Nelson Mandela

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘Nelson Mandela: Vida, Luta, Liderança e

Legado para a Humanidade’

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
Imagem histórica retratando os principais momentos da vida de Nelson Mandela, desde sua juventude e militância contra o apartheid até sua consagração como líder mundial da paz e da reconciliação. A composição reúne imagens de sua prisão, libertação, ascensão à presidência e atuação humanitária, destacando sua trajetória de luta pela igualdade racial e pelos direitos humanos. Imagem criada por IA.

Resumo

Nelson Rolihlahla Mandela constitui uma das personalidades mais influentes da história contemporânea. Sua trajetória de vida está intimamente ligada à luta contra o apartheid, sistema institucionalizado de segregação racial que vigorou na África do Sul durante grande parte do século XX. Advogado, ativista, líder revolucionário, prisioneiro político e estadista, Mandela tornou-se símbolo mundial da resistência à opressão e da defesa da dignidade humana. Este artigo analisa sua formação, atuação política, período de encarceramento, papel na transição democrática sul-africana e legado internacional. A pesquisa demonstra como sua liderança baseada na reconciliação, no diálogo e na justiça social contribuiu para evitar uma guerra civil e consolidar um dos mais importantes processos de democratização do século XX.

Palavras-chave: Nelson Mandela; Apartheid; Direitos Humanos; África do Sul; Reconciliação Nacional; Democracia.

1. Introdução

Ao longo da história, poucos líderes políticos alcançaram reconhecimento tão amplo e duradouro quanto Nelson Mandela. Reverenciado em diferentes continentes, sua imagem transcende fronteiras ideológicas, religiosas e culturais, representando valores universais como liberdade, igualdade, justiça e reconciliação.

Mandela tornou-se a principal figura da luta contra o apartheid, regime de segregação racial implantado oficialmente na África do Sul em 1948. Durante décadas, milhões de sul-africanos negros foram privados de direitos básicos, submetidos à discriminação institucional e excluídos dos espaços de participação política. Nesse contexto, Mandela emergiu como uma das principais vozes da resistência.

Sua trajetória, contudo, vai além da luta política. Após passar vinte e sete anos na prisão, optou por conduzir seu país por um caminho de reconciliação nacional, rejeitando o revanchismo e promovendo a coexistência pacífica entre grupos historicamente antagonizados. Tal postura transformou-o em referência mundial para processos de paz e transições democráticas.

O presente artigo busca analisar a vida e a obra de Nelson Mandela, examinando sua formação intelectual, sua participação na luta contra o apartheid, seu período de encarceramento, sua atuação como presidente da África do Sul e a permanência de seu legado no cenário internacional contemporâneo.

2. Contexto Histórico: A África do Sul e o Sistema do Apartheid

Para compreender a importância histórica de Mandela, é necessário entender o contexto político e social da África do Sul.

A colonização europeia da região teve início no século XVII, com a chegada dos holandeses, posteriormente substituídos pelo domínio britânico. Ao longo dos séculos, desenvolveu-se uma sociedade profundamente desigual, estruturada em critérios raciais.

Em 1948, o Partido Nacional venceu as eleições e implementou oficialmente o apartheid, palavra africâner que significa “separação”. O regime estabeleceu uma série de leis destinadas a garantir a supremacia da minoria branca sobre a maioria negra.

Entre as principais medidas estavam:

  • Proibição de casamentos inter-raciais;
  • Segregação residencial obrigatória;
  • Restrição da circulação de pessoas negras;
  • Exclusão do direito ao voto;
  • Educação segregada;
  • Limitações ao acesso ao mercado de trabalho;
  • Criação dos chamados bantustões.

O apartheid não consistia apenas em preconceito social, mas em um sistema jurídico cuidadosamente elaborado para institucionalizar a desigualdade. Milhões de pessoas foram removidas à força de suas residências e deslocadas para regiões pobres e isoladas.

A resistência ao regime cresceu progressivamente, dando origem a movimentos políticos, sindicais, religiosos e estudantis que buscavam a igualdade de direitos.

