Escritura pública do infinito

Clayton Alexandre Zocarato: ‘Escritura pública do infinito’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
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No princípio não havia o Verbo. Havia uma rasura. O universo começou como uma correção malfeita de um escriba que nunca existiu.

Toda cosmogonia é um processo administrativo do desespero; toda metafísica é um cartório onde o Nada registra imóveis que jamais possuirá. Chamaram aquilo de criação porque ninguém suporta a hipótese de que o primeiro gesto da existência tenha sido um erro de caligrafia.

Encontrei a Escritura Pública do Infinito numa repartição abandonada entre duas madrugadas. 

Não havia paredes, embora houvesse limites. 

Não havia teto, embora pingassem silêncios sobre a cabeça dos ausentes. O funcionário que me atendeu usava um rosto dobrável. 

Toda vez que sorria, sua face mudava de geometria, como se a carne estivesse cansada de representar a mesma pessoa.

— Nome?

A pergunta caiu sobre mim como um tijolo lançado por uma biblioteca.

Procurei meu nome nos bolsos. Não estava. Revirei minhas lembranças. 

Apenas encontrei fotografias de alguém que talvez tivesse morado dentro de mim muitos anos antes. Meu nome havia emigrado para alguma língua que ainda não inventara seus substantivos.

O funcionário esperava.

Então respondi:

— Sou aquilo que resta quando a linguagem desiste de respirar.

Ele anotou sem levantar os olhos.

Descobri, naquele instante, que todo cartório é um cemitério de metáforas que conseguiram emprego.

Sobre a mesa repousava um livro tão espesso que parecia sustentar o peso da gravidade. 

Sua capa era feita de um material impossível, semelhante à pele do tempo quando este adoece de eternidade. Ao tocá-lo, ouvi o ruído de milhões de relógios desaprendendo as horas.

Abri a primeira página.

Ela estava completamente em branco.

Na segunda também.

Na terceira.

Na centésima.

Na milésima.

O funcionário explicou, com absoluta serenidade:

— Este é o registro oficial de tudo aquilo que nunca aconteceu.

Compreendi, então, que os acontecimentos são apenas acidentes burocráticos da inexistência.

Desde criança ensinaram-me que o infinito era uma linha sem fim. 

Mentiram. O infinito não possui extensão; possui fadiga. É o cansaço daquilo que jamais consegue terminar de ser impossível.

A filosofia gastou séculos tentando localizar o absoluto. Procurou-o nas estrelas, nos deuses, nas ideias puras, na razão, na matéria, na consciência. 

Nunca percebeu que o absoluto talvez fosse apenas o hábito infantil de exigir sentido onde existe apenas continuidade.

A metafísica não construiu catedrais.

Construiu espelhos.

E passou milênios ajoelhada diante do próprio reflexo.

Inventamos Deus para explicar o céu.

Depois inventamos o Universo para substituir Deus.

Depois inventamos equações para substituir o Universo.

Agora inventamos algoritmos para substituir as equações.

Mudam-se os nomes.

Permanece intacta a velha superstição de que alguma palavra será suficientemente grande para conter o abismo.

Mas o abismo não cabe.

O abismo transborda até das próprias ausências.

Percebi que minha sombra havia desaparecido.

Olhei em volta.

Todas as sombras daquele lugar caminhavam sozinhas.

Conversavam entre si.

Ignoravam completamente seus antigos proprietários.

Talvez as sombras fossem os verdadeiros seres, e nós apenas acidentes luminosos projetados por sua paciência.

A ideia me provocou um tipo inédito de vertigem.

Não era medo.

Nem espanto.

Era uma espécie de ontofratura.

Uma ruptura mineral na arquitetura do ser.

Algo dentro de mim começava a desexistir.

Sim.

Desexistir.

Porque deixar de existir ainda pressupõe que a existência tenha acontecido.

Desexistir é mais antigo.

É regressar ao estágio anterior à possibilidade.

É ser apagado antes da tinta.

É morrer antes da hipótese.

Descobri, nesse instante, que a língua portuguesa ainda sofre de excesso de realidade. Existem verbos demais comprometidos com o mundo. Poucos aceitam trabalhar para o impossível.

Passei a inventá-los.

Infinitar.

Abismar.

Silencificar.

Nadear.

Desmemoriar.

Metafisicar.

Vazionomar.

Cada palavra nova arrancava um tijolo invisível da prisão gramatical que chamamos de realidade.

A linguagem começou a ranger.

Os substantivos perderam peso.

Os adjetivos envelheceram de repente.

Os verbos recusaram-se a obedecer ao tempo.

A sintaxe sofreu uma pequena hemorragia ontológica.

O funcionário sorriu.

— Está funcionando.

— O quê?

— O processo de desapessoar.

Perguntei-lhe quanto tempo demoraria.

