Nem o Botafogo explica o Banco do Brasil

Eduardo Cesario-Martínez

Conto ‘Nem o Botafogo explica o Banco do Brasil’

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
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Se existe o ditado que há coisas que só acontecem ao Botafogo, afirmo que outras tantas, por mais esquisitas que sejam, costumam frequentar as dependências do Banco do Brasil. E aqui vai uma dessas incongruências com a sanidade, testemunhada por Gilmarildo, amigo de longa data do ex-funcionário da casa Sérgio.

Lá pelos idos de 1992, talvez 1993 ou 1994, não importa, o Sérgio estava lotado na saudosa agência Figueiredo Magalhães, em Copacabana, o mais afamado, para o bem e para o mal, bairro carioca. Tempos divertidos, costuma dizer o sujeito, que ainda guarda na lembrança momentos divertidos e, não raro, constrangedores. No entanto, deixemos tais eventos de lado, pois a tinta é curta e periga não ser suficiente para terminar este causo.

Cecília, nome de poetisa, era a gerente de uma das inúmeras equipes da agência. E, por azar, sorte, calvário ou destino, eis que o Sérgio era um dos seus subordinados. A mulher, acredite, era difícil no trato, do tipo que buscava a discórdia só para ter a chance de apezinhar o alvo da vez. Uma peste, como os colegas a chamavam à boca pequena, pois ai da carrasca se os ouvisse. Era bronca na hora, com direito a meia hora de sermão.

— Sérgio, tu só pode estar de brincadeira! Já é a terceira vez que você me aparece aqui com diferença no caixa.

— Terceira vez no ano, né, Cecília!?

— E tu acha pouco?

— Foi mal, chefe! Ah, antes que me esqueça, feliz Natal pra você também.

Cecília, que nascera desprovida de uns 15 centímetros para atingir um metro e meio, só ia trabalhar de salto alto, sem contar a gastança de laquê para deixar os cabelos armados. Entretanto, por conta do incômodo de se equilibrar nas alturas, ela preferia retirar o calçado antes do final do expediente. E foi justamente essa a oportunidade que o Sérgio e o Gilmarildo estavam esperando, mesmo que, até aquele instante, não soubessem.

Soares, o maloteiro, costumava passar na agência já no final do expediente. Ele trazia e levava documentos nos malotes, que eram lacrados e rodavam o país inteiro. E não se sabe exatamente por que, mas Cecília era toda sorriso com o tipo. E, quando o fechamento do expediente estava tranquilo, fazia questão de convidá-lo para um café na cantina, que ficava no corredor à esquerda.

— O que você está fazendo, Sérgio?

Não é que o Sérgio, aproveitando-se da breve ausência da gerente, tinha pego um dos pés do sapato da Cecília sob a mesa e, pasmem, o jogou dentro do malote? Acredite, pois foi o que aconteceu.

— Fica na tua, Gilmarildo. Vê se não vai dar com a língua nos dentes! Olha lá, hein!?

Gilmarildo, do alto do seu físico de grilo, não era besta de criar imbróglio com o Sérgio, famoso por bíceps talhados em academia. Melhor era ficar calado, e ficou mudo que nem rato quando tem gato no sótão.

Sérgio, assim que a Cecília e o Soares retornaram, se despediu e, como era sexta-feira, decidiu caminhar pela orla até seu quarto e sala, que ficava na altura do Posto 2. Inebriado pela maresia e principalmente por conta da arte que acabara de aprontar, o bancário se sentiu vingado e nem se preocupou com os olhares esquisitos quando gargalhou.

Na segunda-feira, o Gilmarildo foi colocar o colega a par do desfecho do imbróglio, que certamente se deu por causa do desaparecimento de um dos pés do sapato da gerente.

— Tu acredita que ela nem desconfiou?

— Do que você está falando, cara?

— Do sapato da Cecília.

— Sapato? Que sapato, Gilmarildo?

— Ué! Do sapato que tu colocou no malote do Soares.

— Eu? Tu bebeu?

Enquanto Sérgio fez questão de não conter o cinismo, Gilmarildo, sem ânimo ou coragem para prosseguir aquela conversa, fingiu uma dor de barriga e foi cuidar da vida. Que aquilo era assunto morto e enterrado.

Alguns anos se passaram e, já em meados de 2012, Gilmarildo foi trabalhar em uma agência em Brasília. Sentiu falta do Rio, mas as vantagens do novo cargo eram recompensadoras. E foi assim, infeliz e de bolsos recheados, que ele presenciou algo inusitado.

