O fardo de Sísifo

Bahtiyar Hidayet reflete sobre a humanidade, a sobrevivência e a persistência da brutalidade ancestral

Bahtiyar Hidayet (Bakhtiyar Hasanov)
Bahtiyar Hidayet
(Bakhtiyar Hasanov)
Fotografia em estilo documental dividida ao meio. Do lado esquerdo, uma lontra-marinha boia de costas na água cercada por algas, segurando com cuidado uma pedra e uma concha sobre o peito. Do lado direito, sob um céu cinzento de cidade, três homens representando diferentes espécies de hominídeos pré-históricos (como Homo habilis, Neandertal e Homo sapiens) usam roupas modernas de inverno, como jaquetas e sobretudos. Dois deles seguram pedras grandes e pesadas juntas ao peito, enquanto uma câmera de filmagem de documentário é apontada para eles ao fundo.
https://gemini.google.com/app/d2dd3ca8d0ee0e81?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

Assista ao documentário:

a lontra-marinha aprende a sobreviver

segurando uma pedra contra o peito.

Mas

o verdadeiro documentário deveria ser feito sobre os seres humanos.

Há pedras em vez de corações

em milhões de peitos.

Os seres humanos as usam

uns contra os outros

para não sobreviver.

Nossos corações se transformaram em pedra

dentro de nossos peitos.

Todo coração é um fardo de Sísifo.

Ainda estamos na Idade da Pedra.

O subconsciente da maioria de nós

está no Paleolítico Inferior,

a mente consciente de alguns de nós

está no Paleolítico Superior,

e os demais estão no Paleolítico Médio.

Um bom documentário poderia ser feito

sobre este assunto:

pessoas da Idade da Pedra

vestidas com roupas modernas —

Homo habilis,

homem de Neandertal

e Homo sapiens —

aprendem a sobreviver

com as lontras-marinhas.

Bakhtiyar Hasanov

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A guerra

Laskiaf Amortegui: Crônica ‘A guerra’

Laskiaf Amortegui
Laskiaf Amortegui
Broto de planta verde nascendo em solo rachado e destruído pela guerra, com silhuetas sombrias ao fundo e raios de sol dourados rompendo as nuvens escuras.
https://gemini.google.com/app/fb240463216276e0?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

​“É um tumor a ser extirpado.”

​A guerra é culpada ou inocente?

Quem provoca a guerra?

​Dizem que a maldade nasce em um ato de amor ou paixão.

Ela nasce, sorri e se amamenta com leite; depois engatinha, aprende a caminhar e, quando cresce, saca o que há de pior em seu coração, psique ou mente.

São os ambiciosos, aqueles que perderam o sentido de humanidade e compaixão.

​Muitos inocentes são treinados para a guerra e, para os seus sedutores, não importa gerar a dor e o choro de suas mães ao nascer e muito menos ao morrer.

Não lhes dói mandar os mais desvalidos a derramar seu sangue, enquanto eles contam o dinheiro em seus cofres.
​A guerra destrói, danifica e contamina.

Às vezes, os desalmados abusam de crianças em nome da guerra, mas são suas baixezas internas escudando-se nela…

​A guerra empobrece a terra, os estados e o universo.

Até quando tomaremos consciência? O que mais devemos esperar!

Acaso devemos aguardar que os deuses venham e acabem conosco?

Será que nos é grande demais, como espécie, respeitar e viver em paz?

Laskiaf Amortegui

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Religião: Uma alternativa para a paz?

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Religião: Uma alternativa para a paz?’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem criada por IA do Bing – 31 de julho de 2025,
às 11:16 PM

Nem só de ciência, de técnica e de recursos materiais vive o homem. Para além daquelas capacidades e possibilidades, existe mais vida, mais mundo, mais alternativas, outras dimensões, que podem contribuir para o bem-estar da Humanidade em geral, e de cada pessoa em particular. Ignorar, por mero preconceito, por descrença, por agnosticismo, ou por quaisquer outras razões, a dimensão religiosa do homem, é dificultar o processo para a pacificação, mesmo para aqueles que argumentam que a religião também está na origem de muitos conflitos, o que se julga ser verdade, uma outra face dos conflitos. 

