180: o grito que não pode calar!

Sandra Albuquerque

Poema ‘180: o grito que não pode calar!’

Sandra Albuquerque
Sandra Albuquerque
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Me sinto frágil e indefesa
Às vezes, inerte na incerteza
De que alguém vai me ouvir.
Mas a realidade é cruel
Ninguém quer viver o meu papel.
É simples para muitos
O fato de eu não gritar.
Olho para os lados e vejo os meus filhos, tão fragilizados

realidade
O que fazer? Para onde vou?
O que contar?
Por outro lado,
Dependo dele e omissa fico.
Tremenda opressão.
É um olhar atravessado
Uma palavra agressiva
Fico frustrada
E naquele processo fico
E parece não ter fim.
Não durmo direito
E com os olhos cheios de olheiras
Coloco um óculos escuros
Para disfarçar.
Até que uma hora as palavras ,
a coação mental já não basta
E vem o primeiro tapa
E quando me perguntam o que foi isto?
Eu,simplesmente,digo que caí.
E outras agressões surgem
Meus filhos choram
O desespero bate
E nào.para por aí.
E eu fico ali
Naquela agonia
Como uma tempestade que nunca acaba.
Então ,eu penso
Afinal,vou para onde?
Mas …
Eu preciso acreditar
Que sou forte o suficiente
Para revidar e não aceitar
Eu preciso gritar
Preciso reagir
Este grito sufocado
Precisa sair do meu peito
Para eu conseguir sobreviver
Eu vou ligar 180
Ou usar os sinais com as mãos
Pedindo socorro
E…
Acreditar na justiça dos homens
E seja o que Deus quiser.

Sandra Albuquerque

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Omissão

Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Omissão’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
Imagem criada por IA no Bing - 09 de abril de 2025, às 10:16 PM
Imagem criada por IA no Bing – 09 de abril de 2025,
às 10:16 PM

O Sol se deitou, acobertado
Pelo manto rubro do poente…
Mas você não viu.

Nos jardins, as rosas se abriram
Inebriando o ar…
Mas você não sentiu.

Na rua, a criança pediu
Do lar, o velho partiu…
E você, nem chorou.

Sob a fúria da cavalaria
A multidão, trôpega, gritou,
Mas, diante da opressão,
Você se calou!

Às portas da Morte,
Você a viu, a sentiu,
Por ela chorou,
Em desespero gritou
Mas a Vida, outrora tão perto,
Repentina, o deixou!

Sergio Diniz da Costa

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Ao Deus-dará: Ecos de uma era perdida

Verônica Moreira: ‘Ao Deus-dará: Ecos de uma era perdida’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Imagem gerada por IA do Bing – 29 de novembro de 2024
às 11:23 AM

Soltaram as feras.
Eis que chega a nova era,
onde os omissos se calam,
engolem gole a gole a inverdade,
sem voz, mas com olhos que desviam.

Feras famintas, de golpes e sede,
não pelo bem de todos,
mas pelo banquete que os espera em suas mesas fartas,
no prazer egoísta, no churrasco que arde na sua própria brasa.

E eu, na dor de ter de aceitar o pecado,
prisioneiro deste fado,
silencio-me perante a força, a injustiça, o sistema.

Não sem voz, mas sem talvez…
Falo ou me calo?
Seria o meu grito apenas combustível para o ódio?

Cansaço…
É isso, o peso que recai sobre os ombros, a palavra certa.
Decepção, calamidade,
o sistema que se alimenta da corrupção.

Para os grandes, nada importa a fome dos pequenos.
É o que vejo – e o que eu daria para não ter visto.

Lamento profundamente por aqueles que se dedicam,
os que dão de si com verdade,
sem saber que são peões usados, peças descartáveis.

Ah, vida!
Oh, céus!
Haverá ainda esperança?
Vivem perdidos, abandonados ao acaso…

Ao Deus-dará?
Sim… porque é Deus quem dá.
E ainda bem que temos a Deus para nos dar.

Verônica Moreira

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