Reynaldo, o homem mais forte do mundo

Como uma velha fotografia conseguiu unir três gerações em torno do homem mais forte do mundo

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
Ilustração em gravura a preto e branco de estilo vintage mostrando dois homens ao ar livre num caminho ladeado por vegetação densa. O homem em pé, no centro, veste calções brancos, sorri para a câmara e segura horizontalmente outro homem acima da sua cabeça com ambos os braços estendidos. O homem erguido encontra-se em Posição de Prancha horizontal, vestindo também calções brancos.
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A primeira vez que me deparei com Reynaldo, tive certeza de que ele era o homem mais forte do mundo. Seu físico, aos meus olhos de menino, parecia tão poderoso, que não duvidaria que poderia enfrentar até mesmo um tigre, caso um desses enormes felinos resolvesse aparecer por aqui, talvez fugido de algum zoológico ou circo. Mas eis que, enquanto admirava a fotografia desse Tarzan dos longínquos anos 1950, meu neto, de seis anos, pareceu intrigado com meu sorriso saudoso.

      — O que foi, vovô?

      — Vovô tá olhando umas fotos antigas, Pedrinho.

      — Posso ver?

     Coloquei o menino no colo. Ele, sem seguida, pareceu se encantar com o retrato do Reynaldo erguendo meu pai sobre a cabeça.

        — Quem é?

        — É um homem chamado Reynaldo, que aqui está levantando meu pai.

        — Ele jogou o seu papai no chão?

        — Não. Eles eram amigos. Estavam apenas posando para fotografia.

        — Hum… Vovô, o seu papai também era fortão?

        — Um pouco, mas não que nem o Reynaldo. 

        Essa inesperada cumplicidade infantil conseguiu unir meu neto àquele pivete de tantas décadas atrás. Passamos toda a tarde grudados, cheios de histórias para contar um para o outro. Pedrinho arrancava-me gargalhadas há tanto esquecidas. É engraçado como gente miúda tem essa capacidade de transformar os velhos em seres humanos mais gentis e menos pretensiosos em relação aos próprios feitos. 

      Ensinei meu neto a jogar botão. Danado como ele só, o moleque me aplicou uma goleada e, suspeito, me deixou marcar um gol por conta da amizade que desfrutamos naquele momento. E eu que pensava que era o maioral. Que nada! Pedrinho conseguiu entender como era aquele jogo, que até lhe dei todos os meus jogadores para que ele pudesse brincar com seus amigos. 

        Quase um mês após esse dia, o guri veio me visitar. Eufórico, me contou que seus colegas e ele estavam brincando de botão nos finais de semana. E já pensavam em criar um torneio, com direito até a prêmio, que seria um pote de sorvete para que todos se refrescassem. 

         Enquanto meu neto e eu conversávamos, minha filha e o marido, pai do Pedrinho, pareciam entretidos com o bolo de laranja comprado na padaria. Nisso, meu genro percebeu o álbum de fotografias sobre a estante e, então, começou a folheá-lo. Não tardou, o sujeito começa a rir.

             — O que foi, papai?

             — Já viu essa foto, filho?

             O pai do meu neto, finalmente, apontou para fotografia do Reynaldo.

             — Ah, papai, esse aí é o Reynaldo. Sabia que ele é o homem mais forte do mundo?

             — Quem? Esse frangote?

         Minha filha não deixou de perceber as feições de desgosto que o Pedrinho e eu fizemos. E, tentando contornar a asneira dita pelo marido, emendou:

             — Olha quem fala, o senhor que ostenta essa barriga enorme. Pois saiba você que o Reynaldo era capaz de enfrentar até um tigre. 

Eduardo Cesario-Martínez

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Elegía por los niños violados de Pennsylvania

Humberto Napoleón Varela Robalino

Poema ‘Elegía por los niños violados de Pennsylvania’

Humberto Napoleón Varela Robalino
Humberto Napoleón Varela Robalino
Imagem criada por IA do Grok
Imagem criada por IA do Grok

Pennsylvania!

Pennsylvania!