3. Origens Familiares e Formação Intelectual

Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em 18 de julho de 1918, na pequena aldeia de Mvezo, na região do Transkei.

Pertencente ao povo Xhosa e à linhagem real dos Thembu, Mandela cresceu em um ambiente fortemente marcado pelas tradições africanas. Seu pai, Gadla Henry Mphakanyiswa, era conselheiro do rei dos Thembu, circunstância que proporcionou ao jovem Nelson contato precoce com práticas de liderança e resolução de conflitos.

Após a morte de seu pai, Mandela foi acolhido pela família do regente Jongintaba Dalindyebo, que assumiu papel importante em sua educação.

Sua formação escolar ocorreu em instituições missionárias metodistas, onde recebeu o nome inglês “Nelson”. Mais tarde ingressou na University College of Fort Hare, uma das mais importantes instituições de ensino superior destinadas à população negra africana.

Foi nesse ambiente universitário que desenvolveu consciência política e participou de movimentos estudantis. Seu envolvimento em protestos resultou em sua expulsão da instituição.

Posteriormente mudou-se para Joanesburgo, onde trabalhou em diferentes ocupações enquanto prosseguia seus estudos jurídicos na Universidade de Witwatersrand.

A experiência de viver em uma sociedade profundamente desigual despertou sua consciência social e fortaleceu seu compromisso com a luta pelos direitos civis.

4. O Início da Militância Política

Na década de 1940, Mandela aproximou-se do Congresso Nacional Africano (CNA), organização fundada em 1912 para defender os direitos da população negra.

Em 1944, participou da criação da Liga Juvenil do CNA, juntamente com Oliver Tambo, Walter Sisulu e Anton Lembede.

Os jovens militantes defendiam uma postura mais ativa diante das injustiças impostas pelo regime segregacionista. Inspirados por movimentos nacionalistas e anticoloniais que surgiam em diferentes partes do mundo, buscavam mobilizar amplos setores da população.

A partir dos anos 1950, Mandela tornou-se um dos principais líderes das campanhas de desobediência civil organizadas pelo CNA.

Sua atuação destacou-se durante a Campanha de Desafio às Leis Injustas, realizada em 1952, que reuniu milhares de participantes em atos pacíficos de resistência.

Paralelamente, fundou com Oliver Tambo o primeiro escritório de advocacia administrado por negros na África do Sul, oferecendo assistência jurídica à população vítima das políticas discriminatórias.

5. Da Resistência Pacífica à Luta Armada

Inicialmente, Mandela acreditava que a resistência não violenta seria suficiente para derrotar o apartheid.

Entretanto, a crescente repressão estatal e especialmente o Massacre de Sharpeville, ocorrido em 1960, alteraram significativamente sua visão estratégica.

Na ocasião, a polícia abriu fogo contra manifestantes desarmados que protestavam contra as leis de passe, matando dezenas de pessoas.

Diante da brutalidade governamental e do fechamento dos espaços democráticos, Mandela concluiu que formas limitadas de resistência armada tornavam-se inevitáveis.

Em 1961, participou da fundação do Umkhonto we Sizwe (“Lança da Nação”), braço militar do Congresso Nacional Africano.

O novo movimento concentrou-se em ações de sabotagem contra instalações governamentais e infraestruturas estratégicas, buscando evitar vítimas civis.

Essa decisão permanece objeto de debate historiográfico, mas é amplamente compreendida dentro do contexto de extrema repressão política existente à época.

6. O Julgamento de Rivonia e a Condenação à Prisão Perpétua

As atividades do Umkhonto we Sizwe tornaram Mandela um dos homens mais procurados pelo governo sul-africano. Durante vários meses, ele viveu na clandestinidade, deslocando-se secretamente pelo país para organizar a resistência e buscar apoio político.

Em agosto de 1962, foi capturado pelas autoridades e inicialmente condenado por deixar o país sem autorização e por incentivar greves. Enquanto cumpria essa pena, a polícia realizou uma operação na fazenda de Liliesleaf, em Rivonia, onde encontrou documentos que vinculavam diversos líderes do Congresso Nacional Africano a atividades de resistência clandestina.

