Sabrina Terentim: Poema ‘Uma doce preguicinha’ (para Maria Fernanda)
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Pequena estrela dos olhos verdes, mesmo quando o tempo passa sem nos deixar perto, há um carinho tão bonito e tão pleno que encontra o caminho certo.
Não precisamos nos ver todos os dias, nem dividir cada momento da vida, pois o afeto guarda suas próprias melodias e mantém nossa amizade aquecida.
Sou grata por ter você em minha história, minha irmãzinha, minha princesinha.
Guardo seu sorriso na memória como um presente que a vida decidiu me oferecer. E quando a saudade aparecer de mansinho, feito uma nuvem leve no céu azul, lembre-se: você tem um lugar com carinho guardado no meu coração, do Norte ao Sul.
Mafe, que seus sonhos cresçam livres como o vento, que a felicidade acompanhe cada passo seu. E que você nunca esqueça, nem por um momento, o quanto eu amo você
Sabrina Terentim
Poema de Sabrina Terentim, aluna do terceiro ano do ensino médio, com ênfase em Administração, tendo por professor Clayton Alexandre Zocarato.
Graciela De Castro Maria: Conto ‘Karma certo e perfeito’
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Karma era um jovem estudioso e trabalhador, dono de muitas virtudes, apesar de uma vida marcada por infelicidades. Morava com a mãe, dona Mara, numa casa agradável, de bom tamanho. Mas a beleza da casa contrastava com o vazio do lar: fora abandonado pelo pai e desprezado pela mãe. Vivia debaixo de gritos, agressões e silêncio — um silêncio que doía mais que qualquer palavra.
Certa noite, ao voltar do trabalho, cansado não pelo esforço do dia, mas por saber que retornava ao mesmo ambiente hostil, respirou fundo e se jogou no sofá: – Mãe, estou de volta! – gritou. Nenhuma resposta. Sabia bem o porquê: mais uma vez, a mãe estava embriagada. Com desânimo, levou-a ao quarto. Amava-a? Não. Tinha por ela um ódio silencioso, uma mágoa funda e mal resolvida. Desejava apenas o fim do sofrimento. E o que o mantinha de pé era apenas o nome que carregava: Karma, talvez ali estivesse um destino a cumprir.
Naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, dormiu em paz. Sem gritos. Sem medo. Apenas o silêncio da madrugada. – Que bela noite – murmurou, sentindo-se, por instantes, simplesmente… vivo.
No fim de semana, como de costume, Mara saiu pela manhã. Karma sabia que a procurar era inútil – os bares e becos da vila já a conheciam de cor. Resolveu apenas garantir que ela ainda estava viva. – Lá está ela – disse, ao avistá-la apostando dinheiro num bar de esquina. Evitou confrontos. Manteve o passo e voltou para casa.
No caminho, encontrou um casal estranho à porta de sua casa. – Quem são vocês? – perguntou, desconfiado. – Precisamos conversar – disse a mulher, com seriedade no olhar. – Este é seu pai. Ele quer levá-lo para casa.
O espanto o paralisou. Mas algo no ar, no rosto daquele homem, parecia verdade. Os olhos, o semblante… Era como se se olhasse no espelho. Relutante, permitiu que entrassem. Metade do bairro já espiava a cena pelas janelas. A mulher, uma defensora dos direitos humanos, já o conhecia: sabia da violência que sofria, das noites choradas, do menino que não tinha para onde ir.
A casa estava limpa, organizada – exceto pelo cheiro estranho vindo do andar de cima. O homem, Zaqueu, era simpático. Acolheu Karma com carinho e respeito. Pela primeira vez, sentia-se amado. Era bem tratado. Tinha comida na mesa e palavras gentis. Mas havia algo inquietante: o quarto do segundo andar, malcheiroso e proibido, era evitado por todos. O pai sempre sorria, mas sua presença tinha um peso difícil de explicar.
– Kaká, meu filho, cuida da casa, vou sair para trabalhar – disse Zaqueu certa noite, saindo antes do costume. A casa ficou em silêncio.
Karma nunca foi curioso. Mas o cheiro que vinha do quarto era insuportável. A porta entreaberta o chamava. Hesitante, entrou. O que viu congelou seu corpo: cadáveres de crianças, em caixões alinhados, cobertos por um tapete vermelho de sangue seco. O horror subiu-lhe à garganta. – O que é isso? Quem faria tal coisa?
Correu para fora da casa, tentando respirar. A mente confusa, o coração em guerra. – Esse homem… tão carinhoso comigo… teria feito isso? – Mas ele me salvou, me acolheu, me deu um lar! Isso não pode ser sobre mim… talvez…, talvez, essas crianças tenham feito algo errado… Eu não! Eu sou diferente! Eu mereço essa vida!
A luxúria do conforto cegava Karma. Preferiu ignorar a verdade. Pôs seu melhor sorriso e voltou à casa. Nada mudou. Mas ele sabia: algo dentro dele havia se partido.
– Você é uma criança admirável – disse Zaqueu, sorrindo. – Uma das mais perfeitas.
