Diário de um Bobo

Entre risos e verdades, Koringa transforma o cotidiano em arte e reflexão

Diário de um Bobo. Entre risos e reflexões Crônicas do cotidiano
Diário de um bobo

Radialista, artista e eterno bobo da corte, Hilton Rufino reúne em livro um olhar bem-humorado e sensível sobre o dia a dia.

Há quem transforme histórias da vida em espetáculo.

Hilton Luiz Rufino, conhecido pelo público como Koringa, o Bobo da Corte, é desses artistas que fazem do riso uma ponte… e do humor, uma forma de dizer verdades.

Hilton Ruffino , o Koringa
Hilton Ruffino, o Koringa

Com uma trajetória que atravessa décadas, Hilton Rufino construiu sua carreira levando alegria por onde passa.

Radialista formado em Comunicação Social, palhaço, mágico e animador de palco, ele atua desde 1989 encantando públicos de todas as idades com apresentações que misturam música, brincadeira, interação e, claro, muito humor.

Radicado em Indaiatuba desde 1997, Koringa se tornou uma figura conhecida e querida na cidade e região, participando de eventos, projetos culturais e ações sociais que marcaram gerações.

De festas infantis a eventos corporativos, de programas de rádio e televisão a festivais internacionais, como sua participação em Cuba, em 2023, sua arte sempre esteve presente, levando leveza e conexão.

Mas, para além dos palcos, existe também o olhar observador.

A ideia do livro nasce justamente desse outro espaço: das palavras.

A partir de colunas semanais escritas para jornais da região, Hilton reuniu textos que, juntos, formam uma obra que reflete o cotidiano com humor e sensibilidade.

Inspirado na figura medieval do bobo da corte, aquele que, por meio da leveza, conseguia dizer verdades desafiadoras, o autor constrói uma narrativa que diverte, mas também faz pensar.

É um humor que não é vazio.

É um humor que observa, traduz e, muitas vezes, revela.

Com linguagem acessível e um olhar atento aos detalhes do dia a dia, o livro se torna um convite para enxergar a vida por outra perspectiva mais leve, mais humana e, quem sabe, até mais verdadeira.

Entre risadas e reflexões, Koringa nos lembra de algo essencial: Às vezes, é no riso que encontramos as verdades mais profundas.

E talvez seja justamente essa a maior arte, transformar o cotidiano em algo que toca, diverte… e permanece.

REDES SOCIAIS DO AUTOR

DIÁRIO DE UM BOBO

SINOPSE

Mais do que um registro de época, a obra é um mosaico de instantes vividos entre 2019 e 2021, onde humor e crítica caminham juntos, revelando que, às vezes, rir é a forma mais lúcida de compreender a realidade.

Um livro leve, humano e provocador, que mostra que o bom humor pode ser também uma forma de sabedoria.

OBRA DO AUTOR

Diário de um bobo. Entre risos e reflexões Cronicas do cotiadiano
Diário de um bobo

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Porque fábulas acalmam

O poder das fábulas no cuidado emocional das crianças

Porque fábulas acalmam
Porque fábulas acalmam

Obra une ciência, afeto e imaginação para ajudar crianças a compreenderem e regularem suas emoções desde cedo.

Em um mundo cada vez mais acelerado, em que até as emoções parecem precisar de respostas rápidas, surge um convite delicado e necessário: o de desacelerar e escutar.

Escutar o que a criança sente, o que ela ainda não consegue dizer, mas que, muitas vezes, revela por meio da imaginação.

É nesse espaço sensível entre o sentir e o compreender que nasce o trabalho de Sonia Ribeiro Gonçalves e Alex Ferreira, autores que transformaram a prática clínica em um caminho de cuidado acessível e profundamente humano.

Sônia Ribeiro Gonçalvez e Alex Ferreira
Sonia R. Gonçalvez e Alex Ferreira

Sonia, psicóloga, mestre em Neuropsicologia e especialista em Neurodesenvolvimento, construiu sua trajetória ouvindo com atenção o universo emocional das crianças, respeitando seus tempos, acolhendo seus silêncios e compreendendo que nem tudo pode ser traduzido em palavras.

