La niña de la bufanda roja en bicicleta

Humberto Napoleón Varela Robalino

Poema: ‘La niña de la bufanda roja en bicicleta’

Humberto Napoleón Varela Robalino
Humberto Napoleón Varela Robalino

A MARTA OLIVERI inmensa escritora argentina postulada
sapem al Premio Nobel de Literatura 2024

Foto: Arquivo de Humberto Napoleón Varela Robalino
Foto: Arquivo de Humberto Napoleón Varela Robalino

La niña de la bufanda roja en bicicleta
mariposa
gaviota
lluvia
brisa
amor
paz
libertad
poesía
va por las calles de Buenos Aires
por esas calles pintarrajeadas de eufemismos
abarrotadas de los caraduras de siempre
mientras en los portales bosteza el desamparo.

Las ruedas de la bicicleta giran
como gira el mundo
los pedales de la bicicleta giran
como los planetas en el cosmos .

Cañas de azúcar las piernas de la niña
fibrita azucarada el cuerpo de la niña
en las iglesias ángeles inmóviles
de salobres alas.

A quién le importa la memoria en este siglo
si a diario tropezamos con la misma piedra
otras veces nos damos con la piedra entre los dientes
otras veces es amnesia prematura
solo la niña en bicicleta rodea el Obelisco
inmensa bandera su bufanda roja
cubre la soledad de esa fría arquitectura.

La niña es ternura y proclama
en la Plaza de Mayo vestida de pañuelos
es voz junto a las voces roncas de las madres
es puño junto a los puños que golpean
la negra lápida del tiempo
y desde adentro
fémures en llamas golpean las conciencias.

En San Telmo
en Palermo
allá en La Boca
y el Retiro
en Belgrano
y en todas las barriadas bonaerenses
hay un girasol tan grande
como la sonrisa de la niña
que jira en torno a la esperanza.

La niña de la bufanda roja
en bicicleta
vuelve a casa
la mariposa vuelve a ser crisálida
la gaviota huevo azul en “El Nuevo Génesis”
el agua de lluvia vuelve a calmar la sed en el desierto
la brisa a ser caricia
el amor siembra y cosecha en abundancia
la paz vuelve a ser condición humana
la libertad a ser resurrección eterna
la poesía vuelve al hombre a redimirlo.

Humberto Napoleón Varela Robalino

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De Buenos Aires, Argentina, para o Brasil, Marta Oliveri!

No Quadro do ROL, as letras de Marta Oliveri, cuja escrita representa a realidade completa de uma geração sobrevivente

Marta Oliveri

Marta Oliveri, 66, natural de Buenos aires, é escritora, poetisa, romancista, docente e ensaísta argentina, com destaque na literatura argentina contemporânea.

Neta do poeta húngaro Vèr Ändor, abordou o problema de seu tempo a partir de uma postura poética e existencial. Sua busca por escrita representa a realidade completa de uma geração sobrevivente, sendo reconhecida por seu compromisso com os direitos humanos.

Publicou mais de 20 livros, incluindo poesia, novela e ensaio. Na poesia, destaca ‘Antologia do Desamparo’, que reúne nove coletâneas de poemas e reflete a busca poética ao longo dos anos. Na ficção, o romance ‘O Homem no Copo d’Água’ é uma de suas obras mais notáveis ​​e pessoais. E nos ensaios, ‘A Outra Visão’ é uma obra que lhe permite refletir sobre temas pelos quais é apaixonada. Esses três livros, embora de épocas diferentes, são, sob a ótica de Marta Oliveri, os que melhor a refletem como escritora, representando a completa realidade de uma geração sobrevivente, e, com isso, ensejando-lhe elogios por intelectuais como Leonardo Senkman.

Por sua expressiva carreira literária, foi indicada ao Prêmio Nobel de Literatura em diversas ocasiões, pela Sociedad Argentina de Periodismo Médico (SAPEM) e a Asociación Latinoamericana de Poetas (ASOLAPO).

SaibaMais sobre Marta Oliveri:

https://biblioteca-virtual.fandom.com/es/wiki/Marta_Oliveri

Marta Oliveri inaugura sua colaboração no ROL com o poema ‘O Poeta deu à luz o desamparo’.

O Poeta deu à luz o desamparo

Imagem criada por IA do Bing - 07 de junho de 2025, às 11:11 PM
Imagem criada por IA do Bing – 07 de junho de 2025,
às 11:11 PM

O poeta deu à luz o desamparo.
O século lançou uma sombra sobre a grande comédia onírica, uma cronologia de infâmias férreas.
Antologista do vento, tua terra é sempre diferente.
Tu emerges das profundezas onde o anjo começa, onde o monstro se esconde em profunda beleza.
E o indizível e a metáfora são um só.
O significado da nomeação está no ar.
E não há história em suas páginas, nem minúsculos escribas preenchendo a beleza com miséria.
É o navio intangível: ele balança entre as árvores, entre o céu e a terra estava o paraíso.
Hoje, o silêncio no oco da palavra é outro lugar; o deserto a ama em sua miragem; o pária em seu exílio lhe dá terra, e um Deus não nascido se refugia em seu berço.

Marta Oliveri

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