E antes que Karma entendesse o que aquilo significava, antes que pudesse responder ou fugir, foi morto. Sem piedade. Zaqueu nunca foi bondoso. Nunca foi pai. Apenas mais um homem tomado por ganância, ódio e escuridão.
E Karma… Karma esqueceu o seu nome. Esqueceu que o verdadeiro karma – o certo e perfeito – não é o prêmio pelo sofrimento, mas a consequência das escolhas.
Edna Eliza Diyabanza: Conto ‘A grandeza da lealdade’
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Há muitos anos, andava pelas ruas um velho chamado Mateus, homem solitário de passado sofrido. Abandonado ainda criança, foi acolhido por Bento, um homem bondoso e milionário que o criou com amor e dignidade. Com o tempo, Bento adoeceu gravemente. Antes de ir para uma cirurgia delicada, reuniu forças para deixar um último pedido:
— Sinto que minha hora chegou. Promete-me que continuarás sendo fiel aos valores que te ensinei. Faça o bem a quem precisa. Ajude aos que sofrem e ensine-os a fazer o mesmo. Assim, o mundo poderá ser um lugar melhor.
Mateus, com os olhos marejados, prometeu cumprir esse desejo. Após a cirurgia, Bento não resistiu. Abalado, Mateus decidiu honrar sua memória: organizou a cerimônia fúnebre e iniciou sua missão de ajudar aos necessitados.
Em uma de suas caminhadas, encontrou um jovem chorando na rua. Chamava-se Douglas. Contou-lhe que perdera os pais recentemente e vivia sem rumo, sem casa, nem comida. Comovido, Mateus levou-o para casa, ofereceu abrigo, alimento e consolo, acreditando que aquele jovem seria digno de continuar o legado de Bento.
Dias depois, uma mulher apareceu dizendo ser mãe de Douglas. Revelou que o rapaz mentia para enganar pessoas e roubar. Mateus, confuso, confrontou Douglas, que admitiu: mentiu sobre os pais, pois fugira da própria mãe por maus-tratos. Chorando, pediu perdão. O velho, tocado, respondeu:
— Se estiveres dizendo a verdade, estás perdoado. Mas, se for mentira, arrependerás.
Com o tempo, dúvidas surgiram no coração do velho. Decidiu aplicar um teste: deixou dinheiro e especiarias num quarto e proibiu Douglas de entrar. Fingiu sair, mas ficou observando. O jovem, tomado pela tentação, entrou e roubou.
Quando se virou, deu de cara com Mateus, sentado. Apavorado, perdeu o controle. Entre lágrimas e medo, só conseguia pedir desculpas. O velho, triste, disse:
— Era apenas um teste. Precisava saber se podia confiar em ti. Não se pode deixar uma fortuna a alguém sem lealdade.
Miguelito era um menino sem pai, sem mãe, e sem ninguém. O resto da família evaporara-se no tempo como poeira esquecida. Vivia no Benfica, em Luanda, numa casa improvisada de madeira, chapa e pedra — um abrigo que ele mesmo erguera com restos do mundo. Apesar da miséria, havia nele uma luz rara: era risonho, inteligente, engraçado, e nutria uma fé em Nzambi que nem o abandono conseguiu apagar.
Todos os dias saía à rua, batendo de porta em porta, remexendo lixos, bebendo o que encontrava. Num desses dias, tropeçou numa senhora e os pertences dela rolaram pelo chão. Tentou ajudar, mas foi logo chamado de ladrão. Desesperado, correu até sua casa, onde medo e lágrimas o apertaram sem pedir licença. Caiu de joelhos e orou:
— Nzambi, tu que não existes para mim, leva-me ao inferno celeste. Talvez lá encontre descanso. Serei eu um erro?
Sem resposta, adormeceu em pranto. Naquela cidade de desordem, bastava um “agarra o gatuno” para transformar uma criança em defunto. Mas ele escapou. No sono, sonhou com a mãe. Ela lhe disse que o amava, que Deus nunca o deixaria, e que o erro não era ele, mas o mundo que o pariu. Ao acordar, Miguelito sorriu como quem acabara de vencer a Copa do Mundo — era a primeira vez, em anos, que sonhava com a mãe.
Lavou o rosto e saiu. Encontrou o Sr. Zua, homem de bom coração, distribuindo comida a crianças. Aproximou-se, mas um menino roubou sua sacola e fugiu. Quis correr atrás, mas Zua o impediu:
— Deixa, meu filho. Nzambi tem o melhor pra ti. Toma outra sacola e volta sempre. Estou aqui às segundas e quartas.
A partir daí, Miguelito passou a voltar. Com o tempo, ganhou coragem e desabafou. Falou de sua vida, do sonho com a mãe, da fé em Nzambi, e dos anos de estudo que não lhe serviram de nada. Zua ouviu, emocionado:
— Entendo-te, meu filho. Mas não basta crer, é preciso lutar. Este país já deu o que tinha. Agora é correr atrás dos teus sonhos. Limpa essas lágrimas e diz: como posso te ajudar?
Miguelito calou-se. Então Zua, sentindo a solidão apertar, perguntou:
— Queres viver comigo? Como pai e filho?