Já Alex Ferreira, psicólogo, neuropsicólogo e gerontólogo, traz em sua experiência um olhar ampliado sobre o cuidado emocional ao longo da vida, construindo pontes entre gerações e reforçando que o afeto e a escuta são essenciais em qualquer fase.

A ideia do livro “Porque fábulas acalmam” nasce justamente desse encontro entre prática, sensibilidade e ciência.

Baseada na Teoria Polivagal e nos estudos da neurociência, a obra propõe uma abordagem inovadora e, ao mesmo tempo, profundamente simples: utilizar histórias e fábulas como instrumentos de regulação emocional.

Mais do que entreter, as narrativas de “Porque fábulas acalmam” tornam-se ferramentas terapêuticas, capazes de acessar o sistema emocional da criança de forma leve, simbólica e segura.

Em vez de impor controle, o livro sugere acolhimento.

Em vez de corrigir, propõe conexão.

Destinado a psicólogos, educadores e pais, o conteúdo oferece caminhos práticos para ajudar crianças a compreenderem suas emoções desde cedo, fortalecendo, assim, sua qualidade de vida emocional no futuro.

No fim, a mensagem é simples, mas poderosa: Cuidar das emoções na infância é um gesto de amor que ecoa por toda a vida.

E talvez, entre tantas técnicas e teorias, a resposta esteja em algo que sempre esteve ao nosso alcance, uma boa história, contada com presença, afeto e escuta.

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PORQUE AS FABULAS ACALMAM

SINOPSE

Você sabia que ouvir histórias pode ser mais poderoso do que qualquer técnica de disciplina?

Que uma fábula bem contada pode ser a chave para acalmar uma criança agitada, ansiosa ou insegura?

Este livro é um convite encantador para pais, educadores e terapeutas mergulharem na mágica conexão entre contos de fadas, teoria polivagal e autorregulação emocional.

Unindo neurociência, ludicidade e poesia, os autores revelam como narrativas simbólicas tocam o sistema nervoso da criança, ativando o “Guardião da Calma”, uma metáfora poderosa que ensina os pequenos a lidarem com emoções de forma leve e segura.

Com linguagem acessível, orientações práticas e meditações guiadas , Por que Fábulas Acalmam? transforma ciência em aconchego, teoria em afeto, e comportamento em conexão.

Como seria se, em vez de controlar, você pudesse acalmar com histórias?

Descubra o poder terapêutico das fábulas e ofereça às crianças um presente que elas levarão para a vida toda: a capacidade de se autorregular com amor, segurança e imaginação.

Assista a resenha do canal @oqueli no YouTube

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Um último suspiro na Golden Gate Bridge

COLUNA  PSICANÁLISE E COTIDIANO

Bruna Rosalem: ‘Um último suspiro na Golden Gate Bridge’

Bruna Rosalem
Bruna Rosalem
Golden Gate Bridge - Imagem de domínio público
Golden Gate Bridge – Imagem de Domínio Público (www.publicdomainpictures.net)

Socorro, alguma alma, mesmo que penada.
Me empreste suas penas.
Já não sinto amor nem dor,
Já não sinto nada.

Socorro, alguém que me dê um coração, 
Que esse já não bate nem apanha.
Por favor, uma emoção pequena, 
Qualquer coisa.

Composição de Alice Ruiz, cantada por Arnaldo Antunes – Socorro/1998, Álbum ‘Um som’

Por indicação de um cinéfilo que admiro muito, resolvi assistir ao documentário americano A Ponte’ (The Bridge). É uma produção de 2006 dirigida por Eric Steel que retrata ao longo do ano de 2004, filmagens posicionadas em dois pontos ocultos diferentes da ponte Golden Gate em São Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos, de pessoas das mais diversas idades, gêneros, etnias, culturas, classes sociais, que decidiram tirar suas vidas naquele lugar, mais do que em qualquer outro lugar do mundo. São dados realmente alarmantes: naquele ano, mais de 24 suicídios puderam ser registrados.

