O jardim que me criou

Marilza Santos: Poema ‘O jardim que me criou’

Marilza Santos
Marilza Santos
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Se Deus é o Criador, fonte de toda luz,
As mães, cocriadoras, seguem a cruz.
‘Mãe’ é palavra de poder e decisão:
Pode gerar vida ou quebrantar o coração.

Mãe Jasmim, de pureza e espiritualidade,
Com leveza e beleza, em sua totalidade.
Violetas, humildes, modestas, suaves,
Guardam a alma com gestos amáveis.

Mães Orquídeas azuis, raras, elegantes,
Simbolizam respeito em gestos constantes.
Mães Lótus, do Oriente, resilientes,
Superam o mundo, serenas e crentes.

Mães Lavandas que acalmam, harmonizam, curam,
Em momentos diários, as dores depuram.
Girassóis, com lealdade e admiração,
Mesmo em erro, ilumina o coração.

Rosas vermelhas, amarelas, azuis ou lilás,
Botões ou abertas toda mãe é paz.
Morena, negra, branca ou amarelas,
Despetalando ou colorindo como aquarela,

Todas são mães, reflexo do criador.
De um Deus apaixonado, se doando por amor
Cocriadoras com amor que conduz.
Colecionando alegrias e tristezas, carregando a cruz.

Mãe Amor-perfeito, ao entardecer, memórias de você
Entre todas as flores que admirei.
Foste tu mãezinha, flor sem igual,
Na glória repousa, com a Mãe celestial.

Marilza Santos

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Mamasita

Jane Nash: Poem ‘Mamasita’

Jane Nash
Jane Nash
Mamasita Susan - Personal archive
Mamasita Susan – Personal archive

Nine years old this year
If you were a dog that would be bad
But tis 9 years since the stem cell transplant
9 years since being told
you’re at the end of the road
9 years since sitting in that restaurant
The three of us
Getting to grips with the fact
it might just all be over
The chemotherapy
The sickness
The losing of hair
Which is more devastating
that one can imagine
The terrible wig
The hat I knitted you to keep your head warm
The first thing I had ever knitted
For the last months of your life

Nine years old this year
When all the markers were against you
AML
it sounds like a football club abbreviation
Acute – there’s nothing cute about
Myeloid – it belonged to all of us
Leukemia – there are no good recovery stats
I watched you shrink,
Washed you
Fed you
Watched you hoping all the time
That this was no Black Star
I wanted in the small hours
A Lazarus effect
But to watch your tiny bones
Your shrinking body
Your little face
My soul began to take bites out of itself

Nine years old this year
Nine glorious accounts of rebellion
With each new birthday I have become
A little cheekier with fate
When I feel that my life is at a standstill
I look at your face, your fuller face
Your stronger bones
Your proud to be ageing body
I am reminded that miracles
Come in the form of packages
It takes a team of us, of them and
Your absolute resolve to survive
To happen
I never mind hearing your voice
Even if I’m tired and falling asleep
When you call across the time zones
I relish the sound of you
The recall of your daily adventures

No matter how ordinary
Because life can never be mundane

Jane Nash

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O poema que não será escrito

Augusto Damas: ‘O poema que não será escrito’

Augusto Damas
Augusto Damas
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O amor é muitas vezes descrito
Por flores e lindas canções,
Por inesperados presentes,
Por gestos de carinho e devoção.
É visto nos cuidados singelos,
No apoio silencioso das horas difíceis,
Na companhia afável que consola a alma,
No abraço sincero que afasta os abismos.
Há amores que cabem em palavras,
Em versos, livros e declarações,
Mas existe um sentimento tão profundo
Que transcende todas as explicações.
Um beijo de amizade verdadeira,
Um olhar que acolhe sem julgar,
Um sentimento que não precisa de voz,
Pois apenas o coração consegue escutar.
É um poema apenas sentido,
Jamais plenamente escrito ou traduzido,
Porque certas formas de amor
Pertencem ao eterno e ao divino.
Um amor que vive acima das dores,
Das distâncias e das imperfeições humanas,
Um amor que somente abaixo de Deus
Habita a grandeza da alma humana.
O amor de mãe.

Augusto Damas

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Mãe que revela amor, dignidade e felicidade

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘Mãe que revela amor, dignidade e felicidade’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69fe78f7-2174-83e9-a677-0bd4550b0f70

Quem não se sente honrado, protegido, feliz e abençoado por ter a Mãe presente, sempre do seu lado, nas alegrias e nas tristezas, nos sucessos e nos fracassos, na saúde e na doença?

