo focado na harmonia entre as três raças (indígenas, brancos, negros) e o território, influenciando gerações. Escrito em 1843, ele propõe que a história indígena merece atenção, pois integra a história do Brasil. De acordo com ele, uma sugestão seria a elaboração de um dicionário da língua indígena principalmente o Tupi, por parte de linguistas integrantes do Instituto, tratando o idioma enquanto documento a ser conhecido e pesquisado.
  • Conexões Internacionais: mantêm intercâmbio com instituições estrangeiras, como a Academia Portuguesa de História e a Real Academia de la Historia da Espanha.
  • Alguns dos atuais gestores:

Artur Cláudio da Costa Moreira (educação: Artes Cênicas, Expressão Corporal, Técnicas Comerciais, Administração, Economia e Matemática. Formação: Ciências Econômicas, especialização em Recursos Humanos e Matemática. Liderança e Gestão: Direção de entidades culturais e atuação estratégica no IHG São João del-Rei, coordenando projetos editoriais, documentais e de preservação histórica. Artes e Comunicação: Experiência em direção teatral e locução radiofônica, unindo técnica cênica à divulgação doutrinária espírita com foco em impacto social e cultural. Pesquisa e Formação: Especialista dedicado ao resgate histórico e acadêmico, com sólida competência em redação oficial, administrativa e análise crítica de acervos): “O Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei (IHG-SJDR) consolida-se como uma das mais prestigiadas instituições culturais de Minas Gerais. Atuando como o legítimo “guardião da memória” de uma cidade central para o ciclo do ouro e para a identidade mineira, o Instituto é o elo entre o passado colonial e o compromisso com as futuras gerações.

Fundação e Contexto Histórico

Fundado em 1º de março de 1970, o IHG-SJDR nasceu da mobilização de intelectuais, historiadores e cidadãos são-joanenses. Um dos catalisadores de sua criação foi a tentativa desesperada (embora sem sucesso) de impedir a demolição da Secular Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, à época pretendida pelo Padre Jacinto Lovatto. Apesar da perda do templo, o episódio reforçou a necessidade urgente de um órgão dedicado ao estudo e à salvaguarda sistemática do patrimônio barroco e das tradições centenárias da região.

Natureza Jurídica e Administrativa

Legalmente constituído como pessoa jurídica de direito privado e sem fins lucrativos, o Instituto é uma associação de duração ilimitada, inscrita no CNPJ sob o nº 18.994.319/0001-45. Com sede e foro em São João del-Rei, é regido por estatuto próprio, registrado em cartório, e funciona como uma entidade civil mantida pela dedicação de seus sócios efetivos, correspondentes e honorários.

Natureza Jurídica e Administrativa

Legalmente constituído como pessoa jurídica de direito privado e sem fins lucrativos, o Instituto é uma associação de duração ilimitada, inscrita no CNPJ sob o nº 18.994.319/0001-45. Com sede e foro em São João del-Rei, é regido por estatuto próprio, registrado em cartório, e funciona como uma entidade civil mantida pela dedicação de seus sócios efetivos, correspondentes e honorários”.

Dilercy Aragão Adler (psicóloga, doutora em Ciências Pedagógicas, mestre em Educação e Associada Efetiva do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), tendo exercido a Presidência da instituição no quadriênio 2021–2025): “O IHGM, Casa de Antônio Lopes, foi fundado em 20 de novembro de 1925, nos moldes do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Seu diferencial reside no fato de ter sido criado intencionalmente por iniciativa de Antônio Lopes, no ano do centenário de nascimento de Dom Pedro II, grande mecenas da cultura, da ciência e das artes no Brasil.

Treze anos e cinco meses após a fundação do IHGB, Dom Pedro II recebeu oficialmente o patronato da instituição, sendo reconhecido como seu Patrono e Protetor. Em 2025, iniciaram-se as comemorações do Centenário do IHGM e do Bicentenário de nascimento de Dom Pedro II.Em 2007, Dilercy Aragão Adler recebeu o honroso convite da então presidente, Profa. Eneida Vieira da Silva Ostria de Canedo, para ingressar no IHGM, ocupando a Cadeira nº 1, patronada por Claude d’Abbeville. Trata-se de um frade capuchinho autor da obra Histoire de la mission des Pères Capucins en l’Isle de Maragnan et terres circonvoisines (1614), reconhecida como o primeiro livro a descrever detalhadamente a região do Maranhão.