Além das terríveis e desoladoras cenas das pessoas se jogando da ponte, a equipe de produção gravou várias entrevistas com amigos, familiares e testemunhas tentando dar alguma explicação sobre as possíveis motivações que levaram seus entes queridos a desistir da vida. São histórias que perpassam por depressão, abuso de substâncias e transtornos mentais. 

A fala das pessoas próximas aos que cometeram suicídio parece expressar um grande e avassalador ponto de interrogação, pois jamais se saberá ao certo que fator ou fatores determinantes fizeram aqueles sujeitos não conseguirem vislumbrar nenhum tipo de saída para seus tormentos que não fosse a morte. Ainda mais triste é carregar sentimentos de culpa, remorso, impotência diante do que parecia ser inevitável. Os testemunhos que acompanhamos no documentário doem tanto quanto assistir ao momento do salto fatal. É angustiante pensar na vida dos familiares e amigos que muito pouco ou nada puderam fazer para impedir um fim tão trágico. Não importa quantos anos se passem, a pergunta sempre ecoa: Por que ele (a) não era feliz? Outras questões também surgem: O que fizemos para ele (a)? Onde erramos? Por que não vimos sinais? Por que não o (a) salvamos? São indagações que permanecem sem respostas.

Na época, o documentário provocou muita ira e indignação entre o público em geral, pois o diretor Eric Steel foi acusado de sensacionalismo por expor de forma tão crua um tema extremamente sensível. Polêmicas à parte, fato é que testemunhar pessoas se jogando da ponte, sem efeitos de borrões ou cortes, é realmente difícil de ver. Chega a ser indigesto. A vontade é de sair correndo e impedir o ato. Como espectadora, além da sensação incômoda de assistir uma pessoa real se jogar, pois você sabe que não é um ator ou atriz, nada foi possível fazer. A única coisa que resta é a reflexão sobre as muitas significações sobre vida e a morte. 

Uma pessoa em especial me marcou demais: um senhor vestido com roupas confortáveis como se tivesse saído para caminhar numa linda manhã de sol. Vestia bermuda e camiseta, tênis, boné e óculos de sol. O clima era ameno e havia uma brisa refrescante. Ele se aproximou da ponte sem nenhuma cerimônia, olhou rapidamente para baixo, transpassou as pernas para o lado de fora e, como num ato simples e trivial, deixou seu corpo cair. Seu boné e óculos voaram no ar. Confesso que esta imagem perdurou por dias em minha mente.

Depois dessa experiência, permanece o convite a revisitar as razões que te faz viver, o que te fortalece, o que te mobiliza, o que, no fundo, te faz vencer a morte.

Certa vez escutei de uma paciente que lidava com a morte de perto, dizia ela, pois trabalhou por muitos anos em Unidade de Tratamento Intensivo, as conhecidas UTI´s. Afirmava com veemência: “Eu fazia de tudo para salvar uma pessoa! Queria o suspiro de vida! Aí sim eu me sentia bem. Porém, logo depois me perguntava: por que esta pessoa quer tanto viver?”.

Se pensarmos, é realmente uma questão pertinente. Deixo o convite à reflexão em aberto.

Bruna Rosalem

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Educação fim de linha

Renata Barcellos: Artigo ‘Educação fim de linha’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Imagem criada por IA da Meta
Imagem criada por IA da Meta

Findo o ano de 2025 aposentada na matrícula mais antiga da Rede Estadual do Rio de Janeiro. Formei-me em 1996 em Português/Francês. São quase trinta anos de ensino de língua materna e estrangeira. Quando iniciei a docência, ministrava aulas em cursos de línguas no município do RJ e, na baixada, especificamente, no Sargento Roncalli. De lá, tenho ótimas recordações de alunos e fiz amigos. Nesse período, dediquei-me a pesquisas. Fui do curso de extensão ao doutorado. Minha prática pedagógica foi sendo aprimorada à medida que eu ia desenvolvendo pesquisas.                                                                            

     Como a palavra “educação” tem origem no latim e se conecta a duas raízes: educare (“criar”, “nutrir”, “alimentar”) e educere (“conduzir para fora”), a etimologia sugere a ideia de guiar o indivíduo para fora de si mesmo, desenvolvendo seu potencial e preparando-o para o mundo. Essa concepção norteou minha prática pedagógica até hoje. 

