Recital Poético ‘Lauro Moreira – Canto ao Homem do Povo: Carlos Drummond de Andrade’ emociona Uberaba
Magna Aspásia FontenelleEmbaixador Lauro Moreira e poetisa Magna Aspásia Fontenelle
Uberaba-MG, 23 de setembro de 2025 – O Centro Cultural Cecília Palmério (CCCP) recebeu uma noite inesquecível de poesia, arte e reflexão durante o recital ‘Lauro Moreira – Canto ao Homem do Povo: Carlos Drummond de Andrade’, organizado pela ALB/Uberaba e pela AAP/Brasil-Albânia. O evento reuniu estudantes, acadêmicos, autoridades literárias, familiares e convidados.
O Poder da Poesia
Embaixador Lauro Moreira
O recital homenageou o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade (1902–1987) pelo aniversário de 122 anos de seu nascimento, cuja obra atravessa gerações e reflete sobre a vida do povo, a solidariedade e os desafios humanos.
A condução do recital esteve a cargo do Embaixador Lauro Moreira, renomado diplomata e intelectual, cuja trajetória alia a experiência diplomática a uma profunda ligação com a literatura e as artes. Moreira interpretou os versos de Drummond com emoção e expressividade, envolvendo o público no poder transformador da poesia, ao recitar 46 poemas, incluindo trechos do emblemático ‘Canto ao Homem do Povo’ transcritos abaixo.
“Canto ao homem do povo, Ao trabalhador da terra e da cidade, Que ergue com as mãos, com a coragem, O mundo que nos sustenta e nos sonha…”
Sua interpretação revelou a força da poesia como voz do povo, capaz de unir gerações e inspirar reflexão sobre justiça e humanidade.
Acadêmico Cel. Emanuel da Paixão Kappel – vice-presidente da ALB/ Uberaba, Embaixador Lauro Moreira e Magna Aspásia Fontenelle, presidente da ALB/Uberabae da Akademia Alternativa Pegasiane Brasil-Albânia
Cinema e Interdisciplinaridade
O recital destacou a interdisciplinaridade entre literatura, poesia e cinema, trazendo referências a filmes de Charlie Chaplin, especialmente O Grande Ditador. Trechos do célebre discurso da paz foram lembrados:
“Não odeiem, não odeiem! A guerra acabou! A tirania acabou! Os homens são melhores do que isso! Nós queremos dar ao mundo toda a riqueza da bondade humana…”
Essa integração reforçou a mensagem de Drummond, mostrando que diferentes linguagens artísticas convergem na promoção de valores universais: paz, liberdade e empatia.
Participação dos Estudantes
Estudantes das escolas estaduais Minas Gerais e Frei Leopoldo de Castelnuovo assistiram atentamente ao recital, absorvendo cada verso e cada mensagem de esperança, fortalecendo o vínculo entre educação, literatura e cidadania.
Agradecimentos
A organização agradeceu especialmente à Sra. ThaisCólus, diretora do CCCP, pelo acolhimento e pelo espaço disponibilizado, permitindo a realização de um recital memorável. Familiares, acadêmicos, autoridades literárias, estudantes e convidados testemunharam uma experiência que uniu poesia, literatura e cinema, mostrando que a arte educa, sensibiliza e inspira.
Agradecemos a Akademia Alternative Pegasiane Albânia, na pessoa do fundador prof. Dr. Kristaq F.Shabani o apoio.
Impacto Cultural
O recital ‘Lauro Moreira – Canto ao Homem do Povo: Carlos Drummond de Andrade’ consolidou-se como um marco cultural, reafirmando o compromisso da ALB/Uberaba e da AAP/Brasil-Albânia com a valorização da literatura, da arte e da cultura, demonstrando que poesia e cinema têm o poder de unir pessoas, atravessar gerações e promover reflexão sobre os caminhos da humanidade.
Magna Aspásia Fontenelle: Crítica literária ‘Quincasblog, meus encontros’
Magna Aspásia Fontenelle
Quincasblog é um blog que foi transformado em livro, denominado ‘Quincasblog, meus encontros‘, escrito pelo Embaixador Dr. Lauro Moreira, com 416 páginas, publicado pela editora Art Point em 2019, cujo título faz menção ao escritor brasileiro Machado de Assis.
