Suziene Cavalcante: Poema ‘Depois que chegaram da Lua’
Suziene CavalcanteImagem criada por IA do ChatGPT
Eles foram até a Lua Com bandeiras, fé e razão. Queriam medir o espaço. E entender a humana razão.
Levaram números e máquinas. Planos, mapas e ambição. Mas trouxeram algo invisível, que não cabe em explicação.
Só quem vê o Infinito, liberta-se dos ciclos, e ganha um livre coração.
Viraram o olhar pra Terra tão azul, tão só no escuro. E ali sentiram no peito que o amor é o foguete mais seguro.
Depois que chegaram da Lua, nada mais foi como antes. O dinheiro ficou pequeno. O poder ficou distante.
Eles viram que a vida é breve.E o agora é o que importa. Que o universo é nossa casa. E o coração é a porta.
Viram o silêncio falando. Viram luz sem precisar ver. Entenderam que a grandeza é aprender a ser.
Voltaram com olhos novos. E o ego ficou pra trás. Quem vê o infinito de perto não é igual nunca mais.
Somos poeira de estrelas. Mas também luz a brilhar. Tão pequenos na imensidão. Tão imensos ao amar.
Só quem vê o Infinito e depois à Terra desce, descobre seu próprio espírito e nunca mais se envaidece.
Depois que chegaram da Lua, aprenderam a soltar o que pesa, o que divide, o que não deixa voar. A lua tem face humana. Ela também pisou na Terra c’a sua chama, ensinando a brilhar.
Se todo mundo pudesse ver a Terra lá do céu. Talvez cuidasse mais dela. Talvez rasgasse o véu! Talvez entendesse que estamos viajando. E o Porto, a chegada, é o Infinito nos tocando.
Depois que chegaram da Lua, trouxeram algo maior. Não foi pedra, nem conquista. Foi consciência de que na vida não estamos sós. Que na vida tudo passa, mas o Universo é a nossa casa. Todos nós em um só pó.
Quem consegue deixar os sentimentos baixos, consegue subir ao espaço. E lá ver o espírito do infinito e seu abraço.
Quem se tornou leve conseguiu ir lá. E quando retornou, a alma quis mudar. Nunca mais quis competir, pois o Infinito em tudo está. Quem já esteve a sós com Deus nunca mais quis odiar.
Com os pés sobre a Lua, viram o mundo azul. E nesse vislumbre fiel, viram que a Terra pode ser o céu, já tem a cor do céu, e o céu és tú!
Jakob Kapingala: Poema ‘Peguei um punhado de amor’
Logo da seção O Leitor ParticipaImagem criada por IA da Meta – 14 de dezembro de 2025, às 9:14 PA
Peguei em cada gota das lágrimas que abraçavam meu rosto, E pintei-as com as cores do arco-íris com muito gosto. Transformei a ansiedade que cobria meu peito, Numa paciência bonita e coberta de muito respeito.
Persegui sem tréguas o coração que me tinha abandonado, Tocando levemente o pouco da alma que me tinha sobrado. Corri atrás dos sorrisos que há muito se perderam, Abraçando o vento melancólico dos tempos que já se foram.
Parei num tempo sem tempo observando a lua, Com o coração ansioso em trilhar suavemente a rua, Que dava passagem a um mundo só de alegria, Enquanto fugia do meu ser mergulhado na fantasia.
Peguei um punhado de amor que encontrei por aí, Coloquei-o na mochila da positividade e saí, Correndo livremente igual a um pássaro, Que traz nos lábios um sorriso raro.
Jakob Kapingala
Jakob Kapingala
Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.
É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.
Teve o desejo de colocar em um papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.
É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.
Mais importante do que a cor da pele é a cor do caráter. E esta cor é o transparente.
A raça negra, em contraste com a raça branca, é apenas como o dia e a noite: de dia, com o sol, externamos a alegria; de noite, com a Lua e as estrelas, sonhamos.
Muitas pessoas têm preconceito de raça, como se a raça branca, ou a negra, ou a amarela, fosse a raça mais pura, a mais perfeita. Isso nos faz lembrar as belíssimas pinturas de Da Vinci, ou de Rafael, em que o visitante de uma galeria de arte destacasse o azul, ou o vermelho, ou o amarelo deste ou daquele quadro, se esquecendo, contudo, que foram todas as cores reunidas que imortalizaram essas obras.
COSTA, Sergio Diniz da. Pensamentos soltos na brisa das tardes. Vol 2. Sorocaba/SP: Crearte Editora, 2014, pp. 15 e 15.
No quadro do ROL, as letras argentinas de Orlando Valdez!
Orlando Valdez abrilhanta o quadro de colunistas do ROL, com sua destacada carreira literária!
Orlando Valdez
Orlando Valdez nasceu em Ramallo (1961), Província de Buenos Aires e reside em Rosário, Argentina, desde 1986.
Publicou as coletâneas de poesia: O Profundo Silêncio de Toda Loucura (2001/2001), O Mezquino Trazo del Act (2012), A Feroz Covardia do Silêncio (2007/2017), A Simetria Inusitada (2019), Setenta Vezes Sete Mais Que Três Vezes (2019) e Zedlav (2020).
Foi jurado duas vezes no Concurso Internacional de Poesia Acebal, na Província de Santa Fé (2002 e 2022).
Sua obra foi publicada em 14 antologias e em revistas de poesia nacionais e internacionais. Participou com sua obra em mesas de leitura em festivais internacionais no Chile (2005), Cuba (2014), México (2017) e na Argentina, ao nível internacional, nacional e provincial. É membro ativo do Colégio de Escritores e Poetas do Sudeste (CEPSURE International Friends) e correspondente da revista mexicana de poesia Blanco Móvil.
Orlando Valdez inaugura sua colaboração no ROL com o poema ‘Nas Ruas à Noite’ (do livro: O Silêncio Profundo de Toda Loucura)
Nas Ruas à Noite
Imagem criada por IA do Bing. 20 de junho de 2025, às 14:12 PM
Em noites de luar, caminho sozinho, Levando no peito um canto calado. A Lua ilumina um destino mesquinho, De quem ama o eco de um tempo passado.
Meu coração pulsa em acordes dispersos, Um piano trêmulo sem maestro ou partitura. Cada compasso se perde em tolos versos, Que escrevo ao vento, sem assinatura.
O vento sussurra seu nome em segredo, Mas já não sei se ele ainda te alcança. O amor é um sopro, um breve enredo, Que um dia me aquece e depois se cansa.
Nos campos da vida, entre lutas e glórias, Te vejo ao longe, em memórias gastas. Na melodia que embala histórias, Seu rastro insiste, mas já não basta.
Ó musa ausente, quem te inspira agora? Em que braços entregas teu sonho e alegria? Mesmo distante, seu riso me ancora, E canto em silêncio… pois é tudo o que eu queria.