— Quero, sim! — respondeu Miguelito, os olhos brilhando. — Mas por que eu?
— Porque te observo faz tempo. És especial. Sempre quis um filho como tu.
E assim foi. Com o tempo, Miguelito foi legalmente adotado. Num amanhecer, encostado à janela do quarto, contemplava a paisagem, e entendeu. Nzambi o ouvira: respondeu-lhe no sonho, confirmou-lhe no gesto de Zua. Ele percebeu que não era só questão de fé, mas de coragem. Que ser mendigo é condição, não destino. Que humildade, amor, empatia e fé formam a estrada do milagre.
Chorando, murmurou para si, enfim em paz: — Nunca fui um erro. Eu sou, e sempre fui, um acerto de Deus.
Esse ‘Dino’ dormia muito Dorminhoco como ele só Dormia o dia todo E logo em seguida Seus instintos comunicavam Que foi muito pouco
Dorminhoco Não acordava por nada Nem se houvesse um despertador gigante Dormia e descansava demais Em baixo das cobertas De areias Mas como dormia esse mocinho
Dormia mais do que bicho–preguiça Dormia mais que um dromedário Dormia à tardinha Dormia durante toda a noitinha
Dormia e continua dormindo esse ‘Dininho’ Dorme, dorme Só vivia e vive dormindo De noite e de dia E não percebeu como a vida é linda
Kauelen Vitória Aparecida Rosa
Poema desenvolvido pela discente Kauelen Vitória Aparecida Rosa, do 1º Ano do Ensino Médio – Turma A, da E. E. ‘Professor Mário Florence’, da cidade de Novo Horizonte (SP), durante as aulas de História, ministrada pelo Professor Clayton Alexandre Zocarato, em auxílio ao Projeto Poético de temas transversais ao Currículo Paulista, empreendido pelos Professores Luis Carlos Souza (Luis De Paula) e Valéria Do Vale Kuryoz, da Sala de Leitura ‘Maria Gilda Florence De Biasi’, valorizando a leitura e a escrita dos estudantes durante o ano letivo de 2025.
Talles Luan Viana Miranda: Poemas ‘Desejo a você’ e ‘A vida’
Logo Jovens TalentosDesejo a você paz em momentos de guerra Criador de imagens do Bing
Desejo a você
Eu desejo a você amor,
Amor em tempos de ódio,
Amor que na terra não há.
Desejo a você alegria,
Alegria em momentos de tristeza,
Paz em momentos de guerra.
E a tristeza? Essa passeia pela terra
À procura de moradia,
Quando ela encontra alma vazia,
Faz dessa o seu lar.
Desejo a você felicidade
Não a ausência de sofrimento,
Mas a fé nos bons momentos
Que hão de vir!
A Vida
Acho que a vida é uma viola;
Viola que ponteia e chora
E por mais que ela produza belos sons
ela continua sendo nem um pouco eclética;
Totalmente melancólica…
Ainda acho que a vida é dor e sofrimento
até por que não me lembro de ter sofrido antes de nascer;
E tenho a impressão de que não sofrerei depois de morrer.
Sobre o autor
Talles Luan V. Miranda
Talles Luan Viana Miranda é natural de Maristela de Minas, município Curral de Dentro/MG, nascido no dia 26/06/2006, atualmente com 17 anos de idade e estuda no 2º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Fernão Dias Paes Leme na cidade de Itacambira/MG. Seus poemas mostram nas entrelinhas que a vida sem Cristo não há sentido. De acordo com as suas palavras “Leio pouco porque escolho muito, não é qualquer livro que me agrada, nada superficial me chama atenção, e acho que sou quem sou após ler a Bíblia, não falo isso como um “fiel” mas como pessoa, já li vários outros livros antes de lê-la mas nenhum teve o poder de me transformar. E assim como Jesus mudou o mundo com o Antes de Cristo e Depois de Cristo, ele mudou a minha vida”.
Logo Jovens TalentosFoto pela profa. Patrícia Alves Batista, destacando o poema de Stêvan Viana Rodrigues
Uma professora sempre enche O meu coração de amor; Fazemos muitas brincadeiras E também atividades legais, Provas e recortes de jornais.
Recortes de aviões e de barcos, E também apresentações no auditório, E os momentos de leituras. Chega o recreio e todo mundo vai brincar, Enquanto a professora vai descansar.
Na hora de ir embora Levo a professora no meu coração, Espero o outro dia para voltar à escola E começar uma nova diversão.
Poema em homenagem à professora Patrícia Alves Batista
SOBRE O AUTOR
Stêvan Viana Rodrigues
Stêvan Viana Rodrigues é natural de Taiobeiras/MG, nascido no dia 21/02/2017, atualmente conta com 6 anos de idade e estuda o 1º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal ‘João da Cruz Santos.’
Filho de Jean Gonçalves Viana e Maria Érica Rodrigues Silva Gonçalves.
Revela seus sonhos e sentimentos com espontaneidade através de escritos ou composições musicais que se encaixam em seus acordes favoritos no violão.