Capa do livro ‘Quincasblog’
A compilação é constituída por registros de suas vivências e trajetórias profissionais, que foram documentados em seu Blog desde 2012. O conteúdo é caracterizado por uma abordagem narrativa poética, metafórica e histórica.
A literatura, por meio de sua abordagem poética, sem considerar as variações dialetais, sotaques, nacionalidades, constitui-se um elo essencial para a união dos povos através das Letras. Promover o idioma de um país e divulgá-lo, insere-se na formação humana permitindo seu pleno crescimento pessoal, laboral, cultural e social.
O criador trabalha com imagens, sons, dialetos, culturas, valores, religiosidade, políticas e ideologias em um espaço temporal semiótico através de concepções que sempre correspondem a uma verdade singular e acerta quando segue sua intuição genial e a deixa aflorar por meios de seus escritos.
Ao longo de sua história, o escritor se relacionou com figuras importantes da literatura brasileira, como Clarice Lispector e Manuel Bandeira, que foram seus padrinhos de casamento com a poetisa Marly de Oliveira, mãe de suas duas filhas, assim como, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Aurélio Buarque de Holanda, Antônio Houaiss, Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto, dentre outros.
Dr. Lauro Moreira
[…] Eu tive o privilégio., embora não sendo poeta mas gostando tanto de Poesia, de viver sempre muito próximo dela e de vários de seus cultores e criadores, alguns de altíssima linhagem como Cecília Meireles[…]. (p.57,parágrafo 3º,linha 1-4.)
[…]Conviver com homens é mais terrível do que com deuses. E ninguém conhece epopeia mais dolorosa que a de moldar dia a dia, clara e verdadeira, a fugitiva condição humana.
Na sua emocionada e emocionante Elegia obre a morte de Ghandi repetia as palavras desoladas ouvidas do próprio
Mahatma, ”Les hommes sont des brutes, madame”…] (p.62,parágrafo 2º,linha 1-9.).
‘[…]Les hommes sont des brutes, madame”[…]
O vento leva a tua vida toda, e a melhor parte da minha.
Sem bandeira.
Sem uniformes.
Só alma, no meio de um mundo desmoronado.
Estão prosternadas as mulheres da Índia,
Como trouxas de soluços.
Tua fogueira está ardendo.
O Ganges te levará para longe,
Punhado de cinzas que as águas beijarão intimamente,
Que o sol levantará das águas até as infinitas mãos de Deus.[..]
Nessa nuance, o timoneiro Lauro fundou o grupo musical ‘Solo Brasil‘, promovendo a música brasileira no Brasil e exterior, como explicado em sua narração.
[…] Ao longo das apresentações de mais de cinquenta canções consagradas ,distribuídas em blocos cronológicos contextualizados por breves comentários de um narrador, o espetáculo traça um rico panorama da música popular brasileira, de Chiquinha Gonzaga a nossos dias do chorinho ao samba, do frevo à bossa-nova, além de oferecer uma visão da música típica de várias regiões geográficas do país[…] (p.196, paragrafo 1, línea 6-17).
Lauro faz alusão a Machado de Assis: […] Tive que preparar uma comunicação obre uma obra de meu patrono. Escolhi “Dom Casmurro”. Foi um choque para mim: senti-me diante de algo completamente novo. E apaixonei-me por Machado de Assis. Por seu estilo enxuto, avesso aos arroubos sintomáticos da escola romântica, por suas entrelinhas, seu humor fino, e até por seu desencanto filosófico, tão desconcertante para um jovem de quinze anos[…](p. 22,parágrafo 1,línea 5-9).
Machado de Assis,(1839-1908) é um dos maiores representantes da literatura brasileira. Instalou o Realismo, iniciando com a obra ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, publicada em 1881. Machado deixou um conjunto vasto de obras. Foi contista, cronista, jornalista, poeta e teatrólogo, além do que é o fundador da cadeira n.º 23 da Academia Brasileira de Letras.
Lauro, nos conta:
[…] Um dia, após quase dois meses de espera fora chamado ao Gabinete do Senhor Ministro, fora recebido pelo Diretor IRB, que lhe informou, que mesmo o Senhor Ministro gostando do texto, Parecia ser muito profundo e portanto, não apropriado para uma cerimonia de amenidades como deve ser uma formatura. Aliás, se o senhor quiser poderá apresentá-lo como conferência aos alunos do Rio Branco[…].(p. 265, parágrafo 2, linea 23-26).