Ele respondeu:

— Tempo?

Sorriu novamente.

Naquele edifício ninguém utilizava relógios.

Utilizavam erosões.

Cada pensamento retirava uma camada do mundo.

Cada lembrança demolia um corredor do passado.

Cada esperança acrescentava uma janela ao vazio.

Comecei a perceber que as paredes respiravam conceitos.

A palavra “substância” exalava mofo.

“Causalidade” cheirava a papel queimado.

“Essência” tinha gosto de ferrugem molhada.

Quanto ao “eu”, era apenas um casaco esquecido sobre uma cadeira metafísica.

Sempre imaginei que a identidade fosse uma casa.

Descobri que era um contrato de aluguel vencido.

Passei então a caminhar pelos corredores daquele cartório.

Havia gavetas catalogadas sob títulos incompreensíveis:

“Objetos Perdidos Antes de Existirem.”

“Memórias de Pessoas Nunca Nascidas.”

“Silêncios Produzidos por Pedras.”

“Últimos Pensamentos de Deuses Cancelados.”

Abri uma delas.

Dentro havia apenas um vento dobrado cuidadosamente em quatro partes.

Ao tocá-lo, ouvi minha própria voz dizendo uma frase que jamais pronunciara:

“Todo infinito necessita de testemunhas porque, sozinho, ele não consegue acreditar em si mesmo.”

Fechei imediatamente a gaveta.

Não por medo.

Mas porque compreendi que talvez aquela frase estivesse me escrevendo.

Não era eu quem lia a Escritura Pública do Infinito.

Era ela que começava, lenta e impiedosamente, a registrar o desaparecimento daquele que acreditava ser seu leitor.

Depois daquela gaveta, compreendi que toda leitura é uma forma lenta de ser devorado. 

Os livros nunca precisaram de leitores; precisaram apenas de organismos suficientemente ingênuos para acreditar que permaneciam os mesmos depois da última página. Eu já não era o homem que atravessara a porta daquele cartório. Talvez nunca o tivesse sido. 

Talvez aquela recordação fosse um documento falsificado pela nostalgia, essa repartição clandestina onde o passado aprende a mentir com elegância.

Continuei caminhando.

Os corredores já não obedeciam à geometria.

Curvavam-se para dentro de si mesmos como serpentes tentando engolir o próprio conceito. 

As portas davam acesso a salas que continham apenas outras portas.

As escadas terminavam antes do primeiro degrau. 

As janelas olhavam para interiores mais profundos do que qualquer exterior poderia suportar.

Foi então que encontrei o Arquivo das Hipóteses Abortadas.

Ali repousavam todas as possibilidades que o universo recusou antes de fabricar esta realidade provisória.

Havia um mundo onde as pedras sonhavam os homens. Outro em que a morte precisava pedir licença para existir. 

Um terceiro onde a linguagem envelhecia mais rapidamente que seus falantes, obrigando cada geração a inventar uma gramática inteiramente nova para dizer a mesma solidão.

Pensei que fossem fantasias.

Mas imediatamente compreendi que fantasia é apenas o nome que a realidade dá aos mundos que teve medo de experimentar.

Foi quando ouvi um ruído.

Não vinha das paredes.

Nem do teto.

Vinha das palavras.

As palavras estavam rachando.

Cada substantivo começava a perder seus contornos. “Árvore” já não apontava para nenhuma árvore. “Corpo” tornava-se um recipiente vazio. “Memória” dissolvia-se como sal lançado sobre um rio de espelhos.

A linguagem sofria uma ontorragia.

Não havia mais correspondência entre os nomes e as coisas.

Talvez nunca tivesse havido.

Talvez a filosofia inteira tivesse sido construída sobre uma coincidência fonética.

Recordei todos os tratados que buscavam definir essência, substância, verdade, ser.

Sorri.

Que extraordinária ingenuidade.

Durante séculos discutimos o conteúdo das palavras sem perceber que eram as palavras que discutiam secretamente o conteúdo de nós mesmos.

Comecei a sentir pequenas fissuras atravessando minha consciência.

Não era dor.

Era uma espécie de deseu.

O eu descolava lentamente de mim.

Como tinta antiga abandonando uma parede úmida.

Vi minha infância caminhando alguns metros adiante.

Ela não me reconheceu.

Vi meu futuro sentado num banco, alimentando pombos invisíveis.

Também desviou o olhar.

Então compreendi que passado e futuro jamais pertencem ao presente; são apenas vizinhos mal-educados que ocupam terrenos imaginários dentro da cabeça.

Continuei andando.

Mas quem continuava?

A pergunta já não possuía sujeito.

Descobri que a identidade é um vício gramatical.

A primeira pessoa talvez tenha sido o maior erro da linguagem.

O “eu” é apenas um pronome excessivamente otimista.