Em 2012, apresentou o projeto “Mil Poemas para Gonçalves Dias”, desenvolvido em São Luís, Caxias e Guimarães, com ampla participação de escritores do Brasil e do exterior. O projeto compreendeu duas antologias, uma de poemas e outra de estudos e pesquisas sobre Gonçalves Dias, além de extensa programação nas três cidades. Na programação de São Luís, teve como marco a fundação da Academia Ludovicense de Letras, a Academia da cidade de São Luís, fato considerado histórico diante do intervalo de 401 anos entre a fundação da cidade e a criação de sua Academia de Letras”.

Paulo Roberto de Sousa Lima (sociólogo, pela FAFICH/UFMG (1968); Professor universitário (Faculdade de Educação – UFMG: 1969 a 1988); Professor/Pesquisador e Consultor em Gestão Pública (FJP – 1981-1985); Professor em Gestão em Saúde Pública (ESMIG/FUNED: 1986/2004); Militante social em gestão comunitária (Instituto Macunaíma – Casa de Cultura/Escola de Cidadania – Belo Horizonte e Biblioteca da Comunidade – Tiradentes-MG: 2004-2015); Historiador, membro do IHG-SJDR (desde 2015, titular da Cadeira Perpétua nº 02, cujo patrono é o emboaba José Mattol); Presidente do IHG-SJDR (2018-2023); Membro da Academia de Ciências e Letras da Ordem dos Cavaleiros da Inconfidência Mineira e da Academia de Letras João Guimarães Rosa, da PM-MG): “Um olhar sobre o estado da arte dos atuais Institutos Históricos e Geográficos brasileiros, com os quais tenho interagido, nos permite reconhecê-los como legítimos herdeiros, desde o século XIX, da tradição europeia de estudos, via pesquisa em campos específicos de conhecimentos, já que antecederam a criação, no início do século XX, de Universidades no Brasil. Isto os torna credores do reconhecimento como entidades cuidadoras e geradoras de conhecimentos históricos, socioeconômicos e ambientais que foram significativos para a cultura nacional”. 

Tereza Cristina Cerqueira da Graça (doutora em educação, vice-presidente do Instituto e editora-gerente da sua revista): “O Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, fundado em 1912, é a instituição de guarda da memória mais antiga do Estado. Desde então, tem reunido os mais expressivos intelectuais de Sergipe e estimulado a produção de estudos sobre nossa terra. Inclusive publicando trabalhos de pesquisa sobre a história, a geografia e a cultura sergipana na sua revista também centenária, uma vez que teve sua 1a edição em 1913 e até hoje está ainda em circulação. Publicou a última edição agora em dezembro de 2025 e, recentemente,  recebeu a classificação A na avaliação da Capes/Qualis. Também abrigamos um dos maiores acervos de documentos, jornais e livros antigos do Estado, servindo aos pesquisadores e á comunidade em geral”.

Renata Barcellos

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Indecifrável

Evani Rocha: Poema ‘Indecifrável’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada por IA Gencraft - 04 e agosto de 2025, às 09:10 PM
Imagem criada por IA Gencraft – 04 e agosto de 2025,
às 09:10 PM

Releio sua história
Perco-me nas reticências
Na retórica me encontro
Mergulho na sua essência

Respondo suas perguntas
Converso com o silêncio
Ando nas ruas escuras
Buscando estrelas no céu

Rasgo e refaço seu papel
Decoro o seu sorriso
O brilho do seu olhar
Conto todos os ladrilhos

Daqui há pouco é Lua cheia
Não tenho hora marcada
O dia e a noite se misturam
Confundindo a estrada

Procuro por mim nos parágrafos
Aquela conversa nos travessões
Talvez a que nunca tivemos
Entre erros e lições

Imerge em mim suas mãos
E esse jeito de enxergar o mundo
As palavras ditas fora de hora
E aquelas que calaram fundo

De repente vai chegar a aurora
Respingada de ocre e carmim
Faz parte deixar ir embora
As estrelas aqui dentro de mim

Faz parte, não compreender
O texto é seu e de mais ninguém
Somente você conhece os meandros
Das entrelinhas que ninguém soube ler!

Evani Rocha

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O passado de Cordeirópolis

Historiador completa 30 anos de publicações sobre o passado de Cordeirópolis (SP)

Fazenda Ibicaba, em Cordeirópolis (SP). Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fazenda_Ibicaba.jpg
Fazenda Ibicaba, em Cordeirópolis (SP). Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fazenda_Ibicaba.jpg

A partir do momento em que acumulou uma boa quantidade de informações recuperadas de diversas fontes, começou a publicar seus livros, desde 2012 até 2020.