     Entretanto, chegar à aposentadoria e ao fim deste ano letivo e constatar o desmonte da EDUCAÇÃO é lamentável. Anos de dedicação, estudo, de práticas inovadoras, matérias, artigos, livros e ebooks publicados para me encontrar em um CAOS: professores doentes, alunos desinteressados, carga horária excessiva, má formação e infraestrutura, assédio moral…                                                                          

     Especialistas alertam que a romantização da docência e a ausência de legislação federal específica criam um cenário de “violência invisível” e impunidade. Isso acarreta o padecimento em massa nas escolas (de todos os envolvidos: do aluno à direção). Na sala de aula, professor se depara com falta de material, desrespeito, muitas vezes, Bullying, a desordem impera. E todos adoecem. Há relato de que o professor passou mal em sala no fim do turno e levou falta por ter saído umas horas antes de findar o horário. Muitas denúncias de assédio moral. A prática vem atingindo “níveis alarmantes”, onde o ambiente escolar TÓXICO está se transformando em um local de adoecimento físico e/ou psíquico.                                                                                                                                          

       A sala de aula se tornou um ringue. Vence quem é o mais astuto. Nós, professores, entramos em um campo de batalha, minado. Por mais que organizemos as atividades, jamais poderemos imaginar o que nos acontecerá. Os nervos vivem à flor da pele. Qualquer barulho abala nosso sistema nervoso. Constantemente, estamos “no limite”.                                                                                             

      Vale ressaltar que o professor não é um missionário. Somos profissionais! Porém, muitas vezes, ainda a sociedade nos vê como “segunda família”. Impera uma visão romantizada da docência. Isso acarreta um mecanismo de silenciamento. Porque somos “SUPER HERÓIS”. Há uma cultura de que a culpa da violência institucional é nossa. Por quê? A que ouvimos e lemos constantemente: não somos competentes, não temos domínio de turma, não organizamos uma aula motivadora, não construímos o conhecimento, não temos capacitação para lidar com as múltiplas deficiências… Triste realidade! Estamos exaustos! Desmotivados! Abalados!                                                           

       O Brasil lidera rankings internacionais de violência contra professores (OCDE). O resultado prático é o esvaziamento das licenciaturas (ainda mais com a reforma da previdência) e o aumento exponencial da Síndrome de Burnout. A escola é uma instituição de construção de conhecimento. Não triturador de sonhos. Este local precisa ser frutífero: disseminador de conhecimentos, realização de descobertas…. Um local de satisfação, contemplação… Jamais de destruição de corpo e alma.                                                                                                                                                 

       Para quem veste a camisa da Educação, diariamente, é desolador, aterrorizante ler notícias de ataques (seja lá qual for a natureza da violência) nas escolas.  Passei minha vida em sala de aula (ora como aluna ora como professora) e jamais poderia imaginar que viveria uma total desordem neste ambiente de construção de conhecimento. Como professora de literaturas, na atualidade, raramente, um aluno lê o texto sugerido. Aliás, até mesmo professor pouco lê muitas vezes. Estamos na Era do Imediatismo, de consulta à IA… Quem “gasta” seu “HD” refletindo…?                                                                                          

      Devemos entender que a vida é um grande palco, interpretamos a todo momento. Mas no palco da sala de aula, ninguém quer ser o “palhaço”. O aluno precisa ser orientado de que estudar é um ato solitário. Precisamos de silêncio para refletir, estabelecer relações. A vida não é uma grande festa 24 horas.                                                                                        

      E, no “apagar das luzes” de 2025, a rede Estadual de Educação do Rio de Janeiro está divulgando uma mudança feita por meio do decreto nº 49.994/2025  decreto assinado pelo governador do estado, Cláudio Castro. Este com o objetivo de reduzir a evasão escolar, o governo do Rio de Janeiro autorizou que “alunos do ensino médio reprovados em até seis disciplinas possam avançar para a série seguinte. Esses deverão cumprir um regime especial de recuperação no ano seguinte, no qual deverá ser concluído até o fim do primeiro trimestre”. 

