Me sinto frágil e indefesa Às vezes, inerte na incerteza De que alguém vai me ouvir. Mas a realidade é cruel Ninguém quer viver o meu papel. É simples para muitos O fato de eu não gritar. Olho para os lados e vejo os meus filhos, tão fragilizados
realidade O que fazer? Para onde vou? O que contar? Por outro lado, Dependo dele e omissa fico. Tremenda opressão. É um olhar atravessado Uma palavra agressiva Fico frustrada E naquele processo fico E parece não ter fim. Não durmo direito E com os olhos cheios de olheiras Coloco um óculos escuros Para disfarçar. Até que uma hora as palavras , a coação mental já não basta E vem o primeiro tapa E quando me perguntam o que foi isto? Eu,simplesmente,digo que caí. E outras agressões surgem Meus filhos choram O desespero bate E nào.para por aí. E eu fico ali Naquela agonia Como uma tempestade que nunca acaba. Então ,eu penso Afinal,vou para onde? Mas … Eu preciso acreditar Que sou forte o suficiente Para revidar e não aceitar Eu preciso gritar Preciso reagir Este grito sufocado Precisa sair do meu peito Para eu conseguir sobreviver Eu vou ligar 180 Ou usar os sinais com as mãos Pedindo socorro E… Acreditar na justiça dos homens E seja o que Deus quiser.
Correios: do orgulho nacional à incerteza do presente
Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
‘Correios: do orgulho nacional à incerteza do presente’
Dom Alexandre Rurikovich CarvalhoCorreios – Imagem criada por Dom alexandre Rurikovich Carvalho
Durante décadas, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos foi motivo de orgulho para todos os brasileiros. Símbolo de integração nacional, os Correios estiveram presentes nos lugares mais distantes do país, conectando pessoas, histórias e afetos.
Recordo-me com carinho do tempo em que escrevia cartas para minha avó e para meus primos. A expectativa era sempre grande. Havia algo quase mágico em receber aquelas correspondências envoltas no tradicional envelope de bordas verdes e amarelas. O simples som do portão anunciava alegria: o carteiro chegava trazendo notícias, saudades e emoção. Ele não entregava apenas cartas – entregava vínculos humanos.
Naquele período, os Correios representavam eficiência, confiança e presença do Estado a serviço da população. A instituição cumpria sua missão social com dignidade e respeito, sendo reconhecida como uma das mais importantes empresas públicas do país.
Hoje, infelizmente, a realidade é outra. A empresa encontra-se mergulhada em dívidas, enfrentando sucessivas crises administrativas e operacionais. O que antes era sinônimo de credibilidade tornou-se motivo de frustração. Os atrasos são constantes, as encomendas não chegam dentro dos prazos e milhares de brasileiros convivem diariamente com a insegurança e a decepção.
Essa situação é profundamente lamentável. Não apenas pelos prejuízos econômicos, mas sobretudo pela perda simbólica de uma instituição que fez parte da memória afetiva de gerações. Quando os Correios falham, não se trata apenas de logística – trata-se da quebra de confiança entre o cidadão e um serviço que deveria ser essencial.
Ainda assim, resta-nos a esperança. Torcemos para que soluções responsáveis e eficazes sejam adotadas, que a empresa seja reestruturada com seriedade e que volte a cumprir o papel histórico que sempre desempenhou: o de unir o Brasil por meio da comunicação, do respeito e da eficiência.
Que os Correios possam, um dia, voltar a ser motivo de orgulho – não apenas nas lembranças do passado, mas também na realidade do presente e nas promessas do futuro.
Sergio DinizUma porta misteriosa, semiaberta Microsoft Bing – Imagem criada pelo Designer
Todos corriam em direção à porta semiaberta. Dia e noite era sempre a mesma coisa, a mesma correria frenética, incontrolável.
Era gente que perguntava, gritava, implorava para ter sua passagem livre àquele lugar de procura, de angústia e de incerteza.
O que haveria atrás dela? Ninguém sabia, mas todos a procuravam. E a cada dia, mais pessoas chegavam àquela passagem enigmática.
Loucas correrias. Pessoas que caiam e não mais se levantavam. Os mais fortes subjugavam os mais fracos; os mais ricos esmagavam os mais pobres. E tudo, para ter o privilégio de ser o primeiro a transpor o enigma indecifrável. Diante desses fatos, os fracos e os pobres ficavam sempre por último.
Uma multidão acabou se prostrando diante da porta. Em seus rostos via-se o estigma deixado pelo supremo esforço. Rostos encarquilhados, faces emaciadas pela energia gasta na terrível batalha competitiva.
Alguém, do meio da turba, reunindo suas últimas forças, sobressaiu-se e, caminhando em direção à porta, abriu-a. A multidão, arrefecida pelo cansaço, adquiriu novo alento e arremessou-se pelo portal adentro.
Todos cometeram, porém, o mesmo engano: na pressa, ninguém se lembrou de levar alguma coisa consigo, e no interior da porta não havia luz, somente o silêncio de um sepulcro violado.
O terror começou tomar conta daquela gente. Um frio seco se infiltrou no sangue de todos, que passaram a procurar agasalhos e, como nesse local não os havia, os mais fortes atacaram os mais fracos e os mais ricos compraram dos mais pobres.
Ao fim de algum tempo, os mais fracos e os mais pobres pereceram. O frio, no entanto, continuava intenso. E manifestou-se a fome. E não havia alimentos.
Pressionados pela fome, os que restaram começaram a negociar. Entretanto, por mais soluções que tentaram encontrar, nada apagou a lembrança do alimento. Desta forma, como por um acordo tácito, os sobreviventes começaram a se devorar. E, no final, não restou ninguém, pois o último homem se autodevorou.
(Texto orientado pelo Professor Clayton Alexandre Zocarato, junto com o discente do Ensino Médio, 2º Ano B, Davi de Mattos, como parte integrante de incentivo à leitura e escrita Poética, feito ao longo do ano letivo de 2023, na Escola Estadual de Tempo Integral e Regular ‘Professor Bento de Siqueira’, do município de Marapoama – SP).