Já no início de 2013, durante um curso para o alto escalão do Banco do Brasil, Gilmarildo reencontrou sua antiga gerente, a Cecília, cuja carreira meteórica lhe possibilitava tocar as nuvens, caso desejasse. Para relembrar os velhos tempos, o homem convidou a colega para um passeio no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que fica em uma área pouco afastada. E lá foram os dois sem nem desconfiarem que aquele momento marcaria para sempre suas vidas.

Estava tendo uma exposição sobre o diretor de cinema Quentin Tarantino no CCBB, e a Cecilia, que tinha fama de adoçar o café com sangue, queria porque queria assisti-la. Gilmarildo, por sua vez, como bom anfitrião, desejou realizar o desejo da mulher.

Cecília se esbaldou com os filmes do aclamado diretor, o que fez com que o anfitrião de última hora se sentisse, de certa forma, satisfeito. E, quando a dupla já se preparava para ir embora, eis que a Cecília, curiosa que era, observou que havia um pequeno museu no local e quis entrar.

Entre tantas relíquias, algo chamou a sua atenção: uma enorme estante com vários objetos. E, acredite ou não, lá estava o sapato perdido da Cecília. Ao lado, uma placa de metal com a seguinte inscrição: “Há coisas que só acontecem no Banco do Brasil”.

Eduardo Cesario-Martínez

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The last raindrop

Jane Nash: Poem ‘The last raindrop’

Jane Nash
Jane Nash
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I painted this, green tones
Reflecting through
A sparkle daring to stare though the paint
Upon a leaf transparent
The last raindrop
Slowly shrinking
In anticipation
The sun’s first rays waiting in the wings
It’s difficult
To capture the sweet moment
When birds are quiet
And night things finish their business

Jane Nash

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Voces del fuego y el asfalto

Hermógenes Mora

Voces del Fuego y el Asfalto:
la poesía contemporánea y la condición humana
en Centroamérica

Hermógenes L. Mora
Hermógenes L. Mora

A través de esta pequeña antología crítica que he elaborado en la que incluyo a  tres autores del istmo, busco conectar la poesía contemporánea de Centroamérica y los problemas universales y locales. Si bien es cierto que los estilos varían, me permito destacar cómo los poetas usan su obra para denunciar la pérdida de sensibilidad y conexión humana en el mundo actual, ya sea desde el plano emocional interno que la poeta Jessenia Romero trastoca, el social-urbano muy acertado por el poeta  Heiner Rodríguez o el histórico-comunitario donde Cucufate nos invita a explorar a través de su pluma. No cabe duda de que la nueva poética no se aparta de los temas que hacen eco en una sociedad que se ha acostumbrado a callar o a desviar su atención hacia cosas que no despiertan el pensamiento crítico. 

A continuación presento una breve reseña biográfica de cada autor seguido del poema y su respectivo análisis. Pero ha de ser el lector el que juzgue cada palabra escrita. 

Jessenia Isabel Romero, es poeta, escritora y educadora nicaragüense, nacida en 1982 en la ciudad de Chinandega, Nicaragua. Se desempeña como asesora pedagógica en el Ministerio de Educación. 

Graduada como maestra normalista en 2003 y en 2011 egresada de la licenciatura en Matemáticas con mención en Computación. Actualmente está culminando estudios en Lengua y Literatura, (UNAN-León). 

Obras: Visita de una arrastrada (cuento), Crónica hospitalaria (crónica), 12 cuentos infantiles (cuento) y Narrando la vida versando el amor.

Me pregunto

¿Quién puede percibir el tamaño

de una lágrima contenida en una sonrisa?

¿Quién es capaz de escuchar el grito ahogado

que se atora en la garganta?

¿Quién puede observar el sufrimiento reprimido

en unas palabras amables?, 

¡¿quién entiende que un ser aparentemente feliz,

 guarda batallas en el fondo del alma?!

No toda sonrisa encierra felicidad

no todo grito representa euforia

no toda palabra amable es sinónimo de dulzura

no todo guerrero celebra siempre una victoria.

Hay payasos que sonríen y esconden

un lastimero llanto

hay cantantes  que una letanía feroz disfrazan

en su canto,

hay seres bondadosos que sufren

en el infinito silencio

hay soldados aguerridos que ocultan

una derrota sin voz. 

Y me pregunto…,

¿acaso tú eres capaz de ver más allá

de la aparente realidad?,

¿o la realidad te ciega en tu eterna banalidad?