      No caso dos alunos do 3º ano do Ensino Médio, o limite de reprovações reduziu para três disciplinas. Se aprovados na recuperação, poderão receber o certificado de conclusão do Ensino Médio. Concorda?                                                                                                     

     A questão é: para esta Geração Alpha (2010-2025 – os mais jovens, nascidos em um ambiente digital e imersos em tecnologia), há sentido em estudar? Quem estudará? Alguém prestará atenção no professor? Como preparar os alunos para ENEM, UERJ, PUC RJ com esta alteração? Há 30 anos preparo para exames externos (esses e para ingresso na carreira militar), especificamente os alunos da rede Estadual do RJ, nunca vi tamanho desinteresse já neste ano de 2025. Estou imaginando a partir de 2026 como será.                                                                                                                                           

      Quanto às leis nº 10.639/2003 (estabeleceu o ensino da cultura afro-brasileira) e 1.645/2008 (ampliou essa obrigatoriedade ao incluir a cultura e história dos povos indígenas), urge apresentar escritores, escola literária a qual pertence e seu estilo. Fica a dica para conhecerem outros autores contemporâneos no ebook Navegando nas Literaturas afro-brasileiras e indígenas.  

       Por uma educação de qualidade!!! Os alunos da Rede Estadual do Rio de Janeiro merecem ser bem preparados!!! Abaixo o decreto nº 49.994/2025 !!!!

Renata Barcellos

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Reflexões sobre a definição de Literatura

Renata Barcellos

‘Reflexões sobre a definição de Literatura’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Capa do livro ‘Poesia Visual’ Entrevistas & Práticas pedagógicas

A literatura (do latim littera, que significa ‘letra’) é uma das manifestações artísticas do ser humano, assim como a música, a dança, o teatro, a escultura, dentre outras. Ela é objeto de estudo de vários pesquisadores e teóricos no sentido de definir o que pode representar. E, nas últimas semanas, está no centro das discussões por causa de considerações divergentes sobre o que abrange esta área do conhecimento.    

A princípio, é um termo abrangente. Muitos entendem tudo sendo literatura. Dessa forma, como classificar os textos diversos: literário e não-literário? Há de se mencionar o impasse de conceitos norteadores da literatura: os termos ficção e invenção. Ficção refere-se a narrativas, obras artísticas ou criações da imaginação humana, que não são baseadas em factos reais ou na realidade. Pode manifestar-se em diversos meios, como livros, filmes, séries de televisão, peças de teatro e videojogos. Exemplos comuns incluem a ficção científica (ao explorar conceitos científicos e tecnológicos) e outros géneros como o romance, o suspense e a fantasia.  Vale dizer que a literatura é composta de ficção.  

Se, por um lado, o romance é invenção (para Calvino: inventar em literatura é redescobrir palavras e histórias deixadas de lado pela memória coletiva e individual); por outro lado, a poesia é fingimento: “o poeta é um fingidor” (o verso inicial do poema ‘Autopsicografia’ de Fernando Pessoa). Nesse sentido, ‘literar’ é dar asas a imaginação. Permitir que a imaginação aflore para belos textos redigir.   

A partir dos dicionários e dos estudos de diversos pesquisadores, há várias definições do que pode ser esta manifestação artística. Mas, ainda assim, permanece no âmago das discussões o conceito de ‘literário’. E percebe-se definir como um conceito técnico e objetivo seria impossível em virtude da complexidade da literatura.