Quantas pessoas, em geral, e quantos filhos, em particular, suspiram pela sua Mãe, ou porque ela faleceu, ou porque teve de abandonar o lar, por razões que nem sempre serão da sua exclusiva responsabilidade? A Mãe, em toda a sua plenitude, é indispensável.

Quantas vezes, ao longo da vida, recorremos à nossa Mãe: para nos ajudar, material e/ou espiritualmente? Quantas vezes ela nos negou a sua ajuda? Quantas vezes nós nos interrogamos, profundamente ansiosos: Mãe, onde estás? Ajuda-me! Não me abandones, Mãe!

É muito difícil refletir-se e escrever-se sobre a Mãe, em geral; e sobre a nossa Mãe, em particular, sem que os sentimentos de amor, de saudade ou até de arrependimento, pelo que de errado tenhamos feito, contra a nossa Mãe, nos chamem à razão, nos alertem para a riqueza que temos, ou perdemos, ou ainda que maltratamos.

De facto, ter Mãe é a maior riqueza que se pode obter neste mundo, e quando a nossa Mãe se nos revela com todo o seu amor, sem limites, nem julgamentos e condenações prévios, nem exigências de nenhuma natureza e que, simultaneamente, nos defende, nos elogia, nos projeta para a vida e para a sociedade, então consideremo-nos as pessoas mais felizes e mais ricas do mundo, porque é impossível uma felicidade maior do que termos a nossa Mãe.

Reconhecendo-se como insubstituível as funções de Mãe, numa sociedade civilizada, defensora e praticante dos mais elementares valores do amor, da dignidade e da felicidade, é tempo de se engrandecer a Mulher, nesta sua dimensão ímpar, concedendo-lhe as condições necessárias para que ela tenha um papel mais ativo, e decisivo na formação das mulheres e dos homens que, num futuro próximo, nos vão governar, porque cada vez mais se faz sentir a necessidade de uma sociedade mais humana, mas justa e fraterna.

As Mães de todo o mundo transportam nos seus ventres e lançam para a luz do dia crianças que carecem, não só enquanto tais, mas durante toda a vida, dos valores e sentimentos que suas mães lhes podem e, certamente, transmitem. Nota-se muito bem uma criança que está sob a proteção e amor de sua mãe, daquela que não tem ou nunca teve essa bênção divina.

Venade/Caminha – Portugal,  MAIO DE 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Mãe do coração

Marli Freitas: Crônica ‘Mãe do coração’

Marli Freitas
Marli Freitas
A autora e a 'mãe do coração', donaMarli Fernandes Grossi
A autora e a mãe ‘do coração’, dona Marli Fernandes Grossi

Hoje, como em tantos outros dias, me pego pensando: ‘Deus é bom, eu sou grata’. Basta abrir a primeira janela do nosso tempo, Marli mãe e Marli filha. Foi um encontro inesperado. Como meu pai dizia, “Menina você tem asas nos pés”, pois corria, não andava. A mente era mais rápida do que meus pezinhos delicados de menina miúda e, assim, vivia de joelhos e cotovelos ralados.

Bem, foi assim, ventando na rua Osvaldo Cruz, rumo à quadra de esportes que você, minha segunda mãe – também Marli, surgiu à minha frente. Com jeito de menina poesia, paralisei no espanto e me perguntei, ‘o que aquela mulher tão linda e elegante poderia querer comigo?’. Silenciei e ouvi aquelas doces palavras:

– Como você se chama?

Eu respondi, quase gaguejando, que também me chamava Marli.

E ela continuou:

– Você está indo aos jogos, então, diga a eles, que estamos abrindo uma loja de artigos para vestuário em geral e se chama Bazar Rilyane.

Meu coração vibrou me dizendo, que aquela linda mulher precisava de mim e dei seguimento à missão de propagar a boa nova.

Este seria um encontro casual, mas já estava escrito no coração de Deus, que ela seria a minha segunda mãe.

O segundo encontro que me levou a ela, também parecia um acaso, mas uniu nossas vidas para sempre. Já havia passado como ajudante de doméstica em alguns lares e experimentado a casa dos padrinhos, mas, num domingo, tive a inspiração de pedir à madrinha para ir à missa. Vesti uma jardineira branca, presente da minha mãezinha de sangue (in memoriam) e a memória afetiva me levou de volta à casa materna, que era vizinha da minha mãe do coração.

