Palavra-mundo: o verbo que desborda fronteiras

Pietro Costa: quando a poesia rompe fronteiras e transforma a palavra em território de encontro

Pietro Costa
Pietro Costa
Card do Poema Palavra-Mundo: o verbo que desborda fronteiras

Pietro Costa

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Palavras clínicas

Loide Afonso: Poema ‘Palavras clínicas’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA da Meta - 21 de janeiro de 2026,  às 08:17 PM
Imagem criada por IA da Meta – 21 de janeiro de 2026,
às 08:17 PM

Ainda não sei
O que dizer
Pra o mundo
Quando de ti
Perguntarem

Não faço a mínima ideia
Do que dizer
Pra mim
Na hora de dormir

Minha boca
Meus olhos
Minha pele
Não sei o que
Responder
Pra todos eles

Poxa! Penso em me calar.
De ti
Nunca mais falar
Olhar
Ou pensar

Mas o meu mundo mal sabe
O que eu sentia
Todas as vezes que me dizias, sou teu.

Loid Portugal

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Meandros de rio

Ella Dominici: Poema ‘Meandros de rio’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA do Bing - 12 de dezembro de 2025
Imagem criada por IA do Bing12 de dezembro de 2025,

O rio não é cenário.
Ele fala — não em voz, mas em sinais.
Seu fluxo, ora manso, ora urgente, traduz humores invisíveis,
e quem permanece à sua beira aprende a escutá-lo pela percepção que atravessa a pele
e alcança o interior da alma.

As margens murmuram histórias antigas;
o vento traz respostas que ninguém formula;
e o som da água, ao tocar pedras distintas, compõe significados
que não cabem em palavras, mas em sensações.

O voo dos pássaros risca o céu como pequenas frases do alto;
cada mudança de direção é aviso,
cada pouso, uma pausa;
cada revoada, um pensamento que se desprende do mundo.

Depois da chuva, a terra exala um cheiro quente, quase maternal,
como se afirma que o tempo sempre guarda alguma fertilidade,
mesmo quando se mostra hostil.
A fragrância sobe devagar, criando um diálogo silencioso
entre o visível e o que não se nomeia.

A paisagem inteira se comporta como consciência desperta,
como se o mundo pensasse e aguardasse ser compreendido.
E quem ali permanece, mesmo sem perceber,
entra nesse movimento de leitura,
onde cada detalhe — vento, água, folha, aroma —
é frase de um texto maior,
escrito pela própria existência.

Ella Dominici

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Apagar-se é o preço de existir

Ella Dominici: ‘Apagar-se é o preço de existir’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA no Bing - 20 de março de 2025, às 07;30 PM
Imagem criada por IA no Bing – 20 de março de 2025,
às 07;30 PM

O vazio chegou primeiro.
Antes do nome, antes da pele, antes do rosto
que me ensinaram a chamar de meu.
Fui menos que um nada,
um quase-ser esperando a sorte do verbo.

Apaguei-me para caber no mundo.
Deixei pegadas que não segui,
vendi silêncios para comprar presença.
E ainda assim, o resto de mim ficou
insistindo em existir no que me faltava.

Houve um tempo em que fui todos,
um eco na multidão dos que não sabem que são.
E então, o traço. O risco. A marca.
Era eu.
Não um nome, não um número,
mas um corte no papel do tempo.

Deixei o coro dos rostos repetidos.
O coletivo me olhou como se eu traísse
o pacto dos que preferem ser sombra.
Mas a sombra não tem peso,
não tem voz,
não tem gravidade para sustentar-se.

E eu queria ser corpo,
queria ser coisa que não se apaga.
Queria ser o avesso da ausência,
o nome que me veste sem caber em mais ninguém.

APAGAR-SE É O PREÇO DE EXISTIR

Ella Dominici

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Rotina

Evani Rocha: Poema ‘Rotina’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada por IA do Gencraft - 10 de fevereiro de 2025 às 08:40
Imagem criada por IA do Gencraft – 10 de fevereiro de 2025 às 08:40

A poesia vem

Sorrateira

Dizendo coisas sutis

Da alma

Do âmago

E chega

Invade

A boca, os lábios

E os olhos da gente.

Nos expõe,

Nos desnuda

Nos desvela

Ao mundo…

A poesia escorre pelos dedos

Cai na palma da mão

Gota a gota,

Colhe uma flor

Exala o perfume

Das dores, das cores

Cala a saudade

Fala das despedidas

Sem abraços,

Dos laços desfeitos

Por nada, ou por tudo

Pela soma dos dias

Da rotina

Angustiante

Enfadonha

Que nos toma por inteiro…

E nos abandona

No leito, sem jeito

De abrir novamente

A cortina da vida!

Evani Rocha

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Valores do amor

Denise Canova: Poema ‘Valores do amor’

Denise Canova
Denise Canova
Valores do amor
Imagem criada por IA do Bing - 29 de janeiro de 2025, às 12h01
Valores do amor
Imagem criada por IA do Bing – 29 de janeiro de 2025, às 12h01

Valores do amor

Valores verdadeiros

Que o mundo não vê

Mas eu vejo e valorizo

Dama da Poesia

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O tempo passa

Irene da Rocha: Poema ‘O tempo passa’

Irene da Rocha
Irene da Rocha
“O tempo passa, e o tempo esvai, como um rio correndo para o mar– Imagem criada pela IA do Bing

O tempo passa, e o tempo esvai,
Como um rio correndo para o mar,
Silencioso, sua essência se desfaz,
Deixando saudades a murmurar.

As horas perdidas, jamais alcançadas,
Levadas pelo vento, desaparecem,
O mundo reflete memórias veladas,
Enquanto as lembranças permanecem.

Procuro no tempo a humanidade,
A bondade que outrora ressoou,
Olhares de amor, sinceridade,
Dignidade que em nós habitou.

Era uma vez, em tempos distantes,
Quando ser eu mesmo bastava,
O mundo girava em versos vibrantes,
E a poesia minha essência marcava.

Nessa dança de dias e noites,
Onde o tempo não tinha senão,
Sonhos flutuavam em suaves açoites,
Esperança guiando a direção.

Na janela, o amor uma chama acendeu,
Iluminando o caminho a seguir,
Com fervor e emoção, então compreendeu,
Que eras tu meu destino a fluir.

Sob o céu estrelado, jurei o amor,
Com as mãos entrelaçadas em paz,
Em frente ao altar, senti o calor,
Da mais pura paixão que se faz.

Assim, o tempo que se esvaiu,
Deixou seu rastro de inspiração,
Pois em cada verso que o amor traduziu,
Encontrei minha eterna canção.

Irene da Rocha

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