Ella Dominicihttps://gemini.google.com/app/1843d02fc71fb7fd?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
Sozinha com os princípios, eu descubro: a palavra não é um abrigo. É um laboratório.
Entropia.
Digo baixo, como quem nomeia um animal que vive no escuro.
A entropia não consola. Não catequiza. Não faz promessas com voz de altar. Ela apenas registra a tendência: o universo gosta de se desfazer. E eu também.
Num sistema termicamente isolado, a entropia aumenta. E o tempo — esse operário invisível — vai desmontando a mobília do mundo. Até que a ordem se torne uma espécie de saudade.
Chamar isso de decadência é um vício moral.
A ciência não tem pecado: observa.
O que é decadência senão a tradução exata do que é vivo? Tudo o que respira se desorganiza para continuar respirando. Tudo o que ama se desarruma.
E então eu pergunto, com lucidez: qual o grau da desordem do teu nome no meu sistema?
Teu nome não é palavra. Teu nome é física íntima: vibração, colisão, deslocamento. Teu nome é uma partícula que insiste.
No meu quarto há objetos. E eu os olho como quem olha uma teoria. Quantas formas de dispor o mesmo copo? Quantas versões de uma cadeira? Quantas possibilidades de um livro que nunca fecha?
Quanto maior meu íntimo, mais combinações. E quanto mais combinações, mais improvável a paz. É simples. É cruel. É belo.
Os sentimentos não se organizam como biblioteca. Organizam-se como tempestade num copo. Um copo: pequeno. Uma tempestade: infinita.
Se eu te entregasse minhas moléculas, tu não preverias. Não por falta de inteligência, mas por excesso de vida.
Porque o sistema combinado produz o inumerável: átomos, encontros, desvios, acidentes, memórias — o acaso com sua assinatura de Deus.
Sim: Deus. Esse nome que alguns evitam, mas que eu reconheço no improvável.
No fim, a entropia não me entristece. Ela me purifica. Porque na desordem — na efemeridade — eu não tenho tempo de mentir.
Eu amo com urgência.
compreendo com humildade,
perdoo com grandeza. E cada gesto, por menor que seja, torna-se um milagre em miniatura.
Há dignidade escondida no caos. E talvez seja essa a forma mais alta de liberdade: não um direito proclamado, mas um instante íntimo em que eu me permito ser desordem — sem culpa.
Eduardo Cesario-MartínezImagem criada por IA do Gemini https://gemini.google.com/share/4859c3568526?skid=de55f151-3bb1-4e86-a3ed-01e903a4d91c4
Apesar de não me sentir tão velho, a maioria das pessoas costuma colocar um senhor logo antes do meu nome. E não pense você que possuo posição social de destaque. É verdade que também não preciso contar os vinténs no final do mês, isto é, desde que não surja algum imprevisto ou, porventura, eu resolva extrapolar o orçamento por conta de certas extravagâncias. Por sorte, gente da minha idade geralmente as usufruiu quase todas há tempos.
Como deve ter percebido, já passei dos 60. Para ser preciso, completei 67 no último julho. Devo confessar que, há muito, abomino meus aniversários. Não por conta do avançar da idade, mas porque todos, invariavelmente, acontecem no mesmo dia do mês mais frio do ano por aqui onde moro. Minhas carnes, antes firmes, agora não suportam mais os rigorosos invernos que cismam em chegar praticamente na mesma época.
Além do clima, outro desconforto me tomou nos últimos dias. Não sei se essa é a palavra adequada, mesmo porque, até aquele exato momento, havia suportado, certamente a contragosto, todos os invernos, por mais rigorosos que fossem. Todavia, desde então, algo tem me tirado o sono e me enchido de pesadelos. É que tive meu primeiro encontro com a morte.
Calma, que explico antes que você se aborreça e me deixe aqui falando sozinho. Isso é até compreensível, já que não seria o primeiro a fazê-lo. Entretanto, peço-lhe um pouco de paciência com este velho. Prometo ser breve, como breves foram os anos que passaram diante dos meus olhos. Como deveria tê-los aproveitado melhor!
