Meu quintal de infância

Sergio Diniz da Costa descreve uma emocionante viagem no tempo pelas memórias, cores e aromas de sua meninice

Sergio Diniz da Costa
Sergio Diniz da Costa
Uma criança alegre descalça num quintal simples com uma grande mangueira de mangas-rosa, um tanque de lavar roupa com brinquedos flutuantes, horta e a entrada de um porão de tijolos.
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Cansado de ser gente grande (que peso!)
decidi virar menino (que alívio!)
Entrei na máquina do tempo, que tem
na minha cabeça, vesti meu calção surrado
desentoquei a camisa pra lá de velha
e fui parar no quintal da infância

Ainda estavam lá a velha mangueira de manga rosa,
os pé de couve, árvores das formiga que
subiam e desciam, indo e vindo do murundum,
o tanque de lavar roupa cheinho de água,
lago onde meus indiozinhos nadavam.

Entrei no porão, ainda rezando pra não encontrá
a Manjaléu*, pavorenta que só ela queria ser
e também rezando pra encontrá os gibi que lá escondia,
feito tesouro que as traça analfabeta não comiam.

Triiiiiimmmmmmmmm!
Ih! O despertador da imaginação soou!
É hora de dar no pé, porque o jardim tá se indo
E o menino tem que voltá pra ser gente grande!

Manjaléu: Bicho-papão ou monstro: Um ser imaginário, frequentemente usado no folclore para assustar ou amedrontar crianças. É também o nome de uma famosa lenda da cultura popular brasileira, recolhida por Sílvio Romero, sobre um monstro invulnerável.

Poema da antologia Manoel de Barros – O Poeta das Miudezas, coorganizado por Verônica Moreira e Sergio Diniz da Costa, 2026

Sergio Diniz da Costa

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