Julgamento

Loide Afonso: Poema ‘Julgamento’

Loid Portugal
Loid Portugal
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Julgar sem conhecer
Às vezes
É bom

Julguei seu tom
De voz
Na primeira vez
Que te ouvi

Foi como um fogo
Que acendeu
Minha alma
Que estava cansada
Apagada

Fez minha medula tremer
Como que
Com sua língua
Me lambias
Eu sabia

Sabia que sim
És tudo que eu queria

Mesmo sem conhecer outras
Partes tuas
Eu já
Te queria

E afirmo mais uma vez: que bom que julguei.

Loid Portugal




Vamos nos amar

Osvaldo Manuel Alberto: ‘Vamos nos amar’

Osvaldo Manuel Alberto
Osvaldo Manuel Alberto
Imagem criada por IA do Grok
Imagem criada por IA do Grok

Vamos nos amar.
Vamos nos amar para que a vergonha tenha vergonha de nos envergonhar

Vamos nos amar para que as lutas sejam colectivas e tornem-se mais fáceis de vencer.

Vamos nos amar para que a soberba diminua e a petulância se esvazie, para compreender que tudo é vaidade.

Vamos nos amar para que não precisemos de justificar nada, para que a empatia e a solidariedade não sejam objectos das redes sociais motivados por likes, que sejam naturais e refrescantes como a brisa do mar no entardecer.

Vamos nos amar. Vamos nos amar para que a ciência se torne comum ao senso de todos os meros mortais, para que a pedra não pese sobre nós em forma de julgamento.

Vamos nos amar para que na presença ou na ausência os corações continuem verdejantes como a floricultura bem tratada.

Vamos nos amar para sentir menos dor, para ter paz, diluir qualquer peso que possa abalar a estrutura de uma consciência.

Vamos nos amar para que nem a dor, nem a doença e nem a morte possa importunar a criação dos nossos filhos. Mesmo quando o cerne é o corpo, em nada adianta proteger a carne quando o coração está em pedaços.

Vamos nos amar. Vamos nos amar para juntos ultrapassarmos as intempéries calamitosas deste sistema, para juntos combatermos as armadilhas do passarinheiro. Para que a amizade perdure no tempo nessa caminhada efémera.

Vamos nos amar para evitar o empobrecimento da alma e o embrutecer do coração.

Vamos nos amar. Vamos nos amar para não nos procurarmos quando já não é possível nos preocuparmos. Para evitar que morramos em vida. Para que a morte não signifique o fim, mas, tão somente, a etapa necessária que todos os seres viventes passarão.

Vamos nos amar. Vamos nos amar para que ainda que um de nós parta, parta seguro de que ficará a saudade, as lembranças positivas e que nenhum peso abale a estrutura de uma consciência costurada pelo amor.

Vamos nos amar para demostrar segurança, não porque é desejo dos outros, mas porque o comando interno assim está programado.

Vamos nos amar para dar de beber quem tem sede, para criar uma barreira intransponível e ouvir os gritos do silêncio!

Osvaldo Manuel Alberto

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