Ao invocar-se a dimensão religiosa da pessoa humana, pretende-se sensibilizar cada um de per si e de QUASE todos, para a doutrina social das diversas religiões, excluindo-se, portanto, os fundamentalismos dogmáticos, os radicalismos mais sectários e as posições exacerbadas, aliás, estes excessos de algumas correntes, também precisam da ajuda dos moderados, e estes têm o dever, não só de compreender tais posições extremadas como, e principalmente, proporcionar as condições que conduzam ao diálogo, ao bom senso e à pacificação entre os grupos desavindos.

Pensando, portanto, nos interesses das novas e emergentes gerações, onde se incluem, porventura, os filhos de quem, neste momento, analisa este artigo e reflete sobre estes temas, urge desencadear ações que aproveitem ao objetivo último de, a curto prazo, se vislumbrarem melhorias no inter-relacionamento da Humanidade. 

A dimensão religiosa do homem crente deve ser respeitada e colocada a serviço da educação, e da formação destas novas gerações, a começar na família, porque o ser humano tem imensas dimensões, capacidades e possibilidades de as exercer, no seio do grupo e da sociedade, desejavelmente, no sentido do bem-comum.

A educação religiosa é, por tudo isto, essencial na construção de pessoas que também se pretendam íntegras, que possuam a liberdade de se autodeterminar, com responsabilidade e generosidade, para com os seus semelhantes. 

A preocupação, por uma educação e formação integrais, deve ser uma constante em todos aqueles que, de alguma forma, e a um qualquer nível social, têm responsabilidades em preparar o futuro, na medida em que: «Quando educamos os nossos filhos, todos pretendemos faze-los partilhar das nossas mais profundas convicções e enriquecê-los com o que nos parece mais válido. Cada um, segundo a sua própria escala de valores, dar-lhes-á, antes de mais, com prioridade absoluta, o que lhe parece importante. (…). Quando os pais são crentes, a sua fé em Deus é, certamente, desta ordem; eles têm, se são coerentes com as suas convicções, uma outra dimensão, uma outra óptica dos acontecimentos que os rodeiam. Pensamos que é importante fazê-la partilhar pelos nossos filhos desde a sua infância e falar-lhes muito cedo de Deus». (D’ARNUY, (1977:172).

O mundo: cada vez mais profanizado, precisa de Deus; os homens não podem viver, e não conseguem resolver todos os problemas, à margem da Bondade e Sabedoria Divinas; a Humanidade será reduzida à sua mais brutal animalidade se continuar a rejeitar Deus. O caminho seguro, que poderá conduzir à pacificação do mundo, tem de passar por Deus, e muitos seres humanos sabem que não há outra alternativa. 

Excluir Deus do processo de pacificação, é prosseguir o caminho para a destruição total da Humanidade. Não se pretende, nem seria compatível com a natureza pró-científica deste trabalho, profetizar o apocalipse, ou uma escatologia do Juízo Final condenatório de toda a Humanidade. O que se pretende desmontar, pela observação-participante, é a condição frágil, insegura e indefinida do ser humano.

 A demonstração da necessidade de Deus, na formação da pessoa humana, igualmente se comprova, sem dificuldades, nem argumentos científicos, porque a Humanidade, na sua esmagadora maioria, busca Deus e n’Ele a solução para todos os problemas, que a ciência e a técnica ainda não resolveram. 

A educação e formação religiosas são um argumento poderosíssimo, para que os sistemas educativos integrem nos seus cursos, currículas e conteúdos programáticos, os valores religiosos, aceitando que: «Os ensinamentos de uma religião devem influir na personalidade e na conduta diária do crente. Assim a conduta de cada pessoa, normalmente, será um reflexo, num maior ou menor grau, de formação religiosa dessa pessoa.» (SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS, 1990:12).

Acontecimentos que comprovam, inequivocamente, a importância da religião, para se alcançar a pacificação, surgem, frequentemente: a preocupação dos mais altos dignitários das religiões maioritárias, em estabelecerem o diálogo ecuménico interreligioso; as grandes reuniões da juventude, por iniciativa pontifícia que, regularmente, ocorrem em locais diferentes da terra; as peregrinações de milhões de crentes, todos os anos, aos santuários e outros locais sagrados; o crescente número de peregrinos que, mundialmente percorrem os caminhos da Fé; a intervenção das Igrejas nos domínios sociais, assistência humanitária e moderadora de conflitos.