Fui ao médico no início da semana. Exames de rotina, nada mais. Faço-os quase anualmente. Não porque seja tão preocupado com a saúde, que, é certo, me fez companhia durante décadas. Eu, que pensava que tínhamos uma relação harmoniosa, fui pego de surpresa quando o cardiologista me abriu os olhos para um problema em uma das válvulas do coração. Mitral. Pois é esse o nome da dita cuja, que, a essa altura da vida, resolveu me trair. E eu, ingênuo até aquele momento, nunca havia desconfiado. Ela agiu sorrateiramente.
— Doutor, é grave?
— Não muito, mas requer cirurgia o mais breve possível.
— É arriscado?
— Não se preocupe com isso. Já operei diversos casos até piores do que o seu.
— Então, posso ficar tranquilo?
— Certamente, mas, como diz aquele ditado, o seguro morreu de velho. Melhor apressar o testamento.
Que todos vamos morrer um dia, sempre soube. No entanto, quando a morte se aproxima de maneira tão sutil, nos pega desprevenidos. Seja como for, já decidi que não farei testamento. Que os herdeiros se engalfinhem pelas migalhas!
A Literatura de Superação e o Impacto Social de Satar Henriques
Satar Henriques
A literatura, muitas vezes, nasce do desejo de dar voz ao que está guardado no silêncio.
Para o jovem escritor, poeta e empreendedor Satar Henriques, escrever é mais do que uma arte; é uma ferramenta de transformação social e cura emocional.
Nascido na província de Manica, em Moçambique, e residente em Almada, Portugal, Satar traz na bagagem uma visão de mundo pautada na empatia e na resiliência.
Aos 23 anos, o autor já acumula experiências que vão muito além da escrita.
Formado pelo Instituto de Formação de Professores da Beira, com especialização em Necessidades Educativas Especiais, Satar dedica-se também à liderança juvenil como Diretor da FEPJ (Fundo de Experiência Profissional Jovem), onde trabalha para abrir portas meritocráticas para as novas gerações.
O Aroma das Lições de Vida
Sua obra recente, “Amor com Aroma Amargo”, é o resultado de uma partilha profunda de vivências.
Nascido de um desabafo entre amigos que enfrentavam as dores de relacionamentos passados, o livro foi construído a quatro mãos com a narradora Domingas Thomais.
A obra explora o conceito de que o amor, mesmo quando doce, pode deixar um travo agridoce.
“É para nos lembrar que nem tudo são flores”, reflete o autor.
Mas, para além da dor, a mensagem central é a redenção: o poder do perdão, independentemente de quão amargo tenha sido o aroma da experiência vivida.
Uma Literatura Comprometida com o Próximo
O processo criativo de Satar Henriques é guiado pela escuta.
Ao ouvir histórias alheias, ele mentaliza capas e conteúdos, lapidando páginas até que se tornem “obras de arte” que ressoam com o público.
Atualmente, o autor busca apoio para um projeto ainda mais denso e necessário: “A menina que sobreviveu além da dor”.
A obra trata da superação de traumas profundos relacionados ao abuso infantil, trazendo à luz o conflito interno entre o medo e a busca pelos próprios sonhos.
É uma literatura que não foge dos temas difíceis, mas que procura, em cada página, oferecer uma nova perspectiva sobre o mundo.
Empreendedorismo e Cultura
Além das letras, Satar manifesta sua criatividade através da moda com a marca BGA, reafirmando sua crença de que a juventude é o motor fundamental da transformação.
Seja através de um verso, de uma peça de vestuário ou de uma oportunidade de trabalho, Satar Henriques mostra que a sensibilidade literária pode, sim, andar de mãos dadas com a liderança ativa.
Após meses de um amor intenso, Rita descobre uma mensagem de “Leny” no celular de Marcos, seu namorado.
Palavras que queimam como brasas que revelam um segredo capaz de acabar com tudo.
Dividida entre perdoar ou partir, Rita enfrenta uma jornada de autodescoberta, confrontando a traição e o poder do perdão.
Amor com Aroma Amargo explora os labirintos do amor, onde a confiança pode ser destruída num instante, desafiando-nos a refletir sobre o que realmente significa amar.
