Tempo do inverno
Denise Canova: Poema ‘Tempo de inverno’


Tempo do inverno
Longo e frio
Tempo que enjoa
Tempo que eu escrevo um livro
Poético de inverno.


Tempo do inverno
Longo e frio
Tempo que enjoa
Tempo que eu escrevo um livro
Poético de inverno.

Natural de Itajubá, MG, ele tem 60 anos e uma trajetória profissional que começou na engenharia de telecomunicações, uma área em que atuou por décadas em grandes empresas como NEC, Ericsson, IDT e Algar Telecom.
Mas, ao longo dessa jornada, algo dentro dele crescia de forma silenciosa: o olhar atento para o comportamento humano, para as sutilezas sociais, para aquilo que muitos não percebem no dia a dia.
E foi justamente essa capacidade de observar “por trás da cortina” que acabou mudando sua rota.
Hoje, Emerson é palestrante e escritor.
E, se antes lidava com cabos, sinais e conexões, agora trabalha com um tipo muito diferente de conexão: aquela que acontece entre ideias e pessoas.
Emerson sempre conviveu com profissionais de diferentes culturas, países e mentalidades.
Esse convívio aflorou nele um senso crítico apurado, não no sentido negativo, mas no sentido curioso, analítico, quase científico de quem quer entender por que somos como somos.

Ele mesmo gosta de dizer que é um leitor do que está “abaixo da superfície”.
Para ele, as pequenas atitudes dizem muito.
Os comportamentos revelam histórias inteiras.
As dinâmicas sociais são quase um laboratório vivo.
E é justamente dessa observação atenta que nasce seu estilo de escrita: direto, objetivo, cortante quando precisa, mas sempre com o propósito claro de levar o leitor à reflexão.
A ideia do seu primeiro livro, Síndrome Caramelo, surgiu como um lampejo um momento de consciência, quase como se alguém tivesse virado uma chave dentro dele.
Emerson entendeu que não queria apenas comentar sobre o que via. Ele queria registrar, provocar, mexer com as pessoas.
Inspirado nas suas próprias inquietações, o livro aborda a maneira como enxergamos a nós mesmos, nossas capacidades e nossos limites.
Para Emerson, muitos de nós carregam uma espécie de “adormecimento”, um costume de aceitar as coisas como são, como se o mundo estivesse fora do nosso alcance.
No livro, ele usa metáforas, reflexões e exemplos cotidianos para despertar o leitor não com dureza, mas com honestidade e um incentivo sutil a repensar hábitos, atitudes e crenças.
O que move Emerson é simples: fazer as pessoas refletirem, mudarem pequenos comportamentos e, aos poucos, construírem uma sociedade mais consciente.
Ele não escreve para polemizar, e sim, para iluminar e tirar o leitor daquele piloto automático que transforma a vida em repetição.
E isso, para ele, é missão de vida.
Em Síndrome Caramelo, o autor dispara um tiro certeiro no peito do conformismo brasileiro.
Com a acidez de um observador implacável, ele desvenda por que nos tornamos os “vira-latas” que aceitam a “ração” da inação, desmascarando a preguiça por trás de ditados populares e a impunidade do “jeitinho”.
Este não é um livro para passar o tempo, mas um chacoalhão provocador que te fará questionar até quando você vai latir para a sua própria mediocridade e quando, finalmente, vai quebrar as correntes e sair da jaula para ser um cidadão melhor.



Ao ler um bom livro
me privo da ignorância.
A leitura é alimento,
é sabedoria em abundância.
Viajo com liberdade
por lugares nunca vistos!
Alçando vôos sem medo,
rumo ao desconhecido.
Ler, me faz ‘crescer’
e aprender a lidar com a dor,
encontrando o remédio para cura interior.
É alcançar o céu, sem tirar os pés do chão!
É caminhar em busca de autoconstrução.
É romper barreiras intelectuais
e adquirir conhecimento.
É ter sapiência, compreendendo um pouco,
os mistérios da ciência.
É viver a dor do personagem,
como se essa dor fosse sua.
O exercício da leitura é de fato uma terapia
Quem lê, tem a mente saudável
e não vive em utopia.
Nas entrelinhas de cada livro que li,
encontrei um caminho novo a seguir.
Algo me fez florir,
me inspirando a escrever o
que em sonhos vivi.
Viva os leitores do Brasil que fazem do livro
combustível pra viajar o mundo
e tocar o invisível!