Análisis Del Poema

Es este un poema profundamente intimista. La poeta Romero logra poner el dedo sobre una de las verdades más complejas de la condición humana: la dualidad entre la máscara social que usamos para sobrevivir y el abismo emocional que cargamos por dentro. Es un grito a la empatía, pero también un espejo incómodo para quien lo lee. 

El tema central es la invisibilidad del dolor humano frente a la mirada superficial del mundo. El poema se construye sobre el contraste perpetuo entre lo que se muestra y lo que se esconde.

Jessenia Isabel Romero
Jessenia Isabel Romero Arquivo pessoal

Si analizamos su estructura y sus recursos nos encontramos con Las preguntas retóricas, el conflicto interno: ¿Quién puede percibir el tamaño / de una lágrima contenida en una sonrisa?

La poeta arranca con una serie de preguntas retóricas que buscan sacudir la sensibilidad del receptor. Al utilizar el oxímoron y la antítesis nos muestra que los opuestos coexisten, ejemplo de ello son los siguientes versos: 

¿Quién puede percibir el tamaño

de una lágrima contenida en una sonrisa?

¿Quién es capaz de escuchar el grito ahogado

que se atora en la garganta?

La lágrima representa el dolor que se oculta tras una sonrisa, que se ahoga, que se tuerce dentro de un individuo. 

Los signos de admiración e interrogación combinados (¡¿?!), elevan la intensidad dramática: el alma no solo está triste, está librando batallas en el fondo . Las negaciones de la apariencia (El despertar)

No toda sonrisa encierra felicidad/no todo grito representa euforia…

Aquí la estructura cambia drásticamente. Deja las preguntas y utiliza la anáfora (la repetición al inicio de cada verso de la palabra «no todo/a»). Esta repetición funciona como un mazo que derriba los prejuicios visuales. 

 Los arquetipos del dolor oculto (Las metáforas vivas) se hacen presentes:

Hay payasos que sonríen y esconden / un lastimero llanto…

En esta sección, la poeta recurre a personajes o arquetipos universales mediante la repetición de la palabra «hay». El payaso es símbolo por excelencia de la tristeza oculta tras el maquillaje (un eco claro del clásico poema Reír llorando, de Juan de Dios Peza. Cito unos versos del mismo:

¡Ay! ¡Cuántas veces reímos cuando lloramos! / Nadie confía en la alegría de la risa, / porque en aquellos seres devorados por el dolor, / ¡El alma gime cuando el rostro ríe!

Romero colma de imágenes metafóricas su poema y ese aparente contraste sirve de estímulo también: El cantante cuyo canto es en realidad una “letanía” disfrazada, el arte como analgésico, el ser bondadoso que sufre en el «infinito silencio», el soldado que oculta «una derrota sin voz». Esta metáfora es sin duda la más  preciosa: el héroe que el mundo ve como invencible pero que por dentro está quebrado.

Hay genialidad en este poema. No busca la rima consonante rigurosa, ni la métrica fija, varían sus versos y eso le imprime naturalidad y un ritmo que parece una confesión. Es un poema lleno de musicalidad debido a las figuras de repetición. 

La última línea contiene una paradoja hiriente: «la realidad te ciega». Nos dice que aquello que llamamos realidad (lo superficial, lo obvio) es en realidad una venda que nos impide notar el sufrimiento ajeno debido a nuestra propia banalidad. 

El poema de Jessenia Romero es un bálsamo de empatía. Funciona como una radiografía del alma contemporánea, donde muchas veces se nos exige estar bien, sonreír para la foto y ser «guerreros» perfectos, olvidando que detrás de la fachada más sólida puede haber un río de lágrimas contenidas. Es un llamado urgente a mirar no con los ojos, sino con el alma.

Heiner Bryan Rodríguez Berríos Arquivo pessoal

 Heiner Bryan Rodríguez Berríos, es un joven  poeta,  abogado y notario público, e Ingeniero civil nacido en la ciudad de Chinandega, Nicaragua. Desde muy joven se trasladó a León, ciudad donde creció el Príncipe de las Letras Castellanas. 

En el año 2024 publicó en Nicaragua el libro Bazofias y otras carroñas. En la plataforma digital de El Libro Total publicó A vos, Lirios y Palomas golfas ruiseñores rastreros. 

Dinosaurio

Un dinosaurio camina entre la multitud.