O episódio resultou no famoso Julgamento de Rivonia (1963–1964), considerado um dos mais importantes processos políticos do século XX. Mandela e seus companheiros foram acusados de sabotagem, conspiração e tentativa de derrubar o governo.

Durante o julgamento, Mandela pronunciou um discurso que entraria para a história como uma das mais poderosas declarações em defesa da liberdade e da igualdade. Em sua fala, afirmou que havia dedicado toda a sua vida à luta contra a dominação racial e que sonhava com uma sociedade democrática onde todos pudessem viver com iguais oportunidades.

A conclusão de seu pronunciamento tornou-se célebre:

“É um ideal pelo qual espero viver e que espero alcançar. Mas, se necessário for, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer.”

Embora muitos acreditassem que seria condenado à morte, o tribunal optou pela prisão perpétua. Em junho de 1964, Mandela e seus companheiros foram enviados para a Prisão de Robben Island.

7. Robben Island: A Universidade da Resistência

Robben Island, localizada ao largo da Cidade do Cabo, tornou-se símbolo internacional da repressão do apartheid. A ilha já havia sido utilizada durante séculos como local de exílio, isolamento e encarceramento.

As condições impostas aos presos políticos eram extremamente severas. Mandela e os demais detentos realizavam trabalhos forçados em uma pedreira de calcário, recebiam alimentação inadequada e eram submetidos a constantes restrições de comunicação com familiares.

Mesmo diante dessas dificuldades, Mandela transformou a experiência do cárcere em um período de crescimento intelectual e político.

Os prisioneiros organizavam grupos de estudo, debates políticos e cursos informais sobre história, direito, economia e filosofia. Robben Island passou a ser conhecida pelos próprios presos como “Universidade de Mandela”.

Ao longo dos anos, sua postura firme, disciplinada e conciliadora conquistou o respeito não apenas dos companheiros de prisão, mas também de alguns guardas e funcionários do sistema penitenciário.

Durante o encarceramento, Mandela aprofundou suas reflexões sobre liderança, responsabilidade pública e reconciliação nacional, desenvolvendo uma visão política que mais tarde seria fundamental para a transição democrática sul-africana.

8. Ubuntu: A Filosofia da Humanidade Compartilhada

Uma das influências mais profundas sobre o pensamento de Mandela foi o conceito africano de Ubuntu.

Originário de diversas culturas da África Subsaariana, Ubuntu pode ser traduzido de forma aproximada pela expressão:

“Eu sou porque nós somos.”

Essa filosofia enfatiza a interdependência humana, a solidariedade coletiva e a dignidade compartilhada entre todas as pessoas.

Mandela acreditava que nenhuma sociedade poderia prosperar sustentando ódio permanente entre seus cidadãos. Para ele, a reconstrução nacional exigia o reconhecimento da humanidade comum entre vítimas e antigos opressores.

A influência do Ubuntu tornou-se evidente após sua libertação, quando rejeitou discursos de vingança e passou a defender a reconciliação como instrumento de transformação social.

Sua liderança demonstrou que a busca por justiça não precisava estar associada à destruição do adversário, mas sim à construção de uma convivência baseada no respeito mútuo.

9. A Campanha Internacional pela Libertação de Mandela

Durante os anos de prisão, Nelson Mandela tornou-se o símbolo mais conhecido da luta contra o apartheid.

Movimentos sociais, sindicatos, universidades, igrejas e organizações de direitos humanos em diversos países iniciaram campanhas exigindo sua libertação.

Nas décadas de 1970 e 1980, o isolamento internacional da África do Sul intensificou-se significativamente.

Diversos governos adotaram sanções econômicas e diplomáticas contra o regime sul-africano. Empresas multinacionais retiraram investimentos do país, enquanto artistas e atletas aderiram a boicotes culturais e esportivos.

O movimento “Free Nelson Mandela” transformou-se em uma das maiores campanhas globais de direitos humanos do século XX.