Os textos literários possuem uma função muito importante para o ser humano, de forma que provocam sensações e produzem efeitos estéticos os quais nos fazem entender melhor nós mesmos, nossas ações, bem como a sociedade na qual vivemos. Ela possui um importante papel social e cultural envolvido no contexto no qual foi elaborada, posto que abarca diversos aspectos de determinada sociedade, dos homens e de suas ações. Portanto, provoca sensações e reflexões no leitor.   

Como se pode constatar que conceituar ‘literatura’ compreende uma tarefa árdua e de definições subjetivas, visto que não há consenso entre as correntes literárias e os críticos que se propõem a conceituá-la. Algumas muito divergentes entre si, assim, surgindo dissonâncias quanto a conceituação. Vejamos abaixo algumas definições:

“A Literatura é mimese, é a arte que imita pela palavra” (Aristóteles-IV a. C).  

 “A literatura é a expressão da sociedade, assim como a palavra é a expressão do homem” (Louis de Bonald, XIX).

“Os poetas sentem as palavras ou frases como coisas e não sinais, e sua obra como um fim e não como meio, como uma arma de combate” (Sartre-XX). 

“Literatura é uma questão centralizada em aspectos textuais e de linguagem, minimizando fatores extratextuais” (Souza, 2005).   

“Literatura é um sistema composto pela tríade: obra, autor, leitor de dada época histórica” (Candido, 2006).   

“Literatura é a expressão de conteúdos ficcionais, por meio da escrita” (Moisés, 2007);

Para os Formalistas Jackobson e Tinianov, a Literatura é a linguagem que chama sobre si mesma. Apesar da visão formalista se prender a forma e a estrutura e não ao conteúdo, esse conceito é bem atual. Para os Formalistas, a literatura estava nas facetas usadas pelo autor na montagem da obra. Com o passar do tempo, outras percepções como a da literatura como forma e conteúdo.    

Vale destacar a percepção de Boff: “Cada um ler com os olhos que tem”. Por isso, a Literatura é o que representa para cada um, um fio condutor entre autor, texto e leitor. O fazer literário é proporcionar ao leitor, ao navegar pelas páginas, experimentar espantosa e prazerosamente a viagem pelas entrelinhas nos textos.  

Sendo assim, de acordo com Maria do Socorro Pereira de Almeida (professora da CESVASF), a Literatura é “a vida e a energia das letras colocadas lado a lado, é ela que dá alma ao corpo do texto. Ela não é força que domina, mas a energia que anima, é o grito que chama, evoca, é a fonte do saber que nunca termina”.   

A arte literária representa recriações da realidade produzidas de maneira artística, ou seja, que possui um valor estético, donde o autor utiliza das palavras em seu sentido conotativo (figurado) para oferecer maior expressividade, subjetividade e sentimentos ao texto.

Conforme o esquema proposto por Aristóteles, os gêneros literários eram divididos em:

Gênero Lírico (“palavra cantada”): possui um caráter sentimental com presença do eu lírico, por exemplo: poesias, odes e sonetos.

Gênero Épico (“palavra narrada”): possui um caráter narrativo, ou seja, envolve narrador, personagens, tempo e espaço, como: romances, contos e novelas.

Gênero Dramático (“palavra representada”): possui um caráter teatral, ou seja, são textos para serem encenados. Exemplo: tragédia, comédia e farsa. 

Concluímos com a definição de alguns estudiosos:

Claudio Daniel (poeta, romancista, crítico literário e professor de literatura. Nasceu em 1962, na cidade de São Paulo (SP). Cursou o mestrado e o doutorado em Literatura Portuguesa na Universidade de São Paulo (USP). Realizou o pós-doutoramento em Teoria Literária pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi diretor adjunto da Casa das Rosas, Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, curador de Literatura no Centro Cultural São Paulo, colunista da revista CULT e editor da Grou Cultura e Arte.

