Camadas

Loide Afonso: Poema ‘Camadas’

Loid Portugal
Loid Portugal
imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69c2f0cf-7d10-83e9-94db-58a417985da3

Saber o que se quer
Primeiro
É melhor do que se desprender.
Caçar, é muito mais
Que ir devagar
Pescar,
Os barcos andam
Com vontade de correr, eu os vejo
Saltarem sobre as ondas
Como se
Com os peixes
Quisessem competir,
Madrugada não foi feita pra pular
Saltar, durma
Descanse oh, minha mente dormente!
Entre frio e quente
Prefiro abraçar quem
Sente.

Loid Portugal

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Chama do amor

Nilton da Rocha: Poema ‘Chama do amor’

Nilton da Rocha
Nilton da Rocha
Imagem criada pela IA do Grok
Imagem criada pela IA do Grok

Amor é chama oculta em madrugada,
um sopro que queima e não se vê,
é dor serena, doce e disfarçada,
ferida aberta que insiste em viver.

É ter no peito a paz e a tempestade,
querer distância e, ainda assim, buscar,
é carregar o peso da saudade
e nela, em silêncio, se encontrar.

É se render à força de um desejo,
mesmo sabendo o risco da ilusão,
é dar a vida inteira num só beijo,
e receber do nada a perdição.

Mas se é tormento e graça em uma só cor,
que mistério rege, em nós, tal favor,
se o próprio coração chama de dor
o que os lábios pronunciam como amor?

Nilton da Costa

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Luar da Madrugada

Irene da Rocha: Poema ‘Luar da Madrugada’

Irene da Rocha
Irene da rocha
Imagem criada por IA do Bing. 20 de junho de 2025,
às 17:45 PM

No luar da madrugada, a dançar,
Segredos se movem em doce compasso,
A brisa ao amanhecer faz despertar,
Promessas sussurram em suave abraço.

O Sol desponta, o horizonte a pintar,
Na grama molhada, a natureza em pranto,
Prepara o encontro que vem celebrar,
Contempla o mundo, envolto em encanto.

Versos traçam caminhos sob a lua,
Madrugada tece sonhos e alento,
Na brisa do amanhecer, magia flutua.

Serenidade no luar, bem guardada,
Poesia na noite é puro sentimento,
O sol escreve na grama orvalhada.

Irene da Rocha

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Pra não dizer que não falei dos espinhos

Cláudia Lundgren: ‘Pra não dizer que não falei dos espinhos’

Cláudia Lundgren
Imagem gratuita do saite pixabay
Imagem gratuita do saite Pixabay

Uma hora da madrugada – isto são horas de ficar filosofando? De ficar querendo saber o porquê das coisas? De ficar supondo sobre o que jamais, de fato, saberei?

Pois é! Não sei se pelo avançar das horas, mas esses pensamentos viraram uma verdadeira salada, envolvendo rosas, espinhos, seres humanos e outros ingredientes.

Alguém saberia me explicar o porquê da existência dos espinhos nas rosas? Logo elas, as mais belas, com suas pétalas aveludadas de tons escandalosamente deslumbrantes, e o perfume que as indústrias do ramo buscam, a qualquer custo, sinteticamente imitar. Aqui em casa ninguém soube me responder.

Será que a rosa perderia a sua humildade, se não fossem seus espinhos? O que ela diria aos seus botões, caso eles não existissem? “Sou a rainha das flores, visto-me com uma roupagem ímpar e o meu perfume é o melhor dos jardins. Quando Deus me fez, Ele disse: ‘Desce e arrasa!’”. Ah, mas “que bobagem, as rosas não falam.” (OLIVEIRA, 1976); porque se falassem, não se vangloriariam, exatamente por possuírem espinhos na carne.

Os espinhos não tiram de forma alguma a majestade da rosa, mas assim como nós, ou como quaisquer seres vivos, ela tem seu lado obscuro. Ninguém pode orgulhar-se muito de quem se é; sim, devemos lutar, ferrenhos, dia após dia, para que o nosso lado bom sobressaia; devemos ser conhecidos por atitudes positivas; mas eles estão lá, e abatem nossa soberba; estão lá para nos lembrar da nossa natureza humana; nós não podemos vê-los a olho nu, mas assim como a rosa, somos cravejados de espinhos.

Certa vez, o cravo e a rosa brigaram, e ele saiu ferido; bem, a rosa não tem braços para bater nem pernas para sair do lugar e ir buscar paus, pedras, vassouras, facões ou outras espécies de arma. Ele foi ferido, certamente, por aquilo que havia na rosa: espinhos – objetos perfurocortantes inerentes à sua natureza. Quantas e quantas vezes ferimos os outros com as nossas próprias armas, com aquilo que temos de pior? Palavras que ferem e fazem sangrar a pele alheia, e doem, talvez, bem mais do que uma bofetada; palavras deixam marcas profundas, cicatrizes horrendas, que nem mediante microscópios somos capazes de ver; marcas na alma. Quantas vezes julgamos ter amigos, e nem sabemos que eles vivem nos apunhalando pelas costas com o punhal da falsidade. Quantas vezes humilhamos pessoas, e as fazemos sentir pequenas. Quantas vezes escarnecemos de alguém e ficamos de risadinhas. Quantas vezes, quantas vezes… São os nossos espinhos, lançados como dardos inflamados, capazes de ultrapassar as barreiras da pele e atingirem no profundo o nosso semelhante. Quem pode se vangloriar que atire a primeira pedra.