Inventei outro.

Ø.

Nem eu.

Nem tu.

Nem ele.

Ø.

O pronome do intervalo.

Daquilo que ainda não aconteceu suficiente para existir.

Passei a conjugar o impossível.

Ø desvive.

Ø deslembra.

Ø infinita.

Ø desaparece para dentro.

Os corredores aprovaram.

As paredes tornaram-se líquidas.

O chão começou a escrever pegadas antes que meus pés decidissem caminhar.

Tudo acontecia alguns segundos antes da própria possibilidade.

Era uma realidade premeditada pelo vazio.

No centro do edifício encontrei uma mesa circular.

Sobre ela repousava um espelho coberto por um tecido negro.

Retirei cuidadosamente o pano.

O espelho estava vazio.

Nenhum reflexo.

Nenhuma imagem.

Nenhuma luz.

Olhei demoradamente.

Depois de algum tempo surgiu uma frase escrita do lado de dentro do vidro.

“Quem procura a si mesmo já começou a fabricar o próprio cárcere.”

Afastei-me.

Mas a frase continuou olhando para mim.

Percebi que certas ideias possuem pupilas.

E observam seus autores até depois da morte.

Sentei-me.

Ou talvez tenha sido a cadeira que resolveu acomodar minha ausência.

Já não fazia diferença.

Foi então que compreendi a verdadeira natureza daquele cartório.

Não registrava propriedades.

Nem nascimentos.

Nem casamentos.

Nem óbitos.

Registrava desistências.

Cada documento ali arquivado correspondia ao instante exato em que alguém desistira de compreender o infinito e passara apenas a descrevê-lo.

Toda metafísica era isso.

Uma escritura pública lavrada por testemunhas incapazes de aceitar o silêncio.

Sorri novamente.

Não por felicidade.

Mas porque a ironia é a última articulação que permanece funcionando quando o pensamento sofre falência múltipla dos órgãos.

Olhei minhas mãos.

Os dedos haviam adquirido transparência mineral.

Dentro deles circulavam pequenas letras.

Consoantes caminhavam pelas veias.

Vogais respiravam nos ossos.

Meu sangue transformara-se em sintaxe.

Cada batimento reorganizava um parágrafo invisível.

Meu coração já não bombeava vida.

Bombeava linguagem.

Assustei-me.

Logo depois percebi que sempre fora assim.

Não pensamos porque existimos.

Existimos apenas enquanto alguma frase continua nos escrevendo.

Quando a última palavra termina de pronunciar nosso nome, chamamos esse acontecimento de morte.

Mas talvez seja apenas pontuação.

Talvez Deus nunca tenha criado homens.

Talvez tenha criado apenas vírgulas.

E o universo inteiro não passe de uma oração subordinada cujo verbo principal foi perdido antes da invenção do tempo.

Levantei-me.

Ou fui levantado pela própria ausência.

Ao fundo do corredor surgiu uma porta que não existia alguns instantes antes.

Sobre ela havia apenas uma inscrição.

“Setor de Retificação Ontológica.”

Empurrei lentamente a maçaneta.

Do outro lado não encontrei um quarto.

Encontrei uma página.

Branca.

Infinita.

Esperando.

E pela primeira vez suspeitei que o mundo inteiro talvez fosse apenas a margem de um livro que ainda não começou a ser escrito.

Quando atravessei a página, não fui eu quem entrou.

Foi o branco.

Durante séculos imaginei que o branco fosse uma ausência de escrita.

Descobri, tarde demais, que a escrita é apenas uma doença passageira do branco.

O branco não espera.

O branco mastiga.

Cada passo que eu dava era imediatamente apagado antes de acontecer. 

Não havia pegadas. Havia pré-esquecimentos.

O chão possuía a delicadeza cruel de quem nunca permitiu que nenhuma memória criasse raízes.

Olhei para trás.

O corredor desaparecera.

Olhei para frente.

Também.

Pela primeira vez compreendi que direção é uma superstição espacial.

Os homens inventaram o “adiante” porque tinham medo de admitir que toda caminhada é um círculo desenhado por uma reta delirante.

Não aquele silêncio que sucede um ruído.

Mas outro.

Mais antigo.

O silêncio anterior ao primeiro átomo.

O silêncio que existia antes mesmo da possibilidade da ausência.

Ele aproximou-se lentamente.

Sentou-se diante de mim.

Tinha mãos.

Não possuía rosto.

Nem precisava.

Os rostos são apenas máscaras que o vazio utiliza para conversar consigo mesmo.

— És o infinito? — perguntei.

Ele permaneceu calado.

Compreendi.

Responder seria limitar-se.

Todo nome é uma cerca construída ao redor do indizível.

Durante toda a história da filosofia confundimos definição com aproximação.