Naquele momento a censura tolhia a voz dos estudantes…
O Diretor dissera a Lauro que era natural sua preocupação, mas, que ninguém queria saber disso. Lauro rebateu e disse-lhe: ”não sei fazer discurso de amenidades…”
Lauro reuniu a turma e informa o acontecido, leu o discurso, pede um parecer, e informar sobre sua desistência da função de representante da turma, ninguém aceitou tal fato. Com isso formaram uma comissão e solicitaram uma audiência com o Senhor Ministro para esclarecimentos.
A reunião fora longa, após argumentos, fora dito que não precisaria falar de amenidade, mas sim, que fosse modificado alguns pontos no texto, pois ao proferir o discurso, corria-se o risco de Jornal Correio da Manhã publicar: […] Jovem diplomata dá aulas ao Presidente da República mostrando que democracia social é o caminho para o Brasil[…](p.267,paragrafo 1º, línea,28-30).
O texto fora atenuado com algumas palavras sinonimizadas sem alterar seu teor e entregue ao Gabinete do Ministro, o qual nunca deu resposta, nem tão pouco agendou a data da cerimonia de formatura da turma. Com esse relato, Lauro ao meu ver, nunca se furtou de suas ideias, seu patriotismo, e também nunca falou de amenidade no seu labor, tanto que por onde passou, mesmo nas metáforas, elevou o nome do Brasil mundo afora, divulgando a diversidade cultural, literatura, arte e música brasileira.
Apaixonado pela literatura, Lauro, na sua criatividade, cria o recital, […[“Três epopeias brasileiras[…]’(p. 295), que consiste num recital, onde ele reúne poemas de três escritores de maior grandeza brasileira, y Juca Pirama, de Gonçalves Dias, O Navio Negreiro de Castro Alves, e Caçador de Esmeraldas de Olavo Bilac.
Os três poemas épicos fazem alusão à formação histórica e cultural do Brasil, ou seja, a forte presença do índio nativo, a conquista e alargamento do território pelos bandeirantes, finalmente, a imensa e sofrida contribuição do negro africano escravizado. Da fusão étnica e cultural dessas três raças básicas nasce o Brasil[…] (p. 295, parágrafo 1-2, línea 1-12).
Um outro Embaixador, dessa vez das Gerais, autor da grande obra brasileira Sagarana, (1946), Guimarães Rosa, tornam-se amigo e colegas no Instituto Rio Branco, amizade pra toda vida.
Rosa, escritor que canta em suas obras o sertão; […[ Portanto, torno a repetir: não do ponto de vista filológico e sim do metafísico, no sertão fala-se a língua de Goethe, Dostoiévski e Flauber, porque o sertão é o terreno da eternidade, da solidão,[…]. (p. 347,parágrafo 3º, línea12-17).
Nesse misto de saudades, um outro sertanejo maranhense Gonçalves Dias, considerado o pai do romantismo brasileiro, em seu poema escrito no exílio, denominado “Canção do Exílio”,(publicado em 1857 no livro, Primeiros Cantos), canta em versos seu amor, e a saudade de sua terra natal;
Transcrevo o estribilho:
“Minha terra, tem palmeiras,
Onde cantam as sábias,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá,
Não permitas Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá,
Sem que aviste as palmeiras onde cantam as sábias…”
Além das narrativas aqui mencionadas, Lauro aborda em sua obra fatos como: futebol, morte, imortalidade acadêmica, lusofonia, filosofia, CPLC, figura representativa de sua terra natal Goiás, países onde atuou como Embaixador, andanças literárias, dentre outros.
Desse modo, por meio de suas evocações multicoloridas, podemos conhecer uma parte de sua trajetória através da obra ‘Quincasblog, meus encontros’, que perpassa pelo pretérito, estendendo-se no presente e avançando ao futuro numa abordagem histórica singular exercendo influência direta sobre o leitor, levando-o ao prazer estético que provoca uma reflexão acerca das várias fases da vida do autor, num reviver metafórico no contexto social, politico e cultural no qual o escritor encontra-se inserido no mundo contemporâneo.