Concertos, manifestações públicas e campanhas educativas contribuíram para tornar Mandela um símbolo universal da resistência à opressão racial.

Paradoxalmente, quanto mais tempo permanecia preso, maior se tornava sua influência política e moral.

10. O Fim do Apartheid e as Negociações para a Democracia

Ao final da década de 1980, o regime do apartheid enfrentava uma grave crise.

A economia sul-africana sofria os efeitos das sanções internacionais, enquanto os conflitos internos tornavam o país cada vez mais instável.

Em 1989, Frederik Willem de Klerk assumiu a presidência e reconheceu que a manutenção do sistema segregacionista era insustentável.

Em fevereiro de 1990, o governo legalizou o Congresso Nacional Africano e anunciou a libertação de Nelson Mandela.

Após vinte e sete anos de prisão, Mandela deixou a penitenciária diante de milhões de espectadores que acompanhavam o evento pela televisão.

Sua libertação marcou o início de um complexo processo de negociação entre o governo e os movimentos de oposição.

Durante quatro anos, intensos debates políticos buscaram construir um novo modelo constitucional para o país.

Apesar da violência promovida por grupos extremistas de ambos os lados, Mandela e De Klerk mantiveram o compromisso com a solução pacífica do conflito.

Em reconhecimento aos seus esforços, ambos receberam conjuntamente o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

11. A Primeira Eleição Democrática da África do Sul

Em abril de 1994, a África do Sul realizou as primeiras eleições verdadeiramente democráticas de sua história.

Pela primeira vez, cidadãos de todas as origens raciais puderam participar do processo eleitoral em igualdade de condições.

Milhões de pessoas aguardaram durante horas em longas filas para exercer o direito ao voto.

O Congresso Nacional Africano conquistou ampla vitória, e Nelson Mandela foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul.

Sua posse, realizada em 10 de maio de 1994, foi acompanhada por líderes de todo o mundo e simbolizou o encerramento formal do regime do apartheid.

Em seu discurso inaugural, Mandela declarou que a África do Sul havia chegado a um momento histórico de reconciliação e esperança.

12. A Comissão da Verdade e Reconciliação

Uma das iniciativas mais importantes de seu governo foi a criação da Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR).

Presidida pelo Arcebispo Desmond Tutu, a comissão tinha como objetivo investigar violações de direitos humanos ocorridas durante o apartheid.

Diferentemente de modelos baseados exclusivamente na punição judicial, a comissão priorizou a revelação da verdade histórica.

Indivíduos envolvidos em crimes políticos poderiam solicitar anistia, desde que confessassem integralmente suas ações.

Milhares de vítimas e perpetradores prestaram depoimentos públicos, permitindo que o país confrontasse seu passado de violência.

Embora tenha recebido críticas de diferentes setores, a comissão é frequentemente considerada um dos mais importantes experimentos de justiça restaurativa da história contemporânea.

13. O Rugby e a Construção da Unidade Nacional

Mandela compreendia o enorme poder simbólico do esporte.

Durante décadas, o rugby havia sido associado à minoria branca africâner, enquanto a população negra frequentemente o via como símbolo do apartheid.

Em 1995, a África do Sul sediou a Copa do Mundo de Rugby.

Mandela decidiu apoiar publicamente a seleção nacional, conhecida como Springboks, incentivando toda a população a torcer pelo time.

A vitória sul-africana no torneio tornou-se um marco da reconciliação nacional.

A imagem de Mandela usando a camisa dos Springboks ao entregar o troféu ao capitão François Pienaar tornou-se uma das fotografias mais emblemáticas do século XX.

O episódio demonstrou sua capacidade de utilizar símbolos culturais para promover a unidade entre grupos historicamente divididos.

14. Os Desafios Sociais e Econômicos do Governo Mandela

Ao assumir a presidência em 1994, Nelson Mandela herdou um país profundamente marcado por séculos de desigualdade racial e décadas de segregação institucionalizada. Embora a transição política tivesse sido bem-sucedida, a realidade econômica apresentava desafios gigantescos.