Quanto mais precisamente descrevíamos uma coisa, mais distante dela permanecíamos.

As palavras não alcançam.

Circundam.

Toda linguagem é uma órbita.

Jamais um pouso.

Sentei-me diante do silêncio.

Passamos um tempo conversando sem utilizar nenhuma existência.

Foi a conversa mais honesta que já tive.

Depois disso minha respiração começou a desaprender o ar.

Inspirava vazio.

Expirava distância.

Meu corpo tornou-se cada vez mais leve.

Não porque estivesse desaparecendo.

Mas porque finalmente abandonava o peso de acreditar em si mesmo.

Toda identidade é gravidade.

Toda consciência é um excesso de massa.

Todo nome é uma pedra amarrada ao tornozelo daquilo que gostaria de evaporar.

Comecei a perder substância.

Primeiro os ossos.

Depois a memória.

Mais tarde o tempo.

Por último o verbo.

O verbo foi o mais resistente.

Agarrava-se desesperadamente às minhas frases.

Recusava-se a morrer.

Era compreensível.

Os verbos vivem da ilusão de que existe movimento.

Mas o movimento nunca existiu.

Existiu apenas uma lentíssima mudança de perspectiva do imóvel.

Então aconteceu.

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As palavras começaram a abandonar suas funções.

Os substantivos transformaram-se em ventos.

Os adjetivos criaram ferrugem.

Os pronomes emigraram para um idioma mineral.

As vírgulas recusaram-se a separar o que jamais estivera unido.

Os pontos finais fugiram.

Ninguém mais conseguia terminar nenhuma frase.

Nem a realidade.

Observei o universo inteiro sofrer uma gramaticlise.

Era semelhante a uma avalanche.

Mas de sintaxe.

As montanhas perderam seus nomes.

Os oceanos esqueceram a profundidade.

Os relógios começaram a marcar apenas “talvez”.

As árvores floresciam perguntas.

As pedras produziam infância.

Os espelhos refletiam futuros extintos.

Os cadáveres envelheciam para dentro.

As crianças nasciam já saudosas de alguma coisa que nunca aconteceria.

Compreendi, finalmente, que o cosmos inteiro era apenas uma tentativa mal resolvida de conjugar um verbo impossível.

Exister.

Não existir.

Nem deixar de existir.

Exister.

Habitar o intervalo entre duas impossibilidades.

O universo era apenas isso.

Um intervalo pronunciando-se.

Passei a caminhar sobre conceitos.

Pisei na causalidade.

Ela quebrou.

Atravessei a essência.

Era oca.

Toquei a verdade.

Produziu eco.

Encontrei a identidade.

Dormia dentro de um armário cheio de máscaras descartadas.

Nenhuma servia.

Todas eram minhas.

Nenhuma me pertencia.

Foi quando descobri o último departamento daquele cartório.

A sala não possuía paredes.

Nem teto.

Nem chão.

Apenas uma inscrição suspensa.

“Setor de Cancelamento dos Absolutos.”

Entrei.

Sobre uma mesa havia um único documento.

Meu nome aparecia no alto.

Ou aquilo que um dia respondera por mim.

Logo abaixo lia-se:

Objeto do processo:

Revogação definitiva da necessidade de existir.

Assinatura do interessado: ___________

Não havia caneta.

Nem tinta.

Nem testemunhas.

Assinei com o desaparecimento.

No instante seguinte o universo inteiro respirou aliviado.

Como se minha identidade fosse um erro administrativo mantido durante bilhões de anos.

Então tudo começou a apagar-se.

Não em direção ao escuro.

Mas em direção ao impensável.

As estrelas esqueceram como iluminar.

A matemática desaprendeu o número.

O tempo arquivou sua última tarde.

O espaço dobrou cuidadosamente suas distâncias e guardou-as numa gaveta sem interior.

Restou apenas a página.

A primeira.

A mesma.

Ainda em branco.

Percebi, enfim, o segredo da Escritura Pública do Infinito.

Ela jamais registrou aquilo que existe.

Registrava apenas todos os fracassos da linguagem em tentar justificar o fato inexplicável de haver alguma coisa onde talvez bastasse o silêncio.

Fechei o livro.

Ou talvez tenha sido ele quem me fechou.

Desde então ninguém mais encontrou aquele cartório.

Alguns afirmam que nunca existiu.

Outros dizem que continua funcionando em algum lugar entre uma pergunta e outra.

Quanto a mim, já não posso oferecer testemunho.

Porque aquilo que um dia respondeu pelo meu nome foi definitivamente cancelado no registro das possibilidades.

Se estas palavras ainda chegaram até alguém, desconfie.

Talvez você não esteja lendo este conto.

Talvez seja este conto que acaba de protocolar, silenciosamente, a escritura pública do seu próprio infinito.

Clayton Alexandre Zocarato

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