Foi lá na esquina do universo, Onde com o tempo me sentei, E conversámos sobre um verso, Que no peito sempre carreguei.
Ele contou-me alguns segredos. Talvez até demais. Vi nos seus olhos os medos, Que quase perdi a paz.
E quando chegou a minha vez de falar, Contei-lhe que a humanidade, Esqueceu-se de como é amar, E ser amada de verdade.
Na despedida não quisemos nos separar. Abraçamo-nos calorosamente, Que até o tempo se esqueceu de passar, Como sempre faz diariamente.
Jacob Kapingala
Jacob Kapingala
Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.
É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.
Teve o desejo de colocar no papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.
É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.
Cada vez que lia uma poesia sublime, eu chorava Cada vez que ouvia uma grande música, eu soluçava Cada vez que me deparava com a humanidade personificada, eu gemia.
Depois de tantos lamentos, quão sagrado o meu coração se tornou!
Elanaaga
Sacred sobs
Every time I read sublime poetry, I cried Every time I listened to great music, I sobbed Every time I came across humanity personified, I moaned.
After so many wailings how sacred has my heart become!
Dizem que a maldade nasce em um ato de amor ou paixão.
Ela nasce, sorri e se amamenta com leite; depois engatinha, aprende a caminhar e, quando cresce, saca o que há de pior em seu coração, psique ou mente.
São os ambiciosos, aqueles que perderam o sentido de humanidade e compaixão.
Muitos inocentes são treinados para a guerra e, para os seus sedutores, não importa gerar a dor e o choro de suas mães ao nascer e muito menos ao morrer.
Não lhes dói mandar os mais desvalidos a derramar seu sangue, enquanto eles contam o dinheiro em seus cofres. A guerra destrói, danifica e contamina.
Às vezes, os desalmados abusam de crianças em nome da guerra, mas são suas baixezas internas escudando-se nela…
A guerra empobrece a terra, os estados e o universo.
Até quando tomaremos consciência? O que mais devemos esperar!
Acaso devemos aguardar que os deuses venham e acabem conosco?
Será que nos é grande demais, como espécie, respeitar e viver em paz?
Diamantino BártoloImagem criada por IA do Bing – 31 de julho de 2025, às 11:16 PM
Nem só de ciência, de técnica e de recursos materiais vive o homem. Para além daquelas capacidades e possibilidades, existe mais vida, mais mundo, mais alternativas, outras dimensões, que podem contribuir para o bem-estar da Humanidade em geral, e de cada pessoa em particular. Ignorar, por mero preconceito, por descrença, por agnosticismo, ou por quaisquer outras razões, a dimensão religiosa do homem, é dificultar o processo para a pacificação, mesmo para aqueles que argumentam que a religião também está na origem de muitos conflitos, o que se julga ser verdade, uma outra face dos conflitos.
Ao invocar-se a dimensão religiosa da pessoa humana, pretende-se sensibilizar cada um de per si e de QUASE todos, para a doutrina social das diversas religiões, excluindo-se, portanto, os fundamentalismos dogmáticos, os radicalismos mais sectários e as posições exacerbadas, aliás, estes excessos de algumas correntes, também precisam da ajuda dos moderados, e estes têm o dever, não só de compreender tais posições extremadas como, e principalmente, proporcionar as condições que conduzam ao diálogo, ao bom senso e à pacificação entre os grupos desavindos.
Pensando, portanto, nos interesses das novas e emergentes gerações, onde se incluem, porventura, os filhos de quem, neste momento, analisa este artigo e reflete sobre estes temas, urge desencadear ações que aproveitem ao objetivo último de, a curto prazo, se vislumbrarem melhorias no inter-relacionamento da Humanidade.
A dimensão religiosa do homem crente deve ser respeitada e colocada a serviço da educação, e da formação destas novas gerações, a começar na família, porque o ser humano tem imensas dimensões, capacidades e possibilidades de as exercer, no seio do grupo e da sociedade, desejavelmente, no sentido do bem-comum.
A educação religiosa é, por tudo isto, essencial na construção de pessoas que também se pretendam íntegras, que possuam a liberdade de se autodeterminar, com responsabilidade e generosidade, para com os seus semelhantes.
A preocupação, por uma educação e formação integrais, deve ser uma constante em todos aqueles que, de alguma forma, e a um qualquer nível social, têm responsabilidades em preparar o futuro, na medida em que: «Quando educamos os nossos filhos, todos pretendemos faze-los partilhar das nossas mais profundas convicções e enriquecê-los com o que nos parece mais válido. Cada um, segundo a sua própria escala de valores, dar-lhes-á, antes de mais, com prioridade absoluta, o que lhe parece importante. (…). Quando os pais são crentes, a sua fé em Deus é, certamente, desta ordem; eles têm, se são coerentes com as suas convicções, uma outra dimensão, uma outra óptica dos acontecimentos que os rodeiam. Pensamos que é importante fazê-la partilhar pelos nossos filhos desde a sua infância e falar-lhes muito cedo de Deus». (D’ARNUY, (1977:172).