No dia 10 de junho de 2025, o historiador Paulo Tamiazo completou 30 anos de publicações voltadas à recuperação da memória de Cordeirópolis. No dia 10 de junho de 1995 foi publicado seu primeiro artigo, no extinto jornal ‘Folha Popular’, mostrando algumas informações recuperadas de sua pesquisa realizada no antigo Cartório de Registro Civil e Anexos da cidade. 

Com o passar dos anos, Tamiazo colaborou com diversos jornais de Cordeirópolis, como ‘A Tribuna’, ‘Jornal Expresso’ e ‘O Semanal’, e começou a publicar seus artigos no site ‘Cordero Virtual’. Também escreveu para jornais e revistas de Rio Claro e Limeira. 

A partir do momento em que acumulou uma boa quantidade de informações recuperadas de diversas fontes, começou a publicar seus livros, desde 2012 até 2020. As pesquisas tiveram um avanço nesse período, especialmente pela digitalização de acervos como o saite ‘Acervo Estadão’ e principalmente a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. “Foi com o acesso a estes arquivos escaneados que foi possível definir a data correta da fundação da cidade: 9 de março de 1886”, lembrou. 

Nos últimos anos, a dificuldade de acesso às fontes impressas tem prejudicado o seu trabalho, bem como a falta de apoio para suas pesquisas. No ano passado, estava prevista a publicação de uma nova edição do seu primeiro livro, mas o projeto não se concretizou. 

 “Também encontro problemas para acessar jornais de Rio Claro e Limeira, que só estão disponíveis em horário comercial, o que cria dificuldades, uma vez que tenho outras atividades neste período. O ideal seria ter autorização para pesquisas nestes acervos durante o fim de semana”, frisou o pesquisador. 

Outro problema são os acervos locais. Devido à falta de um arquivo municipal que guarde os jornais editados na cidade, Paulo Tamiazo construiu seu acervo próprio, com jornais locais desde a década de 1980 até o fim das edições impressas. O problema ainda persiste com relação aos jornais que existiram nas décadas de 1970 e 1980: além da falta de acesso às edições impressas, são poucos os exemplares digitalizados. “Para que eu possa concluir meu trabalho, eu precisaria remover estes entraves”, finalizou. 

Sobre Paulo César Tamiazo

Paulo César Tamiazo. Foto da página do historiador no Facebook (https://www.facebook.com/paulo.tamiazo?locale=pt_BR)
Paulo César Tamiazo.(https://www.facebook.com/paulo.tamiazo)

O historiador Paulo Cesar Tamiazo, de Cordeirópolis (SP), nasceu em 25 de julho de 1972, filho de Edgar Tamiazo e Maria Aparecida Ronquizel Tamiazo. Estudou o ensino fundamental em sua cidade, o ensino médio em Limeira, cidade vizinha e é Bacharel e Licenciado em História pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Mesmo antes de se formar, já aproveitava o tempo livre para pesquisar sobre os fatos antigos da cidade. Pesquisando em bibliotecas da universidade livros sobre o período, verificou que a data que estava colocada antigamente no brasão do Município de Cordeirópolis, criado em 1967, não correspondia à realidade, pois tinha havido um erro na impressão de um texto utilizado para a confecção do brasão e da Bandeira de Cordeirópolis.

Foi seu primeiro trabalho, que motivou a apresentação de um projeto por todos os vereadores da cidade à época, para correção do erro, que foi sancionado pelo então Prefeito e se transformou em lei.

Desde junho de 1995, o historiador tem divulgado suas pesquisas na imprensa local e regional e na internet. Neste período, ele publicou oito livros, dois capítulos em obras coletivas, quase cem artigos em jornais impressos da cidade e da região e mais de cento e cinquenta textos em um site regional, além de realizar entrevistas em rádios locais e no Facebook.

Pelo seu trabalho, ele já foi homenageado em sua cidade com os títulos de ‘Profissional do Ano’, concedido em 2012 pela Câmara Municipal e em 2016 recebeu a Medalha ‘Amigo da Cultura’ da Prefeitura. Também foi responsável pela definição da data de fundação do município, cujo marco foi colocado na Praça Comendador Jamil Abrahão Saad, em Cordeirópolis, cidade do interior de São Paulo onde mora, trabalha e realiza pesquisas.

Saite da empresa de Paulo Tamiazo:  https://www.agnusacaocultural.com.br/

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