Intenta hablar con los transeúntes,

pero todos lo esquivan,

apurados por llegar al trabajo.

El dinosaurio se sienta en la banqueta.

¿Cuándo se volvió todo así?

El dinosaurio observa.

Su rostro es un espejo.

El dinosaurio llora.

Nadie lo socorre.

Está solo.

El dinosaurio cuenta el tiempo con el sol.

Se levanta.

Saca un traje de la basura

y se lo pone.

El dinosaurio ya no está.

Análisis Del Poema

Dinosaurio es un poema urbano de marcado existencialismo que utiliza la ciudad bulliciosa y acelerada como escenario. A través de una narrativa sencilla, casi infantil en su superficie, el autor construye una alegoría demoledora sobre la alienación moderna, la deshumanización de las ciudades y la pérdida de la autenticidad.

Heiner utiliza al dinosaurio  como el símbolo perfecto del anacronismo,  representa lo viejo, lo extinguido, lo que ya no pertenece al tiempo presente. Retrata al individuo que se siente inadaptado, fuera de época, desconectado de los códigos de la sociedad hipermoderna. Una multitud está «apurada por llegar al trabajo» (el utilitarismo), el dinosaurio intenta entablar comunicación, busca la conexión humana pero la masa busca la productividad. Retrata la indiferencia urbana con una dura frialdad. La banqueta se convierte en el escenario de la intemperie social, es desde esa banca que nace una pregunta existencial: ¿Cuándo se volvió todo así? No es una pregunta del dinosaurio sobre sí mismo, sino sobre el entorno. Es la perplejidad ante un mundo que ha mecanizado sus emociones.

En el verso número ocho cita: «Su rostro es un espejo». Nos afirma que el dinosaurio no es un monstruo ajeno; el dinosaurio somos nosotros. Al mirarlo a él, deberíamos ver nuestra propia humanidad perdida, pero la multitud prefiere no mirar.

«El dinosaurio llora. / Nadie lo socorre», el autor denuncia la muerte de la solidaridad en las grandes urbes, donde el dolor ajeno se vuelve invisible. 

Un punto de inflexión clave ocurre cuando el personaje cuenta el tiempo con el sol. Esto lo vincula a un orden natural, cósmico y ancestral. Sin embargo, para sobrevivir en el entorno urbano, el personaje se ve obligado a renunciar a ese tiempo natural para someterse a la triste realidad del tiempo del reloj y las tarjetas de marcaje laboral.

El desenlace del poema es trágico: «Saca un traje de la basura / y se lo pone. / El dinosaurio ya no está». Al provenir de la basura el traje, sugiere que las convenciones sociales que adoptamos para encajar son desechos, carentes de valor real. Al ponerse el traje, el dinosaurio se camufla, se vuelve idéntico a los transeúntes que antes lo esquivaban. La frase «El dinosaurio ya no está» no significa que se haya ido o haya muerto físicamente; significa que ha sido asimilado, por el sistema. Su singularidad ha sido destruida en favor de la homogeneidad urbana. Se torna autómata dentro de un sistema que te absorbe hacia su amarga trayectoria. Heiner con su poema Dinosaurio intenta huir de la poética que ahoga a esta era. 

Willo Cucufate - Arquivo pessoal
Willo CucufateArquivo pessoal

  Willo Cucufate, el obrero que escribe.

Es un poeta salvadoreño que actualmente reside en la ciudad de Panamá. Es egresado como Técnico en Ingeniería Mecánica de la Universidad Tecnológica de Panamá. Algunos de sus textos han sido publicados en varios medios locales, así como en la revista Latinos and Education de la Universidad de San Bernardino California. 

Obras: 

  • Kroni quitas de mi gente (el Nejapa que viví) 2019
  • Kroni quitas de mi gente (el Nejapa que sufrí) 2020
  • Kroni quitas de mi gente (el Nejapa que dejé) 2021
  • Nixapoética (Hijos del volcán)

versión digital ilustrada (2021)

  • Nixapoética (Hijos del volcán) versión física, en modo de solo texto (2021)
  • Cuentas de la vida y de la muerte (2023)
  • La Floresta erótica (Poesía 2024). 

Hijos del volcán

Somos peregrinos del tiempo y de la historia,

guerreros ígneos de batallas sin fin,

caminantes del universo en ruta de fuego,

hombres de maíz por Ixchel paridos.

Somos hacienda añilera convertida en nido,

ojo líquido de cañales en flor,

manto silvestre de cafetales volcánicos,

paraíso invadido por el opresor.

