Dizem que a maldade nasce em um ato de amor ou paixão.
Ela nasce, sorri e se amamenta com leite; depois engatinha, aprende a caminhar e, quando cresce, saca o que há de pior em seu coração, psique ou mente.
São os ambiciosos, aqueles que perderam o sentido de humanidade e compaixão.
Muitos inocentes são treinados para a guerra e, para os seus sedutores, não importa gerar a dor e o choro de suas mães ao nascer e muito menos ao morrer.
Não lhes dói mandar os mais desvalidos a derramar seu sangue, enquanto eles contam o dinheiro em seus cofres. A guerra destrói, danifica e contamina.
Às vezes, os desalmados abusam de crianças em nome da guerra, mas são suas baixezas internas escudando-se nela…
A guerra empobrece a terra, os estados e o universo.
Até quando tomaremos consciência? O que mais devemos esperar!
Acaso devemos aguardar que os deuses venham e acabem conosco?
Será que nos é grande demais, como espécie, respeitar e viver em paz?
Diamantino BártoloImagem criada por IA do Bing – 31 de julho de 2025, às 11:16 PM
Nem só de ciência, de técnica e de recursos materiais vive o homem. Para além daquelas capacidades e possibilidades, existe mais vida, mais mundo, mais alternativas, outras dimensões, que podem contribuir para o bem-estar da Humanidade em geral, e de cada pessoa em particular. Ignorar, por mero preconceito, por descrença, por agnosticismo, ou por quaisquer outras razões, a dimensão religiosa do homem, é dificultar o processo para a pacificação, mesmo para aqueles que argumentam que a religião também está na origem de muitos conflitos, o que se julga ser verdade, uma outra face dos conflitos.
Ao invocar-se a dimensão religiosa da pessoa humana, pretende-se sensibilizar cada um de per si e de QUASE todos, para a doutrina social das diversas religiões, excluindo-se, portanto, os fundamentalismos dogmáticos, os radicalismos mais sectários e as posições exacerbadas, aliás, estes excessos de algumas correntes, também precisam da ajuda dos moderados, e estes têm o dever, não só de compreender tais posições extremadas como, e principalmente, proporcionar as condições que conduzam ao diálogo, ao bom senso e à pacificação entre os grupos desavindos.
Pensando, portanto, nos interesses das novas e emergentes gerações, onde se incluem, porventura, os filhos de quem, neste momento, analisa este artigo e reflete sobre estes temas, urge desencadear ações que aproveitem ao objetivo último de, a curto prazo, se vislumbrarem melhorias no inter-relacionamento da Humanidade.
A dimensão religiosa do homem crente deve ser respeitada e colocada a serviço da educação, e da formação destas novas gerações, a começar na família, porque o ser humano tem imensas dimensões, capacidades e possibilidades de as exercer, no seio do grupo e da sociedade, desejavelmente, no sentido do bem-comum.
A educação religiosa é, por tudo isto, essencial na construção de pessoas que também se pretendam íntegras, que possuam a liberdade de se autodeterminar, com responsabilidade e generosidade, para com os seus semelhantes.
A preocupação, por uma educação e formação integrais, deve ser uma constante em todos aqueles que, de alguma forma, e a um qualquer nível social, têm responsabilidades em preparar o futuro, na medida em que: «Quando educamos os nossos filhos, todos pretendemos faze-los partilhar das nossas mais profundas convicções e enriquecê-los com o que nos parece mais válido. Cada um, segundo a sua própria escala de valores, dar-lhes-á, antes de mais, com prioridade absoluta, o que lhe parece importante. (…). Quando os pais são crentes, a sua fé em Deus é, certamente, desta ordem; eles têm, se são coerentes com as suas convicções, uma outra dimensão, uma outra óptica dos acontecimentos que os rodeiam. Pensamos que é importante fazê-la partilhar pelos nossos filhos desde a sua infância e falar-lhes muito cedo de Deus». (D’ARNUY, (1977:172).
O mundo: cada vez mais profanizado, precisa de Deus; os homens não podem viver, e não conseguem resolver todos os problemas, à margem da Bondade e Sabedoria Divinas; a Humanidade será reduzida à sua mais brutal animalidade se continuar a rejeitar Deus. O caminho seguro, que poderá conduzir à pacificação do mundo, tem de passar por Deus, e muitos seres humanos sabem que não há outra alternativa.
Excluir Deus do processo de pacificação, é prosseguir o caminho para a destruição total da Humanidade. Não se pretende, nem seria compatível com a natureza pró-científica deste trabalho, profetizar o apocalipse, ou uma escatologia do Juízo Final condenatório de toda a Humanidade. O que se pretende desmontar, pela observação-participante, é a condição frágil, insegura e indefinida do ser humano.
