A língua em frenesi

Pietro Costa: Poema ‘A língua em frenesi’

Pietro Costa
Pietro Costa
Card referente ao concurso da Capolat, no qual Pietro Costa participou sob o pseudônimo Chardonnay
Card referente ao concurso da Capolat, no qual Pietro Costa participou sob o pseudônimo Chardonnay

Em devoção, beijo a flor do Lácio
como quem profana um templo.
Com as sílabas, traço um laço devasso,
roçando o sentido nos lábios do tempo.

Quero degustar o idioma
até que ele gema em metáfora,
e o prazer, em pleno sintoma,
seja vírgula suspensa,
entre o fôlego e a ânfora.

Sou amante reincidente da palavra,
incurável de semântica e pulsão,
perfil que em vogais se escancara
e em consoantes morde o coração.

Quero atravessar a língua
com Cecília, leve e abissal,
perder-me no labirinto de Clarice,
onde o pensamento sangra o essencial,
e arder com Hilda, no clímax
da volúpia mística e visceral.

Mas também ouvir Adélia
rezando o chão com carne e fé,
sentar-me à mesa de Carolina
onde a fome é o que a língua é,
e aprender com Conceição
que a memória escreve o que a vida quer.

Quero a língua viva, indócil,
na dor e na delícia de ser inteira:
feliz não por promessa fácil,
mas por combustão, fogueira,
até que o último suspiro
seja o poema
em sua forma derradeira.

Pietro Costa

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Labirinto

José Antonio Torres: Poema ‘Labirinto’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por IA do Bing – 04 de janeiro de 2025
às 07:27 PM

É angustiante trilhar caminhos,
Onde não vemos o nosso objetivo definido…
Ficamos rodando, interminavelmente, no mesmo lugar.
Caminhamos longas jornadas,
Mas, irremediavelmente, retornamos aos lugares por onde já passamos.
Angústia…
Frustração…
Não vemos progresso em nosso caminhar.
Nossa vida encontra-se em um verdadeiro labirinto.
A saída, onde está?
Ouço uma voz interior que me alerta e orienta.
Depois de tantas expectativas quebradas,
Vislumbro uma meta.
Imbuído de determinação e coragem,
Sigo essa voz interior.
Com o tempo, aprendi a dar-lhe atenção.
O que era escuridão nesse labirinto sufocante vivido até então,
Começa a ter um leve bruxulear de claridade.
A medida que avanço,
Percebo que tomei um rumo diferente dos anteriores…
A claridade vai aumentando, e passo a vislumbrar a saída.
Meu espírito se regozija e se vê livre
Do labirinto atordoante que me oprimia.
Novas experiências e novas realizações me aguardam.
Mais do que encontrar a saída do labirinto,
Acabei encontrando a mim mesmo.

José Antonio Torres

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Labirinto

Virgínia Assunção: Poema ‘Labirinto’

Virgínia Assunção
Virgínia Assunção
Criador de imagens no Bing - Da plataforma DAll E-3
Criador de imagens no Bing – Da plataforma DAll E-3

Entre as etapas do meu drama
Você habitou muito tempo meu coração,
Parecia tecido forte nossa trama,
Mas era pintura colorida
De ilusão.

Em que mundo você vive?
Diga: onde é que você mora?
Andando sempre nesse declive,
Do lado de dentro do labirinto,
Ou fora?

Achei que tudo deu certo nessa ilha
Enganada com lembranças de outrora,
Afundou-se a cada passo, nossa trilha.
Lamentavelmente, é chegada a hora
De ir embora.

Virgínia Assunção

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Saudade do eco

Nilton da Rocha: Poema ‘Saudade do eco’

Nilton da Rocha
Nilton da Rocha
Imagem criada pela IA do Bing
Imagem criada pela IA do Bing

Saudade, eco dos dias que se foram Lembranças,
Fragmentos, em minha mente se entornam.

Meu coração, confuso, busca por ti, perdido,
Num labirinto de memórias, num passado já esquecido.

Procuro teu olhar na névoa da saudade,
Nostalgia que me envolve, tua ausência, uma verdade.

Sinto tua presença, mesmo sem te ver,
Teus olhos, teus desejos, onde estarão a esconder.

Será que se lembras de nós, de nossas loucuras?
Conto as horas, os dias, na espera, sem pressa.

Será que teus pensamentos ainda me encontram?
Atrevo-me a desejar-te, em cada momento que demandam.

Onde estás neste mundo vasto, na vida ou além?
Aguardando teu retorno, me vejo sem ninguém.

Minha alma chora, sem teu toque, sem teu abraço,
Teu perfume ainda dança suave, num espaço.

Nilton da Rocha

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