Somos río brujo con nombre de santo,

caudal juído de sequía ajena,

nacimiento de vida y de soledades,

tres piedras de lavanderas abandonadas.

Somos la memoria patas arriba,

calle vieja de pueblos perdidos,

nidal de quetzales por el progreso emigrados,

con bolas de fuego al Armagedón resistiendo.

Somos los hijos del volcán,

gente que trabaja, llora y canta,

los que la esperanza nunca perdemos,

pueblo que camina mirando al sol,

mujeres y hombres de fuego… Eso somos.

Del poemario Nixapoética (Hijos del volcán).

Panamá, año 2021

Análisis Del Poema 

En el poema  Hijos del volcán, el poeta utiliza elementos como la identidad, la mitología, la lírica y la historia. Como recurso hace uso de la anáfora (repetición de «somos»). El autor no solo define un «yo» colectivo, sino que levanta una cartografía humana, geográfica e histórica de El Salvador y por extensión, de Centroamérica. 

El poema arranca conectando el origen del pueblo con dos vertientes míticas y telúricas: La herencia maya, cuando cita a los «hombres de maíz por Ixchel paridos», con ello evoca directamente el Popol Vuh. 

 La constante mención del fuego y el volcán funciona como la columna vertebral del texto. El volcán en la literatura salvadoreña (desde Claudia Lars hasta Roque Dalton) no es solo paisaje; es un estado mental, una condición de peligro constante y de resiliencia. La segunda y tercera estrofa abandonan el mito para pisar la tierra y la economía colonial y republicana: «Hacienda añilera», «cañales en flor» y «cafetales volcánicos» resumen los tres grandes ciclos económicos que marcaron la sangre y el sudor de la historia salvadoreña. El añil colonial, el café oligárquico del siglo XIX y XX, y la caña de azúcar.

Todo el poema es un grito de denuncia social: «paraíso invadido por el opresor» irrumpe de golpe para politizar el paisaje. El poema deja claro que la belleza natural de la región está triste e indisolublemente ligada al despojo, a como cita Galeano: Los nadies: los hijos de nadie, los dueños de nada.

La lírica melancólica acompaña el poema, la añoranza se ve reflejada en versos que dicen: El caudal juído. (Hace uso del lenguaje coloquial local [variante popular de «huido»]). Y las tres piedras de lavanderas abandonadas representan la migración, el abandono rural y la sequía, no solo climática, sino social. Asimismo menciona que el progreso juega un papel antagónico y protesta enfáticamente: Nidal de quetzales por el progreso emigrados / con bolas de fuego al Armagedón resistiendo. 

Las bolas de fuego representan a una tradición de su Nejapa, (las Bolas de Fuego de Nejapa). 

¿Por qué el poeta usa reiterativamente el Somos

Porque en su poética ve reflejada a una sociedad comprometida con el desarrollo de su país. El poeta cierra el poema de forma circular. Regresa al elemento ígneo «mujeres y hombres de fuego» pero aterriza en lo cotidiano: gente que trabaja, llora y canta. El fuego no es solo destrucción; es la energía diaria para sobrevivir.

En Hijos del volcán, Willo Cucufate hace un inventario del alma colectiva. Logra condensar en veintiún versos la cosmogonía prehispánica, el dolor de la explotación agrícola, la herida de la migración moderna y el optimismo inquebrantable no solo del pueblo salvadoreño, sino de todas las naciones de Centroamérica. Es un poema que se siente telúrico, sudado y profundamente arraigado en la memoria de su tierra.

En resumen, este compendio nos enfrenta a una paradoja hiriente: la realidad que habitamos es una ceguera consensual guiada por la banalidad. Frente a este letargo, la poesía de Romero, Rodríguez y Cucufate se erige como un acto de resistencia ontológica.

​No son solo poemas; son dispositivos de deconstrucción social y bálsamos metafísicos que nos exigen rasgar el velo de lo superficial. Nos recuerdan que, detrás de la fachada de cemento y las sonrisas de diseño, late un fuego inextinguible, una lágrima sagrada y una necesidad urgente de volver a mirar el mundo, ya no con los ojos de la carne, sino con la luz del alma.

Hermógenes L. Mora

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Geometria da redenção macabra

Clayton Alexandre Zocarato

Conto: ‘Geometria da redenção macabra’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
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“Há homens que procuram a salvação como quem procura uma saída. Outros
descobrem, tarde demais, que a saída era apenas mais um corredor.”
(C. A. Zocarato)

Quando o velho Aristeu completou sessenta e sete anos, decidiu desenhar um quadrado.