Milhões de sul-africanos negros viviam em condições precárias, sem acesso adequado à moradia, saneamento básico, eletricidade, saúde e educação. O desemprego atingia níveis elevados, enquanto a distribuição de renda figurava entre as mais desiguais do mundo.

Para enfrentar essa situação, o governo lançou o Programa de Reconstrução e Desenvolvimento (Reconstruction and Development Programme – RDP), voltado para a ampliação dos serviços públicos e a melhoria das condições de vida da população historicamente marginalizada.

Entre os principais resultados alcançados durante seu governo destacam-se:

  • Construção de centenas de milhares de moradias populares;
  • Ampliação do acesso à eletricidade;
  • Expansão dos sistemas de abastecimento de água potável;
  • Fortalecimento dos serviços básicos de saúde;
  • Universalização gradual do acesso à educação primária.

Apesar dos avanços, a magnitude dos problemas estruturais limitou a velocidade das transformações. Muitos desafios sociais permaneceram presentes após o término de seu mandato, evidenciando a complexidade da herança deixada pelo apartheid.

Ainda assim, o período presidencial de Mandela consolidou as bases institucionais da nova democracia sul-africana.

15. Mandela e o Combate ao HIV/AIDS

Nos anos posteriores à presidência, Nelson Mandela voltou sua atenção para uma das maiores crises humanitárias enfrentadas pelo continente africano: a epidemia de HIV/AIDS.

Durante os anos 1990 e início dos anos 2000, a África do Sul tornou-se um dos países mais afetados pela doença. Milhões de pessoas conviviam com o vírus, enquanto o preconceito e a desinformação dificultavam o tratamento e a prevenção.

Mandela passou a utilizar sua enorme influência internacional para conscientizar governos e organizações sobre a gravidade da situação.

Em 2005, após a morte de seu filho Makgatho Mandela em decorrência de complicações relacionadas à AIDS, tomou uma atitude considerada histórica: anunciou publicamente a causa da morte.

Na época, muitas famílias evitavam falar sobre a doença devido ao estigma social. Ao expor sua própria dor pessoal, Mandela ajudou a reduzir preconceitos e incentivou o debate público sobre prevenção, tratamento e assistência aos pacientes.

Sua atuação contribuiu significativamente para ampliar a mobilização internacional em favor do combate à epidemia.

16. A Atuação Internacional Após a Presidência

Mesmo após deixar o cargo em 1999, Mandela permaneceu como uma das personalidades mais respeitadas do mundo.

Sua autoridade moral ultrapassava fronteiras nacionais, permitindo-lhe atuar como mediador em conflitos internacionais e defensor de causas humanitárias.

Participou de iniciativas voltadas para:

  • Promoção da paz;
  • Defesa dos direitos humanos;
  • Combate à pobreza;
  • Expansão do acesso à educação;
  • Proteção das crianças;
  • Fortalecimento da cooperação internacional.

Em 2007, ajudou a criar o grupo conhecido como “The Elders”, formado por líderes globais independentes comprometidos com a resolução pacífica de conflitos e a promoção da justiça social.

O grupo reuniu figuras de destaque internacional, incluindo Desmond Tutu, Jimmy Carter, Kofi Annan e Mary Robinson.

A participação de Mandela reforçou sua imagem como estadista global e defensor permanente da dignidade humana.

17. Os Últimos Anos de Vida

A partir da década de 2000, Mandela reduziu gradualmente suas atividades públicas.

Embora continuasse acompanhando questões políticas e sociais, passou a dedicar mais tempo à família e às iniciativas filantrópicas conduzidas por suas fundações.

Sua saúde tornou-se cada vez mais frágil em razão da idade avançada e das consequências físicas decorrentes dos anos de encarceramento.

Ainda assim, permaneceu uma figura admirada em todo o mundo.

Diversos chefes de Estado, organizações internacionais e instituições acadêmicas continuaram homenageando sua trajetória e reconhecendo sua contribuição para a humanidade.