As situações também demonstram que nem tudo são flores – pra não dizer que não falei delas, de todas elas. Existem os percalços, os obstáculos, que a todo momento temos que ultrapassar; existe a brisa e o furacão; a bonança e a tempestade; existem os leões diários que temos que matar; flores e espinhos.

As reflexões vão ainda mais longe: é através das ‘espinhadas’ da vida que crescemos, que evoluímos, que nos tornamos ‘cascudos’. Os espinhos são maus, em contrapartida, são as armas de defesa das rosas contra cravos que tentam contra a sua honra; que fazem sangrar as mãos daqueles que tentam matá-la, arrancando-a vorazmente do solo. 

Vou encerrando por aqui porque já passou das três e preciso descansar esta mente bombardeada de achismos, suposições e reflexões, sabendo que certeza mesmo só quem tem é Deus, que gentilmente confidenciou aos biólogos e botânicos. Boa noite!

Claudia Lundgren

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Elo poético resiste e liberta

Ella Dominici: ‘Elo poético resiste e liberta’

Ella Dominici
Ella Dominici
"... e irei pulando as cordas e ponteiros do tempo..."
“… e irei pulando as cordas e ponteiros do tempo…”
Imagem criada pela IA do Bing

Amanhã sei que tudo será ontem
futuro não se vive, mas se inventa
em movimentos à liberdade

ela será pequena, do tamanho que minha alma
necessita, simples mas cultivada,
se puder, será inviolável ao amor da madrugada
a levantarei dos contos que me mentem
confiscam a esperança desta cidade

O miúdo se levantará precipitado
esquecendo de ser aleijado onde imagem
da mata sangrando será vencida

Poderá sonhar sem os mortos que apagam
os sonhos de mentira
Sairemos da cova do teto do mundo
O que tu vistes e provei, será coisa de não acontecer

Se puder então, acreditarei nos sonhos
afundadas resenhas em planos de painas.
Sim, desacreditarei do vil destino
e irei pulando as cordas e ponteiros do tempo
Inda sei que restará a mim olhar sem escamas
poesia do amanhã será menina

Dos campos de trincheiras e vales combatentes,
verei brotar um verde trevo de resiliência
Abandonarei espaços que me limitaram a independência,
na liberdade do pensar curando em versos as feridas,

dançarei o frevo e no abraço da cintura tua
Inventarei livre arbítrios memórias-Sol,
a transcender pela palavra que brilha e cintilante será
no entardecer da vida

Ella Dominici

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De Malanje (Angola) para o Jornal ROL, Zé Franco!

Poeta reconhecido no Brasil e internacionalmente, os versos de Zé Franco enriquecem ainda mais as páginas do ROL!

Zé Franco
Zé Franco

Zé Franco, natural de Malanje (Angola), e residente em Luanda (Capital), é escritor, poeta, trovador e  haikaísta.

Autor do livro ‘Tradutor de Silêncios’, editado no Brasil pela chancela da Editora Filos.

É um poeta reconhecido no Brasil e internacionalmente com prêmios, títulos honoríficos e menção honrosa no Prêmio Internacional Pena de Ouro.

O artista também possui variadas participações em coletâneas e revistas internacionais.

Como em sua consideração, um cidadão do mundo, africano que nasceu em Angola, terra da qual se orgulha.

Zé Franco inicia sua jornada literária ROLiana com o sensibilíssimo poema ‘O sabiá-laranjeira’

O sabiá-laranjeira

Sabiá-Laranjeira
Sabiá-laranjeira
Imagem criada pela IA do Bing

Canta canta, o sabiá-laranjeira

desde a aurora, na madrugada

desde o Sol, ao seu beijo no mar,

do alpendre, lá no Rochedo da Serra,

uma canção só, órfã de souris*

entre o xadrez de um homem livre.

Antes era a liberdade canora

que então seu sedento desejo.

Souris. Alegria, vivacidade.

Zé Franco

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Gabriela Lopes: 'A madrugada da vida'

Gabriela Lopes

A madrugada da vida

Com lágrimas lavo as mãos.
Sinto a vida doer.
Na profundidade humana que carrego.
Mas é dor benevolente.
Quando eu, guerreira valente
Tiro as armaduras
E olho no espelho da alma
As marcas dessa proteção de aço.
A pele com escoriações
Despida e observada.
Mergulho nas águas do Espírito,
Lá, alvejo o coração.

Retiro a lança e o escudo das mãos
E mais leve repouso.
O corpo já ficara moldado
Ao contorno da armadura.
Este, de carne e que sangra.
A madrugada da vida
Nutrida de nudez de alma
Revela que na fragilidade da carne
Mora o eterno.
Estou sem armaduras.
Desejo mais madrugadas nuas.

 

Gabriela Lopes