O mundo: cada vez mais profanizado, precisa de Deus; os homens não podem viver, e não conseguem resolver todos os problemas, à margem da Bondade e Sabedoria Divinas; a Humanidade será reduzida à sua mais brutal animalidade se continuar a rejeitar Deus. O caminho seguro, que poderá conduzir à pacificação do mundo, tem de passar por Deus, e muitos seres humanos sabem que não há outra alternativa.
Excluir Deus do processo de pacificação, é prosseguir o caminho para a destruição total da Humanidade. Não se pretende, nem seria compatível com a natureza pró-científica deste trabalho, profetizar o apocalipse, ou uma escatologia do Juízo Final condenatório de toda a Humanidade. O que se pretende desmontar, pela observação-participante, é a condição frágil, insegura e indefinida do ser humano.
A demonstração da necessidade de Deus, na formação da pessoa humana, igualmente se comprova, sem dificuldades, nem argumentos científicos, porque a Humanidade, na sua esmagadora maioria, busca Deus e n’Ele a solução para todos os problemas, que a ciência e a técnica ainda não resolveram.
A educação e formação religiosas são um argumento poderosíssimo, para que os sistemas educativos integrem nos seus cursos, currículas e conteúdos programáticos, os valores religiosos, aceitando que: «Os ensinamentos de uma religião devem influir na personalidade e na conduta diária do crente. Assim a conduta de cada pessoa, normalmente, será um reflexo, num maior ou menor grau, de formação religiosa dessa pessoa.» (SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS, 1990:12).
Acontecimentos que comprovam, inequivocamente, a importância da religião, para se alcançar a pacificação, surgem, frequentemente: a preocupação dos mais altos dignitários das religiões maioritárias, em estabelecerem o diálogo ecuménico interreligioso; as grandes reuniões da juventude, por iniciativa pontifícia que, regularmente, ocorrem em locais diferentes da terra; as peregrinações de milhões de crentes, todos os anos, aos santuários e outros locais sagrados; o crescente número de peregrinos que, mundialmente percorrem os caminhos da Fé; a intervenção das Igrejas nos domínios sociais, assistência humanitária e moderadora de conflitos.
No contexto da pacificação da Humanidade, o papel da religião e das boas relações humanas, a todos os níveis, são fundamentais, não se excluindo os conhecimentos que a ciência pode proporcionar, assim como, o recurso à técnica e seus instrumentos, no que se refere a melhorar as condições de vida das comunidades, nas quais a origem dos conflitos se localiza em determinadas insuficiências e/ou carências de ordem social/material: saúde, educação, trabalho, habitação, segurança social e uma velhice tranquila.
Toda esta complexidade levanta, porém, algumas interrogações que se deixam para reflexão: Filosofia, Ciência, Técnica e Religião são incompatíveis? A pacificação da Humanidade pode dispensar alguma daquelas, entre outras, dimensões do homem? E, afinal, as disciplinas sociais e humanas, bem como os domínios ditos não-científicos, qual o estatuto que lhes será reconhecido? A interdisciplinaridade será possível, desejável, útil ou cada ciência vai manter-se na sua ‘redoma de cristal’?
BIBLIOGRAFIA
D´ARNUY, Jo, (1977). Nós e os Nossos Filhos. Trad. António Agostinho Torres. Porto: Editorial Perpétuo Socorro.
SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS, 1990:12
Venade/Caminha – Portugal, 2025
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
Irene da Rocha “Que na melodia da evolução e das dores, haja espaço para semearem o amor.” Microsoft Bing – Imagem criada pelo Designer
Nas tramas do tempo, o mundo chora, Evolução tecendo sua lança. Entre avanços e sombras a pairar no ar, Guerras, cicatrizes, a humanidade a sangrar.
Na era da luz, o conhecimento floresce, cresce, Mas sombras persistem, onde a paz adormece. Sonhos inquietos, em busca do saber, Enfrentam batalhas por um amanhã a renascer.
Tecnologia avança, fronteiras e faz, Enquanto o eco das guerras ecoa, tenaz. O progresso e o caos, entrelaçados estão, Num poema que o presente e o futuro entoam.
Que na melodia da evolução e das dores, Haja espaço para semearem o amor. Pois no cadinho do tempo, onde tudo se entrelaça, A humanidade busca, na esperança, só o amor.