Entre risos e verdades, Koringa transforma o cotidiano em arte e reflexão
Diário de um bobo
Radialista, artista e eterno bobo da corte, Hilton Rufino reúne em livro um olhar bem-humorado e sensível sobre o dia a dia.
Há quem transforme histórias da vida em espetáculo.
Hilton Luiz Rufino, conhecido pelo público como Koringa, o Bobo da Corte, é desses artistas que fazem do riso uma ponte… e do humor, uma forma de dizer verdades.
Hilton Ruffino, o Koringa
Com uma trajetória que atravessa décadas, Hilton Rufino construiu sua carreira levando alegria por onde passa.
Radialista formado em Comunicação Social, palhaço, mágico e animador de palco, ele atua desde 1989 encantando públicos de todas as idades com apresentações que misturam música, brincadeira, interação e, claro, muito humor.
Radicado em Indaiatuba desde 1997, Koringa se tornou uma figura conhecida e querida na cidade e região, participando de eventos, projetos culturais e ações sociais que marcaram gerações.
De festas infantis a eventos corporativos, de programas de rádio e televisão a festivais internacionais, como sua participação em Cuba, em 2023, sua arte sempre esteve presente, levando leveza e conexão.
Mas, para além dos palcos, existe também o olhar observador.
A ideia do livro nasce justamente desse outro espaço: das palavras.
A partir de colunas semanais escritas para jornais da região, Hilton reuniu textos que, juntos, formam uma obra que reflete o cotidiano com humor e sensibilidade.
Inspirado na figura medieval do bobo da corte, aquele que, por meio da leveza, conseguia dizer verdades desafiadoras, o autor constrói uma narrativa que diverte, mas também faz pensar.
É um humor que não é vazio.
É um humor que observa, traduz e, muitas vezes, revela.
Com linguagem acessível e um olhar atento aos detalhes do dia a dia, o livro se torna um convite para enxergar a vida por outra perspectiva mais leve, mais humana e, quem sabe, até mais verdadeira.
Entre risadas e reflexões, Koringa nos lembra de algo essencial: Às vezes, é no riso que encontramos as verdades mais profundas.
E talvez seja justamente essa a maior arte, transformar o cotidiano em algo que toca, diverte… e permanece.
Mais do que um registro de época, a obra é um mosaico de instantes vividos entre 2019 e 2021, onde humor e crítica caminham juntos, revelando que, às vezes, rir é a forma mais lúcida de compreender a realidade.
Um livro leve, humano e provocador, que mostra que o bom humor pode ser também uma forma de sabedoria.
O poder das fábulas no cuidado emocional das crianças
Porque fábulas acalmam
Obra une ciência, afeto e imaginação para ajudar crianças a compreenderem e regularem suas emoções desde cedo.
Em um mundo cada vez mais acelerado, em que até as emoções parecem precisar de respostas rápidas, surge um convite delicado e necessário: o de desacelerar e escutar.
Escutar o que a criança sente, o que ela ainda não consegue dizer, mas que, muitas vezes, revela por meio da imaginação.
É nesse espaço sensível entre o sentir e o compreender que nasce o trabalho de Sonia Ribeiro Gonçalves e Alex Ferreira, autores que transformaram a prática clínica em um caminho de cuidado acessível e profundamente humano.
Sonia R. Gonçalvez e Alex Ferreira
Sonia, psicóloga, mestre em Neuropsicologia e especialista em Neurodesenvolvimento, construiu sua trajetória ouvindo com atenção o universo emocional das crianças, respeitando seus tempos, acolhendo seus silêncios e compreendendo que nem tudo pode ser traduzido em palavras.
Já Alex Ferreira, psicólogo, neuropsicólogo e gerontólogo, traz em sua experiência um olhar ampliado sobre o cuidado emocional ao longo da vida, construindo pontes entre gerações e reforçando que o afeto e a escuta são essenciais em qualquer fase.
A ideia do livro “Porque fábulas acalmam” nasce justamente desse encontro entre prática, sensibilidade e ciência.