Atualmente, Claudio Daniel ministra aulas online de criação literária no Laboratório de Criação Poética. Publicou diversos livros de poesia, ensaio e ficção, entre eles Cadernos bestiais: breviário da tragédia brasileira, Portão 7, Marabô Obatalá, Sete olhos & outros poemas e Dialeto açafrão (sob a lua de Gaza):

“Ezra Pound dizia que literatura é linguagem carregada de significado, e que grande literatura é linguagem carregada de significado até o máximo grau. Isso significa que a literatura tem duas camadas de leitura, uma referencial, a outra estética. A literatura brasileira atual, como assinalou a grande professora Aurora Bernardini, subordinou o estético ao referencial, por uma questāo de mercado e de marketing. Deixou de fazer arte para produzir mercadorias, que fazem sucesso na mídia e nas feiras literárias, mas fracassam enquanto arte. Felizmente, temos ainda grandes escritores vivos, como Raduan Nassar, Milton Hatoum, Ignácio de Loyola Brandāo e poucos mais”.

 EURICO NACHIOCOLA CARMONA (Mestrando em Literaturas em Língua Portuguesa, colunista no Jornal O Pais, desde 2020, membro do Movimento Litteragris e do Círculo de Estudos Literários e Linguísticos Litteragris. Docente na Escola Superior Pedagógica do Bié e Editor-chefe na Ondaka Yetu Editora):

“A literatura é um campo de abordagem filosófica, onde a imaginação do artista vai além do óbvio, ele destrói, constrói e reconstrói mundos de sentidos, que sugerem diferentes perspectivas aplicáveis na sociedade, política, cultura e na religião”. 

E para você, leitor, o que é esta manifestação artística?

Renata Barcellos

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Carla Tabor

Jovem autora lança livro sobre amamentação e reforça a importância do cuidado humanizado

Carla Tabor
Carla Tabor

Aos 21 anos, a paranaense Carla Vitória Tabor Ferraz, ou simplesmente Carla Tabor, tem se tornado uma referência quando o assunto é amamentação e cuidado materno-infantil.

Estudante de Enfermagem, no último ano da graduação, Carla é autora do livro Como Lidar com a Amamentação, uma obra escrita com empatia, conhecimento e muita dedicação.

Natural de Piraí do Sul e atualmente morando em Ponta Grossa, Carla une sua formação acadêmica à sensibilidade de quem realmente escuta e acolhe.

Desde 2023, vem se especializando na área materno-infantil, participando de grupos de apoio e atuando diretamente com gestantes.

Sua conexão com o tema nasceu da vivência com essas mulheres e se fortaleceu com cada troca de experiência.

O livro surgiu como um guia prático e emocional para mães, pais e famílias que enfrentam os desafios da amamentação.

Com linguagem acessível e baseada em dados científicos, Carla trata desde os aspectos fisiológicos do aleitamento até as questões emocionais do puerpério, oferecendo uma abordagem completa e humana.

Além de futura enfermeira, Carla também é empreendedora e comanda uma pequena empresa de artigos religiosos.

O espírito comerciante, segundo ela, está no sangue herdado da família, dona de uma tradicional lanchonete em sua cidade natal.

Carla Tabor representa uma nova geração de profissionais da saúde: comprometida com a ciência, mas também com o afeto.

Seu livro é mais do que um manual, é um gesto de cuidado com as mães, os bebês e as famílias que vivem intensamente esse início de vida.

Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube

SINOPSE

A amamentação é um dos momentos mais intensos e significativos da maternidade, mas também pode ser repleto de desafios e dúvidas.

Em “Como Lidar com a Amamentação”, Carla Tabor oferece um guia essencial para mães e pais, desmistificando o processo e proporcionando orientações práticas para tornar esse momento mais seguro e prazeroso para mãe, bebê e família.

Com base em estudos e abordagens cuidadosas, o livro apresenta desde as primeiras dicas para o início da amamentação até a resolução de problemas comuns, trazendo uma perspectiva realista e acolhedora sobre o tema.

Carla, com seu olhar atento e sensível, busca oferecer um apoio emocional importante durante esse processo, ajudando a construir uma experiência de amamentação mais tranquila e confiante.

Este livro é o companheiro ideal para aqueles que desejam se aprofundar nos cuidados essenciais e nos aspectos emocionais dessa fase tão importante da vida de um bebê.