A demonstração da necessidade de Deus, na formação da pessoa humana, igualmente se comprova, sem dificuldades, nem argumentos científicos, porque a Humanidade, na sua esmagadora maioria, busca Deus e n’Ele a solução para todos os problemas, que a ciência e a técnica ainda não resolveram.
A educação e formação religiosas são um argumento poderosíssimo, para que os sistemas educativos integrem nos seus cursos, currículas e conteúdos programáticos, os valores religiosos, aceitando que: «Os ensinamentos de uma religião devem influir na personalidade e na conduta diária do crente. Assim a conduta de cada pessoa, normalmente, será um reflexo, num maior ou menor grau, de formação religiosa dessa pessoa.» (SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS, 1990:12).
Acontecimentos que comprovam, inequivocamente, a importância da religião, para se alcançar a pacificação, surgem, frequentemente: a preocupação dos mais altos dignitários das religiões maioritárias, em estabelecerem o diálogo ecuménico interreligioso; as grandes reuniões da juventude, por iniciativa pontifícia que, regularmente, ocorrem em locais diferentes da terra; as peregrinações de milhões de crentes, todos os anos, aos santuários e outros locais sagrados; o crescente número de peregrinos que, mundialmente percorrem os caminhos da Fé; a intervenção das Igrejas nos domínios sociais, assistência humanitária e moderadora de conflitos.
No contexto da pacificação da Humanidade, o papel da religião e das boas relações humanas, a todos os níveis, são fundamentais, não se excluindo os conhecimentos que a ciência pode proporcionar, assim como, o recurso à técnica e seus instrumentos, no que se refere a melhorar as condições de vida das comunidades, nas quais a origem dos conflitos se localiza em determinadas insuficiências e/ou carências de ordem social/material: saúde, educação, trabalho, habitação, segurança social e uma velhice tranquila.
Toda esta complexidade levanta, porém, algumas interrogações que se deixam para reflexão: Filosofia, Ciência, Técnica e Religião são incompatíveis? A pacificação da Humanidade pode dispensar alguma daquelas, entre outras, dimensões do homem? E, afinal, as disciplinas sociais e humanas, bem como os domínios ditos não-científicos, qual o estatuto que lhes será reconhecido? A interdisciplinaridade será possível, desejável, útil ou cada ciência vai manter-se na sua ‘redoma de cristal’?
BIBLIOGRAFIA
D´ARNUY, Jo, (1977). Nós e os Nossos Filhos. Trad. António Agostinho Torres. Porto: Editorial Perpétuo Socorro.
SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS, 1990:12
Venade/Caminha – Portugal, 2025
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Irene da Rocha “Que na melodia da evolução e das dores, haja espaço para semearem o amor.” Microsoft Bing – Imagem criada pelo Designer
Nas tramas do tempo, o mundo chora, Evolução tecendo sua lança. Entre avanços e sombras a pairar no ar, Guerras, cicatrizes, a humanidade a sangrar.
Na era da luz, o conhecimento floresce, cresce, Mas sombras persistem, onde a paz adormece. Sonhos inquietos, em busca do saber, Enfrentam batalhas por um amanhã a renascer.
Tecnologia avança, fronteiras e faz, Enquanto o eco das guerras ecoa, tenaz. O progresso e o caos, entrelaçados estão, Num poema que o presente e o futuro entoam.
Que na melodia da evolução e das dores, Haja espaço para semearem o amor. Pois no cadinho do tempo, onde tudo se entrelaça, A humanidade busca, na esperança, só o amor.
Ivete Rosa de SouzaA humanidade sem rumo Microsoft Bing – Imagem criada pelo Designer
Para aonde caminhas oh! humanidade? Passados tantos séculos, de dores e tropeços Por que és tão imatura, e a tua insanidade Encerra os teus anseios e recomeços? Ainda és ingênua acreditando no futuro? Causando guerras, vivendo no escuro Anunciando a destruição, derrota dos tolos
És apenas corpo e mente, tão somente Infelizes almas, que não reconhecem o presente Que é a vida que habita dentro de ti. Onde está o amor, a união, a esperança? O doce idílio dos sonhos e conquistas? Se andas a flanar, incorrigível na ignorância Na derrocada final de tua existência. Procuras em atos violentos tua glória? Com ingratidão, levas ao exílio concórdia O que esperas que aconteça no amanhã? Aonde não mais existir vida neste planeta Letal futuro sem esperança Queres existir?
Desarmas teus anseios, curas as feridas Encontra em teu seio o entendimento Mostra as flores, esquece o tormento De ser dependente da ganância Leva o amor, o respeito verdadeiro Aos teus iguais, encontrando a paz.