Em 5 de dezembro de 2013, Nelson Mandela faleceu em sua residência em Joanesburgo, aos 95 anos de idade.

Sua morte provocou uma das maiores manifestações globais de pesar já registradas para um líder político contemporâneo. Governos, organismos internacionais, universidades e milhões de cidadãos prestaram tributo àquele que se tornara um símbolo universal da liberdade.

18. O Legado de Nelson Mandela

O legado de Nelson Mandela transcende a história da África do Sul.

Sua vida tornou-se referência para estudiosos da política, da liderança, dos direitos humanos e da resolução de conflitos.

Entre suas contribuições mais significativas destacam-se:

18.1 Defesa da Democracia

Mandela demonstrou que transições políticas podem ocorrer por meio do diálogo e da negociação, mesmo em contextos marcados por décadas de violência e exclusão.

18.2 Reconciliação Nacional

Sua capacidade de promover a coexistência pacífica entre grupos historicamente antagonizados tornou-se modelo para processos de paz em diferentes partes do mundo.

18.3 Liderança Ética

Ao optar por não permanecer indefinidamente no poder, fortaleceu a cultura democrática e demonstrou respeito às instituições republicanas.

18.4 Direitos Humanos

Sua atuação contribuiu para consolidar princípios universais relacionados à igualdade, à dignidade humana e ao combate a todas as formas de discriminação.

18.5 Inspiração Global

Mandela tornou-se símbolo de esperança para movimentos sociais, organizações humanitárias e cidadãos comprometidos com a justiça social.

Sua trajetória continua sendo estudada em escolas, universidades e centros de pesquisa em todo o mundo.

19. Nelson Mandela na Memória Histórica do Século XXI

No século XXI, Mandela passou a ocupar posição semelhante à de outras grandes personalidades históricas que simbolizam valores universais.

Sua imagem é frequentemente associada a líderes como Mahatma Gandhi, Martin Luther King Jr. e Desmond Tutu.

Em 2009, a Organização das Nações Unidas instituiu oficialmente o Dia Internacional de Nelson Mandela, celebrado em 18 de julho.

A data incentiva indivíduos de todas as nacionalidades a dedicarem parte de seu tempo a atividades de interesse comunitário, promovendo os valores defendidos por Mandela ao longo de sua vida.

Museus, centros culturais, fundações e programas educacionais continuam preservando sua memória e difundindo seus ensinamentos para novas gerações.

Mais do que um líder político, Mandela tornou-se um patrimônio moral da humanidade.

Conclusão

Nelson Rolihlahla Mandela foi uma das figuras mais extraordinárias da história contemporânea. Sua trajetória representa a luta permanente contra a injustiça, a discriminação e a opressão institucionalizada.

Nascido em uma sociedade marcada pela segregação racial, transformou-se em líder de um movimento que alteraria profundamente o destino de uma nação. Sua resistência ao apartheid custou-lhe vinte e sete anos de liberdade, mas jamais destruiu sua convicção de que a igualdade e a dignidade humana deveriam prevalecer.

Ao deixar a prisão, Mandela poderia ter escolhido o caminho da vingança. Em vez disso, optou pela reconciliação nacional, demonstrando uma capacidade rara de liderança moral e visão estratégica.

Seu governo lançou as bases da democracia sul-africana e promoveu a integração de uma sociedade profundamente dividida. Mais importante ainda, mostrou ao mundo que a construção da paz exige coragem, generosidade e compromisso com valores universais.

Seu legado permanece vivo não apenas nas instituições democráticas da África do Sul, mas também na consciência coletiva da humanidade. A história de Nelson Mandela continua inspirando líderes, pesquisadores e cidadãos a acreditarem que mudanças profundas podem ser alcançadas por meio da perseverança, do diálogo e da defesa intransigente da dignidade humana.

Dessa forma, Nelson Mandela não deve ser lembrado apenas como o homem que ajudou a derrubar o apartheid, mas como um dos maiores defensores da liberdade, da justiça e dos direitos humanos de todos os tempos.

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Alexandre Rurikovich Carvalho

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