Não uma casa.

Não um mapa.

Não um projeto.

Um quadrado.

Passou horas diante da mesa, observando o papel vazio como um sacerdote contempla um altar abandonado. A mão tremia. Os olhos ardiam. 

A vida inteira lhe pesava nos ombros como uma biblioteca construída com pedras.

Finalmente traçou quatro linhas.

Perfeitas.

Quatro limites.

Quatro fronteiras.

Quatro prisões.

Sorriu.

E chorou.

Naquele instante compreendeu algo que a maioria dos homens jamais percebe: toda existência humana é uma tentativa desesperada de desenhar formas geométricas sobre o caos.

O casamento.

A carreira.

A religião.

A moral.

A pátria.

A identidade.

Tudo não passava de linhas imaginárias riscadas sobre um universo que jamais pedira organização.

Você, leitor, talvez não goste dessa ideia.

Talvez prefira acreditar que sua vida possui um centro.

Uma finalidade.

Uma direção.

Mas responda sinceramente:

Quantas vezes você mudou de opinião?

Quantas vezes traiu os próprios princípios?

Quantas vezes chamou de verdade aquilo que depois chamou de erro?

O que mudou?

O mundo?

Ou apenas o desenho que você fazia dele?

Aristeu sabia.

Sabia porque carregava cadáveres dentro da memória.

Não cadáveres físicos.

Piores.

Cadáveres morais.

Os amigos abandonados.

Os amores destruídos.

As covardias justificadas.

As oportunidades assassinadas pela preguiça.

Cada erro era um ponto.

Cada culpa era uma linha.

Cada arrependimento acrescentava um novo ângulo à arquitetura secreta da alma.

Foi então que começou a construir sua geometria.

Durante meses, isolou-se.

Os vizinhos acreditavam que estivesse enlouquecendo.

Talvez estivesse.

Mas existe uma diferença entre o louco e o filósofo.

O louco acredita ter encontrado respostas.

O filósofo descobre perguntas.

E Aristeu estava afogado nelas.

Desenhava círculos.

Triângulos.

Espirais.

Poliedros impossíveis.

Cada figura representava um pecado.

Cada vértice representava uma escollha.

Cada linha simbolizava uma consequência.

Com o tempo percebeu algo perturbador.

Nenhuma figura era perfeita.

Todas possuíam falhas.

Pequenas deformações.

Assim como os seres humanos.

Assim como a própria moral.

Afinal, quem inventou o bem?

Quem definiu o mal?

Quem distribuiu certificados de virtude?

Os vencedores?

Os sacerdotes?

Os políticos?

Os mortos?

Você já pensou nisso?

Ou apenas repetiu as respostas que herdou?

A sociedade produz certezas da mesma forma que uma fábrica produz parafusos.

Em série.

Sem reflexão.

Sem profundidade.

Sem alma.

Aristeu percebeu que havia passado décadas vivendo segundo fórmulas que nunca examinara.

Era um homem educado.

Honesto.

Respeitável.

Mas também era um escravo.

Como quase todos.

Escravo de opiniões.

De expectativas.

De medos.

Principalmente de medos.

Numa madrugada de inverno encontrou um velho livro numa estante esquecida.

As páginas estavam amareladas.

Cheiravam a poeira e fracasso.

Leu uma frase que mudou tudo:

“A redenção não é apagar os erros. É compreendê-los.”

Fechou o livro.

Permaneceu imóvel.

Horas.

Dias.

Talvez anos espirituais tenham passado naquele silêncio.

Porque compreendeu uma verdade aterradora.

A humanidade construiu uma religião da absolvição.

Todos querem ser perdoados.

Ninguém quer ser compreendido.

Nem compreender.

Querem lavar as mãos.

Limpar o currículo moral.

Apagar manchas.

Como crianças que escondem sujeira debaixo do tapete.

Mas o universo não esquece.

A consciência não esquece.

A memória não esquece.

O passado é um arquiteto paciente.

Constrói silenciosamente os corredores pelos quais caminharemos amanhã.

Aristeu então abandonou a busca pelo perdão.

Passou a buscar entendimento.

E foi aí que começou sua redenção macabra.

Macabra porque exigia encarar os monstros.

Não os monstros externos.

Esses são simples.

Os monstros internos.

Os mais perigosos.