Baseada na Teoria Polivagal e nos estudos da neurociência, a obra propõe uma abordagem inovadora e, ao mesmo tempo, profundamente simples: utilizar histórias e fábulas como instrumentos de regulação emocional.
Mais do que entreter, as narrativas de “Porque fábulas acalmam” tornam-se ferramentas terapêuticas, capazes de acessar o sistema emocional da criança de forma leve, simbólica e segura.
Em vez de impor controle, o livro sugere acolhimento.
Em vez de corrigir, propõe conexão.
Destinado a psicólogos, educadores e pais, o conteúdo oferece caminhos práticos para ajudar crianças a compreenderem suas emoções desde cedo, fortalecendo, assim, sua qualidade de vida emocional no futuro.
No fim, a mensagem é simples, mas poderosa: Cuidar das emoções na infância é um gesto de amor que ecoa por toda a vida.
E talvez, entre tantas técnicas e teorias, a resposta esteja em algo que sempre esteve ao nosso alcance, uma boa história, contada com presença, afeto e escuta.
Você sabia que ouvir histórias pode ser mais poderoso do que qualquer técnica de disciplina?
Que uma fábula bem contada pode ser a chave para acalmar uma criança agitada, ansiosa ou insegura?
Este livro é um convite encantador para pais, educadores e terapeutas mergulharem na mágica conexão entre contos de fadas, teoria polivagal e autorregulação emocional.
Unindo neurociência, ludicidade e poesia, os autores revelam como narrativas simbólicas tocam o sistema nervoso da criança, ativando o “Guardião da Calma”, uma metáfora poderosa que ensina os pequenos a lidarem com emoções de forma leve e segura.
Com linguagem acessível, orientações práticas e meditações guiadas , Por que Fábulas Acalmam? transforma ciência em aconchego, teoria em afeto, e comportamento em conexão.
Como seria se, em vez de controlar, você pudesse acalmar com histórias?
Descubra o poder terapêutico das fábulas e ofereça às crianças um presente que elas levarão para a vida toda: a capacidade de se autorregular com amor, segurança e imaginação.
Socorro, alguma alma, mesmo que penada. Me empreste suas penas. Já não sinto amor nem dor, Já não sinto nada.
Socorro, alguém que me dê um coração, Que esse já não bate nem apanha. Por favor, uma emoção pequena, Qualquer coisa.
Composição de Alice Ruiz, cantada por Arnaldo Antunes – Socorro/1998, Álbum ‘Um som’
Por indicação de um cinéfilo que admiro muito, resolvi assistir ao documentário americano ‘A Ponte’ (The Bridge). É uma produção de 2006 dirigida por Eric Steel que retrata ao longo do ano de 2004, filmagens posicionadas em dois pontos ocultos diferentes da ponte Golden Gate em São Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos, de pessoas das mais diversas idades, gêneros, etnias, culturas, classes sociais, que decidiram tirar suas vidas naquele lugar, mais do que em qualquer outro lugar do mundo. São dados realmente alarmantes: naquele ano, mais de 24 suicídios puderam ser registrados.
Além das terríveis e desoladoras cenas das pessoas se jogando da ponte, a equipe de produção gravou várias entrevistas com amigos, familiares e testemunhas tentando dar alguma explicação sobre as possíveis motivações que levaram seus entes queridos a desistir da vida. São histórias que perpassam por depressão, abuso de substâncias e transtornos mentais.
A fala das pessoas próximas aos que cometeram suicídio parece expressar um grande e avassalador ponto de interrogação, pois jamais se saberá ao certo que fator ou fatores determinantes fizeram aqueles sujeitos não conseguirem vislumbrar nenhum tipo de saída para seus tormentos que não fosse a morte. Ainda mais triste é carregar sentimentos de culpa, remorso, impotência diante do que parecia ser inevitável. Os testemunhos que acompanhamos no documentário doem tanto quanto assistir ao momento do salto fatal. É angustiante pensar na vida dos familiares e amigos que muito pouco ou nada puderam fazer para impedir um fim tão trágico. Não importa quantos anos se passem, a pergunta sempre ecoa: Por que ele (a) não era feliz? Outras questões também surgem: O que fizemos para ele (a)? Onde erramos? Por que não vimos sinais? Por que não o (a) salvamos? São indagações que permanecem sem respostas.