Tus catedrales pesan ceniza humedecida en llanto

sonidos fugitivos las campanas

clavos martillados en leñosos troncos

coro de ángeles flagelados

silencian los ecos en las sombras

mientras vitrales sulfurosos ocultan siluetas fantasmales.

Cuando el abecedario deletreaba la inocencia

desde las cornisas

descendieron íncubos obscenos

pederastas obesos

dragones lujuriosos

pedófilos sedientos

y rasgaron la piel de la ternura.

Ningún balcón del mundo para la disculpa

ninguna disculpa es justicia

la justicia es palabra intacta

no impunidad silencio cómplice;

en los libros sagrados “tarda pero llega”

en el libro de los hombres “letra muerta”.

Pennsylvania!

Pennsylvania!

Llorad los trinos degollados

las aguas enturbiadas por todos “los pilatos”

la primavera pisoteada por “atilas”.

Llorad!

Llorad!

Un llanto inagotable sobre los montes Apalaches

Llorad!

Llorad!

una ruidosa ira sobre los nombres de los insensatos

Llorad!

Llorad!

una vergüenza de ojos perforados sobre los indolentes:

desenraizaron la utopía

borraron la línea de los labios

suplantaron lo divino

mancharon la fe con impudicia.

Llorad!

Llorad!

por vuestros hijos robados la ternura

Llorad!

Llorad!

por vuestro hijos robados la inocencia:

la infancia es descuartizado cuerpo picoteado por los cuervos.

Si aun crees en algo

si aun recuerdas el rostro de tus padres

que sea el llanto de los niños en pleno desamparo

los pequeños cuerpos fracturados

los pequeños ojos extraviados buscando el cielo:

sea la voz de tu conciencia que te llame.

Si acaso te duele el llanto ajeno

si tienes párpados para dejar correr las lágrimas

si está vacía la silla de los reos

si hay una piedra negra donde escribir sentencia:

dejad que los niños vayan a Dios

hablen con Él

pinten sus manos de arcoiris

jueguen juntos

renazca la ternura

reviva la inocencia

retorne la esperanza.

Humberto Napoleón Varela Robalino

Quito, 1 de setembro de 2018

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Tarde de segunda-feira

Denise Canova: ‘Tarde de segunda-feira’

Denise Canova
Denise Canova
Imagem criada por IA da Meta
Imagem criada por IA da Meta

Tarde de segunda-feira

Balões de coração

Amor de menina

Doce e puro

Pura inocência

Eu sinto este amor até hoje.

Dama da Poesia

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Guerreira

Valdinéia Augusto de Souza: Poema ‘Guerreira’

Valdinéia Augusto de Souza
Valdineia Augusto de Souza
Imagem criada por IA do Bing – 14 de fevereiro de 2025
às 15:55 PM

A vida me tornou
Uma guerreira
Mas não vivo de guerras
Não sou inocente
Mas sou transparente
Sei bem o que quero
Gosto de pessoas
Que sejam verdadeiras
Não interesseiras
Não gosto de bajulações
Mas gosto de gentilezas
Aceito opiniões
Mas não exigências
Já sou bem grandinho
E sei bem o que quero….

Valdineia Augusto de Souza

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Um toque de esperança

José Louro: Poema ‘Um toque de esperança’

José Louro
José Louro
Imagem criada por IA do Bing - 30 de janeiro de 2025,
 às 11:42 PM
Imagem criada por IA do Bing – 30 de janeiro de 2025,
às 11:42 PM

Naquela noite no lago
Querias apenas um olhar
Que quebrasse a melancolia
Que quebrasse a tristeza
De quem foi inocente
De quem nunca quis crescer

Naquela noite no lago
Querias apenas um toque
Um toque de esperança
Naquela noite no lago
O olhar apareceu
E o toque também
Ainda que não o tivesses visto
Ainda que não o tivesses sentido

José louro

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Quando criança

Denise Canova: Poema ‘Quando criança’

Denise Canova
Denise Canova
“Quando criança, sonhei em andar. Sonho de criança inocente. Sonho“
Imagem criada pela IA do Bing

Quando criança

Sonhei em andar

Sonho de criança

Inocente

Sonho

Dama da Poesia

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