Through the paws of a refugee cat, the raw cruelty of war paints the most painful portrait of exile: a heart that keeps searching for home at a door that violence has already erased from the map
Najwa Sadi JumaLuna
With small steps and a heart too large for her frail little body, she crossed the border,
carrying in her eyes the terror of nights when the sky came down and the earth could no longer hold it.
She grew hungry until her meow became a whispered prayer.
She was driven from place to place until she forgot the shape of her first window, the scent of the corner where she once slept safely.
She ran from one sound to the next, from one fear to another,
as though the whole world had turned into a rabid dog, chasing a cat who wanted nothing but to stay alive.
She did not reach safety alone.
Inside her, a heartbeat stirred— a heartbeat that had never seen war, yet knew its thunder through the walls of flesh and blood.
A silent witness to a history it had not yet been born into.
Its father, meanwhile, remained behind.
On the far side of fear, beneath a sky that would not stop threatening,
hungry, homeless,
trembling through the night like a single leaf at the mercy of the wind.
Luna did not know that a border lay between them.
She did not know the names of wars, the shape of countries on maps, or the language of exile.
She knew only this:
a place once called home was gone.
And whenever her heart began, little by little, to grow quiet,
it would turn back,
as though it were still looking for the cat the war had left behind.
Najwa Sadi Juma traz ao ROL a veemência dos textos de resistência, resiliência e transcendência de sua terra natal!
Najwa Sadi Juma
Najwa Sadi Juma, 47, natural de Gaza, Palestina, é professora, escritora, pintora, ativista e tradutora palestina.
Formou-se em Literatura Inglesa antes de prosseguir seus estudos na área da educação. Trabalhou como professora durante 13 anos e foi uma das fundadoras da primeira fundação de teatro feminino na Palestina, para a qual escreveu inúmeras peças teatrais encenadas em Gaza.
Além de seu trabalho criativo, Najwa colaborou com uma equipe de tradução em uma coleção de 48 contos palestinos, publicada em maio de 2023 pela Inner Child Press nos Estados Unidos.
É membro da União Geral de Escritores Palestinos e atualmente preside o Fórum Cultural Palestino na Europa.
Publicou três coletâneas de contos em árabe, que posteriormente traduziu para o inglês.
Escreveu diversos artigos que examinam as realidades sociais e culturais das mulheres palestinas. Sua coletânea de poemas, ‘Songs of Eternity on the Hill of Slaughter – Poems from the Genocide’ (Canções da Eternidade na Colina do Massacre – Poemas do Genocídio), será lançada em breve.
Najwa foi indicada como a primeira escritora palestina a receber a Bolsa Jean Jacques Rousseau, que reconhece escritores de áreas de conflito.
Participou de diversos eventos literários na Europa, incluindo o 44º Festival de Poetas Innen de Erlanger, na Alemanha, em 2024, e o Evento de Poesia Inédita, na Croácia, em 2025.
Recebeu inúmeros prêmios literários nacionais e internacionais.
Najwa se apresenta aos leitores do ROL com o impactante poema Ode à criança de Gaza!
Para a criança de cabelos tão escuros, tão finos, Cuja vida foi interrompida prematuramente, Cujo olho foi dilacerado pelo hálito de fogo, Cuja mandíbula se contraiu em morte súbita.
O grito de um míssil, um som cruel, Reduziram sua casa a escombros. Você não conseguiria ler estas palavras que escrevo— Às sete horas, as letras desaparecem da vista.
Mas ainda assim, eu sei que você me ouve por perto, Seu espírito permanece, nítido e lúcido. Desde que vi a moldura da sua foto, Você caminhou comigo, sem um nome.
E quando falo, sinto você aí, Um fantasma de poeira, de chama, de ar. Seu olho, embora privado da luz mortal, Agora, seu assassino passa a noite em claro.
Ele fica olhando fixamente até que seu fôlego se esgote. Sem pestanejar, de braços abertos — a justiça foi feita. E ainda te amo, meu pequeno. Embora o horror marcasse o que a guerra havia gerado.
Sua língua, estendida em um grito silencioso, Como que para zombar da mentira dos observadores— Um mundo que vê, mas não fala. Que estremece uma vez e depois adormece.
Mas eu não hesito, eu não me viro. Eu te vejo em cada chama que arde. Coloco seu olhar onde ele pertence, Eu silencio sua língua de canções fantasmagóricas.
Eu retiro a poeira dos cabelos ensanguentados, Eu retiro as pedras do seu desespero. Eu costuro suas asas, tão rasgadas, tão largas, E te enviar para voar pelos céus.
Com cada criança, antes perdida, agora livre, Restaurou os membros e a memória. Você voa além do alcance das bombas, Uma criança em paz, amada por todos.
Com amor infinito, embora em mundos completamente diferentes— Você viverá para sempre em meu coração.