Na época, o documentário provocou muita ira e indignação entre o público em geral, pois o diretor Eric Steel foi acusado de sensacionalismo por expor de forma tão crua um tema extremamente sensível. Polêmicas à parte, fato é que testemunhar pessoas se jogando da ponte, sem efeitos de borrões ou cortes, é realmente difícil de ver. Chega a ser indigesto. A vontade é de sair correndo e impedir o ato. Como espectadora, além da sensação incômoda de assistir uma pessoa real se jogar, pois você sabe que não é um ator ou atriz, nada foi possível fazer. A única coisa que resta é a reflexão sobre as muitas significações sobre vida e a morte.
Uma pessoa em especial me marcou demais: um senhor vestido com roupas confortáveis como se tivesse saído para caminhar numa linda manhã de sol. Vestia bermuda e camiseta, tênis, boné e óculos de sol. O clima era ameno e havia uma brisa refrescante. Ele se aproximou da ponte sem nenhuma cerimônia, olhou rapidamente para baixo, transpassou as pernas para o lado de fora e, como num ato simples e trivial, deixou seu corpo cair. Seu boné e óculos voaram no ar. Confesso que esta imagem perdurou por dias em minha mente.
Depois dessa experiência, permanece o convite a revisitar as razões que te faz viver, o que te fortalece, o que te mobiliza, o que, no fundo, te faz vencer a morte.
Certa vez escutei de uma paciente que lidava com a morte de perto, dizia ela, pois trabalhou por muitos anos em Unidade de Tratamento Intensivo, as conhecidas UTI´s. Afirmava com veemência: “Eu fazia de tudo para salvar uma pessoa! Queria o suspiro de vida! Aí sim eu me sentia bem. Porém, logo depois me perguntava: por que esta pessoa quer tanto viver?”.
Se pensarmos, é realmente uma questão pertinente. Deixo o convite à reflexão em aberto.
Findo o ano de 2025 aposentada na matrícula mais antiga da Rede Estadual do Rio de Janeiro. Formei-me em 1996 em Português/Francês. São quase trinta anos de ensino de língua materna e estrangeira. Quando iniciei a docência, ministrava aulas em cursos de línguas no município do RJ e, na baixada, especificamente, no Sargento Roncalli. De lá, tenho ótimas recordações de alunos e fiz amigos. Nesse período, dediquei-me a pesquisas. Fui do curso de extensão ao doutorado. Minha prática pedagógica foi sendo aprimorada à medida que eu ia desenvolvendo pesquisas.
Como a palavra “educação” tem origem no latim e se conecta a duas raízes: educare (“criar”, “nutrir”, “alimentar”) e educere (“conduzir para fora”), a etimologia sugere a ideia de guiar o indivíduo para fora de si mesmo, desenvolvendo seu potencial e preparando-o para o mundo. Essa concepção norteou minha prática pedagógica até hoje.
Entretanto, chegar à aposentadoria e ao fim deste ano letivo e constatar o desmonte da EDUCAÇÃO é lamentável. Anos de dedicação, estudo, de práticas inovadoras, matérias, artigos, livros e ebooks publicados para me encontrar em um CAOS: professores doentes, alunos desinteressados, carga horária excessiva, má formação e infraestrutura, assédio moral…
Especialistas alertam que a romantização da docência e a ausência de legislação federal específica criam um cenário de “violência invisível” e impunidade. Isso acarreta o padecimento em massa nas escolas (de todos os envolvidos: do aluno à direção). Na sala de aula, professor se depara com falta de material, desrespeito, muitas vezes, Bullying, a desordem impera. E todos adoecem. Há relato de que o professor passou mal em sala no fim do turno e levou falta por ter saído umas horas antes de findar o horário. Muitas denúncias de assédio moral. A prática vem atingindo “níveis alarmantes”, onde o ambiente escolar TÓXICO está se transformando em um local de adoecimento físico e/ou psíquico.