No contexto da pacificação da Humanidade, o papel da religião e das boas relações humanas, a todos os níveis, são fundamentais, não se excluindo os conhecimentos que a ciência pode proporcionar, assim como, o recurso à técnica e seus instrumentos, no que se refere a melhorar as condições de vida das comunidades, nas quais a origem dos conflitos se localiza em determinadas insuficiências e/ou carências de ordem social/material: saúde, educação, trabalho, habitação, segurança social e uma velhice tranquila. 

Toda esta complexidade levanta, porém, algumas interrogações que se deixam para reflexão: Filosofia, Ciência, Técnica e Religião são incompatíveis? A pacificação da Humanidade pode dispensar alguma daquelas, entre outras, dimensões do homem? E, afinal, as disciplinas sociais e humanas, bem como os domínios ditos não-científicos, qual o estatuto que lhes será reconhecido? A interdisciplinaridade será possível, desejável, útil ou cada ciência vai manter-se na sua ‘redoma de cristal’?

BIBLIOGRAFIA

D´ARNUY, Jo, (1977). Nós e os Nossos Filhos. Trad. António Agostinho Torres. Porto: Editorial Perpétuo Socorro.

SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS, 1990:12

Venade/Caminha – Portugal, 2025

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Dias atuais

Irene da Rocha: Poema ‘Dias atuais’

Irene da Rocha
Irene da Rocha
"Que na melodia da evolução e das dores, haja espaço para semearem o amor."
“Que na melodia da evolução e das dores, haja espaço para semearem o amor.”
Microsoft Bing – Imagem criada pelo Designer

Nas tramas do tempo, o mundo chora,
Evolução tecendo sua lança.
Entre avanços e sombras a pairar no ar,
Guerras, cicatrizes, a humanidade a sangrar.

Na era da luz, o conhecimento floresce, cresce,
Mas sombras persistem, onde a paz adormece.
Sonhos inquietos, em busca do saber,
Enfrentam batalhas por um amanhã a renascer.

Tecnologia avança, fronteiras e faz,
Enquanto o eco das guerras ecoa, tenaz.
O progresso e o caos, entrelaçados estão,
Num poema que o presente e o futuro entoam.

Que na melodia da evolução e das dores,
Haja espaço para semearem o amor.
Pois no cadinho do tempo, onde tudo se entrelaça,
A humanidade busca, na esperança, só o amor.

Irene da Rocha

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Sem rumo

Ivete Rosa de Sousa: Poema ‘Sem rumo’

Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza
A humanidade sem rumo
A humanidade sem rumo
Microsoft Bing – Imagem criada pelo Designer

Para aonde caminhas oh! humanidade?
Passados tantos séculos, de dores e tropeços
Por que és tão imatura, e a tua insanidade
Encerra os teus anseios e recomeços?
Ainda és ingênua acreditando no futuro?
Causando guerras, vivendo no escuro
Anunciando a destruição, derrota dos tolos

És apenas corpo e mente, tão somente
Infelizes almas, que não reconhecem o presente
Que é a vida que habita dentro de ti.
Onde está o amor, a união, a esperança?
O doce idílio dos sonhos e conquistas?
Se andas a flanar, incorrigível na ignorância
Na derrocada final de tua existência.
Procuras em atos violentos tua glória?
Com ingratidão, levas ao exílio concórdia
O que esperas que aconteça no amanhã?
Aonde não mais existir vida neste planeta
Letal futuro sem esperança
Queres existir?

Desarmas teus anseios, curas as feridas
Encontra em teu seio o entendimento
Mostra as flores, esquece o tormento
De ser dependente da ganância
Leva o amor, o respeito verdadeiro
Aos teus iguais, encontrando a paz.

Ivete Rosa de Souza

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Mover…

Clayton Alexandre Zocarato: Poema ‘Mover’

Foto do autor e colunista do ROL Clayton Alexandre Zocarato
Clayton Alexandre Zocarato

Recorrer…

A humanidade precisa mais…

Do querer…

Que para qualquer…

Bel-prazer…

Necessita-se de um novo…

Morrer…

Para voltar…

A viver…

Nesse Marasmo…

De não entender…

O que deveria por obrigação…

Entender…

Clayton Alexandre Zocarato

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