The door that no longer exist

Through the paws of a refugee cat, the raw cruelty of war paints the most painful portrait of exile: a heart that keeps searching for home at a door that violence has already erased from the map

Najwa Sadi Juma
Najwa Sadi Juma
Uma gata de pelagem longa e mesclada em tons de cinza escuro, preto e branco, com olhos verdes expressivos e atentos, está deitada em um chão de madeira. Ao seu lado esquerdo, um pequeno filhote com a mesma pelagem cinza escura está encolhido e dormindo pacificamente. O fundo é uma parede cinza clara e lisa com rodapé branco, criando uma atmosfera íntima, terna e nostálgica.
Luna

With small steps
and a heart too large
for her frail little body,
she crossed the border,

carrying in her eyes
the terror of nights
when the sky came down
and the earth could no longer hold it.

She grew hungry
until her meow
became a whispered prayer.

She was driven from place to place
until she forgot
the shape of her first window,
the scent of the corner
where she once slept safely.

She ran from one sound to the next,
from one fear to another,

as though the whole world
had turned into a rabid dog,
chasing a cat
who wanted nothing
but to stay alive.

She did not reach safety alone.

Inside her,
a heartbeat stirred—
a heartbeat that had never seen war,
yet knew its thunder
through the walls of flesh and blood.

A silent witness
to a history
it had not yet been born into.

Its father, meanwhile,
remained behind.

On the far side of fear,
beneath a sky
that would not stop threatening,

hungry,
homeless,

trembling through the night
like a single leaf
at the mercy of the wind.

Luna did not know
that a border lay between them.

She did not know
the names of wars,
the shape of countries on maps,
or the language of exile.

She knew only this:

a place once called home
was gone.

And whenever her heart
began, little by little,
to grow quiet,

it would turn back,

as though it were still looking
for the cat
the war had left behind.

Waiting

at a door

that no longer exists.

Luna is a genocide survivor

Najwa Sadi Juma

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De Gaza, Palestina, ao ROL, Najwa Sadi Juma!

Najwa Sadi Juma traz ao ROL a veemência dos textos de resistência, resiliência e transcendência de sua terra natal!

Najwa Sadi Juma
Najwa Sadi Juma

Najwa Sadi Juma, 47, natural de Gaza, Palestina, é professora, escritora, pintora, ativista e tradutora palestina.

Formou-se em Literatura Inglesa antes de prosseguir seus estudos na área da educação. Trabalhou como professora durante 13 anos e foi uma das fundadoras da primeira fundação de teatro feminino na Palestina, para a qual escreveu inúmeras peças teatrais encenadas em Gaza.

Além de seu trabalho criativo, Najwa colaborou com uma equipe de tradução em uma coleção de 48 contos palestinos, publicada em maio de 2023 pela Inner Child Press nos Estados Unidos.

É membro da União Geral de Escritores Palestinos e atualmente preside o Fórum Cultural Palestino na Europa.

Publicou três coletâneas de contos em árabe, que posteriormente traduziu para o inglês.

Escreveu diversos artigos que examinam as realidades sociais e culturais das mulheres palestinas. Sua coletânea de poemas, ‘Songs of Eternity on the Hill of Slaughter – Poems from the Genocide’ (Canções da Eternidade na Colina do Massacre – Poemas do Genocídio), será lançada em breve.

Najwa foi indicada como a primeira escritora palestina a receber a Bolsa Jean Jacques Rousseau, que reconhece escritores de áreas de conflito.

Participou de diversos eventos literários na Europa, incluindo o 44º Festival de Poetas Innen de Erlanger, na Alemanha, em 2024, e o Evento de Poesia Inédita, na Croácia, em 2025.

Recebeu inúmeros prêmios literários nacionais e internacionais.

Najwa se apresenta aos leitores do ROL com o impactante poema Ode à criança de Gaza!

Ode à criança de Gaza

Imagem criada por IA doGrok - https://chatgpt.com/c/69a0946f-1bd4-8325-af5e-c1c6fdc3bdd4
Imagem criada por IA doGrok – https://chatgpt.com/c/69a0946f-1bd4-8325-af5e-c1c6fdc3bdd4

Para a criança de cabelos tão escuros, tão finos,
Cuja vida foi interrompida prematuramente,
Cujo olho foi dilacerado pelo hálito de fogo,
Cuja mandíbula se contraiu em morte súbita.

O grito de um míssil, um som cruel,
Reduziram sua casa a escombros.
Você não conseguiria ler estas palavras que escrevo—
Às sete horas, as letras desaparecem da vista.

Mas ainda assim, eu sei que você me ouve por perto,
Seu espírito permanece, nítido e lúcido.
Desde que vi a moldura da sua foto,
Você caminhou comigo, sem um nome.

E quando falo, sinto você aí,
Um fantasma de poeira, de chama, de ar.
Seu olho, embora privado da luz mortal,
Agora, seu assassino passa a noite em claro.

Ele fica olhando fixamente até que seu fôlego se esgote.
Sem pestanejar, de braços abertos — a justiça foi feita.
E ainda te amo, meu pequeno.
Embora o horror marcasse o que a guerra havia gerado.

Sua língua, estendida em um grito silencioso,
Como que para zombar da mentira dos observadores—
Um mundo que vê, mas não fala.
Que estremece uma vez e depois adormece.

Mas eu não hesito, eu não me viro.
Eu te vejo em cada chama que arde.
Coloco seu olhar onde ele pertence,
Eu silencio sua língua de canções fantasmagóricas.

Eu retiro a poeira dos cabelos ensanguentados,
Eu retiro as pedras do seu desespero.
Eu costuro suas asas, tão rasgadas, tão largas,
E te enviar para voar pelos céus.

Com cada criança, antes perdida, agora livre,
Restaurou os membros e a memória.
Você voa além do alcance das bombas,
Uma criança em paz, amada por todos.

Com amor infinito, embora em mundos completamente diferentes—
Você viverá para sempre em meu coração.

Najwa Sadi Juma

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