A sala de aula se tornou um ringue. Vence quem é o mais astuto. Nós, professores, entramos em um campo de batalha, minado. Por mais que organizemos as atividades, jamais poderemos imaginar o que nos acontecerá. Os nervos vivem à flor da pele. Qualquer barulho abala nosso sistema nervoso. Constantemente, estamos “no limite”.
Vale ressaltar que o professor não é um missionário. Somos profissionais! Porém, muitas vezes, ainda a sociedade nos vê como “segunda família”. Impera uma visão romantizada da docência. Isso acarreta um mecanismo de silenciamento. Porque somos “SUPER HERÓIS”. Há uma cultura de que a culpa da violência institucional é nossa. Por quê? A que ouvimos e lemos constantemente: não somos competentes, não temos domínio de turma, não organizamos uma aula motivadora, não construímos o conhecimento, não temos capacitação para lidar com as múltiplas deficiências… Triste realidade! Estamos exaustos! Desmotivados! Abalados!
O Brasil lidera rankings internacionais de violência contra professores (OCDE). O resultado prático é o esvaziamento das licenciaturas (ainda mais com a reforma da previdência) e o aumento exponencial da Síndrome de Burnout. A escola é uma instituição de construção de conhecimento. Não triturador de sonhos. Este local precisa ser frutífero: disseminador de conhecimentos, realização de descobertas…. Um local de satisfação, contemplação… Jamais de destruição de corpo e alma.
Para quem veste a camisa da Educação, diariamente, é desolador, aterrorizante ler notícias de ataques (seja lá qual for a natureza da violência) nas escolas. Passei minha vida em sala de aula (ora como aluna ora como professora) e jamais poderia imaginar que viveria uma total desordem neste ambiente de construção de conhecimento. Como professora de literaturas, na atualidade, raramente, um aluno lê o texto sugerido. Aliás, até mesmo professor pouco lê muitas vezes. Estamos na Era do Imediatismo, de consulta à IA… Quem “gasta” seu “HD” refletindo…?
Devemos entender que a vida é um grande palco, interpretamos a todo momento. Mas no palco da sala de aula, ninguém quer ser o “palhaço”. O aluno precisa ser orientado de que estudar é um ato solitário. Precisamos de silêncio para refletir, estabelecer relações. A vida não é uma grande festa 24 horas.
E, no “apagar das luzes” de 2025, a rede Estadual de Educação do Rio de Janeiro está divulgando uma mudança feita por meio do decreto nº 49.994/2025 decreto assinado pelo governador do estado, Cláudio Castro. Este com o objetivo de reduzir a evasão escolar, o governo do Rio de Janeiro autorizou que “alunos do ensino médio reprovados em até seis disciplinas possam avançar para a série seguinte. Esses deverão cumprir um regime especial de recuperação no ano seguinte, no qual deverá ser concluído até o fim do primeiro trimestre”.
No caso dos alunos do 3º ano do Ensino Médio, o limite de reprovações reduziu para três disciplinas. Se aprovados na recuperação, poderão receber o certificado de conclusão do Ensino Médio. Concorda?
A questão é: para esta Geração Alpha (2010-2025 – os mais jovens, nascidos em um ambiente digital e imersos em tecnologia), há sentido em estudar? Quem estudará? Alguém prestará atenção no professor? Como preparar os alunos para ENEM, UERJ, PUC RJ com esta alteração? Há 30 anos preparo para exames externos (esses e para ingresso na carreira militar), especificamente os alunos da rede Estadual do RJ, nunca vi tamanho desinteresse já neste ano de 2025. Estou imaginando a partir de 2026 como será.
Quanto às leis nº 10.639/2003 (estabeleceu o ensino da cultura afro-brasileira) e 1.645/2008 (ampliou essa obrigatoriedade ao incluir a cultura e história dos povos indígenas), urge apresentar escritores, escola literária a qual pertence e seu estilo. Fica a dica para conhecerem outros autores contemporâneos no ebookNavegando nas Literaturas afro-brasileiras e indígenas.
Por uma educação de qualidade!!! Os alunos da Rede Estadual do Rio de Janeiro merecem ser bem preparados!!! Abaixo o decreto nº 49.994/2025 !!!!