OBRA DA AUTORA

Como lidar com a amamentação
Como lidar com a amamentação

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Na Terra da Asa Branca

Virgínia assunção:

‘Na Terra da Asa Branca- Uma bricolagem literária com Luiz Gonzaga’

Virgínia Assunção
Virgínia Assunção
Imagem criada por IA do Bing - 16 de junho de 2025,  às 18:20 PM
Imagem criada por IA do Bing – 16 de junho de 2025,
às 18:20 PM

Naquela tarde, quando “a asa branca bateu asas do sertão”, seu Luiz já sabia: era dia de arrastar o pé. A sanfona gemia no canto da sala, chamando feito menino pidão. E lá vinha ele, chapéu de couro, olhar matuto e um sorriso que dizia mais que mil palavras: “Olha pro céu, meu amor, vê como ele está lindo…”

A vizinhança já se ajuntava na frente da casa. Dona Maria vinha rindo com o vestido de chita novo, florido, toda faceira:
— Hoje tem forró, seu Luiz?
— Tem sim, sinhá! “Simbora, sanfoneiro, bota o fole pra chiar!” Vem cá cintura fina, cintura de pilão, porque tá é danado de bom.“

E assim começava a festança. No terreiro, o pó da estrada dançava com o povo. “Qui nem giló” era só no prato, porque tristeza ali não entrava. Até a moça mais enfezadinha, aquela da cidade grande, soltou um “eu só quero um xodó, que alegre o meu viver”, e foi logo rodando com Zé da Cacimba.

“Respeita Januário!” — gritou alguém, quando o sanfoneiro tentou improvisar demais. O velho Januário, pai de Luiz, só olhou e sorriu de canto, como quem diz:
“Esse menino vai longe…”

E foi.

No meio da dança, Luiz contava causos, misturando histórias com versos:
“Seu doutor, uma esmola pra um homem que é são…”
“Mas seu Luiz, isso é música ou apelo?”
— “É só verdade, compade.”

O sanfoneiro mudou o tom e puxou um baião:
— “Eu vou mostrar pra vocês como se dança o baião… meu amor não vá simbora,
fique mais um bucadinho, vamo dançar mais um tiquinho?
E não é que até o padre entrou na roda, de batina e tudo?

A Lua subia no céu de festa, e o povo cantava junto: — “A vida do viajante é andar por esse mundo de meu Deus…” Mas ali ninguém queria partir. Cada música era um abraço. Cada riso, um retrato de um
Brasil que dança mesmo com a dor no coração, ao som do rei do baião… tem pena d’eu…

Teve menino cantando “Xote das meninas”, teve vó que se lembrou do tempo em que dançava “Assum Preto” agarradinha.
— “Lá vai a marruá…” — gritou um dos netos, correndo com o cachorro atrás.

O forró seguia firme, sem hora pra acabar. “O que me enche o coração é o olhar
dessa moreninha, meus amô!“
Até que seu Luiz, cansado de tanto fole e suor, sentou
na cadeira de palha e disse:
“Oia eu aqui de novo…”
— “Vai embora não, seu Luiz!”
— “Mas já? Ainda tem “Pau de Arara”
pra cantar!

E assim, entre um xote e um chamego, “um se deita em meu cangote”, um “pedi pra São João antigo trazer mais alegria, tinha tanta poesia, amor e animação”, no São João do passado, a noite virou poesia viva. Seu Luiz sorria, e no seu sorriso cabia o sertão inteiro — com seca, com festa, com fé.

Na despedida, ele ainda cantou baixinho:
— “Se a gente lembra só por lembrar do amor que a gente um dia perdeu…”
E o povo respondeu em coro:
— “Saudade inté que assim é bom, pro cabra se convencer que é feliz sem saber…”

Foi-se a festa, mas ficou no ar o cheiro do baião, o som do fole e a certeza de que, enquanto houver sanfona e o coração de um nordestino batendo, Luiz Gonzaga nunca vai embora de verdade.

Virgínia Assunção