Novamente a menina que tinha asas nos pés, fez ventar o beco estreito, que dava acesso à rua e, quando me dei conta, estava nos braços de ‘Maria’, uma mulher que nasceu para ser anjo. Foram poucas palavras e no mesmo dia me tornei babá da minha irmã caçula do coração. Fato que me aproximou da mulher mais linda, forte e perfeita, que pude ver na vida.

O seu olhar me acolheu e, dentro de um mês, eu não era mais babá, mas a sua filha do coração. Nos encontramos no coração uma da outra e muitas memórias afetuosas foram criadas, porém, sei que só o amor é capaz de explicar os encontros, a vontade de cuidar, de se entregar ao espanto, à paciência e às exigências de querer bem a outra pessoa.

O que posso dizer é que estava escrito que seria assim. Muitos arriscam em dizer que me pareço mais com você do que com os meus progenitores, mas eu sei que sou abençoada com duas mães e as amo por completo.

Marli Freitas

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A marombeira do conhecimento

Letícia Mariana: Crônica ‘A marombeira do conhecimento’

Foto por Letícia Mariana
Foto por Letícia Mariana

O consumismo me consumiu! Meu Deus! Isso é uma redundância seríssima!

Virei uma traça humana à procura de mais e mais papéis amontoados, livros injustiçados, livros recheados de Whey Library! Quem poderá me salvar, oh, deus do parágrafo?

Quero pegar esse peso do saber. Ele é meio triste e meio feliz. Me faz pensar além do que os sociais insetos pensam. Isso é bom? É ruim? É desumilde? É sábio? Não sei mais, meu senhor dos senhores!

Por favor, imploro! Quero beber desta vitamina terrível! É dura como as pedras nas quais pisei, mas é deliciosa! Me dê, me dê! Me dê!

Conto uma, duas, três… Quero mais! O que fazer para voltar ao tempo e ao espaço de mim mesma? Coma mais, coma mais!

“Sua louca, devorou tudo!”, eles disseram. Mas não dei mais ouvidos.

Ah, mas alguma coisa muda dentro de mim. Eu não quero mais aprender mais do mesmo. Redação, jornalismo, números, histórias fictícias, jogos educativos e filmes cut… isso é normal demais. É piegas. É bege, sabe? Aquele bege chato que precisa de uma corzinha para combinar. E eu achei a cor. Ela brilha! Luminosa, faiscosa. Faísca, sabe? Faiscosa!

Quero a sabedoria dos antigos. Da bênça pai, bênça mãe. Do errar e pedir perdão, procurar melhorar novamente. De limpar o que se sujou, ler livros que nem sequer foram escritos e tentar editá-los. Olhar as estrelas no céu e contar histórias ao redor de ancestrais. De não jogar comida fora.

Minha intelectualidade solitária perdeu o sentido. Tá chata, vazia. Quero abraçar meus familiares e perdoá-los. Quero me perdoar e procurar sentido nisso, sem remoer, sem sofrer por antecipação. Que caminho difícil! Esse peso? Eu quase não aguento, bicho! O peso da bondade. A arma mais bela, mais procurada, menos conquistada. E faz um estrago… bom! Um boom de boondade!

Letícia Mariana

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Mãe

Fátima Sá Sarmento: Poema ‘Mãe’

Fátima Sá Sarmento
Fátima Sá Sarmento
"Mãe, sábia como a brisa da manhã"
“Mãe, sábia como a brisa da manhã”
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

Mãe,
sábia como a brisa da manhã,
Traz consigo a luz que desfaz toda sombra,
E no olhar, a ternura que acalma e embala,
É amor que em cada gesto se assombra.

Mãe,
força que se ergue em meio ao sertão,
Como o rio que persiste e nunca se cansa,
Em seu peito bate um coração valente,
por seus filhos atravessa qualquer distância.

Mãe,
flor do mais puro e raro jardim,
Em suas mãos, pétalas que curam e afagam,
No silêncio de seu abraço, o mundo se aquieta,
E na voz que acalenta, a esperança se alaga.

Mãe,
estrela-guia no céu do meu viver,
Seu sorriso é farol que me guia pela vida,
E mesmo quando a noite em mim descer,
Será sua luz que a escuridão intimida.

MÃE,
AMOR QUE NÃO SE MEDE, INFINITO.
Que nos ensina a ser forte e a perdoar,
No livro da vida, é você o mais bonito verso,
E em cada palavra, um motivo para celebrar.
Fátima Sá Paraíba- flor de mandacaru

COM AMOR PARA VOCÊS, MAMÃES!

Fátima Sá Sarmento

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