Ter um livro nas mãos é um universo de possibilidades. Fazemos viagens fantásticas, conhecendo lugares, mundos e até universos paralelos. Sonhados, criados e apresentados pelos olhos da imaginação de um escritor aos olhos ávidos dos leitores.
Gosto de histórias, de qualquer história. Mas prefiro aquelas que me causem reações de alegria, de espanto, até medo, e até aquela comichão de me instigar a escrever a minha história.
Todas as emoções possíveis e cabíveis na alma humana, e, claro, as inesperadas, aquelas que nós nem desconfiamos que as encontraremos em nós mesmos.
O bom de um livro está justamente aí, no impossível que pode acontecer nas linhas de uma página. Aquelas decisões inesperadas, o reboliço da protagonista que dá um basta numa vida infeliz, ou que vence algum problema que a acomete.
Deixei de ser água com açúcar, como me diria mamãe. Gosto de ver o circo pegar fogo, assumir riscos e, no final, vencer. Afinal, escrever é desvendar nosso próprio interior.
Como poeta, tem a dor, o sofrer, amar, desamar, passar noites em claro enaltecendo a paixão. Todo poeta é um fingidor, disse um poeta.
Gosto desse fingir, muitas vezes fingi ser minha a dor de alguém. Aquele que foi passado adiante como uma roupa velha.
Descartado em seus sentimentos, abandonado a sua própria sina de amar, sem ser amado. Um livro deveria ser o objeto der cobiça de toda criança. Sinto muito ao ver crianças em idade escolar, minadas e bombardeadas por celulares. Raramente vejo, atualmente, crianças, seja em casa, nos coletivos, praças ou calçadas, com um livro nas mãos.
Fim de ano letivo, vejo essas crianças e adolescentes rasgando os livros didáticos, nas ruas aqui do bairro. Como se os livros fossem objetos de descarte. Nesse momento fico extremamente triste, afinal, por que esse desprezo pelos livros?
Ivete Rosa de Souza


Num dia frio, um livro a folhear,
Na brisa leve, o eco do teu riso,
O tempo é gelo, o céu escuro e indeciso,
Sem teu calor, não sei como esperar.
Teu nome vaga em sombras a dançar,
Na solidão, meu peito agonizando,
Em cada linha, um sonho delineando,
No qual me perco, só para te amar.
Se estás distante, invento-te em cor,
Desenho estrelas, traço teu olhar,
Nos céus te vejo, fonte do meu ardor.
E se no vento escuto te chamar,
É que minh’alma clama pelo amor,
E a tua volta vem me iluminar.
Irene da Rocha


Quisera, ao sol do dia,
Esconder minha presença
Em profundo poço.
Dormir o sono longo
Dos justos, dos cansados.
Quisera, ao sol do dia,
Ser apenas uma pedra
Numa gruta distante.
Quisera, ao sol do dia,
Ser apenas uma folha
Num livro com folhas
Sem fim.
Quisera viver somente à noite:
Hora mágica do dia!
Que ventura ao espírito!
Quão liberta e suave
A vida noturna,
Em que a alma se despoja
Dos grilhões da rotina diária
Em que nossos sentimentos se abrandam
Ao contato de outros seres.
Hora mágica,
Dos cantores de poesia
Dos suspiros românticos
Dos aromas de mel
Da lua irradiando saudades!
Triste dia que chega
Ao canto do arauto emplumado!
Triste vida luminosa
E, também, escura
Que clareia o inimigo
Que, à noite, era irmão!
Sergio Diniz da Costa


Sinto-te em cada livro que leio.
O enredo sempre fala de nós…
A sós, eu e a pequena história de nossas vidas em centenas de páginas
Escritas em letras garrafais…
Há tempo, nem me lembrava mais desse olhar,
Suave como chá de maçã.
Dessa música romântica em língua estrangeira rodando no disco de vinil.
Eu e você em lados opostos da poltrona de couro: entre nós,
Meu caderno de poesia aberto…
Quem de nós irá passar a próxima página?
Bem ali, a seguinte poesia que fiz para ti.
Não teria coragem de mostrá-la…
A tarde cai iluminada por um sol de outono, fosco e quente.
Lá fora as árvores renovam suas folhas, vez ou outra uma folha passa pela janela, impulsionada pelo vento.
Uma folha amarelada nos chama à atenção. Desviamos os olhares.
Você me presenteia com aquela folha quase seca,
Com tons verde oliva e amarelo ocre.
Coloco-a delicadamente entre as páginas do caderno: “Ela é tão bonita!”
“Você é muito mais…”
Corei de vergonha. Quanta timidez aos quinze anos…, aos vinte…
Estava tão perto de nós, talvez se eu, por um impulso de insanidade,
Tivesse passado aquela página…
A cortina de renda branca se move vigorosamente,
Quem sabe ela também aguardava pela minha iniciativa.
O LP já tocou quase todas as músicas. Continuamos nesse diálogo insosso.
Seu rosto mostra um cenho levemente franzido,
Como se tivesse um ponto de interrogação.
Eu sorrio de canto, a qualquer palavra boba que sai de sua boca.
Quando o Sol desceu no horizonte, lançou um raio de luz sobre seus olhos azuis, quase translúcidos. Tocou os cachos longos dos meus cabelos,
Que de um castanho médio, passou para o tom dourado.
Eu estava bonita…
Afinal era nosso primeiro encontro.
O suco de groselha na mesinha de centro, a toalha florida cobria a mesa de cerejeira, a música romântica, o piso xadrez…
Uma varanda envolta por samambaias.
Era tudo perfeito!
Apenas havia um caderno de poesia entre nós.
Em suas páginas, um mundo de fantasia.
Mas era o meu mundo: Nele estava você, seus olhos azuis, suas palavras soltas, suas músicas estrangeiras e as flores da sua rua…
Anoiteceu em nossos olhos. Terminou o disco de vinil.
Nunca mais tivemos a chance de ver o colorido de outono…
Nunca soube o que queria me perguntar, suspeito que, talvez, quisesse saber o que estava escrito naquele caderninho de capa azul-anil.
Evani Rocha