A inveja disfarçada de justiça.

A vaidade fantasiada de humildade.

O egoísmo vestido de amor.

A covardia escondida atrás da prudência.

Você conhece esses monstros?

Claro que conhece.

Talvez esteja alimentando um deles agora.

Talvez ele esteja lendo este texto através dos seus olhos.

Aristeu descobriu que o ser humano possui um talento extraordinário para mentir.

Principalmente para si mesmo.

Nenhum mentiroso é tão eficiente quanto a própria consciência tentando preservar sua autoimagem.

A alma fabrica desculpas como uma máquina produz fumaça.

Sem parar.

Sem descanso.

Sem vergonha.

Por isso a verdade é rara.

Ela exige sacrifício.

Exige mutilação.

Exige coragem.

A verdade não conforta.

A verdade opera.

Sem anestesia.

Os anos passaram.

As paredes da casa estavam cobertas por diagramas.

Milhares deles.

Quem entrasse ali acreditaria ter encontrado um laboratório secreto.

E de fato havia encontrado.

O laboratório da condição humana.

Cada figura representava uma conclusão.

Cada conclusão destruía uma ilusão.

Cada ilusão destruída aproximava Aristeu de algo que ele chamava de centro.

Não o centro geométrico.

O centro existencial.

O núcleo obscuro onde habitam nossas contradições.

Foi então que percebeu a maior descoberta de sua vida.

O ser humano não busca felicidade.

Busca distração.

Felicidade exige presença.

Distração exige apenas movimento.

Observe as multidões.

Correndo.

Comprando.

Consumindo.

Postando.

Acumulando.

Competindo.

Fugindo.

Sempre fugindo.

Mas de quê?

Da pobreza?

Da morte?

Do fracasso?

Não.

Fogem do encontro consigo mesmas.

O silêncio tornou-se o último terror moderno.

Porque no silêncio surgem perguntas.

E perguntas são mais perigosas que armas.

Na noite de seu aniversário de setenta anos, Aristeu terminou a obra.

Era uma figura gigantesca.

Formada por milhares de linhas.

Uma estrutura tão complexa que parecia impossível compreendê-la.

No centro havia apenas um ponto.

Um único ponto.

Nada mais.

Nenhuma explicação.

Nenhuma legenda.

Nenhuma resposta.

Apenas um ponto.

Sorriu novamente.

O mesmo sorriso do primeiro quadrado.

Sentou-se diante da figura.

Permaneceu observando-a até o amanhecer.

Então compreendeu.

Toda sua geometria apontava para aquele centro.

Todos os fracassos.

Todas as vitórias.

Todos os arrependimentos.

Tudo convergia para um único lugar.

A consciência.

O tribunal que jamais fecha.

O juiz que jamais dorme.

A testemunha que jamais desaparece.

A verdadeira redenção não estava fora.

Nunca esteve.

Nenhuma instituição poderia concedê-la.

Nenhuma ideologia.

Nenhuma autoridade.

Nenhum guru.

Nenhum profeta.

A redenção nascia quando o homem abandonava a mentira sobre si mesmo.

Somente isso.

Nada mais.

Nada menos.

Na manhã seguinte, os vizinhos encontraram a casa vazia.

Aristeu havia desaparecido.

Nenhuma carta.

Nenhuma despedida.

Nenhum corpo.

Nenhum vestígio.

Somente a imensa figura geométrica cobrindo as paredes.

Durante décadas, estudiosos tentaram interpretá-la.

Fracassaram.

Matemáticos.

Filósofos.

Psicólogos.

Teólogos.

Todos fracassaram.

Porque procuravam respostas.

E a obra não continha respostas.

Continha espelhos.

Quem a observava enxergava apenas a si mesmo.

Como acontece com toda grande filosofia.

Como acontece com toda grande literatura.

Como acontece com a própria vida.

Agora chegamos ao fim desta história.

Ou talvez ao início.

E resta uma pergunta.

A única que realmente importa.

Se sua vida fosse transformada numa figura geométrica, que forma ela teria?

Um círculo de repetições?

Um triângulo de conflitos?

Uma espiral de desejos?

Um labirinto de desculpas?

Ou uma prisão construída pelas próprias mãos?

Pense com cuidado.

Porque um dia todas as linhas que você traçou se encontrarão.

Todos os ângulos convergirão.

Todas as máscaras cairão.

E quando isso acontecer, não haverá público.

Não haverá aplausos.

Não haverá seguidores.

Não haverá títulos.

Não haverá currículos.

Não haverá narrativas.

Apenas você.

E o ponto central.

O núcleo silencioso daquilo que realmente foi.

A geometria da redenção macabra começa exatamente aí:

No instante em que o homem percebe que passou a vida inteira tentando escapar de si mesmo, e descobre, tarde demais, que era justamente para dentro de si que todos os caminhos apontavam.

Clayton Alexandre Zocarato

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Sobre o poema A Albatroza

Ella Dominici: ‘Sobre o poema A Albatroza’

Ella Dominici
Ella Dominici

A Albatroza nasceu de um diálogo entre a modernidade poética francesa e a condição contemporânea da mulher que pensa, escreve e contempla.

A inspiração inicial remete ao célebre poema O Albatroz, de Charles Baudelaire, no qual a ave majestosa, soberana nos céus, torna-se desajeitada e vulnerável ao tocar o convés do navio. Nessa imagem, Baudelaire reconheceu a condição do poeta diante de uma sociedade frequentemente incapaz de compreender a natureza do pensamento criador.

Em A Albatroza, essa figura é revisitada sob uma perspectiva feminina. A ave transforma-se em símbolo da mulher intelectual, da poeta, da escritora e da pensadora que, ao elevar seu olhar para além das convenções imediatas, frequentemente encontra incompreensão, censura ou estranhamento.

Há também uma discreta sombra de Stéphane Mallarmé, especialmente na presença do ‘branco’ como espaço de permanência do poema e na ideia de que o pensamento lança seus dados ao invisível. Entretanto, a obra não se limita à homenagem literária. Ela busca afirmar uma voz própria, onde contemplação, lucidez e sensibilidade coexistem.

A palavra Albatroza, criada pela feminização poética do albatroz baudelariano, torna-se mais que uma imagem: converte-se em arquétipo. Representa a mulher que aceita a altitude da reflexão sem renunciar à delicadeza, que suporta a incompreensão sem abandonar a própria voz e que encontra na escrita uma forma de permanência.

Se Baudelaire escreveu a queda do poeta, A Albatroza procura escrever a permanência da poeta.

Rute Ella Dominici

A Albatroza

Imagem criada pelo ChatGPT - https://chatgpt.com/s/m_6a2b6e923a20819185b58face9214358
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A mulher de espírito assemelha-se à albatroza das alturas,

abrindo suas asas ao vento com serena desenvoltura.

O voo lhe é contemplação,

onde a dúvida se transforma em lúcida razão.

Nos céus, lança pensamentos como dados ao invisível,

e seus versos aprendem a dizer o indizível.

Mas quando desce às terras ordinárias,

erguem-se as vozes telúricas, severas e contrárias.

Chamam excesso ao que é apenas ascensão,

confundem o silêncio com erro ou negação.

E riem da ave que não sabe caminhar

entre os passos apressados dos que temem pensar.

Assim, viva nos ares, torna-se estranha na terra;

suas vastas asas ultrapassam toda fronteira.

Contudo, entre vaias e juízos amargos,

permanece fiel aos seus horizontes largos.

Pois quando o tumulto terrestre se desfaz enfim,

resta o branco onde o poema retoma seu jardim:

o antigo voo da ideia que ousa ainda existir,

porque pensar é voar —

e voar é persistir.

Ella Dominici

L’Albatrosse

La femme d’esprit ressemble à l’albatrosse des hauteurs,

ouvrant ses ailes au vent avec une sereine grandeur.

Le vol est pour elle contemplation,

où le doute devient lumineuse raison.

Dans les cieux, elle lance ses pensées comme des dés vers l’invisible,

et ses vers apprennent à parler l’indicible.

Mais lorsqu’elle descend vers les terres ordinaires,

s’élèvent les voix telluriques, sévères.

Elles nomment excès ce qui n’est qu’essor,

confondent le silence avec quelque tort.

Et elles se moquent de l’oiseau qui ne sait marcher

parmi les pas pressés de ceux qui craignent de penser.

Ainsi, vivante dans les airs, elle demeure étrangère sur la terre ;

ses vastes ailes dépassent toute frontière.

Pourtant, au milieu des huées et des jugements amers,

son destin demeure fidèle à la lumière.

Car lorsque le tumulte terrestre s’efface enfin,

il reste le blanc où le poème reprend son chemin :

l’ancien vol de l’idée qui ose encore exister,

car penser, c’est voler —

et voler, c’est persister.

Ella Dominici

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